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[:pt]Três livros (ou 4) para ler [:en]Three books (or 4)to read in 2021[:]

06 jan

[:pt]Sempre me proponho ler alguns livros no ano que inicia, de modo diferente este ano me sinto mais estimulado pelo romance-ficção que deu inspiração para o filme “O céu da meia-noite” o livro que está sendo traduzido para o português de Lily Brooks-Dalton, é uma releitura de uma terra em colapso já apareceu em outras ficções como o Interestelar (2014), Gravidade (2014) e o épico Blade Runner 2049 (2017) e Ad Astra (2019).

O segundo livro é “Louvor a Terra” de Byung Chul Han, explora seu caráter oriental quase de amor as plantas, do esmero, do louvor e da gratidão, trata-se de um jardim que foi cedido ao autor para este cuidar dando a conhecer uma outra face de escritor, a relação sintética e realista com a natureza.

Ele explora os ritmos e relações de aromas com a natureza, explorando a sutileza das plantas e flores, que é um convite à contemplação.

O terceiro livro é de Peter Sloterdijk (já encomendei o livro) Tens de mudar sua vida, cuja edição em português é da editora portuguesa Relógio d´Água.

Peter Sloterdijk desenvolveu uma filosofia a partir do livro Regras para o parque humano, aprofundado em Crítica a Razão Cínica e nos 3 volumes de suas esferas (li apenas o primeiro, os outros não tem versão em português), no qual trava uma batalha contra um humanismo falido.

Nesta obra Tens de mudar sua vida (na Alemanha foi lançada em 2009, em Portugal no ano passado) o filósofo retoma a questão em que busca uma antropologia em uma dimensão não literária ou iluminista do contexto da vida, em uma entrevista ao Fronteiras do Pensamento, em 2016, afirmou sobre sua antropotécnica (o tema central deste livro), ele define o ser humano não como criatividade, mas como repetição da criatividade.

Afirmou na entrevista: “a palavra francesa répétition exprime ao mesmo tempo a repetição, o repor em cena ações que já produzimos, e o exercício que prepara uma performance, um desempenho. Pensemos numa repetição musical ou artística, fazer e repetir são termos que em francês – diversamente do que ocorre em alemão – convergem. E é exatamente sobre esta convergência que se concentra o trabalho da antropotécnica”.

A logoterapia está em alta e o livro de Viktor Frankl Em busca de sentido está entre um dos mais lidos, não sei se vou ler, mas cito como uma quarta possibilidade. [:en]I always propose to read some books in the year that begins, differently this year I feel more stimulated by the romance-fiction that inspired the film “O midnight sky” the book that is being translated into Portuguese by Lily Brooks -Dalton, is a reinterpretation of a collapsed land that has already appeared in other fictions such as Interstellar (2014), Gravity (2014) and the epic Blade Runner 2049 (2017) and Ad Astra (2019).

The second book is “Praise the Earth” by Byung Chul Han, it explores its oriental character almost of love for plants, of care, praise and gratitude, it is a garden that was given to the author for this care, making known another face of a writer, the synthetic and realistic relationship with nature.

He explores the rhythms and relationships of aromas with nature, exploring the subtlety of plants and flowers, which is an invitation to contemplation.

The third book is by Peter Sloterdijk (I already ordered the book) You must change your life, whose edition in Portuguese is from the publisher Relógio d´Água.

Peter Sloterdijk developed a philosophy from the book Rules for the human park, deepened in Critique to Cynical Reason and in the 3 volumes of his spheres (I only read the first, the others do not have a Portuguese version), in which he fights a battle against a failed humanism.

In this work You must change your life (in Germany it was launched in 2009, in Portugal last year) the philosopher takes up the question in which he seeks an anthropology in a non-literary or enlightenment dimension of the context of life, in an interview with Fronteiras do Pensamento, in 2016, stated about his anthropotechnics (the central theme of this book), he defines the human being not as creativity, but as a repetition of creativity.

He said in the interview: “the French word répétition expresses repetition at the same time, putting on stage actions that we have already produced, and the exercise that prepares a performance, a performance. Think of a musical or artistic repetition, making and repeating are terms that in French – unlike what happens in German – converge.

And it is exactly on this convergence that the work of anthropotechnics is concentrated”.

A fourth option is possible, the book of logotherapy by Viktor Frankl The meaning of life, its is widely read in Brazil.[:]

 

[:pt]A festa de Babette[:en]Babette’s feast[:]

08 out

[:pt]A festa de Babette, é um dos contos mais célebres de Karen Blixen (1885 –1962), narra a história de duas senhoras puritanas, filhas de um pastor protestante, que vivem uma vida muito opressiva até que o pai morre, o conto ficou famoso depois de ser filmado pelo diretor dinamarquês, sendo o primeiro filme de Blixen a ser filmado pelo Danish Film Institute, e o primeiro a ganhar um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O roteiro foi adaptado por Just Betzer, Bo Christensen e Benni Korzen, nele Filippa (Bodil Kjer) e Martine (Birgitte Federspiel) são filhas do rigoroso pastor luterano, que após sua morte, surge no vilarejo Babette (Stéphane Audran), uma parisiense que se oferece para ser a cozinheira e faxineira da família.

Muitos anos depois de trabalhar na casa, ela recebe a notícia que ganhou um grande prêmio na loteria e se oferece para preparar um jantar francês de gala em comemoração ao centésimo aniversário do pastor, os paroquianos inicialmente temerosos, aceitam o banquete de Babette.

