RSS
 

(English) Physicists prove: reality is not objective

19 Mar

O que era uma hipótese é um fato demonstrado por experiência, o que por si já é contraditório uma vez que algo contraditório pode ser verdadeiro, no entanto a experiência feita na Universidade Heriot-Watt da Escócia mostrou que duas pessoas podem ver a mesma realidade de formas diferentes e ambas estarem certo, o artigo está publicado.
Desde o aparecimento do observador caiu a grande hipótese da ciência contemporânea que a realidade independe do observador, o nome sugestivo do artigo é exatamente isto: “Rejeição experimental da independência do observador no mundo quântico”, seus autores são: Massimiliano Proietti, Alexandre Pickston, Francesco Graffitti, Pedro Barrow, Dmytro Kundys, Cirilo Branciard, Martin Ringbauer, Alessandro Fedrizzi, e está publicado na arqXiv da Cornell University.
A experiência envolveu duas pessoas que observam o mesmo fóton, a menor unidade de luz que pode agir como partícula ou onda sob diferentes condições, sendo esta justamente a novidade, que ambos observando sobre as mesmas condição observam realidades distintas, então pode-se dizer que existe a superposição de realidade, ou seja, ambas estão ao mesmo tempo verdadeiras.
Enquanto um cientista analisa o fóton e determina seu alinhamento, o outro sem saber de sua medição, verifica se existe uma superposição quântica ou não, enquanto um experimenta a realidade enquanto partícula e o outro enquanto onda, e ambos estão tecnicamente corretos.
O experimento chamado de 6-fótons, de última geração que é o mais simples para experimentos, verifica a chamada desigualdade de Bell (qual Einstein usou para tentar contradizer o fenômeno quântico), e esta medida pode ser verificada experimentalmente através de 5 medidas de desvio padrão (estatística) associadas a ela, é um pouco complicado, mas o resultado é este para quem conhece o fenômeno. 

 

O primeiro contato com Gaudi

18 Mar

O artista, arquiteto e diria místico Antonio Gaudi i Cornet (1852-1926) só vai nos impressionar se andamos por sua obra, sentimos o seu “aroma”, tudo o que li nos livros foi abaixo, por isto foi mesmo meu primeiro contato. 
Foi uma decisão estratégica ver Gaudi em Barcelona de fora para dentro, a última coisa do primeiro dia foi ver a sua principal obra A Sagrada Família, no seu coração, nem sempre é aberta ao público, no nosso caso para uma missa: na cripta.
O dia seguinte foi para passear pelo cais e os locais onde Gaudi ia, também passamos pela esquina onde o Bonde (elétrico em Portugal) o atropelou, ficou dias incógnito até o reconhecerem e no terceiro dia faleceu.
Passei rapidamente, mas a Casa Vicens (1883-1888) é uma casa de verão desenhada por Gaudi, encomendado pelo dono de uma fábrica de tijolos e de ajulejos, Manuel Vicens, que deste 2016 tornou-se museu aberto ao público, marca seu estilo em transição.
As primeiras obras suas que fui ver, no dia seguinte, foram o candeeiro público na Praça, uma obra de sua juventude, a casa de Milà (foto) depois a Casa Batlló, feita de 1904 a 1906, com a companhia de um amigo Javier que me explicou o futurismo da obra com espaço para luzes e ar no interior do prédio, e os contornos rebaixados nas pontas, para não ofuscar a arquitetura do prédio ao lado.
Depois de passar por várias outras obras fomos a Sagrada Família, cujo projeto está sendo terminado por outros arquitetos respeitando as ideias de Gaudi, começou em 1883 e fez até o dia que foi atropelado.
As imagens estão todas do lado de fora, é uma verdadeira escola bíblica (ele dizia que ia fazer uma catequese de pedra e a fez), e dentro as luzes e o som dos órgãos de tubo (me pareceram dois, não confirmei), parecem ser um templo todo a orar, como foi definido “templo expiatório”, mas prefiro mesmo Catedral da Sagrada Família.~
De 1984 a 2005, sete de suas obras foram classificadas como patrimônio Mundial pela UNESCO e sua devoção católica que se intensificou durante sua vida, rua obra rica no imaginário e diria até na cosmogonia religiosa, levou a uma proposta de sua beatificação.

