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“Paradise papers” e a corrupção mundial

13 Nov

Depois do SwissLeaks (veja nosso post) e do Panamá papers (outro post),asBermudas agora surgem os novos paraísos fiscais em ilhotas pelo mundo, denunciados como “Paradise papers”.

A denúncia, que envolve a rede de Jornalistas Investigativos de mais de 80 países, denuncia fraudes fiscais com base no vazamento de 13.5 milhões de documentos financeiros, vindo de um escritório internacional de advocacia com sede nas ilhas Bermudas, o Appleby, que foram primeiro obtidos pelo jornal alemão Suddeustsche Zeitung.

Entre as personalidades mundiais estão a Coroa Britânica, a cantora Maddona e o campeão mundial de formula 1 Louis Hamilton, mas aparecem os ministro Henrique Meirelles da Fazenda e o ministro Blairo Maggi da agricultura, além do empresário Paulo Leman. Dono da Ambev, a marca Heinz e a rede de lanchonetes Burger King.

Segundo o relatório pessoas ligadas a Trump como o secretário do comércio Wilbur Ross, e ligadas a Putin da Rússia, como seu genro, além de mais de 100 corporações multinacionais, tais como Apple, Nike e Uber, fogem de impostos por manobras contábeis habilidosas.

Ter dinheiro em paraísos não significa atos de corrupção, mas o fato de buscar paraísos fiscais com baixa tributação, e usar empresas “offshore” (ao pé da letra fora das costas, quer dizer sem muita fiscalização) pode ser um indício de evasão de divisas e também corrupção.

As informações detalham movimentações financeiras de mais de 120 mil pessoas desde 1950 e 2016, segundo a BBC de Londres não é um vazamento, mas uma enchente.

Parafraseando um jornalista, “é preciso passar o mundo a limpo”, deve emergir uma nova cidadania planetária que não suporte mais isto, e segundo análise de Big Data no Brasil, a palavra corrupção foi a mais citada este ano aqui, talvez seja o “ano da corrupção”.

 

 

O OUTRO e o Amor cristão

27 Out

Este é o post de número 2000, em comemoração queria dizer o que é maisOZoto profundo em meu sentimento religioso.
O conceito do Outro conforme descreve o filósofo Emmanuel Lévinas pode ser definido assim: “A qualidade das relações que o homem trava com o outro depende não apenas da simpatia de que é investida, mas também, do conhecimento recíproco dos protagonistas.”
Usando este conceito todo o fundamento e prática religiosa poderia ser reduzido a duas coisas muito simples: “ama teu próximo” e ama a Deus, é o que conta um texto do novo testamento, onde os fariseus sabendo que Jesus já calara os Saduceus, em Mateus 22, 36-40, eles fazem uma nova armadilha para Jesus:
“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?
Respondeu Jesus: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito’.
Este é o maior e o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’.
Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas”.
E pergunto quanta coisa feita em nome do Amor e que fere os outros, que insuflam preconceitos e desconsidera pessoas, muitos ainda que proclamem estes valores não conseguem vivê-los como prática de vida.

Post2000

 

A Biosemiótica e Terence Deacon

24 Out

Natureza Incompleta: Como a Mente emerge da Matéria é um livro de aDeaconTerrence Deacon, antropólogo e biosemiótico, que aborda as origens da vida e o filosofia da mente, com novas tentativas de resposta de como a natureza emergiu.
O livro procura explicar conceitos como intencionalidade e normatividade em um propósito diferente ao da fenomenologia, mas considerando-os com um propósito mais funcionalista, chama entenacionais (no sentido ontológico de entes), mas agrupados e por isso “nacionais”.
O livro explora as propriedades da vida, o surgimento da consciência e a relação entre processos evolutivos e semióticos.

