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[:pt]O cosmos e a ira divina[:en]The cosmos and divine wrath[:]

05 mar

[:pt]O modelo de universo racional/idealista era de um cosmos funcionando como um relógio, a realidade e o cosmos se mostraram além da ideia dos modernos (o eidos grego é outra coisa), se mostrou como um modelo quântico onde existe um terceiro incluído (modelo de Barsarab/Lupasco) e no qual o tempo e o espaço não são mais absolutos e matéria é energia.

Assim o antigo modelo de harmonia foi modificado pela física atual, chamada de Física do Modelo Padrão que a partir da física das partículas desenvolveu um modelo unificado para as forças que atuam sobre a matéria, e inclui as forças fundamentais forte, fraca e eletromagnética e gravitacional unificando-as a teoria quântica dos campos, a mecânica quântica e da relatividade especial.

A recente descoberta da Bóson de Higgs, incorretamente nomeada partícula de Deus supondo que ela seria responsável pela atribuição da matéria aos corpos, este modelo explicou a atração magnética dos planetas, a luz e os diversas formas e dividiu a matéria em muitas partículas.

Após a criação o universo e sua expansão determinadas leis desenvolveram corpos, planetas e sistemas planetários em formação e ocaso, estudos atuais mostram o desenvolvimento das estrelas vem de gás interestelar e poeira cósmica e hidrogênio que a baixas temperaturas entram em colapso e formam moléculas que dão origem a protoestrelas, estas sob pressão e rotação formam as estrelas.

Além do nosso conhecimento este universo em expansão age de forma muitas vezes surpreendente e hoje sabemos que não apenas aquilo que ocorre no planeta tem influência interiores como também exteriores, as explosões solares e a aproximação de corpos celestes por exemplo, enfim somos um minúsculo grão de areia num universo muito mais complexo e errante.

Todo este corpo celeste age com sua harmonia própria e não necessariamente como são pensadas as leis atuais que conhecemos então sempre é possível uma surpresa, por exemplo, hoje se procura o nono planeta (Plutão foi rebaixado para planeta anão) que teria uma órbita externa ao nosso sistema planetário e estaria agora em aproximação do sistema, afetando por exemplo o Cinturão de Kuiper, e teria uma orbita de translação de 14 mil anos e existiriam outros corpos externos do Sistema Solar.

Dentro desta nova lógica do universo, movimentos aorgicos (do inorgânico sobre a vida orgânica) não apenas é possível como facilmente explicável, o ambiente em torno da biosfera é um organismo vivo e este está dentro de um universo mais amplo e sujeito as suas leis.

Aquilo que acontece na esfera humana também tem seus equilíbrios instáveis e desequilíbrios, assim não se podem mais pensar em tudo como uma “harmonia”, no sentido cartesiano, e sim como aquilo que tende a favorecer ao funcionamento do universo como um todo e para o qual as forças tendem a empurrar perante suas próprias leis e determinações aos olhos humanos podem ser a ira divina, ou a “perfeita harmonia divina”, porém diferente daquela explicada como movimento preciso de relógio.

A carta de Paulo aos Corintios (Cor 1,1, 22-25) dizia que os gregos pediam sabedoria e os judeus sinais, mas que para Deus isto era insensatez humana, o universo esconde o amor e a ira divina.[:en]The rational / idealistic universe model was of a cosmos working like a clock, reality and the cosmos showed themselves beyond the idea of the modern ones (the Greek eidos is something else), it showed itself as a quantum model where there is a third included (model Barsarab / Lupasco) and in which time and space are no longer absolute and matter is energy.

Thus, the old harmony model was modified by current physics, called Standard Model Physics which, from particle physics, developed a unified model for the forces acting on matter, including the strong, weak and electromagnetic and gravitational forces unifying them quantum field theory, quantum mechanics and special relativity.

The recent discovery of the Higgs Boson, incorrectly named the God particle assuming that it would be responsible for attributing matter to bodies, this model explained the magnetic attraction of planets, light and the various forms and divided matter into many particles.

After the creation of the universe and its expansion certain laws developed bodies, planets and planetary systems in formation and decline, current studies show the development of stars comes from interstellar gas and cosmic dust and hydrogen that at low temperatures collapse and form molecules that give protostars, these under pressure and rotation form the stars.

In addition to our knowledge, this expanding universe acts in an often surprising way and today we know that not only what happens on the planet has internal but also external influences, solar flares and the approach of celestial bodies for example, in short we are a tiny grain of sand in a much more complex and wandering universe.

This entire celestial body acts with its own harmony and not necessarily as the current laws that we know are thought, so a surprise is always possible, for example, today we are looking for the ninth planet (Pluto was demoted to a dwarf planet) that would have an orbit external to the our planetary system and would now be approaching the system, affecting for example the Kuiper Belt, and would have a translational orbit of 14,000 years and there would be other outer bodies of the Solar System.

Within this new logic of the universe, aorganic movements (from the inorganic to organic life) are not only possible but easily explainable, the environment around the biosphere is a living organism and it is within a larger universe and subject to its laws.

What happens in the human sphere also has its unstable and unbalanced balances, so it is no longer possible to think of everything as a “harmony”, in the Cartesian sense, but as what tends to favor the functioning of the universe as a whole and for the which forces tend to push before their own laws and determinations in human eyes may be divine wrath, or “perfect divine harmony”, but different from that explained as a clock movement.

So it is not a Kronos, but a Kairós, “opportune moment” or “right” in the divine perspective in which everything that is at odds collapses and that in human eyes is “wrath of God”, when in reality it is a correction of cosmos governed by its own laws.