 

O binário e o trinitário

15 Mar

Se escapamos da lógica do Ser e do Não-Ser, um caminho praticamente natural é o trinitário, ou seja, o Ser-é, o não-ser também é e assim temos contraposto o princípio do terceiro excluído do qual fala Aristóteles, e o pensador francês Florent Pasquier lembra deste esquecido princípio agora rompido.
Junto com a filosofia, a física também rompeu este princípio, já que ir de A para B em qualquer ponto do universo temos que passar por um ponto C intermediário, a física quântica mostrou que é possível este fenômeno, negado por Einstein e colegas, e por isto ficou conhecido com fenômeno EPR (Einstein-Podolsky-Rosen), mas este “teletransporte” já foi comprovado mais tarde.
Porém quando se trata da natureza humana e sua complexidade, o problema é mais complexo, pois o que significa falar do não-ser, em dias atuais significa a negação de culturas, de indivíduos, de doutrinas e até mesmo de métodos, a afirmação do Ser, a negação de culturas milenares existentes em todo o planeta, e a visão delimitada de uma escatologia (visão do inicio e do fim) podem levar a uma afirmação do Ser perante culturas diferentes, tornando o não-Ser praticamente impossível e o diálogo um ato de hipocrisia, não se aceita o diferente.
O dualismo se fixa em mente e corpo, pior ainda de modo contraditório e não complementar, mas há um terceiro excluído que é o espírito, parte quase metafísica, e pouco material que resulta numa relação comunicacional nova, própria do espírito, a Noon esfera.
Autor desta visão da complexidade humana, a noosfera, Chardin explica a substancialidade da seguinte forma o espírito: “é preciso representá-lo … como uma substância excessivamente empobrecida e reduzida. A união, não esqueçamos, não apenas transforma, não apenas adiciona, também produz. Cada nova união realizada aumenta a quantidade absoluta de ser existente no Universo” (Chardin, 2006, p. 108), esclarecendo que não uma simples “hule”, que é a matéria dos gregos.
Esta união é uma força espiritual, uma “comunhão” e não apenas simples associação, e estas três realidades Ser, Não-Ser e Outro que compõe este novo princípio sem o terceiro excluído, é o trinitário.
A passagem bíblica do Tabor, simplificada até mesmo pelos apóstolos que imaginaram Moisés e Elias junto a Jesus era a incompreensão do trinitário, onde o Espirito é o terceiro elemento desta “união”.

O vídeo em evento na Universidade Católica de Brasília, aparece Florent Pasquier mais a frente em sua palestra convidada:

 

 

Do binário e do dual

14 Mar

Não é o mundo contemporâneo que criou a lógica dualista binária, esta apenas simplificou a aritmética usando a Álgebra de Boole, pelo fato que simular 0 e 1 numa máquina é mais simples do que uma aritmética decimal que a civilização ocidental adotou.

Porém a onto-lógica do Ser que vem de Parmênides que diz o ser é, e o não ser não é, e chegou aos nossos dias pelo racionalismo cartesiano e o idealismo kant-hegeliano, estamos divididos em dois mundos: o ser e o não-ser, o certo ou incorreto (há o principio da incerteza), opressor e oprimido, o ente e o ser, que afasta o objetivismo e o subjetivismo de qualquer discussão ontológica.

Em termos filosóficos, é difícil, mas esclarecedor, “Pelo fato de a metafísica interrogar o ente, enquanto ente, permanece ela junto ao ente e não se volta para o ser enquanto ser” (HEIDEGGER, 1983, p. 55).

É um equívoco pensar que Heidegger superou a metafísica destruindo-a, pois ele a vincula de modo essencial ao dasein (o ser-ai numa definição simples), escrito de modo claro em seu texto: “A metafísica é o acontecimento essencial no âmbito de ser-aí. Ela é o próprio ser-aí” (HEIDEGGER, 1983, p. 44).

