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Arquivo para a ‘Tecnologia Calma’ Categoria

E a Computação Quântica

23 Out

Enquanto a computação digital trabalha com 0 e 1, a computaçãoaCompQubit quântica poderá usar um conceito de 0 e 1 simultâneos, efeito conhecido pelos físicos como “entrelaçamento” e quando foi enunciado foi chamado por “efeito fantasmagórico” por Einstein, Podoslki e Rosen, sendo assim conhecido pela sigla EPR.
Este fenômeno permite o processamento de várias operações simultâneas, os qubits (bits quânticos) poderão usam os seguintes princípios do processamento de fótons:
– partículas de luz, a luz tem propriedades de partículas,
– íons presos ou armadilha de íons, área conhecida com spintrônica,
– qubits supercondutores, processamento a velocidade da luz praticamente, e,
– centro de vacância de nitrogênio, fenômeno já observado em diamantes imperfeitos.
Computadores quânticos criarão novas aplicações, tais como, modelar variações de reações químicas para descobrir novos medicamentos, desenvolver novas tecnologias de imagem (hologramas aplicados a comunicação, e desenvolvimentos baterias e novos materiais e eletrônica flexível).
Mas a aplicação mais revolucionária será a internet quântica, totalmente usando as partículas de luz (fótons), havendo também uma proposta que usa a luz interagindo com a matéria, o futuro nos espera.
Os projetos ainda estão em desenvolvimento, mas já com muitos resultados.

 

O belo e a dor do samaritano

13 Out

O filósofo coreano-alemão Byung-Chul Han reivindica a ferida na participaçãoapieta do Belo, nada mais significativo do que A Pietá de Michelangelo, um economista italiano anuncia no seu livro “A ferida do outro”, que as relações de mercado as relações além de serem interpessoais, são também uma fonte de alegria e “benção” para o homem, e poderíamos dizer de beleza também, apesar de ser “ferida”.
A beleza se situa na reciprocidade, e não se trata de devolver o “valor” conforme o que foi pago, a sociedade onde a medida é apenas um valor matemático, o “wound” e a “benção” são dois polos inexplicáveis, que caracterizam as relações interpessoais e são também, uma fonte de felicidade, alegria e beleza para o homem, mas não deixam de passar pela “dor”.
A palavra wound, em português ferimento, é interessante porque wonderfull é maravilhoso, bem que poderíamos criar o vocábulo wounderfull, para o além-da-ferida do outro.
Uma criança que nasce é uma dor, as dores do parto, a cultura do polido e a imunologia, termo de Sloterdijk que é usando também por Chul Han, são irrealidades que estas sim podem levar a uma dor irracional, a da indiferença e a do desprezo pelo dolorido e pelo excluído.
Não basta dar uma “medalha” a professora heroína que lutou até a morte para salvar as crianças, é preciso que a cultura, o belo e a ideologia economicista valorizem as relações, o afeto e o apreço pelos que sofrem virar as costas ao sofrimento é o princípio da exclusão.
A parábola bíblica do samaritano (bom é um eufemismo para dizer que os samaritanos eram maus) havia um homem ferido numa estrada passaram diversas pessoas, inclusive sacerdotes e seguiram adiante, o samaritano que é podemos dizer um tipo “comum” parou e o socorreu, não era nem um religioso e nem um “engajado”.

É possível nesta releitura ver Maria como uma samaritana com Jesus na Pietá.

Ligo esta parábola com outra em que o rei preparou uma festa e os convidados não vieram, o banquete de Platão e a mesa de diversas liturgias e cosmologias são referencias a relação entre os homens, no lugar dos convidados o rei mandou que fossem as “periferias” e convidassem o povo comum para vir ao banquete (Mt 22,1-14).
Não se preparam para o verdadeiro banquete os que se afastam da dor, criam o ambiente polido e imunológico, onde os que sofrem e que são excluídos não participam, a verdadeira festa é aquela de quem lutou com sacrifícios e solidariedade para que todos participem.
L. BRUNI, La ferita dell’altro. Economia e relazioni umane, Il Margine, Trento 2007.

