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Arquivo para a ‘Física’ Categoria

A arte linear, o 3D e o tesseracto

19 Fev

O fato que a cultura contemporânea está fundamentada numa ciência, numa arte e também numa dimensão ética e estética que se fundamenta na geometria construiu um modelo ideal de natureza, de homem e de sociedade, que é puramente ideal e irrealizável ao homem.
Aparenta um pós-humanismo, já que o humanismo contemporâneo é a aquele do imperativo categórico kantiano: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal”, as vezes suprime-se o “através de sua vontade”, mas o fato imperioso permanece lá, tornar-se modelo para os outros, narcisismo e pré-humanismo.
Tudo isto veio do idealismo e absolutismo das ideias geométricas matemáticas, não se trata do abstracionismo já que esta corrente tanto na arte quanto na própria matemática, tornou-se de fato muito mais revolucionárias do que parecem, a dimensão de Hausdorff e os fractais, assim como as hipóteses matemáticas e físicas sobre a entropia provam esta importância.
A física ao descobrir a quarta dimensão remete o pensamento e a aventura humano a um espaço até então impensável, as viagens intergalácticas, começa-se a desenha a história do próprio universo, como se formam as supernovas, o que são os buracos negros e a matéria negra, enfim um limiar de um novo tempo, que nasce da física quântica e da quarta dimensão.
O que isto tem a ver com a arte, com a tecnologia, absolutamente tudo, pois a visão e a sensação humano se ampliam, enquanto muitos se metem em buracos dogmáticos, alguns chegam a redeclarar a terra plana, a dimensão do infinito, das cosmogonias e da quarta dimensão emergem.
Tudo isto parece teórico, mas foi Carl Sagan, na sua famosa série Cosmos, agora disponível online, que explicou tudo isto de maneira simples e acessível a todos, segue um pedaço do seu vídeo no qual explica isto:

 

Navegar em águas mais profundas

08 Fev

Aprendi com o dr. Oswaldo Giacóia, que conhece como poucos a filosofia de Nietzsche que sua inquietação de juventude era que a escola pacifica, penso que deveria levar os alunos a curiosidade, ao interesse pela cultura senão o crescimento humano fica estagnado.

Navegar é preciso, diziam navegadores portugueses, mas a frase é mais antiga, foi o general romano Pompeu, que encorajava marinheiros medrosos com a frase: “Navigare necesse, vivere non est necesse”, Petrarca no século XIV que transformou em navegar é preciso, viver não é preciso.

Fernando Pessoa, a quem alguns creditam a frase, na verdade dizia: “quero para mim o espírito desta frase”, e agora estamos em tempos de navegar pela Web (a internet é só a base desta plataforma), mas também de olhar para os confins do universo e sonhar com viagens nos buracos de minhoca, que Einstein-Rosen previram e a astrofísica descobriu.

Isto significa também ir para mares mais profundos, no sentido metafórica, no conhecimento, nas artes e na cultura, a única arma consistente contra uma ignorância que passa a militância, não é pós-verdade, eu diria é um pós-clareira, uma fase de obscurantismo moderno.

Também no sentido espiritual, a leitura bíblica por exemplo, no evangelho de Lucas, quando os pecadores já lavavam as redes e estavam desanimados com a pescaria, Jesus lhes encorava Lc 5:4: “avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”, Pedro acredita e o faz em consideração ao mestre.

A reação correta em tempos de recuos e aparente estagnação a melhor atitude não é ficar parado, isto pode levar a preguiça e ao comodismo, é acreditar e ir em frente, é preciso neste caso um pouco de fé.

Uma verdadeira espiritualidade vai contra a corrente de pessimismo que no fundo não é só descrença em Deus, mas também na humanidade, que sempre encontra novos caminhos para navegar, porque viver é preciso.

O vídeo abaixo navega no Núcleo da Nebulosa Lagoon.  

