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Arquivo para a ‘Tecnologia Calma’ Categoria

A dimensão do eu-tu de Buber

12 Jul

As ideias de Martin Buber contribuem para a integração de uma concepçãoIandYou filosófica do ser humano a uma atitude diante deste.

Em sua obra, Buber trata do homem no mundo, de suas múltiplas possibilidades de existir, dependendo de como se coloca.

As palavras-princípio eu-tu e eu-isso assinalam modos de ser do homem, formas de responder à realidade, que sempre solicita um posicionamento.

O eu que se abre para um tu não é como o eu que se relaciona com um isso, ou seja, a forma de relacionamento estabelecida fundamenta o modo de ser. Por isso, a relação produz diferentes possibilidades de a pessoa estar no mundo.

Eu-tu e eu-isso são parte do movimento humano, sendo inseparáveis, alternando-se constantemente a cada relacionamento (Buber, 1923/2001). Na atitude eu-tu, a pessoa entra em relação, deixa-se impactar, deixa-se atravessar pela presença viva do outro, seja este outro uma pessoa, uma situação, uma obra ou um ente qualquer. Há nesse instante uma dimensão intensiva, não mensurável ou redutível à temporalidade, espacialidade e questões objetivas. O mundo do tu não tem coerência no espaço e tempo: é um campo de forças, de presença, de vitalidade. Não pode ser apreendido ou aprisionado em representações: sempre escapa. Não se reduz à percepção: é intenso, vivo, pulsante. Sempre ressurge diferentemente, em contínua transformação. A atitude eu-isso, por sua vez, leva ao experiencial de forma objetiva as situações.

O mundo do isso ou da objetividade ordena o real, transformando-o em habitável e reconhecível.

Para Buber (1923/2001), a melancolia do destino humano é que o tu se torna, irremediavelmente, um isso, o que é necessário para a compreensão do processo vivido.

Não se consegue manter sempre a atitude eu-tu, pois o homem é incapaz de habitar permanentemente no encontro, a existência é pautada pela alternância entre as atitudes eu-tu, eu-isso e seus desdobramentos.

Na perspectiva buberiana, a experiência implica um distanciamento reflexivo, situando-se no âmbito do isso, enquanto a relação está no âmbito do tu. A relação é vivência, não experiência. Ao encontrar alguém no modo eu-tu, a consequente perda do espaço, do tempo e a desestabilização do eu possibilitam contemplação, novas sensações, atravessamentos.

A relação eu-isso, ao contrário, situa a pessoa no mundo dos objetos, ordenando e sendo extremamente necessária para a elaboração e a produção de significados, desde que não se torne a forma predominante de relação com o mundo.

Para Merleau-Ponty (1945/1999), ao perceber o outro apenas como um isso, objetificando-o, há um afastamento da sua presença viva, o objeto é só outro Ser, uma representação,  mas o que é o mundo e o outro como “representação” ?

 

A animação no oriente

10 Jul

Ainda que cresçam os vídeos de internet e a disponibilização de filmes em canais Narutopagos e sites aluguel online como o Netflix, o cinema ainda mostra vigor mesmo em países onde a tecnologia é de ponta, caso do cinema japonês, com a bilheteria de “Your Name” (Kimi no na wa), que chegou a 180 milhões de espectadores em 2016.

O que deve ser olhado é a mudança de linguagem, e o morfismo dos personagens, mais humanos, que também não estão longe dos famosos (entre os jovens) desenhos, podem-se citar Digimon Adventure, Naruto, Pokémon, Sailor Moon, Cowboy Bebop, Dragon Ball Z, Dragon Ball GT, Os Cavaleiros do Zodíaco, Sakura, Hamtaro, Digimon, Beyblade e Inuyasha.

Além dos já famosos desenhos de mangá, os desenhos dos filmes animados são muito coloridos, ricos em detalhes, com roupas elegantes, mas originais, e embora as histórias sejam irreais (não confundir com virtuais), os heróis cuidam das cidades e valorizam a imaginação com poderes especiais, que atraem crianças e adolescentes, num mundo carente de utopias e fantasias, não é de se imaginar o porquê de tanto sucesso.

