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Arquivo para a ‘Etica da Informação’ Categoria

A exclusão e os leprosos de hoje

09 Fev

Não é raro mesmo em lugares de relativa calma e bem estar social, que oaosLeprosos homem se sinta incomodado e desalojado de tudo que vive e sente a sua volta: as famílias não são mais somente lugar de conforto, no Brasil os índices de violência doméstica assustam, até mesmo espaço de laser como campos de futebol e outros esportes se encontram brigas, corrupções e diversos tipos de violência, sem falar a sociedade em geral que vive taxas alarmantes.

Pensamos que o isolamento é a solução, quando não sozinhos também em grupos e muitas vezes em grandes grupos, também formamos nossas bolhas de “segurança”, não são mais espaços de conforto pois ele é quase inatingível, mas de segurança.

Alargando o conceito do individualismo para o de microesferas e esferas de Sloterdijk, o espeço que encontramos saindo do em si e caminhando para o de si não é suficiente, nele sentimos a ausência de algo essencial, se não podemos atingir a esfera espiritual, a qual chamo de noosfera (esfera do espírito), devemos entender os processos de exclusão das “bolhas”.

Primeiro porque são irreais nos dias de hoje, vivemos uma exposição ampla, Byung-Chul Han fala disco e no livro recentemente de Domenico de Mais (post da segunda-feira) também fala da “desorientação” social, e, portanto, não se trata de liquidez, mas de esferas fugazes e uma nova relação com a exclusão: as periferias existências e suas “bolhas” de segurança.

Não haverá solução se não houver um salto além do de si, é um além aquilo que foi mal definido na filosofia como um para si, embora aí também ocorra o perigo do fideismo e do subjetivismo, é nele que reencontramos as esferas abertas de nossos sonhos, de nossa poesia e de uma visão de mundo sem exclusão, o problema que Heidegger chamou de Weltanschauung.

Oscilando entre uma pieguice religiosa e um materialismo rasteiro pseudo-religioso, a visão de mundo necessária transformar-se numa visão de mundo sem exclusão  deve superar preconceitos ideológicos, e tornar-se uma visão que todos possam fazer parte.

No tempo em que a hanseníase (a lepra) era o pior tipo de exclusão, e era inclusive consideradas um pagamento pelo “mal”, as palavras de Jesus podem resumir bem a exclusão daquele tempo em Marcos quando um leproso pede a ele de joelhos: “Se quiseres, podes purificar-me!” Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Quero. Seja purificado!”  (Marcos 1,40-41).

As lepras hoje são muitas, olhemos a nossa volta e quanta gente excluída nas diversas bolhas que olham ao seu redor e dizem altivos: “não são nossa gente” pois estes “são impuros”.

 

Exclusão e choque imunológico

08 Fev

A ideia de Petr Sloterdijk que a história é “uma colisão de sistemas imunológicos”, poderia aImunologiamuito bem ser traduzida para ser entendida como o “choque de exclusões”, e a ideia que as pessoas que fazem isto são apenas as religiosas é falsa e ideológica.
Em entrevista e no diálogo feito nas Fronteiras do Pensamento, o filósofo afirmou: “Marx estava errado quando pretendia que toda crítica devia começar com a crítica da “religião”. A verdadeira crítica tem de começar pelos falsos conceitos. A ideia de que Deus queria destruir a humanidade no Dilúvio é uma expressão pesada de como as pessoas podem se sentir culpadas, mas é um conceito falso. A ideia de que as viúvas devem ser queimadas com seus maridos também é um falso conceito. Para colocar a questão paradoxalmente como ela é: [religião] não tem nada a ver com religião.”, veja no site Gauchazh.
A ideia que religião, no sentido filosófico e teológico, não tem nada a ver com religião, religação a Deus e aos nossos semelhantes é facilmente demonstrada bastando ler os teólogos que estão mais preocupados com uma religião “imune” (dos Outros, quem são os outros?) e menos com a inclusão de pessoas que são invisíveis para o mundo contemporâneo.
O filósofo que escreveu a “Crítica da Razão Cínica” em 1986, afirmou na referida entrevista, que esclarece muito o cenário político mundial: “Em nossos dias, a síndrome do cinismo como uma revolta agressiva contra a ideia de justiça, progresso e boa vontade está novamente alterando o campo partidário. Vejo muito poucos elementos “conservadores” nos novos movimentos de direita em todo o mundo, se por conservadorismo entendermos o justo sentimento pelos valores do passado. Percebo, em vez disso, muita raiva contra a civilização como tal e um ódio profundo contra as “elites” – sintomas que conhecemos muito bem das tentações totalitárias do século 20. Entre os intelectuais franceses tem havido, nos últimos meses, um debate significativo sobre a nova “desmoralização”.”
Além da exclusão imunológica, provemos em escala social uma “desmoralização”, a religião que inclui leprosos, viúvas, mulheres e pobres, nada tem a ver com a imunológica