 

O mistério e o espiritual

06 Fev

Tanto a física quanto a matemática já ultrapassaram não apenas as dimensões ideais: o ponto, a reta, o plano e o cubo, introduzindo as dimensões fracionarias as quais pertencem os fractais, imersos no espaço de Hausdorff, mas também pela adoção da quarta dimensão.
O trabalho pioneiro foi feito por Charles H. Hinton (post) em A New era of Thought (1888), anterior a dimensão quântica de Werner Heisenberg e a descoberta dos Buracos de Minhoca (Worm Holes) na qual já se imaginam viagens intergalácticas como vista no filme de ficção Interestelar (2014), e no filme Contacto (1997, baseado no livro de Carl Sagan).
Hinton após fazer um diálogo com o idealismo Kantiano dirá sobre a natureza sensorial humana: “na percepção instintiva e sensorial do homem e da natureza, tudo é oculto, o que a reflexão traz depois à consciência. Podemos estar conscientes um pouco mais alto do que cada homem individual quando olhamos para os homens. Em alguns, essa consciência atinge um ponto extremo, e se torna uma apreensão religiosa.”, ou seja, admitia o aspecto espiritual (post). 
É nesta dimensão acima do individual que Teilhard Chardin trabalhou sua noosfera, pode haver uma consciência maior quando as pessoas trabalham juntam, isto é, obvio no plano humano, mas não tão obvio no plano espiritual, não significa só estar de acordo, mas admitir uma esfera espiritual, uma noon (espírito) esfera, a noosfera.
Como é possível penetrar nesta dimensão, fazer os homens trabalhar espiritualmente juntos, isto está acima da oração ou meditação espiritual, na qual a pessoa se eleva individualmente e hoje até para o tratamento médico é recomendável, mas uma ação espiritual coletiva.
O interessante é observar que tanto Chardin que pensava numa espécie de consciência cósmica, que lhe valeu um afastamento dos dogmas católicos (ele era padre), mas também o matemático Charles Hinton parece caminhar na direção da quarta dimensão, Salvador Dali também falou disto em seu Manifesto Místico (1951) e em conversas com o matemático Thomas Banchoff.
Assim como o discurso filosófico de Hinton, a antropologia filosófica de Chardin em uma de suas obras seminais “O fenômeno humano” parecem discorrer sobre aspectos de um mesmo tema, uma espiritualidade que leve a uma consciência coletiva maior e a sentir o Universo como corpo e como parte da Noosfera, aproximando o que é substancial do que é espiritual.
A razão que tanto Chardin como Hinton foram descartados no seu tempo é que procuraram penetrar num mistério, que Einstein também penetrou junto ao físico Rosen, os buracos de minhoca são chamados também Ponte de Einstein-Rosen (figura), sendo consistente com a teoria da relatividade.
O que está além do físico, ou o meta-físico nem sempre lhe é contraditório, mas pode ser exatamente a solução de alguns dos mistérios da natureza, 90% do universo é massa ou energia escura, das quais pouco se sabe e as descobertas recentes são enormes, veja a partícula de Higgs (incorretamente chamada de Deus) e os buracos negros com várias descobertas novas.

 

