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Arquivo para a ‘Antropotécnica’ Categoria

[:pt]O cosmos e a ira divina[:en]The cosmos and divine wrath[:]

05 mar

[:pt]O modelo de universo racional/idealista era de um cosmos funcionando como um relógio, a realidade e o cosmos se mostraram além da ideia dos modernos (o eidos grego é outra coisa), se mostrou como um modelo quântico onde existe um terceiro incluído (modelo de Barsarab/Lupasco) e no qual o tempo e o espaço não são mais absolutos e matéria é energia.

Assim o antigo modelo de harmonia foi modificado pela física atual, chamada de Física do Modelo Padrão que a partir da física das partículas desenvolveu um modelo unificado para as forças que atuam sobre a matéria, e inclui as forças fundamentais forte, fraca e eletromagnética e gravitacional unificando-as a teoria quântica dos campos, a mecânica quântica e da relatividade especial.

A recente descoberta da Bóson de Higgs, incorretamente nomeada partícula de Deus supondo que ela seria responsável pela atribuição da matéria aos corpos, este modelo explicou a atração magnética dos planetas, a luz e os diversas formas e dividiu a matéria em muitas partículas.

Após a criação o universo e sua expansão determinadas leis desenvolveram corpos, planetas e sistemas planetários em formação e ocaso, estudos atuais mostram o desenvolvimento das estrelas vem de gás interestelar e poeira cósmica e hidrogênio que a baixas temperaturas entram em colapso e formam moléculas que dão origem a protoestrelas, estas sob pressão e rotação formam as estrelas.

Além do nosso conhecimento este universo em expansão age de forma muitas vezes surpreendente e hoje sabemos que não apenas aquilo que ocorre no planeta tem influência interiores como também exteriores, as explosões solares e a aproximação de corpos celestes por exemplo, enfim somos um minúsculo grão de areia num universo muito mais complexo e errante.

Todo este corpo celeste age com sua harmonia própria e não necessariamente como são pensadas as leis atuais que conhecemos então sempre é possível uma surpresa, por exemplo, hoje se procura o nono planeta (Plutão foi rebaixado para planeta anão) que teria uma órbita externa ao nosso sistema planetário e estaria agora em aproximação do sistema, afetando por exemplo o Cinturão de Kuiper, e teria uma orbita de translação de 14 mil anos e existiriam outros corpos externos do Sistema Solar.

Dentro desta nova lógica do universo, movimentos aorgicos (do inorgânico sobre a vida orgânica) não apenas é possível como facilmente explicável, o ambiente em torno da biosfera é um organismo vivo e este está dentro de um universo mais amplo e sujeito as suas leis.

Aquilo que acontece na esfera humana também tem seus equilíbrios instáveis e desequilíbrios, assim não se podem mais pensar em tudo como uma “harmonia”, no sentido cartesiano, e sim como aquilo que tende a favorecer ao funcionamento do universo como um todo e para o qual as forças tendem a empurrar perante suas próprias leis e determinações aos olhos humanos podem ser a ira divina, ou a “perfeita harmonia divina”, porém diferente daquela explicada como movimento preciso de relógio.

A carta de Paulo aos Corintios (Cor 1,1, 22-25) dizia que os gregos pediam sabedoria e os judeus sinais, mas que para Deus isto era insensatez humana, o universo esconde o amor e a ira divina.[:en]The rational / idealistic universe model was of a cosmos working like a clock, reality and the cosmos showed themselves beyond the idea of the modern ones (the Greek eidos is something else), it showed itself as a quantum model where there is a third included (model Barsarab / Lupasco) and in which time and space are no longer absolute and matter is energy.

Thus, the old harmony model was modified by current physics, called Standard Model Physics which, from particle physics, developed a unified model for the forces acting on matter, including the strong, weak and electromagnetic and gravitational forces unifying them quantum field theory, quantum mechanics and special relativity.

The recent discovery of the Higgs Boson, incorrectly named the God particle assuming that it would be responsible for attributing matter to bodies, this model explained the magnetic attraction of planets, light and the various forms and divided matter into many particles.

After the creation of the universe and its expansion certain laws developed bodies, planets and planetary systems in formation and decline, current studies show the development of stars comes from interstellar gas and cosmic dust and hydrogen that at low temperatures collapse and form molecules that give protostars, these under pressure and rotation form the stars.

In addition to our knowledge, this expanding universe acts in an often surprising way and today we know that not only what happens on the planet has internal but also external influences, solar flares and the approach of celestial bodies for example, in short we are a tiny grain of sand in a much more complex and wandering universe.

This entire celestial body acts with its own harmony and not necessarily as the current laws that we know are thought, so a surprise is always possible, for example, today we are looking for the ninth planet (Pluto was demoted to a dwarf planet) that would have an orbit external to the our planetary system and would now be approaching the system, affecting for example the Kuiper Belt, and would have a translational orbit of 14,000 years and there would be other outer bodies of the Solar System.

Within this new logic of the universe, aorganic movements (from the inorganic to organic life) are not only possible but easily explainable, the environment around the biosphere is a living organism and it is within a larger universe and subject to its laws.

What happens in the human sphere also has its unstable and unbalanced balances, so it is no longer possible to think of everything as a “harmony”, in the Cartesian sense, but as what tends to favor the functioning of the universe as a whole and for the which forces tend to push before their own laws and determinations in human eyes may be divine wrath, or “perfect divine harmony”, but different from that explained as a clock movement.

So it is not a Kronos, but a Kairós, “opportune moment” or “right” in the divine perspective in which everything that is at odds collapses and that in human eyes is “wrath of God”, when in reality it is a correction of cosmos governed by its own laws.

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[:pt]A noosfera: da matéria primária ao pensamento[:en]The noosphere: from primary matter to complexification.[:]

04 mar

[:pt]Teilhard Chardin descreve assim a complexificação a partir dos primeiros desenvolvimentos da vida, a passagem crítica da vida das células para uma vida ultracomplexa:

“Provavelmente jamais descobriremos (a não ser que, por sorte, a ciência de amanhã consiga reproduzir o fenômeno no laboratório) – a História por si só, em todo o caso, jamais descobrirá diretamente os vestígios materiais desta emersão – aparição – do microscópico para fora do molecular; do orgânico para fora do químico, do vivo para fora do pré-vivo.” (Chardin, 1965, p. 63)

Embora possa parecer que a natureza teria feito esta preparação sozinha, chama a atenção a originalidade essencial da célula produzindo algo inteiramente novo, e compondo uma multiplicidade orgânica num mínimo espaço, embora o processo possa ter levado anos, cada célula foi longamente prepara para ser algo original.

Será através de discretas, mas decisivas mutações que ocorreram durante milhares e milhões de anos, que a complexidade de células e seres vivos foram se formando sendo possível perceber “os irresistíveis desenvolvimentos que se ocultam nas mais frouxas lentidões, a extrema agitação que se dissimula sob o véu de repouso, o inteiramente novo que se insinua no íntimo da repetição monótona das mesmas coisas” (Chardin, 1965, p. 8).