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[:pt]Querer curar-se para um novo normal[:en]Wanting to heal to a new normal[:]

12 fev

[:pt]Começaria hoje o carnaval no Brasil, há quem lamente esta impossibilidade mesmo pensando em uma pandemia que não dá sinais de enfraquecimento, mesmo países que avançam com a vacina, caso de Portugal, Inglaterra e Estados Unidos os sinais que o vírus circula ainda está mais forte.

O livro de Morin nos alerta para lições que a pandemia deveria ter nos ensinado, porém não é o que de fato se observa, assim não só precisamos de outras “curas” como a própria fragilidade humana perante o vírus e outras patologias, incluindo as sociais, podem permanecer.

É preciso querer curar-se e descobrimos que esta cura é coletiva e codependente, precisamos que todos sejam sãos e uma sociedade que não olha os mais frágeis ou que os despreza e condena a vida da solidão e da morte não alcançou ainda uma cura duradoura que aponte para uma solidariedade duradoura.

Aprendemos a dureza do isolamento e da solidão, mesmo que em família, porém quantas são as pessoas que vivem assim na chamada normalidade, que o novo normal traga um maior agregamento humano a todos, que se trace a partir de uma nova política aquilo que Edgar Morin chama de uma nova humanidade mais humana.

Que a vacina nos imunize, mas que aprendamos a co-imunidade como defendia Peter Sloterdijk já antes da epidemia, e não se referia a imunidade da doença, mas num sentido mais amplo, aquela imunidade que nos faz uma humanidade capaz de defender-se das tiranias e das doenças sociais.

A passagem bíblica em que um leproso se aproxima de Jesus e pede de joelhos: “Se queres tens o poder de curar-se”, Jesus, cheio de compaixão estendeu a mão, tocou nele e disse: “eu quero fica curado!” (Marcos 1,40-41).

Há dois pontos essenciais o desejo ardente com fé do leproso de curar-se e a compaixão divina para que ele fique curado, a fé e a retidão humana atraem o poder divino, os que creem sabem disto. Mas só o nosso desejo de mudar de via (veja os posts anteriores) podem tocar a misericórdia de Deus.

O mundo hoje quer mudar ou viver a frivolidade da normalidade anterior.[:en]Carnival would start today in Brazil, there are those who regret this impossibility even thinking about a pandemic that shows no signs of weakening, even countries that are advancing with the vaccine, as in the case of Portugal, England and the United States the signs that the virus circulates are still strong.

Morin’s book alerts us to lessons that the pandemic should have taught us, but it is not what is actually observed, so not only do we need other “cures” like human fragility itself in the face of the virus and other pathologies, including social ones, can remain.

It is necessary to want to heal and we discover that this cure is collective and codependent, we need everyone to be healthy and a society that does not look at the most fragile or that despises them and condemns the life of loneliness and death has not yet achieved a lasting cure that point to lasting solidarity.

We learned the harshness of isolation and loneliness, even if in family, but how many people live like this in the so-called normality, that the new normal brings a greater human aggregation to all, that traces what Edgar Morin calls a new humanity more humane.

May the vaccine immunize us, but let us learn co-immunity as Peter Sloterdijk advocated even before the epidemic, and it did not refer to the immunity of the disease, but in a broader sense that immunity that makes us a humanity capable of defending itself against tyrannies and social diseases.

The biblical passage in which a leper approaches Jesus and asks on his knees: “If you want, you have the power to heal yourself”, Jesus, compassionately reached out, touched him and said: “I want you to be healed!” (Mark 1: 40-41).

There are two essential points: the leper’s burning desire with faith to heal and divine compassion for him to be healed, human faith and righteousness attract divine power, those who believe know this.

People today want to change to a new normal or remain frivolous normal life.

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[:pt]Colaboração e ingratidão[:en]Collaboration and ingratitude [:]

21 jan

[:pt]Termos aparentemente tão distantes estão profundamente conectados, a colaboração que quase sempre envolve uma dose de gratuidade (pode até ser remunerada, mas faz a faz com alguma generosidade) e a ingratidão, que é o não reconhecimento da grátis-dão, do que é feito com alguma dose de doação.

Isto sempre envolve os meios do poder, em tempos de psico-poder, a escolha de meios para certos fins é fundamental, aquilo que o indivíduo influencia ou desafia em benefício próprio, está explicado em Habermas usando o conceito de Hanna Arendt e polemizando com Max Weber: “é essa capacidade de disposição sobre meios que permitem influenciar a vontade de outrem que Max Weber chama de poder. H. Arendt reserva para tal caso o conceito de violência” (Habermas, 1980, p. 100).

Assim, pode-se teorizar que o que não leva a colaboração pode levar a uma forma de poder ou de violência, se admitimos que colaboração tem uma oposição essencial a ingratidão, ou para teorizar mesmo, este poder gera uma dose de ingratitude.

Ainda no campo da teorização, na vida fenomenológica penso que os “meios” aceleraram a ideia da colaboração, Habermas vai falar de um “individualismo metodológico” aplicando-o a formas de poder que não permitem o “entendimento mútuo” ou a superação do “egóico sentido de poder”, que leva a não-colaboração e ao não-reconhecimento do gratuito.

Penso que Hanna Arendt é mais direta porque seu modelo é “um modelo comunicativo” (interativo) onde o consenso seria alcançado por meios não-coercitivos, pelo “entendimento recíproco” que levaria a “vontade comum”, a meu ver, falta ainda a ideia da gratitude.

Em meios onde a colaboração e a reciprocidade, ações mútuas de co-laborar, ou seja trabalhar juntos, já é uma realidade, o poder se dispersa e o líder não aparece como poder coercitivo, do latim coercĭo, que significa retenção.

