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Museologia « Blog Marcos L. Mucheroni Filosofia, Noosfera e cibercultura
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[:pt]Escatologia apenas humana[:en]Human-only eschatology[:]

08 dez

[:pt]Dois equívocos sobre o Natal é que se trata apenas do nascimento de Jesus, ao menos o Jesus histórico deve ser admitido como homem que existe pois houve um recenseamento quando ele nasceu, a segunda é o que veio e o que virá, o advento é assim aquilo (ou aquele) que vem e virá.

Relendo a obra Homo sapiens de Yuval Noah Harari apresenta uma perspectiva evolucionista darwiniana colocando como o homem impôs sua vida no planeta, contemplando três fases: a coletora, a agrícola (e sedentária), a fase industrial e a moderna de informação intensiva, e busca alinhar os elementos estruturais que conectam com a ordem cultural e com os seus alicerces.

No plano da cultura desta as crenças gerais compartilhadas em cada fases, que chama de mitos ficcionais, aos quais atribui a indispensável coesão social e os empreendimentos de cada período.

Mesmo sendo judeu, que possui uma escatologia forte abramica, recusa a existência da alma, da consciência e da individualidade, tendo como perspectiva que a ciência não detectou isto, e que as notáveis conquistas da ciência contemporânea dispensam estas existências.

O seu longo e elaborado trabalho que ao negar estes fatos existenciais metafísicos, envereda pelo mesmo caminho dos neologicistas, de algoritmos que regulariam a vida inclusive biológica, porém é a consciência algo assim desconectado da inteligência e será que organismos são só algoritmos.

O sentido clássico de cosmos, explorado desde Platão, a energia requerida para acionar um algoritmo da criação, a energia sem a qual a própria ideia de algoritmo não se sustenta, é algo que já pré-existia antes da hominização do cosmos (a natureza tornou-se homem) e o que será o futuro deste processo sobre o qual o próprio Harari indaga, sem alma e consciência deste fim.

Estas perguntas apontam para uma escatologia, princípio e fim, e não temos uma aposta num fim longínquo ou próximo se não tivermos respostas sobre um princípio, o escato-lógico do Ser.

Ainda que a escatologia de Harari não seja completa, não há transcendência, ele percebe que estamos próximos de um limiar civilizatório bastante perigoso, tanto no aspecto humano quanto do equilíbrio da natureza, e que o homem poderá realizar esta tarefa sozinho sem algo superior.[:en]Two misconceptions about Christmas are that it is only the birth of Jesus, at least the historical Jesus must be admitted as a man who exists because there was a census when he was born, the second is what came and what will come, the advent is like that that (or that) that comes and will come.

Rereading the work Homo sapiens by Yuval Noah Harari presents a Darwinian evolutionary perspective showing how man imposed his life on the planet, contemplating three phases: the collector, the agricultural (and sedentary), the industrial and the modern phase of information intensive, and search align the structural elements that connect with the cultural order and its foundations.

In terms of its culture, the general beliefs shared in each phase, which he calls fictional myths, to which he attributes the indispensable social cohesion and the undertakings of each period.

Even though he is a Jew, who has a strong abramic eschatology, he refuses the existence of the soul, conscience and individuality, considering that science has not detected this, and that the remarkable achievements of contemporary science dispense with these existences.

His long and elaborate work which, in denying these metaphysical existential facts, takes the same path as the neologicists, of algorithms that would regulate even biological life, but consciousness is something so disconnected from intelligence and is that organisms are just algorithms.

The classic sense of the cosmos, explored since Plato, the energy required to trigger an algorithm of creation, the energy without which the very idea of ​​an algorithm cannot be sustained, is something that already pre-existed before the hominization of the cosmos (nature became himself) and what will be the future of this process about which Harari himself asks, without soul and awareness of this end.

These questions point to an eschatology, beginning and end, and we do not have a bet on a distant or near end if we do not have answers on a principle, the eschatological logic of Being.

Although Harari’s eschatology is not complete, there is no transcendence, he realizes that we are close to a very dangerous civilizing threshold, both in the human aspect and in the balance of nature, and that man will be able to accomplish this task alone without something superior.

 

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[:pt]Culturas originárias, redes e pós-colonialismo[:en]Native culture networks and post-colonialism[:]

23 nov

[:pt]As pesquisas arqueológicas e paleontológicas indicam que a África é o provável continente que surgiu a espécie humana, fósseis de hominídeos encontrados na África (por exemplo, na Tanzânia e no Quênia) indicam que a espécie primitiva habitou aquela região cerca de cinco milhões de anos atrás.

Porém. na literatura histórica, quando de fala de culturas originárias fala-se principalmente de culturas antigas como os maias no México, os Incas na região andina, os indígenas principalmente da região amazônica brasileira, na Colômbia a população é de quase dois milhões de habitantes, 4,4% que tem a Organização Indígena da Colômbia (ONIC), que estão se organizando em função da covid-19.

Na Amazônia, a comunidade indígena Sahu-Apé, está a somente 80 km de Manaus, e dados de organização (como a Terra Viva) dão conta que 65% da população indígena está na pobreza e 30% na pobreza extrema.

No Perú, um grande número de culturas originárias indígenas está retornando para as montanhas devido a escassez de alimentos e o medo da covid-19, muitas vezes apenas com a roupa do corpo, no Chile e na Bolívia a influência da cultura originária indígena é muito forte chegando a dominar a colonialista, no Perú 27% são quíchua, 3% aymara e mestiços 59,5%.

Assim estes povos formam redes de comunicação para preservação de sua cultura e autodefesa de seus valores culturais, e é preciso pensar num desenvolvimento sustentável que não os massacres como fez o colonialismo selvagem, não apenas com a violência, mas também com seus valores culturais.

As modernas redes eletrônicas, que são mídias de redes sociais, não eliminam nem se sobrepõe as redes culturais já existentes, é preciso não as ignorar e respeitar seus valores e cultura.

A questão do Ser envolve também a sociabilidade e o funcionamento em rede de culturas originárias, boa parte da cultura contemporânea em crise ignora ou tergiversam sobre os valores ontológicos que estão na raiz de muitos trabalhos em torno das culturas originárias, é preciso um pensamento pós-colonial que não veja o processo civilizatório apenas do ponto de vista eurocêntrico e colonial.

Dei uma entrevista alguns anos atrás abordando a questão das redes e ontologias em culturas originárias na rádio USP, o programa estará no ar hoje as 13 h (hora de Brasília, 16h horário de Londres e 10h horário de Nova York), o link para acesso online é: www.radio.usp.br/?page_id=5404 , ou na frequencia 93.7 MHz.[:en]Archaeological and paleontological research indicates that Africa is the probable continent that gave rise to the human species, fossils of hominids found in Africa (for example, in Tanzania and Kenya) indicate that the primitive species inhabited that region about five million years ago .

However. in historical literature, when speaking of originating cultures, there is talk mainly of ancient cultures such as the Maya in Mexico, the Incas in the Andean region, the indigenous people mainly from the Brazilian Amazon region, in Colombia the population is almost two million inhabitants, 4 , 4% that has the Indigenous Organization of Colombia (ONIC), which are organizing according to covid-19.

In the Amazon, the Sahu-Apé indigenous community is only 80 km from Manaus, and organizational data (such as Terra Viva) show that 65% of the indigenous population is in poverty and 30% in extreme poverty.

In Peru, a large number of indigenous cultures are returning to the mountains due to food scarcity and fear of covid-19, often only with the clothes of the body, in Chile and Bolivia the influence of indigenous culture is very strong to dominate the colonial.

Thus, these peoples form communication networks for the preservation of their culture and the self-defense of their cultural values, and it is necessary to think about sustainable development, not massacres, as savage colonialism did, not only with violence, but also with their cultural values.

Modern electronic networks, which are social media, do not eliminate or overlap existing cultural networks, it is necessary not to ignore them and respect their values ​​and culture.

The question of Being also involves the sociability and networking of native cultures, a good part of contemporary culture in crisis ignores or quibbles about the ontological values ​​that are at the root of many works around native cultures, it is necessary to think post- colonial that does not see the civilizing process only from the Eurocentric and colonial point of view.

See my interview in USP Radio, University of São Paulo, at 10 h (in New York) at link: www.radio.usp.br/?page_id=5404 .

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[:pt]Bem aventurança e beatitude[:en]Bliss and beatitude[:]

27 out

[:pt]Embora o termo esteja associado a santidade cristã, e é também um dos seus aspectos, o termo na antiguidade clássica tinha um significado mais genérico, um estado permanente de perfeita satisfação e plenitude que somente um sábio podia alcançar, assim pensava Aristóteles, mas hoje está condicionado somente ao sentido religioso, pretende-se aqui mostrar que podem estar mais próximos do que se pensa.

O significado religioso é também o da felicidade, mas no sentido de gáudio de prazer equilibrado da alma, que só pode alcançar quem desfruta da presença de Deus, que sua plenitude poderá ser atingida somente na vida eterna, mas não significa descartar a vida terrena, “eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10:10), assim proclama o evangelista, mas o que há de diferentes entre as duas propostas de felicidade.

Aristóteles no livro Das Causas vai dizer que o fim da beatitude é relativo ao desejo da mesma, assim a natureza última deste fim move-se principalmente pelo desejo e este é o prazer, tanto que absorve a vontade e a razão do homem a ponto de fazer desprezar outros bens.

Tanto Boécio, que a igreja também o beatificou (isto é o proclamou feliz, beato e santo), e Aristóteles trataram do tema, e a pergunta deles é o que se o prazer é mesmo o fim último da felicidade, da beatitude e que também Tomás de Aquino vai argumentar ao contrário.

O que diz Boécio é que são tristes as consequências dos prazeres, sabem-no todos os que querem lembrar-se das suas sensualidades, pois, se estas pudesse os fazer felizes, nenhuma razão haveria para que também os brutos não fossem considerados tais, e isto lembra muito os casos atuais de abusos e violências reprováveis.

Para Boécio: “A bem-aventurança é o estado perfeito da junção de todos os bens”, e assim parece que pelo dinheiro poderão se adquirir todas as coisas, porque o Filósofo, no livro V da Ética, afirma que o dinheiro se inventou para ser a fiança de tudo aquilo que o homem quisesse possuir, o que hoje pode ser traduzido como o dinheiro compra tudo.

Além disto diz também Boécio: “Mais brilham as riquezas quando são distribuídas do que quando conservadas. Por isso, a avareza torna os homens odiosos, a generosidade os torna ilustres”, e assim não se condena a riqueza, mas a sua má distribuição.

Na representação acima o quadro “O violinista alegre com um copo de vinho” (1624) de Gerard van Honthorst (1590-1656).[:en]Although the term is associated with Christian holiness, and is also one of its aspects, the term in classical antiquity had a more generic meaning, a permanent state of perfect satisfaction and fullness that only a wise man could achieve, so thought Aristotle, but today it is conditioned only to the religious sense, it is intended here to show that they can be closer than we think.

The religious meaning is also that of happiness, but in the sense of joy of balanced pleasure of the soul, which can only reach those who enjoy the presence of God, that its fullness can be achieved only in eternal life, but does not mean discarding earthly life, “I have come that everyone may have life, and life in abundance” (John 10:10), so proclaims the evangelist, but what is different between the two proposals for happiness.

Aristotle in the book “Of the causes” will say that the end of beatitude is relative to its desire, so the ultimate nature of this end moves mainly by desire and this is pleasure, so much so that it absorbs man’s will and reason to the point of make other goods despise.

Both Boethius, that the church also beatified him (that is, he proclaimed him happy, blessed and holy), and Aristotle dealt with the theme, and their question is what if pleasure is really the ultimate end of happiness, of beatitude and that it also Tomás de Aquino will argue the contrary.

What Boethius says is that the consequences of pleasures are sad, all those who want to remember their sensualities know it, because, if these could make them happy, there would be no reason why the brutes too would not be considered such, and this is very reminiscent of current cases of abuse and objectionable violence.

For Boethius: “The beatitude is the perfect state of the union of all goods”, and so it seems that through money you can acquire all things, because the Philosopher, in book V of Ethics, says that money was invented for to be the guarantor of everything that man wanted to possess, which today can be translated as money buys everything.

In addition, Boethius also says: “Riches shine more when they are distributed than when they are conserved. For this reason, greed makes men hateful, generosity makes them illustrious ”, and so wealth is not condemned, but its bad distribution.

In the representation above the painting “The cheerful violinist with a glass of wine” (1624) by Gerard van Honthorst (1590-1656).

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[:pt]O amor em Santo Agostinho[:en]Love in Saint Augustine[:]

20 out

[:pt]Esta foi a tese de doutorado de Hannah Arendt com influências diretas de Edmund Husserl, Martin Heidegger, inicialmente seu orientador, que depois passou a orientação a Karl Jaspers devido seu envolvimento pessoal com Arendt, assim é necessária alguma compreensão da fenomenologia e da ontologia existencial.

Terminamos a semana passada fazendo uma reflexão sobre a política e religião justamente a partir da compilação das Obras Póstumas da própria Arendt, e o que desejamos apontar é a possibilidade de uma civilização fundada nos princípios do Amor, no sentido da caridade (virtude teologal) e como Agostinho a via.

Longe de ser uma apologia dessa forma elevada de Amor, ela vê contradições e vai desenvolver a questão do amor a Deus, amor ao próximo e a si mesmo, e usa a fenomenologia para aprofundar este tema, mas é uma conclusão apressada dizer que a fenomenologia se opõe ou mesmo favorece estes sentimentos, que em si, são sim contraditórios, por exemplo, o amor ao próximo e a si mesmo tem nuances diferentes para a grande maioria das pessoas.

Sua conclusão é que não é possível forma uma sociedade humana fundamentada apenas no amor caritas (lembrando sempre que trata-se de uma virtude teológica e não de simples generosidade) e o ponto central é analisar Agostinho apenas do ponto de vista filosófico, já que Arendt não tinha interesse nos aspectos teológicos.

Arendt por dividir sua dissertação em três partes se deve a uma vontade de fazer justiça a pensamentos e teorias agostinianas que correm em paralelo. Assim cada parte “servirá para mostrar três contextos conceituais nos quais o problema do amor tem papel decisivo” (esta citação é tirada de uma tradução para o inglês que a própria Hannah Arendt trabalho e tem diferenças com a portuguesa).

A primeira parte Arendt vai analisar “O que eu amo, quando amo o meu Deus?” (Confissões X, 7, 11 apud Arendt p. 25), na segunda parte discute a relação entre a criatura e o criador, ela intitula o capítulo “Criatura e Criador: o passado rememorado”, e na terceira parte discute

Na primeira parte a autora descobre que Deus é a quintessência de seu eu interior, Deus é a essência de sua existência, e ao encontrar Deus em si o homem acha aquilo que lhe faltava: sua essência eterna. Aqui, o amor por Deus pode se relacionar com o amor próprio, pois o homem pode amar a si mesmo da maneira correta amando sua própria essência.

No final segunda parte vai discutir a relação com o próximo, como deve amá-lo como criação de Deus: “ […] o homem ama o mundo como criação de Deus; no mundo a criatura ama o mundo tal como Deus ama. Esta é a realização de uma autonegação em que todo mundo, incluindo você mesmo, simultaneamente recupera sua importância dada por Deus. Esta realização é o amor ao próximo.”

Na terceira parte da dissertação, intitulada “Vida Social”, que Arendt dedica ao que ela chama de “caritas social”13, a relevância do vizinho, e o amor ao próximo ganham nova justificativa, vai discutir o princípio adâmico do pecado e vai dizer que este é o princípio que nos ligará a Cristo, que vem para nos redimir deste pecado.

Aqui aparece a contradição com Agostinho: “É porque todos os homens compartilham este passado que eles devem se amar: “a razão pela qual se deve amar ao seu próximo é porque seu próximo é fundamentalmente seu igual e ambos compartilham o mesmo passado pecador”, assim não é o fundamento do Amor, mas do pecado que nos torna iguais aos outros próximos.”

Por escolha o homem deve renegar o mundo e fundar uma nova sociedade em Cristo. “Essa defesa é a fundação da nova cidade, a cidade de Deus. […] Essa nova vida social, que é baseada em Cristo, é definida pelo amor mútuo (diligire invicem)”, há uma obra de Agostinho dedicada a isto: “cidade de Deus”, e a tese que é somente filosófica assim concentra-se apenas na relação mundana (ou humana, como queiram), não vê o homem como tendo uma origem divina e feito para o Amor.

Para Arent o que nos torna irmãos e eu posso amá-los em caritas, no amor verdadeiro, e isto é expresso em Agostinho, segundo Arendt, concilia o isolamento gerado pelo mandamento de amar a Deus com o mandamento que diz para amar ao próximo, encerrando a dissertação.

Segundo Kurt Blumenfeld, amigo de Arendt que teve grande importância em seu envolvimento com o judaísmo e a política, a resposta para a questão era o sionismo e um retorno à Palestina, mas a emigração para lá nunca foi parte dos planos de Arendt, buscava na vita socialis sua resposta sobre o Amor, não entendeu totalmente o caritas.

ARENDT, Hannah. O conceito de Amor em Santo Agostinho. Tese de doutorado 1929. Lisboa: Instituto Piaget, 1997. [:en]This was Hannah Arendt’s doctoral thesis with direct influences from Edmund Husserl, Martin Heidegger, initially his supervisor, who later passed the guidance to Karl Jaspers due to his personal involvement with Arendt, so some understanding of phenomenology and existential ontology is needed.

We ended last week with a reflection on politics and religion precisely from the compilation of Posthumous Works by Arendt herself, and what we want to point out is the possibility of a civilization based on the principles of Love, in the sense of charity (theological virtue) and as Augustine saw it.

Far from being an apology for this elevated form of Love, it sees contradictions and will develop the question of love for God, love for one’s neighbor and oneself, and uses phenomenology to deepen this theme, but it is a hasty conclusion to say that phenomenology opposes or even favors these feelings, which in themselves are rather contradictory, for example, love for one’s neighbor and oneself has different nuances for the vast majority of people.

His conclusion is that it is not possible to form a human society based only on charitable love (always remembering that it is a theological virtue and not simple generosity) and the central point is to analyze Augustine only from a philosophical point of view, since Arendt he had no interest in the theological aspects.

Arendt for dividing his dissertation into three parts is due to a desire to do justice to Augustinian thoughts and theories that run in parallel. Thus, each part “will serve to show three conceptual contexts in which the problem of love plays a decisive role” (this quote is taken from an English translation that Hannah Arendt herself works with and differs from Portuguese).

The first part Arendt will analyze “What do I love, when I love my God?” (Confessions X, 7, 11 apud Arendt p. 25), in the second part she discusses the relationship between the creature and the creator, she titled the chapter “Creature and Creator: the remembered past”, and in the third part she discusses social charity.

In the first part, the author discovers that God is the quintessence of his inner self, God is the essence of his existence, and when he finds God in himself, man finds what he lacked: his eternal essence. Here, love for God can relate to self-love, for man can love himself in the right way by loving his own essence.

In the end, the second part will discuss the relationship with others, how to love them as God’s creation: “[…] man loves the world as God’s creation; in the world the creature loves the world as God loves. This is the realization of a self-denial in which everyone, including yourself, simultaneously regains its God-given importance. This achievement is love of neighbor. ”

In the third part of the dissertation, entitled “Social Life”, which Arendt dedicates to what she calls “social caritas”, the relevance of the neighbor, and the love for neighbor gain new justification, will discuss the adamic principle of sin and will say that this is the principle that will link us to Christ, who comes to redeem us from this sin.

Here the contradiction with Augustine appears: “It is because all men share this past that they must love each other:“ the reason why one must love one’s neighbor is because their neighbor is fundamentally their equal and both share the same sinful past ”, so it is not the foundation of Love, but of sin that makes us equal to others nearby. ”

By choice, man must deny the world and found a new society in Christ. “This defense is the foundation of the new city, the city of God. […] This new social life, which is based on Christ, is defined by mutual love (diligire invicem) ”, there is a work by Augustine dedicated to this:“ city of God ”, and the thesis that is only so philosophical it focuses only on the mundane (or human, as you wish) relationship, it does not see man as having a divine origin and made for Love.

For Arendt what makes us brothers and I can love them in caritas, in true love, and this is expressed in Augustine, according to Arendt, reconciles the isolation generated by the commandment to love God with the commandment that says to love your neighbor, ending the dissertation.

According to Kurt Blumenfeld, a friend of Arendt who had great importance in his involvement with Judaism and politics, the answer to the question was Zionism and a return to Palestine, but emigration there was never part of Arendt’s plans. vita socialis your answer about Love, did not understand caritas.

Arendt, Hannah. (1929) On the concept of love in the thought of Saint Augustine: Attempt at a philosophical interpretation(PDF) (Doctoral thesis, Department of Philosophy, University of Heidelberg) (in German). Berlin: Springer. [:]

 

[:pt]A festa e os convidados[:en]The party and the guests[:]

09 out

[:pt]A festa de Babette é uma alegoria a uma festa divina, e a misteriosa cozinheira que humildemente vai trabalhar durante muito tempo em uma casa até poder anunciar e realizar a festa, os convidados apesar de desconfiados aceitam e sentem suas vidas renovadas.

O que vivemos em tempos de pandemia é a ausência da festa, mas a verdadeira festa para a qual todos fomos convidados a da fraternidade para todos e de um maior equilíbrio na distribuição de rendas, no tratamento das diversas culturas e do respeito a dignidade humana está longe de ser uma festa.

Quem foram os convidados, primeiramente aqueles que dizem ter estes princípios e que nem sempre são os praticados, ou seja, participam mais das festas das riquezas, do poder e de suas benesses do que promovem a festa que todos poderiam participar.

A pandemia deveria ser uma tomada de consciência, privados da festa, deveríamos pensar naqueles que sempre foram privados, e não procurar promover mesmo na pandemia nossa festa particular onde os amigos participam.

A parábola bíblica (Mt 22, 1-14) da festa de casamento na qual um rei chama os convidados e eles dão desculpas para não comparecerem, é uma boa explicação para o que acontece aos que foram convidados e não foram e aos excluídos que são chamados para a festa e eles vão, é diríamos uma última tomada de consciência.

Os convidados, diríamos em termos bíblicos os eleitos, não foram, então o rei manda seus empregados irem as praças, as encruzilhadas dos caminhos e chamarem a quantos encontrarem para a festa, porém na festa nota ainda alguém que não está com trajes adequados (na foto gravura de Jan Luyken).

A alegoria bíblica é para dizer que também entre os não convidados há aqueles que também não são dignos de participar da divina festa.[:en]Babette’s party is an allegory to a divine party, and the mysterious cook who humbly works for a long time in a house until she can announce and hold the party, although suspicious guests accept and feel their lives renewed.

What we live in pandemic times is the absence of the party, but the real party to which we have all been invited is that of fraternity for all and a greater balance in the distribution of incomes, in the treatment of different cultures and respect for human dignity. far from being a party.

Who were the guests, primarily those who claim to have these principles and who are not always practiced, that is, they participate more in the parties of wealth, power and their benefits than promote the party that everyone could participate.

The pandemic should be an awareness, deprived of the party, we should think about those who have always been deprived, and not try to promote even in the pandemic our private party where friends participate.

The biblical parable (Mt, 22,1-14) of the wedding feast in which a king calls the guests and they make excuses for not attending, is a good explanation for what happens to those who were invited and who were not and the excluded who are called to the party and they go, we would say one last awareness.

The guests, we would say in biblical terms the elect, were not, so the king sends his servants to go to the squares, at the crossroads of the paths and call as many as they find for the party, but at the party he still notices someone who is not wearing the right clothes (picture is engraved of Jan Luyken).

The biblical allegory is to say that among those who are not invited there are also those who are not worthy to participate in the divine feast[:]

 

[:pt]A festa de Babette[:en]Babette’s feast[:]

08 out

[:pt]A festa de Babette, é um dos contos mais célebres de Karen Blixen (1885 –1962), narra a história de duas senhoras puritanas, filhas de um pastor protestante, que vivem uma vida muito opressiva até que o pai morre, o conto ficou famoso depois de ser filmado pelo diretor dinamarquês, sendo o primeiro filme de Blixen a ser filmado pelo Danish Film Institute, e o primeiro a ganhar um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O roteiro foi adaptado por Just Betzer, Bo Christensen e Benni Korzen, nele Filippa (Bodil Kjer) e Martine (Birgitte Federspiel) são filhas do rigoroso pastor luterano, que após sua morte, surge no vilarejo Babette (Stéphane Audran), uma parisiense que se oferece para ser a cozinheira e faxineira da família.

Muitos anos depois de trabalhar na casa, ela recebe a notícia que ganhou um grande prêmio na loteria e se oferece para preparar um jantar francês de gala em comemoração ao centésimo aniversário do pastor, os paroquianos inicialmente temerosos, aceitam o banquete de Babette.

O simbolismo do filme é forte, os tons de azul ligeiramente contrastados, estão na fronteira entre o céu e a terra é quase imperceptível, em meio a paisagem cinzenta da Dinamarca, uma primeira imagem prenuncia uma comunhão diferente num lugar entre coisas terrenas e celestes.

Outro aspecto da simbologia é o peixe, muito influente no cristianismo primitivo, porém é a mesa que foi capaz de re-ligar aquelas pessoas com um verdadeiro eu, e despertar-lhes novamente um sentido pela vida que há algum tempo tinham perdido.

A dança dos participantes ao redor do povo (foto), também uma simbologia religiosa, é um ponto alto desta retomada de sentido da vida daquelas pessoas.

O que a arte de Babette, a comida feita com amor e arte fez, foi criar na mesa uma “espécie de envolvimento amoroso”, mas “num envolvimento amoroso daquela categoria nobre e romântica na qual a pessoa não mais distingue entre o apetite ou a saciedade, corporal e espiritual!”, assim como descreve a própria autora da peça original, Blixen exprime assim o mais profundo de sua expressão neste conto.[:en]Babette´s feast is one of Karen Blixen’s most celebrated tales (1885–1962), tells the story of two puritanical ladies, daughters of a Protestant pastor, who live a very oppressive life until her father dies, the tale became famous after being filmed by the Danish director, being the first Blixen film to be filmed by the Danish Film Institute , and the first to win an Academy Award for Best Foreign Language Film.

The script was adapted by Just Betzer, Bo Christensen and Benni Korzen, in it Filippa (Bodil Kjer) and Martine (Birgitte Federspiel) are daughters of the strict Lutheran shepherd, who after his death, appears in the village Babette (Stéphane Audran), a Parisian who offers to be the cook and cleaning lady of the family.

Many years after working in the house, she receives the news that she won a big lottery prize and offers to prepare a French gala dinner in celebration of the pastor’s 100th birthday, the parishioners initially fearful, accept babette’s banquet.

The symbolism of the film is strong, the shades of blue slightly contrasted, are on the border between heaven and earth is almost imperceptible, amid the gray landscape of Denmark, a first image foreshadows a different communion in a place between earthly and heavenly things.

Another aspect of symbology is the fish, very influential in early Christianity, but it is the table that was able to re-connect those people with a true self, and awaken them again a sense for the life they had lost some time ago.

The dance of the participants around the people (photo), also a religious symbology, is a high point of this resumption of meaning of the lives of those people.

What Babette’s art, the food made with love and art, was to create on the table a “kind of loving involvement”, but “in a loving involvement of that noble and romantic category in which the person no longer distinguishes between appetite or satiety, bodily and spiritual!”, as the author of the original play herself describes, Blixen thus expresses the deepest of his expression in this tale.

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[:pt]Eça de Queirós e a mesa[:en]Eça de Queirós and the eating table[:]

06 out

[:pt]Estando em Portugal em 2018, e sendo a Uab (Universidade Aberta) muito próxima a Confeitaria Cister, onde Eça de Queiroz frequentava, há inclusive um desenho do canto que ele gostava de ficar e ali escrever (foto), lembro da mesa portuguesa lembrando deste canto de Lisboa, e os escritos de Eça sobre a mesa de refeição.

Um dos textos mais comuns sobre o tema é um artigo conhecido como “cozinha Arqueológica”, publicado em 1893, na Gazeta de Notícias, de Lisboa, Portugal. Nele Eça afirmou: “a mesa constituiu sempre um dos fortes, se não o mais forte alicerce das sociedades humanas” e ainda “o caráter de uma raça pode ser deduzido simplesmente de seu método de assar a carne” (III, p. 1226)

Eça antecipou as reflexões de historiadores como Jean François-Revel (1996) e Massimo Montanari (2004), para quem os valores do sistema alimentar são resultado da representação dos processos culturais e as relações se desenvolvem de acordo com critérios econômicos, nutricionais e simbólicos.

O autor não apenas propôs observações da cozinha nas sociedades clássicas, como também considerou que a gastronomia possui um arqué, um elemento básico das representações da sociedade portuguesa, o que foi notado por vários de seus leitores e críticos, a comida despertou, por exemplo, a atenção de Machado de Assis já em 1878.

A moda brasileira, Machado de Assis viu aí em Eça uma fartura desnecessária, o argumento sobre este tipo de excesso se contrapõe o da coerência gastronômica que se constitui ao longo da obra, a comida está relacionada ao próprio excesso deste escola literária, se Eça não tivesse continuado a ser cuidadoso com este tema, o cuidado deveria aumentar tanto em quantidade como em qualidade nas obras e versões seguintes, reforçando por exemplo que o autor de “Os Maias” pode ter encontrado na cozinha os elementos fundamentais de seu projeto de representar Portugal através de seus traços mais característicos.

O certo é que a mesa se expande aos valores culturais e sociais, assim como os tempos, as épocas de desenvolvimento das sociedades e até das escolas literárias as refletem.

ASSIS, Machado. Eça de Queirós: O Primo Basílio. In: Obra Completa. V. III. Rio de Janeiro: Aguillar, 1997.[:en]Being in Portugal in 2018, and the Uab (Universidade Aberta) being very close to Confeitaria Cister, where Eça de Queiroz attended, there is even a drawing of the song he liked to stay and write there (photo), I remember the Portuguese table remembering this corner of Lisbon, and Eça’s writings on the dining table.

One of the most common texts on the subject is an article known as “Archaeological cuisine”, published in 1893, in Gazeta de Notícias, Lisbon, Portugal. In it Eça stated: “the table has always been one of the strongest, if not the strongest foundation of human societies” and also “the character of a race can be deduced simply from its method of roasting the meat” (III, p. 1226)

Eça anticipated the reflections of historians such as Jean François-Revel (1996) and Massimo Montanari (2004), for whom the values ​​of the food system are the result of the representation of cultural processes and relationships develop according to economic, nutritional and symbolic criteria.

The author not only proposed observations of cuisine in classical societies, but also considered that gastronomy has an arché, a basic element of the representations of Portuguese society, which was noticed by several of its readers and critics, the food awoke, for example, Machado de Assis’s attention as early as 1878.

The Brazilian fashion, Machado de Assis saw there in Eça an unnecessary abundance, the argument about this type of excess is opposed to the gastronomic coherence that is constituted throughout the work, the food is related to the excess of this literary school, if Eça had not continued to be careful with this theme, care should increase both in quantity and in quality in the following works and versions, reinforcing for example that the author of “Os Maias” may have found in the kitchen the fundamental elements of his project of represent Portugal through its most characteristic features.

What is certain is that the table expands to cultural and social values, as well as literary schools,  the times of development of societies and cultures reflect them.

ASSIS, Machado. Eça de Queirós: O Primo Basílio. In: Obra Completa. V. III. Rio de Janeiro: Aguillar, 1997.[:]

 

[:pt]O banquete de Platão[:en]Plato’s banquet[:]

06 out

[:pt]Nos banquetes, as mesas e o compartilhamento de alimento se celebram muitas coisas, inclusive o diálogo sobre temas essenciais.

Ocorrido por volta de 380 a.C. é um diálogo, e há alguns que preferem a tradução do grego como Simpósio (no grego antigo sympotein significa “beber junto), e o tema central é o Amor, entre o eros e o ágape, e o personagem central como na maioria dos seus diálogos é Sócrates.

Também estão no diálogo Aristófanes e Ágaton (ou Agatão), na casa dele ocorrera um banquete anterior em comemoração ao prêmio literário que ele havia ganhado, neste banquete Sócrates e outros participantes discursaram sobre o “amor”, estavam nele Apolodoro e Glaucon, Aristodemo e o próprio Ágaton.

Glaucon considera Apolodoro como doido porque despreza o material, Ágaton significa “bom” em grego, coisas boas e o amor levam à prática do bem e do belo, e se soubéssemos a prática do amor o bem que faz, os homens fariam um exército de amantes, lembrando o exército de banos, cuja frente estava Pelópidas e Epaminondas em 371 a.C.

O discurso de Fedro é que o amor cultuado pelos homens revela-os mais virtuosos e felizes durante a vida e após a morte, mas é na cosmogonia que os discursos vão se contrapor, enquanto Fedro vê a origem de Eros como um deus muito antigo, sem menção de progenitores, teve seu nascimento junto a Geia (terra) após o Caos.

Pausânias o segundo a discursar, contrariando Fedro, existem vários Eros, era filho de Afrodite, e duas Afrodites, uma filha de Urano e outra de Zeus, a de Zeus gera um eros vulgar e a de Urano um Eros celeste.

Eriximaco aprova a distinção de Pausânias sobre a duplicidade do Amor e, universalista, o amplia a todo cosmo: “grande e admirável, e a tudo se estende  ele, tanto na ordem das coisas humanas como entre as divinas”, sendo médico afirma que o amor e a concórdia provem a harmonia, combinando opostos (o sadio e o mórbido) que se estendo por todo universo: “deve-se conservar um e outro amor …”.

Aristófanes insistirá no poder que o amor possui sobre a natureza histórica, com o uso do mito dos andróginos, legimitima a homoafetividade e a desenfreada busca pelo que hoje chamamos de “almas gêmeas”, que é uma busca pelo perfeccionismo e de certa forma pelo narcisismo.

Sócrates elogia o fato de Ágaton ter principiado a mostrar a natureza e quais são as obras do Amor, mas depois segue seu clássico método da Pergunta: “é de tal natureza o Amor que é Amor de algo ou de nada?”, Ágaton confirma que o Amor é Amor de algo. De qual “algo” é o Amor e segue com a indagação: “Será que o Amor, aquilo de que é amor, ele o deseja ou não ?” e segue o banquete a moda dos clássicos gregos.

O banquete, a mesa a qual todos sentam é o importante deste diálogo, parece tão clássico e tão presente, mas acrescentaríamos uma questão e Francisco de Assis, lembrado estes dias, afirmava ele com convicção: “O Amor não é amado”, assim antes de ser instrumento como afirma Agaton é ele próprio algo a ser usado como instrumento, em momento de tanta dor na humanidade, ou então a maneira socrática perguntar: “É o Amor amado ?”.

Platão, O Banquete, ou, Do Amor – trad. José Cavalcante de Souza, Rio de Janeiro: DIFEL, 2008.[:en]At banquets, tables and food sharing celebrate many things, including dialogue on essential topics.

Occurring around 380 BC it is a dialogue, and there are some who prefer the translation of Greek as Symposium (in ancient Greek sympotein means “to drink together”), and the central theme is Love, between eros and agape, and the central character as in most of his dialogues are Socrates.

Also in the dialogue Aristophanes and Ágaton (or Agatão), in his house there had been a previous banquet in celebration of the literary prize he had won, in this banquet Socrates and other participants spoke about “love”, Apolodoro and Glaucon, Aristodemo and Agaton himself.

Glaucon considers Apolodoro as crazy because he despises the material, Ágaton means “good” in Greek, good things and love lead to the practice of good and beautiful, and if we knew the practice of love the good it does, men would make an army of lovers, reminiscent of the army of banos, whose front was Pelopidas and Epaminondas in 371 BC

Phaedrus’ speech is that the love worshiped by men reveals them to be more virtuous and happier during life and after death, but it is in cosmogony that the speeches will oppose, while Phaedrus sees the origin of Eros as a very ancient god, without mention of parents, he was born next to Geia (land) after Chaos.

Pausanias the second to speak, contrary to Phaedrus, there are several Eros, he was the son of Aphrodite, and two Aphrodites, a daughter of Uranus and another of Zeus, that of Zeus generates vulgar eros and that of Uranus a heavenly Eros.

Eriximaco approves the distinction of Pausânias on the duplicity of Love and, universalist, extends it to every cosmos: “great and admirable, and it extends to everything, both in the order of human and divine things”, being a doctor says that the love and concord provide harmony, combining opposites (the healthy and the morbid) that extend throughout the universe: “one must keep one love and the other…”.

Aristophanes will insist on the power that love has over historical nature, using the myth of the androgens, legitimizing homo-affection and the unbridled search for what we now call “soul mates”, which is a search for perfectionism and in a way narcissism . Socrates praises the fact that Agaton began to show nature and what are the works of Love, but then follows his classic Question method: “Is Love such that it is Love of something or nothing?”, Ágaton confirms that Love is Love of something. Which “something” is Love from and continues with the question: “Does Love, what it is love, does it want it or not?” and the banquet follows the fashion of the Greek classics.

The banquet, the table at which everyone sits is the important part of this dialogue, seems so classic and so present, but we would add a question and Francisco de Assis, remembered these days, he said with conviction: “Love is not loved”, so before to be an instrument as stated by Agaton is itself something to be used as an instrument, at a time of so much pain in humanity, or else the Socratic way of asking: “Is Love loved?”

Plato, (2003). The Symposium, trans. by Christopher Gill. London: Penguin.

 

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[:pt]Depois da chuva e a pandemia[:en]Ame Agaru and pandemic[:]

19 ago

[:pt]O filme de um assistente de Akira Kurosawa, Tadashi Koizumi, tem este nome “Depois da chuva” (Ame Agaru, 1999) era um roteiro de Kurosawa que Tadashi herdou, o primeiro ponto que pode-se destacar neste filme é a relação homem/natureza que limita a ação humana e ficam presos no meio de um caminho esperando a chuva passar, como muitos outros tem também um samurai, mas ele vai ter ali que realizar uma tarefa que não é muito digna de um samurai, arrumar dinheiro para as pessoas que ficam ali poderem comer, esta é minha analogia com a pandemia, ali do tempo em que todos ficam presos na casa, analogia que faço com o isolamento social.

O protagonista do filme é um personagem do tipo “jidai-geki” (os filme que tem inspiração na história do Japão), poderia ser também um filme sobre o “outono de um samurai”, há outro filme de roteiro feito por herdeiros de Kurosawa chamado “Rapsódia em Agosto” (1991), neste o diretor foi Kiyoko Mura.

Esta cosmovisão de não conceber o homem separado da natureza, em tempos que a ecologia era ainda tema marginal, agora com a redescoberta da natureza temos uma interessante analogia a ser feita, a natureza nos limitou atrás de um vírus, e ontem assistimos picos de temperaturas baixas no sul do continente americano, as temperaturas tem ficado 20ºC abaixo de zero em Rio Grande (Terra do fogo), de acordo com os dados do Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina.

Já nos EUA onde é verão, o recorde de temperatura alta foi no “vale da morte”, 54,4ºC um recorde muito próximo da maior temperatura já registrada na região que foi de 56,9ºC em 1913, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) americano, a natureza dá seus sinais de reação a ação ecológica pandêmica de séculos.

Voltando a chuva no meio de uma mata por onde passam pessoas pobres, num certo momento o samurai se vê na condição de ajudar aquelas pessoas devido o longo período que estão isolados, e ao sair depara-se com um assassino que o samurai vai impedir um duelo que poderia terminar em morte, e por isto o senhor feudal dono daquelas terras decide emprega-lo como mestre espadachim, resta um escrúpulo que é aceitar dinheiro, o que é desonroso para o samurai.

O Samurai decide fazê-lo por um fim nobre que é ter alimento para aqueles pessoas que estão retiradas ali quase todas pobres por estarem fazendo aquele caminho pelo meio da mata, quando foram impedidos de prosseguir pela chuva.

Se a mensagem naquele tempo foi pouca apreciada, hoje com a situação econômica que teremos depois da pandemia, a mensagem é nobre e social.

Abaixo um link para ver o filme:

https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=1mR0KV-c9EY[:en]The film by an assistant to Akira Kurosawa, Tadashi Koizumi, has this name “After the rain” (Ame Agaru, 1999) was a script by Kurosawa that Tadashi inherited, the first point that can be highlighted in this film is the relationship between man / nature that limits human action and they are stuck in the middle of a path waiting for the rain to pass, like many others also have a samurai.

But he will have to perform a task that is not very worthy of a samurai, to get money for people who stay there can eat, this is my analogy with the pandemic, from the time when everyone is trapped in the house, an analogy I make with social isolation.

The protagonist of the film is a character of the type “jidai-geki” (the films that are inspired by the history of Japan), it could also be a film about the “autumn of a samurai”, there is another script film made by Kurosawa’s heirs called “Rhapsody in August” (1991), in this the director was Kiyoko Mura.

This worldview of not conceiving man apart from nature, in times when ecology was still a marginal topic, now with the rediscovery of nature we have an interesting analogy to be made, nature limited us behind a virus, and yesterday we saw temperature spikes low in the south of the American continent, temperatures have been 20ºC below zero in Rio Grande (Tierra del Fuego), according to data from the National Meteorological Service (SMN) of Argentina.

In the USA where it is summer, the high temperature record was in the “death valley”, 54.4ºC a record very close to the highest temperature ever recorded in the region, which was 56.9ºC in 1913, according to the National Meteorological Service ( American NWS), nature shows its signs of reaction to the pandemic ecological action of centuries.

