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Arquivo para a ‘Etica da Informação’ Categoria

Complexidade, simplificidade e pureza

03 Nov

Parecem contraditórios em tempos de crise, mas não é, na verdade o reducionismojesus_madalena_peq é a tentativa de reduzir o humano, o natural e toda a complexidade da vida em verdades dogmáticas e por isso nada simples e nada puras, porque simples não é simplificidade por desconhecimento ou preconceito.
O Complexo é justamente entender que cada pessoa, o conjunto da sociedade, cada ser da natureza e o conjunto do universo se relacionam, interagem num todo complexo e que tudo isto é simples se estiver abertos ao Outro, à Natureza e a TodosUniverso que nos rodeia.
Encontramos nas pessoas mais simples, a complexidade da vida e a sabedoria que penetra nas revelações mais profundas da Natureza e do Universo,
Mahatma Gandhi afirmava que se toda literatura ocidental se perdesse e restasse só o Sermão da Montanha, nada se teria perdido, e ele não era cristão.
Einstein afirmava que era mais fácil quebrar um átomo que um preconceito, pois é na complexidade da formação e do pensamento humano que encontramos muitos problemas, maiores em tempos em que a modernidade quer se afirmar diante de valores já decadentes: sua moral, seu modelo de estado, de harmonia social e de visão de mundos estão em cheque.
Dentre as bem-aventuras que nada mais são narradas no texto bíblico de Mateus  , todas bem-aventuranças são importantes, porém duas nos remetem diretamente ao centro da revelação que são: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a face e Deus e Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus,  pois ambas nos colocam diante de Deus: de sua face e como sua filiação.
Em momentos de tanta malícia, de confianças cada vez maiores que geram divisões e confrontos, a pureza (que não é ingenuidade reducionista) é um valor essencial, reclamou Adorno em Minima Moralia, “que mundo é este em que até uma criança desconfia de um presente”, e diríamos do mundo que nem mesmo a justiça a qual deveríamos ter respeito parece não merecê-lo.
Que tipo de paz queremos, que tipo de mansidão queremos (Feliz os mansos porque herdarão a terra), eis a questão que nos é interpelada pelos tempos sombrios que vivemos.
Diversas imagens podemos lembrar de bem-aventuranças na bíblia: o samaritano (que socorre alguém que foi ultrajado), Zaqueu (que era um usurpador e se arrependeu), cegos, viúvas e tantos outros personagens, mas talvez a maior bem-aventurança esteja diante de Madalena, a ex-prostituta que muda radicalmente de vida e torna-se uma das mais fiéis no seguimento de Jesus.
A imagem dela diante da bem-aventurança de ter encontrado seu perdão é a figura (desenho) mais essencial para uma sociedade corrompida e com dificuldades de retomar seu caminho.

 

O Significado das Culturas Computacionais

02 Nov

Resumo da Palestra do prof. Dr. Teixeira Coelho do IEA – USP no evento JoseTeixeiraCoelhoEBICC.

As máquinas estão se humanizando ou são osseres humanos que estão perdendo a humanidade e se transformando em produtos imediatistas, tão valiosos quanto excessivos e totalmente subtuíveis, dos quais o mundo está lotado?

A palestra apresentou como resultados do grupo de estudos Humanidades Computacionais do Instituto de Estudos
Avançados da USP uma lista de conceitos, a maioria com visão crítica da tecnologia, termos como: digitalização, mobilidade, automação, realidade aumentada, efeito-proxy, duplicabilidade, anonimato, perfectibilidade, racionalidade, coordenação, unificabilidade e completibilidade, entre outros, como resultado de uma e-culture (cultura eletrônica digital).

Discutiu a realidade contemporânea das culturas computacionais e digitais e sua relação com a produção cultural, mediada ou autoproduzida, em um contexto em que o trabalho de robôs substitui o trabalho manual dos humanos e caminha para substituir, por meio da inteligência artificial, o trabalho intelectual.

Em seguida Gregory Chaitin proferiu a sua palestra, já comentada no post anterior.