O que se propõe então, partindo de Hanna Arendt é que se pense na forma que permita a co- laboração como forma comunicativa de influenciar a vontade do outro, sem coagi-lo, isto leva a sistemas de ingratidão, incompreensão e luta pelo poder através da violência.  

Habermas, J. (1980). A crise de legitimação do capitalismo tardio. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.[:en]Seemingly so distant terms are deeply connected, collaboration that almost always involves a dose of gratuitousness (may even be paid, but does it with some generosity), and the ingratitude, which is not acknowledging the gratitude, of what is done. with some donation dose. Even in pandemic period, there is little gratitude.

This always involves the means of power, in times of psycho-power, the choice of means for certain ends is fundamental, what the individual influences or challenges for his own benefit, is explained in Habermas using the concept of Hanna Arendt and polemizing with Max. Weber: “It is this capacity for disposition over means that enables one to influence the will of others that Max Weber calls power. H. Arendt reserves for this case the concept of violence ” (Habermas, 1980: 100).

Thus, it can be theorized that what does not lead to collaboration can lead to a form of power or violence, if we admit that collaboration has an essential opposition to ingratitude, or to even theorize, a dose of ingratitude.

Still in the field of theorizing, in phenomenological life I think that “means” have accelerated the idea of ​​collaboration, Habermas will speak of a “methodological individualism” applying it to forms of power that do not allow “mutual understanding” or overcoming ” egoic sense of power ”, which leads to non-collaboration and non-recognition of gratuitousness.

I think Hanna Arendt is more straightforward because her model is “a communicative model” (interactive) where consensus would be reached by non-coercive means, by “reciprocal understanding” that would lead to “common will”, in my view, is still lacking, idea of ​​gratitude.

In environments where collaboration and reciprocity, mutual actions of co-working, that is, working together, is already a reality, power is dispersed and the leader does not appear as coercive, Latin coercive power, meaning retention.

What is proposed then, starting from Hanna Arendt is to think of the way that allows collaboration as a communicative way of influencing the will of the other without coercing it, this leads to systems of ingratitude, misunderstanding and power struggle through of violence.

Habermas, J. (1980). A crise da legitimação do capitalismo tardio. (The crisis of legitimation of late capitalismo). Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.[:]

 

[:pt]A paz desejada e não construída[:en]The desired and not built peace [:]

19 jan

[:pt]Sabemos que a “pax romana” era a rendição ao império que dominou boa face do mundo civilizado de então, é hoje certo que já haviam povos em diversas partes do planeta, mas seus registros paleontológicos não deixam muitas marcas de suas culturas, e, talvez como pensou Rousseau “o bom selvagem” vivia em paz, porem no conflito natural com a natureza.
A “paz eterna” elaborada pelos idealistas e idolatrada pelos adoradores do “estado moderno”, pouco é aprofundada porquê de fato para muitos será este o estado, desculpem a ironia, final da humanidade, devendo apenas ser aperfeiçoado.
Kant publicou no ano de 1798, numa revi ta de Berlim, o ensaio “Anúncio da próxima assinatura de um tratado para a paz perpétua em filosofia”, que foi uma retomada de seu ensaio feito dois anos antes: “Para a paz perpétua”, que ficou confinada na sua filosofia.
Isto porque o objetivo era resolver a paz no interior de um só Estado, ou no plano das relações entre diferentes Estados, que podemos ver mesmo com o surgimento da ONU e com o aumento de nações democráticas, que em essência a ideia de Estado permanece iluminista.
Deste ensaio pode-se supor que o que o filósofo entendia por filosofia significa que se os sistemas da filosofia encontrassem uma solução para seus conflitos eles poderiam auxiliar os sistemas políticos a resolverem seus conflitos, por isso permanece no campo idealista.
O conflito entre objeto e sujeito, que faz supor que é no objeto que se encontra o conflito e não no sujeito é a hipótese do sistema idealista/iluminista, mas é na facticidade dos sujeitos históricos que estão os conflitos, entendo estes não como a historicidade romântica, pois facticidade é o conceito heideggeriano do sujeito lançado no mundo com seus fatos.
Assim o que se entende por paz além do idealismo é aquela passível de ser construída na facticidade do dia-a-dia, em cada conflito encontrado em cada fato, sem estar confinado aos pressupostos teóricos ou filosóficos, mas ali onde está o “ser lançado no mundo”.
A paz, portanto, é construída e não um acordo entre estados ou no seu interior, o tratado de paz da 1ª. guerra mundial levou a segunda, dizem alguns leitores da história mundial, o fato é que houveram duas guerras e os estados “modernos” não só não evitaram, como são autores.
“Se deseja a paz, constrói a paz”, dizia um político italiano, bem poucos entendem isto.

