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Arquivo para a ‘Economia’ Categoria

Tempo de pausa: será que conseguimos

26 Nov

Ainda há um resto de novembro e dezembro já aparece no horizonte, em todo mundo é um tempo esperado para algo que deveríamos fazer sempre: pausa, espera e encontro com os amigos e familiares, a questão é: será que conseguimos?
Olhando o mundo os sinais sombrios continuam, maiores que os líquidos, pois se algo fosse realmente mudado de estado, do sólido para o líquido, até seria desejável porque algo estaria se movendo, mas parece a mesmice, tudo vai ficando com cara parecida.
Os protestos contra Macron e seus impostos, não é tão diferente de Portugal ou do Brasil, o Estado é enorme e pesa para a sociedade, quem pagará as contas, e os aposentados serão os que pagarão a conta ? incertezas e uma única coisa realmente clara: crise de época.
Há sinais de algum reflorescimento, palavra usada pela filósofa Martha Nussbaum, diria que sim, mas justamente onde as críticas mais pesadas caem: o mundo globalizado, a internet e o Estado “sólido” que vai tomando um feito mais sombrio, perigos à direita.
Participei de um evento de 100 anos do Padre Manuel Antunes, esse homem transdisciplinar, foi o tema de uma palestra escrita com um amigo, em sua obra Repensar Portugal, dizia que era preciso buscar em política, as “zonas temperadas” onde a natureza humana se sente mais confortável, porém a amostra de 2018 é de regiões mais radicalizadas, no sentido mal do termo.
É preciso pausa, ainda que forçada e no desconforto, olhar o futuro de modo que seja possível ter esperança, a paz e uma maior aproximação dos povos, o radicalismo nacional é perverso, a Europa costura um acordo possível para a saída da Inglaterra do bloco, o chamado Brexit.
Os EUA terminam o final do ano com o sonhado muro de Trump, e mexicanos pressionando do outro lado do muro, o que prova que não foi uma solução, mas o anúncio de uma crise.
Novos governos à direita no Brasil e na Colômbia, a esquerda no México vence depois de muitos anos de um partido monopolizar o poder, enquanto Nicarágua e Venezuela desfilam catastróficos governos de esquerda, Bolivia, Equador e Uruguai ficam em zonas temperadas.
Pensar um mundo mais integrado, a questão climática e a distribuição de renda se tornou mais difícil, o que se pode esperar é uma vigorosa reação do pensamento humano, o homem sempre foi capaz de enfrentar os desafios que apareceram, talvez o recuo seja uma retomada.

 