O filme, Kimi no na wa (Seu nome), faturou cerca de 76 milhões de dólares na China, desde a estréia dia 2 de dezembro,

A distribuidora Toho do filme Kimi No Na Wa, disse que as vendas de bilheteria na China superaram os 9 bilhões de ienes, ou cerca de 76 milhões de dólares, desde a estréia no dia 2 de dezembro. 1 milhão de dólares na conservadora Tailândia.

Dirigido por Makoto Shinkai, conta uma história de amor de dois jovens do ensino médio, e que trocam de corpos, passando a viver uma aventura rica em fantasia e sentimentos, teve o lançamento no final de 2016 em 91 países, incluindo a França e Coréia do Sul, mas ainda sem data para o Brasil.

 

 

Uma filosofia inesperada

03 Jul

Já falamos em um post da questão da intransparência levantada por Habermas NonTransparencyem um artigo, e também citamos brevemente o autor da Sociedade da Transparência, Byung-Chul Ham, mas agora ao receber o livro e abri-lo deparo-me com uma filosofia inesperada, profunda embora não acabada como todo discurso pós-moderno, mas heidegeriana e humanista.

Vê a questão da transparência por um ângulo novo, próprio de sua cultura oriental, desvela a questão com uma frase capital: “os eu se referem a transparência somente à corrupção e à liberdade de informação desconhecem a sua envergadura” (Han, 2017, p. 12).

Revela-a como violenta na página seguinte: “A coação da transparência nivela o próprio homem até acabar por torntornaelemento funcional de um sistema. Tal é a violência da transparência.” (pag. 13)

Revela logo a seguir porque somos vítimas deste novo anátema da modernidade: “a espontaneidade, o que é do registro de um acontecer e a liberdade, traços que constituem a vida em geral, nada comportam de transparência” (idem), e citando von Humboldt explica que: “ … e seria atentar contra a verdade histórica da sua origem e das suas transformações querermos desterrar dele a possibilidade destes fenômenos inexplicáveis” (Humbold apud Han, pag. 13).

Não deixa de apontar caminhos, que já traçamos aqui por diversas ocasiões da alteridade, mas apresenta-a numa roupagem nova, contrapondo à sociedade da transparência que não “permite lacunas de informação nem de visão”, explica que na língua alemã “lacuna” (Lücke) e a “sorte” (Glück), citando R. Sennet em seu “Respect in a World of Inequality”.

Faz uma nova frase repentinamente forte: “O amor sem lacuna na visão é pornografia”, tema que retornará e tema de outro livro seu “A agonia do eros”, outro tema certo deste tempo.

Mas não dá a isto uma explicação rasa, afirma que esta “sociedade positiva” afirmando que esta sociedade não é nem hermenêutica nem dialética, mas “uma sociedade que não admite do mesmo modo qualquer sentimento negativo” (pag.16), não faz esta afirmação porém é minha reflexão que tal é a função platônica do idealismo contemporâneo.

Afirma que esta sociedade positiva não é a causa, “mas a consequência de um fim da teoria (destaque do autor), no sentido autêntico, que s aproxima. A teoria não pode ser substituída sem mais pela ciência positiva” (pag. 17), em clara referencia aos apelos de praticidade da pragmática contemporânea.

Surge então neste plano, sem deixar de apontar o caminho que a política traça nesta perspectiva ideal-positiva, “A política é a ação estratégica (novamente  destaque do autor). E por esta razão, há uma esfera secreta que lhe é própria. Uma transparência total paralisa-a” (pag. 18).

Paro aqui a análise, porque não é possível em neste espaço apontar os novos caminhos que o autor trilha, mas apenas neste começo do primeiro capítulo vê-se a largueza de sua análise.

 

O belo, a contemplação e a meditação

29 Jun

Em tempos de ansiedade e de consumo, o mundo digital não é o responsável por isto,OBelo mas os esvaziamentos do ser não temos tempo para a escuta, a contemplação e a meditação.

Não são campos exclusivo do que é religioso e nem mesmo neste campo se faz sempre a contemplação do belo e a meditação sobre o significado mais profundo da relação entre seres, entre seres e as coisas, o que importa não é qualidade, mas quantidade.

Como no dia a dia estamos acostumados ao mero consumo e satisfação, nunca chegamos a indagação e a contemplação, pois estas não são dedicadas ao simples consumo e nem mesmo ao que é útil, já dissemos nos posts anteriores, é preciso fazer silêncio na alma para ver e escutar aquilo que é está numa obra de arte, numa poesia ou em uma meditação.

