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Visão e cegueira

25 Mar

Visão de mundo implica num conjunto de sensações, incluindo aquelas que o aspecto Classical spectacle on eye chartcultural adiciona, ou seja, pensamos que vemos, mas nossa visão está condicionada pela tradição, e é o diálogo com a tradição que permite tirar o véu daquilo que achamos que vemos, um desvelar.

Isto foi tratado na filosofia desde Sócrates e Platão, o chamado mito da caverna, ou seja, o que vemos são sombras dentro de uma caverna é preciso sair para a luz para ver o que realmente o mundo, até chegarmos ao filósofo contemporâneo Heidegger, o Weltanschauung (termo alemão que significa uma cosmovisão ou mundividência,  onde uma orientação cognitiva é fundamental para que um indivíduo ou de toda uma sociedade possa de fato ver.

Em nosso cotidiano esta orientação abrange tanto a filosofia natural, com seus valores fundamentais, existenciais, normativos, seus postulados ou temas, suas emoções e de modo especial sua ética.

O que acontece então com uma pessoa que é cego de nascença ? Um dos milagres atribuídos a Jesus é que curou um cego de nascença (Jo 9,1-9), significa que o sistema cognitivo não está preparado para ver, então de fato é um milagre muito grande.

É o milagre que o mundo contemporâneo precisa, mergulhado numa cultural iluminista e idealista, onde o individualismo e consumismo são subprodutos porque são consequencias, fazer as pessoas enxergarem uma vez que são cegos de nascença, significa um “milagre”.

Mas qual é o milagre possível de acontecer, é o fato que existe o “desconforto” da modernidade, o que maus interpretes chamam de líquido, na verdade é um mundo em processo de mudança, porque o que está aí é incomodo e de certa forma desumano.

É preciso um novo Weltanschauung, uma nova cosmovisão, que inclua a TODOS

 

A noite da civilização

24 Mar

Em tese muito desenvolvimento teórico e até humano já foi feito, mas mesmo assim a NoiteHumanidadehumanidade patina em diversos campos: o cultural, o moral e até mesmo o religioso; claro que falo de um discurso ontológico nas três áreas e não do discurso iluminista.

Há uma noite cultural da humanidade, até os mais otimistas também sabem disto porque a cultura se vulgarizou, pouca leitura e interpretações excessivamente ideologizadas criam uma barreira entre a verdadeira cultural, que inclui a popular senão é mero elitismo, e o senso comum.

Vi elogios curiosos a Bertrand Russel recentemente, alguém que em sua própria autobiografia descreve-se com um liberal, um socialista e pacifista, sem convicção profunda em nenhuma delas, mas frases soltas, juntos ao fato que falou contra a guerra do Vietnã e ajudou a intermediar a crises dos mísseis em Cuba, de resto é um logicismo formal e nada mais.

No campo moral o que dizer, não se trata do Brasil onde esta crise chegou a proporções mais profundas, mas vemos que o cenário mundial não é tão diferente, veja-se por exemplo, a premiê da Coreia do Sul que se afastou por delitos que no Brasil seriam pequenos, e segundo dois ex-presidentes, um de cada lado para ser justo, são “relativos”.

E ainda há gente decente que saia em defesa destes, então roubar não é mais pecado.

Mas a noite religiosa, ou confusão entre quem cré em Deus, talvez seja para quem é religioso a mais difícil e a mais desastrosa, conforme dizia o profeta Ezequiel (Jr 7,24-25):

Mas eles não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para a frente, desde o dia em que seus pais saíram do Egito até ao dia de hoje.”  Claro que falava do seu tempo, mas a leitura é atual e chegam aos dias de hoje mesmo, porque também a mensagem evangélica é desviada para objetivos políticos ou ideológicos.

Em tempo de quaresma, poucos se acham a caminho de uma conversão, se sentem já prontos e plenamente convictos da realidade divina, que por mais que a conheçamos se projeta ao infinito e portando para um verdadeiro crente, deveria saber de sua ignorância e pouca fé.

