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Arquivo para a ‘Redes Sociais’ Categoria

Até onde pode ir a AI

20 Fev

O projeto OpenAI que embora se diga “sem fins lucrativos” e seja realmente aberto, basta entrar no blog do projeto para verificar o andamento e as possibilidades, na verdade assuntou até mesmo os especialistas ao publicar um sistema que escreve notícias/textos, teoricamente de ficções, mas que podem ser classificados como fake, ou como estão sendo chamados: faketextos.
Também o código está aberto e disponível no site GitHub para desenvolvedores.
Os sistemas de processamento de linguagem natural podem fazer tarefas como responder questões, conversão de máquinas, compreensão de leitura e sumarização de textos, o que já são tipicamente abordadas com aprendizado supervisionado em conjuntos de dados específicos de tarefas, porém a pesquisa de textos no GPT2 é mais ampla em quantidade.
O GPT2, sucessor do GPT que era apenas um produtor de textos a partir de textos básicos, agora pode ler até 40 GB de textos existentes na Web, e o que tem produzido assusta um pouco, pela clareza, profundidade e o pior de tudo, pura ficção ou mais claramente: fakes.
Entre suas características sintáticas, é superior a outros do género, escrevendo passagens que fazem sentido com o texto anterior e mantém o estilo, sem se perder em frases longas.
O problema é que poderá gerar fakenews que agora podem ser mais longas, tornando-se faketextos, uma reportagem do The Guardian mostra a novidade e os problemas:

 

 

Desencantamento e esperança

15 Fev

Não só um há conservadorismo que retorna, nos EUA, no Brasil, agora na Europa também, mas também uma impotência de mudança expressa em discursos ultrapassados, sem qualquer apelo embora hajam fanáticos, como na Venezuela ou até na Rússia, tudo parece estagnado.
Pouca esperança a quem tem fome, a quem vive a desigualdade ou a intolerância social, é o grito também das minorias, vale lembrar que nenhuma ditadura lhes dá direitos, de onde podem vir esperanças e caminhos ?
O desencantamento não é devido as novas tecnologias, mas a desigualdade social, alerta o moçambicano Mia Couto: “A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos”, ele e também o sociólogo francês Michel Maffesoli falam e insistem em reencantamento, e dizem é possível em meio a retrocessos olhar para o futuro.
Ambos falam de olhar o que há já de novo nos jovens, é desencantamento perceber só o negativo, repetimos o que não aceitávamos em nossos pais: não aceitar o novo dos jovens.
Lembro-me dos cabelos compridos, das calças desbotadas, da “música alta” no início dos Rolling Stones, depois Black Sabbath quando ainda jovem assisti o filme O último certo de rock (The Last Waltz, foto) pensei: será que começo a envelhecer.
O filme incluía Eric Clapton, Ringo Starr, Bob Dylan, Ronnie Wood, Muddy Waters, Neil Young, Neil Diamond, Van Morrison, Bobby Charles, Dr. John, e outros, falava de uma banda canadense, justamente com o nome The Band, que terminou numa boa, sem loucuras e sem escândalos, fez este último concerto, em filme dirigido por Martin Scorcese (1978), mas eu ainda era bem jovem, o que houve então ?
Começava um desencantamento isto sim, via que o pensamento que julgava revolucionário, não o era tanto assim, e que as mudanças que previa não aconteceriam, em meados de 90 começa a Grasnost (transparência em russo) e depois a Perestroika, o mundo de fato mudou.
Mas sobrou ainda a concentração de renda, a violência contra a natureza e uma sociedade cada vez mais do cansaço, haverá em reencantamento ?
Temos que ter esperança, diz a leitura bíblica (Lc 6:21): “Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir!”.

Haverão sim uma reestruturação pois está no coração de muita gente, e ressurgirão as forças da mudança.

