Warning: Declaration of wp_option_choose_color_scheme::render() should be compatible with wp_option::render($field_html, $colspan = false) in /home/marcosmucheroni/www/blog/wp-content/themes/chocotheme/lib/theme-options/choose-color-scheme.php on line 39

Warning: Use of undefined constant wp_cumulus_widget - assumed 'wp_cumulus_widget' (this will throw an Error in a future version of PHP) in /home/marcosmucheroni/www/blog/wp-content/plugins/wp-cumulus/wp-cumulus.php on line 375
Etica da Informação « Blog Marcos L. Mucheroni Filosofia, Noosfera e cibercultura
RSS
 

Arquivo para a ‘Etica da Informação’ Categoria

[:pt]Rever a vida e reeducar-se para viver[:en]Review life and re-educate to live[:]

18 fev

[:pt]Parte da crise econômica mundial, esta é análise de Morin é além da econômica, a moral e ética, no seu sexto livro sobre o Método da complexidade, ele desenvolve a análise antropológica, histórica e filosófica do problema, explicando que ela parte de um conceito inspirado em Kant.

Define-se aí a ética como exigência moral auto-imposta, em lugar dos imperativos provindos da razão prática, na ética de Morin a partir da complexidade, ela provém de três fontes: uma interna, análoga a nossa consciência, outra externa simulada e orientada pela culturas, crenças e normas pré-estabelecidas na comunidade, e de fontes anteriores que são a própria organização dos seres vivos e transmitida geneticamente.

Sua ética apresenta assim uma ética que exige uma reflexão quanto as nossas escolhas morais, sociais e de valores que levamos ao nosso cotidiano, aqui a crise civilizatória é grave.

Porém a ética Kantiana favoreceu a uma ética autocentrada, egocêntrica, segundo meus interesses e minha vontade, ignorando que ela deve compartilhar com o outro, e isto significa que devemos também nos orientar a uma visão sensível ao conjunto da sociedade e aqueles sem voz.

Em tempos de pandemia fomos “obrigados” por razões de saúde pública, mas também de educação, a limitar nossos movimentos, a guardar um isolamento social seguro, e a olhar para cada pessoa e se sentir responsáveis por ela, será que é isto que todos fazem

Esta aparente limitação de liberdade é na verdade aquela que já devia estar incorporada em nossa ética social, sem uma educação consistente para a prática da fraternidade e de um olhar atento e sensível ao outro, podemos cair num vazio social e alimentar a crise civilizatória já presente.

É preciso passar por um longo caminho de reflexão pessoal e estar disposto a mudar hábitos e atitudes para ajudar o conjunto da sociedade a sair de uma crise que é sanitária, mas também social.[:en]Part of the world economic crisis, this is Morin’s analysis is beyond economic, moral and ethical, in his sixth book on the Method of complexity, he develops the anthropological, historical and philosophical analysis of the problem, explaining that it starts from a concept inspired by Kant.

Here ethics is defined as a self-imposed moral requirement, instead of imperatives arising from practical reason, in Morin’s ethics based on complexity, it comes from three sources: one internal, analogous to our conscience, the other simulated and oriented external by cultures, beliefs and norms pre-established in the community, and from previous sources that are the very organization of living beings and transmitted genetically.

His ethics thus presents an ethics that requires reflection on our moral, social and values ​​choices that we bring to our daily lives, here the civilizational crisis is serious.

However, Kantian ethics favored a self-centered, egocentric ethics, according to my interests and my will, ignoring that it should share with others, and this means that we must also orient ourselves towards a vision that is sensitive to society as a whole and those without a voice.

In times of a pandemic, we were “forced” for reasons of public health, but also for education, to limit our movements, to maintain safe social isolation, and to look at each person and feel responsible for him, is this what all do

This apparent limitation of freedom is in fact one that should already be incorporated into our social ethics, without a consistent education for the practice of fraternity and a careful and sensitive look at the other, we can fall into a social vacuum and feed the already present civilization crisis. .

It is necessary to go through a long path of personal reflection and be willing to change habits and attitudes to help society as a whole to emerge from a crisis that is not only health but also social.

 

 [:]

 

[:pt]A porta larga dos equívocos modernos[:en]Idealism and the wide door of misconceptions[:]

16 fev

[:pt]Um grande número de enunciados, proposições e teorias científicas ou não emergem em meio ao período de pouca luz na cultura ocidental, crescem teorias apocalípticas e uma visão cada vez mais maniqueísta da realidade, a visão de uma lógica dualista e sem terceira hipótese.

Ao mesmo tempo descoberta como a física quântica, a holografia, e uma nova cosmovisão do universo emergem, porém há quem acredite que a terra é plana e que nunca fomos a Lua.

São demasiados problemas específicos para serem tratados, mas a filosofia de um modo geral contemporânea mais que neoliberal, este é seu aspecto pragmático econômico, ela é idealista e mesmo filosofo-youtubers que discursam sobre filosofia a seguem.

Kant é complexo, mas seu ponto central é a dicotomia entre sujeito e objeto, como elas não podem ser separadas, ao menos em termos de teoria do conhecimento, ele criou os juízos analíticos e sintéticos.  Quem curamos a doença ou o doente, para Kant seria a doença, com olhar “de fora”.

O juízo analítico é aquele que o predicado está dentro do sujeito, e assim é ele que especifica sua lógica, e esta lógica vem de uma visão físico-matemática do conhecimento na modernidade.

Exemplifica usando figuras geométricas como o triângulo e o quadrado, claro este tem quatro lados, mas isto não é uma dedução e sim uma tautológica, definições circulares.

Já o juízo sintético ao contrário não pode estar contido no sujeito, assim acrescenta um raciocínio como algo completamente novo, ou seja, a novidade é o predicado.

Está muito simplificado, mas essencialmente desenvolve-se uma lógica onde Ser e Ente são coisas confusas e desmonta a possibilidade de uma ontologia, mesmo que seja parcial, e imaginava com isto jogar toda as “superstições” fora, o famoso “Sapere audi”, ousar saber.

Como a razão por si só não bastava, foi necessário introduzir a ideia do empirismo, que vinha das argumentações de David Hume (1711-1776, assim os juízos podem a priori, que já existem no sujeito, e a posteriori, adquirido experimentalmente.

Moritz Schlick (1882-1936), que fundou a escola neologicista do Circulo de Viena, criticou a base idealista de um conhecimento a priori, afirmando que uma vez que os enunciados têm uma verdade lógica, eles não são nem analíticos nem sintéticos, tal como argumentava Kant, pois era paradoxal; e que se a verdade depende do conteúdo factual, os enunciados são, portanto a posteriori e não a priori, uma vez que os fatos devem acontecer, Schlick foi assassinado pelo nazismo.

