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Arquivo para a ‘Economia’ Categoria

Governança, talentos e religião

17 Nov

O conceito de governança é, portanto aquele que se estende a um grupo aoEmpowermentmaior que uma burocracia ou tecnocracia de Estado, não se trata apenas de saber investir, olhar os interesses e fazer “o desenvolvimento”, mas principalmente render o muito ou o pouco que se tem.
Já se vai um bom tempo em que o desenvolvimento não significa necessariamente uma melhoria das condições de vida e da distribuição de renda da maioria da população, mas isto agora deve ser pensado em escala mundial, pois não há mais crise ou desenvolvimento isolado, porém é preciso dizer uma lição básica de economia: não se distribui o que não se tem, e ao mesmo tempo aumentar a fatia do bolo que se distribui.
Já se colocou nos posts anteriores a questão do assistencialismo, ressalva feita a regiões de vulnerabilidade e que não são poucas no planeta, no entanto é preciso produzir para que se poder distribuir e não o contrário se distribui que assim se produz, basta ver as regiões pobres do planeta onde a economia não anda.
Embora o raciocínio que uns tem mais e por isso outros tem menos tenha um fundamento de política econômica, não se pode pensar que seja possível distribuir o que não se tem, seria o mesmo que vender ilusões como fazem jogos de azar e os populismos de diversos tipos, volto a dizer, há a questão da vulnerabilidade e isto é sério.
A equação que deve ser feita, isto mostram os países com boa distribuição de renda é como colocar a economia e o que se produz nos lugares corretos, e conforme já indicamos anteriormente também não há um “manual de boas práticas” ou de “boa gestão”, é preciso gerenciar o que se tem de modo a torna-lo produtivo.
Uma parábola bíblica explica bem isto (Mt 25, 20-27), quando um patrão distribui talentos entre seus empregados dando 1 a um, 2 a outro e 5 a um terceiro, ao voltar se depara com a seguinte situação: “O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco, que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’
Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’
Por fim, chegou àquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’.
O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? Então, “devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’”.
Parece uma lógica perversa, até mesmo financeira, mas não é, para não se enterrar talentos é preciso fazer “render” o que se tem, aplicá-lo para haver uma economia de multiplicação dos pães e de superação da miséria, é claro todos sabemos, há gente que interpreta esta parábola para o enriquecimento de alguns poucos, não é o que está dito.

 

Empoderamento, Autonomia e Estado

16 Nov

Magdalena Sepúlveda Carmona (2013) aponta claramente a relação entre apovertyemponderamento e pobreza: “A falta de poder é uma característica universal e básica da pobreza. A pobreza não é apenas uma falta de renda, mas sim caracteriza-se por um ciclo vicioso de impotência, estigmatização, discriminação, exclusão e privação material, que se reforçam mutuamente. ”
Emponderamento é algo sobre o desenvolvimento complexo chamado de “fuzzword” (Cornwall, 2007), parecido ao conceito de buzzword que surgiu em torno de novas tecnologias e campos de negócios como o e-commerce, assim como este o “fuzz” permite complexidade de múltiplas interpretações e definições, muitas vezes refletindo a uma predisposição teórica ou ideológica de seus expoentes, mas a ideia é um “fuzzie” de negócios para o mundo civil.
Ibrahim e Alkire (2007) enumeraram 32 definições diferentes, mas sobrepostas deste novo conceito,
Usaremos aqui uma definição baseada em Eyben (2011) que é aceita em muitos documentos internacionais de forças tarefas da ONU, por exemplo, onde:
“O empoderamento acontece quando indivíduos e grupos organizados podem imaginar seu mundo de forma diferente e realizar essa visão mudando as relações de poder que as mantiveram na pobreza, restringiu sua voz e privou-as de sua autonomia”.
A palavra auntomia aqui é importante, porque difere do assistencialismo que dá “esmolas” mas não empondera, pois significa capacitar populações de modo sustentável e irreversível, não basta assistir é preciso que no futuro os indíviduos e pessoas sejam autonomos, isto é e fato “boa gestão” de recursos.
Uma abordagem de capacitação é tanto um fim em si mesmo quanto um meio de erradicar a pobreza e a exclusão em seu sentido mais amplo (multidimensional), isto afirmam desde humanistas profundos até economistas que não veem de modo preconceituoso populações pobres.
As experiências efetivas de empoderamento tendem a envolver num “triângulo mágico”, nome dado em alguns relatórios, onde o ambiente da sociedade civil ativa, funcionários públicos ou líderes políticos comprometidos e mecanismos de aplicação que garantem que estas iniciativas “tenham coragem”.
Isso significa que a organização da sociedade civil no seu conjunto é um ativo e sua fraqueza ou ausência é um problema. Os governos precisam nutrir organizações independentes e ativas da sociedade civil e proteger o espaço em que podem operar.
A boa notícia é que a história parece estar firmemente do lado do empoderamento, como o alargamento e o aprofundamento globais dos direitos humanos, ainda que tenhamos retrocessos conservadores, a criação dos sistemas que superem áreas de vulnerabilidade e os programas sólidos de economias mais criativas é o futuro.