Foi pela complexificação da vida que surgiu o humano, na origem Deus o fez de matérias inorgânicas, metaforicamente a Bíblia diz do barro, porém é certo que o universo nasceu antes.

Assim o mundo da physis (Chardin vê sua física no sentido grego da palavra) estaria ligada a biologia, e pensa:

“Poderíamos hesitar um só momento em reconhecer o parentesco evidente que liga, na sua composição e nos seus aspectos, o mundo dos proto-vivos ao mundo da física-química ? Quer dizer, não estaremos ainda, neste primeiro escalão da vida, senão no âmago, pelo menos na própria orla da ´matéria´?” (Chardin, 1965, p. 66)

Ao nascimento da vida humana, após bilhões de anos depois da formação do universo, uma grande e decisiva mutação ocorrerá, o nascimento do pensamento e da consciência, e do que Chardin chama de interiorização, que em termos religiosos significa a alma individual que é também ligada ao coletivo, o princípio da associação desde as primeiras células.

Ao pensamento e à consciência desenvolve-se a noção de pessoa, esta experiência foi dada graças ao desenvolvimento cerebral do homem, e aos desenvolvimentos do que Chardin chama de Noosfera, a última etapa depois da Biosfera, a criação e desenvolvimento da vida.

Desenvolver e explicar a cosmogênese chardaniana é um longo processo que nem mesmo em vida ele desenvolveu completamente, muitos avanços da astrofísica atual (muitas descobertas tentam explicar a origem da vida) ajudam a compreensão, o que importa é ressaltar que o panorama de evolução do próprio cosmos, não apenas a Terra, está ligado ao desenvolvimento da consciência e da capacidade humana de ligar-se a harmonia da vida.

CHARDIN, T. O fenômeno humano. BR, São Paulo : Herder, 1965.[:en]Teilhard Chardin thus describes the complexification from the first developments of life, the critical transition from the life of cells to an ultra-complex life:

“We will probably never find out (unless, luckily, the science of tomorrow manages to reproduce the phenomenon in the laboratory) – History alone, in any case, will never directly discover the material traces of this emergence – appearance – of microscopic out of the molecular; from the organic out of the chemical, from the living out of the pre-living. ” (Chardin, 1965, p. 63)

 

Although it may seem that nature would have done this preparation alone, it draws attention to the essential originality of the cell, producing something entirely new, and composing an organic multiplicity in a minimum space, although the process may have taken years, each cell has long been prepared to be something original.

It will be through discreet but decisive mutations that occurred for thousands and millions of years, that the complexity of cells and living beings began to be formed, making it possible to perceive “the irresistible developments that are hidden in the weakest slowness, the extreme agitation that is hidden under the resting veil, the entirely new that insinuates itself in the monotonous repetition of the same things ”(Chardin, 1965, p. 8).

It was through the complexification of life that the human emerged, in the beginning God made it from inorganic materials, metaphorically the Bible says about clay, but it is certain that the universe was born before.

So the world of physis (Chardin sees physics in the Greek sense of the word) would be linked to biology, and thinks:

“Could we hesitate for a moment to recognize the evident kinship that links, in its composition and aspects, the world of the proto-living to the world of physical chemistry? I mean, are we not yet, in this first stage of life, but at the core, at least on the very edge of ‘matter’? ” (Chardin, 1965, p. 66)

At the birth of human life, after billions of years after the formation of the universe, a great and decisive mutation will occur, the birth of thought and consciousness, and what Chardin calls interiorization, which in religious terms means the individual soul that is also linked to the collective, the principle of association from the first cells.

The thought and the conscience the notion of person develops, this experience was given thanks to the cerebral development of man, and to the developments of what Chardin calls the Noosphere, the last stage after the Biosphere, the creation and development of life.

Developing and explaining the Chardanian cosmogenesis is a long process that not even fully developed in life, many advances in current astrophysics (many discoveries try to explain the origin of life) help understanding, what is important to emphasize is that the evolution panorama cosmos, not just the Earth, is linked to the development of human consciousness and capacity to connect with the harmony of life.

Chardin, T. (1965). O fenomeno humano (Phenomenous Human). BR, São Paulo : Herder.[:]

 

[:pt]A primeira mutação aórgica[:en]The first aortic mutation[:]

03 mar

[:pt]Como se originou exatamente a vida é ainda uma especulação, uma das teorias mais elaboradas foi feita por Lynn Margulis (1938-2011) primeira esposa de Carl Sagan famoso pela série Cosmos, a teoria dela chamada de Endossimbióse.

Nesta teoria as mitocôndrias e cloroplastos tornam-se organelos em uma célula, os primeiros por energia química e o segundo por fotossíntese, embora a teoria nunca foi comprovada em laboratório é interessante, Teilhard Chardin as chamava de “cadeia de moléculas carbonadas” (O fenômeno humano) e ATP (adenosina trifosfato) molécula transportadora de energia nos seres vivos, há outras teorias é claro.

Fundamentalistas de plantão fiquem calmos, também no Genesis da Bíblia está que Deus fez o homem do barro e depois soprou-lhe nas narinas, assim também a vida surgiu em determinado momento (Genesis 2,7), e o texto anterior diz que “mas subia da terra um vapor que regava toda a terra” (Gn 2,6), esse vapor bem que podia ser o CO2.

Talvez nunca saibamos exatamente como isto aconteceu, porém é certo que a Terra e a Natureza vieram antes que os organismos vivos e certamente depois deles (ou da maioria deles) apareceu o homem, porém a mutação aórgica não parou ai.

As mutações gênicas, embora raras podem acontecer, elas podem fazer surgir novos genes numa determinada população, por mecanismos de adaptação natural, se determinadas características forem favoráveis à sobrevivência e à reprodução em determinado ambiente, portanto se o ambiente muda as mutações podem tornar-se estáveis no novo ambiente.

A terra passou por diversas mudanças ambientais, e talvez a que estamos passando seja a que mais profundamente afeta a estabilidade do meio ambiente, pássaros e animais foram extintos e florestas e ambientes naturais devastados, assim é de se esperar que alguma mutação ocorra, porém será o ambiente o primeiro a mudar e reagir, assim fenômenos naturais podem ocorrer.

Isto levam muitos anos para ocorrer, mas de repente rompem-se numa cadeia de mutações, assim a descreve Teilhard Chardin: “os irresistíveis desenvolvimentos que se ocultam nas mais frouxas lentidões, – a extrema agitação que se dissimula sob um véu de repouso, – o inteiramente novo que se insinua no íntimo da repetição monótona das mesmas coisas” (Chardin, 1965, p. 8).

Em tempos de riscos pandêmicos, olhar ao universo da cosmogênese que vivemos é essencial.

