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Arquivo para a ‘Redes Sociais’ Categoria

Empoderamento, Autonomia e Estado

16 Nov

Magdalena Sepúlveda Carmona (2013) aponta claramente a relação entre apovertyemponderamento e pobreza: “A falta de poder é uma característica universal e básica da pobreza. A pobreza não é apenas uma falta de renda, mas sim caracteriza-se por um ciclo vicioso de impotência, estigmatização, discriminação, exclusão e privação material, que se reforçam mutuamente. ”
Emponderamento é algo sobre o desenvolvimento complexo chamado de “fuzzword” (Cornwall, 2007), parecido ao conceito de buzzword que surgiu em torno de novas tecnologias e campos de negócios como o e-commerce, assim como este o “fuzz” permite complexidade de múltiplas interpretações e definições, muitas vezes refletindo a uma predisposição teórica ou ideológica de seus expoentes, mas a ideia é um “fuzzie” de negócios para o mundo civil.
Ibrahim e Alkire (2007) enumeraram 32 definições diferentes, mas sobrepostas deste novo conceito,
Usaremos aqui uma definição baseada em Eyben (2011) que é aceita em muitos documentos internacionais de forças tarefas da ONU, por exemplo, onde:
“O empoderamento acontece quando indivíduos e grupos organizados podem imaginar seu mundo de forma diferente e realizar essa visão mudando as relações de poder que as mantiveram na pobreza, restringiu sua voz e privou-as de sua autonomia”.
A palavra auntomia aqui é importante, porque difere do assistencialismo que dá “esmolas” mas não empondera, pois significa capacitar populações de modo sustentável e irreversível, não basta assistir é preciso que no futuro os indíviduos e pessoas sejam autonomos, isto é e fato “boa gestão” de recursos.
Uma abordagem de capacitação é tanto um fim em si mesmo quanto um meio de erradicar a pobreza e a exclusão em seu sentido mais amplo (multidimensional), isto afirmam desde humanistas profundos até economistas que não veem de modo preconceituoso populações pobres.
As experiências efetivas de empoderamento tendem a envolver num “triângulo mágico”, nome dado em alguns relatórios, onde o ambiente da sociedade civil ativa, funcionários públicos ou líderes políticos comprometidos e mecanismos de aplicação que garantem que estas iniciativas “tenham coragem”.
Isso significa que a organização da sociedade civil no seu conjunto é um ativo e sua fraqueza ou ausência é um problema. Os governos precisam nutrir organizações independentes e ativas da sociedade civil e proteger o espaço em que podem operar.
A boa notícia é que a história parece estar firmemente do lado do empoderamento, como o alargamento e o aprofundamento globais dos direitos humanos, ainda que tenhamos retrocessos conservadores, a criação dos sistemas que superem áreas de vulnerabilidade e os programas sólidos de economias mais criativas é o futuro.

CARMONA, M. S. 2013. Report to the UN Human Rights Council of the Special Rapporteur on extreme poverty and human rights. United Nations General Assembly.
CORNWALL, A. 2007. Buzzwords and Fuzzwords: Deconstructing Development Discourse. Development in Practice, 17, 471-484.
EYBEN, R. 2011. Supporting Pathways of Women’s Empowerment: A Brief Guide for International Development Organisations. Pathways Policy Paper. Brighton: Pathways of Women’s Empowerment RPC.
IBRAHIM, S. & ALKIRE, S. 2007. Agency and Empowerment: A proposal for internationally comparable indicators. OPHI Working Paper Series.

 