O simbolismo do filme é forte, os tons de azul ligeiramente contrastados, estão na fronteira entre o céu e a terra é quase imperceptível, em meio a paisagem cinzenta da Dinamarca, uma primeira imagem prenuncia uma comunhão diferente num lugar entre coisas terrenas e celestes.

Outro aspecto da simbologia é o peixe, muito influente no cristianismo primitivo, porém é a mesa que foi capaz de re-ligar aquelas pessoas com um verdadeiro eu, e despertar-lhes novamente um sentido pela vida que há algum tempo tinham perdido.

A dança dos participantes ao redor do povo (foto), também uma simbologia religiosa, é um ponto alto desta retomada de sentido da vida daquelas pessoas.

O que a arte de Babette, a comida feita com amor e arte fez, foi criar na mesa uma “espécie de envolvimento amoroso”, mas “num envolvimento amoroso daquela categoria nobre e romântica na qual a pessoa não mais distingue entre o apetite ou a saciedade, corporal e espiritual!”, assim como descreve a própria autora da peça original, Blixen exprime assim o mais profundo de sua expressão neste conto.[:en]Babette´s feast is one of Karen Blixen’s most celebrated tales (1885–1962), tells the story of two puritanical ladies, daughters of a Protestant pastor, who live a very oppressive life until her father dies, the tale became famous after being filmed by the Danish director, being the first Blixen film to be filmed by the Danish Film Institute , and the first to win an Academy Award for Best Foreign Language Film.

The script was adapted by Just Betzer, Bo Christensen and Benni Korzen, in it Filippa (Bodil Kjer) and Martine (Birgitte Federspiel) are daughters of the strict Lutheran shepherd, who after his death, appears in the village Babette (Stéphane Audran), a Parisian who offers to be the cook and cleaning lady of the family.

Many years after working in the house, she receives the news that she won a big lottery prize and offers to prepare a French gala dinner in celebration of the pastor’s 100th birthday, the parishioners initially fearful, accept babette’s banquet.

The symbolism of the film is strong, the shades of blue slightly contrasted, are on the border between heaven and earth is almost imperceptible, amid the gray landscape of Denmark, a first image foreshadows a different communion in a place between earthly and heavenly things.

Another aspect of symbology is the fish, very influential in early Christianity, but it is the table that was able to re-connect those people with a true self, and awaken them again a sense for the life they had lost some time ago.

The dance of the participants around the people (photo), also a religious symbology, is a high point of this resumption of meaning of the lives of those people.

What Babette’s art, the food made with love and art, was to create on the table a “kind of loving involvement”, but “in a loving involvement of that noble and romantic category in which the person no longer distinguishes between appetite or satiety, bodily and spiritual!”, as the author of the original play herself describes, Blixen thus expresses the deepest of his expression in this tale.

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[:pt]O livro dourado[:en]The golden book[:]

11 mar

[:pt]Escrito em 1962 e considerado um dos grandes romances do século XX o Livro Dourado (Caderno Dourado em espanhol, na foto), conta a história de Anna Wulf, uma escritora imersa em uma crise pessoal que decide contar sua história, a partir do livro negro para sua vida literária quando morou na África do Sul, o livro vermelho sobre sua militância política de esquerda, o amarelo sua vida emocional e azul seu cotidiano.
Doris Lessing que ganhou o Nobel de Literatura aos 85 anos (2007) quando não esperava mais nada, ela própria fez uma piada sobre isto, porém o reconhecimento foi merecido e pouco se sabe hoje desta feminista consequente e que se recusou a aderir a modas e conjunturas seguia sua luta.
Temas como amizade, maternidade e sexualidade tem tons e contornos bem mais profundos nesta autora, em romances como por exemplo “As avós” (2007) onde a velhice é vista por um outro prisma, em especial para as mulheres, ou sobre política no seu livro “O sonho mais doce” que ela sugere como autobiográfico, e que faz reflexões profundas sobre sua visão humanitária.
Mas se tivesse que destacar um romance dela, meu preferido da juventude “Prisões que escolhemos para viver” (1987), ataca de modo sutil e extraordinário a questão da retórica política (ou o que resolveu-se chamar de politicamente correto) onde instiga os indivíduos a saírem das coerções sociais e a construir um mundo melhor, de fato e acima da moda cotidiana.
Não deixa de atacar neste romance a ignorância e a falta de responsabilidade pessoal no desejo de aplausos e mera repetição de lemas, quanta atualidade no seu discurso, diria antecipando os tempos, pois foi justamente pelo excesso de retórica e ausência de atos concretos que caímos em ciladas e ajudamos a ignorância e demagogia contemporâneas.
Sua frase que parece resumir este seu pensamento era: “Não posso e não vou ferir minha consciência só para aderir a moda do dia”, e dizia isto não para conservadores, mas para as posições aparentemente avançadas de seu tempo que não se dirigiam a atitudes concretas.