CHARDIN, T. O fenômeno humano. BR, São Paulo : Herder, 1965.[:en]How exactly life originated is still speculation, one of the most elaborate theories was made by Lynn Margulis (1938-2011) Carl Sagan’s first wife, he is famous for the Cosmos series, her theory called Endosymbiosis.

In this theory the mitochondria and chloroplasts become organelles in a cell, the first by chemical energy and the second by photosynthesis, although the theory has never been proven in the laboratory is interesting, Teilhard Chardin called them “chain of carbon molecules” (The phenomenon human) and ATP (adenosine triphosphate) energy-carrying molecule in living beings, there are other theories of course.

Fundamentalists on duty stay calm, also in the Genesis of the Bible is that God made man out of clay and then blew him in the nostrils, so life also appeared at a certain moment (Genesis 2,7), and the previous text says that “but a steam was rising from the earth to water the whole earth ”(Gn 2,6), that steam could well be CO2.

We may never know exactly how this happened, but it is certain that Earth and Nature came before living organisms and certainly after them (or most of them) man appeared, but the aortic mutation did not stop there.

Genetic mutations, although rare can happen, they can cause new genes to appear in a given population, by natural adaptation mechanisms, if certain characteristics are favorable to survival and reproduction in a certain environment, therefore if the environment changes, the mutations can become stable in the new environment.

The land has undergone several environmental changes, and perhaps what we are going through is the one that most deeply affects the stability of the environment, birds and animals have been extinct and forests and natural environments have been devastated, so it is to be expected that some mutation will occur, but it will be the environment is the first to change and react, so natural phenomena can occur.

This takes many years to occur, but suddenly they break in a chain of mutations, as Teilhard Chardin describes it: “the irresistible developments that are hidden in the most sluggish slowness, – the extreme agitation that is hidden under a veil of rest, – the entirely new that insinuates itself within the monotonous repetition of the same things ”(Chardin, 1965, p. 8).

In times of pandemic risks, looking at the universe of cosmogenesis we live in is essential.

CHARDIN, T. (1965). O fenômeno humano (Human Phonomenon) BR, São Paulo : Herder.

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[:pt]Nomeando elefantes (ou bois) e visão de mundo[:en]Naming elephant and worldview [:]

25 fev

[:pt]Falecido em fevereiro do ano passado, o americano e filósofo cristão James W. Sire (1933-2018) fez uma ampla pesquisa por trás da questão da visão de mundo, disse que levou 30 anos, publicado em 2004, provavelmente começou a se debruçar sobre o tema em 1974.
Também sua visão de mundo deve ser relida, quero dizer que de 1974 a 2004 o mundo passou por transformações que ele não aprofundou, a queda do Muro de Berlim, o fim da guerra fria que parece agora renascer, a queda de ditaduras que parecem voltar em todo o planeta e mais recentemente ainda a pandemia.
Não li o livro, mas um de seus capítulos que encontrei na Web e também alguns de seus comentaristas que me ajudaram a formular uma ideia, ainda que imprecisa, do seu principal livro “Nomeando elefantes: visão de mundo como um conceito” (Naming the Elephant: Worldview as a Concept, editora IVP Academic), e o capítulo que referencio é o Definições de Cosmovisão: de Dilthey a Naugle, que já no título é sugestivo de algum idealismo o que o texto confirma logo no início, está disponível no google Books, sendo leitor de Dilthey está ao meu ver no fio da questão.
Diz no início do capítulo 2 que a origem do termo Weltanschauung teve origem com Kant (1724-1804) (pasmem! idealistas), “mas somente de passagem”, e cita textualmente Dilthey: “to denote a set of beliefs that underlie and shape all human thought and action” (Sire, 2004, p. 23), em tradução livre: denotam um conjunto de crenças que sustentam e moldam todo o pensamento e ação humanas, elas estão no cerne do que desejo analisar.
Embora apropriada a análise, talvez a mais completa sobre o termo, falta a leitura de Heidegger que atualizou e desenvolveu o tema num sentido mais amplo que o de Kant e Dilthey, e Hans Georg Gadamer irá criticar justamente a concepção de Dilthey como idealista.
Para fazer o caminho do conceito de Weltanschauung cita Nietszche, Wittgenstein, com digressões a Platão e Descartes, Foucault e até Rorthy de passagem, e ai começa a discorrer sobre autores cristãos evangélicos (reformados é o nome no exterior), James Orr, Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd, Ronald Nash até chegar ao que chama de nova síntese que seria David Naugle, entretanto, jamais foge do idealismo, diz passar da ontologia a hermenêutica (não seria o contrário) e diz que esta visão sintética é caracterizada por um “sistema semiótico de signos narrativos” (Sire, 2004, pag. 42) citando Naugle do qual fez tal síntese.
Entretanto a verdadeira síntese escondida atrás do texto, de clara visão nominalista veja-se a ideia de sistema semiótico, se revela ao citar o texto bíblico “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim, referindo-se a passagem bíblica de Jo 14:1, pois ignora em seguida o texto que diz: “na casa de meu pai há muitas moradas”.
A ideia de signos, mitos e símbolos embutidos em narrativas que representam uma visão de mundo não é desprezível, e é mesmo importante, entretanto qualquer visão que se prenda unicamente a narrativa não faz o trabalho de retirar a visão antropológica e a real visão “histórica” do acontecido, sendo a visão do historicista de Dilthey idealista e irreal.
Há outra passagem mais significativa, a chamada volta do filho pródigo (Lc 15,10:32), que alguns autores e exegetas idealistas não gostam do nome, procurando idolatrar o filho mais velho que ficou em casa com o pai, sendo este mais conservador portanto, mas também o filho pródigo teu seu defeito, foi ao mundo fazer experiências, o fato que retornou é louvável, mas que visão de mundo ele trouxe de seu desvio, na verdade o pai de ambos é que é o misericordioso com os filhos conservador e rebelde.

É preciso recuperar esta visão de verdadeira misericórdia, e as leis dizem mais ainda: “pedi e vos será dado” (Mt 7,7) e porque parece que Deus não nos atende, é simples algo a ser corrigido.

Sire, J. W.Naming the Elephant: Worldview as a Concept, editora IVP Ademic, EUA: Illinois, 2004.[:en]Deceased in February last year, American and Christian philosopher James W. Sire (1933-2018) did extensive research behind the worldview issue, said it took 30 years, published in 2004, probably to begin to address the theme in 1974.

Also his worldview must be reread, I mean that from 1974 to 2004 the world underwent transformations that it deepened, the fall of the Berlin Wall, the end of the cold war that now seems to be reborn, the fall of dictatorships that seem to come back in all over the planet.

I have not read the book, but one of the book’s chapters and also its commentators have helped formulate an idea, though inaccurate, of his main book Naming the Elephant: Worldview as a Concept, publisher IVP Academic), and the chapter I refer to is the Definitions of Worldview: from Dilthey to Naugle, which in the title is suggestive of some idealism which the text confirms early on, is available on google Books, if he citing Dilthey its good news for me, and it is good text.