O livro especula sobre como propriedades como informação, valor, propósito, significado e comportamento direcionado final surgiram da física e da química.
Os críticos do livro argumentam que Deacon atraiu fortemente as obras de Alicia Juarrero e Evan Thompson sem fornecer citações completas ou referências ao autor, mas uma investigação da UC Berkeley inocentou Deacon que é professor lá.
Em contraste com os argumentos apresentados por Juarrero em Dynamics of Action (1999, MIT Press) e por Thompson in Mind in Life (2007, Belknap Press e Harvard University Press), Deacon rejeita explicitamente as afirmações de que fenômenos vivos ou mentais podem ser explicados por dinâmicas abordagens de sistemas.
Em vez disso, Deacon argumenta que as propriedades da vida ou da mente só emergem de uma relação recíproca de ordem superior entre processos auto-organizados.
Terence Deacon estará em São Paulo, no evento de Ciências Cognitivas EBICC.

 

Complexidade, consciência e AI

16 Out

Já afirmamos que tanto a complexidade como a consciência são fenômenos que AiMachinepertencem a natureza biológica, e foram emprestados as chamadas ciências “exatas”, mas a AI (Artificial Inteligente) continua tendo avanços, quais seriam então os equívocos de noções equivocadas deste campo ?

A resposta do professor de tecnologia do MIT Rodney Brooks, que trabalha com a robótica para a Panasonic é que há 7 pecados capitais, e ele cita a lei de  Amara ao dizer que as pessoas tendem a subestimar tanto o efeito a curto prazo quanto ao de longo prazo da tecnologia ao examinar uma tecnologia inexistente, enquanto um outro fatos é confundir hipóteses onde a AI teria uma igual competência para resolver o problema de uma tecnologia inexistente.

Um terceiro fator apontado por Brooks é que a suposição frequentemente de praticar uma tarefa é frequentemente confundida com uma tarefa realizada por AI igual a competência.

Brooks também diz que as pessoas são propensas a paralelizar o progresso AI na aprendizagem de uma determinada tarefa para o mesmo processo em seres humanos, por isto sempre aparece a ideia de híbridos humano/máquinas.

Brooks afirma também que as pessoas não devem esperar que AI continue a progredir constantemente em um caminho de desempenho exponencial, mas sim em ajustes e reavaliações, e não devemos acreditar em cenários feitos pela mídia com situações inesperadas na AI.

É disto que tratava a ficção científica de Odisseia 2001, onde o computador que tomava decisões diabólicos jamais existiu e assitir o filme hoje mostra a irrealidade daquela ficção, já Blade Runner se atualizou em 2049 e pergunta se máquinas tem almas, a pergunta do escritor que inspirou o filme é se as máquinas sonham com ovelhas elétricas (no romance de Philip K. Dick_, e porque máquinas dormiriam ?  e porque máquinas dormiriam ?

Aliás a figura do cachorro do velho caçador de Androides, também chamar Harrison Ford para o papel foi interessante em referência ao romance que inspirou o filme.

O artigo completo de Rooney Brooks publicado na Technology Review da semana passada é bastante interessante e separa 7 falácias sobre a AI.

 

Os puros de coração verão a Deus

03 Out

Entre as maldades que circulam não são pelas redes, mas também pelasAGanitona fofocas e pelas maldades do mundo contemporânea está a desconfiança, não seria exagero dizer que é a “Sociedade da Desconfiança”.

Se alguém não é de determinado grupo deve ser isolado, talvez tenha algum problema outras formas de bulying coletivo que ajudam a isolar a pessoa e fazê-la sentir mal, muitos vezes sobre o manto de doces palavras.

São muitos os jovens e pessoas idosas que se sentem mal em seu próprio meio, há uma desamor camuflado em boas intenções aparentes, é preciso que não se faça proselitismo e aceite o Outro como ele é, muito se tem falado na filosofia e na sociedade sobre isto em conceitos como: relações, empatia, escutar e dialogar, mas o resultado é pequeno.

Todos aqueles que agem contra a corrente negativa sentem em seus corações uma nova paz, mesmo em meio a tantas dificuldades, sentem novo impulso de caminhar para frente em meio a um mundo cheio de desconfianças.

É como dizem as bem-aventuranças no famoso sermão da montanha, onde duas especiais  para os dias de hoje Mt (5,8-9):

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”.

