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Arquivo para a ‘Tecnologia’ Categoria

A arte linear, o 3D e o tesseracto

19 Fev

O fato que a cultura contemporânea está fundamentada numa ciência, numa arte e também numa dimensão ética e estética que se fundamenta na geometria construiu um modelo ideal de natureza, de homem e de sociedade, que é puramente ideal e irrealizável ao homem.
Aparenta um pós-humanismo, já que o humanismo contemporâneo é a aquele do imperativo categórico kantiano: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal”, as vezes suprime-se o “através de sua vontade”, mas o fato imperioso permanece lá, tornar-se modelo para os outros, narcisismo e pré-humanismo.
Tudo isto veio do idealismo e absolutismo das ideias geométricas matemáticas, não se trata do abstracionismo já que esta corrente tanto na arte quanto na própria matemática, tornou-se de fato muito mais revolucionárias do que parecem, a dimensão de Hausdorff e os fractais, assim como as hipóteses matemáticas e físicas sobre a entropia provam esta importância.
A física ao descobrir a quarta dimensão remete o pensamento e a aventura humano a um espaço até então impensável, as viagens intergalácticas, começa-se a desenha a história do próprio universo, como se formam as supernovas, o que são os buracos negros e a matéria negra, enfim um limiar de um novo tempo, que nasce da física quântica e da quarta dimensão.
O que isto tem a ver com a arte, com a tecnologia, absolutamente tudo, pois a visão e a sensação humano se ampliam, enquanto muitos se metem em buracos dogmáticos, alguns chegam a redeclarar a terra plana, a dimensão do infinito, das cosmogonias e da quarta dimensão emergem.
Tudo isto parece teórico, mas foi Carl Sagan, na sua famosa série Cosmos, agora disponível online, que explicou tudo isto de maneira simples e acessível a todos, segue um pedaço do seu vídeo no qual explica isto:

 

Uma exposição digital imersiva

18 Fev

Paris é famosa pelos museus do Louvre, Orsay e Grand Palais, já tem também um espaço de arte digital, chamado Atelier des Lumières (foto), homenagem justa aos irmãos Lumières.
A sua grande atração que começa agora é uma Exposição imersiva de Van Gogh, que tantas inspirações já deu, o filme Sonhos de Akira Kurosawa, diversos tipos de animação, e muita arte foi inspiração da genialidade do holandês.
O espaço debutou com a exposição de Gustav Klimt e rapidamente chamou a atenção.
Van Gogh é conhecido, mas Gustav Klimt (1862-1918) nem tanto, é curiosa a ligação dos dois com esta casa da Digital Media Arte, ambos opostos ao realismo (diria ao objetivismo realista, mas enfim …) e também ao positivismo que penetrou diversas humanidades, a arte não escapou.
Também se pode ligá-lo a Art Nouveau, seu movimento em outra direção surgiu a partir de um trabalho encomendado por um ricaço belga Adolphe Stoclet, que mandou construir um palácio deixando a cargo de Wiener Wekstratt, do Ateliê Vienense, onde Klimt era um expoente.
O estilo agora surge com estilos geométricos repetitivos, deixando aparecer algumas partes realistas (por isto digo …) que permitem o entendimento, ali usa uma cobertura estilo bizantino, e mosaicos onde o realismo e a abstração estão em contraste, e enfim o seu estilo.
Voltando a exposição imersiva de Van Gogh que acontece no Atelier des Lumières, a exposição se inicia agora em fevereiro e vai até dezembro de 2019.
O vídeo abaixo dá uma amostra da exposição, com apresentação do co-realizador da exposição Gianfranco Iannuzzi.

 

 

 