Um pós-pandemia será problemático, pode inclusive caminhar para uma crise civilizatória, onde muitas providencias deveriam ser tomadas já a partir de agora.[:en]We know that the “pax romana” was the surrender to the empire that dominated the good face of the civilized world at the time, it is true today that there were already people in various parts of the planet, but their paleontological records do not leave many marks of their cultures, and perhaps as Rousseau thought ‘the good savage’ lived in peace, but in the natural conflict with nature.
The “eternal peace” elaborated by the idealists and idolized by the worshipers of the “modern state” is not deepened, because in fact for many this will be the state, excuse the final irony of humanity and should only be perfected. Kant published in 1798, in a Berlin magazine, the essay “Announcement of the forthcoming signing of a treaty for perpetual peace in philosophy”, which was a resumption of his essay two years earlier: “For perpetual peace”, that was confined in its philosophy.
This is because the goal was to resolve peace within a single state, or in terms of relations between different states, which we can see even with the emergence of the UN and the rise of democratic nations, which in essence the idea of state remains enlightened. .
From this essay it can be assumed that what the philosopher understood by philosophy means that if systems of philosophy found a solution to their conflicts they could help political systems to resolve their conflicts, so it remains in the idealistic field.
The conflict between object and subject, which supposes that it is in the object that is the conflict and not in the subject is the hypothesis of the idealism/enlightenment system, but it is in the facticity of the historical subjects that the conflicts are, I do not understand as the historicity romantic because facticity is the Heideggerian concept of the subject thrown into the world with his facts.
Thus, what is meant by peace beyond idealism is that which can be built on the facticity of everyday life, in every conflict encountered in every fact, without being confined to theoretical or philosophical assumptions, but where the “being thrown” is. in the world”.
Peace, therefore, is built and not an agreement between states or within them, the peace treaty of the 1st. world war led to the second, some readers of world history say, the fact is that there were two wars and the “modern” states not only did not avoid, but are authors. “If you want peace, build peace,” said an Italian politician, very few understanding this.

A post-pandemic will be problematic, it may even lead to a civilizational crisis, where many measures should be taken from now on.[:]

 

[:pt]Por uma ascese espiritualizada[:en]For a spiritual ascesis [:]

14 jan

[:pt]O que assistimos além da crise e noite cultural, além de uma profunda crise social sem um pensamento que catalise as forças reais da sociedade que apontam para o futuro, é um também uma noite de Deus, o educador Martin Buber a descreve como Eclipse de Deus.
Escreveu Buber em seu livro: “Mais tarde construí para mim mesmo o sentido da palavra ”desencontro”, através da qual estava descrito, aproximadamente, o fracasso de um verdadeiro encontro entre seres humanos. Quando, após outros 20 anos, revi minha mãe, que viera de longe visitar a mim, minha mulher e meus filhos, eu não conseguia olhar nos seus olhos, ainda espantosamente bonitos, sem ouvir de algum lugar a palavra ”desencontro” como se fosse dita a mim. Suponho que tudo o que experimentei, no decorrer da minha vida, sobre o autêntico encontro, tenha a sua primeira origem naquela hora na galeria.” (BUBER, 1991, p. 8).
Revela assim a verdadeira face do “silêncio de Deus” do judaísmo no qual tem raízes, será em outro livro o “Eu-Tu” onde ele revelará um aspecto de sua ascese que é “o encontro com o Outro”, que para Buber mais do que uma pessoa, seu Tu tem uma essência divina, Deus habita o outro.
Nos dias atuais o que se observa são duas tendências fortes e em ambas as asceses não há de fato uma espiritualidade além da transcendência, ou o ativismo que Byung Chul condena como a “vita activa” que leva ao cansaço, ou o subjetivismo idealista que pode parecer religião mas não o é, o que ele desperta não é outra coisa senão o sentimentalismo, podendo levar “fieis” as lágrimas, não necessariamente a Deus, se O descobrem de fato devem buscar outra ascese verdadeira.
Assim é possível que por um caminho ou outro também encontrem a Deus, porém não há outro modo de permanecer na fé, não dos cegos mas dos que encontraram uma clareira, se de fato quiserem permanecer a meditação e a oração são imprescindíveis.
Aos que não tem fé, uma boa leitura, separar trechos e pensamentos, vivendo o momento como escrevemos no post anterior, é fundamental, ou seja, também para a leitura pode-se seguir a regra de fazê-la sem “gula”, tentar colocar a alma em silêncio, fazendo um verdadeiro “epoché”.
Aos que creem reflito sempre que Jesus rezava, e pedia aos seus discípulos que rezassem com ele, e que não perdessem esta prática, Jesus vai contar a parábola do mau juiz que não quer atender a viúva, mas por sua insistência e para que ela não o xingasse, ele a atende, diz o trecho inicial: “Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir…”, que está em em Lc 18,1.
BUBER, Martin. Eclipse de Dios. México: Fondo de Cultura Económica, 1995.[:en]What we see beyond the crisis and cultural night, beyond a deep social crisis without a thought that catalyses the real forces of society that point to the future, is also a night of God, educator Martin Buber describes it as God’s Eclipse.
Buber wrote in his book: “I later built for myself the meaning of the word ‘mismatch’, through which was roughly described the failure of a true encounter between human beings. When, after another 20 years, I saw my mother, who had come to visit me, my wife, and my children from afar, I couldn’t look into her still astonishingly beautiful eyes without hearing the word “mismatch” somewhere as if it were. tell me.
I suppose that everything I have experienced over the course of my life about the authentic encounter has its first origin at that time in the gallery. ”(BUBER, 1991, p. 8). Thus revealing the true face of the “silence of God” of Judaism in which it has its roots, will be in another book the “I-Thou” where he will reveal an aspect of his asceticism which is “the encounter with the Other”, which for Buber more. than one person, your Tu has a divine essence, God inhabits the other.
These days there are two strong tendencies, and in both asceses there is in fact no spirituality beyond transcendence, or the activism that Byung Chul condemns as the “active vita” that leads to tiredness, or the idealistic subjectivism that can It seems to be religion but it is not, what it arouses is nothing but sentimentality, and can lead to “faithful” tears, not necessarily to God, if they do discover Him they must seek another true asceticism.
Thus it is possible that they will find God in one way or another, but there is no other way to remain in the faith, not of the blind but of those who have found a clearing, if indeed meditation and prayer are to remain, they are indispensable.
For those who have no faith, a good reading, separating passages and thoughts, living the moment as we wrote in the previous post, is fundamental, that is, also for reading can follow the rule of doing it without “gluttony”, try put the soul in silence, making a true “epoché”.
To those who believe always reflect that Jesus prayed, and asked his disciples to pray with him, and not to lose this practice, Jesus will tell the parable of the bad judge who does not want to attend the widow, but by his insistence and so that she does not. he curses, he answers, says the opening passage: “Jesus told the disciples a parable to show them the need to pray always, and never give up…”, which is in Luke 18: 1.
BUBER, Martin. (1995) Eclipse de Dios. México: Fondo de Cultura Económica, 1995.[:]