Web Summit em Lisboa

08 Nov

Um dos maiores eventos da Web realizou-se esta semana, estava num evento paralelo, só pude acompanhar por vídeos e noticias, sem dúvida a maior estrela foi o fundador da Web Tim-Berners Lee que já tem um grande projeto novo, embora tenha falado nas entrelinhas.
Começou uma entrevista, que na verdade ele falou a vontade sem muitas perguntas dizendo o início da Web e como seu crescimento foi também surpreendente para ele, contou detalhes técnicos como “escrevi o código do primeiro servidor e o código do primeiro browser, chamava-se WorldWideWeb.app” e estava no site info.cern.ch .
Depois contou que sua preocupação é a mesma de todos, depois de 25 anos devemos lidar com: cyberbullying, desinformação, discurso de ódio, questões de privacidade e disse o que muitos estão a falar: “Que raio poderia correr mal?” dirigindo-se ao público: “nos primeiros 15 anos … grandes coisas aconteceram. Tivemos a Wikipedia, a Khan Academy, blogs, tivemos gatos” claro disse brincando, e acrescentou: “a Humanidade conectada deveria ser mais construtiva, mais pacífica, que a Humanidade desconectada”, mas sqn (só que não).
“Porque estamos quase no ponto em que metade do mundo estará online”, explicou o engenheiro britânico se referia-se ao momento ’50/50’, isto é metade da humanidade conectada que se esperava em 50 anos, mas deve chegar a este ponto em maio de 2019.
Depois de tentar argumentar responsabilidades de governos e empresas, creio que podem acontecer mas serão lentas, falou indiretamente de seu projeto SOLID (Social Linked Data), ao afirmar que ”como indivíduos temos de responsabilizar as empresas e os governos pelo que se passa na internet” e “a ideia é, a partir de agora, todos serem responsáveis por fazer da Web um lugar melhor”, disse incentivando start-ups também a entrar neste processo.
Pensar no desenvolvimento de interfaces onde os utilizadores conheçam pessoas de culturas diferentes, mas acima de tudo garantir a universalidade da Web, segundo Berners-Lee o principal aspecto deve ser (falando indiretamente de novo do SOLID) que a intervenção popular a nível global e que fez da Web “apenas uma plataforma, sem atitude, que deve ser independente, pode ser usada para qualquer tipo de informação, qualquer cultura, qualquer língua, qualquer hardware, software”, linked data poderá auxiliar isto.
Tim Berners-Lee apresentou o movimento #ForTheWeb no mesmo dia em que a sua World Wide Web Foundation divulgava o relatório “The Case for the Web”, o evento teve uma superaudiência, mais de 30 mil pessoas, há vários vídeos, mas o da Cerimonia de Abertura é um dos mais marcantes e tem Tim-Berners Lee também, veja: https://www.youtube.com/watch?v=lkzNZKCxMKc
Amanhã voltamos ao tema político, porém a Web se tornou política e por isto deve ser pensada por todos.

 

A vontade de poder e o sagrado

19 Out

É fato que os conceitos de Nietzsche são fortes: em nossos instintos estão sempre presentes as ideias de vontade de poder, enquanto nada muda ficamos no eterno retorno (Ewige Wiederkehr) e nos imaginamos um super-homem (übermensch), porém isto é uma forma de esvaziamento, o niilismo.
Há outros instintos que nos ligam ao sagrado, a ideia de servir e o respeito ao outro (que são os limites para nossa vontade), e sem eles qualquer âmbito da nossa relação social podem cair naquilo que vou chamar de “niilismo social”, ou seja, o esvaziamento do pensamento social.
Limitados a vontade de poder, são apenas nossos instintos que falam, e as atitudes mesmo na política tornam-se emocionais, apaixonadas no mal sentido, é possível apaixonar-se pelo Bem.
Coloco o Bem em maiúsculo porque não deve ser confundido com o bem maniqueísta, ao imaginar que estamos lutando contra um “mal” muitas vezes simbólico (leia-se A simbólica do mal de Paul Ricoeur) voltamos em “eterno retorno” aos nossos instintos de poder e intolerância.
O ponto que Nietzsche tinha razão é que tais instintos existem, são eles que levam ao falso conceito de autoridade como mão de ferro, e estes levam a totalitarismos, mesmo na vida cotidiana, que esvaziam o sentido de educação, de serviço, o que chamo de “niilismo social”.
Ligado ao sagrado este conceito se purifica, pode tornar-se generosidade, benevolência e até mesmo uma virtude teologal que é a “caridade”, e sem este o “niilismo social” é um caminho.
É isto que faz mesmo pessoas com boa intenção cair na tentação da mosca azul, o poder pelo poder, mesmo os discípulos que caminharam ao lado de Jesus tiveram esta “tentação”, pedem a Jesus no teu reino: “deixa-nos sentar um a direita e outro a tua esquerda” (Mc, 10,37).
Jesus dirá que não sabem o que pedem, diríamos nos dias de hoje não sabem o que escolhem, a ideia de um poder forte que resolva questões sociais profundas, que dependem de uma nova visão de mundo, para sair do eterno retorno, dependem da mobilização da vontade popular e não de um poder central mais forte, é uma tentação também para quem defende o social.
Foi a ideia de um estado forte, conduzido por líderes com “carisma”, que levou o mundo a uma segunda guerra mundial, a sociedade em rede, e a rede são pessoas, precisa sair do seu “niilismo social”, saber que é preciso passar por sacrifícios para mudar, Jesus perguntou aos apóstolos que queriam sentar-se ao seu lado: “Podeis beber o cálice que vou beber?” Mc 10,38.
A grande mudança que necessitamos requer uma cidadania global e não um retorno ao tempo da “Riqueza das nações” de Adam Smith, ainda que o sentimento de nação e povo sejam bons.