Returning the rain in the middle of a forest where poor people pass, at a certain moment the samurai finds himself in the condition of helping those people due to the long period they are isolated, and when he leaves he is faced with a murderer that the samurai will prevent a a duel that could end in death, and for this reason the feudal lord who owns those lands decides to employ him as a swordsman, there remains a qualm that is to accept money, which is dishonorable for the samurai.

The Samurai decides to do it for a noble purpose, which is to have food for those people who are retired there, almost all of them poor because they were making that way through the forest, when they were prevented from proceeding by the rain.

If the message at that time was little appreciated, today with the economic situation that we will have after the pandemic, the message is noble and social.

Below a link to see the film:

https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=1mR0KV-c9EY

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[:pt]A mãe do Senhor e a tragédia grega[:en]The Lady of God and Greek tragedy[:]

14 ago

[:pt]A tragédia grega Édipo Rei foi analisada pelo poeta Hölderlin, onde usa o termo aórgico para a busca que Édipo faz para saber que é, uma vez que fora doado a um pastor pelo pai Laio para cria-lo, para evitar a tragédia prevista pelo oráculo de Delfos, e para completar a tragédia Édipo acaba por desposar a própria mãe.

O termo aórgico aqui é usado para entender a corrupção da natureza humana, e pode ter um sentido novo a cada nova tragédia humana, é o sentido de Hölderlin ao dizer que “onde há medo há salvação”, devemos temer não só a pandemia que já é um desastre, mas o que pode vir de desumano e aórgico após esta tragédia.

Não faltam apocalípticos, no entanto o interessante seria pensar o além da tragédia e inverter o papel de Jocasta para uma mãe que defende e quer seus filhos são e salvos, e assim numa reinvenção humana olhássemos não para Eva da criação humana, mas para Maria que deu à luz ao divino filho.

Não é só o preconceito religioso que desvia deste sentido profundo da fecundidade e da maternidade humana, é a relevância do papel da mulher ao segundo plano, a a análise de Hölderlin envolve os paradoxos que comumente constituem o trágico, como o humano e o divino, e a tarefa poética da modernidade como uma tarefa possível para toda e qualquer poesia, assim seu plano cultural não pode eliminar o trágico, mas deve também incluir o divino.

É esta misoginia do humano ao divino que nega todo e qualquer papel da mulher, Maria deveria ser tema apenas religioso, mas também o divino ligado ao trágico, a Pietá ainda que lembrada e revisitada por tantos autores, esconde o papel da mãe desolada diante do filho desfalecido, também Salvador Dali em seu quadro Christus Hypercubus coloca uma figura feminina ao pés do quadridimensional Christus, inspirada em sua esposa.

Aos cristão ignora-se a passagem bíblica do evangelista Lucas (Lc 1,43): “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar “, e o Senhor neste caso não é apenas o filho divino-humano que nascerá de Maria, mas também o Deus Senhor de Maria e Isabel, que diz isto “cheia do Espírito Santo” (Lc 1,41), assim a relação é trinitária e aórgica, afinal o acontecimento natalino está envolto do mistério das leis do universo que sobre ela agiram.

Em meio a pandemia seria extraordinário se a mesma mãe da Pietá estive com a humanidade em seu colo (matris in gremio) e pudesse numa inspiração trágica e divina socorrer a humanidade que desfalece e vê um futuro cada vez mais sombrio a frente, os mistério de Medjugorje e Garabandal (aparições misteriosas) podem não ser apenas fantasias de crianças (hoje todos adultos), mas a própria revelação divina sobre o trágico humano, quem dera seja verdade, onde há medo, há salvação.[:en]The Greek tragedy Oedipus Rei was analyzed by the poet Hölderlin, where he uses the term aorgic for the search that Oedipus does to know that it is, since it was donated to a pastor by father Laius to raise him, to avoid the tragedy predicted by the oracle Delphi, and to complete the tragedy Oedipus ends up marrying his own mother.

The term aorgic here is used to understand the corruption of human nature, and it can have a new meaning with each new human tragedy, it is Hölderlin’s sense when saying that “where there is fear there is salvation”, we must fear not only the pandemic that has already it is a disaster, but what can come from inhuman and agonizing after this tragedy.

There is no lack of apocalyptics, however the interesting thing would be to think beyond the tragedy and invert the role of Jocasta for a mother who defends and wants her children safe and sound, and so in a human reinvention we would look not at Eve of human creation, but at Mary who gave birth to the divine son.

It is not only religious prejudice that deviates from this deep sense of human fertility and motherhood, it is the relevance of the role of women in the background, Hölderlin’s analysis involves the paradoxes that commonly constitute the tragic, such as the human and the divine, and the poetic task of modernity as a possible task for any and all poetry, so its cultural plan cannot eliminate the tragic, but must also include the divine.

It is this misogyny of the human to the divine that denies any and all roles of women, Mary should be only a religious theme, but also the divine linked to the tragic, Pietá although remembered and revisited by so many authors, hides the role of the desolate mother before the a faint son, also Salvador Dali in his painting Christus Hypercubus places a female figure at the foot of the four-dimensional Christus, inspired by his wife.

Christians are ignored by the biblical passage of the evangelist Luke (Lk 1,43): “How can I deserve that the mother of my Lord comes to visit me”, and the Lord in this case is not only the divine-human son who will be born of Mary , but also the Lord God of Mary and Isabella, who says this “full of the Holy Spirit” (Lk 1,41), so the relationship is Trinitarian and aorgic, after all the Christmas event is wrapped up in the mystery of the laws of the universe that over it acted.

In the midst of the pandemic it would be extraordinary if the same mother of Pietá was with humanity in her lap (Matris in gremio) and could, in a tragic and divine inspiration, help the humanity that faints and sees an increasingly darker future ahead, the mysteries of Medjugorje and Garabandal (mysterious appearances) may not only be children’s fantasies (today all adults), but the divine revelation about the human tragic, if only it is true, where there is fear, there is salvation.

 

 

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