.[:en]Written in 1962 and considered one of the great novels of the 20th century, the Golden Book (O Caderno Dourado in Spanish, in the photo), tells the story of Anna Wulf, a writer immersed in a personal crisis who decides to tell her story, from the black book for his literary life when he lived in South Africa, the red book on his left-wing political activism, the yellow his emotional life and the blue his daily life.
Doris Lessing, who won the Nobel Prize for Literature at the age of 85 (2007) when she expected nothing more, herself made a joke about it, but the recognition was deserved and little is known today of this consequent feminist and who refused to adhere to fashions and conjunctures followed his struggle.
Themes such as friendship, motherhood and sexuality have much deeper tones and outlines in this author, in novels such as “As grandmothers” (2007) where old age is seen in a different light, especially for women, or about politics in its book “The sweetest dream” that she suggests as an autobiographical one, and that reflects deeply on her humanitarian vision.
But if I had to highlight a novel by her, my favorite of the youth “Prisons we choose to live in” (1987), it attacks in a subtle and extraordinary way the question of political rhetoric (or what was decided to be politically correct) where it instigates individuals to come out of social constraints and build a better world, in fact and above everyday fashion.
He does not fail to attack in this novel ignorance and the lack of personal responsibility in the desire for applause and mere repetition of mottos, how current his speech would be, anticipating the times, because it was precisely because of the excess of rhetoric and the absence of concrete acts that we fell into pitfalls and we help contemporary ignorance and demagogy.
His sentence that seems to sum up his thinking was: “I cannot and will not hurt my conscience just to adhere to the fashion of the day”, and he said this not for conservatives, but for the apparently advanced positions of his time that were not directed towards attitudes concrete.[:]

 

[:pt]A Casa de Bonecas[:en]Doll´s house[:]

10 mar

[:pt]Escrito em 1878 e construída em 1879, o romance norueguês de Henrik Ibsen (1828-1906), Casa de Bonecas é uma das primeiras manifestações da exclusão das mulheres numa sociedade dualista e machista, feito para o teatro teve sua primeira encenação no teatro Kongelige, de Copenhagen na Dinamarca, já em 1879.  Na foto dois filmes da década de 70, um com Claire Bloom outro com Jane Fonda no papel da personagem Nora Helmer.

O romance causou grande alvoroço na época, entretanto Ibsen era de família abastada e respeitada da cidade de Skien, na Noruega, é considerado um dos fundadores do modernismo.

A ambientação é o período natalino, e o casal Nora e Torvard Helmer estão se preparando para a festa, e ele comenta sobre os gastos da mulher, a qual trata com apelidos que a reduzem a infantilidade: “cotovia”, “esquilo” e “minha menininha” como uma criança peralta que ainda sabe pouco da vida adulta. 

No primeiro ato chegam uma mulher viúva Cristina Linde e o Dr. Rank, que vai ao escritório conversar com Holmer enquanto Cristina que é uma antiga colega de Nora, conversam sobre a morte do marido de Cristina, antiga colega de Holmer. Enquanto Holmer vai ao escritório com o amigo, Nora e a colega Cristina conversam sobre a vida pessoal de ambas.

Nora conta que o marido receberá o cargo de gerente num banco de investimentos e isto trará estabilidade a família, enquanto Cristina também a trata como uma “criança crescida”.

A campainha toca novamente e a criada anuncia o Sr. Krogstad, que vem falar sobre negócios com o banco no novo cargo de Helmer, Cristina o reconhece como tendo “negócios de toda espécie”, o Dr. Rank sai do escritório vem a sala e também conhece a Sra. Linde.

Quando Nora fica a sós com o Sr. Krogstad que lhe fizera um empréstimo, e o Sr. Holmer não sabia, do período que a família esteve ruim das finanças, o Sr. Krogstad lhe diz que sabe que a assinatura do pai dela como avalista fora falsificada pois eram 3 dias depois do falecimento deste, e aqui o romance entra no seu enredo.

Cristina na verdade teve um romance com o Sr. Krogstad e ela poderá ajudar Nora, retomando o relacionamento com ele, que o convence a enviar a promissória a Holmer, mas já havia enviado uma carta dizendo do empréstimo que a esposa fizera com ele falsificando a assinatura do pai dela.

O final é surpreendente, Holmer abre a carta de Krogstad que conta o “segredo do empréstimo”, depois em seguida recebe a promissória e a rasga, mas a reconciliação com Nora já era impossível porque dissera palavras duras sobre o empréstimo dela, e ao final Nora vai embora deixando-os com os filhos, que ele dissera não ter capacidade e educa-los, sem dúvida um romance chocante para a época, e que recebeu duras críticas.[:en]Written in 1878 and built in 1879, the Norwegian novel by Henrik Ibsen (1828-1906) is one of the first manifestations of the exclusion of women in a dualistic and macho society, made for the theater had its first staging in the Kongelige theater, Copenhagen, Denmark , already in 1879.

The romance caused quite a stir at the time, however Ibsen was from a wealthy and respected family in the city of Skien, Norway, and is considered one of the founders of modernism.

The setting is the Christmas season, and the couple Nora and Torvard Helmer are getting ready for the party, and he comments on the expenses of the woman, which she treats with nicknames that reduce her childishness: “lark”, “squirrel” and “ my little girl ”like a bad boy who still knows little about adult life.

In Picture two filme from the 70´s, Jane Fonda and Claire Bloom interpret Nora Helmer.

In the first act a widowed woman Cristina Linde and Dr. Rank arrive, who go to the office to talk to Holmer while Cristina who is a former colleague of Nora’s, talks about the death of the husband of Cristina, Holmer’s former colleague. While Holmer goes to the office with his friend, Nora and colleague Cristina talk about their personal lives.

Nora says that her husband will receive the position of manager in an investment bank and this will bring stability to the family, while Cristina also treats her as a “grown child”.