 

Sustentabilidade e economia

09 Out

Os ganhadores do prêmio Nobel de Economia: William Nordhaus da Universidade de Yale e Paul Romer da Universidade de Nova York, embora toda a imprensa esteja falando apenas do aspecto da sustentabilidade pelo clima, tem o lado da tecnologia como fundamental, Romer fez teses importantes nesta área.

Deixo os comentários sobre William Nordhaus sobre “Economics and Policy Issues in Climate Change” para economistas e ecologistas, não consigo avaliar o alcance do seu trabalho.

Romer ganhou principalmente pelo trabalho “Increasing Returns and Long run Growth”, pois o prêmio conjunto é justificado pelo aspecto da sustentabilidade, mas seu trabalho “Endogenous Technological Change” tem igual importância.

Só para se ter uma ideia, o artigo de tecnologia tem mais de 27 mil citações, pois a tese central que a tecnologia auxilia o desenvolvimento, contradiz a falácia que a tecnologia prejudica o desenvolvimento e ajuda a concentração de renda, contra isto trabalhou também Elinor Ostrom (a primeira mulher Nobel de Economia), Saskia Sassen e até mesmo o marxista Frederic Jamenson.

A definição necessita de conhecimento do Modelo de Crescimento Solow Grow (Jones, 1988), que indica que o progresso técnico exógeno, entenda-se de influência externa, assim como endógeno é aquilo que tem influência interna, isto é central, pois as análises são feitas de modo sistemicos.

Isto acontece por razões não explicadas no modelo, as técnicas de inovação endógenas de mudança atribuem progressos técnicos a esforços sistemáticos pelos agentes de economia, uma inovação claramente não é fator previsto num sistema.

O modelo de explica, por exemplo, quantas empresas poderiam começar a gastar recursos melhorando a tecnologia, em vez de simplesmente aumentar quantidades de recursos e capitais, pode-se pensar, mas a empresa vai demitir, não é assim.

Se os custos adicionais são apenas relativos a tecnologia eles podem e em geral são menores que os investimentos em passivos e pessoal, não se justificando diretamente as demissões, o que acontece é que a inovação desativa algumas funções, mas cria novas, muitas vezes em número igual ou até superior e com salários maiores pela especialização.

Para entender estes efeitos há um trabalho, o que li para este post, escrito com Luis A. Rivera-Batiz (pdf), intitulado. “International trade with endogenous technological change”, no qual usam dois setores fundamentais na industria: um setor de pesquisa e desenvolvimento que produz inovações, e outro, de manufatura que produz bens de consumo e capital físico.

Analisam o efeito de alocação, que refere-se a mudanças na produção setorial pela alocação de insumos básicos entre setores, como um modelo de países, justamente na contramão do que diz o pensamento de conservador de hoje, favorecer os insumos “dentro” dos países, também usado no Brasil ao nível de comércio que era favorecer o consumo interno, o modelo mostra que isto não é sustentável a longo prazo, por isto sustentabilidade a longo prazo.

Jones C (1998). Introduction to Economic Growth. W.W. Norton, 1998, 1rst Edition, 2002 Second Edition.