Promova a paz e diga palavras de estímulo a todos a sua volta e colherá frutos saborosos.

 

O sofrimento e o cansaço

01 Set

A sociedade do cansaço não é a do sofrimento, o sofrimento é parte da vida, mas háAJesusPedro a impossibilidade de praticar a alteridade, e considerar o Outro além do mesmo, o individualismo transformou-se conforme afirma o filósofo coreano-alemão Byung-Chul Han uma “divisão nítida entre o dentro e fora … a Guerra Fria seguia o esquema imunológico”, que é a metáfora de excluir o Outro quando este não se configura dentro do meu sistema “epistêmico”, está fora da “minha lógica”.

A onto-lógica do “tragikós” grego, é aquela na qual enfrentamos nossos sofrimentos observando onde a justiça e a política convulsionam e criam patologias em nosso meio, a lógica dual do ou “eles” ou “nós”, é a crença na vingança, no ódio e na guerra, trágicas para a modernidade e ainda não damos sinais de ruptura em nossos sistemas de tensionamentos.

Os deuses sejam quais foram não querem nossa morte nem nosso sacrifício, a onto-lógica deve contemplar o outro com compaixão e misericórdia, mas não pode estar sujeita a ética dos Fariseus e Doutores da Lei, o portal pelo qual devemos entrar é a misericórdia de um Deus que se faz morte e vítima pelos homens, e não aquele que faz dos homens vítimas dos deuses, esta religião pós-moderna é farisaica e impiedosa, condena e não salva.

Após Jesus ter ensinado esta onto-lógica para os discípulos, eles ainda tinham e não entendiam o seu sacrifício que era o sacrifício de um Deus.

Lemos na Bíblia que Jesus já previa sua morte violenta, e começa a alertar os seus discípulos que não aceitam, em Mateus 16,22 está escrito que Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”, e ele pede a Pedro para afastar-se dele com aquela mentalidade.

O que é o sofrimento, o mundo moderno não conhece, está preocupado com o máximo do prazer, o hedonismo defendido pelos utilitaristas como Stuart Mill e Jeromy Bentham e toda tentativa de conciliar a felicidade agápica com a êxtase erótica, deu naquilo que o filósofo Byung-Chul Han escreveu em seu livro (edição portuguesa): “na realidade, o fato que o outro desapareça é um processo dramático, porque se trata de um processo que progride sem que, por desgraça, muitos o adverta.” (HAN, 2014, pag. 5).

O escritor francês Emile Zolá escreveu “o sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito”, e o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade escreveu: “a educação para o sofrimento evitaria senti-lo com relação a casos que não o merecem”, aí sim é felicidade.

HAN, Byung-Chul. Agonia De Eros. Lisboa: Relógio D’água, 2014.

 

Equívocos sobre ética e moral

05 Jul

É comum se ver ética e moral usados em um mesmo sentido, como por Eticidadeexemplo liberdade e costumes, e totalmente dissociados, enquanto a ética se refere exclusivamente a regras, a moral seria ditada por costumes, crenças e tabus.

Não é à toa que se vê uma sociedade tão ausente de valores, nem mesmo os estudiosos e governantes que deveriam zelar por valores e tratar de torna-los claros o fazem, por uma razão ao mesmo simples e complexa, simples é porque não estão convictos destes valores, e complexa porque a análise do contexto social em que isto se dá depende de análise profunda.

Esclareçamos primeiro, dentro de uma perspectiva histórica: um dos conceitos mais importantes de Immanuel Kant é denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência, e assim seriam fonte da ética e também da moral) para a experiência concreta do mundo, então já há aproximação destes dois conceitos.

Assim tanto a sua filosofia da Natureza como a filosofia da natureza humana serão determinantes na construção de sua filosofia moral, na qual formula o imperativo categórico:

Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal.