 

História da literatura ocidental

11 Fev

O livro de Otto Maria Carpeaux (a edição de 2008, do vol. I que li), começa com algo instigante, e que me ascendeu para a leitura da obra:
“Estava eu no escritório de Antônio Houaiss, na Rua São José, onde o filólogo dirigia a Enciclopédia Mirador Internacional. Acabara de chegar, acomodara-me muito timidamente numa cadeira, com medo de aquilo resultar em visita desabrida. Eis que irrompe escritório adentro um septuagenário, gravata vermelha de seda e camisa de listas espaçadas também vermelhas. O senhor tinha nas mãos maço de papéis. Dirigiu-se a Houaiss com intimidade de velhos amigos. Não me lembro se o chamou pelo pré-nome ou pelo sobrenome. O certo é que disse:
– Isto aqui não corresponde à verdade. O que está dito aqui sobre Farmácia está incorreto”, disse para o Houaiss, que não é qualquer pessoa neste tema, pois tem um dicionário.
O fato mostra o rigor de Carpeaux, e ler literatura é uma boa forma de compreender a história.
Pensei maneira inteligente de começar um livro, que em geral começa com autos elogios, o mal do mundo dito culto poucos são menos que um gênio, e os que de fato o são pensam sobre suas deficiências e incertezas.
Claro o texto acima não é do próprio Otto Maria Carpeaux, e sim sobre ele, o prefácio feito pelo doutor da UnB Ronaldo Costa Fernandes, que mostra esta relação entre Houaiss, famoso pelo seu dicionário e que deu enormes contribuições a reforma ortográfica.
Carpeaux era nascido em Viena, com anexação da Áustria fugiu para Bélgica, em 1938, e em 1939 chegou ao Brasil, conta o livro que já em 1955“ publica Pequena bibliografia da literatura brasileira. Era um ato de ousadia para quem só estava pouco mais de uma década no Brasil e em contato com a literatura do novo país em que passou a viver” (pg. XXI do prefácio), cita também a sua primeira obra no Brasil A cinza do purgatório, em 1942.
A coleção foi relançada em 1959, pela editora O Cruzeiro, depois por diversas outras inclusive pelo Senado Federal (veja um dos volumes em pdf), agora há uma edição nova (2017), em 10 volumes, da editora Casa da Palavra.

 

A verdade em tempos de crise

31 Jan

A nova consciência hermenêutica, que procura estabelecer diálogos entre pré-conceitos, tornou o homem ora mais vulnerável a uma crise do pensamento, ora mais ortodoxo e rígido predisposto a intolerância, a uma verdade da “Monarquia do Medo” como define Martha Nussbaum em seu novo livro, favorável ao fechamento nas ditaduras e extremos atuais.
Mas o que é esta nova consciência ? define-a Hans Georg Gadamer assim: “consciência hermenêutica, que deve ser despertada e mantida desperta, reconhece que, na era da filosofia da ciência, a reivindicação de superioridade tem algo de quimérico e irreal sobre ela.” (GADAMER,  1997)
E acrescenta: “Mas embora a vontade do homem esteja mais do que nunca intensificando sua crítica do que fazia antes, a ponto de se tornar uma consciência utópica ou escatológica, a consciência hermenêutica procura confrontar essa vontade com algo da verdade da recordação: com o que ainda é e nunca mais real.” (Gadamer, 1997), ou seja, uma a-lethe (a Aleteia dos gregos), ou o não esquecimento (ou conhecimento da história).
O foco da subjetividade em oposição a objetividade é a verdadeira janela escura (Black Mirror fala apenas da cultura digital que tem apenas 30 anos), veja o que diz o hermeneuta: “O foco da subjetividade é um espelho distorcido. A autoconsciência do Indivíduo é apenas uma oscilação no circuito fechado da vida histórica“ (Gadamer, 1997), lembrando que autoconsciência é o grande construto hegeliano em substituição à consciência histórica.
O que acontece com a cilada história que nos metemos é além da crise do pensamento idealista e científico, os métodos neopositivistas estão ai, é fato que não conseguimos refletir de modo sobre a vida prático para a qual a má teoria se reivindica, a ausência da phronesis.
Para Gadamer, a Phronesis, ou sabedoria prática, emergente entre o ethos e o logos, diria indo mais além uma ontoética que admite a ontologia no Ser coletivo e no terceiro excluído entre o eu e o nós.
Afirma Gadamer sobre esta ontoética: “O entendimento não ocorre quando tentamos interceptar o que alguém quer nos dizer alegando que já o sabemos” (Gadamer, 1997), isto ocorre quando estabelecidos os pré-conceitos somos capazes de abertura a um verdadeiro epoché, que nos leva a uma fusão de horizontes e reorganiza o discurso.
Isto é muito difícil hoje, mas não impossível, se houver um mínimo de confiança entre dois discursos, mas a ciência positiva, o dogmatismo, o fundamentalismo e outros ismos não admitem isto, estão entrincheirados em sua “autoconsciência” que arrogam prática (apenas empíricas em geral) ou coletivas (círculos fechados muitos vezes).