O auge do idealismo e o Espírito

05 Fev

O espírito visto fora da Noologia, nome cunhado pelo Escritor brasileiro Mario Ferreira dos Santos ao estudo da Noosfera, o resto é puro idealismo na filosofia ou falsificação espiritual da teologia.
A influência na teologia contemporânea (entre muitas outras) pode ser vista na obra de Karl Ranner, tanto em Hörer des Wortes (HW) em sua tradução espanhola Oyente de la palabra (Ouvinte da Palavra), ou como no espírito do mundo, sua tese de O espirito do Mundo (1967), onde apesar da influência de Tomas de Aquino e até mesmo de Heidegger, não abandonou por completo sua influencia original de Kant.
Escreveu Francisco Taborda sobre Rahner: “O que Rahner faz em HW pressagia toda sua caminhada teológica posterior, caracterizada pela perspectiva transcendental que implica a presença de uma filosofia interna à teologia e traz a marca da virada antropológica da modernidade”, ou seja, apesar de tentar conciliar seu pensamento com Tomás de Aquino e Heidegger, sua matriz principal está em “Ouvinte da Palavra” (1963), onde afirma: “se o homem se acha defronte ao Deus de uma possível revelação, se esta revelação, caso tenha lugar, deve produzir-se na história humana … etc.” (RAHNER, 1967, p. 213).
Mas dialogar teologia é complexo atualmente, e infelizmente a simplificação levou ao fundamentalismo, que é a pior das tragédias, pois Deus é Omnisciente, então não é simples, pois o Amor é algo tão complexo que jamais alguém o codificou, poetas e filósofos tentaram.
Na filosofia o auge desta tentativa idealista foi Fenomenologia do Espírito, praticamente uma tentativa de desvendar a Trindade, usando as categorias em-si, de-si e para-si, mas cujo conceito de autoconsciência o trai, pois o para-si que poderia ser além de si, é na verdade um retorno ao eu do em-si.
Assim o Deus transcendente, está “morto” para Kant, pois é pura relação de imanência, o que é diagnosticado por Hegel (2007, p. 173) gerando assim a ideia que o Deus histórico, o mesmo de Rahner negando-se o aspecto absoluto, espiritual acima do temporal, “a sensação de que Deus Ele mesmo está morto” (idem).
Gadamer ao fazer a releitura de Hegel, desvela este Espírito visto como uma imanência: “Se trata de uma progressão imanente, que não pretende partir de nenhuma tese imposta, senão seguir o automovimento dos conceitos, e expor, prescindindo por inteiro de toda transição designada desde fora, a conseqüência imanente do pensamento em contínua progressão”. (GADAMER, 2000, p. 11)
Não é isto o Espirito Santo trinitário da cristandade, mas uma visão de espirito imanente apenas humano.

GADAMER, Hans-Georg. La dialéctica Hegel: Cinco ensayos hermenéuticos. 5ª ed. Trad: Manuel Garrido. Madrid: Ediciones Cátedra, 2000.
HEGEL, Georg Wilhem Friedrich. Fé e Saber. Trad: Oliver Tolle. São Paulo: Hedra, 2007.
RAHNER, Karl. Oyente de la Palabra: fundamentos para una filosofía de la religión. Barcelona: Hélder, 1967.

 

Pensamento e linearidade

04 Fev

A linearidade do pensamento está de tal forma impregnada na cultura contemporânea que até expressões como “um homem reto”, “retidão” ou equivalentes tornam-se sinônimos de justo, do bem e da harmonia social.

Isto está mais ligado ao raciocínio matemático que ao empírico, não por acaso os exemplos formulados pelos racionalistas do século XVI e XVII usavam os triângulos como exemplos da ideia dos universais, e mesmo neste caso separavam sujeitos de objetos, não por acaso tanto Descartes (1596  1650) e Leibniz (1646  1716), eram também matemáticos.

Para o racionalismo tanto os ideias éticos e estéticos, como de Justiça, de Virtude e de Beleza, também devem ser objetos do Mundo das Ideias, assim fez-se todo uma construção segundo esta forma de pensar que agora encontra-se em crise, pois a separação produziu um Ser que é estranho a Coisa, ao Ente, fazendo um trocadilho: o problema do Ser do Ente.

Os fundamentalistas, tendo como base intuitiva os pensamentos contemporâneos argumentam que o Ser é “espirito”, o que pouco ou nada tem a ver com espiritualidade ou religião, de outro lado os materialistas argumento que somos puro Ente, ser da natureza e assim substância.

O empirista anterior a Kant, o filósofo escocês David Hume (1711  1776), mesmo admitindo que todas as ideias derivam da experiência negava o método com uso da indução: “Qual é o fundamento de todas as conclusões a partir da experiência?” (Hume, 1985, p. 37) ou, como se justifica a passagem dos enunciados observacionais para os enunciados universais?

Hegel pretendeu levar isto ao plano espiritual em Fenomenologia do Espírito, o auge do pensamento idealista.

Embora o idealismo/empirismo pudesse parecer um sistema epistemológico completo, em 1829 Lobachevsky desenvolveu as Geometrias Não-Euclidianas, depois vieram as superfícies esférias (foto) de Rieman (1826-1866) cuja generalização leva as dimensões de Haussdorf (1868-1942) e aos fractais, que também escreveu sobre filosofia como “Paul Mongré”.

Mas não se trata apenas da complexidade da física e matemática, a retomada ontológica do ser vai além do logicismo e empirismo, esta á a retomada ontológica.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. Lisboa: Ed. 70, 1985.