 

O mal metafísico-ontológico

01 Fev

Entendemos o mal como ausência do Bem ou sua fragilidade, e com isto superamos o aBadOntologymaniqueísmo, entendemos de certa forma o mal moral como aquele que tem uma relação direta com o comportamento ético, e indiretamente com a religião e muita raramente com a história da filosofia, embora esta seja essencial para se entender o “mal moral”.
A ideia que desenvolveu-se durante vários aspectos analisando o Bem deste a antiguidade clássica, pode abordar o problema do mal metafísico-ontológico.
Agostinho de Hipona abordou o tema no livro I De libero arbítrio que Agostinho através de duas questões que está especificamente preocupado, a saber: Qual é a causa da prática do mal (malefacere)?  E o que significa proceder mal?
Em outra obra de Agostinho (Cidade de Deus) ele afirma: “Todo movimento da alma tende ou na direção de um bem a ser adquirido ou conservado, ou para longe de um mal a se evitar ou descartar: o movimento livre da alma para adquirir ou evitar algo é a vontade”.
Este conceito é importante numa sociedade marcada pelo cansaço e pela ansiedade, uma vez que toda vontade deve ser satisfeita imediatamente, só para exemplificar, apesar da proibição é comum se ver pessoas que consomem imediatamente o produto que estão comprando em supermercados ou lojas de vendas.
É de certa forma, entre muitos outros, o chamado “mal estar da modernidade”, atinge o ser humano no mais íntimo do sentido da vida, não apenas o social, mas chegando ao social.
Em confissões ele afirma: “O mal não é somente uma privação, é uma privação que reside num bem como em seu sujeito”, ou seja, uma relação direta entre objeto e sujeito, dito de outra forma: “o objeto do desejo” uma vez que a vontade é humana.
Assim, somos levados a fazer um raciocínio de Agostinho,  a vontade livre é caracterizada como um bem mediano cuja natureza é boa, mas cujo efeito pode ser mal ou bom, de acordo com a maneira pela qual o homem a usa, assim o mal não reside no objeto, mas no seu uso.
Assim o mal metafísico-ontológico, que já estava presente nos escritos de Agostinho, refere-se a contingência e a finitude humana, a imperfeição e a falta de harmonia no ambiente que temos a nossa vontade, desde o contexto história até o humano-existencial.

 