 

Entre a ingenuidade, a inocência e a malícia

05 Out

Ingênuo vem de ingenuus, ou seja, livre de nascença, o ingênuo não tem malicia, não deixa de ser uma qualidade, principalmente para as crianças, mas destas devemos dizer inocência, não há pela aquisição pouca de conhecimento e de vivência, ainda uma capacidade de discernir entre a maldade em atitudes do dia-a-dia, os que votam não são inocentes.
Talvez alguns ingênuos, porém sem desculpa para cooperar com aquilo que é confessamente odioso, desrespeitoso ao ser humano seja qual for a raça, crença ou partido, o que se pode ver é que uma descrença geral pode levar a atitudes que não percebem a malícia e astúcia.
É importante guardar da infância alguma pureza de sentimentos, uma crença na vida e nas pessoas, porém é perigoso se a maturidade não chega e a crueldade não é percebida.
As palavras, o comportamento e até mesmo o olhar das pessoas podem dizer muita coisa, é inaceitável, portanto que os adultos, que são as pessoas que votam, não percebam a malícia.
É um fato que chegamos a um ponto de desequilíbrio social, moral e até mesmo afetivo, o que não pode admitir é que isto justifique a violência de algum tipo, que ofende a todos.
Vamos fazer uma opção, que deverá durar 4 anos, a estrutura do país será decidida agora.
Qualquer violação dos direitos fundamentais, de opinião, de ir e vir, de regras civis será inaceitável, e com certeza terá oposição de muitos brasileiros que lutaram pela democracia.
Esperamos ainda que um provável segundo turno traga mais debate de proposta e do que é de fato o programa dos candidatos que forem para a segunda rodada, e superemos a confusa etapa de debates deste primeiro turno da eleição brasileira.
Que ainda possamos olhar para a inocência de uma criança e desejar-lhe um melhor futuro.

 

Idealismo e o pão da vida

10 Ago

O livro Crítica da Razão Cínica de Peter Sloterdijk, da década de 80 é uma alusão direta ao clássico de Kant Crítica da Razão Pura, é impossível ler num só folego, e também difícil de concordar numa primeira leitura, mas duas coisas me saltam os olhos o fato que vivemos num tempo de inocências perdidas, tudo é cruel e cínico, e o fato que nos tornamos “cúmplices”, os acadêmicos e estudiosos em especial, de uma desorientação geral, da política ao sagrado.
Sloterdijk trabalhos ao lado de Rüdiger Safranski, biografo de Kant e de Heidegger, até 2012, é, portanto, leitor atento e credenciado para a leitura do mundo atual, e em especial, para a crítica de Kant, a nosso ver a mais fundamental de nosso tempo.
Em entrevista de 2016, para Fronteiras do pensamento, o filósofo esclarece o conceito equivocado de Feuerbach, que Deus é uma projeção da humanidade no céu, e para Marx, as religiões seriam uma invenção errônea da humanidade.
Antes de fazer diferença entre a ilusão ingênua, ela existe nas camadas menos esclarecidas da sociedade e a “falsa consciência esclarecida”, que é sua definição de cinismo, esclarece que as religiões são parte de sistemas imunológicos (e não é a única) mais abrangentes que ele chama de cultura.
É logo o caminho de Sloterdijk para explicar que o idealismo só podia dar nisto, faço um caminho mais curto separar sujeitos de objetos é a forma mais fácil de tornar os objetos “ideais” incluindo todas as concepções destes nas culturas (os sistemas imunológicos de Sloterdijk) e exigir dos sujeitos um comportamento “ideal” de relação aos objetos.
Faço um contraste religioso com o pão da vida, o alimento concreto da humanidade, pois o pão está em quase todas culturas e o pão não é um alimento direto da natureza, mas trigo “processado” pelo homem, dito de outra forma é um produto humano sacralizado como alimento da vida, e que no uso pedagógico de Jesus torna-se sagrado, sem deixar de ser objeto real: o pão.
Em João 6,49-50 pode-se ler a atualização do Maná do deserto, do tempo de Moisés: Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá”, relação direta entre sujeito e objeto, que nem cabe separação.

 

A geopolítica da Inteligência Artificial

06 Ago

Devido um excesso de zelo com distorções do uso de tecnologia, um atraso de entrada nos setores educacionais e empresarias, alguns países e nações industrializadas começam a perder o pé da corrida tecnológica.

