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Algumas razões para ser cientista

13 Set

O livro gratuito com este nome, reúne trabalho de diversos cientistas nacionais ABelezaEIntuiçãoconhecidos, tais como Marcelo Gleiser, José Leite Lopes que conta um pedaço da história da física no Brasil, e o trabalho que destaco aqui de Constantino Tsallis, apesar de grego é praticamente um brasileiro, e assim como Marcelo Gleiser destaca o aspecto da beleza que deve ser destacado com uma das melhores razões para ser um cientista, no caso deles, pesquisadores em física.

Tsallis é candidato ao Nobel da Física, e o próprio trabalho que provavelmente o premiará ele fala de beleza, queria deixar a constante de Boltzmann, fundamental para a entropia, para a mecânica estatística e principalmente para o problema do equilíbrio da energia, já neste trabalho dizia que queria deixar o resultado mais elegante e acabou ampliando e modificando.

No seu capítulo do  livro começa contando sua história: “apesar de se considerar totalmente latino-americano, Tsallis conta que herdou dos pais, gregos, o amor pelo conhecimento e pela beleza. Ele está sempre em busca da forma mais bela possível em seu trabalho de pesquisa.”

Ainda criança a família mudou para Argentina, e gostava de todas matérias, menos “contabilidade”.

O desenvolvimento do importante trabalho que poderá dar o Nobel da Física, conta Tsallis que desenvolveu em 1988 uma generalização da estatística da constante Boltzmann-Gibbs e da Termodinâmica, atualmente usada em diversas aplicações, que pode lhe dar um Nobel.

A curiosidade, segundo ele, é característica necessária para um bom pesquisador.  “Algumas pessoas olham aonde o rio vai parar; outras de onde aquele rio vem. Para fazer física é preciso ter a curiosidade de saber de onde vem o rio, não muito para onde ele vai.”.

Afirma que segue uma intuição estética: “sempre que escrevo equações, a forma final é a mais estética”.

Quando procurava na estatística uma equação que generalizava a entropia de uma forma tão bonita que deveria estar certa.

Foi assim que chegou à forma final de sua teoria como é conhecida hoje. “A maneira que você apresenta predispõe a uma espécie de sonho que vai além daquela equação”, afirmou Tsallis à entrevistadora Carolina Cronemberger.

O livro Algumas razões para ser um cientista, está disponível online, e foi publicação pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Física, instituição de nosso provável Nobel: Constantino Tsallis.

 

Oréstia: a tragédia desconhecida

31 Ago

Oréstia foi encenada pela primeira vez em 458 a.C., e foi vencedora do primeiro Orestiaprêmio nas festas dionisíacas de Atenas, embora tenha sido escrita por Ésquilo, e vencedora do primeiro prêmio nas festas dionisíacas de Atenas, ela é desconhecida e pouco apreciada hoje.

Tragédia está associada em nossos dias, e não por acaso, a dores, catástrofes, algo onde há muitas vítimas, ou ainda o desenrolar de alguma ação violenta como um assassinato, uma guerra ou um grave acidente natural, para os gregos era outra coisa.

Tragikós definia uma forma  artística inovadora, ou algo que somente ocorria entre os grandes eventos que mudavam a história. Na visão de Aristóteles, um dos primeiros a estudar o impacto dos espetáculos teatrais, a tragédia seria “uma representação imitadora de uma ação séria, concreta, de certa grandeza, representada, mas não narrada, era provocadora da Katarsis, a catarse, que é a purgação das emoções dos espectadores.

Oréstia, de Ésquilo é porisso uma grande representante desta modalidade de teatro, a peça pode ser dividida em três partes: na primeira Agamênon mostra a volta desse personagem da guerra de Tróia, onde foi bem sucedido em matar a própria filha, Ifigênia, em sacrifício aos deus, mas isto não é bem recebido pela mãe Clitemnestra que quer vingar a morte da filha com ajuda do amante Egisto.