É pelo acontecimento metafísico que o ser-aí humano que se estabelece relação com o ente, mas isto dá-se no mundo, é preciso ser-no-mundo (do modo mais amplo) e este ser exige uma relação de não-ser para estar com o Outro, que não é o Mesmo, então não-ser também é Ser.

Pode-se confundir com o nada, o nihilismo é uma essência do nosso tempo, e pode levar ao tempo do vazio, como pensava Nietzsche, e atualmente Lipovetsky (A era do vazio).

O ser trinitário exige além do Eu (que não é o Mesmo pois admite o Outro), o Outro e o não-Ser que é algo além do nada, conforme explica Teilhard de Chardin:  “o nada-ser coincide com a pluralidade completamente realizada. O nada puro é um conceito vazio, uma pseudo-ideia” (Chardin, 2006, p. 107).

É possível uma relação que ultrapasse o nível do diálogo formal, é preciso este não-ser, um vazio que admite o Outro, diferente do Mesmo.

 

CHARDIN, T. P. Em outras palavras. São Paulo – SP: Martins Fontes, 2006.

HEIDEGGER, E. Que é metafísica. São Paulo – SP: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os Pensadores)

 

A filósofa brasileira Viviane Mosé apresenta de modo cotidiano a questão do ser e não ser:

 

 

A Web fez 30 anos

13 Mar

Ainda confundem a internet, a Web e a Rede, embora possam estar superpostos, são aspectos diferentes que unidos deram uma cara ao mundo, os pessimistas dizem pior, os otimistas dizem que aponta para o futuro, os realistas dizem que é um novo tempo com dificuldades e facilidades, bem utilizadas serão promissoras para o futuro.
No dia 9 de março, no CERN onde trabalhava Tim-Berners Lee quando fez uma proposta de um interpretador para a Internet chamada pelo termo Web que significa teia (foto), a ideia de seu artigo original era uma facilidade de manusear textos científicos online que no mesmo momento que fossem escritos estivessem prontos para serem lidos, o que fazem blogueiros e twiteiros hoje, mas isto foi a Web 2.0 em 2005.
Em Genebra no CERN Berners-Lee se reuniu com Robert Cailliau, engenheiro informático pouco citado, mas foi de fato quem fez o primeiro sistema de hipertexto, a eles se juntaram outros especialistas para discutir o presente e o futuro da World Wide Web, ou a Web.
O evento, denominado Web @ 30, foi aberto no dia de ontem (12/03) pela Diretora Geral do CERN Fabiola Gianotti, em colaboração com duas organizações fundadas por Berners-Lee: a World Wide Web Foundation e o World Wide Web Consortium (W3C), recentemente o CERN restaurou o primeiro website e o navegador de modo online brower, mostrado no evento Hackathon (de 11 a 15 de fevereiro de 2019).
Os problemas de segurança, politicas de manutenção da internet livre, governos e estruturas empresarias desejam seu controle e em alguns países não é um serviço livre, fake news e outros foram temas de debate.
Um tema promissor para o futuro é o projeto SOLID, já fizemos um post sobre ele, está em pleno desenvolvimento com a colaboração de pesquisadores do MIT, mas a espectativa é alta e ainda haverá muito trabalho de especialistas para dar ao mundo uma Web confiável.
O hobista Suhayl Khan mostrou como acessar o browser em modo online usando tecnologia dos anos 1960 (quando só havia internet e com poucas facilidades) (Video: Suhayl Khan):

 

Smartphone dobrável, novidade ?

12 Mar

A feira Mobile World Congress feita na última semana de fevereiro em Barcelona trouxe como novidade as telas dobráveis, dobrável ao meio apenas, e cuja novidade é melhorar a experiência do usuário, tanto juntando as duas metades, como separando-as do aplicativo e o conjunto dele em duas telas, criando uma experiência de “janela ativa” nova, agora separada em tela.

O Huawei Mate X surge e em breve a Samsung lançará o Galaxy Fold (26 de abril), ambos dobráveis, mas sem caber no bolso.