Na Antiguidade Clássica, o termo vem de “ethos” que significa um modo de ser, ou “um conjunto de valores que orientam uma sociedade no caminho do bem-estar social”, a eudaimonia, o potencial pleno de realização da felicidade de cada um, porém sem abandonar os valores de conjunto da sociedade.

Hegel reformula o conceito Kantiano, mas definirá uma “eticidade” e não uma etica geral como:

Assim pode-se pensar em moralidade tanto em Hegel como em Kant como tendo uma moralidade subjetiva e uma moralidade objetiva, classica divisão idealista, que para Hegel em Kant teria prevalecido a primeiro, enquanto Hegel a definirá como “autodeterminação da Vontade”, prevalecendo portanto a segunda, o que é fácil de deduzir se pensamos em moral do Estado, que é o conceito mais importante definido em sua obra “Introdução a filosofia do direito”.

Assim, dentro da filosofia idealista, só se pode falar de moral no campo privado, já que a moral pública é a eticidade como qualidade do ético, objetivada que é pelas leis, aquilo que chamam de liberdade não é senão o direito do Estado de determinar objetivamente a moral privada.

Assim gerou-se um relativismo, e as inúmeras tentativas de reaproximar a ética da moral parecem influtíferas se não penetrarmos a fundo em duas questões novas que surgiram, o que é liberdade (tanto individual quanto social) ? e o que é vontade (individual e de poder) ?

Vale o adágio popular: a liberdade de cada um acaba quando começa a do vizinho.

 

Kenosis, transparência e valores

23 Jun

O diálogo é, portanto um caminho para a transparência, tanto entre pessoas comoKenosis no sentido social, e na medida em que fazemos a mais profunda também realizamos uma kenosis, que no sentido místico é o esvaziamento da própria vontade para a aceitação do desejo divino, mas se consideramos o divino presente no Outro, a kenosis é própria de um profundo diálogo.

O esvaziamento não pressupõe um abandono de valores: dignidade, integridade, ética e moral, mas sim um abandono de conceitos, ou melhor, dos nossos pré-conceitos, que só não tem quem deixou de pensar e que muitas vezes são confundidos com valores.

No ambiente social, podemos dizer que ocorre uma fusão de horizontes, onde uma utopia se torna possível, e, com isto caminhos sociais se abrem e perspectivas novas se apresentam os preconceitos muitas vezes não estão na utopia, porque justamente elas se situam num horizonte as vezes distante e as vezes próximos, é o virtual, no sentido de futuro possível.

Também em termos Bíblicos, em Mateus encontramos a transparência ligada aos valores: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 26-28), os que destroem valores e matam a esperança, tentando destruir nossa essência.

Em tempos de transparência é, sobretudo um profundo equívoco imaginar que podemos enganar e iludir os homens, pois a verdade aparecerá logo ali na frente, ainda que hajam pós-verdades e leitura distorcida de fatos muito claros: corrupção, mentiras e politicagem.

 

O Bem e as Capacidades

23 Mai

Para olhar a questão da capacidade de Martha Nussbaum e Amartya Sen, CapacidadeModelocomeçamos pelo olhar da “distribuição política” de Aristóteles que a utilizou extensivamente na análise do “bem dos seres humanos”, onde esse bem está ligado ao exame que faz das “funções do homem” e da “vida no sentido de atividade”, ou seja, a função como capacitação humana para uma atividade.

Pensando a vida como “atividades e modos de ser” e por que são tão valiosos, a avaliação da qualidade da vida toma a forma de uma avaliação dessas efetivações e da capacidade de efetuá-las, ou seja, se levamos em conta apenas as mercadorias ou os rendimentos que auxiliam no desempenho daquelas atividades e na aquisição daquelas capacidades, como ocorre na maioria das teorias do valor, que vem de Adam Smith e Marx, acabamos tendo uma confusão de meios e fins, e nisto concordam Amartya Sen e Martha Nussbaum.

Retomando a teoria aristotélica, pode-se que a vida “é vivida sob compulsão, e a riqueza não é evidentemente o que buscamos, pois, a riqueza é meramente útil na consecução de outros bens”.

