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O mito de Sísifo

24 Abr

Já era um mito e poderia ser esquecido, não fosse o livro de Albert Camus sobre o assunto no qual provoca a filosofia de seu tempo que descreve como tendo uma tentativa de lidar com o sentimento do absurdo, Heidegger, Jaspers, Shestov, Kierkegaard e Husserl.

Seria fácil contradizer Camus pelo próprio mito, uma proximidade ao niilismo no seu pensamento, sua morte trágica num acidente de carro, entretanto, seu pensamento é sério e deve ser levado a sério, como o foi por muitos autores.

O mito de Sísifo, é de um personagem da filosofia grega, que tendo desafiado os deuses é condenado a empurrar uma pedra montanha a cima, e quando ela rola para baixo, deve repetir continuamente o seu esforço de empurrá-la morro acima.

O mito de Sísifo deve ser levado a sério porque nele vive hoje boa parte da humanidade, que resignadamente realizada sua pesada tarefa diária embora às vezes duvide de seu sentido.

Para Camus o mundo não é o absurdo, o absurdo acontece quando “o meu apetite para o absoluto e a unidade” completa a “impossibilidade de reduzir o mundo a um princípio racional e razoável.”, assim reconhecer o absurdo do homem poderia levá-lo a viver de modo intenso.

Sem um sentido na vida, não existem valores. “O que conta não é a melhor vida, mas a maioria dos que a vivem”, nem regras morais ou éticas, “Tudo é permitido” como seria lema mais tarde das revoltas juvenis de 1968, é proibido proibir.

Assim o raciocínio de Camus não é um desproposito ou irracionalidade, é preciso ter a força do poeta pensador brasileiro Guimarães Rosa, que contrariando a lógica, sem ser ilógico, afirmou: “Tudo é e não é” (ROSA, 1968, 12), no seu livro Grande Sertão: veredas.

A força da essência do é é tão forte e presente que pode criar um ente, o finito, o nada.

CAMUS, A. O mito de sífico. Veja o pdf.

 

Carona para Deus e corrupção aqui não

26 Mar

Conforme prometido (post) comprei o livro de Ricardo Araújo Pereira, o português que anda fazendo sucesso, agora com o Reaccionário com dois cês,  pulei e fui directo para duas histórias do índice: Quando Deus entrou no meu carro (pg. 76) e Corrupção não entra aqui (pg. 31).

Não gosto de leituras transversais, mas o livro de Ricardo Araújo é uma série de contos que podiam muito bem caber num blog, mas ele não ganharia dinheiro nenhum com isto, já estou imitando ele que faz ironia e piada com tudo, mas com muita criatividade.

Estes dois contos me chamaram a atenção pela proximidade com o Brasil, o primeiro conta que estavam num engarrafamento e viu Deus acenando para táxis quase lotados (deve ser de quanto era mais jovem) e pediu para os pais que não eram “crentes” darem carona para Deus.

Para um jovem torcedor do Benfica, deus era Eusébio e o conto vai por ai afora, ele falando da emoção que guardou por muitos anos do carro do pai que depois comprou e depois fez os filhos sentarem no banco que havia sentado ”deus”, quer dizer Eusébio, celebre jogador da selecção portuguesa dos anos 60, a semelhança com o Brasil dispensa comentários.

O segundo conto, pois li nesta ordem, conta um caso de corrupção que envolveu a Alemanha, ele explicando que o executivo deste caso foi punido na Alemanha, apesar do corruptor aqui ter se negado a entrar na história, seriam a compra de dois submarinos, e diz ironicamente, que “em Portugal as pessoas não tem a decência de participar na dança da corrupção”, e novamente o paralelo com o Brasil é evidente, inclusive no caso da “eficácia alemã”, pensei que só o brasil pensava no 7 x 1, existe a versão portuguesa disto.

Não sei quanta coisa mais herdamos deles, mas que há uma semelhança paternal, sem dúvida há, está tudo com dois cês porque começo a aceitar a paternidade portuguesa, expliquei aos portugueses a minha rejeição, mas devia ter ficado quieto e aceitado o paternal afecto.