No círculo de Viena estiveram presentes Kurt Gòdel, Karl Popper, Hans Kelsen e outros.

Uma mesma proposição pode ser conhecida por agentes cognitivos tanto a priori como a posteriori, usando o mesmo exemplo de Kant, uma criação só sabe que o quadrado tem 4 lados depois que aprende a contar, enquanto para um adulto parece “indutivo”.

Assim o conhecimento é uma relação entre agentes cognitivos e as proposições, que primitivamente não são nem a priori nem a posterior, poderão ser conhecidas por fatos.

Em 1936 Husserl escreve sobre a “Crise dsa ciências europeias e a fenomenologia transcedental”, o conhecimento estava em plena crise, em meio a II guerra mundial.

O vídeo abaixo elucida o pensamento de Kant, com comentários de  Antonio Joaquim Severino;

https://youtu.be/55agIQFlxmQ[:en]At the same time discovered as quantum physics, holography, and a new worldview of the universe emerge, there are those who believe that the earth is flat and that we were never the moon. These are too many specific problems to be dealt with, but philosophy in general contemporary rather than neoliberal, this is its pragmatic economic aspect.
It is idealistic and even philosopher-youtubers who discourse on philosophy follow it. Kant is complex, but his central point is the dichotomy between subject and object, as they cannot be separated, at least in terms of theory of knowledge, he created the analytical and synthetic judgments. Who is cured the disease or sick, for Kant it is the disease.

The analytic judgment is that the predicate is within the subject, and so it specifies its logic, and this logic comes from a physical-mathematical view of knowledge in modernity. It exemplifies using geometric figures such as the triangle and the square, of course it has four sides, but this is not a deduction but a tautological, circular definitions.
The synthetic judgment, on the other hand, cannot be contained in the subject, so it adds reasoning as something completely new, that is, the novelty is the predicate.
It is very simplified, but essentially develops a logic where Being and Entity are confusing and dismantles the possibility of an ontology, even if it is partial, and imagined with this throwing away all the “superstitions”, the famous “Sapere audi”, dare to know.
As reason alone was not enough, it was necessary to introduce the idea of empiricism, which came from David Hume’s arguments (1711-1776, so judgments may a priori, which already exist in the subject, and a posteriori, experimentally acquired.
Schlick (1882-1936), who founded the Vienna Circle neologicist school, criticized the idealistic basis of a priori knowledge, claiming that since statements have a logical truth, they are neither analytical nor synthetic as they are. Kant argued because it was paradoxical; and that if the truth depends on the factual content, the statements are therefore a posteriori and not a priori, since the facts must happen, Schlick was assassinated by Nazism.
In the circle of Vienna were present Kurt Godel, Karl Popper, Hans Kelsen and others.
The same proposition can be known by cognitive agents both a priori and a posteriori, using the same example as Kant, a creation only knows that the square has four sides after learning to count, while for an adult it seems “inductive.”
The video is a short discussion about idealism of Kant to Hegel:
https://youtu.be/ktf9tJOYvyk[:]

 

[:pt]É hora de mudarmos de via[:en]It’s time to change of way[:]

11 fev

[:pt]Não é proposta minha, mas o nome do último livro de Edgar Morin (Ed. Bertrand do Brasil, 2020), o quase centenário filósofo francês mostra as lições do coronavírus que resistimos em aprender, também é muito parecido ao nome do livro de Peter Sloterdijk: Tens de mudar de vida (editora Relógio d´Água, 2018), este bem antes do coronavírus.

Antes de passar a algumas lições de Morin, quero dizer que TODOS precisamos mudar de vida, o planeta se esgotou, as palavras se esgotaram, a política polarizadora nos esgota, e infelizmente as palavras adocicadas como “fraternidade”, “solidariedade”, “compaixão” e tantas outras parecem só uma vontade de alguns que os outros mudem, sem, contudo, que cada um mude primeiro a si.

O preâmbulo é uma retrospectiva histórica desde a gripe espanhola até maio de 68 e a crise ecológica atual, as lições do coronavírus no capítulo 1 comento-as no final.

Começo pelo fim para afirmar que Morin que também compartilha de valores de fraternidade, de uma cidadania planetária, da superação de desigualdades etc., tem em seu livro ama proposta bem clara, depois de demonstrar que a crise é anterior ao coronavírus que só a agravou, na página 4 sentencia “… são duas as exigências inseparáveis para a renovação política: sair do neoliberalismo, reformar o Estado” (pag. 46), que vai dar os meios no capítulo 3.

Este é na verdade seu segundo ponto do cap. 2 Desafios pós-corona, o desafio da crise política, dos nove desafios que aponta nas crises atuais: o desafio existencial, apontado também na Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, os desafios das crises: da globalização, da democracia, do digital, da proteção ecológica, da crise econômica, das incertezas e o perigo de um grande retrocesso (pags. 44 a 53).

As 15 lições do coronavírus: sobre a nossa existência, o isolamento mostra-nos como vivem aqueles que não “tiveram acesso ao supérfluo e ao frívolo e merecem atingir o estágio em que se tem o supérfluo” (pag. 23), sobre a condição humana lembra o relatório Meadows, que apontava para os limites do crescimento, a lição sobre a incerteza de nossa vida, a lição de nossa relação com a morte, a lição sobre a nossa civilização (a vida voltada para fora, sem vida interior, a vida dos shoppings e happy hours), o despertar da solidariedade, a desigualdade e o isolamento social, a diversidade de situações e de gestão da epidemia, a natureza de uma crise, as 9 lições iniciais.

A lição sobre a ciência e a medicina, será que entendemos “que a ciência não é um repertório de verdades absolutas (diferentemente da religião” (pag. 33), a crise da inteligência, que ele divide sabiamente em “complexidades invisíveis” o modo de conhecimento “das realidades humanas (taxa de crescimento, PIB, pesquisas de opinião, etc.” (pag. 35), o ponto 2. é a ecologia da ação, alerta que a ação pode “percorrer o sentido contrário ao esperado e voltar como um bumerangue para a cabeça de quem a decidiu” (pag. 35), quantas ações e discursos caíram nesta vala.

A decima segunda lição é a ineficiência do estado, que além da política neoliberal cede “a pressões e interesses que paralisam todas as reformas” (pag. 38), enquanto a polarização se aprofunda.

A decima terceira lição é a deslocalização e dependência nacional, e lamenta “que o problema nacional seja tão mal formulado e sempre reduzido à oposição entre soberania e globalização” (pag. 39), note-se pelos discursos que polarizam e não saem deste círculo vicioso.

A décima quarta lição é a crise da Europa, lembro do livro de Sloterdijk “Se a Europa despertasse”, e Morin abre a ferida: “sobre o choque da epidemia, a União Europeia partiu-se em fragmentos nacionais” (pag. 40).