 

Porque matam os profetas

06 Out

As ideias e conjecturas que fazemos do futuro podem passar por uma bola de AsColinasDeNagasakicristal, algum tipo de clarividência, mas não podem deixar de passar por uma análise clara da realidade.
É fato, desde o início do século passado e até antes para quem leia mais profundamente a modernidade, que há uma grave crise na cultura, no pensamento e até mesmo na religião.
Atribuir esta crise a processos recentes como a internet, o uso de tecnologias ou mesmo o fanatismo religioso e no mínimo, uma superficialidade de análise, pois há ainda a crise no pensamento.
Dela falam Husserl, Heidegger, e outro mais recente Edgar Morin, Peter Sloterdijk, Levinas entre muitos dizem de modo claro, a crise de duas guerras mundiais, a crise ideológica que está renascendo com todas as forças, todos são unanimes em afirmar uma crise do pensamento, da visão de mundo e principalmente dos valores.
Preferem dar ouvido ao fanatismo cotidiano de análises simplistas ou fundamentalistas, pois é mais fácil que pensar aonde se perdeu o processo civilizatório, porque não fazemos do diálogo e da reflexão uma arma mais eficaz para entender o real ponto da crise, e até mesmo o que é a crise, fizemos aqui um caminho com a filosofia de Mario Ferreira dos Santos (post).
Matam os profetas porque eles veem e dizem o necessário para hoje: uma cidadania planetária, a distribuição de renda, o equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade, o respeito a diversidade e uma mudança de valores que se fundamente na dignidade humana.
Há uma parábola bíblica em Mateus 21, 33-43, aonde um dono de uma vinha  a arrendou, e chegando a colheita manda empregados para a colheita estes são mortos, depois manda mais empregados que também são mortos, e o dono por último manda o filho, que sendo o herdeiro , também o matam, que fará o dono da vinha ? o que fez o dono, eis a charada.
Se não nos pusermos a mesa do diálogo com a visão de uma cidadania planetária, e com respeito as diferenças não restará muito para uma nova hecatombe mundial, eis que pedimos que os que se dizem de diálogo, dialoguem de verdade e não sejam arrogantes e tiranos.
Notem foi dado o premio Nobel de Literatura ao japonês que migrou para Inglaterra Kazuo Ishiguro, que entre outras coisas escreveu “As Colinas de Nagasaki” (editora Relógio D´Agua,  2015) alguns anos depois da bomba de Nagasaki (foto) , e agora de manhã acaba de ser dado o prêmio Nobel para ICAN (sigla em inglês do Campanha contra Armas Nucleares), não faltam profetas apenas é preciso que não os matemos culturalmente.

 

O belo e o líquido

05 Set

A ideia que há uma liquefação da estética na modernidade é tão moderna quanto os conceitosFalsoBelo de liberdade, estado e principalmente: sujeitos e objetos.

Nesta morte da estética, já escreveram alguns autores, o belo é mera exposição do sensível da ideia nas obras de arte, e seria a partir delas que estaria resolvida a contradição, criada na modernidade, entre sujeito e objeto, assim uma obra de arte seria: “o primeiro elo intermediário entre o que é meramente exterior, sensível e passageiros e o puro pensar” talvez fosse este menos líquido, seria “científico”.

Hegel reconhecia na filosofia kantiana um “avanço em relação a outras teorias estéticas”, uma vez que, segundo o filósofo ápice do idealismo, a possibilidade de unificação entre espírito e natureza de daria pela arte, mas recusa-a ao perceber que conduziria a um dualismo insuperável entre sujeito e objeto, em uma síntese meio rude diríamos: “o demônio idealista”.

Mas não supera este “demônio”, dito por Hegel assim: ““… o belo artístico foi reconhecido como um dos meios que resolve e reconduz a uma unidade aquela contraposição e contradição entre o espírito que repousa em si mesmo abstratamente e a natureza. […] a filosofia kantiana sentiu este ponto de unificação em sua necessidade, como também o reconheceu e o representou de modo determinado.” (HEGEL, 2001, p.74)

O livro do filósofo germano-coreano Byung-Chul Han, Die Errettung des Schönen (A salvação do Belo) (Fischer Verlag, 2015, sem tradução para o português) dá um novo fio condutor para a questão do belo, com aquilo que já chamou em outros livros de “falta de negatividade de nossa era”.

Usa em sua linguagem as ideias do “positivo” e “negativo”, para designar o super consumo, quer seja de mercadorias, de informação e de capital, prefere antes a diversidade que a alteridade, antes a diferença que o distinto, e assim no estético o liso ao rugoso, e estética é para Han uma apologia ao liso, o polido, o pornográfico e não o erótico (no sentido do eros).

