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Arquivo para a ‘Astronomia’ Categoria

Uma releitura dos reis magos

04 Jan

Em tempos de fundamentalismo e intolerância religiosa, uma releitura dos reis magos que foram adotar e também “contemplar” o nascimento de Jesus é essencial para o diálogo.

A primeira necessária é que Deus se comunicou com os “magos” do oriente, ela pode reabrir corações fechados para re-ligações (religião do verbo em latim religare que é religar), pois eles não eram sequer religiosos no sentido convencional, mas magos e Deus os religou.

A segunda é que a comunicação divina foi através de astros, que significa que eles podiam entender esta linguagem e que Deus falou na língua humana deles, ou seja, há formas além das dogmáticas de comunicação entre Deus e os homens, mesmo não crentes.

A cosmologia é uma parte antiga e fundamental da filosofia, sua evolução e composição estuda o universo, e vem desde a antiguidade, os pré-socráticos a estudavam, buscam também a explicação da origem e da transformação da natureza e do universo e constroem mitos e divindades, criando uma relação entre seres mortais e imortais.

Então Deus não é tão indiferente a isto, uma proposta universal não deve desconsiderar a cosmologia, e se deseja construir uma cosmogonia, isto é princípio e fim de toda a vida, então uma escatologia é também construída, e a escatologia cristã pode estar relacionada a esta, não é afinal Deus princípio e fim de tudo ?

Esta segunda releitura, a questão dos astros, de fato ainda hoje se buscam evidencias cosmológicas da estrela que os Reis Magos seguiam, um astro, um cometa, isto poderia ajudar a datar o natal de uma data mais precisa.

Teólogos como Teilhard Chardin não deixaram de considerar a hipótese cosmológica, a noção de um universo cristocêntrico ajuda a uma interpretação não fundamentalista de uma escatologia mais complexa, e por isso recorremos no post anterior a São Gregório de Nazianzeno.

A terceira é que os reis magos foram “contemplar” o menino-Deus, além da vita activa, Hannah Arendt também falou dela em A condição Humana (publicado em 1956, com edição brasileira de 2009), que vem da conferencia Trabalho, Obra e Ação (publicação brasileira de 2006), mas já falavam desta questão Aristóteles no bios politikos e a vita negotiosa ou actuosa em Agostinho, e, recentemente Byung Chull Han em A sociedade do cansaço.

Mas não vieram adorar apenas, onde o elemento oferecido incenso é essencialmente isto, mas também trouxeram ouro no sentido de riqueza e mirra no sentido de sacrifícios oferecidos.

Os reis magos deveriam significar a abertura do cristianismo a outras linguagens que também são uma expressão do infinito, do universo e da vida construída de modo sagrado em todos e em tudo.

 

O Tesseracto ou Hipercubo, o holograma

16 Nov

Por que o espaço deveria ser limitado a três direções independentes?, com esta especulação Charle H. Hilton (1888) transgride a ideia de tempo absoluto.
Após uma discussão as ideias de Kant de tempo absoluto, ele penetra na discussão mais profunda do idealismo que é a separação entre objeto e sujeito.
O primeiro postulado deste livro que o meio não é mais o que separa, mas o que nos une ao objeto, constrói mais à frente uma consequência: “O próximo passo depois de ter formado esse poder de contração em um espaço mais amplo é investigar a natureza e ver que fenômenos devem ser explicados pela relação quadridimensional”, o que irá desenvolver em seu livro até chegar à antevisão do holograma: “E assim, com arranjos de espaço superior. Não podemos “colocá-las de fato”, mas podemos dizer como elas pareceriam e seriam ao toque de vários lados”, que pode ser vista como a antevisão de um grande holograma, mas com a possibilidade de serem tocados.
Assim como o Cubo possui na verdade 6 faces, uma quarta dimensão não seriam apenas 6 cubos, mas 7 cubos formando assim a quarta dimensão, é a partir dela que pode-se pensar o holograma que se espacial e com possibilidade de toque (háptica) torna-se um hipercubo de imagens volumétricas espaciais.
O Christus Hypercubus de Salvador Dali é esta visão em quarta dimensão, que colocá-la num holograma e mostrar sua reconstrução em cubos 3D constituiu uma etapa do corrente trabalho, ainda não tendo a ligação com o ambiente da Galeria de Arte Multimodal e as possibilidades de poder ser táctil (a háptica).
A pintura de Salvador Dali pode ser pensada como imagem na quarta dimensão, ou o holograma representando no Christus Hypercubus de Salvador Dali.
A física quântica está conectada a esta ideia, porque Heisenberg foi um dos primeiros a anunciar esta ruptura com a ideia de espaço absoluto, criando assim uma dimensão superior ao espaço tridimensional.