Fake news com dias contados

12 Fev

Noticias falsas, e também maliciosas ou tendenciosas são antigas, já citamos as denúncias que fazia Karl Kraus nos 20, também noticias de que a atriz Rita Hayworth (nome artístico de Margarita Carmen Cansino, famosa nos anos 50 e 60), que teria vivido mais dois anos, ou a propaganda enganosa que a Nike estaria dando camisas da seleção brasileira.
Agora há um software desenvolvido pela empresa de pesquisa Fraunhoffer-Gesellschaft, na Alemanha que desenvolveu um sistema que analisa automaticamente post das midias sociais e filtra falsas notícias e desinformação, podemos prever um futuro promissor.
É bom ressaltar que isto foi graças as novas tecnologias, a ferramenta faz um aprendizado por máquina (machine learning) que filtra as notícias e através de aprendizagem (no sentido de algoritmos por maquina) analisa conte+udos e metadados, verificando a interação do usuário e otimiza resultados em tempo real.
A ferramenta verifica ainda a quantidade de dados (processos de viralização), com gráficos de dados de envio, frequência e redes de seguidores.
Ulrich Schade, conforme o site da Fraunhofer, afirmou: “Nosso software pode ser personalizado e treinado para atender às necessidades de qualquer cliente. Nosso software pode ser personalizado e treinado para atender às necessidades de qualquer cliente. Para órgãos públicos, pode ser um sistema de alerta precoce útil”. 
Os metadados são usados como marcadores, e permitem assim uma marcação do posto com fake, ou seja, ele desempenha um papel crucial na diferenciação entre fontes autênticas de informação e notícias falsas.
Assim se um site com uma certa frequência de postagens é feita, qual e com que frequência um tweet é agendado e a que horas? O tempo de um post pode ser muito revelador, assim como a frequência do tweet e os seguidores.
Deve-se revelar também o país e o fuso horário do originador das notícias para sua correta identificação e localização, por isso as horas são essenciais.
Uma alta frequência de envio sugere bots, o que aumenta a probabilidade de uma notícia falsa, pode ser facilmente detectada e pode sinalizar um fake.
Os bots sociais em geral enviam seus links para um grande número de usuários, e isto é um exemplo, de como espalhar a incerteza entre o público, portanto nunca repasse.
As conexões e os seguidores da conta também podem ser um terreno fértil para os analistas, embora pessoas bem-intencionadas usem isto, a chance de ser um fake é grande, e agora uma ferramenta pode detectar isto, os dias do fake estão contado

 

A verdade em tempos de crise

31 Jan

A nova consciência hermenêutica, que procura estabelecer diálogos entre pré-conceitos, tornou o homem ora mais vulnerável a uma crise do pensamento, ora mais ortodoxo e rígido predisposto a intolerância, a uma verdade da “Monarquia do Medo” como define Martha Nussbaum em seu novo livro, favorável ao fechamento nas ditaduras e extremos atuais.
Mas o que é esta nova consciência ? define-a Hans Georg Gadamer assim: “consciência hermenêutica, que deve ser despertada e mantida desperta, reconhece que, na era da filosofia da ciência, a reivindicação de superioridade tem algo de quimérico e irreal sobre ela.” (GADAMER,  1997)
E acrescenta: “Mas embora a vontade do homem esteja mais do que nunca intensificando sua crítica do que fazia antes, a ponto de se tornar uma consciência utópica ou escatológica, a consciência hermenêutica procura confrontar essa vontade com algo da verdade da recordação: com o que ainda é e nunca mais real.” (Gadamer, 1997), ou seja, uma a-lethe (a Aleteia dos gregos), ou o não esquecimento (ou conhecimento da história).
O foco da subjetividade em oposição a objetividade é a verdadeira janela escura (Black Mirror fala apenas da cultura digital que tem apenas 30 anos), veja o que diz o hermeneuta: “O foco da subjetividade é um espelho distorcido. A autoconsciência do Indivíduo é apenas uma oscilação no circuito fechado da vida histórica“ (Gadamer, 1997), lembrando que autoconsciência é o grande construto hegeliano em substituição à consciência histórica.
O que acontece com a cilada história que nos metemos é além da crise do pensamento idealista e científico, os métodos neopositivistas estão ai, é fato que não conseguimos refletir de modo sobre a vida prático para a qual a má teoria se reivindica, a ausência da phronesis.
Para Gadamer, a Phronesis, ou sabedoria prática, emergente entre o ethos e o logos, diria indo mais além uma ontoética que admite a ontologia no Ser coletivo e no terceiro excluído entre o eu e o nós.
Afirma Gadamer sobre esta ontoética: “O entendimento não ocorre quando tentamos interceptar o que alguém quer nos dizer alegando que já o sabemos” (Gadamer, 1997), isto ocorre quando estabelecidos os pré-conceitos somos capazes de abertura a um verdadeiro epoché, que nos leva a uma fusão de horizontes e reorganiza o discurso.
Isto é muito difícil hoje, mas não impossível, se houver um mínimo de confiança entre dois discursos, mas a ciência positiva, o dogmatismo, o fundamentalismo e outros ismos não admitem isto, estão entrincheirados em sua “autoconsciência” que arrogam prática (apenas empíricas em geral) ou coletivas (círculos fechados muitos vezes).

GADAMER, H.G. Verdade e Método. tradução de Flávio Paulo Meurer. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. (pdf)

 

A vida imita a Ficção Científica ?

24 Jan

Sim, já que para a sétima arte e também para a literatura da ficção científica esta é arte.
A questão é que boa parte da ficção não se realiza, o clássico Odisseia 2001 de Stanley Kubrick, baseado no livro de Arthur C. Clarke, não previu os portáteis em 2001, nem as midias de redes sociais, o próprio filme Redes Sociais contém um equívoco já no nome, pois é só uma midia e grandes questões das redes como os 6 graus de liberdade, mundos pequenos e laços fracos não são sequer lembrados.
Também o clássico Blade Runner e sua nova versão Blade Runner 2049 ainda tem a pergunta do teste de Turing, como diferenciar uma máquina e um ser humano por suas reações é mais um questionamento existencial-ontológico que ficcional, o que a crítica pouco percebeu é que as máquinas continuam tentando iludir o caçador de androides e ele continua a eliminá-las sem romper com sua própria crise existencial humana.
Fica a pergunta do autor Philip K. Dick do livro que inspirou o filme “Androides sonham com ovelhas elétricas? Será que sonham, terão experiências existenciais como no filme A.I., ou sairão do mundo das máquinas, para afirmar sua “humanidade” humanoide como filme Ex-Machina?
É fato que desde Júlio Verne, passando pelo filme Metrópolis, as séries Perdidos no Espaço e Jornadas nas estrelas de grande sucesso na TV em seu tempo, trouxeram novidades como os transmissores celulares, e quem sabe num futuro próximo o teletransporte, pois os hologramas já estão aí, mas ainda são apenas artefactos de transmissão.
Depois de anos seguidos de filmes de ficção científica: Gravidade (2013), Interestelar (2014) e Ex-Machina (2015), Perdido em marte (2015), A chegada (2016), It (2017), Blade Runner 2049 (2017), a ausência de 2018 talvez seja o que justifique a indicação do filme do super-herói Black Panther ao Oscar 2019 de melhor filme, faltou inspiração mas não imaginação.
A imaginação sobre o futuro continua a nos providenciar artefactos para a vida real, mas a vida real segue seu drama existencial, em tempos de ira e de ameaças de retorno ao passado, vale a pena pensar o que será o futuro, mesmo que seja apenas de artefactos e não da vida real, esta segue seu drama, ainda que Uma Dobra no Tempo (Wrinkle Time) com a excelente Oprah Wrinfey ficou devendo em efeitos e cenários.

 

A voz na Web, volta da oralidade primária?

21 Jan

Escrever pode estar com dias contados na Web, fomos da cultura oral para a escrita e para a eletrônica, agora podemos estar voltando a cultura oral ou fundindo as três galáxias ? nome dado por McLuhan a estas três formas históricas de comunicação.

As mudanças de IoT (Internet of Things, das coisas) prometem uma maior comunicação pela voz, relógios inteligentes, eletrodomésticos inteligentes prometem maior interação e controle por voz, as gigantes Google, Amazon e outras estão investindo neste mercado.

Seus dados estarão mais e mais disponíveis pelo comando de voz, o último evento CES (Consumer Eletronic Show) de Las Vegas apontou nesta direção (veja o post).

Os assistentes de voz nada mais são do que inteligências artificiais que responde a comandos de voz dos consumidores, pequenas tarefas como pedir músicas, perguntar o tempo e a temperatura estarão cada vez mais disponíveis no mercado, o touch vai ser substituído aos poucos.

O limite é o que acontece no fime “Ela” onde o usuário apaixona-se por seu assistente de voz, e no plano da fantasia os filmes AI e o Ex Machina, onde a robô amante do seu criador, o aprisiona e o condena a morte e sai do seu “laboratório” para a vida comum.

Os dados já são claros, o site Recode afirma que 70% já usam para música, 64% para saber o tempo e 53% para fazer perguntas divertidas.

Ainda que as estatísticas mostrem que a maioria das pessoas estejam satisfeitas com os assistentes de voz, tais como o Alexa, Google Assistant Conect, o Cortana e a Siri, a maioria fica preocupada quando imagina que suas conversas podem ser ouvidas e armazenadas.

Mas o futuro chegou? novos tecnoprofetas aplaudem séries como Black Mirrow, a Netflix fez um filme recente sem sucesso, o filme Ela, AI e Ex machina que faze um discurso pessimista, mas nem imaginam o que está por trás dos algoritmos e nas nuvens de dados.