A subjetividade é confusamente lisa, sem interioridade e dificuldades (sem sofrimento já o dissemos), submete-se a um simplismo que quer tudo aplainar e polir, terapias para superar o medo, a angústia, o culto religioso é o repetitivo e a pura “doutrinação”, leitura sem nenhuma hermenêutica e cheia de exegese antiga e superada, palestras deve divertir e não ensinar, meios de comunicação são confudidos com os seus fins (que é para-comunicação) .

Os liquefeitos é que liquefazem tudo, para ficarem segundo sua lisura, sua feiura e sua ausência de negatividade e contradição, é mais que idealismo é “puro idealismo”, corpos que parecem bonecos, rostos sem expressão ou de expressão única, ausência da mímesis, voltaremos a ela, mas aqui basta o repetitivo, imitativo, mera representação, falsa receptividade, ato de se assemelhar, e no fundo a-presentação do eu (não alter).

 

HAN, B.C. Die Errettung des Schönen (A salvação do Belo), DE: Fischer Verlag, 2015.

HEGEL, George W. Cursos de estética. São Paulo: Edusp, 2001.

 

A importância da fenomenologia

01 Ago

A importância da fenomenologia de Husserl, é que realizou de uma só vez aFenomenologia1 crítica ao psicologismo, através de seu posto mais avançado de seu mestre Franz Brentano, ao relativismo característico de nosso tempo e da modernidade e ao historicismo, em um trabalho pouco conhecido de J.F. Lyotard) ele frisou: “a esperança cartesiana de uma Mathesis universalis renasce em Husserl” (1957, p. 6), ainda que Lyotard mais tarde o critique.

O tema da epoché não é retornar a um retorno ao tema clássico da antiguidade, mas aquilo que chamou de “tese de um pressuposto: o homem está mergulhado em uma espécie de ´tese geral, isto é, uma compreensão implícita do mundo; o mundo é então essencialmente familiar ao homem, e, é dentro desta naturalidade que pretende-se dizer o que é conhecer o real:

“Eu tenho consciência de um mundo que se estende sem fim no espaço, que tem um desenvolvimento sem fim no tempo … descubro [o mundo] por uma intuição imediata, tenho experiência dele.” (1991, p. 37)

Ele entende por atitude natural, aquela  que não cessa “de realizar o mundo como ontologicamente válido … Minha vida em todos os seus atos é de parte a parte orientada ao ente que pertence a tal mundo, … são interesses por coisas do mundo, realizando-se em atos que concernem a essas coisas, enquanto elas são correlato de minha intenção.” (1989, p. 519).

Então é sobre esse “ser no mundo” (Husserl foi aluno de Heidegger e sua expressão é anterior), é um Selbstverständlichkeit, e isto não pode ser posto em dúvida, então como se realiza seu epoché ? é tornar-se cético e como isto como a abstenção ante a inconstância no “espetáculo do mundo”, ou o que Husserl definiu como “distância em relação às validações naturais ingênuas” (Husserl, 1989, 154), mas esclarece que não é a “crítica ao conhecimento”.

A consciência do meio natural como uma “realidade existente” (daseiende: talvez daí Heidegger tirou seu dasein), mas ele questiona a duração dessa atitude: “É algo que persiste tanto quanto dura a atitude, isto é, tanto quanto a vida da consciência vigilante segue seu curso natural” (Husserl, 1991, p. 96).

O importante e isto está em seu opúsculo Meditações Cartesianas, não se trata de estabelecer uma “dúvida universal” pois não põe o ser em dúvida, mas somente os seus atributos, assim assume tensões universalistas, e agora é a fenomenologia que pode, com propriedade, ser concebida como transcendental, uma vez que permite por epoché uma “alteração total da atitude natural da vida” (Husserl, 1989, p. 168), colocando em cheque a objetividade como tal.

A epoché é então “uma certa suspensão do ulgamento que se compõe com uma persuasão da verdade que permanece inabalada” (Husserl, 1991, p. 100)

Ao operarmos esta epoché original, já o estudo de Lyotard sobre fenomenologia me 1956 também apontava isto, mostra a insuficiência que o procedimento radical de Descartes como dúvida tinha limitações, dito por Husserl assim:

“sendo dado que toda tese ou todo julgamento pode ser modificado com plena liberdade, e que todo objeto sobre o qual refere-se o julgamento pode ser posto entre parênteses, não permaneceria margem para julgamentos não modificados, ainda menos para uma ciência.” (Husserl, 1989, p. 102).