Na segunda parte Coéforas, narra a volta de Orestes, filho de Agamênon, orientado pelo deus Apolo, para vingar a morte do pai, ele é ajudado por sua irmã, Electra, que era mantida como serviçal no sótão do castelo pela sua mãe, Clitemnestra, e, na terceira parte, Eumênides, traz a ira de Clitemnestra, já morta, materializada nas Fúrias, que são vistas somente por Orestes e responsáveis pela sua loucura. Narra também o julgamento do crime de Orestes: o assassinato da própria mãe, que será analisado pela deusa Atena.

Embora daí tenha surgido o complexo de Electra, que não é propriamente o amor dos filhos pela mãe, mas o desejo do matricídio, observado em sociedades machistas, o problema na verdade é de justiça e de política representado pela deusa Atena, proclama um tribunal para julgar o homicídio cometido por Orestes, e ficará instituído para sempre, mas a pergunta que resta é porque deuses precisam de sacrifícios ?

Tentamos responder no próximo post.

 

A República ou Politeia

18 Jul

A principal obra de Platão foi escrita por volta de 380 a.C., é um discursoPoliteia desenvolvido em termos filosóficos, políticos e sociais.

Seu problema é a busca de uma fórmula que assegure harmonia à uma cidade, tentando desde aquele tempo desvencilhar de  interesses e disputas particulares, como queriam os sofistas.

Este diálogo se realiza na casa de Polemarco, irmão de Lísias e Eutidemos, filho do velho Céfalo, e ali se encontra os dois irmãos de Platão, Glauco e Adimanto; Nicerato, além do anfitrião Polemarco, Lísias, Céfalo e Trasímaco.

Trasímaco é o sofista, o método dialético de Platão é do diálogo e não da contenda, o sofista argumenta que a força é um direito, e que a justiça é garantida pelo mais forte, determina assim que o injusto pode transgredir suas regras, pode-se dizer então que elas não existem.

Os livros I e II são a primeira tentativa de definição do que seria realmente a aplicação da justiça perante a comunidade, no diálogo de Sócrates com Gláucon e Adimanto, explica que a justiça é superior a injustiça, e que só ela conduz a felicidade.

Assim dos livros II a V os diálogos evoluirão para afirmar quais são os princípios da justiça, ou seja, o que constitui a verdadeira justiça administrada à população, princípio de sua Republica.

Dos livros VI e VII evoluem os princípios do que são as necessidades da justiça em si, é onde aparece a famosa alegoria da Caverna, onde estão os procurando mostrar que a verdade pode ser atingida por meio do conhecimento, e portanto, a justiça depende do conhece-la, assim o mito é principalmente o fato que os homens “na caverna”, somente veem sombras.

Os livros VIII e IX, desenvolvem os temas sobre a decadência da cidade, que para Platão é devido a concentração do poder nas oligarquias e o surgimento da tirania.

O livro X faz uma crítica à poesia como meio educativo, isto não é secundário, mas fundamental para entender que o problema desde o princípio da modernidade, é este conflito defendido por Platão colocando-o na boca de Sócrates que a poesia deve ser substituída pela filosofia, meio educativo, diríamos hoje mais “objetiva”, mais real.

O restante do livro traz uma exortação à prática da justiça e demais virtudes, isto são apenas indicações para a leitura, que não é senão olhar nossas “raízes” profundas.

PLATÃO. A República, (pdf online).

 

Fenomenologia, o Outro e o Diálogo

11 Jul

A psicologia fenomenológica também usa várias concepções vindas da tradiçãoArendtPt filosófica, e imaginar que é puramente filosófico o que deriva da virada ontológica ou apenas uma linguagem psicológica, ambas não são verdades, pois pode tanto pode estar ligadas na teoria e a prática psicológica, como estar presente em vários campos, por exemplo, na comunicação.