A  décima quinta lição é o planeta em crise, cita o prof. Thomas Michiels, biólogo e especialistas na transmissão de vírus: “Não há duvida de que a globalização tem efeito sobre as epidemias e favorece a propagação do vírus. Quando se observa a evolução as epidemias do passado, há exemplos notórios em que se nota que as epidemias seguem ferrovias e deslocamentos humanos. Não resta dúvida, a circulação dos indivíduos agrava a epidemia” (pag. 41).

MORIN, E. É hora de mudarmos de via: lições do coronavírus, trad. Ivone Castilho Benedetti, colaboração Sabah Abouessalam. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2020.[:en]It is not my proposal, but the name of the last book by Edgar Morin (Editor Bertrand do Brasil, 2020), the almost centenary French philosopher shows the lessons of the coronavirus that we resisted in learning, it is also very similar to the name of Peter Sloterdijk’s book : You have to change your life (publisher Relógio d´Água, 2018) this well before the coronavirus.

Before moving on to some of Morin’s lessons, I want to say that we ALL need to change our lives, the planet has run out, words have run out, polarizing politics runs out, and unfortunately sweet words like “fraternity”, “solidarity”, “compassion” ”And so many others seem to be only the will of some that others change, without, however, that each one changes himself first.

The preamble is a historical retrospective from the Spanish flu to May 68 and the current ecological crisis, the lessons from the coronavirus in chapter 1 I comment on at the end.

I begin at the end to affirm that Morin, who also shares values ​​of fraternity, of planetary citizenship, of overcoming inequalities, etc., has in his book a very clear proposal, after demonstrating that the crisis is prior to the coronavirus that only worsened it , on page 4 sentence “… there are two inseparable requirements for political renewal: to leave neoliberalism, to reform the state” (page 46), which will provide the means in chapter 3.

This is actually your second point in the cap. 2 Post-corona challenges, the challenge of the political crisis, of the nine challenges it points to in current crises: the existential challenge, also pointed out in Pope Francis’ Fratelli Tutti Encyclical, the challenges of crises: globalization, democracy, digital, ecological protection, the economic crisis, uncertainties and the danger of a major setback (pages 44 to 53).

The 15 lessons from the coronavirus: about our existence, isolation shows us how those who “did not have access to the superfluous and the frivolous and deserve to reach the stage where we have the superfluous” live (page 23), on the condition recalls the Meadows report, which pointed to the limits of growth, the lesson about the uncertainty of our life, the lesson of our relationship with death, the lesson about our civilization (life turned outward, without inner life, the life of shopping malls and happy hours), the awakening of solidarity, inequality and social isolation, the diversity of situations and the management of the epidemic, the nature of a crisis, the 9 initial lessons.

The lesson about science and medicine, do we understand “that science is not a repertoire of absolute truths (unlike religion” (page 33), the crisis of intelligence, which he wisely divides into “invisible complexities” the way of knowledge “of human realities (growth rate, GDP, opinion polls, etc.” (page 35), point 2. is the ecology of action, it warns that action can “go in the opposite direction to what is expected and return like a boomerang to the head of the one who decided it” (page 35), how many actions and speeches fell in this ditch.

The twelfth lesson is the inefficiency of the state, which, in addition to neoliberal politics, yields “to pressures and interests that paralyze all reforms” (page 38), while polarization deepens.

The thirteenth lesson is national relocation and dependence, and regrets “that the national problem is so poorly formulated and always reduced to the opposition between sovereignty and globalization” (page 39), note the speeches that polarize and do not leave this circle vicious.

The fourteenth lesson is the crisis in Europe, I remember Sloterdijk’s book “If Europe woke up”, and Morin opens the wound: “on the shock of the epidemic, the European Union broke into national fragments” (page 40) .

The fifteenth lesson is the planet in crisis, quotes Prof. Thomas Michiels, biologist and specialists in virus transmission: “There is no doubt that globalization influences epidemics and favors the spread of the virus. When observing the evolution of past epidemics, there are notable examples in which it is noted that epidemics follow railways and human displacements. There is no doubt, the circulation of individuals aggravates the epidemic ”(page 41).

MORIN, E. (2020) É hora de mudarmos de via: lições do coronavírus, transl. Ivone Castilho Benedetti, collaboration Sabah Abouessalam. Rio de Janeiro, BR: Bertrand do Brasil.

 [:]

 

[:pt]Urgente: mudar o pensamento, ensinar a viver[:en]Urgent: change thinking and teach to live[:]

10 fev

[:pt]Quando propomos um modelo que não é aquela do mundo da vida, dele Husserl fez uma filosofia, o seu Lebenswelt (mundo da vida), Habermas fez dela uma sociologia, Heidegger e Gadamer a incorporam em seus pensamentos, mas afinal que é a vida senão uma aprendizagem, não aprendemos com a pandemia.
O problema central de busca de uma “clareira” é que criamos modelos demasiadamente longe da vida, de sua defesa incluindo a natureza, a dignidade e o próprio viver, estamos num Setembro Amarelo, cujo tema não é outro senão o de dizer que vale a pena viver.  Teremos uma clareira, mas ela durará pouco, e poderíamos começar já uma grande mudança, depois poderá não haver tempo. 
Foi Morin que fez dela uma ousadia ao escrever Ensinar a Viver, a pedagogia esquecida e o método pouco utilizado, quando Morin escrevia seu Método (na verdade em vários volumes e sentidos), li no comentário da Editora Sulina que o publicou no Brasil, que “ele o desfaz em partes que, holograficamente, repetem esse todo de maneira sintética, mas completa”.
Morin começa por uma crítica que muitos fazem na universidade, mas se curvam a ela para não fazer valer suas “carreiras”, ele critica essa “deriva das universidades”, cujo dilema central ele sempre retorna que é “refazer o pensamento”.
Agarrados a métodos e modelos já superados, logicistas e neopositivistas, não se aponta “a natureza do conhecimento, que contém em si o risco de erro e de ilusão” (MORIN, 2015, p. 16).
O grande teórico da complexidade propõe antes de tudo um retorno a filosofia (no sentido do pensamento primário) em sua condição socrático de diálogo, aristotélicas (no sentido entre outros, da organização da informação), platônica (questionamento das aparências), e até mesmo pré-socrática (questionamento do mundo, inserção do conhecimento na cosmologia moderna), enfim não pode ensinar a vida sem saber que ela tem dilemas, erros e opções.
Morin, que poderia arrogar-se de sabedoria pela idade, pela intensa atividade intelectual, desde do pedestal daqueles cheios de certezas, sem dúvidas ou equívocos que vemos desfilar pelas academias e pelos palanques públicos da mídia devoradora e pouco questionadora.
Morin busca “conceber os instrumentos de um pensamento que fosse pertinente por ser complexo” (Morin, 2015, p. 23), e vemos a barbárie de certezas dogmas e pouco elaboradas.
Frases prontas, manuais de autoajuda, laissez-faire (principalmente econômico), grosseria e histeria ideológica, fazem um aprofundamento da crise cultural, humanitária e social de hoje.
Me assusta que leitores de manuais tenham tanta certeza com tão pouco pensamento, aliás a crítica ao pensamento cresce e o elogio da ignorância parece vencer qualquer argumento.
Morin nos encoraja e nos remete a um futuro ainda visível e possível, sua palestra na Fronteira do Pensamento (em 2016) é uma esperança e um aprofundamento que lança novas luzes.