Então nossa tarefa é a de avaliar as várias efetivações na vida humana, superando o que, num contexto diferente, embora relacionado, aquilo que Marx chamou de “fetichismo da mercadoria”, nelas o consumo de mercadorias só podem ser examinadas pela capacidade da pessoa de realizá-las terá de ser apropriadamente avaliada não quantitativamente, mas como uma combinação das efetivações.

Sen e Nussbaum apontam como primeiro ponto fundamental as ambiguidades e relevância no quadro conceitual do enfoque da capacidade, Sem afirma: “natureza da vida humana e o conteúdo da liberdade humana são conceitos problemáticos. Não pretendo varrer essas dificuldades para debaixo do tapete”.

Os segundos pontos são qualidade de vida e necessidades: “Há uma ampla literatura sobre o desenvolvimento econômico que trata da avaliação da qualidade de vida, do atendimento das necessidades básicas e de temas correlatos”, Sen afirma citando Lipton (1968).

Os terceiros pontos são bens primários e liberdades, onde o trabalho de Rawls deve ser analisado, pois o “foco nas mercadorias e nos meios de realização pessoal neste trabalho contrastado ao enfoque da capacidade é também influente na moderna filosofia moral” afirma Amartya Sen.

Sen, Amartya. O desenvolvimento como expansão das capacidades. (veja o Link).

Sen, Amartya. “Development as Capability Expansion”, Jounal of Development Planning, nº 19, 1989 (encarte especial sobre “Desenvolvimento humano a partir dos anos oitenta”) Tradução Regis Castro Andrade (veja o  Links ])

Lipton, Michael, Assessing Economic Performance, Londres: Staples Press, 1968.  

 

Utopia e um novo tempo

10 Mai

Para entender a importância de Ideologia e Utopia e o início da discussão a partir de Utopia2.Karl Mannheim (1893-1947), deve-se lembrar que este além de abordar os temas foi aluno de Alfred Weber e colega de trabalho de Theodor Adorno e Max Horkheimer, além dele (Mannheim) ter lecionado na London School Economics, e foi o primeiro a escrever sobre Ideologia e Utopia.

Isto mostra o perfil de alguém que escreveu antes da era ou sociedade da informação, fez uma sistematização de uma sociologia do conhecimento, fonte importante para uma concepção inicial do que Edgar Morin definirá mais tarde como “complexidade”.

Mannheim que não viveu a moderna sociedade da informação, já analisava as mudanças geracionais que e que cada geração significa: “entrada de novas pessoas obstrui os bens constantemente acumulados, mas também produz inconscientemente nova seleção e revisão no campo do que está disponível; nos ensina a esquecer o que já não é útil e a desejar o que ainda não foi conquistado.” (Mannheim, 1972, p. 532).

O conceito de utopia em Mannheim compreende uma forma de mentalidade do grupo, hoje potencializada pelas mídias, as quais de modo análogo a ideologia, também ultrapassa o que é denominado por realidade e aponta para um futuro possível, isto é, virtual.

Tomando o conceito de realidade como aquilo que é sócio-historicamente construído por um grupo dominante, deve-se entender como diálogo com a tradição de Gadamer, a possibilidade utópica é segundo Mannheim (1972, p. 216) “somente aquelas orientações que, transcendendo a realidade, tendem a se transformarem em conduta, a abalar, seja parcial ou totalmente, a ordem de coisas que prevaleça no momento”, ou seja, é preciso um horizonte novo, conforme o texto capaz de “transformarem em conduta”, ou seja, mudar a mentalidade e a ação.  Aliás o termo utopia foi cunhado por Thomas Morus, uma pessoa reta e considerada santa pela Igreja Católica.

O texto de Ricoeur é bem mais complexo e rico, a leitura de Mannheim não é obrigatória, mas para aqueles que desejam um estudo sistemático, e apostar numa utopia possível, neste caso é uma leitura obrigatória, anterior a ideologia e Utopia de Ricoeur.

Referências:

MANNHEIM, Karl. Ideologia e Utopia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1972.