Custou bilhões de euros o desenvolvimento, o apelo não é tão grande assim e o preço poderá ser proibitivo pelo menos num primeiro momento para os bolsos de classe média em descida.

As opções que de fato devem atrair os mercados são os Lançamentos Mi 9 da Xiaomi e o Galaxy S10 Plus da Samsung, que tendem a ter performance da maioria dos cenários em uso, mas com uso de aplicativos que facilitam o uso de jogos e Google Play Store mais rápidos, e tem recursos embutidos de inteligência artificial que ajudam melhorar fotos e segurança.

Os dois trazem os recursos de câmera tripla melhorando as possibilidades de fotos e vídeo, o Galaxy S10 traz um sensor especial de 12 MP com lente grande angular e outro de 12 MP com lente teleobjetiva dando um zoom ótico de 2x, e o terceiro com lente de 123º de abertura.

Os lançamentos trazem chips mais modernos do mercado, o Snapdragon 855 da Qualcomm, embora no Brasil por razões de custo, ao menos o coreano, sairá com o Exynos 8920.

O preço de venda do S10 dos EUA é de 999,99 dólares (cerca de 4 mil reais no Brasil), enquanto o Xiaomi Mi 9 cerca de 450 euros, algo em torno de 2 mil reais, ou seja, a metade.

Na europa estão disponíveis versões com memória de 6, 64 ou 128 GB, os dobráveis por enquanto só anúncios a preços proibitivos: 2 mil euros, ou 8 mil reais, acho que alguns fabricantes que vão lançar com duas telas vão se dar bem, a experiência é quase a mesma.

O vídeo abaixo dá uma mostra do Mate X da Huawei:

 

 

 

Aroma, tempo e flores

11 Mar

O tempo urge, tempo é dinheiro, o ser e o tempo, porém a interpretação do tempo não é secundária, considerá-lo absoluto, ou mesmo a “quarta dimensão”, que depende dele, mas não o é, tempo é duração e quanto não o sentimos perde o “aroma”.
Assim o define Byung-Chul Han em seu “O Aroma do tempo: um Ensaio Filosófico sobre a Arte da Demora” (Relógio d´Agua, 2016) que usando Marcel Proust o define assim: “A sua estratégia temporal frente a essa época apressada consiste em contribuir para que o tempo recupere a duração, o Aroma” (Han, 2016, p. 57).
O romance de Proust que se refere é “Em busca do tempo perdido”, não se apresse não tem nada a ver com o universo digital, está falando de uma obra publicada em sete volumes entre o anos 1913 e 1925, em sete volumes, período da fundação da loja Pequeno Jardim em Lisboa, no Bairro Alto, na rua Garret, 61 (foto, ainda está lá).
Fala da “destemporalização” do Ser, perder a continuidade, a permanência, faz uma citação de Proust de algo que já senti, mas no sentido inverso: “O homem que fui já não existe, sou um outro”, e diz que isto é uma crise de identidade, senti a mesma crise porém num sentido oposto, algo que encontrei numa poesia portuguesa contemporânea chamada Café Orfeu.
Diz a poesia do português Manuel António Pina, ao final: “E a [vida] que eu regressava, lentamente como se antes do teu sorriso alguém (eu provavelmente) nunca tivesse existido”, claro fala de um encontro de uma pessoa, pode-se pensar o sorriso como vida (suposta no texto com meu acréscimo), ou como desejaria Marcel Proust um aroma encontrado, os cheiros que senti e provei em Lisboa.
Como penso em reflorescimento, tema de Martha Nussbaum para uma retomada do “aroma do tempo”, lembro de um fado de Amália Rodrigues que diz que “cheira bem, cheira à Lisboa”, a letra fala de flores na tapada, diz a letra do fado entre outros versos:
“Um craveiro numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa,
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, Cheira a Lisboa”
Lisboa tem cheiro de flores e de mar, diz ao final, mas as flores são de plástico, e se não cuidarem (as sardinhas estão a desaparecer) o mar também será de plástico, mas estou a sonhar com um “reflorescimento”.
Segue o fado, da imortal Amália Rodrigues:

 

Temperança, virtual, vícios e virtudes.