Se deseja-se alcançar maior rigor e coerência no Ser ontológico, é preciso recorrer à concepção de homem desta proposta, explicitando-a. de modo claro para a fenomenologia, cada ser possui uma especificidade ontológica, o que implica diferentes formas explicar e visões de mundo (Weltanschauung de Heidegger), que implica num “dasein” assim escrito por Heidegger: “este ente que é em cada caso nós mesmos e que tem, entre outras características, a possibilidade de Ser” (Heidegger em O Ser e o Tempo).

Tudo que existe é ser, mas o homem é ontologicamente diferente de outros seres, sendo recebido, em sua humanidade num mundo de relações concretas, sem separar o seu ser natural de sua esfera espiritual, deve desenvolver atitudes e ações para sustentar a própria vida, pode-se dizer ele é um dasein que tem vários raios de possibilidades, então como encontrar seu próprio raio, eis onde se coloca a psicologia e o seu Ser mais profundo.

Por mais que busque a estabilidade e a segurança de diversas formas ao longo da história, o homem está sempre diante de questões existenciais que o desestabilizam e o colocam em movimento, o livro A condição humana de Hanna Arendt pode ajudar muito.

Singularidade e pluralidade convivem lado a lado na difícil tarefa de habitar o mundo e transformá-lo (Arendt, 2002), isto parece muito atual e paradigmático neste tempo global.

Enquanto Ser o que delimita uma ontologia, que se mostra na sua totalidade, a singularidade mostra uma estrutura humana que é compreendida como biopsicossocial e espiritual.

A dimensão biológica se expressa na corporeidade, à qual o homem está definitivamente atrelado enquanto vive, portanto não pode separá-la da sua “substancialidade”.

Esta substancialidade é a forma singular entre os demais da mesma espécie, sendo ao mesmo tempo limite e abertura para o mundo, através da percepção (Arendt, 2002

Já na perspectiva de Martin Buber (1923/2001), não é através da transcendência da realidade mundana que se chega ao nível espiritual, mas justamente estando imerso nesta, a partir da relação com o Outro.

Arendt, H. A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar (5a ed.). Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.

 

Me perdoe Todorov !

10 Fev

Descubro só hoje, que faleceu dia 7 de fevereiro deste ano em Paris, Tzvetan Todorov,AConquistaDaAmericaOutro filósofo e crítico literário bulgáro, pouco conhecido , mas não menos importante para nosso século.

Tenho como sua frase mais contundente, uma que o fez profeta da invasão de islâmicos na Europa, afirmou ele muito antes da crise da emigração: ““Pode-se medir nosso grau de barbárie ou civilização por como percebemos e acolhemos os outros, os diferentes.”

Uma entrevista que deu na França (rádio France Culture, em 2009), ajuda a ver este profetismo de Todorov: ““Escrevi meu primeiro livro de História das Ideias, que se chama ‘Nós e os Outros’. Era uma obra sobre a pluralidade das culturas analisada sob o ponto de vista da tradição francesa. Estudei autores desde Montaigne (…) até Lévi-Strauss. Tentei ver como esses autores trataram esta questão difícil para nós ainda hoje: a unidade da humanidade e a pluralidade das culturas. Nessa série de autores, descobri que aqueles de quem me sentia mais próximo eram os humanistas”.

No Brasil, concedeu uma entrevista ao Fronteiras do Pensamento, em 2012, no qual afirmou: “Percebi que, tanto como historiador como ensaísta, aproveitei mais a literatura em si que os estudos sobre literatura, e que lia com mais prazer romances, poesias e histórias diversas do que análises literárias ou teses escritas sobre a literatura, que me parecem hoje em dia se dirigir quase exclusivamente aos outros especialistas de literatura. Enquanto que o romance interessa a todo mundo, e me sinto mais próximo de todo mundo que dos  especialistas”.

Seus livros mais famosos são: A conquista da America: a questão do Outro, São Paulo, SP: Martins Fontes, 1982 (pdf), O Homem Desenraizado. São Paulo: Editora Record, 1999, O Medo dos Bárbaros: para além do choque das civilizações. Petrópolis: Editora Vozes, 2010, Os Inimigos Íntimos da Democracia. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, A vida em comum: ensaio de Antropologia geral. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

Livros menos conhecidos, mas não menos importantes: considero um clássico o livro Teorias do símbolo. São Paulo: Editora Unesp, 2014, Simbolismo e interpretação. São Paulo: Editora Unesp, 2014 e Teoria da literatura: textos dos formalistas russos. São Paulo: Editora Unesp, 2013.