The doorbell rings again and the maid announces Mr. Krogstad, who comes to talk about business with the bank in Helmer’s new position, Cristina recognizes him as having “business of all kinds”, Dr. Rank leaves the office and comes to the room and also knows Mrs. Linde.

When Nora is alone with Mr. Krogstad who had made him a loan, and Mr. Holmer did not know, about the period when the family was in bad finances, Mr. Krogstad tells him that he knows that her father’s signature as guarantor it was falsified because it was 3 days after his death, and here the novel enters its plot.

Cristina actually had an affair with Mr. Krogstad and she can help Nora, resuming the relationship with Krogstad, he sends the promissory note to Holmer but had already sent a letter saying of the loan that his wife had made with him by forging her father’s signature.

The ending is surprising, Holmer opens Krogstad’s letter that tells the “secret of the loan”, then he receives the promissory note and tears it up, but reconciliation with Nora was already impossible because he had said harsh words about her loan.

And in the end Nora leaves, leaving them with her children, whom he said he had no capacity for and educating them, undoubtedly a shocking novel for the time, and which received harsh criticism.

 

 

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[:pt]O padre Antunes e o Estado[:en]Priest Manuel Antunes and the State[:]

06 nov

[:pt]Antes de repensar o Estado, Antunes parte do Portugal real, depois de delinear nas primeiras páginas a identidade e as fragilidades do povo, sem sair pelo chauvinismo ou isolacionismo que foi próprio durante certo período pós-colonial, afirma o pensador: “É fácil pôr no papel dezenas e dezenas de partidos políticos. É fácil fazer proclamações ideológicas como se elas contivessem a última e definitiva verdade. É fácil apontar programas, inumeráveis e ideais, mas que não mordem no real” (Antunes, 2011, p. 38), destaca-as de vez.

Vai repensar o estado português, conforme diz “partindo do país que somos”, não sendo possível colocar de lado: “nossos problemas mais graves: o do Ultramar, o da emigração, o dos múltiplos atrasos que nos afectam nos campos político, social, económico, científico, tecnológico e cultural.” (idem, p. 38), dizendo a constatação de que “durante cinquenta anos se viveu na hipertrofia do Estado”, e isto é válido não só na Europa, mas também em muitos modelos de estados contemporâneos.

Depois de desfilar as funções do Estado, vai desenvolver duas linhas de reflexões, sobre dois modelos opostos: “ uma grande linha de clivagem se ergue diante de nós: a que separa o Estado monopolista do Estado pluralista” (pag. 42), na qual também o Brasil aprenderá a lição.

Diz do primeiro: “radicalmente centralizador, burocrático, jurisdicista e, tendencialmente pelo menos, totalitário” (idem), diz da lição aprendida em 25 de maio, que nem mesmo seus partidários quiseram defendê-lo, pode-se dizer o autoritarismo já estava morto.

Já o segundo é: “o segundo radicalmente descentralizador, tomando a nação e a sociedade tais como elas são com os seus corpos intermédios verdadeiramente vivos, os seus estratos sociais organizando-se da maneira que mais lhes convier e deixando ao livre jogo do mercado”, parece melhor e menos burocrático, mas “entre estes dois extremos situa-se um amplo leque em que várias combinações são possíveis” (pag. 43) é onde desenvolve suas ideias.

Vai chamá-la de “zonas temperadas” nas quais “o homem pode construir uma existência

mais de acordo com a sua natureza de ser inteligente e livre” (idem).

Pergunta então se Portugal desejará viver nesta zona temperada, onde o “princípio ideológico-afectivo da liberdade, da igualdade e da fraternidade, constantemente em instância de revisão crítica nas suas aplicações concretas e não reduzido a slogan vazio ou a mero discurso retórico sem conteúdo” que em muitas lugares deram lugar não só ao descrédito democrático, mas principalmente cedendo a tentação autoritária.

Certamente seu pensamento serviu para Portugal ir para esta “zona temperada”.[:en]Before rethinking the state, Antunes departs from Portugal, after delineating in the first pages the identity and fragilities of the people, without leaving the chauvinism or isolationism that was characteristic of a post-colonial period, says the thinker: “It is easy to on paper dozens and dozens of political parties. It is easy to make ideological proclamations as if they contain the ultimate and ultimate truth. It is easy to point out programs, innumerable and ideal, but that do not bite in the real “(Antunes, 2011, 38), highlights them once and for all.
It is going to rethink the Portuguese state, as it says “leaving the country we are”, not being possible to put aside: “our most serious problems: the Overseas, the emigration, the multiple delays that affect us in the political, social, economic, scientific, technological and cultural “(ibid., 38), stating that” for fifty years we lived in the hypertrophy of the State “, and this is valid not only in Europe but also in many state models contemporaries.
After parading the functions of the state, it will develop two lines of reflection on two opposing models: “a great line of cleavage rises before us: that separates the monopolist state from the pluralist state” (page 42), in which Brazil will also learn the lesson.
He says of the first: “radically centralizing, bureaucratic, jurisdictional and, at least, totalitarian,” he says of the lesson learned on May 25, that not even his supporters wanted to defend him, it may be said that he was already dead.
The second is: “the second radically decentralizing, taking the nation and society as they are with their inter vivos bodies truly alive, their social strata organizing themselves in the way that suits them and leaving to the free play of the market” , seems better and less bureaucratic, but “between these two extremes lies a wide range in which various combinations are possible” (page 43) is where he develops his ideas.
It will be called “temperate zones” in which “man can build an existence
more in accordance with its nature of being intelligent and free “(idem).
He then asks whether Portugal wants to live in this temperate zone, where the “ideological-affective principle of freedom, equality and fraternity, constantly in a critical review instance in its concrete applications and not reduced to an empty slogan or mere rhetorical discourse without content” which in many places gave rise not only to democratic discredit, but mainly.[:]