MORIN, Edgar: Ensinar a viver: manifesto para mudar a educação. Trad. Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. Porto Alegre: Sulina, 2015[:en]When we propose a model that is not that of the world of life, Husserl made a philosophy of it, his Lebenswelt, Habermas made it a sociology, Heidegger and Gadamer incorporate it in his thoughts, but the end that is life if not learning. But we didn´t learning from the pandemic. 
The central problem of seeking a “clearing” is that we create models too far from life, from its defense including nature, dignity and living itself, we are in a Yellow September, whose theme is none other than to say that it is worthwhile. It is worth living.
thought”.  We will have a clearing, but it will not last long, and we could start a big change now, then there may not be time.

Clinging to already outdated methods and models, logicists and neopositivists, it is not pointed out “the nature of knowledge, which itself contains the risk of error and illusion” (MORIN, 2015, p. 16).
The great complexity theorist proposes, first of all, a return to philosophy (in the sense of primary thinking) in its Socratic condition of dialogue, Aristotelian (in the sense among others, of the organization of information), Platonic (questioning of appearances), and even pre-Socratic (questioning the world, inserting knowledge in modern cosmology), finally cannot teach life without knowing that it has dilemmas, errors and options.
Morin, who could boast of wisdom by age, by intense intellectual activity, from the pedestal of those full of certainties, no doubt or misconceptions that we see parading through the gyms and public stands of devouring and unquestioning media.
Morin seeks to “conceive the instruments of a thought that is pertinent because it is complex” (Morin, 2015, p. 23), and we see the barbarism of dogma and little elaborated certainties.
Ready-made phrases, self-help manuals, (mainly economic) laissez-faire, rudeness, and ideological hysteria deepen today’s cultural, humanitarian, and social crisis.
It scares me that book readers are so sure with so little thought, in fact criticism of thought grows and the praise of ignorance seems to win any argument.
Morin encourages us and brings us to a still visible and possible future, his lecture at the Frontier of Thought (2016) (Conference in Brazil) is a hope and a deepening that sheds new light.

MORIN, Edgar: Ensinar a viver: manifesto para mudar a educação. Trad. Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. Porto Alegre: Sulina, 2015[:]

 

[:pt]Existência, repetição e Ser[:en]Existence, repetition and Being[:]

09 fev

[:pt]Na filosofia pode-se ter forma (morphé) e matéria (hilé) e todos seres tem morphé-forma e hilé-matéria, mas a in-formação depende do pensamento, depende da disponibilidade ao ato de pensar e não apenas o de repetir, aqui encontramos este segundo tópico, que o repetir não significa apenas tornar-se redundante, o problema civilizatório permanece se não avançamos.

Em palestra em 2016, no Salão de Atos da UFRGS Sloterdijk já sentenciava: “Penso que a realidade hoje se assemelha a como estávamos em 1915 – comentou ele, comparando o atual panorama com uma época no século passado em que a I Guerra recém havia começado e não haviam se sucedido…”, este quadro só se agravou, a pandemia poderia ser uma pausa, mas não foi.

A repetição pode ser vista como submissão as regras, as leis da natureza, da sociedade enfim de um conjunto de situações que te aprisiona, como pode ser uma tomada de consciência de quem você efetivamente é, aquilo que é sua verdadeira natureza, então repetir é a possibilidade de ser no presente e projetar-se no futuro, então entra-se na existência.
O acesso a existência humana num novo tipo de registro implica uma articulação de sentido para o Ser e para a vida, o caminho percorrido de Husserl a Heidegger, e depois com Gadamer é o que liga a hermenêutica a ontologia, e em Gadamer é explicitado o método do círculo hermenêutico.
Pode ser assim descrito seguindo o raciocínio de Gadamer: não deve ser degradado a um círculo vicioso, mesmo que esteja seja tolerado, nele vela uma possibilidade positiva do conhecimento originário, que, evidentemente, só será compreendido de modo adequado quando a interpretação compreender sua tarefa primeira.
Esta tarefa primeira constante e última permanece sendo a de não receber de antemão, por meio de uma “ideia feliz” ou por meio de conceitos populares, nem a posição prévia, nem a visão prévia, mas em assegurar o tema científica na elaboração desses conceitos a partir da coisa mesma. (GADAMER, 1998, p. 401).
Visto o método voltamos a questão essencial do Ser, que é o esquecimento na filosofia ocidental deste conceito, desde Platão até Nietzsche, e assim temos uma metafísica ou sua negação, ambas de forma incompleta porque um conceito tão essencial não foi abordado.
É o esquecimento do ser, que o filósofo diagnostica em toda a tradição filosófica ocidental, começando com Platão e se estendendo até Nietzsche.
Na sua obra “Que é metafísica” (escrita em 1929), o Heidegger definições assim a existência: “A palavra existência designa um modo de ser e, sem dúvida, do ser daquele ente que está aberto para a abertura do ser, na qual se situa, enquanto a sustenta” (1989b, p.59).
Sem esta categoria essencial a discussão e o pensamento fica preso ao “ente”, que Tomás de Aquino a define assim: “De onde se segue que a essência, pela qual uma coisa se denomina ‘ente’, não é apenas a forma, nem apenas a matéria, mas ambas, embora à sua maneira apenas a forma seja a causa desse ser” (Aquino, 2008, p. 10), nesta linha ontológica não há separação entre o Ser e o Ente.
Assim temos além do Ser, sua categoria agregada do ente, que lhe é inseparável.

AQUINO, T. O Ente e a Essência, Universidade da Beira Interior. LusoSofia.Press, Covilhã, PT, 2008.
HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica? In: HEIDEGGER, Martin. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1989.
GADAMER, H.G. Verdade e Método: Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução de Flávio Paulo Meurer. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.[:en]In philosophy you can have form (morphé) and matter (hilé) and all beings have morphé-form and hilé-matter, but in-formation depends on thinking, it depends on the availability to the act of thinking and not just the repetition, here we find this second topic, that repeating does not just mean becoming redundant, the civilizing problem remains if we do not move forward.