Emponderamento civil e Estado

15 Nov

Hoje é dia da República no Brasil, que perspectivas podemos ter emacivil societyPT termos de um Estado moderno ?
Um dos raros autores a tratar o empoderamento da sociedade é David John Framer que pensa a distribuição do poder governamental em favor da cidadania, não se trata de uma concessão do governante ou uma benesse que é dada a sociedade, é a força de reconhecer a incapacidade do Estado para sociedade promover soluções em ambientes de alta complexidade, que é característica da sociedade moderna.
A abertura à democratização das funções administrativas não é uma novidade absoluta do direito brasileiro, a experiência mais notória de deu a partir da Constituição de 88 com Conselhos em vários sistemas administrativos relacionado ao desenvolvimento dos serviços sociais, mas chamo a atenção a Constituição da Islândia feita por crowdsourcing e promoveu uma limpeza no país, no falimento de 2008.
Para se identificar a matriz teórica que esta iniciativas de governanças começaram a surgir, é fundamental para retificar os vícios identificados nos já quase 30 anos desta constituição, seja pelos bloqueios que se fizeram dentro destes novos modelos, do tipo “bloquear a pauta” e impedir avanços quando o determinado partido está no poder, quer por incompreensão da sociedade do modelo proposto.
Se tratam de iniciativas que devem partir da sociedade, não apenas a participação consentida ou de determinado matiz ideológico, mas o conjunto da sociedade devem sentir a governança, o deferimento ao que seja a compreensão do que é a democracia, da qual trata Bobbio (2000, p. 386) naquilo que chama de “poder em público”, a sociedade deve ser a promotora de um modo de decidir coletivo, isto que poderia ser chamada de uma abertura dentro da abertura democrática, ou amadurecimento democrático da sociedade brasileira.
Não é Estado mínimo, com menos poder, incapaz de alterar processos administrativos e judiciais que levem a sociedade a um ponto mais justo e transparente.
FRAMER, D. J. The languagem of public administration, Bureaucracy, modernity and posmodernity. USA: The Universidade of Alabama Press, 1995.
BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política. A filosofia política e as lições dos clássicos. Trad. Daniela Beccaccia Versiana, 9ª. Imp. RJ: Elsevier, 2000.

 

Questões administrativas do Brasil

14 Nov

A já afirmada incompetência do Estado para cumprimento de seus deveresaoEstadoBrasil no campo da garantia aos direitos fundamentais, com alternâncias de propostas de modelos para boa administração em situações de regimes jurídicos justos, parecer ser ideia nova, mas não é.

O problema de nosso novo milênio é velocidade própria de surgirem soluções salvadoras, que não se permitem às ideias dos benefícios conquistados ao longo dos tempos, tanto para a aplicação correta das ideias, quanto para a avaliação justa do que foi feito.

O estado não admite um manual de “boas práticas” porque ele muda com o tempo e de acordo com o contexto social, e neste aspecto não se podem negar a influência das novas mídias que impulsionam as redes sociais para o bem e para o mal, por isto os Tribunal Eleitorais e também os sistemas de governança devem admitir novas “práticas”.

A Era Vargas por exemplo, propunha-se a consolidar uma nova configuração do aparelho de Estado, criar novas instituições como a manifestação das bases da formação da sociedade brasileira, é de Lustosa da Costa (2008, p. 843)

É de García de Enterría (1998) a indicação da importância do período pós-Revolução de 1930, para consolidar nova configuração ao aparelho do Estado, ao criar novas instituições como manifestação das bases da formação da sociedade moderna, onde a regulação jurídica, seria um instrumento de contenção do poder e de estabelecimento de uma potência governamental ativa, forte e universal, capaz de concretizar o projeto de reestruturação de sociedade.

Na verdade, o impulso ao capitalismo industrial, associado ao prestígio ao racionalismo, resultou em um ambiente que demandava da nova burocracia “…uma função econômica essencial: a coordenação das grandes empresas produtoras de bens e serviços, fossem elas estatais ou privadas…” conforme afirma Bresser Pereira (2001),   mas que só iria se concretizar com o apoio americano no período de esforça de guerra “dos aliados” com a Companhia Siderurgia Nacional, criada em apoio aos americanos na II Guerra Mundial.

O desenvolvimentismo, entretanto, viria no início da gestão de Juscelino Kubitschek encontra a proposta de reforma administrativa, originária ainda do período Vargas, que depois criou neste governo a Comissão de Estudos e Projetos Administrativos (CEPA), que era “paralela”.

O nome “paralela” foi dado por Lima Junior (1998) para o projeto “50 anos em 5”, onde as autarquias, sociedade de economias mistas e outras estruturas em choque com o Congresso.

As ações administrativas de seu projeto de “50 anos em 5” de Juscelino, reservando-se a atuação executiva propriamente dita às autarquias, sociedades de economia mista e outras estruturas, num emprego daquilo que Lima Junior (1998, p. 10) qualifica como verdadeira “administração paralela”.