Morreu aos 77 anos, na cidade de Paris, era búlgaro nascido em 1 de março de 1939, embora considerado dentro da corrente estruturalista, sem pensamento transcendeu a ela e é um de nossos contemporâneos importantes de serem lidos.

Comungo com ela a ideia que tanto o fascismo quanto o estalinismo foram decorrentes da ideia que temos de estado dando-lhe poderes acima dos cidadãos, que tem dificuldade de controla-lo.

Recebeu em 2008 o Premio Príncipe de Asturias de Ciencias Sociales, segundo o documento por representar «el espíritu de la unidad de Europa, del Este y del Oeste, y el compromiso con los ideales de libertad, igualdad, integración y justicia».

 

 

Nem sol e nem trevas

01 Fev

O que vemos com Trump, o pensamento conservador britânico (BRExit) e francêsComandar (eleições este ano com chances até mesmo da extrema direita chegar ao poder), pode no plano econômico significar uma volta ao período das Riquezas das Nações (obra clássica de Adam Smith no ano de 1776), mas há outras análises possíveis e Sloterdijk é uma delas.

Li e tive que paralisar a leitura da Crítica da Razão Cínica pela contundência da obra, mas aos poucos retornei compreendendo que seu principal empreendimento era uma crítica a “falsa consciência esclarecida” da teoria habermasiana, e também vejo-o agora como o melhor dos pós-frankfurtianos, escola pós-marxista nascida nos EUA que influenciou os anos 60, também anos de chumbo não só no Brasil, mas nas manifestações contra as guerras no oriente e em boa parte da Europa, como as manifestações de Paris de 68.

No final dos anos 80 Peter Sloterdijk lançou Crítica da Razão Cínica, duas décadas depois de ir para a Índia estudar filosofia oriental, seguiu de forma atualizada os passos de Schopenhauer (1788-1640) e Niezstche (1844-1900) que fora também para lá, e com obras filosóficas igualmente “pós-iluministas” e críticos do racionalismo moderno.

Agora interesse dos seus leitores estão em seus livros sobre política e globalização em sua trilogia das já está publicado em português Esferas I: Bolhas, obra de 1998; e os próximos lançamentos serão Esferas II: Globos e Esferas III: Espumas de 2004.

Em Neither Sun nor Death (Nem sol nem a morte, mas sem tradução para o português), Sloterdijk responde ao seu compatriota escritor alemão Hans-Jürgen Heinrichs, comentando sobre questões como a mutação tecnológica, desenvolvimento de meios de comunicação, tecnologias de comunicação, questões bastantes presentes em seu percurso intelectual, como a relevante questão antropotécnica.

Neither Sun nor Death é uma boa introdução a teoria filosófica de Sloterdijk sobre a globalização, e uma boa crítica as correntes francesas representadas neo-iluminisas de Giles Deleuze, Paul Virilio e Gabriel Tarde, e também faz conexões com Heidegger e o místico indiano Osho Rajneesh.

 

A comunidade insuflada

02 Jan

O livro na tradução brasileira de Esfera I – Bolhas, saiu aqui em 2016, nabolhasmenino Alemanha em 1998 (Spheren I: Blasen), fala na Introdução da inspiração para bolhas, mas o título todo é: OS ALIADOS ou a Comunidade Insuflada (a maiúscula é do autor), mas eu inverti a análise para seguir como o autor escreve.

O título tem várias inspirações esféricas, mas a mais importante é o quadro de G.H. Every, de 1887, Bubbles, uma tela a óleo de Sir John Everett Millais (1829-1896), onde o autor fala do balão oval feito pelo seu “insuflador” e no tempo que de vida de uma bolha, acompanha-a vida que deixa escapar até que estoure “ao mesmo tempo um suspiro e uma exclamação de júbilo”.