It says at the beginning of Chapter 2 that the origin of the term Weltanschauung originated with Kant (1724-1804) (amaze idealists!), “but only in passing” and quotes Dilthey verbatim: “to denote a set of beliefs that underlie and shape all human thought and action.” (Sire, 2004, p. 23), denoting a set of beliefs that underpin and shape all human thought and action.

Although appropriate, perhaps the most thorough analysis of the term, Heidegger’s reading which updated and developed the subject in a broader sense than that of Kant and Dilthey is lacking, and Hans Georg Gadamer will rightly criticize Dilthey’s conception of the idealist.

To follow the concept of Weltanschauung Cites Nietszche, Wittgenstein, with tours of Plato and Descartes, Foucault and passing Rorthy art, and then begins to address evangelical Christian authors (Reformed is the name abroad), James Orr, Abraham Kuyper , Herman Dooyeweerd, Ronald Nash until he comes to what he calls the new synthesis that would be David Naugle.

However, never runs away from idealism, says he goes from ontology to hermeneutics (not the other way around) and says that this synthetic view is characterized by a “system”. semiotic of narrative signs ”(Sire, 2004, p. 42) quoting Naugle who made such a synthesis. However, the true synthesis hidden behind the text, with a clear nominalist view and the idea of ​​a semiotic system, reveals itself by quoting the biblical text: “Let not your heart be troubled; you believe in God, believe me also, referring to the biblical passage in John 14: 1, because you then ignore the text that says, “In my father’s house are many mansions.”

The idea of ​​signs, myths and symbols embedded in narratives that represent a worldview is not negligible, and it is even important, however any view that is solely about narrative does not do the work of removing the anthropological view and the real “historical view”.  Of what happened, being the idealist and unreal vision of Dilthey’s historicism.

There is another more significant passage, the so-called return of the prodigal son (Luke 15:10: 32), which some idealistic authors and exegetes dislike the name, seeking to idolize the eldest son who stayed at home with his father, who is more conservative. therefore, but also his prodigal son, his defect, went to the world to experiment.

The fact that he returned is commendable, but what a worldview he brought from his deviance, in fact their father is merciful to his conservative and rebel. [:]

 

[:pt]Empatia forçada e verdadeira[:en]Overworked and true empathy [:]

23 fev

[:pt]O fato de sorrir sempre e ter necessidade de se mostrar feliz pode ser altruísmo e até mesmo heroísmo de muitas pessoas, o que deveria nos dar confiança e empatia deveria ser a transparência, que nem sempre é empática.
Claro isto não significa ser mal-educado ou grosseiro, nem desvio de personalidade, mas o alívio do dualismo interior diante da verdade, mesmo quando ela não é simpática, faz a pessoa ter maior coerência interna, que não se confunde com identidade.
Identidade pode ser pessoal, em grupo ou cultural, algumas vezes é confundida com ser conivente ou conveniente, mas na raiz isto é falsidade, portanto a empatia tem seu lugar diante da verdade e do ser, nem sempre da ética social que dita regras de conveniência e “legalidade”, o que passou a ser chamado de politicamente correto, mas bem poderia ser politicamente conveniente.
Desde a década de 30 se fala do brasileiro como o “homem cordial”, embora haja uma grande distância antropológica e histórica da politicamente correto, não seria isto apenas a atualização.
Empatia então deveria ser bom humor no sentido de capacidade de com serenidade entrar em problemas e questões polêmicas e com forte possibilidade de polarização, o mundo hoje precisa disto, e, portanto, confundi-la com hipocrisia, sorriso fácil ou apenas tolerância pode ser “cordial”, podendo não ser um sentimento verdadeiro.
Na verdade fazer ao outro o que gostaríamos que fosse feito para nós, não é o sistema empático, o que a neurociência mostra é que temos um conjunto de neurônios chamados neurônios-espelho que diz que imitar o outro é uma forma empática muito natural, que não é só a de fazer algo ao outro pelo simples fato que gostaríamos que fosse feito a nós, no fundo estamos “pedindo” algo que queremos, é saber como o Outro QUER que seja algo feito a ele, isto sim é empático.
A empatia significa o dom que todos tem, de poder sentir o que o outro sente, assim falar de Outro é a verdadeira forma tanto de encontrar um dom inato da humanidade, a neurociência revela, como também tornar esta verdade explícita, existimos e sentimos o Outro, só o negamos assumindo um falso eu, pois temos como “habilidade” natural a empatia, e só por um treino constante de negar-se ou por algum condicionamento social, perdemos a empatia.

A pandemia tornou muita gente amarga, insatisfeita e de certa forma acentuou o individualismo, em O sócio e o próximo (Le socius et le prochain), Paul Ricoeur explica esta diferença de relação.
Não há, portanto, eu verdadeiro sem o Outro, sem a empatia com o Outro, natural e não forçada, que feita assim é uma encenação e o Outro sentirá, a empatia é assim ontológica, parte do Ser.
A jovem Tati Fukamati explica num vídeo sua descoberta da empatia na neurociência, é uma boa iniciação para aqueles que desejam ser mais empáticos.

 [:en]Always smiling and needing to be happy can be altruism and even heroism of many people, which should give us confidence and empathy should be transparency, which is not always empathic. Of course, this does not mean being rude or rude, nor deviation from personality, but the relief of inner dualism in the face of truth, even when it is not sympathetic, makes one have greater internal coherence, which is not confused with identity.
Identity may be personal, group or cultural, sometimes confused with being conniving or convenient, but at the root this is falsehood, so empathy has its place in the face of truth and being, not always the social ethics that dictate rules of convenience. and “legality,” which has come to be called politically correct, but could well be politically convenient.
Since the 1930s, the Brazilian has been spoken of as the “cordial man”, although there is a great anthropological and historical distance from the politically correct, this would not be just the update.
Empathy should then be a good mood in the sense that the ability to calmly get into controversial issues and issues with a strong possibility of polarization, the world today needs this, and therefore confusing it with hypocrisy, easy smile or just tolerance can be “ cordial ”and may not be a true feeling.

The pandemic has made many people bitter, dissatisfied and in a way accentuated individualism, in The partner and the next (Le socius et le prochain), Paul Ricoeur explains this difference in relationship.

In fact, doing to the other what we would like it to do for us, is not the empathic system, what neuroscience shows is that we have a set of neurons called mirror neurons that say that imitating the other is a more natural empathic form than To do something to another simply because we would like it done to us, deep down we are “asking” for something we want.