Hilton, C. H. (1888). A New Era of Thought, Londres: S. Sonnenschein & Co.

 

O espiritual na arte, quase esquecido

15 Nov

Além de Kandinsky, um contemporâneo reconhecido como tendo influência na arte espiritual, há outros três catalães quase esquecidos de forte influência espiritual: Raymond de Sebonde, autor da Teologie Natural; Gaudí, criador do gótico mediterrâneo, e Salvador Dali, incorretamente visto como surrealista paranóico-crítico, explicamos a seguir.
Disse Dali após uma longa fase que ele mesmo disse que tinha influência psicológica e indiretamente de Freud, integrasse numa nova fase, onde seu quadro Christus Hypercubus será um marco, e pode mesmo se relacionar a contemporaneidade com a Física Quântica, a quarta dimensão do universo (o Hipercubo), e de certa forma ao tesseracto de C. H. Hilton.
Diz em seu Manifesto Anti-matéria escreve com todas as letras: “no período surrealista, quis criar a iconografia do mundo interior e do mundo maravilhoso, do meu pai Freud … Hoje, o mundo exterior e o da física transcenderam o mundo da psicologia, ele declarou “meu pai hoje é o dr. Heisenberg”, assim é um Dali pós-surrealismo como ele próprio se proclama.
postamos anteriormente algo sobre isto, porém desenvolvemos aqui um pouco mais.
Proclamou Dali sobre sua obra: ”Eu Dalí, reatualizando o misticismo espanhol, vou provar com a minha obra a unidade do universo, ao mostrar a espiritualidade de todas a substâncias”, na qual o uso de substância não é por acaso, pois está falando mesmo do universo físico, mas pode ser também aquele que Teilhard Chardin chamou de “universo cristocêntrico”, ou seja, a sua Noosfera no sentido mais substancial da palavra, ou no sentido físico do universo.
Esta dimensão, além de ser estudada na Física das Partículas e na Astrofísica, apareceu em filmes como “Contato” (1997, direção de Robert Zemeckis) baseado na obra de mesmo nome de Carl Sagan, e recentemente o filme Interestelar (direção de Christopher Nolan, de 2014), ilustrado na imagem acima, e a possibilidade da quarta dimensão, do universo estar imerso num hipercubo é científica.
Einstein havia previsto um fenômeno relativístico Lense-Thirring ( homenagem a Josef Lense e Hans Thirring) que ficou por um bom tempo sem comprovação até que esse efeito começou a ser detectado em satélites artificiais e desde então passou a ser estudado como possibilidade real, é um efeito de um giroscópio devido ao campo magnético gravitacional.
Começa amanhã em Lisboa, no Palácio de Ceia, o evento Artefacto 2018, entre outras obras, apresentará uma Ode ao Christus Hypercubs feita pelo Dr. Jônatas Manzolli da Unicamp, que contará com a pianista Helena Marinho do Aveiro e a solista Beatriz Maia.

 