Isto tornou-se mais grave nos dois últimos anos, quando as tecnologias relacionadas a Inteligência Artificial (IA) e a internet das coisas (IoT em Inglês) tornaram-se emergentes.

Alguns autores falam da quarta revolução industrial ou Indústria 4.0, onde a questão não é mais a simples automação digital dos empregos existentes, mas a transformação total do modelo em digital, isto significa criar modelos de produção, negócio, inovação e convergência tecnológica de modo a permitir o tratamento massivo de dados e aprendizagem automática (machine learning), isto assusta pelas implicações sociais, mas não pode provocar paralisia.

Um campo em emergência, que pode ajudar a geração de empregos é a “economia colaborativa”, onde o Wikipédia e o Uber são exemplos mais claros, mas há muitos outros.

No campo da geopolítica é fácil de entender porque Estados Unidos e China estão vencendo esta batalha com facilidade, além da estrutura economia e escolar para isto, suas empresas transnacionais na Europa, Rússia e muitos outros países garantem desenvolvimento sustentável e inserção no mercado, mas o principal é a crítica não negativa do uso das tecnologias e a compreensão de aspectos sociais desta opção.

Um relatório da jornalista equatoriana-britânica Sally Burch, na revista America Latina en Movimento: integración en tempos de incertidumbre, 07-2018, mostra o movimento ainda incipiente deste cenário na America Latina, isto sem contar com um cenário política grave.

 

Monetarização do Whatsapp

02 Ago

Segundo informações do Facebook dona do Whatsapp desde 2014, o chat mais popular do mundo vai se monetarizar e vender anúncios, havendo coisas curiosas a respeito, como comprar anúncios dentro do Facebook e eles circularem no WhatsApp.

Para comprar anúncios dentro do próprio Facebook será colocado um botão embutido dn WhatsApp embutido, quando os usuários clicarem nesse elemento, eles imediatamente iniciarão uma conversa pelo mensageiro da empresa que faz o anúncio, não se sabe se haverá inteligência detectando a conversa, por exemplo, estar falando de viagens e ao mesmo tempo surgirem ofertas de voo, no Facebook isto já acontece. 

Curiosamente, se a pessoa for respondida em até 24 horas, não haverá nenhuma cobrança para o negócio feito ao conversar com os usuários do WhatsApp, caso supere as 24 horas serão cobradas as respostas e os diálogos  das “mensagens vencidas”.

Um novo recurso que poderá explorar bastante os usuários terá a possibilidade de receber informações de empresas diretamente no WhatsApp.

O exemplo novamente é o de uma empresa área, que poderá lhe enviar cartões de embarque algumas horas antes do seu voo, e a Netflix já envia avisos sobre novas temporadas e episódios das séries que você tem assistido no serviço de streaming.

A rigor o WhatsApp Business existe desde janeiro deste ano, mas não gerou um centavo para a empresa, a empresa lançou nesta quarta-feira uma API do serviço

Resta saber qual será a reação dos usuários, uma vez que isto colocará um “ruído” em conversas que deveriam ser privativas, e o uso de informações pessoais é um tanto questionável. 

 

O dualismo e o estado

04 Jun

Talvez em nenhuma área o dualismo seja tão “injusto” quanto no direito, é tão verdadeiro que para o direito internacional existem duas teorias: a do dualismo e do monismo.

A teoria dualista defende que o Direito Internacional e o Direito Interno (aquele que diz respeito a Estado em relação a outros) são dois sistemas totalmente distintos e independentes, o último regula as relações entre Estados e, portanto não é obrigatória entre os indivíduos, a alusão ao idealismo é clara por o “estado” assim como o “indivíduo” são elementos “ideais”.

Já a teoria monista defende que o Direito é único tanto nas relações do Estado com a sociedade, quanto nas relações entre Estados, e esta corrente divide-se em duas: a primeira que é chamada de monismo internacionalista prevendo que existam normas do Direito Internacional face ao Direito Interno, prevalece a do Direito Interno, e o outro chamado Monismo Nacionalista que defende que nesta mesma situação, a primazia é do Direito Interno sobre o Internacional, em tempos de nacionalismo exacerbado isto é importante ser debatido.