HUSSERL, E. La crise des sciences européennes et la phénoménologie transcedentale. Trad. G. Grande. Paris: Gallimard, 1989.

HUSSERL, E. Idées directrices pour une phénoménologie. Trad. Paul Ricoeur. Paris> Gallimard, 1991.

 

O que falta  na 4ª. Revolução industrial

31 Jul

Li o livro do criador do Fórum Mundial de Economia, Klaus Schwab, é impressionante o cenário que descreve, passando pelo mundo digital chama o sistema de contabilidade de dinheiro digital, o blockc4thRevolutionhain, de “livro-caixa distribuído” (mal traduzido como  livro-razão), afirmando que “cria confiança, permitindo que pessoas que não conheçam (e, portanto, não têm nenhuma base subjacente de confiança), colaborem sem ter de passar por uma autoridade central neutra – ou seja, um depositário ou livro contábil central.” (Schwab, 2016, p. 27), indo da categoria física ao mundo biológico, mas talvez falte algo: uma “alma” para isto tudo.

Os céticos e fundamentalistas vão continuar a bradar: injusto! poder da tecnociência ! uma autêntica desumanização ! sim pode ser, mas simplesmente protestar ou torcer o nariz não vai fazer o avanço rápido e vertiginoso da tecnologia recuar, nem mesmo o apelo ecológico, mais tecnologia é muitas vezes mais ecologia, vejam os LEDs, a energia solar e o controle agora possível por dispositivos sensores em plantas, florestas e até mesmo micro-organismos.

Talvez um problema que mereça questionamento sério é a desigualdade, mas Schwab não fugiu do assunto, ao explicar nas páginas 94 e 95 a emergência de” ecossistemas orientados para a inovação, oferecendo novas ideias, modelos de negócios, produtos e ser viços, e não aquelas pessoas que podem apenas oferecer trabalho menos qualificados ou capital comum” (Schwab, 2016, p. 94), e conclui “o mundo atual é muito desigual” (p. 95).

O fenômeno da desigualdade é sem dúvida o mais preocupante, mesmo em países que pode- se pensar menos desiguais, o índice Gini por exemplo na China, aponta o autor, subiu de 30 na década de 1980 para 45 em 2010.

Aponta mais ainda que os níveis de desigualdade: “aumentam a segregação e reduzem os resultados educacionais de crianças e jovens adultos.” (idem, p. 95), isto mudou por exemplo o padrão da chamada “classe média”, que nos EUA e Reino Unido tem o preço de “um bem de luxo”, afirma o autor.

Ao contrário do que se possa pensar, o Global Risks Report do Fórum Mundial de 2016, fala de “des-empoderamento” do cidadão, embora haja campanhas como “get-out-the-vote” (sai para votar), já que em muitos países o voto não é obrigatório, mas os conteúdos que nós consumimos online são miseráveis, carecem de verdade e de fatos, e eles influenciam.

Não falta ao autor os conceitos de identidade, moralidade e ética, expressos no capítulo da página 100, fala da OpenAI, iniciativa presidida por Sam Altman, presidente da Y Cominator e Elon Musk e CEO da revolucionária Tesla Motors, que acredita que a melhor maneira de desenvolver a AI é torna-la gratuita para todos e fazer que ela seja emponderada  para melhorar os seres humanos, mas seu programa é abstrato e pouco realístico, ainda que o apresente no quadro H o limite ético.

È preciso descobrir nas fissuras do avanço tecnológico aspectos de desenvolvimento da sensibilidade humana, do apreço pelo Outro, onde ambientes colaborativos e de coworking favorecem isto, mas o que se ouve é ainda uma gritaria fundamentalista contra a tecnologia.

 

A dimensão do eu-tu de Buber

12 Jul

As ideias de Martin Buber contribuem para a integração de uma concepçãoIandYou filosófica do ser humano a uma atitude diante deste.

Em sua obra, Buber trata do homem no mundo, de suas múltiplas possibilidades de existir, dependendo de como se coloca.

As palavras-princípio eu-tu e eu-isso assinalam modos de ser do homem, formas de responder à realidade, que sempre solicita um posicionamento.

O eu que se abre para um tu não é como o eu que se relaciona com um isso, ou seja, a forma de relacionamento estabelecida fundamenta o modo de ser. Por isso, a relação produz diferentes possibilidades de a pessoa estar no mundo.