Três noites que se confundem e se entrelacem, só entre as pessoas humildes vejo luz, pois é justamente porque se dividem em torno do que devia unir e se unem em torno da divisão, por isto foi dada a sentença: “‘Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra.” (Lc 11,2)

 

IoT e perspectivas futuras próximas

23 Mar

A IoT vista como um paradigma de uma sociedade em transformação poderá mudar, entre IoTptmuitas outras coisas, bibliotecas e equipamentos culturais permitindo maior interação com os usuários e provendo novos serviços, alguns poderão vir de aplicações nas nuvens.

A maioria dos objetos que hoje nos cercam estarão na rede de uma forma ou de outra, para se ter informações completas de cada um deles, será necessário o uso de repositório em nuvens, compartilhamento de informações e confiabilidade de dados.

Entre as tecnologias de identificação dos objetos se destacam a identificação por radiofrequência (RFID) e as redes de sensores que irão se crescer para atender a esse novo desafio, quais serão os novos sistemas de informação e comunicação que estarão presentes, embora invisíveis ao usuário, que terão ambiente ao nosso redor.

Isto resultará na geração de enormes quantidades de dados que devem ser coletados, armazenados, processados e serão apresentados de forma transparente, eficiente e com interpretação intuitiva por parte dos usuários, ou seja, simplicidade e eficiência resumindo.

Isto significa que modelo consistirá destes serviços se tornarão commodities como produtos e devem entregues de forma semelhante às commodities tradicionais.

A computação em nuvem deverá fornecer a infraestrutura virtual para tal computação utilitária que integra dispositivos de monitoramento, dispositivos de armazenamento e deverão comportamento tanto ferramentas de análise cujos fundamentos se encontram na Ciência da Informação, como plataformas de visualização e entrega aos clientes, cujos fundamentos estão tanto na Arquitetura da Informação como no design da Informação, sendo esta para expressar beleza e auxiliar no intuitivo do ambiente.

O modelo precisa considerar o custo que a Cloud computing oferece, ou seja, o serviço deve ser acessível ao usuário de ponta a ponta para que empresas e usuários acessem aplicativos em demanda de qualquer lugar sem que o usuário de chateie.

Conectividade inteligente com redes existentes e computação capazes de usar o contexto para  tratar recursos da rede, serão uma parte indispensável do IoT.

Uma internet que além dos aplicativos atuais incorporem sensores e atuadores conectando o mundo físico deverá emergir consolidando a IoT.

Algumas exigências são necessárias para que tudo isto aconteça sem complicações e com conforto do usuário serão: (1) a compreensão compartilhada da situação destes objetos em seus aparelhos (relógios e óculos e a conexão com celulares, por ex.) (2) firmware para comunicação evasiva entre redes cobrindo a informação contextual onde ela é relevante, e, (3) ferramentas analíticas na IoT que auxiliar a autonomia e comportamento simples da IoT.

O progresso da IoT só está começando, mas o período de desconfiança passou.

 

A arte que reeduca o olhar

22 Mar

Sempre que olhamos determinadas cenas e lugares públicos vemos algo além do real,CowParade

são nossas imaginações que remetem a memória e a nossa fantasia sobre aquele local, era mais fácil fazer isto antigamente porque havia um pouco de poesia e arte no ar, e agora ?

Bem o mundo digital, demonizado por alguns e mal-entendido ainda por muitos analistas, tudo leva um tempo de maturação, já tem diversas instalações e novidades.OlharNovo

É o caso do artista e fotógrafo Gerson Turelly, cuja concepção e manipulação digital foram feitos em Israel, mas a maioria dos pontos turísticos com imaginação virtual é do Brasil.

Seu projeto tem o nome de “Olha de Novo” e conforme ele própria afirma o objetivo é  “criar uma conexão lúdica com a bagagem de memórias de cada indivíduo em relação aos espaços e pontos turísticos de sua cidade“.

Você pode acompanhar o trabalho criativo no site do artista, onde vai ter mais informaçõesGordinhas sobre este projeto, como qual o processo que usa na composição de suas criações.

É na minha opinião uma reinvenção de obras que já conhecemos como as “gordinhas” de Salvador, trabalha da artista plástica Eliana Kértsz, onde as variações são braços, pernas, bochechas cheios de curvas e volume.