In a lecture in 2016, at the UFRGS Hall of Acts (Federal University of Rio Grande do Sul, Brazil) Sloterdijk already sentenced: “I think the reality today is similar to how we were in 1915 – he commented, comparing the current panorama with a time in the last century when the First World War had just started and had not happened… ”, this situation only worsened, the pandemic could be a pause, but it was not..

Access to human existence in a new kind of record implies an articulation of meaning for Being and life, the path taken from Husserl to Heidegger, and then with Gadamer is what links hermeneutics to ontology, and in Gadamer the text is explicit. hermeneutic circle method.

It can be thus described by following Gadamer’s reasoning: it must not be degraded to a vicious circle, even if it is tolerated, in it it holds a positive possibility of originating knowledge, which, of course, will only be properly understood when interpretation understands its task first.

This constant first and last task remains that of not receiving beforehand, through a “happy idea” or through popular concepts, neither the previous position nor the previous vision, but in securing the scientific theme in the elaboration of these concepts. from the same thing. (GADAMER, 1998, p. 401).

Considering the method we return to the essential question of Being, which is the forgetting in Western philosophy of this concept from Plato to Nietzsche, and thus we have a metaphysics or its negation, both incompletely because such an essential concept has not been addressed.

It is the forgetting of being, which the philosopher diagnoses throughout the Western philosophical tradition, beginning with Plato and extending to Nietzsche. In his work “What is metaphysical” (written in 1929), Heidegger defines existence as follows: “The word existence means a way of being and, undoubtedly, of the being of that being that is open to the opening of being, in which lies while sustaining it.” (HEIDEGGER,1989, p.59).

Without this essential category discussion and thought are tied to the “being,” which Thomas Aquinas defines it thus: “From which it follows that the essence, by which a thing is called the ‘being,’ is not only form, nor only matter, but both, although in its own way only form is the cause of this being ”(Aquino, 2008, pp 10), in this ontological line there is no separation between Ent and Being, even in English the words can be the same (Being).

Thus we have beyond Being, its aggregate category of being, which is inseparable from it essential concept.

AQUINO, T. O Ente e a Essência, Universidade da Beira Interior. LusoSofia.Press, Covilhã, PT, 2008.

HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica? In: HEIDEGGER, Martin. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1989.

GADAMER, H.G. Verdade e Método: Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução de Flávio Paulo Meurer. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

 [:]

 

[:pt]Os fundamentos do conceito de ideia[:en]The foundations of the idea concept [:]

28 jan

[:pt]Seguindo um raciocínio de Sloterdijk, no qual os fundamentos devem ser pensados e em função deles poderem retornar ao princípio e ao pré-conceito de cada pensamento, pode-se rever ideia com o “eidos” grego, o conceito atual é kantiano.
Para Aristoteles haviam princípios universais, não como pensou Kant mais tarde, mas partindo da ideia do uno (tó hen), o que é (tó ón) e os gêneros (animais, plantas, seres vivos), enquanto a essência (eidos) não seria um universal, mas algo comum (koinos) a múltiplas coisas, não há portanto em Aristóteles o dualismo idealista, mas a separação entre os universais e a essência.

O sentido eidético da hermenêutica é aquele que promove a unificação do interno e do externo nas manifestações da vida, nas ciências da natureza o objeto é visto por si mesmo (retornar as coisas por elas mesmas), já nas ciências idealistas o “objeto” é aquele alcançado por um esforço contínuo do pesquisador (a transcendência kantiana), embora se comprometa a retornar com frequência á tradição, o todo não se renova, pois o “objeto” está separado de si mesmo pela observação isolada, fora do Ser e das possíveis pré-conceituações, é o uma “ideia”.

Em Platão este dualismo se acentua, o mundo sensível e o mundo das ideias (ainda no sentido do eidos, essência), esta separação será incomoda para os idealistas modernos, que a re-unirão, mas sem uma necessária reflexão filosófica, com isso permanecerá a dicotomia sujeito e objeto, jamais reunidas enquanto Ser (interna e externamente).
A ontologia, e o método da hermenêutica filosófica é uma tentativa de reunir estes campos, embora permaneçam distintos e sob tensão, porém com possibilidades de clarificação ultrapassando a separação clássica.
Gadamer em sua obra matter “Verdade e Método” vol. II, a retoma assim:
“A hermenêutica é a arte do entendimento. Parece especialmente difícil entender-se sobre os problemas da hermenêutica, pelo menos enquanto conceitos não claros de ciência, de crítica e de reflexão dominarem a discussão. E isso porque vivemos numa era em que a ciência exerce um domínio cada vez maior sobre a natureza e rege a administração da convivência humana, e esse orgulho de nossa civilização, que corrige incansavelmente as faltas de êxito e produz constantemente novas tarefas de investigação científica, onde se fundamentam novamente o progresso, o planejamento e a remoção de danos, desenvolve o poder de uma verdadeira cegueira.” (GADAMER, 1996, p. 292).
Gadamer após explicar que o retorno ao Ser, proposto por Heidegger é um retorno ao método hermenêutico, que não era nem desenvolver uma teoria das ciências do espírito (como fez o idealismo, e o alemão em especial) nem propor uma crítica da razão histórica, como fez Dilthey, e que Gadamer vai esclarecer em seu livro “A questão da consciência histórica” para dizer que não se trata nem de romantismo histórico.
O seu objetivo final está expresso ao afirmar: “o que fiz foi colocar o diálogo no centro da hermenêutica” (Gadamer, 1996, p. 27), mas seu diálogo nem é idealismo (seria absurdo) e nem alguma forma de cegueira filosófica, é justamente o resgate da hermenêutica-filosófica.
Seu diálogo não é, portanto, nem o dogmatismo idealista, hoje mais que teoria tornou-se dogmatismo a-histórico, e sim a identificação dos pré-conceitos, a partir dos quais é possível tanto a fusão de horizontes quanto aceitação dos distinções de cosmovisão.

GADAMER, H.G. Verdade y método v. II.S alamanca:Sígueme,1996.2v.[:en]Following Sloterdijk’s reasoning, in which the fundamentals must be thought and in function of them one can return to the principle and preconception of each thought, one can revise idea with the Greek “eidos”.

The eidetic sense of hermeneutics is that which promotes the unification of the internal and the external in the manifestations of life, in the natural sciences the object is seen by itself (returning things for themselves), in the idealistic sciences the “object” is that achieved by a continuous effort of the researcher (the Kantian transcendence), although he commits himself to return to tradition frequently, the whole is not renewed, because the “object” is separated from itself by isolated observation, outside of Being and possible preconceptions, is the “idea”.