 

O Outro, a complexidade e a consciência

26 Out

A preocupação com a identidade gestou a modernidade e com a questão daOoutro liberdade individual ela se expande, já postamos na semana passada sobre a diferença entre ética e eticidade, o que traz consigo a questão da individualidade como subjetividade, sujeitos e objetos estão separados desde a origem do pensamento liberal, agora entrando em ocaso.
O problema moderno é tornar o convívio humano “humanizado”, fundado na justiça, na solidariedade e em valores que incluam o respeito ao outro tem-se tornado um dos maiores desafios da convivência humana na atualidade.
Muitos parecem não acreditar mais que estes valores devem ser observados na vida social e pessoal, na política e nas relações econômicas, e o que é mais triste, mesmo no pensamento religioso onde o amor, a caridade ou a compaixão deva ser observada ao Outro.
Há um desejo de transgredir qualquer limite imposto, questionam valores mais elementares e confundem a liberdade com a autodeterminação, as vezes pessoal, as vezes em grupos.
Educar eticamente pressupõe esse processo de orientação rumo à liberdade consciente, por isso o diálogo sobre o que é consciência não é secundário, e consciência só faz sentido se é consciência de algo, assim pensar sobre o que é sociedade, política e religião é essencial.
Assim como não faz sentido “obrigar” alguém a respeitar o outro, mas é possível proporcionar oportunidades para tornar as relações entre as pessoas mais justas e solidárias, ao mesmo tempo em que se tenta combater os pré-conceitos injustos, no círculo hermenêutico o filósofo Hans Georg Gadamer explica que todos temos pré-conceitos, que são em ultimas instancia os valores que pautamos nossas vidas, questioná-los e colocá-los em discussão é essencial.
Por meio de uma pedagogia ética se criam as condições para o bem comum e o respeito mútuo, enfim, para a realização dos indivíduos como sujeitos éticos, na sociedade o bem-comum fundamental para todos, na justiça aceitarem normas legais para todos e para cada um e na religião seria fundamental lembrar o “mandamento novo”: ama teu próximo.

 

A Biosemiótica e Terence Deacon

24 Out

Natureza Incompleta: Como a Mente emerge da Matéria é um livro de aDeaconTerrence Deacon, antropólogo e biosemiótico, que aborda as origens da vida e o filosofia da mente, com novas tentativas de resposta de como a natureza emergiu.
O livro procura explicar conceitos como intencionalidade e normatividade em um propósito diferente ao da fenomenologia, mas considerando-os com um propósito mais funcionalista, chama entenacionais (no sentido ontológico de entes), mas agrupados e por isso “nacionais”.
O livro explora as propriedades da vida, o surgimento da consciência e a relação entre processos evolutivos e semióticos.

O livro especula sobre como propriedades como informação, valor, propósito, significado e comportamento direcionado final surgiram da física e da química.
Os críticos do livro argumentam que Deacon atraiu fortemente as obras de Alicia Juarrero e Evan Thompson sem fornecer citações completas ou referências ao autor, mas uma investigação da UC Berkeley inocentou Deacon que é professor lá.
Em contraste com os argumentos apresentados por Juarrero em Dynamics of Action (1999, MIT Press) e por Thompson in Mind in Life (2007, Belknap Press e Harvard University Press), Deacon rejeita explicitamente as afirmações de que fenômenos vivos ou mentais podem ser explicados por dinâmicas abordagens de sistemas.
Em vez disso, Deacon argumenta que as propriedades da vida ou da mente só emergem de uma relação recíproca de ordem superior entre processos auto-organizados.
Terence Deacon estará em São Paulo, no evento de Ciências Cognitivas EBICC.

 

Estado Moderno, eticidade e valores

20 Out

O conceito de eticidade e de estado dos posts anteriores foram para alertarACivilRightsPt que a quebra de valores, ao contrário do quem dizem muitos autores, não se trata de uma desconexão com a realidade ou mesmo uma falta de presença do estado na sociedade moderna, mas uma compreensão inexata da complexidade do mundo moderno e seus valores.

A Eticidade hegeliana, definida como “… a ideia de liberdade enquanto vivente bem, que na consciência de Si tem o seu querer e o seu saber” (Hegel, 1997)

Paul Ricoeur (2008) apresentou a justiça tanto como regra moral como sendo uma instituição, como é no estado moderno, mas estabeleceu uma distinção clara entre as duas: chama a segunda a dialógica do Si (uma vez que é mediada por uma Instituição, no caso, o Estado), e cita um adágio em latim: “suum cuique tribure – a cada um o que é seu”, mas vê também uma lógica hierárquica onde há predicados qualificadores da moralidade humana.