CARMONA, M. S. 2013. Report to the UN Human Rights Council of the Special Rapporteur on extreme poverty and human rights. United Nations General Assembly.
CORNWALL, A. 2007. Buzzwords and Fuzzwords: Deconstructing Development Discourse. Development in Practice, 17, 471-484.
EYBEN, R. 2011. Supporting Pathways of Women’s Empowerment: A Brief Guide for International Development Organisations. Pathways Policy Paper. Brighton: Pathways of Women’s Empowerment RPC.
IBRAHIM, S. & ALKIRE, S. 2007. Agency and Empowerment: A proposal for internationally comparable indicators. OPHI Working Paper Series.

 

Emponderamento civil e Estado

15 Nov

Hoje é dia da República no Brasil, que perspectivas podemos ter emacivil societyPT termos de um Estado moderno ?
Um dos raros autores a tratar o empoderamento da sociedade é David John Framer que pensa a distribuição do poder governamental em favor da cidadania, não se trata de uma concessão do governante ou uma benesse que é dada a sociedade, é a força de reconhecer a incapacidade do Estado para sociedade promover soluções em ambientes de alta complexidade, que é característica da sociedade moderna.
A abertura à democratização das funções administrativas não é uma novidade absoluta do direito brasileiro, a experiência mais notória de deu a partir da Constituição de 88 com Conselhos em vários sistemas administrativos relacionado ao desenvolvimento dos serviços sociais, mas chamo a atenção a Constituição da Islândia feita por crowdsourcing e promoveu uma limpeza no país, no falimento de 2008.
Para se identificar a matriz teórica que esta iniciativas de governanças começaram a surgir, é fundamental para retificar os vícios identificados nos já quase 30 anos desta constituição, seja pelos bloqueios que se fizeram dentro destes novos modelos, do tipo “bloquear a pauta” e impedir avanços quando o determinado partido está no poder, quer por incompreensão da sociedade do modelo proposto.
Se tratam de iniciativas que devem partir da sociedade, não apenas a participação consentida ou de determinado matiz ideológico, mas o conjunto da sociedade devem sentir a governança, o deferimento ao que seja a compreensão do que é a democracia, da qual trata Bobbio (2000, p. 386) naquilo que chama de “poder em público”, a sociedade deve ser a promotora de um modo de decidir coletivo, isto que poderia ser chamada de uma abertura dentro da abertura democrática, ou amadurecimento democrático da sociedade brasileira.
Não é Estado mínimo, com menos poder, incapaz de alterar processos administrativos e judiciais que levem a sociedade a um ponto mais justo e transparente.
FRAMER, D. J. The languagem of public administration, Bureaucracy, modernity and posmodernity. USA: The Universidade of Alabama Press, 1995.
BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política. A filosofia política e as lições dos clássicos. Trad. Daniela Beccaccia Versiana, 9ª. Imp. RJ: Elsevier, 2000.

 

O Significado das Culturas Computacionais

02 Nov

Resumo da Palestra do prof. Dr. Teixeira Coelho do IEA – USP no evento JoseTeixeiraCoelhoEBICC.