For Aristoteles there were universal principles, not as Kant later thought, but from the idea of ​​the one (tó hen), what is (tó on) and the genres (animals, plants, living beings), while essence (eidos) does not. would be a universal, but something common (koinos) to multiple things, there is therefore not in Aristotle the idealistic dualism, but the separation between universals and essence.

In Plato this dualism is accentuated, the sensible world and the world of ideas (still in the sense of eidos, essence), this separation will be troublesome to the modern idealists, who will unite it, but without a necessary philosophical reflection. the dichotomy subject and object never reunited as a being.

Ontology, and the method of philosophical hermeneutics, is an attempt to bring these fields together, although they remain distinct and under tension, but with possibilities of clarification beyond the classical separation.

Gadamer in his work matter “Truth and Method” vol. II, picks it up like this: “Hermeneutics is the art of understanding. It seems especially difficult to understand the problems of hermeneutics, at least as unclear concepts of science, criticism, and reflection dominate the discussion.

And this is because we live in an age where science is increasingly dominating nature and governing the management of human coexistence, and this pride of our civilization, which relentlessly corrects the lack of success and constantly produces new tasks of scientific inquiry, where once again progress, planning, and damage removal are grounded, develops the power of true blindness. ”(Gadamer, 1996: 292).

Gadamer after explaining that the return to Being proposed by Heidegger is a return to the hermeneutic method, which was neither to develop a theory of the sciences of the spirit (as idealism did, and the German in particular) nor to propose a critique of historical reason, as Dilthey did, and which Gadamer will clarify in his book “The Question of Historical Consciousness” to say that it is not even historical romanticism.

Its ultimate goal is expressed by stating: “what I did was put dialogue at the center of hermeneutics” (Gadamer, 1996, p. 27), but its dialogue is neither idealism (would be absurd) nor any form of philosophical blindness, it is precisely the rescue of philosophical hermeneutics.

Therefore, their dialogue is neither idealistic dogmatism, but nowadays theory has become ahistorical dogmatism, but rather the identification of preconceptions, from which it is possible to merge horizons as well as to accept worldview distinctions.

Gadamer, Hans Georg. Verdad y Metodo (Truth and method) v. II. Salamanca: Sigueme, 1996.2v.[:]

 

[:pt]Sobre a verdade e a filosofia[:en]About truth and philosophy [:]

27 jan

[:pt]Foi o racionalismo que levou a duvidar da existência exterior (o Outro, os objetos e o castelo exterior), já na clássica divisão corpo e mente, a questão até o final da idade média era entre realistas e nominalistas, os primeiros diziam que o real é que existe e os segundos que somente nomeamos o que é exterior, o que existe está na mente, hoje há a reviravolta linguística.
Imannuel Kant afirma que as percepções dos sentidos são posteriores à experiência enquanto é necessário um a priori universal, usando o argumento dos realistas, chama-o de juízo analítico enquanto os primeiros são os sintéticos, feitos a partir da junção de informações.
O ápice do idealismo é Hegel, que estabelece vários conceitos ideais: o estado, o espírito e a ética, porém a crise da modernidade retornará a velhos dilemas: a linguagem, o discurso e o que é a coisa ou o Ser, há então três reviravoltas: a linguística, a ontológica e a do “sagrado”.
Karl Klaus (1874-1936) já reclamava sobre a verdade no meio jornalístico, é verdade que a indústria cultural movimentou massas, e as Mídias de redes agora também, mas e a verdade?
A verdade da facticidade perdeu força, há visões alternativas e até mesmo a corrupção dos fatos, algo absurdo como “fatos alternativos”, não se trata absolutamente de hermenêutica pois é justamente sua ausência, a falta de um círculo hermenêutico onde os pré-conceitos sejam superados e se possam traçar novos horizontes que re-interpretam os fatos e constroem o futuro.
Os grupos entrincheirados em suas meias-verdades não se comportam senão como torcidas, a dialógica, a aceitação do Outro e a Empatia não são senão formas demagógicas como tentativas de cooptar membros para a própria torcida.
Claro que há um futuro latente, setores da sociedade onde a cooperação, a solidariedade e o exercício de enxergar o Outro já é exercício, são grupos e pessoas que trocaram a maneira dogmática de ver o mundo por uma visão mais ampla, além do grupo e da torcida.
Mas ainda há aqueles que cerrando fileiras em seus “grupos” vão exigir a obediência cega, o respeito a “autoridade” e não raramente vão apelar a métodos autoritários para dobrar o Outro.
A verdade irá emergir em meio ao caos, nos nichos da sociedade onde há Phronesis, verdadeira reflexão, olhar o mundo como um Todo e o Outro com respeito a suas particularidades.[:en]It was rationalism that led to doubts about external existence (the Other, objects and the outer castle, etc.), already in the classic division of body and mind, the question until the end of the Middle Ages was between realists and nominalists, the former said that the real is that it exists and the seconds that we only name what is external, what exists is in the mind, today there is the linguistic turnaround (or virage).

Imannuel Kant states that the perceptions of the senses are after the experience while a universal a priori is necessary, using the realists’ argument, calling it analytical judgment while the first are the synthetic ones, made from the gathering of information.
The pinnacle of idealism is Hegel, which sets out several ideal concepts: state, spirit, and ethics, but the crisis of modernity will return to old dilemmas: language, discourse, and what is the thing or Being, there are then three twists: the linguistic, the ontological and the “sacred”.
Karl Klaus (1874-1936) already complained about the truth in the journalistic medium, it is true that the cultural industry moved masses, and the network media now too, but what about the truth?
The truth of facticity has lost its strength, there are alternative views and even the corruption of facts, something absurd as “alternative facts”, is not at all hermeneutic because it is precisely its absence, the lack of a hermeneutic circle where preconceptions are. overcome and new horizons can be traced that reinterpret the facts and build the future.
Groups entrenched in their half-truths behave only as twisted, dialogical, acceptance of the Other, and Empathy are but demagogic forms as attempts to co-opt members for the crowd itself.
Of course there is a latent future, sectors of society where cooperation, solidarity and the exercise of seeing the Other is already exercise, are groups and people who have changed the dogmatic way of seeing the world for a broader vision, beyond the group and from the crowd.
But still there are those who closing ranks in their “groups” will demand blind obedience, respect for “authority,” and often will resort to authoritarian methods of bending the Other.
Truth will emerge amid chaos, in the niches of society where there is Phronesis, true reflection, looking at the world as a whole and the other with respect to its particularities.[:]

 

[:pt]A hermenêutica e a verdade[:en]Hermeneutics and the truth [:]