Empathy means the gift that everyone has to be able to feel what the other feels, so to speak of the Other is the true way of both finding an innate gift of humanity, neuroscience reveals, as well as making this truth explicit, we exist and feel the Other.
We only deny it by denying the self that has empathy as a natural “skill”, just by a constant denial training. There is, therefore, no true self without the Other, without the empathy with the Other, natural and not forced, which is thus made a staging and the Other will feel, empathy is thus ontological, part of Being.
The vídeo of  TedX by psyquiatrist Helen Riess is very interesting:https://www.youtube.com/watch?time_continue=23&v=baHrcC8B4WM

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[:pt]É hora de mudarmos de via[:en]It’s time to change of way[:]

11 fev

[:pt]Não é proposta minha, mas o nome do último livro de Edgar Morin (Ed. Bertrand do Brasil, 2020), o quase centenário filósofo francês mostra as lições do coronavírus que resistimos em aprender, também é muito parecido ao nome do livro de Peter Sloterdijk: Tens de mudar de vida (editora Relógio d´Água, 2018), este bem antes do coronavírus.

Antes de passar a algumas lições de Morin, quero dizer que TODOS precisamos mudar de vida, o planeta se esgotou, as palavras se esgotaram, a política polarizadora nos esgota, e infelizmente as palavras adocicadas como “fraternidade”, “solidariedade”, “compaixão” e tantas outras parecem só uma vontade de alguns que os outros mudem, sem, contudo, que cada um mude primeiro a si.

O preâmbulo é uma retrospectiva histórica desde a gripe espanhola até maio de 68 e a crise ecológica atual, as lições do coronavírus no capítulo 1 comento-as no final.

Começo pelo fim para afirmar que Morin que também compartilha de valores de fraternidade, de uma cidadania planetária, da superação de desigualdades etc., tem em seu livro ama proposta bem clara, depois de demonstrar que a crise é anterior ao coronavírus que só a agravou, na página 4 sentencia “… são duas as exigências inseparáveis para a renovação política: sair do neoliberalismo, reformar o Estado” (pag. 46), que vai dar os meios no capítulo 3.

Este é na verdade seu segundo ponto do cap. 2 Desafios pós-corona, o desafio da crise política, dos nove desafios que aponta nas crises atuais: o desafio existencial, apontado também na Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, os desafios das crises: da globalização, da democracia, do digital, da proteção ecológica, da crise econômica, das incertezas e o perigo de um grande retrocesso (pags. 44 a 53).

As 15 lições do coronavírus: sobre a nossa existência, o isolamento mostra-nos como vivem aqueles que não “tiveram acesso ao supérfluo e ao frívolo e merecem atingir o estágio em que se tem o supérfluo” (pag. 23), sobre a condição humana lembra o relatório Meadows, que apontava para os limites do crescimento, a lição sobre a incerteza de nossa vida, a lição de nossa relação com a morte, a lição sobre a nossa civilização (a vida voltada para fora, sem vida interior, a vida dos shoppings e happy hours), o despertar da solidariedade, a desigualdade e o isolamento social, a diversidade de situações e de gestão da epidemia, a natureza de uma crise, as 9 lições iniciais.

A lição sobre a ciência e a medicina, será que entendemos “que a ciência não é um repertório de verdades absolutas (diferentemente da religião” (pag. 33), a crise da inteligência, que ele divide sabiamente em “complexidades invisíveis” o modo de conhecimento “das realidades humanas (taxa de crescimento, PIB, pesquisas de opinião, etc.” (pag. 35), o ponto 2. é a ecologia da ação, alerta que a ação pode “percorrer o sentido contrário ao esperado e voltar como um bumerangue para a cabeça de quem a decidiu” (pag. 35), quantas ações e discursos caíram nesta vala.

A decima segunda lição é a ineficiência do estado, que além da política neoliberal cede “a pressões e interesses que paralisam todas as reformas” (pag. 38), enquanto a polarização se aprofunda.

A decima terceira lição é a deslocalização e dependência nacional, e lamenta “que o problema nacional seja tão mal formulado e sempre reduzido à oposição entre soberania e globalização” (pag. 39), note-se pelos discursos que polarizam e não saem deste círculo vicioso.

A décima quarta lição é a crise da Europa, lembro do livro de Sloterdijk “Se a Europa despertasse”, e Morin abre a ferida: “sobre o choque da epidemia, a União Europeia partiu-se em fragmentos nacionais” (pag. 40).

A  décima quinta lição é o planeta em crise, cita o prof. Thomas Michiels, biólogo e especialistas na transmissão de vírus: “Não há duvida de que a globalização tem efeito sobre as epidemias e favorece a propagação do vírus. Quando se observa a evolução as epidemias do passado, há exemplos notórios em que se nota que as epidemias seguem ferrovias e deslocamentos humanos. Não resta dúvida, a circulação dos indivíduos agrava a epidemia” (pag. 41).

MORIN, E. É hora de mudarmos de via: lições do coronavírus, trad. Ivone Castilho Benedetti, colaboração Sabah Abouessalam. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2020.[:en]It is not my proposal, but the name of the last book by Edgar Morin (Editor Bertrand do Brasil, 2020), the almost centenary French philosopher shows the lessons of the coronavirus that we resisted in learning, it is also very similar to the name of Peter Sloterdijk’s book : You have to change your life (publisher Relógio d´Água, 2018) this well before the coronavirus.

Before moving on to some of Morin’s lessons, I want to say that we ALL need to change our lives, the planet has run out, words have run out, polarizing politics runs out, and unfortunately sweet words like “fraternity”, “solidarity”, “compassion” ”And so many others seem to be only the will of some that others change, without, however, that each one changes himself first.

The preamble is a historical retrospective from the Spanish flu to May 68 and the current ecological crisis, the lessons from the coronavirus in chapter 1 I comment on at the end.

I begin at the end to affirm that Morin, who also shares values ​​of fraternity, of planetary citizenship, of overcoming inequalities, etc., has in his book a very clear proposal, after demonstrating that the crisis is prior to the coronavirus that only worsened it , on page 4 sentence “… there are two inseparable requirements for political renewal: to leave neoliberalism, to reform the state” (page 46), which will provide the means in chapter 3.

This is actually your second point in the cap. 2 Post-corona challenges, the challenge of the political crisis, of the nine challenges it points to in current crises: the existential challenge, also pointed out in Pope Francis’ Fratelli Tutti Encyclical, the challenges of crises: globalization, democracy, digital, ecological protection, the economic crisis, uncertainties and the danger of a major setback (pages 44 to 53).

The 15 lessons from the coronavirus: about our existence, isolation shows us how those who “did not have access to the superfluous and the frivolous and deserve to reach the stage where we have the superfluous” live (page 23), on the condition recalls the Meadows report, which pointed to the limits of growth, the lesson about the uncertainty of our life, the lesson of our relationship with death, the lesson about our civilization (life turned outward, without inner life, the life of shopping malls and happy hours), the awakening of solidarity, inequality and social isolation, the diversity of situations and the management of the epidemic, the nature of a crisis, the 9 initial lessons.

The lesson about science and medicine, do we understand “that science is not a repertoire of absolute truths (unlike religion” (page 33), the crisis of intelligence, which he wisely divides into “invisible complexities” the way of knowledge “of human realities (growth rate, GDP, opinion polls, etc.” (page 35), point 2. is the ecology of action, it warns that action can “go in the opposite direction to what is expected and return like a boomerang to the head of the one who decided it” (page 35), how many actions and speeches fell in this ditch.