A armadilha feita pelos fariseus montada para que Jesus falasse contra a “lei” romana, ao perguntarem se era justo pagar imposto caiu por terra, pois Jesus tinha claro estas duas distinções de Justiça e disse “dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21).

Em tempos de Estados corruptos sistemicamente é preciso diferenciar a lei moral horizontal e o respeito ao Outro em planos distintos, e devemos guardar mais forte este plano do respeito ao Outro, onde há claramente uma lei Moral maior: não faça ao outro o que não gostaria que fosse feito para você, regra de ouro, em muitas religiões e culturas.

Conservar valores básicos é fundamental, senão ficamos no plano da “eticidade”.

HEGEL, G.W.F. Enciclopédia em Ciências filosóficas em epítome. Trad. A. Mourão, Lisboa: Edições 70. 1997.

RICOEUR, P. O Justo 1: A justiça como regra moral e como instituição. Trad. Ivone C. Benedetti. São Paulo: WMF Martins, 2008.

 

Estado, cultura e complexidade de valores

19 Out

Não havia a complexidade do mundo contemporâneo antes dos meios deaCulture comunicação em massa e das modernas mídias digitais, porque além da lentidão que o processo se difundia, também era possível maior controle da “cultura” e dos “valores”, assim aquilo que se definiu até hoje como estes conceitos é preciso um novo olhar, ao menos de maior diversidade.
Como em outros tópicos definimos que a complexidade é uma herança da biologia, se pensamos cultura nestes termos ela é um tecido vivo onde há o cultivo de células contendo os nutrientes adequados e as condições propícias de sobrevivência da vida daquele organismo.
Podemos articular a complexidade com o conceito antropológico de Edward B. Tylor (citado por Roque B. Laraia) como  “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
O que se define como multicultural, inculturação ou massificação, tem na sua base quase sempre alguma dose de preconceito das culturas originárias e de seus reais valores, diria que de certo modo há algum desrespeito a cultura de povos “não civilizados” ou não “evoluídos”.
Se é um fato que promoveu-se através dos meios de telecomunicação de massa, é também um fato que a visão mundial de diversas culturas nos possibilita um maior respeito e compreensão a diversidade, e que não façamos uma mixagem ou não compreensão da cultura originária.
Cultura originária é de modo bastante amplo aquela que dá identidade a um povo, e qualquer processo educativo que a desconsidere é de certa forma uma massificação, e uma desconstrução de seus valores, mas ela não se reduz ao espaço territorial e este muitas vezes é questionável, por exemplo, os pampas gaúchos nos limites do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina tem em geral, uma cultura muito próxima.
São culturas originárias a cultura árabe, a anglo-saxônica, a latina, mas também aquelas que ultrapassam limites continentais como a islâmica, a judaico-cristã, o hinduísmo, o budismo, e isto se traduzem numa complexidade que deve ser levada em conta quanto aos valores sociais.
A crise de valores é, de certo modo, porque os ideais iluministas do Estado Moderno se sobrepuseram aos valores originários culturais dos povos onde estabeleceu-se o “Espírito das Leis” e ignorou-se aquilo que aqueles povos já tinham em suas raízes antropológicas.

 

 