GADAMER, H.G. Verdade e Método. tradução de Flávio Paulo Meurer. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. (pdf)

 

Verdade e diálogo

30 Jan

A falência dialógica e o crescimento da polarização política em nosso tempo, que tem como vítima a própria democracia, vem da ausência de pensamento hermenêutico que é essencialmente dialógico e paradigmático (no sentido de encontrar a fusão de horizontes) e um beco sem saída para os discursos ortodoxos.
A fenomenologia traz desde o princípio a questão de fazer um vazio para ouvir o Outro, o que os gregos chamam de epoché, ou a suspensão dos juízos sobre as coisas, o que pode parecer parecido com o cogito cartesiano, mas não o é, Husserl esclareceu isto em meditações cartesianas, que já fizemos alguns posts aqui.
O epoché é a chamada redução fenomenologia, é olhar uma coisa mudando os óculos (figurativamente é claro) para enxergar a essência das coisas, algo difícil nos dias de hoje, onde a aceleração dos juízos e dos pré-conceitos não permitem uma meditação, contemplação ou relação dialógica verdadeira, o que se chamou no post anterior de verstehen.
Uma vez que o diálogo depende de um círculo hermenêutico que envolve a relação com os nossos pré-conceitos, visto como positivo aqui é importante isto, significa que devemos fazer calar os nossos pré-juízos sobre as coisas que serão ditas e nunca optar pelo: isto não !!!
O problema central da filosofia racional-idealista da modernidade é que separou sujeito de objeto e isto foi para o dia-a-dia da cultura religiosa a mais alta filosofia acadêmica, as “coisas” são “impuras” e no entendo o mundo da vida (lebenswelt de Husserl), a visão de mundo (o que Heidegger chamou de weltanschauung) significam retornar as “coisas” como elas são.
O próprio conhecimento não é outra coisa que esta relação interprete-coisa: “O conhecimento, ou seja, o ato de eu dar ao mundo um caráter inteligível, se dá, portanto no encontro entre a consciência e as coisas” afirmou Husserl, explicando o que é ir a “coisa” mesma.
Ora nossos conflitos envolvem não apenas as relações humanas, como como elas se dão na relação com as coisas: o dinheiro, a saúde, o trabalho, os alimentos, a própria natureza (incluindo a nossa própria), a comunicação (que não nasceu no mundo digital), enfim quase tudo envolve a relação com a coisa e nossa consciência disto.
O diálogo, considerando os pré-conceitos, com a possibilidade de fusão de horizontes (que não é necessariamente o consenso), é fundamental em tempos de crise e de pré-conceitos.