Não se trata apenas de simplificar, mas de aprofundar e permitir-se invadir pelo novo, pelo belo e pela indagação, quem somos? Para onde vamos ? o que fazemos e porque fazemos ?

Aquietar a ansiedade, encontrar momentos de silêncio interior e exterior, permitir-se invadir pelo belo e finalmente produzir um ambiente propício ao belo, a arte e a poesia.

Tudo parece contrário a isto, mas advertia Heidegger há um uso que nem sempre considera-se na linguagem, que é o uso da linguagem poética, poder-se-ia dizer a inclusão na linguagem não no estilo da poesia, mas ela própria como uma forma de articulação da linguagem.

Considerar a meditação como uma forma de preocupação mais profunda que o mero consumo de questões, relações e até mesmo objetos (o objeto de arte é aqui considerado) e tornar-nos capazes de chegar ao novo, as novas mediações e até mesmo ás novas relações ontológicas.

Se a beleza pode ser salvadora para o mundo, é preciso meditar sobre o que é belo, a fim de chegar a uma consciência histórica do que ele representa como agente transformador.

 

Arte digital, meditação e futuro

28 Jun

Uma das exposições mais radicais de arte digital foi feita por Nicolas Maigret e ThePirateCinemaBrenda Howell, intitulada “The Pirate Cinema”, usa trocas em sistema bit-torrente P2P e telas onde se exige o usuário que está baixando e as fontes dos filmes, com os IP (endereço de internet) mostrados nos cantos direitos de três telas, sendo o ambiente escolhido para o projeto de arte o “Torrente Freak”, e pode ser vista online pelo link da exposição (foto ao lado).

O conceito mais raso de arte digital é aquele que pode ser encontrado também no Wikipedia, que diz que é aquela produzida em ambiental gráfico computacional, também é citado lá a definição de Wolf Lieser, segundo o qual: “Pertencem à arte digital as obras artísticas que, por um lado têm uma linguagem visual especificamente mediática e, por outro, revelem as metacaracterísticas do meio”, esta mais ampliada que à anterior.

Mas ambas remente a um conceito bem mais complexo que lhe é anterior: o que é arte ? Haveria uma propósito metafísico, simbólico ou linguístico na arte ? ou algo mais ainda ?

Já esclarecemos a falsa dicotomia entre objetividade e subjetividade da arte, também a dicotomia utilidade e inutilidade, uma vez que esta depende somente da perspectiva de leitura, vejam a fonte de Duchamp, e ainda teria mais a questão de metacaracterísticas, dita acima, mas na verdade não são as características que são ultrapassadas, mas o próprio meio que é um metameio, isto é, podem acontecer de forma indireta todas as artes anteriores.

Exemplo destes metameios são as fotografias digitais imediatamente reveladas e facilmente trabalhadas por software, as edições de vídeos e a produção textual em qualquer estilo.

A questão da reprodutibilidade técnica da obra de arte deve-se entender que é anterior a era digital, a obra de Walter Benjamin, falecido em meio a segunda guerra mundial, já definia bem o novo perfil da arte anterior ao digital: “O extraordinário crescimento que os nossos meios experimentaram em suas habilidades de adaptação e precisão impõem significativas mudanças, em futuro próximo, à antiga indústria do belo”, citando Paul Valery em seu trabalho Pièces sur l’art (p. 103-104), portanto não é isto que difere a arte digital.

Talvez uma conotação ainda pouco compreendida destes metameios é a sua ubiquidade, ou seja, a multipresença, e isto poderá acelerar o processo de contemplação da arte, claro que alguns questionam se isto é arte, mas o tempo dirá que é e mais ainda o público crescente, como mostra a popularização por exemplo, da arte fotográfico, nos bilhões de usuários do Instagram, com fotos sem dúvida alguma artísticas, nem todas é claro, mas aos milhares.

Se a contemplação do belo leva a meditação então talvez seja um tempo de meditação, ainda que alguns possam dizer que é líquida, talvez porque não seja tão útil, mas usar bons vídeos ou imagens digitais para meditar pode ser útil.