Complexidade e o estado Moderno

18 Out

O estado como concebido na modernidade, exatamente por que não aoEstadoModernoexistia antes, não é eterno e poderá sofrer profundas transformações para que a sociedade detenha o controle do poder que ela transfere pelo voto democrático, é sensível que hoje precisamos de evolução.
O construto idealista, que é fundamentado nos direitos individuais deve mais e mais ceder lugar aos direitos coletivos e sociais, alguns proclamados na revolução francesa como a igualdade e fraternidade jamais foram alcançados, eis dois dos limites do Estado Moderno.
Mas o mais sensível em tempos de mídias sociais, em que as redes sociais (que são humanas) se empoderam, é o que de fato a democracia é, no sentido de representar legitimamente os direitos da maioria, primeiro porque existe o direito de minorias, é preciso tolerância nesta convivência, e em segundo, este mais fundamental que ao transferir o direito somos após o pleito democrático, enganados pelos defensores de causas “justas” e “sociais”, em troca de seus interesses particulares ou de lobbies.
Esta complexidade social, que as mídias sociais apenas tornam nuas suas demandas e raízes, exige ainda um respeito aos limites legais conforme apontamos no post anterior deste blog, as chamadas discursos e ideologias do ódio.
O estado como concebido por Hegel, possui uma eticidade (conceito de Hegel difere da ética), onde é a “realidade em ato da ideia moral objetiva – espírito moral como vontade substancial revelada, clara a si mesma, que se conhece e pensa e realiza o que sabe e porque sabe e porque ela sabe” (p. § 257), onde há uma “a substância ética autoconsciente” que é claramente mais um conceito idealista que uma verdade apodítica.
Por isso a ideia moral objetiva que Hegel pretendia realizar-se com o Estado, com muitos exemplos em governos atuais, mostrou-se claramente que é um modelo idealista por esconder subjetividades humanas que são igualmente direitos éticos tais como, a religiosidade, e a cultura local de cada povo ou nação, conceito por exemplo, rechaçado por Bush e outros governos xenofóbicos.
O elemento de subjetividade que para Hegel era o “espírito”, também era o Espírito das Leis de Montesquieu, é esta substancialidade autoconsciente, é na verdade a “autonomia do Estado” que se convertem em um sujeito de categorias lógicas abstratas e que não se submetem a realidade concreta dos sujeitos existentes, pessoas inseridas em suas culturas.
O estado moderno não é eterno e precisa ser repensado.

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AI pode detectar discurso de ódio

17 Out

É crescente nas mídias sociais o discurso de ódio, identifica-lo com uma única fonte AoOdiopode ser perigoso e tendencioso, em função disto pesquisadores da Finlândia treinaram um algoritmo de aprendizagem para identificar o discurso do ódio comparando-o computacionalmente com o que diferencia o texto que inclui o discurso em um sistema de categorização como “de ódio”.

Os pesquisadores empregaram o algoritmo diariamente para visualizar todo o conteúdo aberto que os candidatos em eleições municipais geraram tanto no Facebook como no Twitter.

O algoritmo foi ensinado usando milhares de mensagem, que foram analisadas de forma cruzada para confirmar a validade científica, segundo Salla-Maaria Laaksonen, da Universidade de Helsinque: “Ao categorizar as mensagens, o pesquisador deve tomar uma posição sobre a linguagem e o contexto e, portanto, é importante que várias pessoas participem na interpretação do material didático”, por exemplo, fazer um discurso odioso para defender-se de uma ação odiosa.

O algoritmo foi ensinado usando milhares de mensagens, que foram analisadas de forma cruzada para confirmar a validade científica, explica Salla-Maaria:“When categorizing messages, the researcher has to take a stance on the language and context, and it is therefore important that several people participate in interpreting the teaching material,” says the University of Helsinki’s Salla-Maaria Laaksonen. “ao categorizar as mensagens, o pesquisador deve tomar uma posição sobre a linguagem e o contexto e, portanto, é importante que várias pessoas participem na interpretação do material didático”, senão o ódio pode ser identificado apenas unilateralmente. She says social media services and platforms could identify hate speech if they wanted to, and in that way influence the activities of Internet users.

Ela diz que os serviços e plataformas de mídia social podem identificar o discurso de ódio se quiserem, e dessa forma influenciam as atividades dos usuários da Internet. “There is no other way to extend it to the level of individual citizens,” Laaksonen notes. “não há outra maneira de estendê-lo ao nível dos cidadãos individuais”, observa Laaksonen, ou seja, são semi automáticos porque preveem a interação humana na categorização.

O artigo completo pode ser lido no site da Aalto University de Helsinque.

 

 

Complexidade, consciência e AI

16 Out

Já afirmamos que tanto a complexidade como a consciência são fenômenos que AiMachinepertencem a natureza biológica, e foram emprestados as chamadas ciências “exatas”, mas a AI (Artificial Inteligente) continua tendo avanços, quais seriam então os equívocos de noções equivocadas deste campo ?