O que é clarificação para Charles H. Hilton

13 Nov

O escrito que antecedeu a física quântica, a filosofia hermenêutica e uma nova (ou antiga no sentido de verdadeira) espiritualidade, trazia raciocínios novos e curiosos.
Ao falar de uma dimensão maior do espaço (Higher Space) e maior do Ser (Heigher Being):
Estamos sujeitos a uma limitação de características mais absurdas. vamos abrir nossos olhos e ver os fatos.” (Hilton, 1888), parece simples mas requer treino: “Eu trabalhei no assunto sem o menor sucesso. Tudo era mero formalismo. Mas ao adotar os meios mais simples e por um conhecimento mais completo do espaço, o todo brilhou claramente. ”(Idem)
Já falamos no tópico anterior, mas agora desenvolve o estágio de ser “conscientes de um mais que cada homem individual quando olhamos para os homens. Em alguns, essa consciência atinge um tom extremo e se torna uma apreensão religiosa” (Hilton, 1888), como foi dito no post anterior, “Mas em nenhum é diferente de instintivo. A apreensão é suficientemente definida para ter certeza. Mas isso não é expressável para nós em termos de razão …” (idem)
Parte do aspecto físico, a ideia que “nosso isolamento aparente como corpos um do outro não é de modo algum tão necessário pra assumir como pareceria”, aqui sua relação intuitiva com a física quântica que só tornaria realidade no início do século XX que admite que naquele momento era só uma possibilidade, mas acrescenta mais um ponto: “e viéssemos examinar o assunto de perto, deveríamos encontrar uma relação natural que explicava nossa consciência ser limitada como atualmente é” (Hilton, 1888)
Afirma Hilton: “nosso isolamento aparente como corpos um do outro não é de modo algum tão necessário para assumir como pareceria”, podemos dizer estamos relacionados ao todo, faz um argumento matemático para isto.
Se as formas espaciais só podem ser simbólicas de formas quadridimensionais: e se não lidamos diretamente com as formas espaciais, mas a tratamos apenas por símbolos no plano – como na geometria analítica – estamos tentando obter a percepção do espaço superior através de símbolos de símbolos, e a tarefa é sem esperança” (Hilton, 1888).
Dirá num todo quase místico, mas compatível com o pensamento de Teilhard Chardin por exemplo, “Em vez de uma abstração, o que temos que servir é uma realidade, para a qual até nossas coisas reais são apenas sombras. Somos partes de um grande ser, em cujo serviço e com o amor de quem, as maiores exigências do dever são satisfeitas.” (Hilton, 1888)
Então dará a sentença: “O poder de ver com nosso olho corporal é limitado à seção tridimensional” (Hilton, 188) e será a partir daí que criará sua visão da 4ª. dimensão: o Tesseracto.

HILTON, Charles H. The new era of thought. Lonson: S. Connenschein & Co., 1888. (Chapters 7, 9, 10, and 11)

 

A física quântica e a política

24 Set

A física mecânica, em especial a mecânica celeste de sir Isaac Newton, levou a ideia de causa e efeito nas mesmas proporções de uma máquina mecânica, diz-se popularmente a cada causa há uma reação contrária em sentido oposto, foi para a política como “homem lobo do homem” de Hobbes.

Depois veio o empirismo de Hume, na verdade é mais ligado a teoria do conhecimento, que vem da ideia que somente posso dizer algo a partir de minha experiência sensorial, assim como o mecanicismo, todo o conhecimento e objeto dele está fora do ser e só há percepções.

Levado a politica, é o que exploram os senhores do marketing político, trabalhar com as emoções das pessoas de modo não a dar-lhes uma referência da verdade, mas iludi-las.

A crítica a esta “filosofia” política, pois o assunto é mais abrangente ela vem lá da idade média onde em 1200 já era definida como “ciência dos estados”, porém toda a crítica a este conjunto de ideias empíricas e idealistas, é chamada de Empiro-criticismo, Marx a desenvolveu mas depois foi atualizado pela Microfísica do Poder, a ideia não mais do estado mas do poder que constitui-se no “indivíduo”, que Peter Sloterdijk, Gadamer, Ricoeur e outros consideram já também superada.

Se queremos adaptar a física quântica, que é do mundo físico, ao mundo na escala humana, que é ontológico, podemos pensar que há duas vertentes possíveis uma mais democrática que leva ao entendimento do mundo como Natureza e outro como a busca do “Justo”.

Destaco no empirocriticismo do Justo John Rawls, Habermas e Michael Sandel, todos ainda com uma forte influencia da chamada “teoria crítica”, e na questão da Natureza pensamentos Hannah Arendt, Raymond Aron, Norberto Bobbio, Phillip Pettit, Robert Nozick, e claro há outros.