 

Sem noção e meias verdades

28 Jan

O fato que tudo possa ser mera “opinião” é que cria e desenvolve o sem-noção, termo popular para falar da doxa, o que era mera opinião sem um conhecimento organizado que fundamente e torne séria determinada opinião sobre assuntos, o que é chamado episteme na antiguidade clássica.
O fato que a verdade quase sempre permanece encoberta é que estamos em busca da re-velação, embora a use também, se atentarmos para o termo significa velar de novo, e não des-velar, tirar o véu, a antiguidade clássica também tinha um nome para isto: a-letheia (lethe, “esquecimento”), a como negação significa: não esquecer.
Revelação está mais próximo do que Aristóteles chamou de endoxa (ἔνδοξα), ao contrário de Platão que considerava a doxa mera opinião, Aristóteles a revaloriza entendendo que muitas das crenças e opiniões populares pode vir de consenso de sabedorias antigas, como diz no meio popular, nossos pais “sabiam das coisas”.
Pode-se encontrar na obra Tópicos traduzida do grego por Jacques Brunschwig (1967), uma definição direta de Aristóteles:
“Endoxa, por outro lado, são aquelas [opiniões] que se baseiam no que pensam todos, a maioria ou os sábios, isto é, a totalidade dos sábios, ou a maioria deles, ou os mais renomados e ilustres entre eles”. (Aristoteles, 1967, 100b20-22).
O fato que um conjunto de opiniões viram as chamadas “lendas urbanas”, para isto estou recorrendo ao termo popular sem-noção, é que determinadas verdades ditas de modo bastante incisivos e persuasivos tornam-se meias-verdades públicas, e assim tem necessidade de um desvelamento, mas a raiz disto está no pensamento e não nas mídias, que servem apenas de veículos propagadores de ideias, que também os jornais, rádios e TVs já fazem.
Na década de 20 Karl Kraus, um dramaturgo que escrevia contra o mau jornalismo, a serviço de meias-verdades e a favor de interesses bem determinados mostra que o fato é antigo, mas qual a origem ? Vejo duas bem claras.
Primeira uma episteme, os saberes construídos mesmo em academias e livros com muito pouca historicidade, usam-se aforismos (Karl Kraus tem um livro com este nome, mas dizia que eram meias-verdades ou mais que verdades), a própria organização do conhecimento com vícios de logicismo e visão unilateral das questões, devido a pouca transdisciplinaridade dos discursos.
Mas há uma razão pública, além da epistémica que é mais profunda, gostamos de omitir opinião sobre tudo e pensar pouco, aprofundar sobre certo tema ficou “fora de moda”, ou seja, a preguiça mental leva-nos a isto (as novas midias são posteriores ao fenômeno de superficialidade), não há como ser profundo sem duvidar do próprio pensamento, ser ouvir o outro, sem abrir-se a conhecimentos novos que acontecem todos os dias.
O já sei no que vai dar, já sei o que pensa ou não vale a pena estudar, ler e aprofundar, levou a uma cultura sem noção, pouca profundidade, imediatismo e isto não tem nada de líquido, é uma sólida ignorância, as vezes militante e relutante a abrir ou desvelar, fica no re-velar.
Aristóteles. Topiques. Tome I: Livres I-IV. Texte établiet traduit par Jacques Brunschwig. Paris, Les Belles Lettres, 1967

 

A ilustre casa de Ramires, a venda

23 Jan

Este romance no mais maduro e também típico de Eça de Queiroz porque reflete sua técnica narrativa em uma linguagem um pouco arcaica, faz uma trama bem pensada na qual traz aspectos de Portugal do século XII, um povo heróico e até violento, e outros aspectos de Portugal do século XIX já com feições modernas.
A trama usa para isto uma técnica surpreende, usando um conto do século XII, o período heróico de Portugal e uma realidade do século XIX, em contraste.
O jovem Gonçalo Ramires procura através da política e de viagens para a África arranjar a vida, depois de reconstruir suas finanças retorna a Portugal e vai incorporando a estrutura e os valores de seus ancestrais, neste ponto Eça de Queiroz retrata os antepassados
No Seculo XII viveu Tructesindo Mendes Ramires, narrado como de espírito integro rígido e audaz e vai vingar seu filho Lourenço que viu morrer no alto da sua torre em uma emboscada de Lopo de Baião, antigo noivo da filha e traidor de Ramires e do rei Sancho I.
A história é de certa forma revivida pelo jovem Ramires que vê a irmã Gracinha Ramires que vê o ex-noivo a acedia-la e esta acaba casando-se com o inocente Barolo, revivendo o problema de seus antepassados.
A casa de Ramires existe na vida real, inclusive a famosa Torre, e está em ruínas e a venda é a notícia em Portugal, a Casa da Torre da Lagariça, em Resende (de Portugal), norte de Portugal na região de Viseu, está a venda por valores perto de 1 milhão de euros.
Vou quase todo dia a Confeitaria Cister, local predileto de Eça de Queiroz, perto de onde trabalho, brinco que não o encontro ali … mas sua alma e pensamento parecem presentes.