The twelfth lesson is the inefficiency of the state, which, in addition to neoliberal politics, yields “to pressures and interests that paralyze all reforms” (page 38), while polarization deepens.

The thirteenth lesson is national relocation and dependence, and regrets “that the national problem is so poorly formulated and always reduced to the opposition between sovereignty and globalization” (page 39), note the speeches that polarize and do not leave this circle vicious.

The fourteenth lesson is the crisis in Europe, I remember Sloterdijk’s book “If Europe woke up”, and Morin opens the wound: “on the shock of the epidemic, the European Union broke into national fragments” (page 40) .

The fifteenth lesson is the planet in crisis, quotes Prof. Thomas Michiels, biologist and specialists in virus transmission: “There is no doubt that globalization influences epidemics and favors the spread of the virus. When observing the evolution of past epidemics, there are notable examples in which it is noted that epidemics follow railways and human displacements. There is no doubt, the circulation of individuals aggravates the epidemic ”(page 41).

MORIN, E. (2020) É hora de mudarmos de via: lições do coronavírus, transl. Ivone Castilho Benedetti, collaboration Sabah Abouessalam. Rio de Janeiro, BR: Bertrand do Brasil.

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[:pt]Porque é necessário um “epoché”[:en]Why an “epoch” is needed[:]

05 fev

[:pt]Toda a nossa forma de ver a vida está filtrada por uma visão de mundo, um complexo de valores, educação familiar, social e religiosa num sentido lato, isto é, todos temos alguma crença, ou então teríamos toda a explicação do mundo sobre os enigmas da natureza, do homem e da vida.  A pandemia poderia ter mudado a visão.

Esta visão “cosmológica” implica sempre (não é quase) em valores pré-conceituais, ou seja, como classificamos o mundo, as coisas e os modos sociais de desenvolver a vida, esta cosmovisão foi chamada por Heidegger de Weltanstchauung, a palavra é importante porque toda tradução é imprecisa.

Na vertente ontológica que Heidegger bebeu, está a fenomenologia de Husserl, seu professor, e para ele a esta era “a descrição daquilo que aparece” ou a “ciência que tem como objetivo ou projeto essa descrição”, e para ele é ela própria um conceito de método, que Hans Georg Gadamer aprofundou mais tarde em “Verdade e Método”.  

No entanto muitos beberam da fenomenologia de Husserl, cada um a seu modo, Karl Jaspers, Emmauel Levinas, Edith Stein, Jean Paul Sartre, Gabriel Marcel, Hans Georg Gadamer, Paul Ricoeur, Martin Buber, Nicolai Hartmann, Hans Jonas, e aquele que a transformou em filosofia Hans-Georg Gadamer.

O sentido aberto do Ser em Heidegger extrapola os campos sócio-políticos, biológicos ou antropológico (por isto é ontológico, ou próprio do Ser), e o conceito de Dasein significa estar lançado no mundo enquanto o “Ente” são as coisas em sentidos diversos, ou seja, tudo o que falamos, sentimos, entendemos, nos comportamos em última análise aquilo que “somos”.

Se entramos nesta clareira o Ser é também aquele que precisa de auxílio, de cura, de escuta, de uma palavra de aceitação enquanto Ser do Ente, ou seja, nas suas funções enquanto vivência.

Ainda que a exegese bíblica considere encerrada toda a análise do envio dos discípulos de Jesus ao mundo, ide pelo mundo e proclamai a boa nova e curai os doentes, este cuidado com o próximo (no sentido amplo da palavra “curar”) também significa abertura, “epoché” e transcendência.

Ide pelo mundo com uma visão de mundo ampliada, além do seu círculo restrito. [:en]Our whole way of looking at life is filtered by a worldview, a complex of values, family, social and religious education in a broad sense, that is, we all have some belief, or else we would have the whole explanation of the world about the puzzles nature, man and life. The pandemic could have chaged this worldview.

This “cosmological” view always implies (not nearly) pre-conceptual values, that is, how we classify the world, things and social ways of developing life, this worldview was called by Heidegger Weltanstchauung, the word is important because every translation is inaccurate.

In the ontological aspect that Heidegger drank, there is the phenomenology of Husserl, his teacher, and for him this was “the description of what appears” or “science that has as objective or project that description”, and for him it is itself a concept of method, which Hans Georg Gadamer later developed in “Truth and Method”.

However many drank from Husserl’s phenomenology, each in his own way, Karl Jaspers, Emmauel Levinas, Edith Stein, Jean Paul Sartre, Gabriel Marcel, Hans Georg Gadamer, Paul Ricoeur, Martin Buber, Nicolai Hartmann, Hans Jonas, and the one who turned it into Hans-Georg Gadamer philosophy.

The open sense of Being in Heidegger extrapolates the socio-political, biological or anthropological fields (for this reason it is ontological, or proper to Being), and the concept of Dasein means to be launched in the world while “ente” are things in different ways, that is, everything we say, feel, understand, behave in the final analysis what we “are”.

If we enter this clearing, the Being is also the one who needs help, healing, listening, a word of acceptance as the Being of the Ent, that is, in his functions as an experience.

Even though biblical exegesis considers all analysis of the sending of Jesus’ disciples to the world closed, go around the world and proclaim the good news and heal the sick, this care for others (in the broad sense of the word “heal”) also means openness, “Epoch” and transcendence.

Go around the world as a new worldview.[:]

 

[:pt]O futuro e diálogos pouco abertos[:en]The missing future, semi-open dialogues [:]

03 fev

[:pt]A ideia que estamos próximos a uma grande mudança está na boca de muitos apocalípticos e de alguns teóricos e até filósofos idealistas, embora a maioria reivindique abertura e diálogo, o que pensam sobre ele não é elaborado, fazem longos discursos e tecem narrativas irreais, porém querem ouvir a própria voz.
O verdadeiro diálogo entre tradição e mudança, felizmente há neste campo muita gente fazendo isto de modo apropriado, deve propiciar ao mesmo tempo uma releitura do passado, um respeito e a compreensão do porque dos fatos aconteceram desta ou daquela forma.
Esta é a leitura desde os pré-socráticos, passando pela alta e baixa idade média, o renascimento e o iluminismo, embora cada período se possa fazer a crítica, e até ela deve ser bem feita, é fácil fazer a releitura crítica porque este tempo passou e difícil deste tempo, porque ele chegou.
Difícil principalmente do iluminismo e da modernidade, a pós-modernidade ou ainda a tardia, ou sua continuidade, ainda tem difícil leitura porque a transição não se realizou e o problema que se coloca é a dificuldade de ultrapassá-la, quase todos concordarão que a modernidade já é mais tradição do que qualquer possibilidade de uma nova “revolução” dentro do seu pensamento, embora as tentativas sejam muitas.
Nietzsche chamava este dilema de “eterno retorno”, ele já percebia em seu tempo e há quem ache que isto é novo, e em parte tinha razão pelo horizonte que via no seu tempo, mas quando o novo não nasce o pensamento tradicional padece de envelhecimento e de mesmice.