08 Mar

Virtual vem da mesma raiz de virtude do latim virtus, significa que algo é potencial e devem ser atualizado (uma ou mais vezes, podendo ser infinitas) para ser uma “virtude” real, algo que é um bem, uma bondade ou o belo, se de deteriora é um vício que também deve ser atualizado, para atualizar deve ser praticado com uma “ascese”, um modo de evoluir.
O que caracteriza a contemporaneidade é uma ascese desespiritualizada, ou seja, uma “vida de exercícios” afirma Sloterdijk, devemos fazer “exercícios” para comer, para ter certa forma, para mudar isto ou aquilo, mas sem que isto signifique de fato alguma evolução espiritual, significa mudar apenas as condições materiais ou corporais sem relação com o espiritual, a sabedoria ancestral, não apenas a judaico-cristã, mas também a oriental, a africana, a hindu e a árabe sabiam disto, onde foi que tudo se perdeu ?
Aonde se perderam todas as civilizações e sociedades, a chamada “destemperança”, ou a falta de equilíbrio: financeiro, de saúde, de trabalho ou qualquer aspecto da vida cotidiana.
Uma das quatro obras da Ética de Aristóteles, contestada como verdadeira por alguns acadêmicos, é Dos Vícios e das Virtudes, a mais curta, válida ou não, a obra deve ser lida, nela Aristóteles estabelece que não há virtude inatas, são adquiridas pela repetição de atos, gerando o costume, não se deve desviar-se nem pela falta, nem pelo excesso, pois a virtude consiste na justa medida, longe dos dois extremos, é assim, temperança.
Ao falar de vícios e virtudes na Ética a Nicómaco esclarece Aristóteles: “E cada uma delas, de certo modo, opõe-se às outras duas, pois as disposições extremas são contrárias tanto ao meio-termo quanto entre si, e o meio-termo é contrário às disposições extremas; do mesmo modo que o médio é maior em relação ao menor e menor em relação ao maior, também os estados medianos são excessivos em relação às deficiências e deficientes quando comparados com os excessos, seja nas paixões, seja nas ações“, ao pensar a virtude como meio Aristóteles, ele a pensa como temperança, ou equilíbrio.
As virtudes porém são mais que isto, em termos atuais a desespiritualização corresponde ao desejo de responder ao espiritual apelando apenas a questão material, quando na verdade é no espiritual que existe este conforto, a tentação quando o diabo diz a Jesus para transformar a pedra em pão e assim não passaria forme, Jesus responde: “A escritura diz: não só de pão vive o homem”, assim pode-se estar numa mística ou numa ascese (um exercício), mas sem espiritualidade.
Estas passagens encontram-se nos evangelhos sinóticos (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12,13 e Lucas 4:1-13), aqui é fixado em Lucas 4:1-13 por considerá-lo o mais “cristocêntrico”.
O segundo maior vício é sem dúvida o poder, dele saem ditadores, corruptos e tantos abusos que se vê nos dias atuais num conceito “estatocêntrico” (o Estado se basta), as estruturas de poder podem ser também religiosas, ideológicas ou culturais, ao dizer que daria todo poder a Jesus se adorasse o mal, Jesus responde: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”, na pintura de Botticelli de 1481-82 que está no teto da capela Cistina há um quadro deste episódio (figura acima)
Por último a tentação por excelência espiritual, ao adquirir determinada espiritualidade ou religião julgar-se superior as demais pessoas da humanidade, o diabo diz a Jesus para atirar-se no precipício que os anjos o salvarão, Jesus responde: “não tentarás o Senhor teu Deus”, é a batalha final pois é na verdade o que o Diabo tenta fazer com Jesus que é Deus, estava a tentá-lo.
Pode ser resumido entre três vícios da espiritualidade: esquecer do aspecto espiritual e fixar-se só no material (ele é importante), adorar a estruturas de poder que não são senão estruturas e por último julgar-se superior por ter algum tipo de espiritualidade, vício de muita gente “religiosa”.
O vídeo a seguir, o MOOC (Curso Massivo Online) da profa. Dra. Eliana Costa, que mostra como a Cibercultura pode auxiliar no processo de mudança cultural em nosso tempo:

 

O que caracterizam as mudanças hoje

07 Mar

Para mudar as estruturas sociais foi necessário durante muito tempo mobilizar estruturas formais capazes de reagir a estruturas de poder que oprimiam de diversas formas o sentimento de mudança, o sentimento e a emoção sempre estiveram presentes, dizer que são emocionais agora é um equívoco, é devido a velha separação idealista entre a motivação objetiva e subjetiva.
O virtual é real estão próximos, não apenas pelo fato da velocidade, da intensidade e da quantidade de dispositivos capazes de ligar as pessoas quase permanentemente independente das distâncias.
O virtual depende da atualização, e por isto é oposto ao atual e não ao real, mesmo no espaço do imaginário, onde se compõe as cosmologias culturais, o virtual está próximo de um real cultural.
O que muda agora é que é possível por meio do uso da comunicação estabelecer vínculos reais (não são só virtuais) entre pessoas e mobilizá-las para uma reação a estruturas de dominação, e os que ignoram que as informações estão disponíveis em rede e pode ser hackeadas, a última é o Football Leaks que sacudiu o mundo do futebol, pelas denuncias do português Rui Pinto.
Conforme explica Manuel Castells, os movimentos sociais sempre tiveram na origem os sentimentos de injustiça e indignação compartilhados, o que muda atualmente é que estas tecnologias em rede permitem um sujeito coletivo, mas é claro que isto pode ser negativo.
Explica Castells que isto não é uma utopia, mas o que está acontecendo, e que a tecnologia não é determinante, mas é influente, conforme diz McLuhan ao mudarem os meios e mudando a comunicação, mudam as relações sociais.
As estruturas do velho estado liberal, os grupos de polarização religiosa, ideológica se enfraquecem e vem a tona uma sociedade muito mais real do que aquela cujo estado determinava, pois aparecem seus vícios e suas virtudes, os veículos de comunicação eram todos controlados por grupos editoriais e as velhas oligarquias os dominavam e as mantinham sob seu poder.
Castells explica isto em um vídeo de 2013:

 

 

As Cinzas na Neve

06 Mar

O romance do estreante romancista americana Ruta Sepetys, é sobre o tema da repressão stalinista no início do stalinismo e da II Guerra Mundial, a personagem Lina é deportada da Lituânia para a Sibéria com sua mãe e o filho mais novo, o romance, traduzido em 27 idiomas, é de 2012, ganhou vários prêmios e agora vai para as telas.
O filme dirigido por Marius A. Markevicius, teve vários produtores, entre eles a própria Sepetys, terá entre outras participações: a atriz Isobel Dorothy Powley, ou Bel Powley de 26 anos, no papel de Lina Vilkas, Lisa Loven Kongsli como Elena Vilkas, Sophie Cookson como Ona, Sam Hazeldine como Kostas Vilkas, Peter Franzén como Comandante Komarov,, Martin Wallström como Nikolai Kretzky e outros.
Tão importante quanto o tema da repressão, é a resistência artística de Lina, que colocada separada da família em outro campo de prisioneiros luta para sobreviver documentando sua experiência com anotações artísticas e esperando que suas mensagens cheguem até o campo de prisioneiro do seu pai separado dela, para que saiba que ela está viva.
Ela arrisca tudo, esperando que suas mensagens na arte cheguem até o campo de prisioneiros de seu pai e espera que suas mensagens cheguem e o consolem.
Sepetys decidiu que era mais importante escrever um romance de ficção do que uma espécie de documentário de mais de uma dezena de pessoas que entrevistou, isto tornaria mais fácil aos sobreviventes conversar com ela sem receios.
O filme estreou 19 de janeiro e a fotografia, figurino e arte parecem muito boas: