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Arquivo para a ‘Noosfera’ Categoria

E vós quem dizeis que eu sou

21 Set

As verdades dos fatos só revelam na verdade dos atos, é assim para a vida cotidiana, é assim para a política e para os discursos, se vivemos na pós-verdade, ela tem o limite dos atos.

Gostamos no dia a dia de criar narrativas mais favoráveis a nossa conveniência e ao nosso ideário, mas quase sempre o desvelar existe além da linguagem e do discurso.

A criação de uma inteligência lógica, em camadas mais profundas chamadas agora de Deep Mind ou Deep Learning, não é senão a resposta artificial ao mundo virtual, parte do real junto ao atual, a uma lógica consistente com a ação, enquanto na humana sempre haverá alguma dislexia.

A plena consciência está ligada a plena dialogia, onde os discursos podem interpenetrar no circulo hermenêutico, a diferença com a inteligência artificial é que a máquina aprende com humanos, mas lhe será difícil de escapar da lógica formal, enquanto a humana é ontológica.

Isto significa que estamos na era do Ser, manifestação mais profunda do que somos, e ao contrário do que supõe o discurso anti-tecnologia, é justamente ela que pode ajudar o discurso humano nos aspectos essenciais da lógica, que as vezes falseamos para ter razão.

Historicamente a tecnologia não está deslocada das necessidades humanas, é muitas vezes a má adaptação ou uso da relação humana com a tecnologia que causa alguns transtornos e má compreensão do seu verdadeiro papel, que é o de auxiliar o ofício, a arte e a técnica, diz a origem grega da palavra techné.

Na passagem bíblica que Jesus testa seus apóstolos ele pergunta: “e vós quem dizeis que eu sou” (Mt, 16,15) , para uns foi um grande profeta, para outros um retorno de Elias ou até de Moisés, e só para alguns era o Messias, ou seja, a sabedoria Divina entre nós.

O uso condenável da mensagem evangélica em política, não é pelo fato que devam ser fora dos interesses do bem comum e da sociedade em geral, mas é a possibilidade de instrumentalizar e usar a favor de determinado discurso, nem sempre coerente ao evangelho.

 

 

Estamos chegando perto, mas do que ?

17 Set

Aos 20 anos, o romance de Carl Sagan “Contato” (1985) me impressionou de tal modo que nunca mais saiu da minha imaginação, o livro

Contato,  Buraco de Minhoca e radioastronomia.

falava de buracos de minhoca (wormholes são caminhos possíveis para a quarta dimensão), de teologia e de busca de vidas em outros planetas, eu fazia um caminho em direção ao materialismo que durou 20 anos, mas foi um percurso intelectual.

Aos 42 anos, o filme Contato (1987) voltou a me impressionar, a protagonista a Ellie Arroway (Jody Foster), na ficção era do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), descubro agora que o departamento existe na Universidade de Berkeley e lá estão captando sinais vindos de uma estrela vindos de uma estrela distante.

Curioso e instigante, é justamente a fase em que retorno a estudar a Noosfera de Teilhard de Chardin e pesquisar a quarta dimensão, estamos preparando um holograma e uma Ode ao Christus Hypercubus em Lisboa, justamente uma referência de Salvador Dali a 4ª. dimensão.

Os pesquisadores do SETI de Berkeley, liderados pelo estudante Gerry Zhang e alguns colaboradores, usaram aprendizado de máquina (machine learning) para construir um algoritmo novo para sinais de rádio que identificaram num período de 5 horas em 26 de agosto de 2017 (puxa meu aniversario), mas deve ser só uma coincidência.

Zhang e seus colegas com o novo algoritmo resolveram reanalisar os dados de 2017 e encontraram 72 explosões adicionais, os sinais não parecem comunicações como conhecemos, mas verdadeiras explosões, e Zhang e seus colegas preveem um novo futuro para a análise de sinais de radioastronomia com uso de aprendizagem de máquina.

Como no filme o sinal precisou de muito tempo para ser decodificado, Turing que estudou a máquina Enigma capturada do exército alemão durante a Segunda Guerra, adoraria estudar isto hoje, ele a decifrou.

O universo de código não é, portanto, artefacto humano, o espaço está cheio dele, não quer dizer que seja de alguma civilização, mas eles estão lá, a radiação de fundo por exemplo, descoberta em 1978 por Penzias e Wilson, ratificou o Big Bang e deu-lhes um Nobel de Física.

Os novos resultados serão publicados este mês no The Astrophycal Journal, e está disponível no site Breaktrough Listen.

 

A verdade e os atos

14 Set

Pode parecer estranho para o discurso moderno que a verdade esteja além dos fatos, é porque considera-se o que é factual aquilo que estaria além do agir e do pensar, mas não o é, diria o escritor brasileiro Rubem Alves: “A beleza está além das palavras”.
Por isso Heidegger, Gadamer e Byung-Chul Han e outros é claro, não puderam falar da verdade sem deixar de ter presente a obra de arte, não pela concepção idealista do “belo”, mas por aquilo que está entre a ação e a contemplação.
Uma das artes mais belas que é o teatro, não por acaso tem peças divididas em “atos”, porém que não deveria ser chamada de re-presentação, somente de presentação, vê-la ao vivo é quase uma imposição, vê-la filmada torna-se outra coisa ou cinema ou televisão, agora os vídeos da Web, que fazem sucesso, mas este sim são re-presentações, com muitos fakes.
E o que deve dirigir nossos atos, está no post anterior a citação de Gadamer: ““o que o homem precisa não é apenas o posicionamento persistente de questões fundamentais, mas o sentido do que é viável, o que é possível, o que é correto, aqui e agora” (Gadamer, 1987) e não uma nova mitologia moderna.
A verdade dos atos sempre foi difícil de ser aceita e até compreendida pelos homens, aquilo que sempre esteve “além das palavras” nos atos, diz o evangelista Marcos (8,27-29) sobre os atos de Jesus e que seu discípulos assistiram: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”, ainda que duvidassem Pedro disse que era o Messias, mas diziam “ele faz bem todas as coisas”.
O pós-factual ou a pós-verdade só é impactante atualmente pelo número de narrativas e a quantidade de pessoas capazes de seguir as pseudo-mitologias modernas, querem só os fatos que convém, mas a coerência dos atos continua tão rara quanto o foi em toda a história.
O educador brasileiro Paulo Freire dá a sentença: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática.“

 

O véu e a verdade

06 Set

O filósofo Byung-Chul Han dita a sentença: “ser belo é fundamentalmente estar velado” (Han, 2016, p. 40) para depois se apoiar em Walter Benjamin que vê também a “crítica da arte uma hermenêutica do encobrimento … não tem de levantar o véu, mas antes, o que tem a fazer é elevar-se à verdadeira intuição do belo, mas somente graças a um conhecimento muito exato do belo como véu, tem de elevar-se a uma intuição que não se revelará nunca a isto que chamamos de empatia … pura do ingênuo à intuição do belo como segredo” (Idem, p. 40).

Mas Chul Han vai além: “a beleza não se comunica nem à empatia imediata nem à observação ingênua. Ambos os procedimentos tentam levantar o véu ou olhar através dele …” (idem), é por isso que embora em toda época sempre houvesse o encobrimento, somente agora com a “empatia imediata”, diria precipitada já Benjamin a reivindica, é que o belo se torna mais obscuro e com a verdade acontece o mesmo.

Chul Han vai ao texto, e usando Santo Agostinho afirma que “Deus obscurecera propositadamente as Sagradas Escrituras com metáforas, como uma ´capa de figuras´, para as tornar objeto de desejo … maximiza o prazer através do texto e torna a leitura um ato amoroso” (p. 41).

Já a leitura, o texto e as verdades em nosso tempo a objetividade tenta através do sujeito cognoscente, uso no plural porque para a ontologia a verdade é mais que sujeito é Ser e, portanto, só pode ser desvelada na relação de seres, entretanto o sujeito do idealismo “transcende” para chegar ao conhecimento do objeto, do qual só tem “percepções”.

É um sensitivismo primário, parece verdade e desvelar, no entanto, é puro discurso, não há de fato o conhecimento do objeto como coisa, reivindicara já Husserl que era preciso voltar as “coisas mesmas”, isto é, não as reificar, mas desvelá-las.

A verdade da empatia imediata é pouco elaborada, não espera a reflexão, a contemplação, vive de uma impulsividade quase doentia, as vezes doentia mesmo, embora logo se frustre diante dos fatos, chega a negar os fatos e isto assusta.

Não se trata de cegueira coletiva, mas ausência de dialogia coletiva, falta de empatia mais profunda, de relações e laços menos formais e menos superficiais, aí falta verdade e beleza.

Han, B.C. A salvação do belo. Lisboa: Relógio d´Água, 2016.

 

Entre a pureza e a fraternidade

31 Ago

A maioria do pensamento religioso cotidiano, é que estamos imersos em uma cultura da impureza, de coisas que não são saudáveis, isto levou ao que Peter Sloterdijk chama de imunologia, a ideia que devemos nos separar de tudo que é “impuro”.
Mas este conceito pode ser ampliado para etnias, culturas xenofóbicas, endogenia, culto a determinada forma de género, entre muitas outras, também a religiosa.
Talvez a maior impureza de nosso tempo, seja justamente considerar o Outro impuro, ou indigno, ou inferior ou qualquer forma de exclusão, que nada mais é do que recusar a sair de nossa “esfera”, de nossa segurança, parte fundamental deste raciocínio é a desconfiança.
O fato que alguém pense diferente não deveria ser motivo, para considerar o pensamento e o modo de vida do Outro algo perigoso ou mesmo nocivo a nossa “cultura”, é algo novo, curioso pelo qual devemos nos interessar e tentar entender o seu modo de viver, que é sua “esfera”.
Em termos bíblicos foi isto que escreveu o evangelista Marcos, no Capitulo 7, 14-23, ao mostrar a visão do Mestre sobre o que torna de fato os homens impuros: “Escutai, todos, e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.
É fácil compreender quanto do raciocínio “esférico” está presente em diversas redomas de proteção, são os muros virtuais que erguemos em nossa volta e parecem dar segurança.

 

A imunologia de Sloterdijk

28 Ago

O conceito imunológico de Sloterdijk, bem anterior ao processo de retorno ao nacionalismo que mergulhamos em diversos países, e até mesmo na America Latina, não é apenas uma explicação de forma individualizadas de viver, mas agora também da sociedade como um todo.
Mas Sloterdijk partiu da vida individualizada (ou biós, do grego) que era caracterizada como uma fase de sucesso de sistemas imunológicos, ou seja, a fase em que a relação com o homem com a natureza era de aprendizado, a definição da biologia sistêmica, para explicar que não pode existir uma forma de vida que não se preocupe com a conservação de suas estruturas imunitárias.
Assim afirmou o autor: “Se citarmos a afirmação metabiológica segundo a qual sistemas imunológicos seriam incorporações de expectativas de lesões ou expectativas de algum dano, fica claro que as culturas humanas, na medida em que essas representam a totalidade de procedimentos preventivos – ou, podemos dizer, as tradições –, são elaboradas com maior sensibilidade contra imunidade do que as espécies animais e vegetais. E nem todo mundo sabe que o conceito da imunidade originalmente não foi um conceito biológico, mas sim jurista, que foi utilizado como metáfora na biologia” (Critica da razão cínica, 1983).
Platão tinha um sistema parecido, mas fez uso de imagens e analogias na esfera “pastoral” para falar sobre a formação do individuo, para Sloterdijk esta associação s+olida entre o professor e o pastor, alunos e rebanho, só se dissolveu com pedagogias reformadas do século XX: “Na época, isso aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, em instituições como Summer Hill, onde o aluno passou a ser pensado como um rebanho que se autoeduca” (SLOTERDIJK, 1983)
Sloterdijk acrescenta que a questão pedagógica de como educar o ser humano é sobreposta por um drama biológico evolucionário: “A segunda descoberta da necessidade de formar o ser humano como ser humano propriamente dito – ou seja, imunizá-lo com a domesticação contra a sua própria associabilidade – ocorreu no século XIX, quando Charles Darwin colocou o ser humano no final da série de evolução, em sua teoria sobre as espécies” (Sloterdijk, 1983), afirmou em sua obra.
Nosso ponto de vista é que há também uma esfera espiritual na qual o homem evolui, seu espírito evolui, a Noosfera, conforme descrevera este Teilhard Chardin.

 

Aonde vai a civilização ?

24 Ago

A crise civilizatória, profunda ao menos no ocidente, é evidente, os recuos com problemas de guerras, economias em crise e intolerância cultural e religiosa, são cada vez mais evidentes, mas aonde vamos ?
Primeiro é preciso reconhecer que em diversos processos históricos houveram recuos, um dos casos mais claro foi a restauração da monarquia na França, período que foi desta a queda de Napoleão Bonaparte em 1814 até a Revolução de julho de 1830.
Peter Sloterdijk escreveu “Se a Europa despertar”, na virada do milênio, criticando também a Europa como “império do centro”, enquanto Edgar Morin fala em romper “com todas as formas de dominação, imperialismo, colonialismo, coisificação na relação com os seres vivos, nas relações com a natureza, e nas próprias relações inter-humanas …” (MORIN, VIVERET, 2013, p. 45).
Entretanto mudanças profundas culturais estão em processo, toda mudança desperta uma dose de inercia e conservadorismo, esta é a análise que fazemos do renascer de nacionalismos exagerados (é preciso diferenciar de questões culturais e étnicas que são justas), novas formas de concentração de renda e de exclusão.
Morin analisa o processo de transformação da modernidade como: “o processo de pacificação, de civilização utilizava o perigo representado pelos bárbaros, pelos estrangeiros e pelos infiéis” (Morin, Viveret, 2013, p. 57), alertando que o processo de pacificação falhou, o que está também descrito na principal obra de Peter Sloterdijk “Regras para o parque humano”, que foi uma resposta a “Cartas sobre o humanismo” de Heidegger.
Assim como alertava o antropólogo e economista Karl Polanyi em “A grande transformação”, Morin alerta para o perigo das sociedades de mercado em oposição as economias de mercado, onde ouve uma passagem do que tinha valor não tinha preço, “para o que não tem preço não tem valor” (Morin, Viveret, 2013, p. 61), onde a lógica perversa da especulação financeira e corrupção politica destrói economias e nações, isto sem falar de situações de crise humanitária por todo o planeta.
É preciso profundas mudanças estruturais: o modelo de estado e de democracia, o controle no mercado e serviços das novas mídias sociais, a reestruturação do modelo educacional que inclua a transdisciplinaridade entre diversas áreas, e a conscientização da diversidade cultural e religiosa, entre muitas outras necessárias.
É como diz a palavra bíblica em João 6,60: “Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: Dura é essa palavra, quem pode suportá-la?” isto parece bem aplicável ao momento histórico presente.
MORIN, E., VIVERET, P. Como viver em tempo de crise? Rio de Janeiro: Bertrand Russel do Brasil, 2013.

 

Cinismo e verdade nua

21 Ago

Disse Sloterdijk sobre a forma de violência contemporânea que usa o corpo, referindo-se a tentativa de emudecer Theodor Adorno; “Não foi a violência nua que emudeceu o filósofo, mas a violência da nudez”, e isto lhe impulsionou a escrever a Critica da razão cínica.   

Os comentários posteriores ao livro, Sloterdijk discorreu sobre a transformação social e o porque ela lhe estimulou ao livro, em entrevistas ao Fronteiras do Pensamento, a verdade, em uma sociedade cuja cultura é grande parte por muitas formas de encobrimentos, surge um desnudamento agressivo e involuntário.

Há nela um rastro de considerações exageradas que levam a tentativa (ele diz que é afirmativa) na fundamentação que ela possa ser totalmente verdade, a expressão usada como tentativa de salvar o “esclarecimento” e os argumentos da Teoria Crítica, os paradoxos do método salvador cuidam para que não permaneça com uma primeira impressão.

A ideia que me parecia ir do Esclarecimento ao cínico, o próprio autor afirma que a própria investigação do cinismo se transforma na fundamentação de uma ausência de ilusões, seu comentário me esclarece as inúmeras paradas e retomadas de um livro denso e instigante.

O esclarecimento diz o autor, sempre significou a desilusão no sentido positivo e, na medida que progride, tanto se torna mais próximo a um instante no qual a razão é uma afirmação.

Segundo o autor a neurose europeia concebe a felicidade como uma meta e o empenho racional como um caminho até ela, é preciso quebrar sua compulsão, é preciso dissolver o vício crítico do aprimoramento, e isso em favor do bem, do qual desviamos tão facilmente em longas marchas.

A síntese do autor sobre a atmosfera cultural de nosso tempo é uma mistura de cinismo, sexismo, “objetividade” e psicologismo formada na superestrutura do Ocidente: uma atmosfera de crepúsculo, boa para corujas e para a filosofia.

 

Diálogo em tempos de intolerância

20 Ago

Não se discutem propostas e projetos, mas procura-se calar a voz discordando pelo apelo dramático a determinados fatos ou situações, e são fáceis de serem encontrados justamente pela ira que se tomou toda a sociedade, mas sem uma conversa serena e razoável sobre temas centrais: educação, saúde e segurança, entre muitos inadiáveis.

Os tratados de Voltaire e Locke sobre a Tolerância podem ajudar muito, ainda que eles próprios tivessem suas próprias intolerâncias, o livro Cândido de Voltaire, por exemplo, é uma ironia ao pensamento de Christian Wolff (1679-1754) discípulo de Leibniz e leitor de Kant.

 Voltaire que via o fundamentalismo religioso levar pessoas, grupos e até países ao radicalismo, proclamou que era necessário: “diminuir o número de maníacos”, segundo Voltaire (2015, p. 4) e uma maneira de superá-lo era “submeter essa doença do espírito ao regime da razão, que esclarece lenta, mas infalivelmente os homens. Essa razão é suave, humana, inspira a indulgência, abafa a discórdia, fortalece a virtude, torna agradável a obediência às leis, mais ainda do que a força é capaz” (idem).

O seu cinismo, Peter Sloterdijk não o aborda diretamente, mas refere-se a todo racionalismo de sua época em “Critica da Razão cínica”, escreve que Voltaire afirmou sobre os egípcios que “sempre turbulento, sedicioso e covarde, povo que havia linchado um romano por ter matado um gato, povo desprezível em quaisquer circunstâncias, não obstante o que digam dele os admiradores das pirâmides” (Voltaire, 2015, p. 59).

Voltaire não demonstra nenhum traço de generosidade, de magnanimidade, de beneficência” (Voltaire, 2015, p. 73); em obra Cartas inglesas ou Cartas filosóficas, predomina uma visão desumanizada e estereotipada dos negros que seria digna de um processo racista hoje.

A tolerância, que não significa concordância, é baseada na ideia que as relações humanas entre povos de diferentes culturas, concepções políticas e religiosas podem conviver de forma que as relações entre indivíduos e comunidades seja de respeito aos valores do Outro.

Por isso uma ética da alteridade combinada com uma visão ontológica e antropotécnica de que somos seres complexos e que a relação com os outros e com as culturas devem e podem ter diferenças, deve estar fundamentada na ideia da diversidade e não da uniformidade.

O que pensamos sobre tolerância no passado deve ser ampliado e enriquecido pela diversidade.

 

VOLTAIRE. Tratado sobre a tolerância. São Paulo, Folha de São Paulo, 2015.

 

A cosmogonia quântica

17 Ago

Além da física quântica, ainda há mistérios na chamada matéria escura e energia escura, tais como os buracos negros formados com a explosão de supernovas, astros solares com massa até 10 vezes maiores que um astro solar, muito brilhantes desaparecem e dão origem aos buracos negros, há descobertas e estudos recentes com algumas pistas sobre eles.

Energia escura é aproximadamente 70% do universo e a matéria escura 25%, Hidrogênio e Hélio livres são 4%, e o que conhecemos: subpartículas, elementos pesados, neutrinos e estrelas são apenas 1%, a física quântica nos ajudou a penetrar neste mistério só um pouco.

Tudo isto justifica as diversas cosmogonias construídas em todas as culturas praticamente,

Os mitos, do grego mýthos narram à origem das coisas (origem do fogo, do vento, da água, das plantas, dos animais do homem, etc.), por meio de eventos sobrenaturais, mas que podem sim ter significados reais, as observações e as experiências humanas diante do mistério cósmico.

Em geral retratam combates, uniões e matrimônios entre seres fantásticos, mas quase sempre significam algum domínio sobre as forças da natureza que a mente humana não penetrou.

Quanto há um fim, não um final, mas uma meta ou um destino sobre as coisas, seres e fatos, significam que há um ciclo denominado eskaton, formando uma escatologia, uma história completa com o seu final cosmológico.

Na cosmogonia cristã, uma escatologia especial é a vinda de Jesus, sua Maria teria concebido de modo extraordinário seu filho, mas a revelação pouco explorada e compreendida é a fala de Izabel a prima Maria, que logo ao conceber vai visitá-la e Isabel afirma (Lc1,43): “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”, Maria é então MÃE DO SENHOR.

Os mitos sobre a origem do mundo ligam cosmogonias e teogonias, a teogonia cristão não pode deixar de lado esta questão, a mãe do senhor, a Teotokos.