 

O ser, o infinito e o puro Ser

12 Jan

Se tudo existe e não o nada, é porque algo ou alguém ou ambos É, e não-ser não significa necessariamente o nada, o nihilismo é fruto desta lacuna idealista.
A hipótese do terceiro excluído, de um lado é uma necessidade lógica e de outro é uma possibilidade de encontrarmos rações físicas para o Não-Ser, o que havia antes do Big Bang?
Ainda que a teoria dos universos paralelos ou de múltiplos Bing Bang, hipóteses não comprovadas, a ideia que haja algo além do ex-sistente é plausível, assim o Ser que é puro Ser, porque pré-ex-siste é altamente provável e viável, quanto ao seu nome seria apenas “O que é”, que é o significado da palavra Deus.
Deus ex-siste porque foi possível extrapolar seu puro ser, sua essência, e ex-sistir enquanto limitação humana, pura ex-sistência terrena e finita, o ser histórico e puro Ser: Jesus.
Conforme o texto bíblico, Jesus ao ser batizado por João Batista no dizer de Lucas (Lc: 3-22): “e do céu veio uma voz: ´Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer´”, o desvelar (a palavra re-velar é contraditória) ou a epifania e início da missão de Jesus se completam ai.
É incrível a ideia da ex-sistência divina em Jesus, é algo como afirmou o físico Michio Kiku sobre Deus: “tão aterrorizador é sua existência é a sua inexistência” (em Física do Impossível).
A entra de Deus na história, o Jesus histórico ex-siste, porém deverá no final dos termos negar-se como não-ser, e chamar a Deus que chamara de pai de apenas “Deus meu Deus meu, porque me abandonaste”, momento do ápice humano que ao mesmo tempo funde-se e integra o divino, o dualismo é rompido.
Ainda que aceitemos a hipótese da sua não existência, algo ou alguém houve antes do tudo, e não era o nada, o nihilismo não é só a negação da ex-sistencia é a negação do Ser.

 

Uma releitura dos reis magos

04 Jan

Em tempos de fundamentalismo e intolerância religiosa, uma releitura dos reis magos que foram adotar e também “contemplar” o nascimento de Jesus é essencial para o diálogo.

A primeira necessária é que Deus se comunicou com os “magos” do oriente, ela pode reabrir corações fechados para re-ligações (religião do verbo em latim religare que é religar), pois eles não eram sequer religiosos no sentido convencional, mas magos e Deus os religou.

A segunda é que a comunicação divina foi através de astros, que significa que eles podiam entender esta linguagem e que Deus falou na língua humana deles, ou seja, há formas além das dogmáticas de comunicação entre Deus e os homens, mesmo não crentes.

A cosmologia é uma parte antiga e fundamental da filosofia, sua evolução e composição estuda o universo, e vem desde a antiguidade, os pré-socráticos a estudavam, buscam também a explicação da origem e da transformação da natureza e do universo e constroem mitos e divindades, criando uma relação entre seres mortais e imortais.

Então Deus não é tão indiferente a isto, uma proposta universal não deve desconsiderar a cosmologia, e se deseja construir uma cosmogonia, isto é princípio e fim de toda a vida, então uma escatologia é também construída, e a escatologia cristã pode estar relacionada a esta, não é afinal Deus princípio e fim de tudo ?

Esta segunda releitura, a questão dos astros, de fato ainda hoje se buscam evidencias cosmológicas da estrela que os Reis Magos seguiam, um astro, um cometa, isto poderia ajudar a datar o natal de uma data mais precisa.

Teólogos como Teilhard Chardin não deixaram de considerar a hipótese cosmológica, a noção de um universo cristocêntrico ajuda a uma interpretação não fundamentalista de uma escatologia mais complexa, e por isso recorremos no post anterior a São Gregório de Nazianzeno.

A terceira é que os reis magos foram “contemplar” o menino-Deus, além da vita activa, Hannah Arendt também falou dela em A condição Humana (publicado em 1956, com edição brasileira de 2009), que vem da conferencia Trabalho, Obra e Ação (publicação brasileira de 2006), mas já falavam desta questão Aristóteles no bios politikos e a vita negotiosa ou actuosa em Agostinho, e, recentemente Byung Chull Han em A sociedade do cansaço.