Também a chamada “Cow Parade“, ou “parada das vacas”, que rodou o mundo, mas em cada cidade permitia a sua comunicação visual com o o espaço, por exemplo em diversos pontos turísticos de Belém as vacas feitas de fibra de vidro que foram customizadas por artistas regionais selecionados, e tiveram como madrinha Fafá de Belém.

O interativo e o participativo entram no imaginário da arte contemporânea, e é Arte.

 

 

Utilitarismo e logicismo

21 Mar

Parecem pouco conectados, mas o são totalmente como boa parte da ciência moderna, queBertrand_Russell viu no logicismo seu maquinismo de raciocínio e no neologicismo, do Circulo de Viena uma tentativa de recuperação.

Mas a principal ligação pode-se na ligação de Bertrand Arthur William Russell, 3.º Conde Russell, nascido em 18 de maio de 1872 e falecido em 2 de fevereiro de 1970 em Gales, um influente matemático do século XX e considerado também lógico e literato, uma vez que recebeu o prêmio Nobel de Literatura, em 1950, por ter variados e significativos escritos, nos quais ele lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento“.[

Teve 4 casamentos e recebeu o título de 3º. Conde pela Ordem do Mérito da Royal Society (OM-FRS).

Nele é possível observar a ligação entre o seu logicismo, e o utilitarismo de seu padrinho no mundo filosófico através do utilitarista John Stuart Mill.

Sobre o seu próprio pensamento admitiu que não foi profundo em nenhum deles, tendo escrito isto em sua própria autobiografica onde se considerou um liberal, um socialista e um pacifista, mas todos sem profundidade.

Apesar de todas estas contradições, sua autoridade moral advém do fato que lutou contra as a guerra do Vietnã, e mediou junto com Albert Einstein a famosa crise dos misseis em Cuba.

Escreveu um pesado livro contra o cristianismo: Porque não sou cristão, onde chega duvidar da figura histórica de Cristo.

A ligação do utilitarismo com o seu logicismo, mostra que ambos estão na raiz do pensamento liberal moderno que deu origem ao neoliberalismo, ou seja, uma forma de ver e julgar o mundo social, que tiveram em Friedrich A. Hayeck e Milton Friedman seus grandes

 

Não existe economia digital ?

20 Mar

Os tecnófobos alimentam estas além de outras ilusões, aliás ganham dinheiro falando isto, DigitalEconomymas a economia digital já atingia os U$ 110 bilhões em 2014, somente com os aplicativos Uber, Airbnb e Kickstarter; sem falar em smartphones, tablets e laptops.

A expectativa é que estes três aplicativos atinjam U$ 1 trilhão em 2017, o que é superior ao PIB de muitos países no mundo e um terço do brasileiro, se unirmos todos aplicativos provavelmente serão superiores ao nosso PIB.

Victor Reimann, de apenas 25 anos e um dos sócios da desenvolvedora e incubadora de projetos de economia colaborativa Engage, com sede em Porto Alegre, esclarece que esta economia “atraiu pessoas primeiro por uma necessidade de otimizar recursos”.

Yuri Faber criador da Zasnu, que oferece serviço de compartilhamento de veículos, afirma que “A recessão global fez as pessoas tomarem consciência de que um consumo colaborativo é bom para diminuir o custo e bom para todos”.

Eu sei em Berlim, a Justiça já baniu alguns serviços do Uber, também na Austrália na cidade de Melbourne, a prefeitura já multa motoristas que recebem dinheiro para transportar passageiros intermediados pelo aplicativo, mas no Brasil conheço vários amigos que viajam dividindo a viagem, e o número de pessoas que faz isto tornará impossível qualquer fiscalização, afinal não são carros da Uber ou de outros serviços, claro você precisa ter um bom carro.

O Airbnb hospedou mais de 120 mil pessoas durante a Copa, claro aproveitando da especulação da rede hoteleira além de precários serviços.

A economia digital vai crescer mais ainda, e mesmo os que ganham dinheiro falando mal dela, poderiam ter seus ganhos computados como economia digital, assim geram um curioso paradoxo: falar mal da economia digital faz ela crescer em números reais neste caso.