26 jan

[:pt]O grande arquiteto da hermenêutica no século XX foi Hans-Georg Gadamer (1900-2002), que criou uma hermenêutica filosófica, influenciado pelos estudos de Martin Heidegger, de quem foi aluno na Universität Marburg, reelaborou o conceito do círculo hermenêutico a partir de Heidegger.
Na sua obra prima Verdade e Método: elementos de uma hermenêutica filosófica, publicada em 1960, Gadamer não apenas revolucionou a hermenêutica ocidental moderna, como também a reorientou criando uma nova hermenêutica filosófica baseada na ontologia da linguagem.
Segundo Heidegger a hermenêutica é filosófica e não científica (no sentido dos métodos convencionais ainda em vigor), ontológica e não epistemológica, existencial e não metodológica, porque procura a essência da compreensão e não sua norma ou “método”, o método oscila entre o positivismo e o racionalismo, mas sem pertencer ao fenômeno. 
O estudo e a compreensão da existência, uma vez que este permite o conhecimento do Ser, precede as normas, até mesmo aquela consideradas “éticas” pelo iluminismo/idealismo, das regras sociais e não regras morais, diz a teo-ontologia por que o “sábado pertence ao Homem e não o Homem pertence ao sábado”, aqui em referência a “regra ética judaica” ou de sabatistas de guardar o sábado.
Segundo Heidegger, a hermenêutica seria filosófica, e não científica; ontológica, e não epistemológica; existencial, e não metodológica. Seria responsável por procurar a essência da compreensão, e não a normatização do processo compreensivo. O estudo da compreensão confundir-se-ia com o estudo da existência, uma vez que permitiria o conhecimento do Ser.
Embora a hermenêutica contemporânea venha de Schleiermacher e Dilthey, que defendiam a abertura do espírito para uma época que julga a antecedente, e isto seria o processo histórico, Gadamer aponta que não podemos abandonar o presente e enveredar pelo passado como tendo uma “lição histórica”, pelo contrário são os termos das questões que se colocaram no passado que podem define os termos do presente.
O fato do homem vivenciar uma realidade história faz com que sua visão de mundo, e por consequência, suas possibilidades de conhecimento partam dos pré-conceitos que o cercam, tonando impossível eliminá-los por completo, para que possa ler a verdade absoluta, como pretendiam iluministas e historicistas modernos, é um véu sobre a verdade e não a própria.
O círculo hermenêutico que já estava desenhado na obra de Heidegger, na ótica de Gadamer tem um sentido ontologicamente positivo para a compreensão, que segundo ele, no decorrer da interpretação, a elaboração de novos projetos e um novo horizonte se faz necessário.
Assim somente com a admissão dos pré-conceitos vindos da historicidade do interprete que ao serem devidamente analisados em sua veracidade, possibilita uma nova compreensão, a elaboração de novos horizontes, verdadeiramente coerente.
Passar da pré-compreensão para análise e síntese é permanecer no erro, por mais criativo que seja este processo, a ruptura dos pré-conceitos vem “de fora”, da abertura e da reelaboração.
Por isto sistemas viciados, fechados, provincianos e demagógicos sucumbem, trituram o Ser, dizem dar-lhe “identidade”, mas dão apenas fechamento e obsessão[:en]The great architect of of hermeneutics in the 20th century was Hans-Georg Gadamer (1900-2002), who created a philosophical hermeneutics, influenced by the studies of Martin Heidegger, of whom he was a student at Universität Marburg, reworked the concept of the hermeneutical circle from Heidegger.

In his masterpiece Truth and Method: elements of a philosophical hermeneutics, published in 1960, Gadamer not only revolutionized modern Western hermeneutics, but also reoriented it by creating a new philosophical hermeneutics based on the ontology of language. According to Heidegger the hermeneutics is philosophical and non-scientific (in the sense of conventional methods still in force), ontological and non-epistemological, existential and not methodological, because it seeks the essence of understanding and not its norm or “method”, the method oscillates between positivism and rationalism, but without belong to the phenomenon.

The study and understanding of existence, since it allows knowledge of the Being, precedes the norms, even the one considered “ethical” by the Enlightenment / idealism, of social rules and not moral rules, says the theo-ontology why the “Saturday belongs to Man and not Man belongs to Saturday”, here in reference to the “Jewish ethical rule” or Sabbatarians to keep the Sabbath. According to Heidegger, hermeneutics would be philosophical rather than scientific; ontological rather than epistemological; existential rather than methodological. It would be responsible for seeking the essence of understanding, not the standardization of the comprehensive process.
The study of comprehension would be confused with the study of existence, since it would allow the knowledge of the Self.
Although contemporary hermeneutics comes from Schleiermacher and Dilthey, who advocated opening the spirit to an age that judges the antecedent, and this would be the historical process, Gadamer points out that we cannot abandon the present and take the past as having a “historical lesson”.
On the contrary, it is the terms of past questions that can define the terms of the present. The fact that man experiences a historical reality causes his worldview, and consequently, his possibilities of knowledge to depart from the preconceptions that surround him, making it impossible to completely eliminate them, so that he can read the absolute truth, as intended modern illuminists and historicists, is a veil over the truth and not itself.
The hermeneutic circle that was already drawn in Heidegger’s work from Gadamer’s point of view has an ontologically positive sense for understanding, which, according to him, in the course of interpretation, the elaboration of new projects and a new horizon is necessary.
Thus only with the admission of the preconceptions coming from the historicity of the interpreter that when properly analyzed in their veracity, allows a new understanding, the development of new horizons, truly coherent.
Going from pre-comprehension to analysis and synthesis is to remain in error, however creative this process may be, the rupture of preconceptions comes from outside, from openness and reworking.
That is why addicted, closed, provincial and demagogic systems succumb, crush the Being, claim to give it “identity”, but give only closure and obsession.[:]

 

[:pt]Euforia e serenidade[:en]Euphoria and Serenity[:]

20 jan

[:pt]O contrário de serenidade não é irritação ou ira, estas são o contrário de calma (ou longanimidade), o contrário é euforia, já postamos a relação entre serenidade e Phronesis, palavra grega que poderia ser traduzida como sabedoria prática, central no livro de Hans Georg Gadamer, e que a nosso ver se aproxima de serenidade.