As afirmações da física quântica com o infinitamente pequeno (as partículas) e o infinitamente grande (os corpos no universo) mudam a ideia que temos de causalidade, em política de que os vencedores contam a história, pois na física quântica a dimensão energética, a massa e energia que é 94% do universo, e tem uma influência nele, seria uma abordagem do inconsciente coletivo, as forças que não aparecem e que influenciam o processo político, presentes no “inconsciente”.

Outra parte importante é que o olhar do observador define a realidade, portanto a suspeita ideia de neutralidade foi superada, Werner Heisenberg, Eugene Wigner, Roger Penrose e Erwin Schorodinger desenvolveram esta visão quântica.

Em política significa que o olhar das pessoas simples influencia sim a política, educá-las é essencial para a democracia, e apenas manipulá-lo um desastre.

 

Estamos chegando perto, mas do que ?

17 Set

Aos 20 anos, o romance de Carl Sagan “Contato” (1985) me impressionou de tal modo que nunca mais saiu da minha imaginação, o livro

Contato,  Buraco de Minhoca e radioastronomia.

falava de buracos de minhoca (wormholes são caminhos possíveis para a quarta dimensão), de teologia e de busca de vidas em outros planetas, eu fazia um caminho em direção ao materialismo que durou 20 anos, mas foi um percurso intelectual.

Aos 42 anos, o filme Contato (1987) voltou a me impressionar, a protagonista a Ellie Arroway (Jody Foster), na ficção era do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), descubro agora que o departamento existe na Universidade de Berkeley e lá estão captando sinais vindos de uma estrela vindos de uma estrela distante.

Curioso e instigante, é justamente a fase em que retorno a estudar a Noosfera de Teilhard de Chardin e pesquisar a quarta dimensão, estamos preparando um holograma e uma Ode ao Christus Hypercubus em Lisboa, justamente uma referência de Salvador Dali a 4ª. dimensão.

Os pesquisadores do SETI de Berkeley, liderados pelo estudante Gerry Zhang e alguns colaboradores, usaram aprendizado de máquina (machine learning) para construir um algoritmo novo para sinais de rádio que identificaram num período de 5 horas em 26 de agosto de 2017 (puxa meu aniversario), mas deve ser só uma coincidência.

Zhang e seus colegas com o novo algoritmo resolveram reanalisar os dados de 2017 e encontraram 72 explosões adicionais, os sinais não parecem comunicações como conhecemos, mas verdadeiras explosões, e Zhang e seus colegas preveem um novo futuro para a análise de sinais de radioastronomia com uso de aprendizagem de máquina.

Como no filme o sinal precisou de muito tempo para ser decodificado, Turing que estudou a máquina Enigma capturada do exército alemão durante a Segunda Guerra, adoraria estudar isto hoje, ele a decifrou.

O universo de código não é, portanto, artefacto humano, o espaço está cheio dele, não quer dizer que seja de alguma civilização, mas eles estão lá, a radiação de fundo por exemplo, descoberta em 1978 por Penzias e Wilson, ratificou o Big Bang e deu-lhes um Nobel de Física.

Os novos resultados serão publicados este mês no The Astrophycal Journal, e está disponível no site Breaktrough Listen.

 

O Palácio de Cristal e a era digital

10 Set

Byung Chull Han descreve em suas que os conceitos de telecomunicações, ela foi anterior e fundamental para a internet, deve ser refletida com grande seriedade ontológica, pois é ela que designa a forma processual de densificação em números de interações e valores monetários, calcula-se que há dez milhões de e-mails por minuto e um trilhão de dólares ao dia (VÁSQUEZ ROCCA, 2012).