Queiroz, Eça. A ilustra casa de Ramires. Primeira versão em 1900  (em epub, em pdf).

 

Para onde vai a Europa ?

22 Jan

Três assuntos tomam conta do noticiário europeu: as próximas eleições do parlamento europeu no final de maio, a saída do Reino Unido em março e os coletes amarelos na França.
Enquanto isto realiza-se a conferencia em Davos que parece pouco se incomodar com estas questões, as ausências da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos mostra algo estranho.
Em relação as eleições europeias, a situação frágil de Makron na França e o mandato de Merkel chegando ao fim deixam incerteza, menos na Alemanha onde uma nova líder parece ter surgido, a nova líder dos União Democrata Cristã Annegret Kramp-Karrenbauer (AKK) eleita com 99% dos votos e poderá se tornar a próxima chanceler alemã em 2021.
“Aprendi que a liderança tem mais a ver com a força interior do que com o barulho que se faz no exterior”, diz AKK (na foto com Merkel) que rejeita o titulo de “mini Merkel” que diz que não diriam isto de um homem, é mais dócil e mais decidida que Merkel, tem 3 filhos e o marido a acompanha sempre.
Dois partidos europeus lideram o bloco o PPE (Partido Popular Europeu que são no fundo os democratas cristãos) que tem 265 deputados e o S&D (Socialistas e democratas progressistas) com 184 deputados, mas a direita com os liberais e reformistas promete crescer, basta olhar o cenário dos países e a saída do Reino Unido, que será em março.
França e Alemanha lideram em número de deputados, tem respectivamente com 96 e 74 deputados de um total de 751, aliás a líder alemã AKK fala bem o francês, e este bloco é fundamental para combater a onda nacionalista que pode fragilizar a união europeia.
O Brexit, a saída do Reino Unido cada vez menos unido e mais fragmentado por causa da saída da União Europeia afeta o bloco europeu no sentido que pode criar uma onda e também porque possui significativo número de deputados de centro esquerda devido a sua posição trabalhista ainda muito forte num Reino Unido dividido pelo próprio Brexit.
Os coletes amarelos parecem organizados demais para representarem de fato alguma contestação social, para alguns analistas parece algo orquestrado para fortalecer um novo tipo de nacionalismo que pouco ou nada tem a ver com a população de fato, guardadas as devidas proporções, lembram um pouco as manifestações de 2013 no Brasil.

 