Pulamos o Regime Militar, merece uma discussão a parte devido a ditadura e pouco diálogo, no início do governo José Sarney, a Nova República, a pensada nova Lei Orgânica da Administração Pública Federal, para substituir o Decreto-Lei 200/67, e implantar-se ainda a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), de nítida inspiração francesa.

A compreensão do que é o estado, o tipo de Administração Pública que se queria no Brasil redemocratizado envolveu uma prévia compreensão do modelo de Estado que nele se pretendia ter, na perspectiva da Lei Maior de 1988, a chamada Constituição Cidadã.

GARCÍA DE ENTERRÍA, Eduardo.  Revolución Francesa Y administración contemporânea. 4ª ed., Madrid: Civitas, 1998.

LIMA JUNIOR, Olavo Brasil de.  As reformas administrativas no Brasil: modelos, sucessos, fracassos.  in  Revista do Serviço Público, Ano 49, Número 2, abr-jun 1998, p. 5-32.

LUSTOSA DA COSTA, Frederico.  Brasil: 200 anos de Estado; 200 anos de administração pública; 200 anos de reformas. Revista de Administração Pública,  Rio de Janeiro 42(5):829-74, set/out. 2008,Disp em: < http://www.scielo.br/pdf/rap/v42n5/a03v42n5.pdf> Acesso: nov 2017

 

A complexidade mundial e o deocolonialismo

02 Nov

A Complexidade do pensamento chamado de “espírito colonial” feita por Karl Polanyi,aoDeocolonialism Marcel Mauss e Michel Foucault, mas com traços em muitos outros autores ajuda a construir de modo mais apropriado o que é o capitalismo hoje e o que ajuda a desvendá-lo sem dogmatismo.

O que ajuda a demonstrar o que é uma produção filosófica, estética, histórica e cultural de determinado tempo, assim como o fizeram Karl Polanyi, em A Grande Transformação; como também o fez, Marcel Mauss, no Ensaio, revelam que a sociedade é composta de uma série de prestações totais envolvendo o conjunto das instituições sociais, sejam elas jurídicas, econômicas, religiosas ou estéticas (Mauss, 1999, p. 274).

Embora o estudo de estudo das obras clássicas nos leva a reconhecer a importância delas no contexto complexo já apontado, é preciso partir para uma crítica teórica, das práticas e experiências nascidas em sociedades não europeias, algumas provenientes de tradições milenares para entender a complexidade do mundo contemporâneo.

Neste particular é importante a obra de Mauss para a crítica decolonial leva a pensar a relação entre o capitalismo e a colonização nos séculos anteriores, mas com raízes ainda nos dias de hoje,  tendo em conta dois aspectos do processo de colonização: de dentro para fora, tanto eurocentrismo sempre citado e no americanismo não citado, como de fora para dentro, negado e visto como “colonial” algumas vezes, mas fundamental para entender o pensamento que Mauss chamada de decolonial.

Reconhecer isto significa que parte da descrição da modernização é realizada numa perspectiva europeia, mas também há nas bordas partes deste pensamento oriundo do “centro” e que não podem ser vistos só como o das “periferias” .

O pensamento deocolonial conceituado por Mauss é então as noções tanto do centro como da periferia que podem finalmente agora, com uma visão mundial, ser desconstruído e que tem nas suas origens tanto o centro como as margens do sistema mundial, uma vez que foram os mecanismos do centro que ajudaram o mundo moderno a “colonizar a vida do Centro” e não apenas o pensamento da periferia do sistema mundial,

Parte da crítica antiutilitarista se enriquece com a crítica decolonial, na medida em que esta última também procura associar ao seu pensamento, com base sociológica, os diversos fenômenos culturais, tradicionais, religiosos, políticos, linguísticos e rituais.

Assim a crítica pós-colonial, que denuncia as relações desiguais entre centro e periferia, na verdade permitiu a expansão da crítica teórica aos campos de conhecimento e práticas situados na periferia nem sempre de fato libertadores, e quase sempre de uma auto-afirmação negativa da identidade cultural, pois podem desvalorizar os conceitos da identidade moral e estética da vida social, as quais são decisivas para o pensamento simbólico em muitos povos.

