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Arquivo para a ‘Noosfera’ Categoria

Pintura plana, palavra e pensamento

21 Nov
 O novo se constrói no diálogo com a tradição, não aquela que é fechada e ADamaDeRosaimpermeável, mas aquela que permite este diálogo pela grandeza de sua construção, que é o caso da pintura “plana” e sobre a qual pode-se construir o futuro da imagem, como pretende Jacques Rancière.
Esclarece Rancière: “a superfície reivindicada como meio (médium) próprio da pura pintura é, na verdade, outro meio (médium)” (Rancière, 2003), assim pode-se entender que mídia não é outra coisa senão médium, ou o que algumas áreas do conhecimento chamam de suporte, mas mídia ou médium são palavras mais atuais e remetem às “novas mídias”.
Sua crítica a Greenberg é porque seu formalismo “deseja fazer coincidir meio (médium) e material, o espiritualismo de Kandinsky, que faz dele um meio (milieu) espiritual, são duas maneiras de interpretar essa desfiguração. A pintura é plana à medida que as palavras mudam sua função de relação a ela.” (RANCIÉRE, 2003, pag. 88)
Rancière dará a ela uma ordem representativa, que conforme afirma servem de “modelo ou de norma”, é algo novo, pois se a palavra carece de subjetividade a pintura parece carecer de objetividade, ainda que esta separação seja idealista, ela existe e é quase uma norma na modernidade.
Desenvolve seu raciocínio: “como poemas, como história profana ou sagrada, elas desenhavam o arranjo que a composição do quadro devia traduzir.” (RANCIÉRE, idem)
Aqui se liga a palavra: “Jonathan Richardson recomendava ao pintor escrever a história do quadro primeiro, para saber se valia a pena pintá-lo” (idem), então aí está feita a ligação.
Explica que a crítica estética que emerge da época romântica não é normativa, não admite dizer o que o quadro deveria ser, diz só o que o pintor fez, é a ideia absoluta realizada.
Porém o equívoco é “articular de forma diversa a relação do dizível como o visível, a relação do quadro com aquilo que ele não é.  É reformular de outra maneira o como do ut pictura poesis, o como pelo qual a arte é visível, pelo qual sua prática coincide com olhar e depende de um pensamento.” (RANCIÉRE, 2003, ibidem)
E diria quase conclui: “a arte não desapareceu. Mudou de lugar e de função” (idem), ou seja, não se pode negar sua relação com o pensamento e com o olhar, no qual todos estão de acordo, mas não estão de acordo que o “olhar depende do pensamento” e este depende de modelos e normas, em última instância de ideais e ideologias.
Pode ver nos quadros de Kandinsky (Dama em Moscou e Mancha Negra I) onde plasmam a ideia do filósofo Steiner sobre a “ação paralela” ou a visão dupla, onde vemos um drama material em meio a rua, em outro plano, o espiritual, uma mancha negra que parecer viajar em nosso campo de visão, e também uma aura sobre uma mulher que sugere uma forma de pensamento feito na cor rosa, os quadros são ambos de 1912 e foram feitos de forma consecutiva.
RANCIÈRE, J. O destino das imagens. Trad.  . Rio de Janeiro: Contraponto, 2003.
 

Nem ponto, nem plano e nem polida

20 Nov
A arte contemporânea expressa no mundo digital, extrapola os sentidos humanosaMatisseKandinsky sendo sinestésica, multissensorial e multidimensional; não apenas quanto o plano pois não é seu ponto de partida mas principalmente no trato de estabelecer ligações entre corpos indo além do falado e pintado, para o projetado e multi-sensibilizado.
O ponto de partida é então o fractal, onde não há dimensões 0 (ponto), 1, 2 ou 3 (tridimensional), e a crítica ao plano começa aí mas ir desde dispositivos on-off (liga – desligada), passando pelos sentidos até chegar a realidade aumentada e a realidade projetada: o holográfico e o virtual.
A análise feita por Jacques Rancière em O destino das imagens, que parte da ideia que palavra e pintura se invertem onde: “a potência as palavras não é mais o modelo que representação deve ter como norma.” (RANCIÉRE, 2003, p. 86)
Retomando as análises clássicas de Hegel “pioneira nesse trabalho de redescrição que, diante das obras de Gerard Dou, Teniers e Adrian Brouwer, como das obras de Rubens e Rembrandt, ao longo de todo período romântico, elaborou uma visibilidade de uma pintura ´plana´(grifo do autor), de uma pintura ´autônoma´ … os verdadeiros quadros desprezados por Hegel, não é o que vemos de início.” (Rancière, 2003, p. 87), que proporciona a “ruptura dos ´fios de representação´ que atavam a reprodução de um modelo de vida repetitivo“ e acrescentaria ´idealista´ (RANCIÉRE, 2003, idem).
Mas haverá o movimento contrário e “Greenberg opõe a ingenuidade do programa antirrepresentativo de Kandinsky a ideia de que o importante não é o abandono da figuração, mas a conquista da superfície.” (RANCIÈRE, 2003, ibidem).
O que o francês Henri Matisse (1869-1954) e o russo Wassily Kandinsky (1866-1944) exploraram são mais do que cores, formas e novas superfícies (como os fractais) há algo da mistura “espiritual” na Composição VII e o Caracol de Matisse (nas figuras acima).
É claro que esta não é uma arte digital expressamente, mas uma epifania da ruptura com a representação da forma.
RANCIÈRE, J. O destino das imagens. Trad.  . Rio de Janeiro: Contraponto, 2003.
 

Governança, talentos e religião

17 Nov

O conceito de governança é, portanto aquele que se estende a um grupo aoEmpowermentmaior que uma burocracia ou tecnocracia de Estado, não se trata apenas de saber investir, olhar os interesses e fazer “o desenvolvimento”, mas principalmente render o muito ou o pouco que se tem.
Já se vai um bom tempo em que o desenvolvimento não significa necessariamente uma melhoria das condições de vida e da distribuição de renda da maioria da população, mas isto agora deve ser pensado em escala mundial, pois não há mais crise ou desenvolvimento isolado, porém é preciso dizer uma lição básica de economia: não se distribui o que não se tem, e ao mesmo tempo aumentar a fatia do bolo que se distribui.
Já se colocou nos posts anteriores a questão do assistencialismo, ressalva feita a regiões de vulnerabilidade e que não são poucas no planeta, no entanto é preciso produzir para que se poder distribuir e não o contrário se distribui que assim se produz, basta ver as regiões pobres do planeta onde a economia não anda.
Embora o raciocínio que uns tem mais e por isso outros tem menos tenha um fundamento de política econômica, não se pode pensar que seja possível distribuir o que não se tem, seria o mesmo que vender ilusões como fazem jogos de azar e os populismos de diversos tipos, volto a dizer, há a questão da vulnerabilidade e isto é sério.
A equação que deve ser feita, isto mostram os países com boa distribuição de renda é como colocar a economia e o que se produz nos lugares corretos, e conforme já indicamos anteriormente também não há um “manual de boas práticas” ou de “boa gestão”, é preciso gerenciar o que se tem de modo a torna-lo produtivo.
Uma parábola bíblica explica bem isto (Mt 25, 20-27), quando um patrão distribui talentos entre seus empregados dando 1 a um, 2 a outro e 5 a um terceiro, ao voltar se depara com a seguinte situação: “O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco, que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’
Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’
Por fim, chegou àquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’.
O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? Então, “devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’”.
Parece uma lógica perversa, até mesmo financeira, mas não é, para não se enterrar talentos é preciso fazer “render” o que se tem, aplicá-lo para haver uma economia de multiplicação dos pães e de superação da miséria, é claro todos sabemos, há gente que interpreta esta parábola para o enriquecimento de alguns poucos, não é o que está dito.

 

Verdade e Prudencia

10 Nov

A parábola das virgens prudentes fala da atenção que devemos ter a verdadeaoCirculoHermeneutico e devemos zelar por ela, e o zelo é a eterna vigilância, no caso da hermenêutica é não se distanciar da reformulação e interpretação de nossos pré-conceitos, que não significa abandonar os princípios, isto é, estar diante da Verdade.

É como diz a parábola (Mt 25,1-2) “Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo.

Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes.” e não sabiam a hora que o noivo ia chegar, assim quando este chega querem emprestar das prudentes.

O Círculo Hermenêutico é uma boa dica para a prudência, o diálogo (no círculo o Texto) para a compreensão parte de um pré-figuração (ou pré-conceitos), deve por uma distanciação positiva (se não escutar e abrir-se torna-se negativa) suspender julgamentos e pela explanação do Outro (o falante ou o autor do Texto) promover novos insights e novas possibilidades de relacionamento, chegando então a apropriação do texto e do discurso em nova configuração.

A possibilidade de uma grande transformação nos relacionamento entre o Mesmo e o Outro promove uma nova transformação levando uma nova compreensão.

A sabedoria não é fruto de um ego inflado, de bolhas de “sabedoria” e nem de pílulas de sapiência, é fruto de relações realmente humanas e só elas leva a VIDA, a boa CULTURA e a BOA POLÍTICA, enfim a nova sociedade.

 

Compreensão e Hermenêutica

09 Nov

A compreensão leva a sabedoria e certamente sabedoria é o oposto deahermeneuticaDilthey ignorância, mas é possível uma sabedoria que brote da tradição e da vivência sábia, porém mesmo estas deverão ter presentes interlocutores que mergulharam em pensamentos e reflexões de outros, e que estes leram em algum lugar a tradição e os problemas da humanidade.
A ideia que apenas em um livro exista toda sabedoria é refutada até mesmo pelo filósofo cristão Tomás de Aquino com sua famosa máxima; “desconfie do homem de um livro só”, também Marx foi ler a economia “capitalista” de Adam Smith e Ricardo para escrever seu famoso “O capital”, mas é preciso dizer que poucos leem a Bíblia, o Capital, ou qualquer outro livro de referência básica ao pensamento de “tradição” que afirmam ter.
Edmund Husserl, Martin Heidegger, Hans-Georg Gadamer, Emmanuel Lévinas, Paul Ricoeur, Edgar Morin e muitos outros atestam que há uma crise no pensamento, ao menos no pensamento ocidental, pois há pouca leitura e aprofundamento no pensamento do mundo árabe e do oriental, o africano é quase incógnito.
Outra ideia é a de reduzir a cultura a ideologias, sendo que o exercício delas é na maioria das vezes submeter as culturas ao seu esquema de pensamento, Paul Ricoeur escreveu “a ideologia é esse menosprezo que nos faz tomar a imagem pelo real, o reflexo pelo original” (Ricoeur, 2013, pag. 84) e esta talvez seja o maior confucionismo de nosso tempo.
Sabedoria envolve compreensão, e a hermenêutica é a ciência da compreensão, porque envolve interpretação, superação de pré-conceitos, compreensão e diálogo e revisão d conceitos, o assim chamado círculo hermenêutico, cuja elucidação é feita por Gadamer.
Ainda que Gadamer o veja como preso a um historicismo romântico, Dilthey identificou três classes de compreensão: a primeira que ele chama de “juízos e as formações do pensamento maiores”, relacionada a ciência que inclui tanto as naturais como as ciências humanas, são exemplos um livro texto de biologia ou de matemática, mas também pode incluir conceitos como gravidade e outros presentes no senso comum; o segundo é a experiência vivida e são estas que levam as ações mas deveriam passar pelas primeiras, chama isto de nexo vital.
Exprime sobre a segunda como “tirando a elucidação de como uma situação, um propósito, um meio e um nexo vital se interseccionam numa ação, ela não permite nenhuma determinação inclusiva da vida externa da qual surgiu”.
A terceira a mais essencial são as expressões da experiência vivida, dita assim por Dilthey: “Uma expressão da experiência vivida pode conter mais nexo de vida psíquica do que qualquer introspecção pode perceber”, assim em parte ocorre devido a aspecto da compreensão que ainda não se percebe, penetrar nisto leva a um círculo hermenêutico voltando a juízos e formações maiores, embora Dilthey não tenha formulado assim, seria o círculo hermenêutico.
DILTHEY, W. Obras escolhidas – vol. 3 A fundação do mundo histórico nas ciências humanas, 2002.
RICOEUR, P. Hermenêutica and Ideologias, 3ª. Edition, São Paulo: Vozes, 2013.

 

Conhecimento e compreensão

08 Nov

Quando a informação está em nossa mente ela se torna conhecimento, mas nem sempre isto significa compreensão, repetir máximas (ditados, belas frases, etc.) não significa que temos conhecimento, porque a informação não passou pela etapa da compreensão.

Isto não é uma patologia moderna, ou simplesmente que a TV, a Internet ou algum vírus invadiu nossa mente e nos prejudicou a capacidade de conhecer, ainda que algumas pessoas possam ter dificuldades, alguém com Alzheimer ou uma criança dispersiva, porém tenho a impressão que o chamado “déficit de atenção” foi longe demais, e é um fator social que torna algo difícil de compreender, na Alemanha e a na França, há sempre um assistente social de plantão e não um médico ou farmacêutico para ministrar remédios às crianças.

Um dos problemas graves de nosso tempo, alerta Edgar Morin, é que estamos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida, ou de maneira mais grave ao pensamento já estruturado, o mundo da teoria e o da prática.

Assim para ideólogos significa que quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa.

Porém se olharmos ao longo da história houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação, também relembrou Morin em uma palestra em 2015 no Brasil, no Programa Milênio.  

A revolução industrial derrubou a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força e nos esquecemos de religar os saberes, um apelo de Morin para a educação.

Perguntado como ensinar e o que é conhecimento, Edgar Morin respondeu: “Eu proponho, no ensino, a introdução de temas fundamentais que ainda não existem. Quer dizer, proponho introduzir o tema do conhecimento, pois damos conhecimento sem nunca saber o que é o conhecimento. Mas, como todo conhecimento é uma tradução seguida de uma reconstrução, sempre existe o risco do erro, o risco de alucinações, sempre.”

Quantas nas áreas das ciências, das tecnologias e que é mais lamentável na área das patologias, nunca se viu tantas patologias, classificar as pessoas segundo patologias não é senão a forma patológica mais grave, vê-se só o mundo cinzento, não há luz e nem esperança.

Questionado sobre as ferramentas que surgiram nas últimas décadas, entre elas o mundo digital, Morin respondeu: “Antes de mais nada, é verdade que informação não é conhecimento. Conhecimento é a organização das informações. Então, estamos imersos em informações e como elas se sucedem dia a dia, de certa forma, não temos como ter consciência disso. De outra parte, os conhecimentos, como eu disse, estão dispersos. É preciso uni-los, mas falta esse pensamento complexo.”

O simplismo é a forma mais desorganizada de conhecimento, é o reducionismo, é ver a vida e os homens sem toda beleza que há neles … portanto, não é simples assim (expressão muito usada).

 

Informar, conhecer e saber

07 Nov

Em tempos de crise cultural, a informação é abundante e nem sempre OntologiaInformaçãoverdadeira, o conhecimento é limitado e a sabedoria escassa.

Embora seja do senso comum que para conhecimento é necessário informar, pouco se sabe sobre o que é informação, e o pouco conhecimento tempo pouca chance em tornar-se sabedoria, então transbordam as “máximas” (frases feitas deslocadas de contexto), a autoajuda (nome impróprio para o autoconhecimento) e o fundamentalismo, miséria da filosofia.

Há muitas possibilidades para a informação, mas se a considerarmos como presente na vida dos seres, então uma definição encontrada no Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa que remete a origem da palavra no latim informatio (delinear ou conceber ideia) entende-se como dar forma ou moldar na mente, onde ela se in-forma, passando a informação a ser ontológica (exemplo acima).

Porém este formato seja na língua, linguagem ou em alguma forma de signos esta informação já existe, e esta relação está tem uma raiz semiótica dado por Beyno-Davies onde o conceito multifacetado de informação é explicado em termos de sinais e de sistemas de signos-sinais.

Para ele há quatro níveis interdependentes, ou camadas da semiótica: a programática, a semântica, a sintaxe e o empírico (ou experimental que prefiro pois não é empirismo).

Enquanto a Pragmática está preocupada com o propósito de comunicação, a Semântica se preocupa com o significado de uma mensagem transmitida em um ato comunicativo (que gera uma ontologia) e a Sintaxe está preocupada com o formalismo utilizado para representar uma mensagem.

A publicação da dissertação de Claude Shannon, em 1948, intitulada A Mathematical Theory of Communication é uma das fundações da teoria da informação onde a informação não somente tem um significado técnico mas também de medida, podendo ser chamada de sinal apenas.

Foi Michael Reddy que observou que “‘sinais’ da teoria matemática são “padrões que podem ser trocados”, neste sentido são códigos, onde a mensagem contida no sinal deve expressar a capacidade de “escolher dentre um conjunto de mensagens possíveis”, não tendo significado único, pois precisa ser “decodificada” entre as possibilidades que existem.

Deve ter certa quantidade de sinais para poder superar a incerteza do sinal transmitido, será conhecimento se a relação entre sinal e ruído (presente na codificação e transmissão do sinal) for relevante e o grau de entropia não tiver destruído o sinal transmitido.

A teoria da comunicação analisa a medida numérica da incerteza de um resultado, por isso tende a usar o conceito de entropia da informação, geralmente atribuído a Claude Shannon.

O conhecimento é aquilo que se obtém da informação quando ela transmitida pode ser retida de alguma forma na mente humana, a informação que permite isto é ontológica.

 

Complexidade, simplificidade e pureza

03 Nov

Parecem contraditórios em tempos de crise, mas não é, na verdade o reducionismojesus_madalena_peq é a tentativa de reduzir o humano, o natural e toda a complexidade da vida em verdades dogmáticas e por isso nada simples e nada puras, porque simples não é simplificidade por desconhecimento ou preconceito.
O Complexo é justamente entender que cada pessoa, o conjunto da sociedade, cada ser da natureza e o conjunto do universo se relacionam, interagem num todo complexo e que tudo isto é simples se estiver abertos ao Outro, à Natureza e a TodosUniverso que nos rodeia.
Encontramos nas pessoas mais simples, a complexidade da vida e a sabedoria que penetra nas revelações mais profundas da Natureza e do Universo,
Mahatma Gandhi afirmava que se toda literatura ocidental se perdesse e restasse só o Sermão da Montanha, nada se teria perdido, e ele não era cristão.
Einstein afirmava que era mais fácil quebrar um átomo que um preconceito, pois é na complexidade da formação e do pensamento humano que encontramos muitos problemas, maiores em tempos em que a modernidade quer se afirmar diante de valores já decadentes: sua moral, seu modelo de estado, de harmonia social e de visão de mundos estão em cheque.
Dentre as bem-aventuras que nada mais são narradas no texto bíblico de Mateus  , todas bem-aventuranças são importantes, porém duas nos remetem diretamente ao centro da revelação que são: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a face e Deus e Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus,  pois ambas nos colocam diante de Deus: de sua face e como sua filiação.
Em momentos de tanta malícia, de confianças cada vez maiores que geram divisões e confrontos, a pureza (que não é ingenuidade reducionista) é um valor essencial, reclamou Adorno em Minima Moralia, “que mundo é este em que até uma criança desconfia de um presente”, e diríamos do mundo que nem mesmo a justiça a qual deveríamos ter respeito parece não merecê-lo.
Que tipo de paz queremos, que tipo de mansidão queremos (Feliz os mansos porque herdarão a terra), eis a questão que nos é interpelada pelos tempos sombrios que vivemos.
Diversas imagens podemos lembrar de bem-aventuranças na bíblia: o samaritano (que socorre alguém que foi ultrajado), Zaqueu (que era um usurpador e se arrependeu), cegos, viúvas e tantos outros personagens, mas talvez a maior bem-aventurança esteja diante de Madalena, a ex-prostituta que muda radicalmente de vida e torna-se uma das mais fiéis no seguimento de Jesus.
A imagem dela diante da bem-aventurança de ter encontrado seu perdão é a figura (desenho) mais essencial para uma sociedade corrompida e com dificuldades de retomar seu caminho.

 

Consciência e Informação

31 Out

O evento EBICC recebe hoje (31 de outubro) a palestra de Gregory Chaitin, Chaitinmatemática e cientista de informática que apresentou o Theorema da Incompletude de Gödel e ele é considerado um dos fundadores da atual complexidade de Kolmogorov (ou Kolmogorov-Chaitin) juntamente com Andrei Kolmogorov e Ray Solomonoff.

Hoje, a teoria da informação algorítmica é um assunto comum em qualquer currículo de ciência da computação.

Resumo:

Ele faz uma revisão das aplicações do conceito de complexidade ou informação algorítmica em física, matemática, biologia e até mesmo do cérebro humano, e propõe a construção do universo de informações e de computação, em vez de matéria e energia, o que seria uma visão de mundo muito mais amigável para discussões sobre a mente e a consciência do que o permitido pelo materialismo tradicional.

Os fundamentos de seu pensamento pode ser encontrado no livro: Meta Mat – Em Busca do Omega. SP: Editora Perspectiva, 2009.

 

Duas palestras abrem o EBICC

30 Out

A base da auto/não distinção na vida e na mente”                        EBICC

Esta será a palestra de Terrence Deacon na abertura do evento Encontro Brasileiro Internacional de Ciências Cognitivas, Deacon é professor da BerKeley US e um antropólogo e biosemiótico sobre o qual já escrevemos alguns posts.

Resumo:

Deacon irá descrever uma organização dinâmica comum que subjazia a sensibilidade vegetativa auto conservadora característica de todos os organismos vivos e mostra como isso é relevante para a neurologia da sensibilidade subjetiva; isto é, a consciência. A dinâmica básica envolve processos auto organizados que se restringem reciprocamente e se preservam mutuamente e, assim, criam uma descontinuidade autossustentável.

Seu argumento que a diferença entre a sensibilidade vegetativa e subjetiva é devido ao modo como a sensibilidade subjetiva é constituída por uma relação entre a sensação vegetativa neurológica de ordem superior e a sensação vegetativa somática da ordem inferior. Uma vez que cada um depende do outro, mas de maneiras hierarquicamente assimétricas, isso cria o que Hoffstadter descreve como um “loop estranho” emaranhando esses dois níveis de sensibilidade. Ele fornecer exemplos dessa organização dinâmica em contextos orgânicos e neurológicos.

“Conhecimento e incerteza na física – Fundamentos e aplicações”
A segunda palestra na abertura do EBICC será proferida por Constantino Tsallis, físico de renome internacional que generalizou os resultados da constante de Boltzmann, importante para os fundamentos da entropia.
Resumo da palestra
Os pilares da física contemporânea são considerados a mecânica estatística newtoniana, relativista e quântica, o electromagnetismo de Maxwell e a mecânica estatística Boltzmann-Gibbs (BG).
É dentro desse domínio que surgem as quatro constantes físicas universais, a saber, a constante gravitacional de Newton G, a velocidade da luz c, a constante de Planck h e a constante de Boltzmann k. A teoria das probabilidades e a noção de incerteza entram em todas essas teorias de uma maneira ou de outra. No entanto, nas estatísticas BG e, consequentemente, na termodinâmica, eles desempenham um papel absolutamente crucial através do conceito de entropia. Entropy foi introduzida por Clausius por volta de 1865 e sua conexão com o mundo microscópico (átomos e outros) foi introduzida pela primeira vez por Boltzmann, e mais tarde por Gibbs, na década de 1870. Desde então, tornou-se habitual em física e em outros lugares considerar que a expressão BG é a única entropia fisicamente admissível. No entanto, foi avançado em 1988 (C. Tsallis, Journal of Statistical Physics 52, 479) que não é assim. As motivações históricas, os fundamentos epistemológicos e as aplicações ilustrativas em sistemas complexos naturais, artificiais e sociais, desta teoria serão brevemente apresentados e discutidos