Ainda sobre o mal

30 Jan

Não completamos o nosso raciocínio sobre o mal, duas análises ainda podem ser feitas, e seaBadSimbol desejamos comentar Kant três análises: Kant, Paul Ricoeur e Gadamer.
Serei breve com Kant (1724-1804), embora seja necessária uma análise mais profunda indo até Hegel, o ponto central de seu pensamento nesta questão, é que o mal quanto à origem é insondável, mas para ele existe o “conceito” (idealista claro) de mal radical, e assim seria a escolha entre uma máxima boa ou má, a partir do qual todas as outras derivam.
Paul Ricoeur afirma que ele (Kant) explica a liberdade pelo mal e o mal pela liberdade, num raciocínio tautológico portanto, Ricoeur vai procurar em fonte originárias, ou seja, o resgate do conceito de mal deve vir fundamentado em fontes originárias, a partir delas encontramos a origem existencial do mal, e assim ela está nos símbolos e nos mitos.
Interessa-nos por questão de colocar a técnica e tecnologia (estudo e desenvolvimento da técnica) em questão, analisar os passos originários antropológicos, por isso a questão que os grupos nômades de 200 mil anos atrás de homo sapiens fazem migração e incursões em novos territórios em grupos é significado, porque revela intensão de expansão e de “ocupação”.
De forma embrionário este raciocínio está escrito também em Paul Ricouer, o autor fala da influência em seu pensamento de Jean Nabert da frase lapidar de Spinoza “desejo de ser e esforço para existir”, e que exerceu influência decisiva no pensamento de Ricoeur (RICOEUR, 1995, p. 23)
Ricoeur chama de “pequena ética” sua visão do mal como aquela que o sujeito se descobre envolvido, está com um mal-ser, um mal-substância, um mal-fazer que resulta do uso de modo equivocado de sua liberdade, ainda há nele um resto de maniqueísmo.
Só daí que ele vai para o mal simbólico (nome de sua obra principal no tema), num caminho do simbólico ao mitológico, e daí para os textos, implica no conceito de mal ligado a cultura.

Ainda que não sejam conclusivos, são raciocínios importantes para se entender o que a cultura contemporânea chama de “mal”.

RICOEUR, P. Da Metafísica á Moral. Trad.: Sílvia Menezes. Lisboa – Portugal: Instituto Piaget, 1995.

 

Insegurança do hardware da Intel

15 Jan

O armazenamento de dados tinha 3 níveis: a memória externa (HDs), a aMemoriaNucleomemória do computador (as memórias RAMs) e as bem internas antes chamadas Register (ficam no chip) e hoje de memória de núcleo, ficam no núcleo do computador e são as mais rápidas, mas também podem ser janelas para roubo de dados, hoje há um quarto nível que é a externa armazena em nuvens, centro de computação espalhados pelo mundo que vendem estes armazenamentos.
Um erro de produção dos chips da Intel, que chegam a quase 90% dos chips de computadores pelo mundo (o dos smartphones são muito diferentes), acaba de ser pega numa falha de projeto que dá vulnerabilidade para os dados.
A AMD, concorrente da Intel, aproveitou para manifestar que sua memória de Kernel (as memórias do núcleo do computador) não são afetadas por ataques de hackers, e não permite acesso a senhas e outros dados sigilosos da máquina, através dos quais os dados de um computador podem ser roubados.
Segundo afirmou Paul Kocher, presidente da empresa de segurança Rambus, para o New York Times, o problema pode ser maior se o acesso foi em nuvens, onde grande partes dos dados hoje já estão sendo armazenados, isto porque o compartilhamento de máquinas (e com isto compartilhamento das memórias de núcleo) podem ser feitos, mesmo se considerando o protocolo de segurança que evita acesso aos outros níveis de memória.
Problemas de segurança com as gigantes Amazon, Microsoft e Google, além da fabricante de chips Intel poderão sacudir o mercado, além da AMD outras concorrentes orientais devem estar de olho, de nossa parte alertamos para o chave problema.

 