A bolha, o objeto criado e seu “insuflador vigora uma solidariedade que exclui o resto do mundo” (Sloterdijk, 2016, p. 20), e “existem conjuntamente em um campo tensionado pela simpatia atenta” (idem).

Mas aos poucos ele vai delineando o objetivo desta metáfora, “a criança que segue suas bolhas de sabão no espaço aberto não é um sujeito cartesiano aferrado a seu locus pensante sem extensão, a observar uma coisa extensa em sua trajetória no espaço” (ibidem), num referencia clara à dicotomia cartesiana entre a coisa e a coisa extensa (res extensa).

Assim levanta seus primeiros questionamentos: “e o que sucede com quem não é o sopro de ninguém? Toda vida que emerge se individualiza, estaria ela enquanto tal contida em um sopro solidário? ” (Sloterdijk, 2016, p. 21), o autor vai para a pergunta de Schopenhauer: “é legítimo pensar que tudo o que existe e é tematizado estaria envolto do cuidado de alguém?” (idem).

A pergunta a que pretende chegar é referência a Heidegger: o que queremos dizer quando dizemos que estamos no mundo? mas a atualiza e reformula-a usando a questão da necessidade: “De fato, é conhecida a necessidade (Schopenhauer denominou-a necessidade metafísica) de que tudo o que pertence ao mundo ou ao ente em seu todo esteja contido em um sopro, como em um sentido indelével. Pode ser essa necessidade satisfeita? Pode ser justificada?” (Sloterdijk, 2016, p. 21).

Antes de chegar ao ponto central de seu delineamento, a modernidade, fará a pergunta que é uma referência direta ao Tratado lógico-filosófico de Ludwig Wittegestein: “Quem primeiro concebeu a ideia de que o mundo não seria absolutamente nada mais que a bolha de sabão de um alento que tudo engloba? A qual exterior pertenceria, então, tudo o que é o caso?” (idem).

Está delineada a questão da modernidade e os SEUS ALIADOS, que por isso deixei-a para depois.

SLOTERDIJK, Peter – Esferas I: Bolhas, São Paulo: Ed. Estação Liberdade, 2016.

 

Livros para ler em 2017

27 Dez

Já tenho 2 na minha pilha:  Esferas I: Bolhas de Peter Sloterdijk e bolhasVerdade e Método (Wahrheit und Methode), a obra de Otto-Hans Gadamer de maior impacto, onde tenta responder a pergunta de Heidegger: “Onde estamos quando dizemos que estamos no mundo?”.

Em Bolhas, o primeiro da trilogia EsferasPeter Sloterdijk, recém publicado no Brasil, oferece uma investigação filosófico-existencial a questão questão de Heidegger, mas também diz sobre o homem e sua relação com seus semelhantes e o seu entorno, a partir da noção de “espaços íntimos” como “bolhas”, estamos presos em “bolhas” que são nossos círculos “fechados” ?

Motivado pela conjuntura econômica, a autoajuda deve ceder a livros mais “psicológicos” e sobre questões alternativas de saúde, talvez leia dois que vejo na lista de mais vendidos: o trabalho da psicóloga Angela Duckworth, que vale para educadores, atletas e até negócios, onde indica que talento, é preciso paixão e perseverança para conquista: Garra – o Poder da Paixão e da Perseverança, já é bem vendido e pode bombar em 2016.

Na linha de cuidar da saúde, o já conhecido Drauzio Varella dá sinais que vai bombar agora nos livros: Palavra De Médico – Ciência, Saúde E Estilo De Vida, onde dá dicas de descobertas bem recentes de medicina e diz como cuidar bem da saúde, sem “modismos”.

Claro sempre pode haver surpresas, alguém que explique melhor a confusa situação mundial de guinada para o conservadorismo patriótico e populista, novas questões sobre a ecologia e alguém que aponte com otimismo perspectiva para o futuro.