 

MAUSS, M. Sociologie et anthropologie. Paris: PUF, 1999 (1924).

 

E a Computação Quântica

23 Out

Enquanto a computação digital trabalha com 0 e 1, a computaçãoaCompQubit quântica poderá usar um conceito de 0 e 1 simultâneos, efeito conhecido pelos físicos como “entrelaçamento” e quando foi enunciado foi chamado por “efeito fantasmagórico” por Einstein, Podoslki e Rosen, sendo assim conhecido pela sigla EPR.
Este fenômeno permite o processamento de várias operações simultâneas, os qubits (bits quânticos) poderão usam os seguintes princípios do processamento de fótons:
– partículas de luz, a luz tem propriedades de partículas,
– íons presos ou armadilha de íons, área conhecida com spintrônica,
– qubits supercondutores, processamento a velocidade da luz praticamente, e,
– centro de vacância de nitrogênio, fenômeno já observado em diamantes imperfeitos.
Computadores quânticos criarão novas aplicações, tais como, modelar variações de reações químicas para descobrir novos medicamentos, desenvolver novas tecnologias de imagem (hologramas aplicados a comunicação, e desenvolvimentos baterias e novos materiais e eletrônica flexível).
Mas a aplicação mais revolucionária será a internet quântica, totalmente usando as partículas de luz (fótons), havendo também uma proposta que usa a luz interagindo com a matéria, o futuro nos espera.
Os projetos ainda estão em desenvolvimento, mas já com muitos resultados.

 

Estado Moderno, eticidade e valores

20 Out

O conceito de eticidade e de estado dos posts anteriores foram para alertarACivilRightsPt que a quebra de valores, ao contrário do quem dizem muitos autores, não se trata de uma desconexão com a realidade ou mesmo uma falta de presença do estado na sociedade moderna, mas uma compreensão inexata da complexidade do mundo moderno e seus valores.

A Eticidade hegeliana, definida como “… a ideia de liberdade enquanto vivente bem, que na consciência de Si tem o seu querer e o seu saber” (Hegel, 1997)

Paul Ricoeur (2008) apresentou a justiça tanto como regra moral como sendo uma instituição, como é no estado moderno, mas estabeleceu uma distinção clara entre as duas: chama a segunda a dialógica do Si (uma vez que é mediada por uma Instituição, no caso, o Estado), e cita um adágio em latim: “suum cuique tribure – a cada um o que é seu”, mas vê também uma lógica hierárquica onde há predicados qualificadores da moralidade humana.

A armadilha feita pelos fariseus montada para que Jesus falasse contra a “lei” romana, ao perguntarem se era justo pagar imposto caiu por terra, pois Jesus tinha claro estas duas distinções de Justiça e disse “dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21).

Em tempos de Estados corruptos sistemicamente é preciso diferenciar a lei moral horizontal e o respeito ao Outro em planos distintos, e devemos guardar mais forte este plano do respeito ao Outro, onde há claramente uma lei Moral maior: não faça ao outro o que não gostaria que fosse feito para você, regra de ouro, em muitas religiões e culturas.

Conservar valores básicos é fundamental, senão ficamos no plano da “eticidade”.

HEGEL, G.W.F. Enciclopédia em Ciências filosóficas em epítome. Trad. A. Mourão, Lisboa: Edições 70. 1997.

RICOEUR, P. O Justo 1: A justiça como regra moral e como instituição. Trad. Ivone C. Benedetti. São Paulo: WMF Martins, 2008.

 