 

A ética hermenêutica

17 Mar

Se a ética romântica se desviava pouco do modelo moderno que se fixa na interpretaçãoDialogo dentro do contexto e da apropriação cultural, já dissemos que a alteridade e mais que isto a compreensão do Outro (já explicamos o maiúsculo), é algo que promete colocar em incessante diálogo, relativizando métodos que implicam em colocar o correto de um só lado.

A palavra que usamos sem explicar Verstehen (“compreender”) em alemão já expressa isso: estar no lugar de alguém (für jemanden stehen), dirigir-se para os outros e falar pelos outros, dir-se-ia usando

Esperamos que tenha ficado claro que nem será possível uma consciência no sentido de uma plena identificação consigo mesmo, e também no sentido histórico, nem o alcance de uma verdade absoluta, sem uma abertura concreta ao Outro, disto advém uma ”ética”.

Esses limites também estão na ideia de finitude defendida pela hermenêutica: ninguém pode conhecer plenamente a si mesmo, nem muito menos o outro, senão aberto ao infinito.

A “ética hermenêutica do diálogo”, vem de um desenvolvimento da ideia de sabedoria prática presente nas três éticas aristotélicas, na forma da racionalidade prática (phrónesis), que na realidade, é um conceito platônico, e sabemos que Aristóteles foi um de seus discípulos.

As teses que Platão desenvolveu giraram em torno da ideia de “bem” (ἀγαθόν), mas não como a base de uma perspectiva ontológica, mas como uma pergunta pelo ético no sentido próprio, enquanto Aristóteles teve a intenção maior de criticar a teoria das ideias, além de fornecer uma base para a sua teoria da phrónesis, isto é, concretizando esta ética no estatuto humano.

Sua Etica NIcomaquéia é já ontológica, onde ele pôs os modos de comportamento (ἦθος), com regras dependiam da mutabilidade e da limitação do Ser humano e do modo de ser humano se comporta, então deve ser estabelecido no seu modo variável de escuta atentado outro, assim a linguagem e o diálogo precisam ser adequados e respeitados.

Em Gadamer, a teoria não se encontra em oposição à atividade prática, pois ambas se põe numa presentificação da práxis, o mais elevado modo de ser do ser humano, dá como prova que somos absorvidos (aufgehen) por algo, ao nos demorarmos (verweilen) observando-o e sentirmos certo “orgulho”, mas este se esvazia logo se não há o ato reflexivo da vida.

Afirmará isto de forma bem clara: “o saber hermenêutico deve recusar um estilo objetivista de conhecimento … Ora, o conhecimento ético, tal como Aristóteles nos descreve, também não é um conhecimento “objetivo”. Aqui, ainda, o conhecimento não simplesmente diante de uma coisa eu se deve constatar; o conhecimento se encontra antecipadamente envolvido e investido por seu “objeto”, isto é, pelo que ele tem que fazer.” (pag. 49)

Mas faz uma profunda diferença com o saber técnico, ao afirmar: “Ninguém pode ignorar que há diferenças radicais entre o saber ético e o saber técnico. É evidente que o homem não dispõe de si mesmo como o artesão dispõe de seu material.” (pag. 51)

O que Gadamer vai chamar de saber ético, e o faz apoiado em é distante daquele Hegeliano “saber-para-si”, pois “precisamente nessa “aplicação perfeita” que se desdobra como “saber” na interioridade de uma situação dada” (pag. 55), assim como “o justo significa o contrário não do erro ou da ilusão, mas da cegueira” (idem), e é justamente esta cegueira que “perde o controle de si e, dominado pela dialética das paixões, já não se orienta mais em função do bem.” (idem).

Assim, quase definirá ética, hermenêutica é um processo dinâmico alheio a definições, dirá que saber ético: “se opõe precisamente a um saber puramente técnico.  Assim sendo, não há mais nenhum sentido em distinguir saber e experiência … uma forma absolutamente primordial de experiência, em relação à qual todas as outras experiências talvez sejam secundárias, não originais.” (p. 55)

GADAMER, H.G. A questão da consciência histórica, 3ª. Edição, São Paulo: FGV, 2006.