 

[:pt]Padre Manuel Antunes, se “calhar” é universal[:en]Priest Manuel Antunes, if “handy” is universal[:]

05 nov

[:pt]A entrada de meu ambiente de estudos em Portugal, deparo com um cartaz que dizia uma conferência sobre o Padre Manuel Antunes: Repensar Portugal, a Europa e a Globalização, os dizeres eram exatamente estes, mas de relance me veio a memória um livro pego na Web para entender um pouco mais de Portugal: “Repensar Portugal” (veja o pdf), depois fico sabendo que há um livro da editora Bertrand com este todo nome do evento, publicado em 2017.

Se calhar é uma expressão portuguesa mais ampla que no Brasil, usada como poderá ser, quem sabe ou mesmo é possível. 
Também revejo meus pré-conceitos, daquela que eu tinha de nossa pátria mãe não só porque chegaram ao Brasil, mas também porque nos deram os governantes imperiais, D. João VI que migrou e estabeleceu a coroa lá, D. Pedro I (aqui em Portugal, D. Pedro IV) e sua filha mais velha nascida em São Cristóvão no Rio de Janeiro, D. Maria II que dá nome a um teatro e alguns sítios (lugares) em Portugal.
A leitura inicial, sem nenhuma vivência em Portugal, era de um país isolado, um tanto acanhado, e o texto do Padre Manuel Antunes confirmava, lê-se no início de Repensar Portugal: “a possibilidade do termo do isolamento internacional, daquele “orgulhosamente sós” que é a contradição mesmo do mundo em que vivemos” (Antunes, 2011, p. 35), onde já pode ler o universal, esta obra no original é de 1979, cinco anos após a Revolução dos Cravos.

Ao falar da Revolução dos Cravos, a que pôs fim a era salazarista, disse o Padre Antunes: “Festa dos cravos de Maio, da confraternização do Povo e das Forças Armadas, do entusiasmo colectivo, de uma certa irmandade não fingida, de uma vasta disponibilidade à abertura, de uma, por vezes cândida e larga, espontaneidade” (idem pag. 35).

De início a curiosidade religiosa me movia, pensando nos sermões do padre António Vieira, mas além do pensamento erudito, foi desta leitura que entendi que devia conhecer seis datas essenciais para Portugal, a Revolução dos Cravos (1974) e: 1385, 1640, 1820, 1910 e 1926.

Destaca já no início, em busca de uma identidade portuguesa, sem chauvinismo, sem messianismos e sem isolacionismo, a vê como um “um país paradoxo vivo dos mais estranhos que a memória dos homens conhece” (pag. 36), com muitas exceções: um império colonial tão largo (Portugal é o primeiro império da era moderna de Macau, Goa até a África e o Brasil), exceção como realizou sua revolução política (a esquerda como é normal), foram as próprias forças armadas que desaparelharam o Estado e fazem voltar do exílio membros de partidos proscritos.

Perguntava na época, fazendo um paralelo ao ano da revolução liberal de 1820 (feita pela coroa), “prefácio às Cortes Constituintes do mesmo ano. Seguir-se-á 1823?” (pag. 37) e teria relação com nossa “independência” de 1822.
Diz em sua obra como que definindo uma identidade portuguesa, após dizer que fizeram várias imitações (1820, a Espanha; em 1834, a Inglaterra; em 1910, a França jacobina com o regicídio e 1926 Itália fascista), foi com o assassinato do Rei Carlos I e o herdeiro que se fez a república.

Porém destaca traços peculiares no povo português: “Povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo activo mas pouco organizado; povo empírico, mas pouco pragmático” (idem) e destaco o traço mais essencial que difere-o de toda Europa: “povo convivente, mas facilmente segregável por artes de quem o conduz ou se propõe conduzi-lo” (ibidem), mas o convívio reservado na privacidade como todo europeu, é prazeroso e alegre diferente de toda europa e parte do mundo onde a indiferença já impera.

Este erudito português, falecido em 1985 não viu Portugal integrar-se a Comunidade europeia e a crise que se sucedeu, mas deu uma sentença fundamental: “A hora lírica está a passar. Começou a suceder-lhe a hora da acção” (ibidem), alertando para modelos de mudança que se estagnaram, que é um alerta para muitos que estão em passos de retrocesso. 