 

Ganhadores do Globo de Ouro 2019

07 Jan

Foi surpresa, mas nem tanto, já havíamos apontado Bohemian Rhapsody, que conta a história de Fred Mercury e da banda Queen, como possível ganhador, e parte da surpresa fica para o outro grande ganhador “Green Book: O guia”, com maior número de premiações três: Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor roteiro para filme e Melhor ator coadjuvante em filmes, para o ator Mahershala Ali.

O Bohemian Rhapsody deu melhor ator para Rami Malek, e melhor filme drama, mas o filme “Roma” também teve destaque como melhor filme em língua estrangeira e Alfonso Cuarón como diretor que parece seguir uma nova escola de bons diretores mexicanos, Guillermo del Toro (A forma da água, lembram?) e Alejandro González Iñárritu (dirigiu Birdman e O Regresso).

Dissemos em post anterior que o esquecido “O primeiro homem” sobre o primeiro homem a pisar na Lua Neil Amstrong, deu melhor trilha sonora a Justin Hurwitz.

Mary Poppins ficou sem nada, mas a milionário bilheteria do filme deverá fazer a Academia dar alguma estatueta ao filme, podem esperar.

Melhor animação esperado para “Ralph wifi” foi para “Homem-aranha no aranhaverso”, preciso ver e tentar entender este prêmio, com certeza tem algo não visível numa primeira vista, está passando nos cinemas aqui do Brasil então vou ver.

Agora melhor ator para Richard Madden em “Bodyguard” filme série, só pela não concorrência de John David Washingotn de “Infiltrado na Klan” que concorreu na categoria melhor ator de drama, e Lin-Manuel Miranda, ator em “O Retorno de Mary Poppins”.

Duas injustiças, o fato que “Infiltrado na Klan” ficou sem prêmio algum, deverá ser lembrado no Oscar e melhor atriz Olivia Colman em “A favorita” talvez uma influência de estar muito premiado na Europa, como no Festival de Veneza onde o filme roubou a cena.

Não comento as séries, por falta de tempo e oportunidade de assisti-las, mas a série  “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” que deu melhor ator para Darren Kiss (participações em Harry Porter) parece abrir uma tendência para filmes mórbidos sobre violência do premiado do ano passado “Três cartazes a beira da estrada”, pessoalmente não gosto.

 

 

Filmes em 2018

27 Dez

Entre os que assisti, de melhores dramas “Infiltrado na Klan”, cujo nome em Portugal é o original Blackkksman e Bohemian Rapsody merecem destaque, além deles estão indicados “Pantera Negra” e “If Beale Street Could Talk” que está na minha lista para ver, e “Nasce uma estrela”.
Do que assisti realmente o filme do policial negro Ron Stallworth (John David Washignton) que em 1978 conseguiu se infiltrar na Ku Klux Khan, merece o prêmio de melhor filme, talvez filme com o prêmio de consolação de melhor ator.
Bohemian Rapsody bombou pelos comentários do homossexualismo de Fred Mercury, no entanto acho exagerado o contexto do filme é mostrar sua banda Queen sucesso dos anos 1970 quando a questão da vida de Fred Mercury era pouco comentada e a banda elogiada, foi mais polemico, por exemplo, a demissão de Bryan Singer substituído por Dexter Fletcher.
Entre os indicados para melhor comédia ou musical, “Podres de ricos” é boa comédia e “O retorno de Mary Poppins” é mau musical, mas indico para crianças, elas vão gostar, Green Book: O guia e “Vice” são segunda linha, se ganhar vai ser surpresa.
Entre as indicadas de melhor atriz aparece Lady Gaga, há uma fixação curiosa por ela como atriz, mas é melhor como cantora mesmo, já Glenn Close em “The Wife” e Melissa McCarthy “Can Your Ever Forgive Me?” são boas indicações, aparecem ainda a sempre lembrada Nicole Kidman “Destroyer” e Rosamund Pike em “A Private War”.
Em melhor atriz de comédia ou musical, Emily Blunt em “O retorno de Mary Poppins” é uma barbada, mas podem haver surpresas com Olivia Colman em “A favorita” e Constance Wu, em “Podres de Ricos”.
Entre melhores diretores a luta está acirrada, Bradley Cooper dirigiu “Nasce uma estrela”, Alfonso Cuaron de “Roma”, Spike lee de “Infiltrado na Klan”, Peter Farrelly “Green Book: o Guia”, e o bom diretor Adam McKay “Vice”.
Faltou “O Primeiro Homem” do diretor Damien Chazelle (la la land), que descreve os primeiros passos do homem na Lua Neil Amstrong (interpretado por Ryan Gosling), e desenvolve detalhes desconhecidos de Amstrong como a perda da filha, mostrando desde o existencial até o desejo humano de superar-se em busca do desconhecido.
Ah sim foi lembrado por melhor trilha original de Justin Hurwitz, uma consolação.
Há muitas outras indicações, é claro, mas paro por aqui os meus destaques, vamos esperar o Oscar, mas o Globo de Ouro dá boas dicas.

 

O que é difusão de inovação

20 Nov

Uma inovação para chegar ao mercado, se ela não entrar em desuso que é uma possibilidade, passa por um processo chamado “curva de adoção”.

Everett Rogers, é um reconhecido nesta área de estudos de comunicação, professor do departamento e jornalismo da Universidade do Novo México, seu livro Diffusion of Innovations, já 5ª. edição é um dos livros mais citados na área, a primeira é de 1962, e o autor faleceu em 2004.

Sua argumentação principal é que a inovação é comunicada ao longo do tempo entre os participantes de um sistema social, e a origem de sua teoria abrange diversas disciplinas e embora jamais tenha usado o termo, pode-se afirmar com segurança que é transdisciplinar.

Rogers propõe que quatro elementos principais influenciam a disseminação de uma nova ideia: a própria inovação, os canais de comunicação, o tempo e um sistema social. Este processo depende fortemente do capital humano. A inovação deve ser amplamente adotada para se sustentar. Dentro da taxa de adoção, há um ponto em que uma inovação atinge a massa crítica. Que também pode ser entendida como a curva da adoção

A teoria caracteriza 5 vantagens para adoção de uma tecnologia: 1) a vantagem da melhoria de uma inovação em relação a concorrente de uma geração anterior de um produto, 2) a partir de um ponto, uma equipe deve aprimorar a vantagem relativa ao seu concorrente em potencial para não haver um retorno ao produto anterior, 3) o novo produto deve ser compatível ao anterior, não apenas quando instalação e operação, mas principalmente em relação ao estilo de vida do potencial consumidor, 4) relevância no momento do lançamento que significa um profundo entendimento das condições que a inovação encontra no momento que é lançada, e, 5) qual é a complexidade ou simplicidade do uso da inovação no momento que é lançada, inovações complexas podem atingir um pequeno público apenas.

Na figura acima a perspectiva de uma inovação chegar ao mercado, se não cair em desuso, passa por sucessivos grupos de consumidores adotando a nova tecnologia (mostrada em azul), sua participação no mercado (amarelo) acabará atingindo um nível de saturação.

 

Diálogo Ausente

22 Out

Faltaram diálogos, sobraram abismos, e nem sempre fomos bem esclarecidos, não há clareiras, mas abismos, poucas pontes seguras e muito desamor e descrédito.

A escritora brasileira Elisa Lucinda diz: “minha literatura é cheia desse assunto de injustiça do mundo, o amor como grande antídoto é um dos meus temas preferidos” (entrevista Diálogos Ausentes, Itaú Cultural, 2017).

Escreveu sobre Fernando Pessoa: “O cavaleiro de Nada”, junto com Rubem Alves: “A Poesia do Encontro”, sobre sua plenitude em “Vozes guardadas”, são os que conheço, mas há outros na minha pilha para quando os afazeres obrigatórios me deixarem espaço para os prazeirosos.

Elisa Lucinda é atriz, cantora, jornalista, professora, cantora e poeta, pouco conhecida pela grande mídia, até por gente engajada e consciente, mas é uma “farra de inéditos”, como gosta de se referir aos seus livros, os livros que ela ama e venera.

Faz a defesa mais bela, des-preconceituosa e autêntica dos livros: “As crianças vão à escola e saem sem saber que livro é arte, que o escritor é um artista, sem saber que quando elas amam Harry Potter, Branca de Neve e Dom Quixote no cinema, tudo isso foi livro”.

Em tempo de diálogo ausente é bom lembrar esta brilhante escritora, que escreveu no livro última moda:

“Nos mares doces e nas difíceis águas da vida crua, minha alegria prossegue, continua.

Despida de armas e de medos, sou mais bonita nua” escreveu Elisa.

Se muitos tem medo, se a notícia é dura e crua, não nos calaremos nem temeremos porque arrancaremos do peito o medo e combateremos com os loucos pelas ruas.

Faltam pontes, erguem muros, fecham portas e falam de escuro, quanto a nós continuamos buscando clareiras.