 

Portugal atual

21 Mar

Em sua quarta década de democracia, Portugal tem um dos governos mais populares Marcelo Rebelo de Souza, professor catedrático em Direito na Universidade de Lisboa, grande comunicador que ficou popular por seus comentários políticos no canal televisivo TVI, onde era líder de audiência.

Rebelo teve na eleição de 2015, com 52% dos votos vencendo em todos os 18 distritos continentais e nas duas regiões de administração autônoma.

Embora líder do Partido Social Democrata (PSD) de inclinação conservadora, ele é de uma ala mais a esquerda de seu partido, sendo preocupado com os quase um terço da população pobre, um desastre em um país europeu.

É importante destacar que em Portugal o voto não é obrigatório e dos quase 10 milhões de eleitores, votaram apenas 4,7 milhões de eleitores, ou seja quase a metade.

O regime político atual em Portugal é conhecido como uma república democrática semipresidencialista com quatro órgãos de soberania: o presidente da república, a assembleia da república, o governo e os tribunais.

Como o governo de centro-direita não tinha maioria para formar o governo, um grande bloco de esquerda foi formado e assumiu o governo, chamado pelos portugueses de “gerigonça”, aos poucos vão aparecendo resultados otimistas.

Foi formado um governo com Antonio Costa a frente, a promessa diante da grave crise financeira foi a de recuperar o déficit social português e acelerar o crescimento, sem comprometer o equilíbrio econômico-financeiro,

A defesa da saúde pública, com a contratação de mais 1.100 médicos, 170 técnicos de laboratório e 1.900 enfermeiros; o crescimento de 6,9%, nos gastos na Educação, com o acréscimo de mais de 3.000 professores à rede de escolas públicas; a redução do desemprego para 9% contra 12,7% em 2015.

A receita para o Brasil não será a mesma, lá com dificuldades consegue dialogar, aqui seria impensável um presidente de centro-esquerda com um governo (aqui uma coalisão de ministérios) de esquerda.  

 

Portugal revisto por um brasileiro

20 Mar

Devíamos estudar mais Portugal devido sua influência na cultura brasileira, mas sabemos os fatos que influenciaram o Brasil: sua dependência da Inglaterra, a busca de “um caminho para as índias”, embora a história possa ser bem diferente e a nossa dependência/independência de Portugal feito por D. Pedro I.

O pouco que sei, Portugal foi marcada pela presença dos Romanos ao longo de mais de 600 anos finalmente pelos Mouros durante cerca de 800 anos, história compartilhada com a Espanha ao longo destes mais de mil anos.

Portugal foi reconhecido como um reino independente em 1143 pelo Rei Afonso I e, com a ajuda dos militares cristãos e foi feito o Tratado de Zamora, celebrado entre D. Afonso VII de Leão e Castela (a Espanha de então) e D. Afonso Henriques que era primo de Afonso VII de Leão e Castela, no mapa de 1150 era ainda menor que hoje (foto).

O nome Portugal veio do condado Portucalense, nascido entre os rios Minho e Douro, quem conhece isto já sabe bastante,

A estabilização as fronteiras em 1297 tornou Portugal o país europeu com as fronteiras mais antigas, também formou nos anos posteriores o primeiro Império global da história, com posses na África, na América do Sul, na Ásia e Oceania.

Uma crise de sucessão em 1580, resultou uma União Ibérica com a Espanha devido principalmente a ofensiva holandesa (inclusive no Brasil), período em que o reino perdeu muito de seu status e riqueza, somente volta a ser independente em 1640 com a dinástica de Bragança, muito conhecida dos brasileiros, mas foi o período em que perdeu sua maior colônia, o Brasil.

Novamente depois deste período deixamos de conhecer a história de Portugal, por motivos óbvios, mas em 1820 os portugueses aprovaram sua primeira constituição,

Em 1926 Portugal teve um golpe de estado iniciando uma ditadura, a partir de 1961 iniciou uma série de guerras coloniais que terminaram em 1974 (revolução dos cravos), quando um governo militar terminou o período salazarista, em 1975 todas posses na África tornaram-se independentes.  O ditador faleceu em 1970, mas Marcelo Caetano continuou seu regime até 1974.

A constituição e 1976 definiu Portugal como uma república semipresidencialista, e em 1986 começou a modernização e a inserção do país no espaço europeu com a inserção na Comunidade Econômica Europeia (CEE).