Site: http://centenariopadremanuelantunesj.pt/[:en]The entrance of my study environment in Portugal, I came across a poster that said a conference about Father Manuel Antunes: Portugal, Europe and Globalization, the words were exactly these, but at a glance a book comes to mind Web to understand a little more of Portugal: “Rethinking Portugal” (see the pdf), later I know that there is a book of the publishing house Bertrand with this name, published in 2017.
I also review my preconceptions, of the one that I had of our mother country, not only because they arrived in Brazil, but also because they gave us the imperial rulers, D. João VI who migrated and established the crown there, D. Pedro I Portugal, D. Pedro IV) and his eldest daughter born in São Cristóvão, D. Maria II who gives name to the theater and some places in Portugal.
The initial reading, without any experience in Portugal, was from an isolated country, a little shy, and the text of Father Manuel Antunes confirmed, reads at the beginning of Repensar Portugal: “the possibility of the end of international isolation, that” proudly “which is the very contradiction of the world in which we live” (Antunes, 2011, 35), where he can already read the universal, this original work is from 1979, five years after the Carnation Revolution.
In speaking of the Revolução dos Cravos (Carnation Revolution), which ended the Salazarist era, Father Antunes said: “Carnation of May, the fraternization of the People and the Armed Forces, of collective enthusiasm, of a certain unfeigned brotherhood, of a vast availability to openness, of a sometimes candid and broad, spontaneity ” (ibid., p. 35).
At first religious curiosity moved me, thinking of the sermons of Father António Vieira, but beyond the scholarly thought, it was from this reading that I understood that I should know six essential dates for Portugal, the Carnation Revolution (1974) and: 1385, 1640, 1820 , 1910 and 1926.
At the beginning, in search of a Portuguese identity, without chauvinism, without messianism and without isolationism, he sees it as a “paradoxical living country of the strangest that the memory of men knows” (page 36), with many exceptions: a colonial empire that was so wide (Portugal was the first empire of the modern era of Macao, Goa to Africa and Brazil), except for how it carried out its political revolution (the left as it is normal), it was the armed forces themselves that demolished the State and exile members of outlawed parties.
He asked at the time, paralleling the year of the liberal revolution of 1820 (made by the crown), “Preface to the Constitutional Cortes of the same year. Will it follow 1823? ” (Page 37).
He says in his work that defining a Portuguese identity, after saying that they made several imitations (1820, Spain, 1834, England, 1910 Jacobin France with the Regicide and 1926 fascist Italy), it was with the assassination of the King Carlos I and the heir who became the republic.

But it emphasizes peculiar traits in the Portuguese town: “Mystical people but little metaphysical; lyric but not gregarious people; active but not very organized people; empirical people, but little pragmatic “(idem) and emphasize the most essential feature that differs from all of Europe:” coexistent people, but easily segregable by the arts of those who lead or propose (ibid.), but the privacy reserved as every European is pleasurable and joyful different from all of Europe and part of the world where indifference already prevails.

This Portuguese scholar priest, who died in 1985, did not see Portugal joining the European Community and the crisis that followed, but gave a fundamental sentence: “The lyrical hour is passing.” 

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[:pt]Democracia e Informação[:en]Democracy and Information[:]

03 out

[:pt]Em meio a um quadro dramático da democracia brasileira, o perigo de radicalização é visível, volto a abrir o livro “Política nós também não sabemos fazer”, o não é propositalmente tachado, que tem como coautores Clovis de Barros Filho, Oswaldo Giacóia Junior, Viviane Mosé e Eduarda La Rocque, prefaciado por nada menos que Mario Sérgio Cortella.
Todo livro é interessante, mas destaco o capítulo de Eduarda La Roque, que além de propor claramente uma terceira via (nesta eleição quase impossível), inicia citando o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley: “o futuro imediato deverá parecer-se ao passado imediato, em que as mudanças tecnológicas rápidas, verificadas numa economia de produção em massa e entre uma população predominantemente destituída de posses, … “ (op. Cit. Clovis et al., 2018, p.87).
Explica como a terceira via vê o combate a desigualdade, propõe usando Michel Porter, uma medida alternativa ao PIB que seria o Índice de Progresso Social (IPS), só explicando diferente do IDH (Desenvolvimento Humano) porque prevê a sustentabilidade de progresso em regiões mais pobres, e chega ao ponto que consideramos central: O Centro de Qualificação da Informação.
Em sua própria definição. “é uma instituição autónoma, da sociedade civil, que busca aproximar e articular diversos saberes da sociedade, de forma democrática e direta, sem a predominância de um saber ou setor sobre o outro, tentando convergir as pautas, os interesses, hoje tão esgarçados da sociedade … “ (Roque In Clovis et al., 2018, p. 107-108).
Propõe a governança pública e citando José Padilha constata que “a maioria das instituições publicas brasileiras desenvolve culturas organizacionais informais que trivializam a corrupção e a transformam em hábito.” (idem, p. 117)
E cita o gigantismo do estado (não defende o estado mínimo não), afirmando “o setor público que toma mais de 40% do PIB torna-se tão grande e poderoso que escolhe vencedores e compra a sociedade civil, num processo muito bem descrito por Saramago em A ilha do desconhecida” (ibidem, p. 117-118).
O modelo que estabelece descrito como uma mandala tem no centro o desenvolvimento humano, acrescentaria a este modelo apenas o aspecto espiritual, já descrito em muitas cartas sobre transdisciplinaridade, como a Carta de Arrábida e por autores como Byung-Chull Han e Edgar Morin.
A ideia é uma rede de propagação a prosperidade, chamaria de um circulo virtuoso que interrompe o circulo de mais concentração e mais corrupção do estado moderno, e que a autora descreve como flor da vida: “concentrada em suas pétalas a congruência de projetos de maior capital humano com três outros capitais, ou seja, seriam os projetos de maior valor compartilhado … para a sociedade” (Clovis et al., 2018, p. 129-130).
Acrescenta “as sete capitais podem se fazer representar através dos vértices dos triângulos de 17 gols de desenvolvimento sustável (GDSs)”, existe uma versão detalhada no Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil.
Utopia, pode ser, palavra foi cunhada por Thomas Morus previa o reino Utopus, quem sabe um país não fique “deitado eternamente em berço expendido”, enfim há uma 3ª. via.