Tenta-se dar-se um ar “novo”, ou “criativo”, mas não há nada que realmente mude a realidade.

Grandes problemas socioculturais de nosso tempo, morais e até religiosos não se mudarão sem uma perspectiva nova, embora redundante dir-se-ia um “novo” novíssimo, e para que de fato não seja pura imaginação, deve-se encontrar elementos já vivos que apontam o futuro.

Três elementos novos são visíveis: um planeta mundializado, é já possível ver-se como mundo embora ainda não se respeitem culturais diferentes, um esgotamento das forças da natureza, o domínio da natureza pelo homem foi o grande modo da modernidade, e o fim da fome e da miséria no planeta, embora com recursos disponíveis para tal, não se realizou.

Claro que há muitos outros fatores, mas eles são decorrentes da falta de diálogo com o futuro, a centralização de grupos autocráticos, a ausência de uma política e cultura em rede, embora os mecanismos para isto existam, são combatidas como “alienação” e até como responsáveis por problema que existem muito antes de qualquer pensamento sobre as novas tecnologias.

As novas gerações sabem o que é novo, alguns “velhos” tentam retomar o “protagonismo”. [:en]The idea that we are about to change is in the mouth of many apocalyptics and until some idealist theorists and philosophers, although most claim openness and dialogue, what they think about it is not elaborate, make long speeches and weave unrealistic narratives, but they want only to hear their own voice.

The true dialogue between tradition and change, fortunately in this field many people are doing this properly, must at the same time provide a rereading of the past, a respect and an understanding of why the events happened this way or that.
This is the reading from the pre-Socrates, through the high and low middle ages, the Renaissance and the Enlightenment, although criticism can be done throughout, and even it must be well done, it is easy to do critical rereading because this time It has been difficult because the time has come.
Especially difficult for the Enlightenment and modernity, postmodernity or late, or its continuity, is still difficult to read because the transition has not taken place and the problem is the difficulty of overcoming it, almost everyone will agree that the Modernity is already more tradition than any possibility of a new “revolution” within its thinking, although the attempts are many.
Nietzsche called this dilemma “eternal return”, he already realized in his time and some think this is new, and in part was right for the horizon he saw in his time, but when the new is not born traditional thinking suffers from aging. and sameness.
It tries to look ‘new’ or ‘creative’, but there is nothing that really changes reality. Great sociocultural problems of our time, moral and even religious, will not change without a new perspective, although redundant one would say a brand new “new”, and in order not to be pure imagination, one must find elements already living that point to the future.
Three new elements are visible: a globalized planet, it is already possible to see itself as a world although different cultural aspects are not yet respected, an exhaustion of the forces of nature, the domination of nature by man was the great mode of modernity, and the end of hunger and misery on the planet, though with resources available for it, has not been realized.
Of course there are many other factors, but they stem from a lack of dialogue with the future, the centralization of autocratic groups, the absence of a networked politics and culture, although the mechanisms for this exist, are countered as “alienation” and even as responsible for problems that exist long before any thought about new technologies.

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[:pt]Os fundamentos do conceito de ideia[:en]The foundations of the idea concept [:]

28 jan

[:pt]Seguindo um raciocínio de Sloterdijk, no qual os fundamentos devem ser pensados e em função deles poderem retornar ao princípio e ao pré-conceito de cada pensamento, pode-se rever ideia com o “eidos” grego, o conceito atual é kantiano.
Para Aristoteles haviam princípios universais, não como pensou Kant mais tarde, mas partindo da ideia do uno (tó hen), o que é (tó ón) e os gêneros (animais, plantas, seres vivos), enquanto a essência (eidos) não seria um universal, mas algo comum (koinos) a múltiplas coisas, não há portanto em Aristóteles o dualismo idealista, mas a separação entre os universais e a essência.

O sentido eidético da hermenêutica é aquele que promove a unificação do interno e do externo nas manifestações da vida, nas ciências da natureza o objeto é visto por si mesmo (retornar as coisas por elas mesmas), já nas ciências idealistas o “objeto” é aquele alcançado por um esforço contínuo do pesquisador (a transcendência kantiana), embora se comprometa a retornar com frequência á tradição, o todo não se renova, pois o “objeto” está separado de si mesmo pela observação isolada, fora do Ser e das possíveis pré-conceituações, é o uma “ideia”.

Em Platão este dualismo se acentua, o mundo sensível e o mundo das ideias (ainda no sentido do eidos, essência), esta separação será incomoda para os idealistas modernos, que a re-unirão, mas sem uma necessária reflexão filosófica, com isso permanecerá a dicotomia sujeito e objeto, jamais reunidas enquanto Ser (interna e externamente).
A ontologia, e o método da hermenêutica filosófica é uma tentativa de reunir estes campos, embora permaneçam distintos e sob tensão, porém com possibilidades de clarificação ultrapassando a separação clássica.
Gadamer em sua obra matter “Verdade e Método” vol. II, a retoma assim:
“A hermenêutica é a arte do entendimento. Parece especialmente difícil entender-se sobre os problemas da hermenêutica, pelo menos enquanto conceitos não claros de ciência, de crítica e de reflexão dominarem a discussão. E isso porque vivemos numa era em que a ciência exerce um domínio cada vez maior sobre a natureza e rege a administração da convivência humana, e esse orgulho de nossa civilização, que corrige incansavelmente as faltas de êxito e produz constantemente novas tarefas de investigação científica, onde se fundamentam novamente o progresso, o planejamento e a remoção de danos, desenvolve o poder de uma verdadeira cegueira.” (GADAMER, 1996, p. 292).
Gadamer após explicar que o retorno ao Ser, proposto por Heidegger é um retorno ao método hermenêutico, que não era nem desenvolver uma teoria das ciências do espírito (como fez o idealismo, e o alemão em especial) nem propor uma crítica da razão histórica, como fez Dilthey, e que Gadamer vai esclarecer em seu livro “A questão da consciência histórica” para dizer que não se trata nem de romantismo histórico.
O seu objetivo final está expresso ao afirmar: “o que fiz foi colocar o diálogo no centro da hermenêutica” (Gadamer, 1996, p. 27), mas seu diálogo nem é idealismo (seria absurdo) e nem alguma forma de cegueira filosófica, é justamente o resgate da hermenêutica-filosófica.
Seu diálogo não é, portanto, nem o dogmatismo idealista, hoje mais que teoria tornou-se dogmatismo a-histórico, e sim a identificação dos pré-conceitos, a partir dos quais é possível tanto a fusão de horizontes quanto aceitação dos distinções de cosmovisão.

GADAMER, H.G. Verdade y método v. II.S alamanca:Sígueme,1996.2v.[:en]Following Sloterdijk’s reasoning, in which the fundamentals must be thought and in function of them one can return to the principle and preconception of each thought, one can revise idea with the Greek “eidos”.