A história recente de Portugal, sua grave crise e a aliança que governa hoje, já falamos em outro post da “gerigonça” veremos depois.

 

Deconstruct, structure and language

28 Fev
Since Derrida began to be linked to the concept of deconstruction, began the questioningaMiticalGod of the term, he knew this and tried to clarify.
First, it is better to use the term in the plural and justifies: “Deconstruction in the singular can not be simply appropriated by whoever or whatever.”, Because it is linked to what he called ” appropriation “(Derrida, 1991, p.194).
New caution because appropriation refers to language, so much so, that in his 1998 work “Fidélité à plus d’um” stated: “if I were to risk a single definition of deconstruction, I would simply say: more than one language” (p.253), this means studying the phenomenon of communication in a plural world with plural interpretations, which brings it closer to Husserl.
But the problem is intra-language, such as the methafor of bliblic mythical God´s in Babylon, and in this we see the strategy adopted in Husserl’s translation, which seems to forget that he is French, states in one of his translations of the master of phenomenology: “the translation of the usual concepts of Husserlian language, the uses consecrated by the translation the great works of Husserl “, which is in the “Introduction” of the translation of ” L’origine de la géométrie” made in 1962.
According to Derrida, the translation “when mercy seasons justice” of the work of Shakespeare The merchant of Venice, could not be translated like “when le pardão temperes the justice”, as did Victor Hugo, but ” or le droit) “, that is,” when forgiveness brings justice (or right) to this, to exemplify the problem of translation beyond the questions of structures and mythologies as proposed by structuralism, that is, within the cultures themselves questions that escapes the structures and from them “translations” are removed.
That is why the question will be asked when a translation is “relevant”, and the term itself is questioned, which in Derridanian language (I am taking into account its thinking), concerns the law of economics, the possibility of translating a word taking into account the greater number of possible sense games.
So to separate the structure, the form of meaning is only to confuse even more, although we have the debt with the structuralism to penetrate the study of cultures to understand that the sense in the set of one is very different from the content of one situation in another, but the idea of the interpretive translation of the sets of meanings is lacking in this conception.
According to the philosopher Simon Blackburn, structuralism is “the belief that the phenomena of human life are not intelligible except through their interrelations.”hese relations constitute a structure and, behind the local variations of surface phenomena, there are laws cultural extract”, Roland Barthes and Jacques Derrida in applying the literature have discovered that there are variants, which we see are phenomenological.
Derrida, J. Limited Inc. Portuguese translation: Constança Marcondes César. Campinas: Papirus, 1991
 

CES 2018 e as novidades

22 Jan

Esta feira internacional de Eletrônica em Las Vegas, foi realizada no início doaoAlexa mês entre 8 e 12 de fevereiro, mostrando diversos lançamentos de tecnologia, indo desde TVs até celulares de última geração, mas a área de negócios e chips é que prometem maiores avanços.
Após a gafe de segurança dos chips Intel, agora associada a AMD, a empresa revelou detalhes de um novo processador chamado Intel Core de 8ª. Geração, especial com os modelos para processar gráficos Radeon RX Vega M, podendo trabalhar com cargas pesadas de gráficos e realidade virtual.
A Intel e a AMD revelaram mais detalhes do novo processador em que estão trabalhando juntas. Chamado de “Intel Core de 8a geração com gráficos Radeon RX Vega M”, o chip será voltado para PCs e laptops, com foco em cargas de trabalho pesadas em termos gráficos, como Realidade Virtual (VR).
Outro assunto muito comentado no CES 2018 foi o assistente digital da Amazon, o Alexa (foto), que já pode ser usado nos carros, smartphones e também nos escritórios, é provável que logo já sejam incorporados aos laptops e PCs.
Variações em laptops incluem redução da espessura, a nova versão da Dell, o XPS 13 pesa 1,21 kg e possui menos de 12 mm de espessura, com tela 4k quase sem bordas (chamada infinity Edge) e com uma versão sensível ao toque (touchscreen).
O tablet ThinkPad X1 da LeNovo foi outra novidade, display de 12 polegadas, com resolução chamada de 3k (2160 x 1440) a bateria cresceu também em potência, o que dá 10 horas de uso , mas com isto ficou mais pesado com 1,26 k (quer dizer nem tanto).
Não apareceu nenhum híbrido atacando pessoas ou androides controlando a humanidade (claro é para lembrar alguns que tem fantasia demais sobre o assunto).