As máquinas estão se humanizando ou são osseres humanos que estão perdendo a humanidade e se transformando em produtos imediatistas, tão valiosos quanto excessivos e totalmente subtuíveis, dos quais o mundo está lotado?

A palestra apresentou como resultados do grupo de estudos Humanidades Computacionais do Instituto de Estudos
Avançados da USP uma lista de conceitos, a maioria com visão crítica da tecnologia, termos como: digitalização, mobilidade, automação, realidade aumentada, efeito-proxy, duplicabilidade, anonimato, perfectibilidade, racionalidade, coordenação, unificabilidade e completibilidade, entre outros, como resultado de uma e-culture (cultura eletrônica digital).

Discutiu a realidade contemporânea das culturas computacionais e digitais e sua relação com a produção cultural, mediada ou autoproduzida, em um contexto em que o trabalho de robôs substitui o trabalho manual dos humanos e caminha para substituir, por meio da inteligência artificial, o trabalho intelectual.

Em seguida Gregory Chaitin proferiu a sua palestra, já comentada no post anterior.

 

A complexidade mundial e o deocolonialismo

02 Nov

A Complexidade do pensamento chamado de “espírito colonial” feita por Karl Polanyi,aoDeocolonialism Marcel Mauss e Michel Foucault, mas com traços em muitos outros autores ajuda a construir de modo mais apropriado o que é o capitalismo hoje e o que ajuda a desvendá-lo sem dogmatismo.

O que ajuda a demonstrar o que é uma produção filosófica, estética, histórica e cultural de determinado tempo, assim como o fizeram Karl Polanyi, em A Grande Transformação; como também o fez, Marcel Mauss, no Ensaio, revelam que a sociedade é composta de uma série de prestações totais envolvendo o conjunto das instituições sociais, sejam elas jurídicas, econômicas, religiosas ou estéticas (Mauss, 1999, p. 274).

Embora o estudo de estudo das obras clássicas nos leva a reconhecer a importância delas no contexto complexo já apontado, é preciso partir para uma crítica teórica, das práticas e experiências nascidas em sociedades não europeias, algumas provenientes de tradições milenares para entender a complexidade do mundo contemporâneo.

Neste particular é importante a obra de Mauss para a crítica decolonial leva a pensar a relação entre o capitalismo e a colonização nos séculos anteriores, mas com raízes ainda nos dias de hoje,  tendo em conta dois aspectos do processo de colonização: de dentro para fora, tanto eurocentrismo sempre citado e no americanismo não citado, como de fora para dentro, negado e visto como “colonial” algumas vezes, mas fundamental para entender o pensamento que Mauss chamada de decolonial.

Reconhecer isto significa que parte da descrição da modernização é realizada numa perspectiva europeia, mas também há nas bordas partes deste pensamento oriundo do “centro” e que não podem ser vistos só como o das “periferias” .

O pensamento deocolonial conceituado por Mauss é então as noções tanto do centro como da periferia que podem finalmente agora, com uma visão mundial, ser desconstruído e que tem nas suas origens tanto o centro como as margens do sistema mundial, uma vez que foram os mecanismos do centro que ajudaram o mundo moderno a “colonizar a vida do Centro” e não apenas o pensamento da periferia do sistema mundial,

Parte da crítica antiutilitarista se enriquece com a crítica decolonial, na medida em que esta última também procura associar ao seu pensamento, com base sociológica, os diversos fenômenos culturais, tradicionais, religiosos, políticos, linguísticos e rituais.

Assim a crítica pós-colonial, que denuncia as relações desiguais entre centro e periferia, na verdade permitiu a expansão da crítica teórica aos campos de conhecimento e práticas situados na periferia nem sempre de fato libertadores, e quase sempre de uma auto-afirmação negativa da identidade cultural, pois podem desvalorizar os conceitos da identidade moral e estética da vida social, as quais são decisivas para o pensamento simbólico em muitos povos.

 

MAUSS, M. Sociologie et anthropologie. Paris: PUF, 1999 (1924).

 

Além da sociedade disciplinar e do controle

07 Set

A análise da Sociedade do Cansaço de Chyul Han aponta a mudança “deAnSocietyControl paradigma da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho aponta para a continuidade de um nível. Já habita, naturalmente (eu poria entre aspas), o inconsciente social, o desejo de maximizar a produção.” (HAN, 2015, p. 25).