 

Consciência no circulo hermenêutico

16 Mar

A análise de Gadamer é que as humanidades (substituo definitivamente o termo em HermeneuticoCicloalemão Geiteswissenschaften) é diferenciar o que Mish e Dilthey chamaram de “distância livre em direção a si mesmo” como o verdadeiro problema das humanidades na filosofia, que era o verdadeiro pressuposto de Heidegger, e não apenas o “problema do ser”.

Conforme Gadamer indica “ele se encontra na conexão entre a “vida” que sempre implica consciência e reflexividade e ´ciência, que se desenvolve a partir da vida como uma das possibilidades.” (pag. 12)

Indicando que a existência enquanto “ser no mundo” (expressão conhecida de Heidegger) “revela plenas o Verstehen como possibilidade e estrutura de existência” (idem).

A razão de recorrer a Heidegger é clara, já que “as ciências humanas adquirem uma valência “ontológica” que não poderia permanecer sem consequências para a a sua autocompreensão metodológica [e] … encontram-se mais próximas da autocompreensão humana do que as ciências naturais.  A objetividade destas últimas não é mais um ideal de conhecimento inequívoco e obrigatório.” (idem)

Ele tocará na segunda conferência a questão da hermenêutica tradicional de Dilthey, que já tocamos de relance no post anterior, depois retomará Aristóteles que o fez reconhecer o “entrelaçamentos particulares do ser e do conhecimento” para depois discursar sobre a Ética a Nicômacos, que será nosso último tema, mas sem antes deixar de reconhecer “a ´mistificação´científica da sociedade moderna em que reina a especialização” (pag. 13).

O último tópico se fecha ao segundo, ao discorrer sobre a hermenêutica “romântica” de Dilthey, na segunda conferência, retoma o tradicional “círculo hermenêutico” (aqui já pensando em Heidegger que o esboçou), “se apresenta sob novo aspecto e adquire importância fundamental.” (idem)

Afirmando que o círculo hermenêutico é rico em conteúdo (inhaltlich erfüllt) ao reunir interprete e seu tenho numa unidade interior em total movimento (processual whole).

Compreensão implica em uma pré-compreensão e esta por sua vez é prefigurada por uma “tradição determinada que vive o intérprete e que modela os seus preconceitos.” (idem)

Para Gadamer, todo encontro implica em “uma suspensão de meus pré-conceitos” (idem) que por “encontro com uma pessoa com quem aprendo minha natureza e os meus limites” (idem), mas sua revolução está em que “é impossível contentar-se em “compreender o outro”, quer dizer buscar e reconhecer a coerência imanente aos significados-exigências do Outro” (pag. 14), o maiúsculo é meu pois há confusão em discursos sobre isto, e é o próprio Gadamer que esclarece: “Um chamado está sempre subentendido.” (idem)

Sua conclusão é contrária a todo recurso e discurso que não se vale da verdadeira alteridade, de um dialogismo sério onde o outro, seja realmente o Outro, eis a razão do nosso maiúsculo.

Gadamer chega a afirmar: “que eu esteja disposto a reconhecer que o outro (humano ou não) tem razão e a consentir que ele prevaleça sobre mim” (Idem), poderia concluir mas … diz aí

 

O problema da consciência histórica

15 Mar

Em 1957 Hans-Georg Gadamer foi convidado a lecionar por um trimestre na HermeneuticaRomantica2Universidade de Louvain, em 1963 apareceu em francês com o título Le probleme de la conscience historique, e ainda não havia a obra maior do filósofo hermeneuta “Verdade e Método”.

Depois dela apareceu em 1969 uma versão italiana do texto, mas foi na versão inglesa de 1975, que conforme afirma Gadamer ele se “reencontrou consigo mesmo” revendo o texto original para publicação em inglês, desta edição foi feita a tradução para o português, como primeira edição em 1998, e a edição que leio é de 2006, 3ª. edição feita pela FGV.

O livro é, portanto um poderoso preâmbulo para quem deseja ler Verdade e Método, onde o problema da consciência histórica e sua relação com o método remonta a Schleiermacher e sua releitura feita por Dilthey, sendo Gadamer “seu ideal é decodificar o Livro da História” (Gadamer, 2006, p. 11).