Coisa, objetividade e verdade

15 Jan

O problema essencial do idealismo moderno é a distinção entre subjetividade (o que seria próprio do sujeito) da objetividade (o que seria próprio do objeto), Kant pretendeu dar a estes conceitos um caráter universal que seria independente de cultura, época e religião.
Em epistemologia, o que se opõe a mera opinião (a doxa diziam os gregos) é o que caracteriza a validade de um conhecimento, boa parte da representação moderna torna-a relativa ao objeto, mas o objeto enquanto coisa não é investigado, o que seria descobrir a subjetividade.
Então o que é real, ou o que é verdadeira necessita dizer o que caracteriza e dá validade a um conhecimento ou sua representação relativa ao objeto, isto é uma “teoria” e não a prática, embora a prática (não o empirismo) possa servir para refutá-lo como não.
Por outro lado, não é possível representar um objeto sem regras normativas que são próprias de cada área, mas que seguem normas bibliográficas para referências gerais, porém é preciso dizer que não é sinônimo de verdade, ou seja não significa que a representação que serve para dar um “índice de confiança” ou “relevância” que significa a validade por uma “comunidade”.
Em ciência (empírica) a objetividade é a propriedade, característica das teorias científicas, que procura estabelecer as afirmações inequívocas que podem ser testadas, não exclusivamente por dados, experimentos ou práticas, mas como interpretação possível do mundo real.
Neste campo entra a hermenêutica, é possível que interpretações não únicas, sejam convergentes ou tenha um horizonte comum, o que Hans-Georg Gadamer chamou de fusão dos horizontes, mas talvez o nome seja forte demais, pois permanecem particularidades.
Ora isto não é relativismo, nem individualismo teórico ou prático, mas algo próprio daquilo que a filosofia idealista chamou de subjetividade, próprio do sujeito.
O dualismo desta ”teoria” que apela ao empirismo, é a eterna separação entre o mundo das ideias (eidos na Grécia antiga que era outra coisa), e o mundo da prática, por isto não se pode fazer (no campo da prática) aquilo que é próprio deste pensamento (teoria).
Em termos práticos, e, portanto, também boa teoria, a dicotomia entre o pensar e o fazer tem como raiz moderna o idealismo, separar o plano próprio do sujeito da relação ao objeto, com o qual de forma o conhecimento sobre o mesmo.

 

A economia, a justiça e a moral

08 Jan

É preciso falar nesta ordem, pois onde não há uma economia saudável e participativa, são raros exemplos no mundo contemporâneo, a justiça e a moral ficam debilitadas e esquecidas.
Qual a economia que vai reger o Brasil no seu novo governo ? é ingênuo pensar que não há fundamento para o que está se iniciando e Paulo Roberto Nunes Guedes, o novo ministro da Economia do Brasil chamado junto com o Sergio Moro de superministros, é doutor pela Universidade de Chicago (EUA) e por isso conhece bem a chamada escola de Chicago.
São fundadores desta escola George Stigler e Milton Friedman, e ambos já foram premiados com o Prêmio Nobel de Economia, esta política foi conhecida no Brasil por sua influencia no período militar, através de sua visão liberal, a rigor a favor de um laissez-faire quase total.
Pode-se dizer então que é uma escola neoclássica, rejeita o Keynesianismo da intervenção do estado, então o cambio é flutuante e a moeda deve seguir a “mão invisível” do mercado, ou seja, o câmbio flutuante com pouca intervenção do estado, até o momento parece funcionar.
Entretanto esta escola foi concebida no boom do pós-guerra, em 1950 e em crise não parece funcionar tão bem, o estado precisa controlar os mercados e a rigor isto acontece sempre.
Daqui partimos para a Justiça, onde a ideia de sufocar os grupos internacionais de drogas, de corrupções através do aperto financeiro parece já ter falhado na primeira semana de governo, curiosamente pelo pedido petista Ceará, a questão da corrupção a nomeação de Marun para Itaipu gerou até desconfianças dentro do governo, o onipresente porta-voz Onyx Lorenzoni e do senador que é filho do presidente envolvidos em esquemas com Flávio Queiroz.
Enquanto discutimos a questão do azul para meninos e rosa para meninas, os assuntos que são realmente relevantes ficam soterrados até por gente que se imagina consciente, a imprensa foi uma que embarcou neste lamentável debate.
Já os índices de feminicídio, a violência contra homossexuais com novos casos e outras minorias que não se trata apenas moral e sim de crime, por isto é moralismo ver pelo lado das “cores!”, pois a moral significa o respeito a cada pessoa e aos seus direitos.
Mas enquanto discutimos isto, a questão de Queiroz e assuntos econômicos essenciais passam ao largo da opinião pública, incluindo os jornalistas.