 

[:pt]Advento, mas o que advirá?[:en]Advent, but what will happen?[:]

11 dez

[:pt]Esta é a pergunta que ganha contornos diferentes em épocas natalinas, haverá uma nova normalidade, os líderes mundiais faram de “grande reset” (palavra usada no fórum mundial), porém parece que a preocupação central é a economia, ainda que falem em “Novo Acordo Verde” ou os apelos dos socialistas Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez a um novo equilíbrio.

Ao que parece não se dão conta de uma crise mais profunda, do pensamento e da cultura, chegando até mesmo a se poder dizer uma grande noite de “Deus”, religião sinônimo de falta de bom senso e separatismo social, embora os próprios líderes religiosos digam buscar o contrário.

Aqueles que estão preocupados com a falência do humanismo, com um colapso civilizatório seriam apenas apocalípticos, então as análises de que estamos andando como “sonâmbulos no escuro” (Edgar Morin), que “não é um tempo próprio para o pensamento” (Peter Sloterdijk) e que vivemos o inferno do igual (Byung Chul Han), não são poucos os pensadores que veem esta crise.

É um quadro sem aparente solução, onde os gritos ideológicos renascem e as tendências de uma mudança diferente do pensado até hoje é quase desapercebida, como diz uma frase famosa de Albert Einstein: “loucura é querer resultados diferentes, fazendo tudo exatamente igual”.

Quem seriam os profetas e oráculos deste tempo que anunciariam grandes mudanças ? que proporções elas terão ? a própria natureza se rebelará com seu desiquilíbrio ? serão tempos de uma nova terra e de um novo céu ?

Sócrates anunciou o período da Grécia antiga que precedeu a sociedade moderna, a vinda de Jesus foi precedida pelo último e maior dos profetas João Batista, que serão eles hoje ?

O Evangelho de Jo 1,22-23, após várias perguntas dos fariseus a João Batista ele respondeu: “Perguntaram então: ‘Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?’ João declarou: ‘Eu sou a voz que grita no deserto: Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías.

Aos que tem juízo é tempo de aplainar os caminhos aos que não tem resta o descuido.[:en]This is the question that takes on different shapes in the Christmas season, there will be a new normality, the world leaders are going for a “big reset” (word used in the world forum), but it seems that the central concern is the economy, even though they speak of “New Green Agreement” or the calls of socialists Bernie Sanders and Alexandria Ocasio-Cortez for a new balance.

Apparently, they are not aware of a deeper crisis, of thought and culture, even being able to say a great night of “God”, religion synonymous with lack of common sense and social separatism, although the religious leaders themselves say seek the opposite.

Those who are concerned with the failure of humanism, with a civilizing collapse would only be apocalyptic, so the analyzes that we are walking as “sleepwalkers in the dark” (Edgar Morin), which “is not a proper time for thought” (Peter Sloterdijk ) and that we live in the hell of the equal (Byung Chul Han), there are many thinkers who see this crisis.

It is a picture with no apparent solution, where ideological cries are reborn and the tendencies for a change different from what has been thought until today is almost unnoticed, as Albert Einstein’s famous phrase says: “madness is wanting different results, doing everything exactly the same”.

Who are the prophets and oracles of this time who would announce great changes? what proportions will they have? will nature itself rebel with its imbalance? are times for a new earth and a new sky?

Socrates announced the period of ancient Greece that preceded modern society, the coming of Jesus was preceded by the last and greatest of the prophets John the Baptist, who are they today?

The Gospel of John 1,22-23, after several questions from the Pharisees to John the Baptist, he replied: “Then they asked: ‘Who are you, anyway? We have to take an answer to those who sent us. What do you say about yourself?’  João declared: ‘I am the voice that cries in the desert: Flatten the way of the Lord ’ ” – as the prophet Isaiah said.

For those who have sense, it is time to smooth the paths for those who have no carelessness[:]

 

[:pt]Escatologia apenas humana[:en]Human-only eschatology[:]

08 dez

[:pt]Dois equívocos sobre o Natal é que se trata apenas do nascimento de Jesus, ao menos o Jesus histórico deve ser admitido como homem que existe pois houve um recenseamento quando ele nasceu, a segunda é o que veio e o que virá, o advento é assim aquilo (ou aquele) que vem e virá.

Relendo a obra Homo sapiens de Yuval Noah Harari apresenta uma perspectiva evolucionista darwiniana colocando como o homem impôs sua vida no planeta, contemplando três fases: a coletora, a agrícola (e sedentária), a fase industrial e a moderna de informação intensiva, e busca alinhar os elementos estruturais que conectam com a ordem cultural e com os seus alicerces.

No plano da cultura desta as crenças gerais compartilhadas em cada fases, que chama de mitos ficcionais, aos quais atribui a indispensável coesão social e os empreendimentos de cada período.

Mesmo sendo judeu, que possui uma escatologia forte abramica, recusa a existência da alma, da consciência e da individualidade, tendo como perspectiva que a ciência não detectou isto, e que as notáveis conquistas da ciência contemporânea dispensam estas existências.

O seu longo e elaborado trabalho que ao negar estes fatos existenciais metafísicos, envereda pelo mesmo caminho dos neologicistas, de algoritmos que regulariam a vida inclusive biológica, porém é a consciência algo assim desconectado da inteligência e será que organismos são só algoritmos.

O sentido clássico de cosmos, explorado desde Platão, a energia requerida para acionar um algoritmo da criação, a energia sem a qual a própria ideia de algoritmo não se sustenta, é algo que já pré-existia antes da hominização do cosmos (a natureza tornou-se homem) e o que será o futuro deste processo sobre o qual o próprio Harari indaga, sem alma e consciência deste fim.

Estas perguntas apontam para uma escatologia, princípio e fim, e não temos uma aposta num fim longínquo ou próximo se não tivermos respostas sobre um princípio, o escato-lógico do Ser.

Ainda que a escatologia de Harari não seja completa, não há transcendência, ele percebe que estamos próximos de um limiar civilizatório bastante perigoso, tanto no aspecto humano quanto do equilíbrio da natureza, e que o homem poderá realizar esta tarefa sozinho sem algo superior.[:en]Two misconceptions about Christmas are that it is only the birth of Jesus, at least the historical Jesus must be admitted as a man who exists because there was a census when he was born, the second is what came and what will come, the advent is like that that (or that) that comes and will come.

Rereading the work Homo sapiens by Yuval Noah Harari presents a Darwinian evolutionary perspective showing how man imposed his life on the planet, contemplating three phases: the collector, the agricultural (and sedentary), the industrial and the modern phase of information intensive, and search align the structural elements that connect with the cultural order and its foundations.

In terms of its culture, the general beliefs shared in each phase, which he calls fictional myths, to which he attributes the indispensable social cohesion and the undertakings of each period.

Even though he is a Jew, who has a strong abramic eschatology, he refuses the existence of the soul, conscience and individuality, considering that science has not detected this, and that the remarkable achievements of contemporary science dispense with these existences.

His long and elaborate work which, in denying these metaphysical existential facts, takes the same path as the neologicists, of algorithms that would regulate even biological life, but consciousness is something so disconnected from intelligence and is that organisms are just algorithms.

The classic sense of the cosmos, explored since Plato, the energy required to trigger an algorithm of creation, the energy without which the very idea of ​​an algorithm cannot be sustained, is something that already pre-existed before the hominization of the cosmos (nature became himself) and what will be the future of this process about which Harari himself asks, without soul and awareness of this end.

These questions point to an eschatology, beginning and end, and we do not have a bet on a distant or near end if we do not have answers on a principle, the eschatological logic of Being.

Although Harari’s eschatology is not complete, there is no transcendence, he realizes that we are close to a very dangerous civilizing threshold, both in the human aspect and in the balance of nature, and that man will be able to accomplish this task alone without something superior.

 

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[:pt]O deserto e o futuro[:en]The desert and the future[:]

03 dez

[:pt]Não é apenas a pandemia, de fato ela pode passar, mas seus problemas não só não passaram como estão se agravando, o futuro ali na frente pode ser de uma crise séria, não só pelas dificuldades econômicas e sociais, na raiz há uma crise do pensamento.

O número de problemas de ordem emocional e psíquica de um longo período de isolamento já é visível, e os ciclos seguintes de euforia e exageros podem ser piores, parte da segunda onda no Brasil revelam os dados são festas e aglomerações inexplicáveis em meio a uma pandemia.

O romance de Augusto Cury falando do Futuro da Humanidade, parece apontado apenas para o foco de pessoas com problemas psíquicos podem ter solução e que a relação com estes pacientes que são marginalizados e tratados como sem identidade, deixa indignado um jovem estudante com nome de Marco Polo, o aventureiro navegador veneziano do século XIII, cujo nome o pai deu em sua homenagem.

O desafio deste jovem é que além de remédios, o tratamento com diálogo e psicologia podem levar a uma verdadeira revolução no tratamento de pessoas assim

O mundo já mudou, a nova normalidade poderá apresentar graves problemas tanto de origem social quanto psíquica, mas a consciência de que tudo isto pode e deve ser tratado com diálogo e sem mecanismos de fugas, como bebidas, drogas e festas, pode ajudar a uma outra cura além da pandemia, claro não é este o assunto do livro.

O livro As viagens de Marco Polo inspirou certamente as navegações e as explorações do Oriente na passagem do Renascimento para a Modernidade, escrito entre 1271 e 1295, conta as experiências deste jovem na corta de Kublai Khan, porém a viagem é feita de lutas e desafios (veja ilustração da obra original acima) e as viagens de grandes navegadores vieram nos anos seguintes, há uma travessia a ser feita hoje.

Lembro também a frase de Augusto Cury na qual diz que só é digno do oásis aquele que consegue atravessar o próprio deserto.[:en]It is not just the pandemic, in fact it can pass, but its problems have not only passed but are getting worse, the future ahead may be a serious crisis, not only due to economic and social difficulties, at the root there is a crisis of the thought.

The number of emotional and psychological problems of a long period of isolation is already visible, and the following cycles of euphoria and exaggeration may be worse, part of the second wave in Brazil reveal the data are parties and inexplicable agglomerations in the middle of a pandemic .

Augusto Cury’s novel talking about the Future of Humanity, seems to point only to the focus of people with psychic problems can be solved and that the relationship with these patients who are marginalized and treated as without identity, indignant a young student named Marco Polo, the adventurous Venetian navigator of the 13th century, whose name his father gave in his honor.