O Brasil em sua Constituição é omisso (em direito se diz silente) quanto à teoria adotada, mas a posição do Supremo Tribunal Federal é no sentido de uma Teoria Dualista moderada, recebendo o Tratado Internacional o Status de Lei Ordinária, por disposição constitucional, salvo os tratados sobre Direitos Humanos, cujo 2º. Do artigo 5º. Da Constituição Federal atribui eficácia a normal supralegal, quer dizer que é superior a lei na hierarquia jurídica.

Trocando em miúdos, devemos ter ou não leis internacionais além das disposições gerais de direitos humanos da ONU, as humilhações e preconceitos com estrangeiros em muitos países do mundo tem gerado uma odiosa relação que muitas vezes explodem em violência.

A necessidade de discussão destas questões “doutrinárias” já é tempo, e não devemos mais falar apenas em Nações Unidas, mas em algum tratado de “unidade” entre as nações, algo na linha que já vai a União Européia, talvez um bom caminho, seriam União da America Latina, a União Pan-Africana e quem sabe a Asiática, recompondo o globo fragmentado em nações.

Não significa de forma alguma a submissão ou a negação das culturas locais, muito ao contrário, acordos internacionais poderão evitar a submissão de algumas culturas “com maior prevalência” seja financeira, colonial ou bélica sobre as outras.

É preciso olhar para o planeta como um todo e pensar numa cidadania mundial.

 

As redes e a crise mundial

22 Mai

As redes sociais estão provocando uma mudança orgânica no conjunto da sociedade, ela já é mais evidente do que era a 10 anos atrás, mas ainda se confunde a organização em rede com a descentralização e há fortes forças conservadoras que pedem uma nova “hierarquia” social, ainda que descentralizada com poder central.

A percepção de que este ou aquele país é um país em “crise” mais aguda que outros é válida, mas a verdade é que são aqueles que mais aprenderem com a crise que poderão sair dela mais rápido, a primeira lição é que há uma sociedade mais atenta, mais diversificada e menos capaz de suportar esquemas centralizados e autoritários, mas por que então esta onda ?

Justamente porque a grande maioria dos “silenciosos” agora revelam a verdadeira face , a da conveniência e a da convivência com valores que no fundo eram apenas “suportados” pelos que sofriam alguma forma de exclusão, e não falo só a financeira, ainda que seja grave.

Edgar Morin ressalta que agora o espaço “público reúne a sociedade em sua diversidade. A direita, a esquerda, os malucos, os sonhadores, os realistas, os ativistas, os piadistas, os revoltados – todo mundo. Anormal seriam legiões em ordem, organizadas por uma única bandeira e lideradas por burocratas partidários.  É o caos criativos, não a ordem preestabelecida.”

Pode tudo isto desandar numa guerra civil, concordo com Manuel Castells: “guerra civil e movimentos sociais são incompatíveis!”, mas os movimentos sociais agora não são somente as massas manobradas por sindicatos e partidos, é isto que temem os caudilhos, há muita desconfiança e segundo Castells “partidos são universalmente desprezados pela maioria das pessoas”, por que sabemos que pagamos o salário dele (alto) e não fazem o que deviam fazer.

Mas é preciso salvar valores sociais para não cair na tentação da violência e do autoritarismo que é o que desejam os radicais e suas massas de manobra, Castells afirma “você preciso de muito mais valor para não ser violento. Ser violento é fácil.”

Estou em Portugal que viveu uma crise profunda e ainda sente reflexos dela, mas aprenderam a conviver, a dialogar e a ter um pouco mais de paciência com graves problemas sociais, mas este fim de semana havia uma mega manifestação de professores que tiveram salários afetados e aposentadoria (reforma aqui) atrasada, alguns podem ter direito só aos 70 anos.