Eu-tu e eu-isso são parte do movimento humano, sendo inseparáveis, alternando-se constantemente a cada relacionamento (Buber, 1923/2001). Na atitude eu-tu, a pessoa entra em relação, deixa-se impactar, deixa-se atravessar pela presença viva do outro, seja este outro uma pessoa, uma situação, uma obra ou um ente qualquer. Há nesse instante uma dimensão intensiva, não mensurável ou redutível à temporalidade, espacialidade e questões objetivas. O mundo do tu não tem coerência no espaço e tempo: é um campo de forças, de presença, de vitalidade. Não pode ser apreendido ou aprisionado em representações: sempre escapa. Não se reduz à percepção: é intenso, vivo, pulsante. Sempre ressurge diferentemente, em contínua transformação. A atitude eu-isso, por sua vez, leva ao experiencial de forma objetiva as situações.

O mundo do isso ou da objetividade ordena o real, transformando-o em habitável e reconhecível.

Para Buber (1923/2001), a melancolia do destino humano é que o tu se torna, irremediavelmente, um isso, o que é necessário para a compreensão do processo vivido.

Não se consegue manter sempre a atitude eu-tu, pois o homem é incapaz de habitar permanentemente no encontro, a existência é pautada pela alternância entre as atitudes eu-tu, eu-isso e seus desdobramentos.

Na perspectiva buberiana, a experiência implica um distanciamento reflexivo, situando-se no âmbito do isso, enquanto a relação está no âmbito do tu. A relação é vivência, não experiência. Ao encontrar alguém no modo eu-tu, a consequente perda do espaço, do tempo e a desestabilização do eu possibilitam contemplação, novas sensações, atravessamentos.

A relação eu-isso, ao contrário, situa a pessoa no mundo dos objetos, ordenando e sendo extremamente necessária para a elaboração e a produção de significados, desde que não se torne a forma predominante de relação com o mundo.

Para Merleau-Ponty (1945/1999), ao perceber o outro apenas como um isso, objetificando-o, há um afastamento da sua presença viva, o objeto é só outro Ser, uma representação,  mas o que é o mundo e o outro como “representação” ?

 

A animação no oriente

10 Jul

Ainda que cresçam os vídeos de internet e a disponibilização de filmes em canais Narutopagos e sites aluguel online como o Netflix, o cinema ainda mostra vigor mesmo em países onde a tecnologia é de ponta, caso do cinema japonês, com a bilheteria de “Your Name” (Kimi no na wa), que chegou a 180 milhões de espectadores em 2016.

O que deve ser olhado é a mudança de linguagem, e o morfismo dos personagens, mais humanos, que também não estão longe dos famosos (entre os jovens) desenhos, podem-se citar Digimon Adventure, Naruto, Pokémon, Sailor Moon, Cowboy Bebop, Dragon Ball Z, Dragon Ball GT, Os Cavaleiros do Zodíaco, Sakura, Hamtaro, Digimon, Beyblade e Inuyasha.

Além dos já famosos desenhos de mangá, os desenhos dos filmes animados são muito coloridos, ricos em detalhes, com roupas elegantes, mas originais, e embora as histórias sejam irreais (não confundir com virtuais), os heróis cuidam das cidades e valorizam a imaginação com poderes especiais, que atraem crianças e adolescentes, num mundo carente de utopias e fantasias, não é de se imaginar o porquê de tanto sucesso.

O filme, Kimi no na wa (Seu nome), faturou cerca de 76 milhões de dólares na China, desde a estréia dia 2 de dezembro,

A distribuidora Toho do filme Kimi No Na Wa, disse que as vendas de bilheteria na China superaram os 9 bilhões de ienes, ou cerca de 76 milhões de dólares, desde a estréia no dia 2 de dezembro. 1 milhão de dólares na conservadora Tailândia.

Dirigido por Makoto Shinkai, conta uma história de amor de dois jovens do ensino médio, e que trocam de corpos, passando a viver uma aventura rica em fantasia e sentimentos, teve o lançamento no final de 2016 em 91 países, incluindo a França e Coréia do Sul, mas ainda sem data para o Brasil.

 

 

Uma filosofia inesperada

03 Jul

Já falamos em um post da questão da intransparência levantada por Habermas NonTransparencyem um artigo, e também citamos brevemente o autor da Sociedade da Transparência, Byung-Chul Ham, mas agora ao receber o livro e abri-lo deparo-me com uma filosofia inesperada, profunda embora não acabada como todo discurso pós-moderno, mas heidegeriana e humanista.