Mas não vieram adorar apenas, onde o elemento oferecido incenso é essencialmente isto, mas também trouxeram ouro no sentido de riqueza e mirra no sentido de sacrifícios oferecidos.

Os reis magos deveriam significar a abertura do cristianismo a outras linguagens que também são uma expressão do infinito, do universo e da vida construída de modo sagrado em todos e em tudo.

 

O Tesseracto ou Hipercubo, o holograma

16 Nov

Por que o espaço deveria ser limitado a três direções independentes?, com esta especulação Charle H. Hilton (1888) transgride a ideia de tempo absoluto.
Após uma discussão as ideias de Kant de tempo absoluto, ele penetra na discussão mais profunda do idealismo que é a separação entre objeto e sujeito.
O primeiro postulado deste livro que o meio não é mais o que separa, mas o que nos une ao objeto, constrói mais à frente uma consequência: “O próximo passo depois de ter formado esse poder de contração em um espaço mais amplo é investigar a natureza e ver que fenômenos devem ser explicados pela relação quadridimensional”, o que irá desenvolver em seu livro até chegar à antevisão do holograma: “E assim, com arranjos de espaço superior. Não podemos “colocá-las de fato”, mas podemos dizer como elas pareceriam e seriam ao toque de vários lados”, que pode ser vista como a antevisão de um grande holograma, mas com a possibilidade de serem tocados.
Assim como o Cubo possui na verdade 6 faces, uma quarta dimensão não seriam apenas 6 cubos, mas 7 cubos formando assim a quarta dimensão, é a partir dela que pode-se pensar o holograma que se espacial e com possibilidade de toque (háptica) torna-se um hipercubo de imagens volumétricas espaciais.
O Christus Hypercubus de Salvador Dali é esta visão em quarta dimensão, que colocá-la num holograma e mostrar sua reconstrução em cubos 3D constituiu uma etapa do corrente trabalho, ainda não tendo a ligação com o ambiente da Galeria de Arte Multimodal e as possibilidades de poder ser táctil (a háptica).
A pintura de Salvador Dali pode ser pensada como imagem na quarta dimensão, ou o holograma representando no Christus Hypercubus de Salvador Dali.
A física quântica está conectada a esta ideia, porque Heisenberg foi um dos primeiros a anunciar esta ruptura com a ideia de espaço absoluto, criando assim uma dimensão superior ao espaço tridimensional.

Hilton, C. H. (1888). A New Era of Thought, Londres: S. Sonnenschein & Co.

 

O espiritual na arte, quase esquecido

15 Nov

Além de Kandinsky, um contemporâneo reconhecido como tendo influência na arte espiritual, há outros três catalães quase esquecidos de forte influência espiritual: Raymond de Sebonde, autor da Teologie Natural; Gaudí, criador do gótico mediterrâneo, e Salvador Dali, incorretamente visto como surrealista paranóico-crítico, explicamos a seguir.
Disse Dali após uma longa fase que ele mesmo disse que tinha influência psicológica e indiretamente de Freud, integrasse numa nova fase, onde seu quadro Christus Hypercubus será um marco, e pode mesmo se relacionar a contemporaneidade com a Física Quântica, a quarta dimensão do universo (o Hipercubo), e de certa forma ao tesseracto de C. H. Hilton.
Diz em seu Manifesto Anti-matéria escreve com todas as letras: “no período surrealista, quis criar a iconografia do mundo interior e do mundo maravilhoso, do meu pai Freud … Hoje, o mundo exterior e o da física transcenderam o mundo da psicologia, ele declarou “meu pai hoje é o dr. Heisenberg”, assim é um Dali pós-surrealismo como ele próprio se proclama.
postamos anteriormente algo sobre isto, porém desenvolvemos aqui um pouco mais.
Proclamou Dali sobre sua obra: ”Eu Dalí, reatualizando o misticismo espanhol, vou provar com a minha obra a unidade do universo, ao mostrar a espiritualidade de todas a substâncias”, na qual o uso de substância não é por acaso, pois está falando mesmo do universo físico, mas pode ser também aquele que Teilhard Chardin chamou de “universo cristocêntrico”, ou seja, a sua Noosfera no sentido mais substancial da palavra, ou no sentido físico do universo.
Esta dimensão, além de ser estudada na Física das Partículas e na Astrofísica, apareceu em filmes como “Contato” (1997, direção de Robert Zemeckis) baseado na obra de mesmo nome de Carl Sagan, e recentemente o filme Interestelar (direção de Christopher Nolan, de 2014), ilustrado na imagem acima, e a possibilidade da quarta dimensão, do universo estar imerso num hipercubo é científica.
Einstein havia previsto um fenômeno relativístico Lense-Thirring ( homenagem a Josef Lense e Hans Thirring) que ficou por um bom tempo sem comprovação até que esse efeito começou a ser detectado em satélites artificiais e desde então passou a ser estudado como possibilidade real, é um efeito de um giroscópio devido ao campo magnético gravitacional.
Começa amanhã em Lisboa, no Palácio de Ceia, o evento Artefacto 2018, entre outras obras, apresentará uma Ode ao Christus Hypercubs feita pelo Dr. Jônatas Manzolli da Unicamp, que contará com a pianista Helena Marinho do Aveiro e a solista Beatriz Maia.

 

O que é clarificação para Charles H. Hinton

13 Nov

O escrito que antecedeu a física quântica, a filosofia hermenêutica e uma nova (ou antiga no sentido de verdadeira) espiritualidade, trazia raciocínios novos e curiosos.
Ao falar de uma dimensão maior do espaço (Higher Space) e maior do Ser (Heigher Being):
Estamos sujeitos a uma limitação de características mais absurdas. vamos abrir nossos olhos e ver os fatos.” (Hinton, 1888), parece simples mas requer treino: “Eu trabalhei no assunto sem o menor sucesso. Tudo era mero formalismo. Mas ao adotar os meios mais simples e por um conhecimento mais completo do espaço, o todo brilhou claramente. ”(Idem)
Já falamos no tópico anterior, mas agora desenvolve o estágio de ser “conscientes de um mais que cada homem individual quando olhamos para os homens. Em alguns, essa consciência atinge um tom extremo e se torna uma apreensão religiosa” (Hinton, 1888), como foi dito no post anterior, “Mas em nenhum é diferente de instintivo. A apreensão é suficientemente definida para ter certeza. Mas isso não é expressável para nós em termos de razão …” (idem)
Parte do aspecto físico, a ideia que “nosso isolamento aparente como corpos um do outro não é de modo algum tão necessário pra assumir como pareceria”, aqui sua relação intuitiva com a física quântica que só tornaria realidade no início do século XX que admite que naquele momento era só uma possibilidade, mas acrescenta mais um ponto: “e viéssemos examinar o assunto de perto, deveríamos encontrar uma relação natural que explicava nossa consciência ser limitada como atualmente é” (Hinton, 1888)
Afirma Hinton: “nosso isolamento aparente como corpos um do outro não é de modo algum tão necessário para assumir como pareceria”, podemos dizer estamos relacionados ao todo, faz um argumento matemático para isto.
Se as formas espaciais só podem ser simbólicas de formas quadridimensionais: e se não lidamos diretamente com as formas espaciais, mas a tratamos apenas por símbolos no plano – como na geometria analítica – estamos tentando obter a percepção do espaço superior através de símbolos de símbolos, e a tarefa é sem esperança” (Hinton, 1888).
Dirá num todo quase místico, mas compatível com o pensamento de Teilhard Chardin por exemplo, “Em vez de uma abstração, o que temos que servir é uma realidade, para a qual até nossas coisas reais são apenas sombras. Somos partes de um grande ser, em cujo serviço e com o amor de quem, as maiores exigências do dever são satisfeitas.” (Hilton, 1888)
Então dará a sentença: “O poder de ver com nosso olho corporal é limitado à seção tridimensional” (Hinton, 188) e será a partir daí que criará sua visão da 4ª. dimensão: o Tesseracto.

HINTON, Charles H. The new era of thought. Lonson: S. Connenschein & Co., 1888. (Chapters 7, 9, 10, and 11)