Esta alta densidade ocorre tanto na possibilidade maior e mais fácil de encontro entre agentes, quer na forma de transações (relacionais?), quer na forma de colisões, e isto descreve de certa forma o que lembra o chamado de Palácio de Cristal (idem).
O Crystal Palace de Londres, em 1850, já abrigava Exposições Universais e também centros de recreações que eram dedicados a “educação do povo”, esta sofisticada arquitetura, uma das mais imponentes do século XIX, antecipava um capitalismo globalizado e pretendia a absorção total do mundo que era produzido, muito antes da era digital.
Cita-o Dostoiévski e Walter Benjamin ainda mais frequentemente, e Sloterdijk (2005) usa-as em um artigo onde usa a ideia de Dostoiévski que encontro ali o culto a Baal como símbolo consumista e hedonista, onde uma doutrina das “finalidades” como um dogma do consumo.
Sloterdijk faz uma conexão com Benjamin: “O poder da metáfora do palácio de cristal de Dostoiévski para a filosofia da história é melhor medido quando justaposto à interpretação de Walter Benjamin das arcadas parisienses. A comparação é sugestiva porque num caso como no outro uma forma arquitetônica foi proclamada como a chave para o capitalismo. condição do mundo” (SLOTERDIJK, 2005, P. 279).
Será Byung Chull-Han que resolve esta dualidade ao estabelecer que há sempre um “mistério” que é desvelado e que isto é parte do belo e da verdade, que aos poucos se desvela.
É preciso pensar que apenas 4% do universo é conhecida, aquele da chamada da matéria bariônica, aquela composta de protóns, eletróns e neutrons, além de algumas subpartículas, a matéria escura que em parte é também bariônica e a chamada energia escura, uma força de ação repulsiva que permeia todo o espaço, são praticamente desconhecidas.

SLOTERDIJK, P. Crystal Palace. Chapter 33 of in Globalen Inneren Raum des Kapitals: Für eine philosophische Theorie der Globalisierung (In the Global Inner Space of Capital: For a Philosophical Theory of Globalization). Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2005, pg. 265-276.
VÁSQUEZ ROCCA, Adolfo, “Sloterdijk: Modelos de comunicación ocultoarcaicos y moderno-ilustrados. Para una época de ángeles vacíos. Nómadas. Revista Crítica de Ciencias Sociales y Jurídicas, 2010 Disp.: http://www.ucm.es/info/nomadas/26/avrocca.pdf, Acesso em: setembro de 2018.

 

A cosmogonia quântica

17 Ago

Além da física quântica, ainda há mistérios na chamada matéria escura e energia escura, tais como os buracos negros formados com a explosão de supernovas, astros solares com massa até 10 vezes maiores que um astro solar, muito brilhantes desaparecem e dão origem aos buracos negros, há descobertas e estudos recentes com algumas pistas sobre eles.

Energia escura é aproximadamente 70% do universo e a matéria escura 25%, Hidrogênio e Hélio livres são 4%, e o que conhecemos: subpartículas, elementos pesados, neutrinos e estrelas são apenas 1%, a física quântica nos ajudou a penetrar neste mistério só um pouco.

Tudo isto justifica as diversas cosmogonias construídas em todas as culturas praticamente,

Os mitos, do grego mýthos narram à origem das coisas (origem do fogo, do vento, da água, das plantas, dos animais do homem, etc.), por meio de eventos sobrenaturais, mas que podem sim ter significados reais, as observações e as experiências humanas diante do mistério cósmico.

Em geral retratam combates, uniões e matrimônios entre seres fantásticos, mas quase sempre significam algum domínio sobre as forças da natureza que a mente humana não penetrou.

Quanto há um fim, não um final, mas uma meta ou um destino sobre as coisas, seres e fatos, significam que há um ciclo denominado eskaton, formando uma escatologia, uma história completa com o seu final cosmológico.

Na cosmogonia cristã, uma escatologia especial é a vinda de Jesus, sua Maria teria concebido de modo extraordinário seu filho, mas a revelação pouco explorada e compreendida é a fala de Izabel a prima Maria, que logo ao conceber vai visitá-la e Isabel afirma (Lc1,43): “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”, Maria é então MÃE DO SENHOR.

Os mitos sobre a origem do mundo ligam cosmogonias e teogonias, a teogonia cristão não pode deixar de lado esta questão, a mãe do senhor, a Teotokos.

 

Física quântica: origem, paradoxo e espiritualidade

16 Ago

Werner Heisenberg (1901-1976) foi o pioneiro físico responsável pela criação de um modelo quântico para o átomo, seus estudos foram essenciais para a evolução da área da mecânica quântica com teorias relacionadas com os átomos, raios cósmicos e partículas subatômicas.

