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Arquivo para a ‘Pintura’ Categoria

De Dali a Gaudi

20 Mar

O primeiro contato com Gaudi não seria o primeiro post, foi a experiência que fiz que me fez inverter a postagem, ontem separei-as para noticiar o fim da concepção de realidade objetiva.
Sim o trajeto histórico destes dois catalães é inverso, na Galeria Virtual Multimodal que fiz, pode-se encontrar 2 obras do último Dali que o aproximam do universo virtual atual (não objetivo portanto), enquanto Gaudi tinha um grande diálogo com o gótico e o naturalismo.
Alias por motivos físicos, Gaudi sempre foi um vegetariano muito antes que isto fosse moda.
Diria que são complementares, mas Antonio Gaudi i Cornet (1852-1926) só vai nos impressionar se andamos por sua obra, sentimos o seu “aroma”, e sua conexão com Dali pode ser encontrada numa palestra feita no Parque Güell em 1956, por ocasião da festa das Mercês, o texto completo em Castelhano pode ser encontrado no site do Clube de Gaudi.
Nesta conferência Dali ao defendê-lo tinha 52 anos, quando faleceu tinha 22 anos.
Gaudi projetou o interior da catedral na forma de uma cruz, de forma estilizada a cruz está presente em todas suas obras, a novidade desta igreja é que as figuras bíblicas representativas estão todas foras da igreja, dentro há uma harmonia de luz, cores e sons (acima a foto que tirei) com os órgãos de tubos que foram colocados posteriormente, mas certamente estavam no imaginário de Gaudi, que já dissemos tem uma cosmogonia que ultrapassa o cristianismo.
A igreja na parte de fora é aquilo que ele desejava “uma catequese de pedra”, e talvez a altura faz aquilo que era seu propósito “farei todos olharem ao céu”.
A proposta de finalização é para o ano 2026, quando será o centenário de Dali, espera-se também sua canonização pela Igreja Católica, nada mais justo.

 

As Cinzas na Neve

06 Mar

O romance do estreante romancista americana Ruta Sepetys, é sobre o tema da repressão stalinista no início do stalinismo e da II Guerra Mundial, a personagem Lina é deportada da Lituânia para a Sibéria com sua mãe e o filho mais novo, o romance, traduzido em 27 idiomas, é de 2012, ganhou vários prêmios e agora vai para as telas.
O filme dirigido por Marius A. Markevicius, teve vários produtores, entre eles a própria Sepetys, terá entre outras participações: a atriz Isobel Dorothy Powley, ou Bel Powley de 26 anos, no papel de Lina Vilkas, Lisa Loven Kongsli como Elena Vilkas, Sophie Cookson como Ona, Sam Hazeldine como Kostas Vilkas, Peter Franzén como Comandante Komarov,, Martin Wallström como Nikolai Kretzky e outros.
Tão importante quanto o tema da repressão, é a resistência artística de Lina, que colocada separada da família em outro campo de prisioneiros luta para sobreviver documentando sua experiência com anotações artísticas e esperando que suas mensagens cheguem até o campo de prisioneiro do seu pai separado dela, para que saiba que ela está viva.
Ela arrisca tudo, esperando que suas mensagens na arte cheguem até o campo de prisioneiros de seu pai e espera que suas mensagens cheguem e o consolem.
Sepetys decidiu que era mais importante escrever um romance de ficção do que uma espécie de documentário de mais de uma dezena de pessoas que entrevistou, isto tornaria mais fácil aos sobreviventes conversar com ela sem receios.
O filme estreou 19 de janeiro e a fotografia, figurino e arte parecem muito boas:

 