The challenge for this young man is that in addition to medication, treatment with dialogue and psychology can lead to a real revolution in the treatment of people like that.

The world has already changed, the new normality can present serious problems of both social and psychological origin, but the awareness that all this can and should be treated with dialogue and without escape mechanisms, such as drinks, drugs and parties, can help a another cure besides the pandemic, of course this is not the subject of the book.

The book The travels of Marco Polo certainly inspired the navigations and explorations of the East in the passage from the Renaissance to Modernity, written between 1271 and 1295, tells the experiences of this young man in the court of Kublai Khan, however the journey is made of struggles and challenges (see illustration of the original work above) and the voyages of great navigators came in the following years, there is a crossing to be made today.

I also remember the phrase by Augusto Cury in which he says that only those who can cross the desert are worthy of the oasis.

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[:pt]A escatologia e o Natal[:en]Eschatology and Christmas[:]

27 nov

[:pt]Como síntese ontológica da escatologia que desenvolvemos esta semana neste blog, retomamos Heidegger em seus três conceitos ditos aqui escatológicos.

Cuidado, Heidegger se apropriou da fábula grega na qual Júpiter e Cuidado que está dando forma a argila brigam pelo nome que será dado a figura criada, e chamado Saturno como juiz ele diz que a Júpiter pertencerá o espírito pois foi ele que o deu a forma, enquanto Cuidado terá a terra, já que a formou, e ao Cuidado pertencerá a forma da argila que ele criou, assim cuidar no momento presente.

Impessoalidade é aquela na qual ela rompe a relação com o mundo, e torna o indivíduo isolado, “fora das relações de familiaridade com o mundo” e assim quase sempre na ausência do outro. ela rompe esta relação, e faz o indivíduo isolado “cair fora das relações de familiaridade com o mundo” diz Heidegger.

Silêncio é aspecto final desta escatologia, é invocado quando o indivíduo já descobriu o si-mesmo, e volta ao mundo agora senhor de si próprio, assim é o retorno da paz e da relação harmoniosa com mundo, ainda que ele esteja em conflito, ou em uma de suas mortes.

O Natal não só não é comemorado por muitos cristãos de diversas seitas, embora curiosamente espera a nova vinda, que é a parusia e também ela é comemorada nas primeiras semanas do Natal, o tempo do advento, porém esta é a separação de que falamos do Ser da vida e o ser-para-a-morte.

Não estão desligados é nele que se desenvolve a morte, a ressurreição da vida e a nova vinda, ou um novo tempo, ou aquilo que acontece depois de uma pequena ou grande tragédia, penso que é verdade que vivemos um tempo assim, porém a escatologia que pretende negar a morte é ela própria a morte.

A necessidade urgente de mudanças na vida humana do planeta, no respeito ao próprio planeta, ao Outro que não é nosso espelho, não é da “nossa turma” é cada vez mais uma exigência de mudança, de morte de um sistema velho e o renascer numa nova perspectiva civilizatória.

E se esse tempo vier, esse fim escatológico qual é a recomendação bíblica para os que creem, é aquela que está em Marcos (Mc 13,33-34): “33“Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando”, assim mesmo que este tempo venha ou não “vigiai”.

Enquanto para o cristão deve significar uma eterna parusia, ou seja espera de um nova vinda, para os não cristãos deve ser estar atento a um novo tempo, a uma retomada de valores sociais, ecológicos e humanos que estão abandonados, em crise ou quase sucumbidos numa civilização em crise.  

Um Natal sem grandes festas e consumismos deverá ser um Natal mais próximo de seu sentido, o Natal do Cuidado, da Impessoalidade (o respeito ao Outro) e do Silêncio, é uma escatologia quase perfeita, pois ela seria se de fato pudéssemos sentir a volta de um verdadeiro tempo de salvação.[:en]As an ontological synthesis of the eschatology that we developed this week, we return to Heidegger in his three eschatological concepts.

Be careful, Heidegger appropriates the Greek fable in which Jupiter and Care that is shaping clay fight over the name that will be given to the created figure, and called Saturn as a judge he says that Jupiter will belong to the spirit because he was the one who gave it the form , while Care will have the land, since it formed it, and Care will belong to the shape of the clay he created, so to care in the present moment.

Impersonality is one in which it breaks the relationship with the world, and makes the individual isolated, “out of relations of familiarity with the world” and thus almost always in the absence of the other. it breaks this relationship, and makes the isolated individual “fall out of familiarity with the world,” says Heidegger.

Silence is the final aspect of this eschatology, it is invoked when the individual has already discovered himself, and returns to the world now master of himself, so is the return of peace and the harmonious relationship with the world, even if he is in conflict, or in one of his deaths.

Christmas is not only celebrated by many Christians of different sects, although curiously it awaits the new coming, which is the parousia and it is also celebrated in the first weeks of Christmas, the time of advent, but this is the separation we speak of Being of life and being-for-death.

They are not disconnected, it is in it that death, the resurrection of life and the new coming, or a new time, or what happens after a small or great tragedy develops, I think it is true that we live in a time like this, but eschatology who intends to deny death is death itself.

The urgent need for changes in the human life of the planet, in respect for the planet itself, for the Other that is not our mirror, is not “our class”, it is more and more a demand for change, for the death of an old system and to be reborn in a new civilizing perspective.

And if that time comes, that eschatological end, which is the biblical recommendation for those who believe, is the one that is in Mark (Mark 13: 33-34): “33“ Watch out! Pay attention, because you do not know when the time will come. 34It is like a man who, when he left abroad, left his home under the responsibility of his employees, distributing his task to each one. And he told the porter to keep watch “, whether or not this time comes “watch”.