O autoritarismo e o antropotécnico

04 Jan

A construção dos estados modernos, essencial para uma etapa da construçãoaoElmauCastle da civilização moderna, já dissemos no post anterior, fundamentado nos textos de Petr Sloterdijk “Ira e tempo”, porém será uma conferência feita no final de século (não por acaso), com o título “Regras para o parque humano”, feita em 17 de julho de 1999, em conferência dedicada a Heidegger e Lévinas, no castelo de Elmau na Baviera (foto), que a questão da antropotécnica, visão mais ampla que a sociotécnica e a biopolítica, atinge a maturidade.
Dois pontos destacam-se na leitura deste trabalho depois transformado em livro (Sloterdijk, 2000) em ambos também tive uma reação pessoal na primeira leitura, uma visão humanista totalmente original dos meios de comunicação, o segundo especial para os heideggerianos (minha primeira leitura pré-conceituosa não permitiu),  que é uma visão sobre a “clareira” incorporando a história natural e social, mas intertendo a polaridade heideggeriana da dimensão ontológica sobre a ôntica (Sloterdijk, 1999, p. 61), o que parecia mais absurda mas não era, a dimensão ôntica precede a ontológica.
A polêmica na conferência entretanto foi a declaração da falência do humanismo em domesticar a animalidade humana, e ele se perguntou se uma reforma das qualidades da espécie não caminharia para uma “tecnologia antropológica, uma antropotécnica” (Sloterdijk, 2000, p. 45), o que é claro causou espanto e um burburinho na conferência.
A crítica da razão cínica, que parece se comprar mais ainda com a história recente: “o bolchevismo, o fascismo e o americanismo … “ são “três variações dessa mesma força antropocêntrica e três candidaturas a um domínio humanitariamente ornado do mundo – dentr as quais o fascismo errou o passo ao exibir, mais abertamente que seus concorrentes, seu desprezo por valores inibitórios pacíficos educacionais (idem, p. 31).
A ideia que o homem é um animal racional parecia verdadeira, a resposta existencial e ontológica, a clareira de Heidegger, para quem o Ser se apresenta e o Ser escolhe para sua guarda, a busca desta pacificação, almejada pelo humanismo (ele o coloca no singular por entender que é o mesmo), e esta “escuta” do Ser seria capaz de conduzir a uma pacificação do ser humano maior que a alcançada pelos métodos humanistas anteriores, o que inquietante para Sloterdijk é como se organizaria esta sociedade formando por ouvintes do Ser? Qual seria esta “clareira” nova.
Não temos a resposta pronta, a não ser que esta “escuta” não foi feita adequadamente, e talvez um método diferente da “ira” possa ser testado, ainda não o foi, chamaríamos isto não da inversão entre o ôntico e o ontológico, mas sua bivalência, há algo de “matter” que é mais que o ôntico, é mãe e matéria ao mesmo tempo.

 

Deserto ou nihilismo

06 Dez

Dito de forma simplista, o nihilismo é a ausência de sentido das coisas que pareceaoDesertNihil refletir nos dias de hoje, isto faz o homem não desejar o sentimento de vazio, de contemplação e de deserto que ao contrário busca captar o sentido mais profundo das coisas fazendo um “silêncio interior” e não um “vazio interior” nihilista.
Para Nietzsche foi a crença nas categorias da razão que nos fizeram acreditar num mundo que foi construído por meio de falsas referências, e mesmo os críticos na modernidade, em sua maioria quando não percebem este ´estado psicológico´ idealista e vazio, estão presos a ele e ficam andando em círculos procurando respostas ora num falso subjetivismo de diversas formas (religioso, ideológico e até poético), ora num falso objetivismo da “vita activa” preconizada por Hanna Arendt, mas que o filósofo Byung-Chul completa com a “vita contemplativa”.
Sobre o nihilismo, segundo Giacóia Junior (2007), “Nietzsche tematiza três formas do niilismo, considerado como ‘estado psicológico’, ou seja, como conteúdo da consciência reflexiva. Em cada um deles, trata-se sempre de uma categoria da razão, que dá apoio a uma interpretação do vir-a-ser e do e do valor da existência humana na corrente do devir”, este cai no desalento do “foi tudo em vão”.
A segunda é uma necessidade de totalidade, o que hoje se diz como a ausência de um discurso único, aquilo que comenta Giacóia como : “forma do niilismo como estado psicológico é presidida pela categoria de “totalidade” – enquanto suporte de uma interpretação global do vir-a-ser. A representação de uma unidade, de uma organização e sistematização globais conectaria a multiplicidade caótica dos seres individuais, contingentes e efêmeros, a uma totalidade integrada e orgânica – a um todo racional, de infinito valor (panteísmo, monismo, etc.), promovendo a reconciliação entre a finitude aleatória e o infinito necessário”, como é um discurso completo cai no simplismo.
A terceira forma, que nada mais é que uma conjunção das duas anteriores comenta Giacóia, é uma “forma do niilismo surge como consciência da mendacidade do mundo metafísico, e como descrença na categoria de verdade – com a descoberta de que o vir-a-ser é a única realidade – uma realidade, contudo, que não conseguimos suportar.”, em geral volta-se a um subjetivismo puro idealista ou a um ativismo desenfreado do “fazer”.
O deserto visto com busca do Ser, abertura ao estado de atividade de contemplação, ou contemplação da atividade, é uma reviravolta ontológica, penetração no subjetivo do Ser, para encontrar o objetivo de nossas atividades, nada foi em vão, o que menos serviu, foi útil como aprendizado, ou serviu para servir a nossa experiência, mas um deserto é necessário para esta retomada, senão cairemos nos mesmos vícios e erros, os caminhos já trilhados, é preciso “ir para o deserto”, como fez o profeta João Batista, Jesus e muitos outros místicos.
GIACOIA JR, Oswaldo. “Nietzsche: fim da metafísica e os pós-modernos.” In: Metafísica Contemporânea, Cap. 1, por Guido Imaguire, Custódio Luis S. Almeida,Manfredo Araújo de Oliveira (Org), p. 13-39. Rio de Janeiro, RJ: Vozes, 2007

 

Que crise é esta

27 Nov
Postamos uma longa análise do filósofo brasileiro Mario Ferreira dos Santos, pouco conhecido, masEdgarMorin não menos importante,  afirma em seu livro (na verdade foi recompilado) A filosofia da Crise, que apesar de afirmar que já nos salvamos: “salvamo-nos do ceticismo e do dogmatismo, que são duas posições de crise sobre a possibilidade gnosiológica do homem” (Santos, 2016, p. 79), temos que ir além disto para ter uma cosmovisão (ou cosmogonia que eu prefiro): “e, consequentemente, de se ter uma visão crítica da crise do existir finito.” (idem)
Assim precisamos ir além, Edgar Morin em palestra afirmou que está além da crise da economia (não diz mas diria além da crise política), é “uma crise do pensamento, da civilização ocidental”, Mário Ferreira também faz esta distinção já que a oriental e ainda a árabe (pouco citada) são diferentes, se é que estão em crise, penso que estão.
Afirmou em sua palestra “O caminho para o futuro da humanidade” que a crise da atualidade “é a crise desta humanidade que não consegue se tornar humanidade”, e, portanto, não está “fora dela”, nos objetos e nos esquemas política, mas “dentro dela” porque os processos que são conduzidos hoje nos conduzem “a uma catástrofe futura”, no vídeo pode ser compreendido.
Afirma que a mundialização é a pior e a melhor das coisas que poderiam acontecer, pior porque produziu-se armas em escala mundial capazes de destruir o planeta e os diversos tipos de fanatismos e fundamentalismo podem nos conduzir a guerra, e é melhor porque “todos os seres humanos de todos os continentes se encontram reunidos, sem que eles saibam, reunidos em uma mesma comunidade de destino.”
Sabemos que a “economia mundial não tem nenhuma verdadeira regulamentação”, e a crescente degradação da biosfera, além da má distribuição de renda pode nos conduzir a uma crise ainda maior que a que vivemos em 2008 e que parece latente.
Es se estamos “reunidos na mesma comunidade de destino”, estamos diante da possibilidade de que “nasça um novo mundo”, e será um novo tempo que há de vir, um advento, uma nova “chegada”.
É preciso desenvolver uma sociedade em escala mundial, na qual “a internet possa desempenhar um papel especial nesta democracia”, pois não se trata de criar um mega estado mundial, mas um novo modelo de cidadania global.
Temos um problema fundamental que esta comunidade mundial nos “revela”, eu diria que se desvela, pois não será mais possível nada permanecer “velado” nem re-“velado”, que neste caso seria como alguns querem tornar o mundo “desglobalizado”, em sua palestra Morin lembra-nos dos efeitos positivos da “interdependência”, “dos intercâmbios” e de se chegar a um “mundo novo”, onde as culturas locais sobrevivam.
Explica que é possível conciliar o positivo da “globalização” o positivo das “culturas regionais”, mas é preciso um “pensamento novo” para isto, sem radicalismos.
SANTOS, Mario Ferreira. Filosofia da Crise, 1ª. ed. São Paulo: É Realizações, 2017.
 

Complexidade, simplificidade e pureza

03 Nov

Parecem contraditórios em tempos de crise, mas não é, na verdade o reducionismojesus_madalena_peq é a tentativa de reduzir o humano, o natural e toda a complexidade da vida em verdades dogmáticas e por isso nada simples e nada puras, porque simples não é simplificidade por desconhecimento ou preconceito.
O Complexo é justamente entender que cada pessoa, o conjunto da sociedade, cada ser da natureza e o conjunto do universo se relacionam, interagem num todo complexo e que tudo isto é simples se estiver abertos ao Outro, à Natureza e a TodosUniverso que nos rodeia.
Encontramos nas pessoas mais simples, a complexidade da vida e a sabedoria que penetra nas revelações mais profundas da Natureza e do Universo,
Mahatma Gandhi afirmava que se toda literatura ocidental se perdesse e restasse só o Sermão da Montanha, nada se teria perdido, e ele não era cristão.
Einstein afirmava que era mais fácil quebrar um átomo que um preconceito, pois é na complexidade da formação e do pensamento humano que encontramos muitos problemas, maiores em tempos em que a modernidade quer se afirmar diante de valores já decadentes: sua moral, seu modelo de estado, de harmonia social e de visão de mundos estão em cheque.
Dentre as bem-aventuras que nada mais são narradas no texto bíblico de Mateus  , todas bem-aventuranças são importantes, porém duas nos remetem diretamente ao centro da revelação que são: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a face e Deus e Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus,  pois ambas nos colocam diante de Deus: de sua face e como sua filiação.
Em momentos de tanta malícia, de confianças cada vez maiores que geram divisões e confrontos, a pureza (que não é ingenuidade reducionista) é um valor essencial, reclamou Adorno em Minima Moralia, “que mundo é este em que até uma criança desconfia de um presente”, e diríamos do mundo que nem mesmo a justiça a qual deveríamos ter respeito parece não merecê-lo.
Que tipo de paz queremos, que tipo de mansidão queremos (Feliz os mansos porque herdarão a terra), eis a questão que nos é interpelada pelos tempos sombrios que vivemos.
Diversas imagens podemos lembrar de bem-aventuranças na bíblia: o samaritano (que socorre alguém que foi ultrajado), Zaqueu (que era um usurpador e se arrependeu), cegos, viúvas e tantos outros personagens, mas talvez a maior bem-aventurança esteja diante de Madalena, a ex-prostituta que muda radicalmente de vida e torna-se uma das mais fiéis no seguimento de Jesus.
A imagem dela diante da bem-aventurança de ter encontrado seu perdão é a figura (desenho) mais essencial para uma sociedade corrompida e com dificuldades de retomar seu caminho.

 

O Significado das Culturas Computacionais

02 Nov

Resumo da Palestra do prof. Dr. Teixeira Coelho do IEA – USP no evento JoseTeixeiraCoelhoEBICC.

As máquinas estão se humanizando ou são osseres humanos que estão perdendo a humanidade e se transformando em produtos imediatistas, tão valiosos quanto excessivos e totalmente subtuíveis, dos quais o mundo está lotado?

A palestra apresentou como resultados do grupo de estudos Humanidades Computacionais do Instituto de Estudos
Avançados da USP uma lista de conceitos, a maioria com visão crítica da tecnologia, termos como: digitalização, mobilidade, automação, realidade aumentada, efeito-proxy, duplicabilidade, anonimato, perfectibilidade, racionalidade, coordenação, unificabilidade e completibilidade, entre outros, como resultado de uma e-culture (cultura eletrônica digital).

Discutiu a realidade contemporânea das culturas computacionais e digitais e sua relação com a produção cultural, mediada ou autoproduzida, em um contexto em que o trabalho de robôs substitui o trabalho manual dos humanos e caminha para substituir, por meio da inteligência artificial, o trabalho intelectual.

Em seguida Gregory Chaitin proferiu a sua palestra, já comentada no post anterior.