The eidetic sense of hermeneutics is that which promotes the unification of the internal and the external in the manifestations of life, in the natural sciences the object is seen by itself (returning things for themselves), in the idealistic sciences the “object” is that achieved by a continuous effort of the researcher (the Kantian transcendence), although he commits himself to return to tradition frequently, the whole is not renewed, because the “object” is separated from itself by isolated observation, outside of Being and possible preconceptions, is the “idea”.

For Aristoteles there were universal principles, not as Kant later thought, but from the idea of ​​the one (tó hen), what is (tó on) and the genres (animals, plants, living beings), while essence (eidos) does not. would be a universal, but something common (koinos) to multiple things, there is therefore not in Aristotle the idealistic dualism, but the separation between universals and essence.

In Plato this dualism is accentuated, the sensible world and the world of ideas (still in the sense of eidos, essence), this separation will be troublesome to the modern idealists, who will unite it, but without a necessary philosophical reflection. the dichotomy subject and object never reunited as a being.

Ontology, and the method of philosophical hermeneutics, is an attempt to bring these fields together, although they remain distinct and under tension, but with possibilities of clarification beyond the classical separation.

Gadamer in his work matter “Truth and Method” vol. II, picks it up like this: “Hermeneutics is the art of understanding. It seems especially difficult to understand the problems of hermeneutics, at least as unclear concepts of science, criticism, and reflection dominate the discussion.

And this is because we live in an age where science is increasingly dominating nature and governing the management of human coexistence, and this pride of our civilization, which relentlessly corrects the lack of success and constantly produces new tasks of scientific inquiry, where once again progress, planning, and damage removal are grounded, develops the power of true blindness. ”(Gadamer, 1996: 292).

Gadamer after explaining that the return to Being proposed by Heidegger is a return to the hermeneutic method, which was neither to develop a theory of the sciences of the spirit (as idealism did, and the German in particular) nor to propose a critique of historical reason, as Dilthey did, and which Gadamer will clarify in his book “The Question of Historical Consciousness” to say that it is not even historical romanticism.

Its ultimate goal is expressed by stating: “what I did was put dialogue at the center of hermeneutics” (Gadamer, 1996, p. 27), but its dialogue is neither idealism (would be absurd) nor any form of philosophical blindness, it is precisely the rescue of philosophical hermeneutics.

Therefore, their dialogue is neither idealistic dogmatism, but nowadays theory has become ahistorical dogmatism, but rather the identification of preconceptions, from which it is possible to merge horizons as well as to accept worldview distinctions.

Gadamer, Hans Georg. Verdad y Metodo (Truth and method) v. II. Salamanca: Sigueme, 1996.2v.[:]

 

[:pt]Colaboração e ingratidão[:en]Collaboration and ingratitude [:]

21 jan

[:pt]Termos aparentemente tão distantes estão profundamente conectados, a colaboração que quase sempre envolve uma dose de gratuidade (pode até ser remunerada, mas faz a faz com alguma generosidade) e a ingratidão, que é o não reconhecimento da grátis-dão, do que é feito com alguma dose de doação.

Isto sempre envolve os meios do poder, em tempos de psico-poder, a escolha de meios para certos fins é fundamental, aquilo que o indivíduo influencia ou desafia em benefício próprio, está explicado em Habermas usando o conceito de Hanna Arendt e polemizando com Max Weber: “é essa capacidade de disposição sobre meios que permitem influenciar a vontade de outrem que Max Weber chama de poder. H. Arendt reserva para tal caso o conceito de violência” (Habermas, 1980, p. 100).

Assim, pode-se teorizar que o que não leva a colaboração pode levar a uma forma de poder ou de violência, se admitimos que colaboração tem uma oposição essencial a ingratidão, ou para teorizar mesmo, este poder gera uma dose de ingratitude.

Ainda no campo da teorização, na vida fenomenológica penso que os “meios” aceleraram a ideia da colaboração, Habermas vai falar de um “individualismo metodológico” aplicando-o a formas de poder que não permitem o “entendimento mútuo” ou a superação do “egóico sentido de poder”, que leva a não-colaboração e ao não-reconhecimento do gratuito.

Penso que Hanna Arendt é mais direta porque seu modelo é “um modelo comunicativo” (interativo) onde o consenso seria alcançado por meios não-coercitivos, pelo “entendimento recíproco” que levaria a “vontade comum”, a meu ver, falta ainda a ideia da gratitude.

Em meios onde a colaboração e a reciprocidade, ações mútuas de co-laborar, ou seja trabalhar juntos, já é uma realidade, o poder se dispersa e o líder não aparece como poder coercitivo, do latim coercĭo, que significa retenção.

O que se propõe então, partindo de Hanna Arendt é que se pense na forma que permita a co- laboração como forma comunicativa de influenciar a vontade do outro, sem coagi-lo, isto leva a sistemas de ingratidão, incompreensão e luta pelo poder através da violência.  

Habermas, J. (1980). A crise de legitimação do capitalismo tardio. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.[:en]Seemingly so distant terms are deeply connected, collaboration that almost always involves a dose of gratuitousness (may even be paid, but does it with some generosity), and the ingratitude, which is not acknowledging the gratitude, of what is done. with some donation dose. Even in pandemic period, there is little gratitude.

This always involves the means of power, in times of psycho-power, the choice of means for certain ends is fundamental, what the individual influences or challenges for his own benefit, is explained in Habermas using the concept of Hanna Arendt and polemizing with Max. Weber: “It is this capacity for disposition over means that enables one to influence the will of others that Max Weber calls power. H. Arendt reserves for this case the concept of violence ” (Habermas, 1980: 100).

Thus, it can be theorized that what does not lead to collaboration can lead to a form of power or violence, if we admit that collaboration has an essential opposition to ingratitude, or to even theorize, a dose of ingratitude.

Still in the field of theorizing, in phenomenological life I think that “means” have accelerated the idea of ​​collaboration, Habermas will speak of a “methodological individualism” applying it to forms of power that do not allow “mutual understanding” or overcoming ” egoic sense of power ”, which leads to non-collaboration and non-recognition of gratuitousness.

I think Hanna Arendt is more straightforward because her model is “a communicative model” (interactive) where consensus would be reached by non-coercive means, by “reciprocal understanding” that would lead to “common will”, in my view, is still lacking, idea of ​​gratitude.

In environments where collaboration and reciprocity, mutual actions of co-working, that is, working together, is already a reality, power is dispersed and the leader does not appear as coercive, Latin coercive power, meaning retention.

What is proposed then, starting from Hanna Arendt is to think of the way that allows collaboration as a communicative way of influencing the will of the other without coercing it, this leads to systems of ingratitude, misunderstanding and power struggle through of violence.

Habermas, J. (1980). A crise da legitimação do capitalismo tardio. (The crisis of legitimation of late capitalismo). Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.[:]