A resposta do professor de tecnologia do MIT Rodney Brooks, que trabalha com a robótica para a Panasonic é que há 7 pecados capitais, e ele cita a lei de  Amara ao dizer que as pessoas tendem a subestimar tanto o efeito a curto prazo quanto ao de longo prazo da tecnologia ao examinar uma tecnologia inexistente, enquanto um outro fatos é confundir hipóteses onde a AI teria uma igual competência para resolver o problema de uma tecnologia inexistente.

Um terceiro fator apontado por Brooks é que a suposição frequentemente de praticar uma tarefa é frequentemente confundida com uma tarefa realizada por AI igual a competência.

Brooks também diz que as pessoas são propensas a paralelizar o progresso AI na aprendizagem de uma determinada tarefa para o mesmo processo em seres humanos, por isto sempre aparece a ideia de híbridos humano/máquinas.

Brooks afirma também que as pessoas não devem esperar que AI continue a progredir constantemente em um caminho de desempenho exponencial, mas sim em ajustes e reavaliações, e não devemos acreditar em cenários feitos pela mídia com situações inesperadas na AI.

É disto que tratava a ficção científica de Odisseia 2001, onde o computador que tomava decisões diabólicos jamais existiu e assitir o filme hoje mostra a irrealidade daquela ficção, já Blade Runner se atualizou em 2049 e pergunta se máquinas tem almas, a pergunta do escritor que inspirou o filme é se as máquinas sonham com ovelhas elétricas (no romance de Philip K. Dick_, e porque máquinas dormiriam ?  e porque máquinas dormiriam ?

Aliás a figura do cachorro do velho caçador de Androides, também chamar Harrison Ford para o papel foi interessante em referência ao romance que inspirou o filme.

O artigo completo de Rooney Brooks publicado na Technology Review da semana passada é bastante interessante e separa 7 falácias sobre a AI.

 

O caçador de Androides é replicante

09 Out

O replicante significa uma máquina com feições humanoides e em poucas coisasaoBladeRunner além da feição se aproxima do humano, no caso dos androides de Blade Runner 2049, o olho ou melhor o fundo da íris que tem um tom alaranjado é o grande diferencial, porém sendo máquina possui características que são super-humanas, por exemplo, a força, a velocidade e muitas outras características poderão ser humanas, mas robôs teriam alma ?

Ou fazer a pergunta mais comum na mídia, robôs dormem contando carneirinhos que são máquinas, entretanto a pergunta mais forte desde o início da primeira versão do filme de 1982, é se Rick Deckard (Harrison Ford), o caçador de androides é um também androide, e lógica diz isto porque caçar “máquinas” só mesmo para máquinas.

Uma pergunta que o diretor já respondeu afirmativamente, mas há uma dica no filme quando ele conta que sonhou com um unicórnio (a referência já é pela nossa classificação um replicante, pois tem coisas supra-humanas como um chifre), e alguém já sabia do seu sonho, isto é, os replicantes tem até mesmo seus sonhos projetados, mas porque o “criador” o preservou, uma pergunta que ele próprio se faz.

Ou outro diálogo de Rick Deckard esclarece: “Replicantes são como qualquer outra máquina – eles são um benefício ou um perigo. Se eles são um benefício, não é meu problema”, ou seja, interessa construir uma máquina que ela cuide do perigo que oferecem as outras.

Mas isto é esclarecedor em outro ponto também, há humanos preocupados com as máquinas e isto significa que sem saber que existem perigos, no diálogo Deckard diz como qualquer outra não deveria ser um empecilho para sua existência, o empecilho no fundo é o medo, por isso ao meu ver existe sempre este tom meio sombrio na primeira e segunda versão, chamado pelo refinamento cult de “noir”.

As máquinas e os avanços sempre trazem problemas, desalojam as coisas do lugar de conforto, mas não há como fazer omelete sem quebrar os ovos, é preciso ver os que estão podres, os computadores “sombrios” da Odisséia 2001 já passaram, os androides passarão, o futuro nos pertence, o homem é protagonista de seu futuro, ou ao menos deve desejar sê-lo.