Estado, cultura e complexidade de valores

19 Out

Não havia a complexidade do mundo contemporâneo antes dos meios deaCulture comunicação em massa e das modernas mídias digitais, porque além da lentidão que o processo se difundia, também era possível maior controle da “cultura” e dos “valores”, assim aquilo que se definiu até hoje como estes conceitos é preciso um novo olhar, ao menos de maior diversidade.
Como em outros tópicos definimos que a complexidade é uma herança da biologia, se pensamos cultura nestes termos ela é um tecido vivo onde há o cultivo de células contendo os nutrientes adequados e as condições propícias de sobrevivência da vida daquele organismo.
Podemos articular a complexidade com o conceito antropológico de Edward B. Tylor (citado por Roque B. Laraia) como  “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
O que se define como multicultural, inculturação ou massificação, tem na sua base quase sempre alguma dose de preconceito das culturas originárias e de seus reais valores, diria que de certo modo há algum desrespeito a cultura de povos “não civilizados” ou não “evoluídos”.
Se é um fato que promoveu-se através dos meios de telecomunicação de massa, é também um fato que a visão mundial de diversas culturas nos possibilita um maior respeito e compreensão a diversidade, e que não façamos uma mixagem ou não compreensão da cultura originária.
Cultura originária é de modo bastante amplo aquela que dá identidade a um povo, e qualquer processo educativo que a desconsidere é de certa forma uma massificação, e uma desconstrução de seus valores, mas ela não se reduz ao espaço territorial e este muitas vezes é questionável, por exemplo, os pampas gaúchos nos limites do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina tem em geral, uma cultura muito próxima.
São culturas originárias a cultura árabe, a anglo-saxônica, a latina, mas também aquelas que ultrapassam limites continentais como a islâmica, a judaico-cristã, o hinduísmo, o budismo, e isto se traduzem numa complexidade que deve ser levada em conta quanto aos valores sociais.
A crise de valores é, de certo modo, porque os ideais iluministas do Estado Moderno se sobrepuseram aos valores originários culturais dos povos onde estabeleceu-se o “Espírito das Leis” e ignorou-se aquilo que aqueles povos já tinham em suas raízes antropológicas.

 

 

Complexidade e o estado Moderno

18 Out

O estado como concebido na modernidade, exatamente por que não aoEstadoModernoexistia antes, não é eterno e poderá sofrer profundas transformações para que a sociedade detenha o controle do poder que ela transfere pelo voto democrático, é sensível que hoje precisamos de evolução.
O construto idealista, que é fundamentado nos direitos individuais deve mais e mais ceder lugar aos direitos coletivos e sociais, alguns proclamados na revolução francesa como a igualdade e fraternidade jamais foram alcançados, eis dois dos limites do Estado Moderno.
Mas o mais sensível em tempos de mídias sociais, em que as redes sociais (que são humanas) se empoderam, é o que de fato a democracia é, no sentido de representar legitimamente os direitos da maioria, primeiro porque existe o direito de minorias, é preciso tolerância nesta convivência, e em segundo, este mais fundamental que ao transferir o direito somos após o pleito democrático, enganados pelos defensores de causas “justas” e “sociais”, em troca de seus interesses particulares ou de lobbies.
Esta complexidade social, que as mídias sociais apenas tornam nuas suas demandas e raízes, exige ainda um respeito aos limites legais conforme apontamos no post anterior deste blog, as chamadas discursos e ideologias do ódio.
O estado como concebido por Hegel, possui uma eticidade (conceito de Hegel difere da ética), onde é a “realidade em ato da ideia moral objetiva – espírito moral como vontade substancial revelada, clara a si mesma, que se conhece e pensa e realiza o que sabe e porque sabe e porque ela sabe” (p. § 257), onde há uma “a substância ética autoconsciente” que é claramente mais um conceito idealista que uma verdade apodítica.
Por isso a ideia moral objetiva que Hegel pretendia realizar-se com o Estado, com muitos exemplos em governos atuais, mostrou-se claramente que é um modelo idealista por esconder subjetividades humanas que são igualmente direitos éticos tais como, a religiosidade, e a cultura local de cada povo ou nação, conceito por exemplo, rechaçado por Bush e outros governos xenofóbicos.
O elemento de subjetividade que para Hegel era o “espírito”, também era o Espírito das Leis de Montesquieu, é esta substancialidade autoconsciente, é na verdade a “autonomia do Estado” que se convertem em um sujeito de categorias lógicas abstratas e que não se submetem a realidade concreta dos sujeitos existentes, pessoas inseridas em suas culturas.
O estado moderno não é eterno e precisa ser repensado.

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Robôs autônomos ?

03 Out

Robôs autônomos é a denominação para aqueles que dentro de limites ambientais,autonomosRobot podem realizar os objetivos desejados (por humanos ou por tarefas organizadas em um algoritmo) nestes ambientes desestruturados sem a ajuda humana, por isto o são em certos níveis.