Entenda-se a sociedade disciplinar como sociedade da negatividade, que é não-ter-o-direito, “A sociedade do desempenho vai se desvinculando cada vez mais da negatividade. Justamente a desregulamentação crescente vai abolindo-a”.. no estilo do “plural coletivo da afirmação Yes, we can expressa precisamente o caráter de positividade da sociedade do desempenho.” (HAN, 2015, p. 24)

O conceito de Foucault (e outros como Deleuze), da “sociedade do controle”, explica o autor, não dá mais conta de explicar esta mudança, muito menos o uso de tecnologias digitais, pois este fato é muito anterior a elas, o que se dá agora é o uso na “vida activa” com as tecnologias.

Enquanto a sociedade disciplinar do não tinha esta sua negatividade “gera loucos e delinquentes”, a sociedade do desempenho produz “depressivos e fracassados” (pag. 25)

O computador aceita o desafio do desempenho e faz  cálculos “de maneira mais rápida que o cérebro humano, e sem repulsa acolhe uma imensidão de dados, porque está livre de toda e qualquer alteridade.” (HAN, 2015, p. 56)

É data nacional, para não inventar uma narrativa, cito os três últimos fatos gravados no país e faço perguntas.

Foram encontradas malas com dinheiro no valor de R$ 51 milhões, num apartamento na Bahia, que já ficou provado que era de uso do ex-ministro Geddel Vieira Lima, primeira pergunta: Este dinheiro era só dele?, a segunda notícia são gravações de Joesley Batista que se apressa em dizer na gravação: Vamos fazer tudo, mas nós não vai ser preso”, e sobre o padrinho de suas delações e do acordo que dava exílio ao Joesley diz: “O Janot sabe de tudo … a turma já falou pro Janot”, pergunta: Qual turma?

Um terceiro episódio, sim é uma série que pelo visto será bem longa, é relativo ao empresário do Rio de Janeiro chamado Arthur Soares, apelidado de Rei Arthur pelos contratos milionários com o governador Sérgio Cabral agora preso, ele tinha uma conta chamada Matlock no Caribe que foi onde a França começou no início do ano a investigar, porém esta compra teria envolvido o Comitê Olímpico, será que o governo e o Ministério dos Esportes não sabiam de nada ? São só perguntas. Há ainda o caso do Palocci, será que disse tudo pressionado pelos juízes ?

Não foram máquinas que fizeram tudo isto, mesmo o gravador do Joesley era de péssima qualidade, ou agora pensamos talvez apagasse trechos importantes por encobrir alguém.

HAN, B.C. A Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

 

Amazon agora vende tickets

14 Ago

A Amazon volta a sacudir mercados mundiais, agora de tickets, já aparecem ofertas tanto noATPNitto site americano como no inglês, os tradicionais vendedores de ingressos estão ameaçados, como por exemplo, a Ticket Master que viu suas ações despencarem na bolsa americana.

Vai demorar para chegar no Brasil, mas o futuro já nos espera, o que acontece é que uma série de eventos e promoção de vendas locais, que significam empregos e algum dinheiro circulando nos locais dos eventos, podem ser subtraídos e gerar mais monopólio para o site que inicialmente vendia apenas livros digitais, agora já avança em outros mercados.

Mas as tradicionais vendedoras de tickets para eventos são culpadas, as taxas abusivas que cobram para as vendas podem chegar a 10% em grandes eventos e eventos que rapidamente esgotam ingressos, sem a garantia que estes ingressos podem cair nas mãos de cambistas.

Um dos controles que podem ser observados na Amazon é a limitação do número de ingressos por pagantes, como em geral são registrados no site este controle pode ser efetivo, é claro a menos que usem um grande número de laranjas, porém todos devem estar “registrados”.

No site inglês por exemplo, pode-se notar as finais de Tenis do ATP 1000 Nitto em Londres, de 2 a 18 de Novembro, além de outros como show dos GlobeTrotters, o evento para junho de 2018, o Glastonbury Festival em New Castle , Cardif, Manchester e Glasgow chamado El Sheeran que envolve música, performances e teatro, e muitos outros.