Em 1927 Heisenberg propôs o “Princípio da Incerteza”, também chamado de “Princípio de Heisenberg”, com isto dizia que era impossível mensurar a velocidade e precisão da posição de uma partícula.

Em 1932 Heisenberg recebeu o Prêmio Nobel de Física pela criação da mecânica quântica.

Erwin Schrodinger (1887-1961) foi um físico austríaco que criou uma equação que ficou conhecida como equação de Schrödinger, a partir dela pode perceber as mudanças dos estados quânticos num sistema físico, tornou-a mais ampla que apenas subpartículas.

É famoso seu experimento imaginário chamado Gato de Schrodinger, um gato é colocado numa caixa com um pote de veneno junto. Pela física quântica, ele estaria vivo e morto ao mesmo tempo.

Em 1933, Erwin Schrodinger recebeu o Prêmio Nobel de Física por conta de suas descobertas sobre a teoria atômica.

Deepack Chopra é um medico indiano que, professor de ayurveda, que faz uma medicina alternativa relacionando corpo e mente, Amit Goswami, físico indiano, estudioso de parapsicologia, tem uma linha de pensamento chamada de “misticismo quântico”, e, o físico austríaco Tritjof Capra é conhecido pela sua obra “O Tao da Física“.

Mas acrescentaria três pensadores que tem seu pensamento relacionado a física quântica e que julgo mais sólidos na relação física quântica e espiritualidade: Basarab Nicolescu (1942-), físico teórico que tem um livro Transdisciplinaridade: teoria e prática (2008) ,Thomas Francis Banchoff (1938-) que manteve um longo diálogo com Salvador Dali sobre suas intuições místicas, em especial sobre o seu quadro Christus Hypercubus, e, de maneira distante a ideia do Cristo Cósmico de Teilhard Chardin, que une teologia, antropologia, física e a comunicação.

 

Absurdidade e a evolução do virtual

28 Jun

O termo absurdidade muito usado pelo filósofo americano Thomas Nagel, e serve assim como o “confusionismo” de Lucien Sfez, mas Nagel acha isto muito humano e chegou a afirmar: “A absurdidade é uma das coisas mais humanas sobre nós: uma manifestação de nossas características mais avançadas e interessantes”, e isto é muito humanista.

Já postamos aqui a refutação de Jean-Gabriel Ganascia sobre a Inteligência Artificial, ainda que o nome possa não ser próprio, o debate esquentou com a robô Sophia que recebeu a cidadania iraquiana, mas numa jogada de marketing, e o uso de “assistentes virtuais de voz”, como o Cortana, o Siri e o Google Now.

Agora o “brinquedinho” Alexa da Amazon começa a entrar nos lares, e ele tem um potencial maior porque o universo da Internet das Coisas (IoT) está crescendo e vai dar o que falar.

Retornando a Nagel, a absurdidade não é para ele um empecilho, mas exatamente uma afirmação do humanismo, em seu livro seu “What Is it Like to Be a Bat?” , de 1974, ele afirma que poderia fazer sentido você se perguntar como deve se sentir sendo um morcego, mas não faria o menor sentido perguntar-se como se sentiria sendo uma tostadeira.
Isto quer dizer que toda esta limitação que querem imposta às máquinas, é ao contrário do que parece, um anti-humanismo, uma rejeição da evolução dos meios de produção e do conhecimento, envolto com um sentimentalismo sobre “o humano” em tempos do desumano.

Falando em evolução a visão crítica de Nagel do darwinismo e também do neo- darwinismo, embora veja sua utilidade no debate científico, para o qual afirma: “Uma das tarefas legítimas da filosofia é investigar os limites até mesmo das formas mais bem desenvolvidas e mais bem-sucedidas do conhecimento científico contemporâneo. Pode ser frustrante reconhecer, mas estamos
simplesmente no ponto da história do pensamento humano em que nos encontramos,
e nossos sucessores farão descobertas e desenvolverão formas de compreensão das
quais não sonhamos.

Lembra a frase de Teilhard Chardin: “todo o futuro é melhor que qualquer passado”.