As conferências de Gadamer que foram base a este opúsculo, refletem o “problema de introduzir o problema hermenêutico a partir da perspectiva de Husserl e Heidegger” (pag. 10), problema que foi portanto tratado de modo especial na Alemanha, onde graças a Wilhelm Dilthey e ao que se chama sua Lebensphilosophie” (idem), a filosofia da vida.

O problema da interpretação conforme as leis da natureza, em alemão Geisteswissenschaften*, Gadamer esclarece que em Verdade e Método ele começou deliberadamente a invocar outro exemplo, “representado pela experiência da arte e a dimensão hermenêutica, que intervém, com toda certeza, no estudo científico da arte, mas antes de tudo na própria experiência da arte.” (pag. 10)

Ele vai com isto se distanciar de Dilthey, que se propôs a construir uma base epistêmica para as Geiteswissenchaften, mas não se via como o filólogo, esclarece, mas como “um teórico do método de uma escola história que não via “a compreensão de textos e outros fragmentos do passado como seu objetivo último”, escreveu Gadamer citando Dilthey.

O que Dilthey esperava era conciliar as ciências interpretativas com sua objetividade científica, a ideia inicial era dar a hermenêutica um método universal.

Gadamer esclarece qual é sua posição: “mostrar que a autocompreensão com relação às ciências não é verdadeiramente consoante com a sua posição fundamental em termos da Lebensphilosophie” (pag. 12), e esclarece que a possibilidade humana do pensamento reflexivo, “não coincide em verdade com a objetivação do reconhecimento através do método científico.” (idem)

Vai esclarecer que a conexão entre a “vida” quando se fala de consciência e reflexividade e “ciência” (ele pôs entre parêntesis), desenvolver-se a partir da vida é uma das possibilidades.

*A tradução segundo o próprio Gadamer é “Ciências Humanas”, no Brasil “Humanidades”.

 

Criatianismo e Idealismo

14 Mar

Se a essência do idealismo é a separação de objeto e sujeito, faço uma inversão proposital, a essênciaSaint do cristianismo para Ludwig Feuerbach é separa do sujeito e os objetos sensíveis, e para Feuerbach a consciência do objeto pode ser, embora distinguida da consciência de si, uma consciência que coincide logo em seguida ao se tratar do objeto religioso, devido sua “transcendência” é exatamente o que o faz retornar-se a consciência de Si, explico.

Para Feuerbach, e o objeto sensível está fora do ser (embora a ontologia aqui seja só um apelo), o objeto religioso está nele, é um objeto intrínseco, e tão pouco o abandona, a sua consciência moral o abandona, é um objeto íntimo, e mesmo o mais íntimo, é o mais próximo de todos.

A sua crítica a Teologia, usando o idealismo pressupõe essencialmente um juízo crítico, a “diferença entre o divino· e o não-divino, entre o que é e o que não é digno de adoração”, assim com este dualismo é possível jogar todo a essência do divino na vala comum do Ideal.

A consciência de Deus é a consciência em si do homem, eis o idealismo Hegeliano tornado religião: o conhecimento de Deus é o conhecimento de si do homem.

A negação do sujeito é considerada como irreligiosidade, e sua relação com objetos sensíveis, uma negação do sujeito, eis a religião ateia de Feuerbach, a qual Marx de voltará chamando-a de Velhos Hegelianos, e procura fazer sua inversão, agora do objeto ao sujeito, eis a nova versão “religiosa” dos Jovens Hegelianos, como Marx.

“Não se trata mais do Céu para Terra” disse Marx, mas agora “da terra para o céu”, ou seja, do objeto para o sujeito, da força de trabalho e da produção, para sua divinização.

Se para Marx, a fetichização era a separação do trabalho de seu instrumento de trabalho e da mercadoria, fetichização pode ser a reificação (rex – coisa) ou a objetivação, onde vê a separação do sujeito e o objeto, no fetichismo religioso é a separação do consumo (pecaminoso) e indivíduo (visto sem autonomia) ao qual o religioso deve “assistir”.

A relação justa com o dinheiro, com o trabalho, com a saúde e educação, não é senão uma superação da visão idealista religiosa, sua consumação num homem em relação harmônica com o mundo, e neste caso, também a beleza, a poesia e vida saudável tem perspectiva.

Mas o que é consciência ? amanhã voltamos nisto.