Por exemplo, dentro de uma fábrica onde tarefas mecânicas são realizadas, para evitar acidentes o seu espaço geográfico é limitado e deve detectar algum defeito que possa cumprir determinada tarefa fora do previsto, já um robô espacial deve ter menos limites e ser o mais autonomo possível, por estar sem a possibilidade de uma ação humana direta e ter dificiuldades de comunicação devido a distância.

O projeto chamado SWARM, financiado pela União Européia e que já fizemos um post, agora tem o primeiro sistema multi-robôs de autono montagem que tem coordenação sensório-motor observando robôs parecidos ao seu redor, eles vão variar de forma e tamanho conforme sua tarefa e/ou ambiente de trabalho.

Um ssitema “cerebral” central coordena todos eles, através de um sistema chamado MNS (Sistema Nervoso Combinal, em português), e assim são reconfigurados absorvendo diferentes capacidades mas combinadas por um único controlador central.

Eles também podem se dividir e realizar tarefas de auto reparo, eliminando partes do corpo com defeito, incluindo uma unidade cerebral com algum defeito, claro que pode-se definir que estes defeitos e auto reparos possuem limitações conforme a complexidade.

Em robos autônomos, o aprendizado refere-se a aprender e ganhar novas capacidades sem assistência externa e ajustar estratégias de acordo com o ambiente, o que pode fazer com que sua autonomia aumente, mas pelo que se pode ler do artigo ainda não é o caso.

O modelo atual tem 10 unidades, e os autores apontam no paper publicado na Nature Communications, afirmam que o projeto é escalável, tanto em termos de recursos computacionais para controle robótico quanto tempo de reação para estímulo, dentro do sistema.

Olhando para o futuro, a equipe sugere que os robôs provavelmente serão projetados para adaptação aos requisitos de tarefa em mudança e não mais somente para tarefas específicas.

 

Quando não ser é

27 Set

O que é o ser, a existência e de certa forma a consciência, já postamos aqui diversos AceitaçãoPtdesenvolvimentos desde a fenomenologia de Husserl, passando por Heidegger e Hanna Arendt até Gadamer, Paul Ricoeur e Emmanuel Lévinas, talvez o argumento seja incompleto.

Heidegger dizia que havia outra forma de falar da linguagem que seu sentido comum, e usando Goethe afirmou: a linguagem poética.

Clarice Lispector escreveu em seu romance A paixão segundo GH: “Ser é além do humano. Ser homem não dá certo, ser homem tem sido constrangimento. O desconhecido nos aguarda, mas sinto que esse desconhecido é uma totalização e será a verdadeira humanização pela qual ansiamos. Estou falando da morte? não, da vida. Não é um estado de felicidade, é um estado de contato.”

Hora o que é contato, senão relação e proximidade, mas lá onde está o desconhecido, aquele em que minha mente que jamais será um software pode penetrar, há um além do humano, como diz nossa autora, enquanto muitos preferem o Humano, demasiado humano, a primeira obra de Nietzsche depois de ter rompido com o pessimismo de Schopenhauer.

Mas curiosamente Clarice Lispector era próxima de Nietzsche e este continuou próximo de Schopenhauer, seu pessimismo não era mau humor ou loucura como alguns supõe, era apenas a evidencia de um idealismo romântico em crise, quase de um tédio mortal.

Em certas circunstancias ou saímos do círculo fechado ou estamos fadados a ele, já foi apresentado aqui a Filosofia da crise do brasileiro Mario Ferreira dos Santos sobre a qual afirmou: “a eterna presença do ser, no qual estamos imersos e que nos sustente, o qual nos permite comunicação …” (Filosofia da Crise, 2017, p. 35) e então a crise não é tão profunda, ela tem grau, e entre estes podemos dizer que não há um não ser, mas uma não ser que é.

Aceitação e conscientização dentro de um círculo hermenêutico de diálogo é uma saída.

Vivemos não um tempo de crise, mas uma crise de época, as recentes eleições na Alemanha parecem repetir o círculo vicioso do crescimento da extrema-direita, lá o AfD (Alternativa para a Alemanha) tornou-se a terceira maior força do poder Legislativo alemão, superando as expectativas e obtendo 13%, contra os 4,7% da eleição anterior.

Se as mudanças não vieram, a crise de nossos tempos pode se tornar crise civilizatória.