 

Teoria, vida e seguimento

19 Jan

Entre as dicotomias infernais da modernidade, certamente a pouco lembrada, masaSeguir sempre presente é a ruptura entre teoria e prática, empiristas defendem a experiência (prática) e idealistas, os ideais “puros”, não por acaso tentaram se completar na modernidade.
Hans-Georg Gadamer escreveu em Elogio da Teoria que se considerando que “todos homens anseiam, por natureza, saber, e que a mais elevada felicidade do homem reside na “pura teoria”, e que o seu mais íntimo fundamento (o [que é ser] homem) é um ser teórico”, se o homem desenha conhecer deve elaborar o que pensa sobre as coisas, mesmo que estejam fundadas nas relações práticas, é uma teoria, um “constructo” teórico no pensamento.
Postamos sobre invencionices, mesmices e espírito de rotina, mas talvez o mais pernicioso na vida do homem (o que é muito prático) seja a dificuldade de mudar de rumos, de hábitos, de rotina e principalmente de pensamento, fazer uma ruptura, uma conversão e depois seguir.
Na história sempre que houve uma mudança de pensamento aconteceu alguma ruptura, Spinoza deixou o judaísmo e depois o cristianismo ao construir sua “teoria”, Heidegger foi viver no meio da floresta negra, enfim, é preciso “mudar a rota” para mudar o pensamento.
Na bíblia os discípulos de Jesus Simão e André que pescavam peixes, ao encontrarem o mestre, deixam as redes e saem para caminhar com ele, e o mestre lhes diz (Mc 1,17): “Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens” e o seguiram.
Mas antes André e João, que foram discípulos de João Batista (por isto ele está no texto anterior de Mc 1,14), haviam ido dizer a Pedro que haviam encontrado o Messias, e antes ainda haviam perguntado onde Jesus “morava”, claro o sentido é mais amplo que casa.

 

 

Deserto e preparar os caminhos

08 Dez

Que caminhos devemos preparar hoje, em tempos de ódios, de divisões, de intolerâncias,aoPrepararCaminhos surgem apocalípticos e integrados (diria Umberto Eco), e não há como preparar um caminho novo, sem um pensamento novo, e há coisas novas, porém precisamos tirar o véu das vistas. 

É como dizia o profeta Isaias sobre a vinda de João Batista conforme Marcos (Mc 1,2-3): “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’ ”, mas que estradas devem ser preparadas neste nosso tempo, que deserto atravessamos.

Certamente não é para a nova vinda do Salvador, nem queremos mais Salvadores da Pátria, precisamos que o caminho seja preparado para uma consciência nova, diferente da idealista que construiu a modernidade, do iluminismo ou do enciclopedismo elitista.

Se Heidegger anuncia que devemos tomar uma questão nova, a questão do “ser”, ela não deve e não pode estar separada de um contexto social mais amplo, menos desigualdades, mais tolerância religiosa, aceitação da diversidade étnica, cultural e de gênero, mas sem o ranço ideológico que esquenta os ânimos e impede os progressos.

Retomar as questões essenciais do Ser, significa retomar os verdadeiros dramas da humanidade que vão além da fome e da exploração, que são muito mais consequências dos modelos existentes do que a origem deste modelo, pensou-se de modo idealista, que desenvolvendo mais teríamos mais distribuição do humano no planeta e menos explorações em diversos ângulos e sentidos, o que vemos como produto final diz que esta premissa era falsa.

Talvez retomando as questões essenciais do que é o Ser, entenderemos melhor o que é Ser homem e sua relação com tudo o que é sua existência.

Preparar os caminhos significa então preparar os caminhos para um futuro mais promissor, onde o Ser esteja no centro da atividade e não o Ter.