 

Objetividade, subjetividade e belo

27 Jun

O fato que o mundo contemporâneo não encontre espaço para o silêncio, para a escutaDuchamp e principalmente para a contemplação, o simples fato de admitir que existe o belo mesmo sem nenhuma crença, é o fato que nos apegamos as tensões entre sujeito e objeto, ora projetados no objeto, ora projetados no sujeito, mas sem o “mundo dos objetos” é um abstrato.

Entre as três mais belas frases sobre a arte encontro: “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível” de Leonardo da Vinci, mas sobre o belo que é expressão da arte encontro as frases entre as que mais aprecio e quiçá as mais citadas, de Victor Hugo: “o belo é tão útil com o útil, as vezes até mais” e de Dostoievski: “a beleza salvará o mundo”.

O fato é que a arte é sempre expressar o que todos veem segundo a necessidade e a utilidade: o novo, o belo e o inaudito, seguindo a linha de da Vinci, e seguindo a linha de Victor Hugo o útil do aparentemente inútil, Marcel Duchamp ao colocar um mictório de ponta cabeça e chama-lo de “A fonte” (1917), revelou a dupla face da utilidade, ou talvez a inutilidade do que chamamos de útil, então pode-se dizer que a arte é paradoxal.

A filosofia moderna utilitarista vai dizer que o belo é o conceito relacionado à determinadas características visíveis nos objetos (ou seres), nada difere do conceito de propriedade e a estética seria única e exclusivamente a amplia a característica do objeto.

Schopenhauer critica Kant ao dizer que não estabelece corretamente o conteúdo da “fronteira comum” a priori do sujeito e objeto, pois em primeiro lugar, ele não reconhece a forma “primeira, principal e mais universal” da representação, a saber, a de ser objeto para um sujeito (das Objekt-für-ein-Subjekt-Sein), antes de falar sobre o belo.

Segundo ele quando predicamos algo de belo (schön), dizemos, em termos objetivos, que nele conhecemos “não a coisa particular, mas a Idea”.  Todavia, como qualquer coisa particular é a objetivação de uma ideia, a princípio, essa pode ser conhecida em qualquer coisa, logo, como conclui o filósofo: “Toda coisa é bela”, porém para ele tudo parte da Vontade e não do Ser.

O trabalho A origem da obra de arte, fruto de três palestras dadas por Heidegger em 1939, mas o livro só foi publicado em 1950, com traduções para o português da década de 70, vai desenvolver segundo três aspectos: a coisa, a verdade e a arte-poesia.

Para verdade retoma a poesia ou “alethéia”, fenômeno desde o qual o ser ( dos homens e das coisas) vêm à tona e ganha significado, já a coisa conceito caro a seu mestre Edmund Husserl, retornar as coisas em si e fará isto com a poesia, não como um gênero literário, mas Poesia é antes o movimento desde o qual às coisas surgem, é o movimento de produção desde onde acontece à desocultação do ente fazendo com que este ganhe corpo e significado, a arte é então desvelar, acontecer ou seja acontece um novo “aparecer” da coisa.

Exemplificando: Uma pedra antes de ser arte, será a coisa-pedra transformada em coisa-arte através do “artifícios” do artista e é alma deste que só ultrapassando os limites do seu corpo confere vida à pedra e a transforma em arte, o Ser nesta pedra é então ontológico .

A frase de Rodin: “eu escolho um bloco e retiro tudo que não preciso dele”, ou de Michelangelo para a estátua de Moisés: “porque não fala?”.

 

Identidade, diálogo e transparência

22 Jun

 

Três elementos que parecem distintos estão em profunda conexão numDiálogoParentesis tempo mundializado, o que se reflete na incompreensão da emergência de certa forma de nacionalismo, vejam as eleições dos EUA e França, o Brexit na Inglaterra, mas que no aspecto positivo do diálogo é exatamente a compreensão de que culturas têm raízes em sociedades originárias.

A confusão que podemos ver no Brexit agora que os primeiros acordos começam a ser negociados, é que do ponto de vista econômico é um elemento complicador enquanto no aspecto da imigração e relacionamento entre nações é um fato de tensão muito elevado.

Identidade significa ter consciência de identidade, e já fizemos em vários posts a análise que é preciso para esta consciência o diálogo com o diferente, já que diálogo com iguais é monólogo, pode-se dizer que quanto mais profundo é o diálogo com o Outro, mais se tem consciência da própria identidade.