Vê a questão da transparência por um ângulo novo, próprio de sua cultura oriental, desvela a questão com uma frase capital: “os eu se referem a transparência somente à corrupção e à liberdade de informação desconhecem a sua envergadura” (Han, 2017, p. 12).

Revela-a como violenta na página seguinte: “A coação da transparência nivela o próprio homem até acabar por torntornaelemento funcional de um sistema. Tal é a violência da transparência.” (pag. 13)

Revela logo a seguir porque somos vítimas deste novo anátema da modernidade: “a espontaneidade, o que é do registro de um acontecer e a liberdade, traços que constituem a vida em geral, nada comportam de transparência” (idem), e citando von Humboldt explica que: “ … e seria atentar contra a verdade histórica da sua origem e das suas transformações querermos desterrar dele a possibilidade destes fenômenos inexplicáveis” (Humbold apud Han, pag. 13).

Não deixa de apontar caminhos, que já traçamos aqui por diversas ocasiões da alteridade, mas apresenta-a numa roupagem nova, contrapondo à sociedade da transparência que não “permite lacunas de informação nem de visão”, explica que na língua alemã “lacuna” (Lücke) e a “sorte” (Glück), citando R. Sennet em seu “Respect in a World of Inequality”.

Faz uma nova frase repentinamente forte: “O amor sem lacuna na visão é pornografia”, tema que retornará e tema de outro livro seu “A agonia do eros”, outro tema certo deste tempo.

Mas não dá a isto uma explicação rasa, afirma que esta “sociedade positiva” afirmando que esta sociedade não é nem hermenêutica nem dialética, mas “uma sociedade que não admite do mesmo modo qualquer sentimento negativo” (pag.16), não faz esta afirmação porém é minha reflexão que tal é a função platônica do idealismo contemporâneo.

Afirma que esta sociedade positiva não é a causa, “mas a consequência de um fim da teoria (destaque do autor), no sentido autêntico, que s aproxima. A teoria não pode ser substituída sem mais pela ciência positiva” (pag. 17), em clara referencia aos apelos de praticidade da pragmática contemporânea.

Surge então neste plano, sem deixar de apontar o caminho que a política traça nesta perspectiva ideal-positiva, “A política é a ação estratégica (novamente  destaque do autor). E por esta razão, há uma esfera secreta que lhe é própria. Uma transparência total paralisa-a” (pag. 18).

Paro aqui a análise, porque não é possível em neste espaço apontar os novos caminhos que o autor trilha, mas apenas neste começo do primeiro capítulo vê-se a largueza de sua análise.

 

O belo, a contemplação e a meditação

29 Jun

Em tempos de ansiedade e de consumo, o mundo digital não é o responsável por isto,OBelo mas os esvaziamentos do ser não temos tempo para a escuta, a contemplação e a meditação.

Não são campos exclusivo do que é religioso e nem mesmo neste campo se faz sempre a contemplação do belo e a meditação sobre o significado mais profundo da relação entre seres, entre seres e as coisas, o que importa não é qualidade, mas quantidade.

Como no dia a dia estamos acostumados ao mero consumo e satisfação, nunca chegamos a indagação e a contemplação, pois estas não são dedicadas ao simples consumo e nem mesmo ao que é útil, já dissemos nos posts anteriores, é preciso fazer silêncio na alma para ver e escutar aquilo que é está numa obra de arte, numa poesia ou em uma meditação.

Não se trata apenas de simplificar, mas de aprofundar e permitir-se invadir pelo novo, pelo belo e pela indagação, quem somos? Para onde vamos ? o que fazemos e porque fazemos ?

Aquietar a ansiedade, encontrar momentos de silêncio interior e exterior, permitir-se invadir pelo belo e finalmente produzir um ambiente propício ao belo, a arte e a poesia.

Tudo parece contrário a isto, mas advertia Heidegger há um uso que nem sempre considera-se na linguagem, que é o uso da linguagem poética, poder-se-ia dizer a inclusão na linguagem não no estilo da poesia, mas ela própria como uma forma de articulação da linguagem.

Considerar a meditação como uma forma de preocupação mais profunda que o mero consumo de questões, relações e até mesmo objetos (o objeto de arte é aqui considerado) e tornar-nos capazes de chegar ao novo, as novas mediações e até mesmo ás novas relações ontológicas.

Se a beleza pode ser salvadora para o mundo, é preciso meditar sobre o que é belo, a fim de chegar a uma consciência histórica do que ele representa como agente transformador.