Ah para quem aprecia a arte clássica, o livro de Martin Gayford: Michelangelo – Uma Vida Épica, lançada pela editora Cosac Naify. vale a pena, mas as 754 páginas em tom compilador pode desanimar.

 

O que foi bom ler em 2016

26 Dez

Falei muito de livros sobre a Hermeneutica, o Outro e questões de política e ética que avisoleiturabombaram em 2016, mas há livros menos “densos” e igualmente bons, são leituras fáceis e que podem ajudar muita gente, o primeiro deles é de Mario Sérgio Cortella: Porque fazemos o que fazemos ? curtinho, barato e muito interessante.

O que nos tira o prazer do dia a dia ? falta de tempo para tudo ? você tem um propósito para a vida ? parece auto ajuda, mas não é, é um livro de filosofia muito prática, sem “teorias”.

Baratinho e muito simples também é o Ansiedade e Autocontrole, do já conhecido e famoso Augusto Cury, dá dicas importantes sobre o estresse de nossas vidas e como é gerada a ansiedade, gostei principalmente porque desmistifica o fato que seria muito ou muita informação, o problema é “autocontrole”, passamos a fazer muita coisa no impulso.

Meu terceiro lugar está na ordem invertida, porque preciso sempre de livros mais profundos foi a garota do trem: audacioso e muito inteligente, conta a história de Rachel que todos dias anda de trem até Londres, certo dia ela segue um casal e descobre que a jovem está desaparecida, vai até a política e conta tudo, ah virou filme sim, é o que esteve em cartaz, mas não vi, a autora é Paula Hawkings, ela mudou como vejo o meu dia a dia e as pessoas ao lado.

Meu segundo lugar é Peter Kreeft, foi uma descoberta quase ao acaso, mas me fez muito bem, ele faz filosofia a moda socrática, isto é dialogando, li as Melhores Coisas da Vida, vejam meu post e seguintes, e Sócrates encontra Hume, mas há outros para ler.

O primeiro e último nesta lista foi o livro de Edgar Morin: Para onde vai o Mundo ? o livro é antigo, mas esta virada de 2016 para o nacionalismo e o pensamento conservador me pareceu oportuna, segundo o prefácio de de François L´Yvonnet, Morin “resiste a qualquer reconciliação ou otimismo beato” e propõe um “humanismo planetário, que comporta uma conscientização da ´Terra-Pátria´como comunidade de destino de origem de perdição” (seja meu post e os seguintes).

Minha pilha para 2017 está pronta, mas sempre os acontecimentos desviam minha leitura.

 

Machado e o cânone literário

21 Dez

Sempre achei insuficiente a maioria das análises de Machado de Assis, faltava olharmachado um Machado culto e como todo bom intelectual capaz de sofrer influências, sem perder a sua brasilidade de mulato, carioca e político, tendo assumido diversos cargos públicos.

Muito já se escreveu e falou das influências de Shakespeare e Eça de Queiroz num dos maiores autores nacionais, também já se falou de sua brasilidade, mas Sonia Salomão revela uma face ainda pouco vista e por isso pouco explorada.

A autora Sonia Netto Salomão, escreveu o livro lançado este ano Machado e o cânone literário (Eduerj, 434 pp.; R$ 60), ela é brasileira, porém é professora na Universidade de Roma La Sapienza, e aprofundou os estudos no contexto italiano do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX, com forte influencia de Dante, Machiavel, Leopardi e o destacou sua condição de frequente espectador das operas e de teatro dramático no Rio de Janeiro, e a forte influencia italiana no livro Dom Casmurro.

Esta análise vai passar despercebida por certo tempo, porque oscilamos em boa parte da mentalidade nacional ora por um xenofobismo europeu (o americano é pior), sem perceber nossas fortes influencias europeia, ora por uma adesão acrítica de leituras estrangeiras sendo incapazes de ver as nuances da adesão na cultura nacional do pensamento ocidental.

O livro custa em torno de R$ 60,00 e foi publicado pela Eduerj.