A transparência é o elemento complicador, por isso dissemos acima que há “certo tipo de nacionalismo” que vê apenas os pares e nunca o diferente, é um tipo de fechamento que não conduz a maior identidade porque não é transparente e autentico consigo e com o Outro.

É necessário distorcer fatos, trabalhar com o relativismo da verdade e principalmente quase sempre recorrer ao preconceito, e tudo isto leva a uma ausência de transparência tanto no campo individual quanto no social, o que se deseja é moldar a sociedade a um espelho nacional, inconcebível numa era já mundializada, com pessoas andando por todo globo.

O que assistimos coma falta de transparência é uma inevitável polarização em preconceitos e ideologias, o que é concebível numa fase inicial do diálogo, mas impossível de construir relações num tempo que exige relações cada vez mais alargadas e abertas.

Pode-se fazer o discurso que o conflito é necessário, mas aonde ele deverá caminhar, para o fechamento em grupos e bolhas, pois a fragilidade deste discurso é evidente, claro que é possível que num ponto do diálogo os ânimos fiquem acalorados, sem a fusão de horizontes e um caminhar para frente um epoché (colocar entre parênteses), abrir os ouvidos para a escuta do Outro.

 

Entre o público e o privado: a transparência

19 Jun

O termo parece um slogan de propaganda político, e de fato pode ser, a ideia que tudoSociedadeTransp pode ser revelado e o controle de aparatos, principalmente presidenciais, sobre o que pode e deve ser divulgado pode ao contrário do que anunciam muitos, estar fortalecendo serviços feitos às sobras, o desaparecimento da privacidade, o colapso da confiança e aspectos cruciais para manter a democracia e o controle econômico.

O livro de Byung-Chul Han é uma denúncia que o ideal da transparência pode ser tão falso quanto as piores utopias e mitologias modernas: a desconfiança de todos e a falta de privacidade por uma “homogeneização” da interpretação dos fatos.

Qualquer pessoa com instrumentos adequados pode obter informação sobre praticamente qualquer assunto, desde que disponha de instrumentos e muitas vezes força econômica para fazê-lo, e isto já revela uma das possíveis manipulações.

Grupos poderosos, grupos perigosos e principalmente políticos mal-intencionados podem usar a informação disponível para fazer uso inadequado da informação disponível.

Depois de publicar A Sociedade da Transparência, A Sociedade do Cansaço e A Agonia de Eros do filósofo germano-coreano Byung-Chul Han entra em outra seara.

Sociedade da Transparência é uma tradução de Miguel Serras Pereira direta do texto alemão Transparenzgesellschaft, no original, de Byung-Chul Han. Em Portugal o livro foi publicado em Setembro de 2014, na colecção Antropos, da editora Relógio D’Água.

Byung-Chul Han denuncia neste livro: “A Sociedade da Transparência” (Editora Espelho d´Agua, 2014) é que a transparência total é um ideal falso, e segundo o autor a mais forte e perigosa das mitologias contemporâneas, revela sua ingenuidade e estranheza “quando chegou na Alemanha: De filosofia não sabia nada. Soube quem eram Husserl e Heidegger quando cheguei a Heidelberg” (HAN, 2014).

Critica o que chama de “transparência é desprovida de transcendência” (idem, p. 59): “A sociedade positiva evita toda a modalidade de jogo da negatividade, uma vez que esta detém a comunicação. O seu valor mede-se exclusivamente em termos de quantidade e de velocidade da troca de informação. A massa da comunicação aumenta também o seu valor econômico. Os vereditos negativos toldam a comunicação (HAN, 2014, p. 19).

Qual o remédio, há informações que devem permanecer privativas, mas quais ? quem as controlará ? eis as questões que devem ser respondidas.

Han, B.C. A Sociedade da Transparência. Lisboa: Relógio D’Água, 2014.

 

Elo perdido ou novo homo sapiens ?

12 Jun

Em artigo publicado na Nature de 7 de junho, um novo esqueleto de um humanoide,HommoSapiens o fato de ser um homo sapiens é controverso, sugere que a uma raça de humanídeos viveu no Norte da África, região onde é o Marrocos, há mais de 315 mil anos atrás.

Isto muda a concepção anterior que afirmava o surgimento do homo sapiens cerca de 100 mil anos atrás, as medidas foram feitas por equipamentos de laser em diversos institutos da europa, incluindo a Alemanha, onde o estudo no Max Planck Institute se originou.