Há aqueles que acreditam em euforia depois da covid.
Isto porque vivemos em tempos de reações impulsivas as questões colocadas, em que depois da euforia vem a depressão e o desanimo, que no fundo são sempre falta de phronesis, ainda que muitos chamem a atenção para a ação, para a prática, mas descolada da sabedoria.
Em Verdade e Metodo II (segundo volume), predominam colocações sobre a estrutura dialógica da linguagem pensada como a que pode orientar o mundo (e nossa visão de mundo) e a relação mais clara entre pensamento e linguagem.
O esclarecimento que faz da questão histórica, foi Gadamer que superou a discussão de Dilthey e outros da historicidade romântica, sua hermenêutica filosófica aprofunda como uma hermenêutica da escuta, na escuta e para a escuta, verdadeira visão do Outro.
Gadamer no segundo volume dá estrutura a uma frase do escritor russo Leon Tolstoi: “Não existe grandeza onde não há simplicidade, bondade e verdade”, se verdade é difícil de ser dita, quando praticada em sabedoria Phronesis ela abre uma “clareira”, a escuta do outro.
Será que o universo nos “ouve”, será que plantas e animais nos “ouvem”, é preciso entender sua linguagem e neste sentido linguagem não é qualquer coisa da simples fala, é escuta.
No vídeo abaixo Gadamer retrata a história da filosofia, mas com phronesis e verdade:
https://www.youtube.com/watch?v=1KJNQoIXZ4k[:en]The opposite of serenity is not irritation or anger, this is the opposite of calmness, the opposite is euphory, we have already posted the relationship between serenity and Phronesis, a Greek word that could be translated as practical wisdom, central in Hans Georg Gadamer’s book, and which in our view is approaches serenity.

There are those who believe in euphoria after covid.

This is because we live in times of impulsive reactions to the questions posed, in which after euphoria comes depression and discouragement, which at heart are always lacking in phronesis, though many draw attention to action, to practice, but detached from wisdom.

In Truth and Method II (second volume), prevailing statements about the dialogical structure of language thought to guide the world (and our worldview) and the clearer relationship between thought and language.

His clarification of the historical question was Gadamer who overcame Dilthey’s and others’ discussion of romantic historicity, his philosophical hermeneutics deepening as a hermeneutic of listening, listening and listening, the true view of the Other.

Gadamer in the second volume gives structure to a phrase by the Russian writer Leon Tolstoy: “There is no greatness where there is no simplicity, goodness and truth,” if truth is hard to tell, when practiced in wisdom Phronesis it opens a “clearing”, the Listening to each other.

Does the universe “hear” us, do plants and animals “hear” us, we need to understand their language and in this sense language is not anything just talking, it is listening.

In the video below Gadamer portrays the history of philosophy, but with phronesis and truth:

https://www.youtube.com/watch?v=1KJNQoIXZ4k

 [:]

 

[:pt]A paz desejada e não construída[:en]The desired and not built peace [:]

19 jan

[:pt]Sabemos que a “pax romana” era a rendição ao império que dominou boa face do mundo civilizado de então, é hoje certo que já haviam povos em diversas partes do planeta, mas seus registros paleontológicos não deixam muitas marcas de suas culturas, e, talvez como pensou Rousseau “o bom selvagem” vivia em paz, porem no conflito natural com a natureza.
A “paz eterna” elaborada pelos idealistas e idolatrada pelos adoradores do “estado moderno”, pouco é aprofundada porquê de fato para muitos será este o estado, desculpem a ironia, final da humanidade, devendo apenas ser aperfeiçoado.
Kant publicou no ano de 1798, numa revi ta de Berlim, o ensaio “Anúncio da próxima assinatura de um tratado para a paz perpétua em filosofia”, que foi uma retomada de seu ensaio feito dois anos antes: “Para a paz perpétua”, que ficou confinada na sua filosofia.
Isto porque o objetivo era resolver a paz no interior de um só Estado, ou no plano das relações entre diferentes Estados, que podemos ver mesmo com o surgimento da ONU e com o aumento de nações democráticas, que em essência a ideia de Estado permanece iluminista.
Deste ensaio pode-se supor que o que o filósofo entendia por filosofia significa que se os sistemas da filosofia encontrassem uma solução para seus conflitos eles poderiam auxiliar os sistemas políticos a resolverem seus conflitos, por isso permanece no campo idealista.
O conflito entre objeto e sujeito, que faz supor que é no objeto que se encontra o conflito e não no sujeito é a hipótese do sistema idealista/iluminista, mas é na facticidade dos sujeitos históricos que estão os conflitos, entendo estes não como a historicidade romântica, pois facticidade é o conceito heideggeriano do sujeito lançado no mundo com seus fatos.
Assim o que se entende por paz além do idealismo é aquela passível de ser construída na facticidade do dia-a-dia, em cada conflito encontrado em cada fato, sem estar confinado aos pressupostos teóricos ou filosóficos, mas ali onde está o “ser lançado no mundo”.
A paz, portanto, é construída e não um acordo entre estados ou no seu interior, o tratado de paz da 1ª. guerra mundial levou a segunda, dizem alguns leitores da história mundial, o fato é que houveram duas guerras e os estados “modernos” não só não evitaram, como são autores.
“Se deseja a paz, constrói a paz”, dizia um político italiano, bem poucos entendem isto.

Um pós-pandemia será problemático, pode inclusive caminhar para uma crise civilizatória, onde muitas providencias deveriam ser tomadas já a partir de agora.[:en]We know that the “pax romana” was the surrender to the empire that dominated the good face of the civilized world at the time, it is true today that there were already people in various parts of the planet, but their paleontological records do not leave many marks of their cultures, and perhaps as Rousseau thought ‘the good savage’ lived in peace, but in the natural conflict with nature.
The “eternal peace” elaborated by the idealists and idolized by the worshipers of the “modern state” is not deepened, because in fact for many this will be the state, excuse the final irony of humanity and should only be perfected. Kant published in 1798, in a Berlin magazine, the essay “Announcement of the forthcoming signing of a treaty for perpetual peace in philosophy”, which was a resumption of his essay two years earlier: “For perpetual peace”, that was confined in its philosophy.
This is because the goal was to resolve peace within a single state, or in terms of relations between different states, which we can see even with the emergence of the UN and the rise of democratic nations, which in essence the idea of state remains enlightened. .
From this essay it can be assumed that what the philosopher understood by philosophy means that if systems of philosophy found a solution to their conflicts they could help political systems to resolve their conflicts, so it remains in the idealistic field.
The conflict between object and subject, which supposes that it is in the object that is the conflict and not in the subject is the hypothesis of the idealism/enlightenment system, but it is in the facticity of the historical subjects that the conflicts are, I do not understand as the historicity romantic because facticity is the Heideggerian concept of the subject thrown into the world with his facts.
Thus, what is meant by peace beyond idealism is that which can be built on the facticity of everyday life, in every conflict encountered in every fact, without being confined to theoretical or philosophical assumptions, but where the “being thrown” is. in the world”.
Peace, therefore, is built and not an agreement between states or within them, the peace treaty of the 1st. world war led to the second, some readers of world history say, the fact is that there were two wars and the “modern” states not only did not avoid, but are authors. “If you want peace, build peace,” said an Italian politician, very few understanding this.

A post-pandemic will be problematic, it may even lead to a civilizational crisis, where many measures should be taken from now on.[:]