O mercado vai se agitar, nas bolsas já agitou caindo ações de empresas que vendem ingressos.

 

O que falta  na 4ª. Revolução industrial

31 Jul

Li o livro do criador do Fórum Mundial de Economia, Klaus Schwab, é impressionante o cenário que descreve, passando pelo mundo digital chama o sistema de contabilidade de dinheiro digital, o blockc4thRevolutionhain, de “livro-caixa distribuído” (mal traduzido como  livro-razão), afirmando que “cria confiança, permitindo que pessoas que não conheçam (e, portanto, não têm nenhuma base subjacente de confiança), colaborem sem ter de passar por uma autoridade central neutra – ou seja, um depositário ou livro contábil central.” (Schwab, 2016, p. 27), indo da categoria física ao mundo biológico, mas talvez falte algo: uma “alma” para isto tudo.

Os céticos e fundamentalistas vão continuar a bradar: injusto! poder da tecnociência ! uma autêntica desumanização ! sim pode ser, mas simplesmente protestar ou torcer o nariz não vai fazer o avanço rápido e vertiginoso da tecnologia recuar, nem mesmo o apelo ecológico, mais tecnologia é muitas vezes mais ecologia, vejam os LEDs, a energia solar e o controle agora possível por dispositivos sensores em plantas, florestas e até mesmo micro-organismos.

Talvez um problema que mereça questionamento sério é a desigualdade, mas Schwab não fugiu do assunto, ao explicar nas páginas 94 e 95 a emergência de” ecossistemas orientados para a inovação, oferecendo novas ideias, modelos de negócios, produtos e ser viços, e não aquelas pessoas que podem apenas oferecer trabalho menos qualificados ou capital comum” (Schwab, 2016, p. 94), e conclui “o mundo atual é muito desigual” (p. 95).

O fenômeno da desigualdade é sem dúvida o mais preocupante, mesmo em países que pode- se pensar menos desiguais, o índice Gini por exemplo na China, aponta o autor, subiu de 30 na década de 1980 para 45 em 2010.

Aponta mais ainda que os níveis de desigualdade: “aumentam a segregação e reduzem os resultados educacionais de crianças e jovens adultos.” (idem, p. 95), isto mudou por exemplo o padrão da chamada “classe média”, que nos EUA e Reino Unido tem o preço de “um bem de luxo”, afirma o autor.

Ao contrário do que se possa pensar, o Global Risks Report do Fórum Mundial de 2016, fala de “des-empoderamento” do cidadão, embora haja campanhas como “get-out-the-vote” (sai para votar), já que em muitos países o voto não é obrigatório, mas os conteúdos que nós consumimos online são miseráveis, carecem de verdade e de fatos, e eles influenciam.

Não falta ao autor os conceitos de identidade, moralidade e ética, expressos no capítulo da página 100, fala da OpenAI, iniciativa presidida por Sam Altman, presidente da Y Cominator e Elon Musk e CEO da revolucionária Tesla Motors, que acredita que a melhor maneira de desenvolver a AI é torna-la gratuita para todos e fazer que ela seja emponderada  para melhorar os seres humanos, mas seu programa é abstrato e pouco realístico, ainda que o apresente no quadro H o limite ético.

È preciso descobrir nas fissuras do avanço tecnológico aspectos de desenvolvimento da sensibilidade humana, do apreço pelo Outro, onde ambientes colaborativos e de coworking favorecem isto, mas o que se ouve é ainda uma gritaria fundamentalista contra a tecnologia.

 

IoT e a segurança de dados

21 Jun

Muitos aspectos de segurança de dados foram desenvolvidos, mas há uma máxima daIoTSecurity computação que afirma que nenhum sistema é totalmente seguro, e se prevemos um crescimento exponencial das conexões com a internet das Coisas (IoT – Internet of Things), é um fato que o problema de segurança tenha também um crescimento nesta proporção.

Enquanto o mundo da IoT já chegou (smartphones, relógios, TVs, carros, óculos e outros aparelhos, nos de pode dizer que há uma plataforma IoT realmente segura e com operacionalidades simples.