Jean-Jacques Hublin, autor do artigo da Nature e diretor diretor Instituto para Antropologia Evolucionária em Leipzig, explicou:” Até agora, o conhecimento comum era que nossa espécie surgiu provavelmente, bastante rapidamente, em algum lugar do ´Jardim do Éden´ que se localizava provavelmente na África subsaariana”, mas agora completou: “Eu diria que o Jardim do Éden na África é provavelmente a África – e é um grande e grande jardim”, indicando uma área mais extensa para o surgimento do homem.

Hublin visitou o sitio arqueológico de Jebel Irhoud pela primeira vez na década de 1990, mas não tinha tempo nem dinheiro para escavar até 2004, depois de ter se filiado a Sociedade Max Planck Society, alugou um trator para remover cerca de 200 metros cúbicos de rocha que bloqueavam o acesso a parte mais profunda do sitio.

Inicialmente, uma liderada pelo cientista arqueológico Daniel Richter e o arqueólogo Shannon McPherron, também no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, dataram do site e todos os restos humanos encontraram entre 280.000 e 350.000 anos usando dois métodos diferentes, mas depois outros países também fizeram medidas usando métodos com uso de laser e a data aproximada é de 315 mil anos.

Hublin diz que sua equipe tentou e não conseguiu obter DNA dos ossos de Jebel Irhoud.

Esta análise genômica poderia ter estabelecido claramente se os restos moram na linhagem que leva a humanos modernos, mas tudo indica que pode ser um elo mais que humanóides claramente identificados com a raça humana, podendo ser o elo perdido entre nós e os primeiros primatas.

 

 

Crise, ontologia e kénosis

09 Jun

Desenvolvida a ideia da crise em uma visão mais profunda, e usando o método daEsvaziarSe decadialética de Mario Ferreira dos Santos, é possível buscar um caminho pela: “abstração de um dos opostos, cuja positividade passa a ser negada ou reduzida a outra.” (SANTOS, 2017, p. 75)

É preciso também, como indica o filósofo caminhando em seu método: “salvamo-nos do ceticismo e do dogmatismo, que são duas posições de crise sobre a possibilidade gnosiológica do homem.” (p. 79)

Queremos ir além do pensamento para apontar a superação da crise, não que o pensamento em essência de Mario Ferreira não seja suficiente em essência, mas uma atualização é necessária, para superar o que ele chama pensamento de crise, para estruturar uma filosofia da crise: “e, consequentemente, de se ter uma visão crítica da crise do existir finito.” (idem)

A diferença essencial é que Mário Ferreira vai para um caminho de síntese o que ele chama de Filosofia Concreta, que aponta no livro em diversos trechos como uma leitura complementar para entender seu pensamento, o que se propõe aqui é uma retomada ontológica radical.

Assim propõe para além da ontologia a Kénose, segundo Valodomer Koubetch, “Kenose: Kénosis, kenótico, de kenoo, esvaziar, extenuar, reduzir a nada; estado de humilhação” e isto é necessário porque devemos admitir que não temos a resposta pronta, não temos o discurso ou se preferirmos a narrativa única para o pensamento de crise, e nos amparamos no auxílio dado pelo filósofo brasileiro, para falar na Filosofia da Crise, identificando –o em essência.

Pode-se então enumerar a saída como uma ontologia trinitária, se há uma tensão entre polos opostos de discursos descritos na decadialética, pode-se pensar numa lógica do Outro, do não-eu, ou radicalmente do vazio kenótico onde pode emergir no duplo vazio, um terceiro estado.

A comparação coma trindade é inevitável, pois no discurso teológico a realidade de Jesus Cristo, Filho/Verbo de Deus que, sendo Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, aniquilou-se, humilhou-se e assumiu a condição humana, fez sua kénosis, abrindo uma nova realidade.

Pode-se esgotar o discurso do diálogo, do dialogismo e da polifonia, porém todos não são suficientes se não há a possibilidade nas tensões opostos de abrir uma Kenosis, se feito por dois discursos ou duas pessoas convictas, emerge um terceiro não-eu-tu como uma ontologia trinitária, uma superação do dualismo, não sem tensão ou sem contraditório, mas novo.

SANTOS, Mario Ferreira. Filosofia da Crise, 1ª. ed. São Paulo: É Realizações, 2017.