 

 

 

 

Noosfera e vigilância

01 Dez

Existe uma consciência planetária e até mesmo cósmica, se pensamos no sentido daaOração noosfera do espírito ou mente (noon – espírito ou mente, esfera), como aquela que atinge toda a humanidade e quem sabe todo o corpo celeste, e se nela estamos ligados chegaremos a uma grande consciência cosmológica ou cosmogônica.
De modo concreto, o planeta passa por mudanças, que postamos durante esta semana alguns comentários das análises de Edgar Morin e Petr Sloterdijk, há outras é claro, como as diversas preocupações de grandes pensadores que estão em “O mundo não tem mais tempo a perder” (GOLDMAN, 2014).
Falamos de “visões” do Sloterdijk, e vigiar está ligado a “ver com atenção” e também é preciso pensar que podemos emanar bons pensamentos e sentimentos ao planeta e ao cosmos, por isto a passagem do evangelista Marcos que ficou consagrada como “Vigiai e orai”, mas que está em outras passagens bíblicas, esta porém é mais atual (Marcos 13:33-37), pois ele compara esta vigilância a chegada do administrador que deixou a casa (neste caso a nossa casa de morada a Terra ou o Cosmos) para que os empregados tomassem conta e espera que eles tenham cuidado dela.
Pode-se pensar em termos apocalípticos, mas o sentido escatológico verdadeiro que é “estar atentos” para o desenvolvimento dos povos (na plenitude é o reino de Deus) vai sendo construído e as vezes, caso do momento atual da humanidade, é preciso vigiar para ir em frente e não cair em retrocessos que são possíveis, como as guerras e aumento das desigualdades.
Portanto pedir, orar e falar deste “desenvolvimento futuro” tanto humano quanto em cada uma de suas dimensões (espiritual, material, intelectual e afetiva), significa interiorizar e meditar sobre estas mudanças, por isto “orar” não significa apenas pronunciar palavras sem nexo e sem sentido, mas desejar um progresso para todos.
Para cristãos católicos e luteranos o “advento”  (período do Natal) é um tempo propício para esta “vinda”, como uma destas “visões”, a fraterna da consciência humana, agora de cidadania planetária, esta é a noosfera deste tempo.

GOLDMAN, S. (coord). O Mundo não tem mais tempo a perder: Apelo por uma governança solidária e responsável, São Paulo: Civilização Brasileira, 2014.

 

“Paradise papers” e a corrupção mundial

13 Nov

Depois do SwissLeaks (veja nosso post) e do Panamá papers (outro post),asBermudas agora surgem os novos paraísos fiscais em ilhotas pelo mundo, denunciados como “Paradise papers”.

A denúncia, que envolve a rede de Jornalistas Investigativos de mais de 80 países, denuncia fraudes fiscais com base no vazamento de 13.5 milhões de documentos financeiros, vindo de um escritório internacional de advocacia com sede nas ilhas Bermudas, o Appleby, que foram primeiro obtidos pelo jornal alemão Suddeustsche Zeitung.

Entre as personalidades mundiais estão a Coroa Britânica, a cantora Maddona e o campeão mundial de formula 1 Louis Hamilton, mas aparecem os ministro Henrique Meirelles da Fazenda e o ministro Blairo Maggi da agricultura, além do empresário Paulo Leman. Dono da Ambev, a marca Heinz e a rede de lanchonetes Burger King.

Segundo o relatório pessoas ligadas a Trump como o secretário do comércio Wilbur Ross, e ligadas a Putin da Rússia, como seu genro, além de mais de 100 corporações multinacionais, tais como Apple, Nike e Uber, fogem de impostos por manobras contábeis habilidosas.

Ter dinheiro em paraísos não significa atos de corrupção, mas o fato de buscar paraísos fiscais com baixa tributação, e usar empresas “offshore” (ao pé da letra fora das costas, quer dizer sem muita fiscalização) pode ser um indício de evasão de divisas e também corrupção.

As informações detalham movimentações financeiras de mais de 120 mil pessoas desde 1950 e 2016, segundo a BBC de Londres não é um vazamento, mas uma enchente.

Parafraseando um jornalista, “é preciso passar o mundo a limpo”, deve emergir uma nova cidadania planetária que não suporte mais isto, e segundo análise de Big Data no Brasil, a palavra corrupção foi a mais citada este ano aqui, talvez seja o “ano da corrupção”.