While for the Christian it must mean an eternal parousia, that is, waiting for a new coming, for non-Christians it must be aware of a new time, a resumption of social, ecological and human values ​​that are abandoned, in crisis or almost succumbed in a civilization in crisis.

A Christmas without big parties and consumerism should be a Christmas closer to its meaning, the Christmas of Care, Impersonality (respect for the Other) and Silence, is an almost perfect eschatology, as it would be if we could actually feel the return of a true time of salvation.[:]

 

[:pt]O infinito escatológico[:en]The eschatological infinity[:]

26 nov

[:pt]A transcendência como ideia do Infinito (não é a idealista) pode ser compreendida na filosofia de Lévinas como “A presença de um ser que não entra na esfera do Mesmo, presença que a excede, fixa seu ‘estatuto’de infinito, é assim que surgirá em Lévinas a ideia de Estrangeiro e ali ele numa escatologia própria.

O termo Estrangeiro é próprio da tradição bíblica da qual se alimenta Emmanuel Lévinas, tal como muitos se alimentam da mitologia grega, ela é presente na quatríade do profeta Isaías, profeta como no modo dos celebrados poetas gregos Homero e Hesíodo, é curioso porque pode-se a parte de Lévinas ver uma convergência entre a cultura helênica e semita, ao contrário de toda fúria contra a cultura judaico-cristã.

A quatríade é a seguinte: o pobre (que não tem recursos econômicos), a viúva (que não tem marido que a sustente), o órfão (que não tem abrigo que o recolha), o estrangeiro (que não tem pátria onde pisar). eles são a síntese do que hoje chamamos e excluídos no tempo bíblico, e podemos ver numa nova escatologia “filosófica” de Lévinas a ideia de um “fim” escatológico não como final dos tempos, mas o fim da pobreza, do desamparo feminino (hoje é mais grave o feminicídio), os órgãos das guerras e os estrangeiros que andam pelo mundo e que Bauman chega a ironizar (pasmem) e então um apocalipse novo.

É assim que o infinito e o ser-para-a-morte podem também ter uma interpretação escatológica, sem qualquer preconceito ou presunção ao sentido religioso que poderá sim em algum momento ocorrer, e do qual o planeta não está isento, afinal um fim escatológico presente em muitas religiões não cristãs é o que a própria terra (a mãe-terra) se rebela, novamente uma convergência com as profecias bíblicas.

A grande razão pela qual esta ideia foi quase abolida na modernidade, já Leibniz a reclamava está dita por Lévinas: “Minha vida e a história não formam totalidade. O comum que permite falar de sociedade objetivada, e pelo qual o homem se assemelha a coisa e se individualiza como coisa, não é primeiro” (em Ética e Infinito), e Lévinas vai definir este processo como “infinição” (talvez melhor tradução seria infinitação, mas não traduziram assim), uma inversão da subjetividade moderna, porque o sujeito subjetiva-se se sujeitando a Outrem, e assim vive sua escatologia “em processo” pessoal, sujeita ao Infinito.

Na escala social é o estrangeiro, o pobre e o que sofre algum tipo de preconceito (o racista, por exemplo, mas há outros inclusive os religiosos) e com isto é que caminhamos para uma autentico fim escatológico, um apocalipse do mundo atual já sem freio e sem uma direção segura para toda a humanidade.[:en]Transcendence as an idea of ​​the Infinite can be understood in Lévinas’ philosophy as “The presence of a being that does not enter the sphere of the Same, a presence that exceeds it, fixes its’ status” of infinity, this is how the idea will appear in Lévinas of Foreigner and there he in his own eschatology.

The term Foreigner is typical of the biblical tradition from which Emmanuel Lévinas feeds, as many feed on Greek mythology, it is present in the fourfold prophet Isaiah, a prophet as in the mode of the celebrated Greek poets Homer and Hesiod, is curious because it can if Lévinas’s part sees a convergence between Hellenic and Semitic culture, contrary to all fury against Judeo-Christian culture.

The quadratics are as follows: the poor (who have no economic resources), the widow (who has no husband to support her), the orphan (who has no shelter to collect him), the foreigner (who has no country to step on) . they are the synthesis of what we now call and excluded in biblical times, and we can see in a new “philosophical” eschatology by Lévinas the idea of ​​an eschatological “end” not as the end of time, but the end of poverty, of female helplessness (today more serious is femicide), the organs of wars and foreigners who walk around the world and which Bauman comes to irony (amazement) and then a new apocalypse.

It is thus that the infinite and the being-for-death can also have an eschatological interpretation, without any prejudice or presumption to the religious sense that may at some point occur, and from which the planet is not exempt, after all an eschatological end present in many non-Christian religions is what the earth itself (the mother-earth) rebels against, again a convergence with biblical prophecies.

The big reason why this idea was almost abolished in modernity, Leibniz already claimed it, is said by Lévinas: “My life and history do not form totality. The common that allows us to speak of objectified society, and by which man resembles the thing and individualizes himself as a thing, is not first ”(in Ethics and Infinite), and Lévinas will define this process as“ infinity ”(perhaps a better translation would be infinitation, but they did not translate this way), an inversion of modern subjectivity, because the subject is subjecting himself to Other, and thus lives his personal “in process” eschatology, subject to the Infinite.

On the social scale it is the foreigner, the poor and the one who suffers some kind of prejudice (the racist, for example, but there are others including the religious) and with this we are heading towards an authentic eschatological end, an apocalypse of the current world without brake and without a safe direction for all humanity.[:]