Para os especialistas, um desses recursos básicos de segurança é a criptografia de dados, mas ela deverá estar agregada ao tratamento de Big Data, já que este para o volume de dados atuais já é praticamente indispensável, com a IoT será compulsório.

Os dispositivos IoT transacionam toneladas de dados, a criptografia já é um aspecto óbvio destes dados porém, ainda é raramente usada, menos ainda se pensamos de ponta a ponta, isto é, do produtor ao consumidor de dados, e então neste aspecto a IoT é mais sombria.

Com os avanços na computação quântica, a criptografia poderá também não ser suficiente para proteger dados vitais, pois computadores quânticos podem descobrir as chaves criptográficas ainda mais rapidamente, e os algoritmos ainda que eficiente agora, não há dado totalmente seguros,  as chaves dos criptogramas com uso de computação quântica serão mais rapidamente abertas, e enquanto a maioria dos hackers não tem acesso a esse nível de computação podemos estar seguros, mas por quanto tempo ?

É preciso começar desde já a repensar dois assuntos, o tratamento de dados por BigData e as chaves criptográficas a prova de computação quântica antes que estes recursos estejam nas mãos dos hackers.

Privacidade de dados, muitas vezes vitais para determinados sistemas, estão e estarão em cheque cada vez mais.  

 

Esfera pública: transparência e utopia

20 Jun

O termo “esfera pública”, popularizado pelos conceitos desenvolvidos porTransparencia Jünger Habermas (1929- ), em especial no livro publicado em 1962, “Mudança estrutural da esfera pública”, que é uma tradução para a palavra alemã, Öffentlichkeit, substantivação do adjetivo öffentlich (público). “Publicidade”, que é usado de certa forma também como “tornar público” Publizität é por sua vez um termo empregado no sentido de tornar público certos debates judiciais.

O tema volta a ter atualidade não apenas pela situação do Brasil, mas o uso de “publicização” feitas tanto na campanha de Trump como de Marie Le Pen, além dos inúmeros e já incontáveis casos de denúncias de corrupção no Brasil e outros países da América Latina e do planeta.

A ideia geral de Habermas, grosso modo, é que a publicidade crítica é subvertida pela publicidade/propaganda, onde a opinião pública passa a ser objeto de manipulação tanto dos meios de comunicação de massa como por parte das políticas partidárias e administrativas, mas o termo não deve ser confundido com as dificuldades público/privadas do estado.

Posteriormente Habermas relativizou o termo, pois as experiências políticas e sociais que desmentiram uma total despolitização da esfera pública mostram também fatos curiosos como uma certa volta ao nacionalismo, e a questão da transparência pública é questionada.

O que fez que posteriormente Habermas desenvolvesse a ideia da ação comunicativa, consagrada no livro (em algumas edições como a inglesa em dois Volumes) “The theory of communicative action”, publicados em 1984, mas o que negligenciado que também ali foi necessário um reparo, colocando a questão da “nova intransparência”, onde ao mesmo tempo que admite o esgotamento utópico, vê um horizonte onde há alguma fusão entre o pensamento utópico e a consciência histórica.

Habermas cita os cenários utópicos da idade Média: “Thomas Morus e sua Utopia, Campanella com Cidade do Sol, Bacon com sua Nova Atlantis”, sua atualização nos tempos  modernos por “Robert Owen e Saint Simon, Fourier e Proudhon rejeitavam o utopismo violento”, e há uma atualização com “Ernst Bloch e Karl Mannheim” que na visão de Habermas “purificaram o o termo ´utopia’ “, mas negligencia a análise feita de Manheim por  Paul Ricoeur em cursos feitos na Universidade de Chicago em 1975, que depois virou livro: “A ideologia e a utopia”.

A análise de Ricoeur mostra que distorção ideológica se baseia no fato de considerar apenas a estrutura simbólica da vida social, em geral vista sobre a perspectiva da justificações e identificações de grupos sociais, embora necessária, não é suficiente para fazer projeções para o futuro, onde o uso de inovações e agentes sociais transformadores são necessários.

HABERMAS, J. A nova intransparência. In: Novos Estudos CEBRAP, nº 18, set. São Paulo: Ed. Brasileira de Ciências Ltda, 1987.