Uma exposição digital imersiva

18 Fev

Paris é famosa pelos museus do Louvre, Orsay e Grand Palais, já tem também um espaço de arte digital, chamado Atelier des Lumières (foto), homenagem justa aos irmãos Lumières.
A sua grande atração que começa agora é uma Exposição imersiva de Van Gogh, que tantas inspirações já deu, o filme Sonhos de Akira Kurosawa, diversos tipos de animação, e muita arte foi inspiração da genialidade do holandês.
O espaço debutou com a exposição de Gustav Klimt e rapidamente chamou a atenção.
Van Gogh é conhecido, mas Gustav Klimt (1862-1918) nem tanto, é curiosa a ligação dos dois com esta casa da Digital Media Arte, ambos opostos ao realismo (diria ao objetivismo realista, mas enfim …) e também ao positivismo que penetrou diversas humanidades, a arte não escapou.
Também se pode ligá-lo a Art Nouveau, seu movimento em outra direção surgiu a partir de um trabalho encomendado por um ricaço belga Adolphe Stoclet, que mandou construir um palácio deixando a cargo de Wiener Wekstratt, do Ateliê Vienense, onde Klimt era um expoente.
O estilo agora surge com estilos geométricos repetitivos, deixando aparecer algumas partes realistas (por isto digo …) que permitem o entendimento, ali usa uma cobertura estilo bizantino, e mosaicos onde o realismo e a abstração estão em contraste, e enfim o seu estilo.
Voltando a exposição imersiva de Van Gogh que acontece no Atelier des Lumières, a exposição se inicia agora em fevereiro e vai até dezembro de 2019.
O vídeo abaixo dá uma amostra da exposição, com apresentação do co-realizador da exposição Gianfranco Iannuzzi.

 

 

 

O espiritual na arte, quase esquecido

15 Nov

Além de Kandinsky, um contemporâneo reconhecido como tendo influência na arte espiritual, há outros três catalães quase esquecidos de forte influência espiritual: Raymond de Sebonde, autor da Teologie Natural; Gaudí, criador do gótico mediterrâneo, e Salvador Dali, incorretamente visto como surrealista paranóico-crítico, explicamos a seguir.
Disse Dali após uma longa fase que ele mesmo disse que tinha influência psicológica e indiretamente de Freud, integrasse numa nova fase, onde seu quadro Christus Hypercubus será um marco, e pode mesmo se relacionar a contemporaneidade com a Física Quântica, a quarta dimensão do universo (o Hipercubo), e de certa forma ao tesseracto de C. H. Hilton.
Diz em seu Manifesto Anti-matéria escreve com todas as letras: “no período surrealista, quis criar a iconografia do mundo interior e do mundo maravilhoso, do meu pai Freud … Hoje, o mundo exterior e o da física transcenderam o mundo da psicologia, ele declarou “meu pai hoje é o dr. Heisenberg”, assim é um Dali pós-surrealismo como ele próprio se proclama.
postamos anteriormente algo sobre isto, porém desenvolvemos aqui um pouco mais.
Proclamou Dali sobre sua obra: ”Eu Dalí, reatualizando o misticismo espanhol, vou provar com a minha obra a unidade do universo, ao mostrar a espiritualidade de todas a substâncias”, na qual o uso de substância não é por acaso, pois está falando mesmo do universo físico, mas pode ser também aquele que Teilhard Chardin chamou de “universo cristocêntrico”, ou seja, a sua Noosfera no sentido mais substancial da palavra, ou no sentido físico do universo.
Esta dimensão, além de ser estudada na Física das Partículas e na Astrofísica, apareceu em filmes como “Contato” (1997, direção de Robert Zemeckis) baseado na obra de mesmo nome de Carl Sagan, e recentemente o filme Interestelar (direção de Christopher Nolan, de 2014), ilustrado na imagem acima, e a possibilidade da quarta dimensão, do universo estar imerso num hipercubo é científica.
Einstein havia previsto um fenômeno relativístico Lense-Thirring ( homenagem a Josef Lense e Hans Thirring) que ficou por um bom tempo sem comprovação até que esse efeito começou a ser detectado em satélites artificiais e desde então passou a ser estudado como possibilidade real, é um efeito de um giroscópio devido ao campo magnético gravitacional.
Começa amanhã em Lisboa, no Palácio de Ceia, o evento Artefacto 2018, entre outras obras, apresentará uma Ode ao Christus Hypercubs feita pelo Dr. Jônatas Manzolli da Unicamp, que contará com a pianista Helena Marinho do Aveiro e a solista Beatriz Maia.

 

A Monotização do mundo

14 Nov

Assim começa o texto de Stefan Zweig sobre a sua impressão do mundo contemporâneo: “Tudo está se tornando mais uniforme em suas manifestações externas, tudo nivelado em um esquema cultural uniforme. Os hábitos característicos dos povos individuais estão sendo desgastados, a vestimenta nativa dando lugar aos uniformes, os costumes tornando-se internacionais. Os países parecem cada vez mais ter deslizado simultaneamente uns para os outros; a atividade e vitalidade das pessoas segue um esquema único; cidades crescem cada vez mais parecidas na aparência.” (Zweig, 1925)
Com esta citação também começo o folheto de apresentação com o Dr. Jônatas Manzolli, professor de Artes da Unicamp, no nosso trabalho conjunto: “Transmediatic architecture of th Ode To Christus Hypercubus”, que é apresentada sexta-feira (16/11) no Palácio de Ceia em Lisboa, conta com a pianista Dra. Helena Marinho e a solista Beatriz Maia, ambas da Universidade do Aveiro.
Este pequeno relato pretende apresentar além da ode, o Trabalho fotográfico e a animação que relacionam música, imagens e um holograma em dimensões 3D com um imaginário espaço hipercubo que extrapola esta dimensão, inspirados na obra de Salvador Dali: Christus Hypercubus.
É por isso inspirada no Manifesto Místico de Salvador Dali de 1950 é uma fase decisiva e que muda a própria concepção de Salvador Dali, pode-se dizer para um pós-surrealismo, no qual a influência mística unida a nova concepção quântica do Universo, emergente e já muito influente em seu tempo, as obras Galateia de Esferas (1952) (foto), a desintegração da Persistência da Memória (1954), A última Ceia (1955), a Descoberta da América (1958-59) são obras desta fase.
O evento Artefacto 2018, ocorre em Lisboa no palácio de Ceia, nos dias 16 e 17 de novembro, com diversos outros trabalhos que podem ser encontrados no site do evento.

ZWEIG, Stefan “The Monotonization of the World”   Disp. em: germanhistoryDocs.gh.dc.org, 1925.

 

Então o caminho é o método

13 Set

Além da verdade histórica, oposta a hermenêutica (Shcleimacher) e do historicismo românticos (Dilthey), Gadamer trata a questão da verdade ligada tanto a religião quanto a arte, uma antecipação transdisciplinar, e quem sabe talvez seu “método” (veja nosso post anterior a questão de Ricoeur), dito desta forma:

“Uma sociedade culta que se afastou de suas tradições religiosas espera mais da arte da consciência estética e do ‘ponto de vista da arte’ do que podem produzir. O desejo romântico por uma nova mitologia … dá ao artista e à sua tarefa no mundo a consciência de uma nova consagração. Ele é algo como um “salvador secular”, pois espera-se que suas criações alcancem em pequena escala a propiciação do desastre para o qual um mundo não salvo espera” (Gadamer, 1997), é claro que a salvação aqui é a terrena (secular) e não a celeste. 

Na verdade, é o que compreendemos por história que nos faz patinar em patamares da tradição, diz Gadamer sobre a história: “Na verdade, a história não nos pertence, mas sim nós a ela”, e se é ontológica, haverá um Ser que a faz cumprir.

Explica Gadamer as dificuldades não só histórica, mas principalmente dos preconceitos ligados a tradição: “É a tirania dos preconceitos ocultos que nos faz surdos ao que nos fala na tradição.” (Gadamer, 1997)

E acrescenta sobre esta dificuldade dialógica: “Não podemos entender sem querer entender, isto é, sem querer deixar que algo seja dito … O entendimento não ocorre quando tentamos interceptar o que alguém quer nos dizer alegando que já o sabemos.”, em geral não fazemos um vazio conceitual para ouvir o outro.” (Gadamer, 1996)

Indica como colocar isto em planos práticos e reais: “o que o homem precisa não é apenas o posicionamento persistente de questões fundamentais, mas o sentido do que é viável, o que é possível, o que é correto, aqui e agora. O filósofo, deve ser aquele que dentre todas as pessoas, deve, penso eu, estar ciente desta tensão entre o que ele alega alcançar e a realidade em que se encontra.” (Gadamer, 1997)

É preciso antever (virtualmente) possibilidades, mas ser capaz de adaptá-las dentro das possibilidades reais, assim não há hermenêutica ou historicismo românticos, ambos devem ter presente as realidades e interpretá-las.

GADAMER, H.G. Verdade e Método, trad. Flavio Paulo Meurer. Rio de Janeiro, Petrobolis: 1997.

 

 

Schlemmer e o Virtual

04 Set

Muitas são as possibilidades biográficas para Oskar Schlemmer (1888—1943), para entender o humanismo de Schelemmer, começo pela sua disciplina “O homem” que ele ministrou na Bauhaus em “Matéria de ensino: o homem”, tendo como objetivo “familiarizar o aprendiz com o homem todo, fazendo-o a partir de dois tipos distintos de consideração: o aparamento visível e a sua apresentação”, como aparece no site: www.tipografos.net/bauhaus/.
A ideia do bale triádrico parte de três participantes (dois do sexo masculino e um feminino), 12 danças e 18 figurinos, há forte influência do teatro de marionetes, a ideia de movimentos maquínicos, síntese de sua visão da modernidade dividida em dois movimentos principais: a mecanizada, que torno o homem como uma máquina e o corpo um mecanismo, e, a dos impulsos primordiais, as profundezas de nossos impulsos criativos.
Ele via na geometria coreográfica da dança uma síntese, as origens dionisíacas e emocionais da dança, que torna rígida e apolínea em sua forma final, mas queria estar livre da bagagem histórica da ópera e do teatro, e assim, ver o homem transformado pelo traje e pela dança.
Ele viu nos fantoches e marionetes movimentos superiores os seres humanos, fazendo uma leitura a partir do virtual diria que tem uma “gramática”, e usando um raciocínio de Schelemmer pode se dizer que “o meio de toda arte é artificial”, sendo, portanto, um artefacto virtual.

Ao analisar o corpo como geometria: viu a cabeça e os olhos como círculos, assim o corpo torna-se uma estatueta de onde deriva o traje, e finalmente, os movimentos da dança e a musica surgem dai, formando o “todo” do homem por onde iniciamos a análise de seu trabalho.
Nascido em 04 de setembro de 1888, completaria 130 anos hoje, razão que está no Google.

 

O Dali místico e quântico

07 Ago

A pintura de Salvador Dalí Christus Hypercubus, de1954, criou a quarta dimensão a compreensão na pintura da quarta dimensão e do universo quântico.

A a ideia mística de Salvador Dalí, descrita no quadro Christus Hypercubus já estava presente antes quando em 1951 já havia escrito o Manifesto Místico, neste quadro Jesus Cristo aparece pairando sobre o espaço a frente de uma Cruz na quarta dimensão, não há pregos, com uma mulher na frente da cruz, cujo modelo teria sido a esposa de Dali.

Cubistas como Pablo Picasso haviam tentando pintar formas quadridimensionais em telas bidimensionais, as teorias dos matemáticos Bernhard Riemann e Henri Poincaré que saíram das formas convencionais de retas e planos, e eram as inspirações deles, mas Dali foi mais longe em suas primeiras descrições de sua pintura chamou-as pintura de “cubismo metafísico e transcendente”.

Mas não deixou de fazer referências ao arquiteto Juan de Herrera do século XIII e ao tratado Ars Magna do filósofo e alquimista Raymond Lull da Catalunha do Século XVI.

Dali vai explorar as ideias da física teórica até sua morte em 1989, o que prova isto foi o contato mantido durante anos com o matemático Thomas Branchoff da Brown University, e apesar da recusa inicial em 1975, acabou tornando-se uma longa colaboração de quase uma década.

De acordo com Banchoff: “Lull foi um catalão que estudou duas dimensões, dois séculos depois, Herrera levou isso a terceira dimensão. Aqui está Dalí em uma linha direta, levando-a a quarta dimensão”, afirmou Banchoff acrescentando: “eles não estavam pensando nisso como um cubo quadridimensional desdobrado – que surgiu um ou dois seculos depois”.

Mas o Hypercubo ou Tesseracto, teve de fato a intensão de pintar a quarta dimensão e Dali escreveria em 1958, em seu Manifesto Anti-matéria: “no período surrealista, quis criar a iconografia do mundo interior e do mundo maravilhoso, do meu pai Freud … Hoje, o mundo exterior e o da física transcenderam o mundo da psicologia. Meu pai hoje é o dr. Heisenberg” referindo-se ao criador dos primeiros conceitos da física quântica.