CLOVIS, Barros Filho, Giacóia Jr, O., Mosé, V. e La Rocque, E. Política que nós também não sabemos fazer, Petrópolis, Vozes Nobilis, 2018.[:en]In the midst of a dramatic picture of Brazilian democracy, the danger of radicalization is visible, I reopen the book “Politics we also do

not know how to do”, it is not deliberately crossed out, which has as coauthors Clovis de Barros Filho, Oswaldo Giacóia Junior, Viviane Mosé and Eduarda La Rocque, prefaced by none other than Mario Sérgio Cortella.

Every book is interesting, but I would like to highlight the chapter by Eduarda La Roque, who, in addition to clearly proposing a third way (in this almost impossible election), begins by citing Aldous Huxley’s Brave New World: “the immediate future should resemble the immediate past , in which the rapid technological changes observed in a mass-production economy and among a population predominantly lacking in possessions … “(Op. cit., Clovis et al., 2018, p.

It explains how the third way sees the fight against inequality, proposes using Michel Porter, an alternative measure to GDP that would be the Index of Social Progress (IPS), only explaining different from the HDI (Human Development) because it predicts the sustainability of progress in more regions poor, and reaches the point we consider central: The Information Qualification Center.

In its own definition. “Is an autonomous institution of civil society that seeks to bring together and articulate different knowledge of society, in a democratic and direct way, without the predominance of one knowledge or sector over the other, trying to converge the patterns, interests, now so fragmented society … “(Roque In Clovis et al., 2018, pp. 107-108).

He proposes public governance and citing José Padilha notes that “most Brazilian public institutions develop informal organizational cultures that trivialize corruption and turn it into a habit.” (Ibid., P. 117) It cites the state’s gigantism (it does not defend the minimal state), affirming “the public sector that takes more than 40% of GDP becomes so big and powerful that it chooses winners and buys civil society, in a process very well described by Saramago in The Island of the Unknown “(ibid., Pp. 117-118).

The model that is described as a mandala centered on human development, would add to this model only the spiritual aspect, already described in many letters on transdisciplinarity, such as the Arrábida Letter and by authors like Byung-Chull Han and Edgar Morin.

The idea is a network of propagation to prosperity, would call a virtuous circle that interrupts the circle of more concentration and more corruption of the modern state, and which the author describes as the flower of life: “concentrated in its petals the congruence of projects of greater human capital with three other capitals, that is, they would be the projects of greatest shared value … for society “(Clovis et al., 2018, pp. 129-130).

It adds that “the seven capitals can be represented through the vertices of the triangles of 17 sustainable development goals (GDSs)”, there is a detailed version in the United Nations Information Center in Brazil.

Utopia, may be, Thomas Morus coined word provided for the Utopus Kingdom, who knows a country is not “lying forever in cradle expended”, finally there is a 3rd. via.

CLOVIS, Barros Filho, Giacóia Jr, O.,Mosé, V. e La Rocque, E. Política que nós também não sabemos fazer, Petrópolis, Vozes Nobilis, 2018.[:]

 

[:pt]Veredas onto-antropotécnicas[:en]Onto-antropotecnical forest trailsh[:]

12 mar

[:pt]Já postamos aqui, sobre as Veredas da Salvação, peça maldita do tempo da ditadura militar,aoTreinamento e também já postamos sobre o romance de João Guimarães Rosa: Grande Sertão: Veredas, onde o capataz de fazenda Riobaldo é apaixonado por Diadorim, um amor que se confunde com beleza e medo, que fala de uma simbólica travessia de um rio, e dos “diabos” entre um ser e um não ser, dito assim no romance:
“… o diabo existe ou não … e vai dizendo (…) Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens, até nas crianças – eu digo. (…) E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento… Estrumes… O diabo na rua, no meio do redemoinho…” (Rosa, 2001, p. 26).
Podia-se ver a Páscoa na tradição oral brasileira, sim o romance é um exercício de oralidade em meio a cultura popular, como esta travessia de um rio, e encontraríamos muita significação não só para a cultura nacional, para a política, preocupação constante de Guimarães Rosa, e um novo tempo, onde a passagem significa uma “Páscoa Nacional”, dá para sonhar com isto?
Curiosamente e até paradoxalmente, podemos encontrar a mesma preocupação na definição da antrapotécnica de Petr Sloterdijk, como prova que isto é um ponto nacional e universal.
Esclarece Sloterdijk ao dar três dimensões da antropotécnica: o lado ilusionista, rigidamente organizado, em que os membros devem se exercitar, o lado psicotécnico que é o roteiro de treinamento para exploração da luta da sobrevivência, e o terceiro, um lado irônico, radicalmente flexível para todos, um espécie de business-trainer (Sloterdijk, 2009, p. 168).
A dimensão religiosa, não aquela religiosa em que se pensa uma religação dos seres e destes com Deus, considerando e respeitando a especificidade e personalidade de cada um, mas aquela dogmática, dona da verdade (tema de nossa semana passada) e algo “inescrupulosa”.
A antropotécnica como desvelamento do ser, é descobrir estas máscaras e manipulações que existem em todos os âmbitos da sociedade, da religião à política, do senso comum ao científico, e que no fundo não tem nada a ver nem com o ser e nem com qualquer tipo de humanismo.
Claro todos desejam a integração da humanidade, até o Trump vai falar com o coreano, porém o conjunto das relações antropotécnicas estão longe de uma onto-antropotécnica, usam e abusam da pós-verdade, manipulam fatos e narrativas, da mentira pública a mentirinha diária.
Não é possível que um ambiente assim desperte o humano, a relação do Ser e o humanismo.

ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. São Paulo: Nova Fronteira, 2001.
SLOTERDIJK, P. Du musst Dein Leben ändern. Über Antropotechnik (Você pode mudar sua vida: sobre a antropotécnica). Frankfurt, Suhrkamp, 2009.[:en]We have already posted on the Veredas da Salvação (Veredas in portuguese is similar toaoTreinamento forest trails), a damned part of the time of the military dictatorship, and we have also posted on the novel by João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas (Big forest: trails), where farm foreman Riobaldo is in love with Diadorim, a love that confuses with beauty and fear, which speaks of a symbolic crossing of a river, and of the “devils” between a being and a non-being, thus said in the novel:
“... the devil exists or not … and goes on to say … Well, the devil regulates his black state, in creatures, in women, in men, even in children,” I say. (…) And in the uses, in the plants, in the waters, in the earth, in the wind … Manure … The devil in the street, in the middle of the whirlpool ... ” (Rosa, 2001, 26).
One could see Easter in the Brazilian oral tradition, but the novel is an exercise of orality in the midst of popular culture, like this crossing of a river, and we would find much significance not only for national culture, for politics, Guimarães Rosa, and a new time, where the passage means a “National Easter”, can you dream of it?
Interestingly, and even paradoxically, we may find the same concern in Petr Sloterdijk’s definition of the antropotechnics as proof that this is a national (in brazilian sense) and universal point.
Sloterdijk clarifies by giving three dimensions of antropotechnical: the illusionist side, rigidly organized, in which the members must exercise, the psycho-technical side that is the training script to explore the struggle for survival, and the third, an ironic, radically flexible side for all, a kind of business-trainer (Sloterdijk, 2009, 168).
The religious dimension, not that religious one in which one thinks of a reconnection of the beings and of these with God, considering and respecting the specificity and personality of each one, but that dogmatic one, owner of the truth (theme of our last week) and something “unscrupulous” .
Anthropotechnics as an unveiling of being, is to discover these masks and manipulations that exist in all spheres of society, from religion to politics, from common sense to scientific, and that at bottom has nothing to do with being and not with any kind of humanism.
Of course, everyone wants the integration of humanity, even Trump is going to speak to Korean, but the whole anthropoprofessional relationship is far from an onto-anthropotechnic, they use and abuse the post-truth, manipulate facts and narratives, from public lies to everyday lies .
It is not possible for such an environment to awaken the human, the relationship of Being and humanism.

ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

SLOTERDIJK, P. Du musst Dein Leben ändern. Über Antropotechnik (You have to change your life. About anthropotechnology). Frankfurt: Suhrkamp, 2009.[:]

 

[:pt]O mal simbólico e o paraíso perdido[:en]The symbolic evil and the lost paradise[:]

19 fev

[:pt]A reflexão do mal simbólico feita pelo filósofo francês Paul Ricoeur remete ao estudo da linguagem e o uso da hermenêuticaadamicSymbols para dizer o que é a manifestação do mal na realidade, não se trata só da violência, mas essencialmente do mal em diversos níveis da realidade.

Ao explorar a função simbólica do mal, recorreu aos mitos primários como a queda de Adão que se revela na necessidade de reconhecer o símbolo como meio de compreender a realidade, no caso do mito adâmico, as três grandes religiões monoteístas: judaísmo, islamismo e cristianismo.

Expurgar o mal além do sentido ontológico que tratamos nos posts anteriores, e caminhar para o entendimento das implicações éticas que se pautam pela busca da tomada de consciência de si, parecem vazias e mal explicadas, são as raízes da violência, quando não reconhecem o “símbolo”.

A ideia presente no mito adâmico da expulsão do paraíso, e que isto se dá pelo uso do “fruto proibido” já foi cantado em prosa e verso em livros (Eça de Queiroz escreveu Adão e Eva no paraíso), músicas e até mesmo tratados filosóficos como o de Paul Ricoeur na atualidade, porém a incompreensão desta presenta no “ser” ou nas esferas de imunologia como quer Petr Sloterdijk, parecem desconhecer os conceitos de “valor” e “riqueza” como querem Edgar Morin e Patrick Viveret (Como viver em tempos de Crise).

Longe de apelos apocalípticos é preciso compreender a complexidade do percurso atual da história humana, é sim uma crise com aspectos profundos, mas são aqueles momentos em que uma grande virada se anuncia, a nosso ver a “virada ontológico”, uma mudança de raízes profunda em nosso ser, e isto não tem nada de líquido e será bastante sólido.

A humanidade já deu grandes saltos, nos períodos das grandes civilizações do oriente: os Persas, os Babilônicos e os Egípcios, mas nas civilizações latino americanas também: Astecas, Incas e Maias.

Estas civilizações descaíram, mas outras a seguiram por caminhos diversos, o que parece falso é o paradigma desenvolvimentista, pois ainda que seja desconhecido o humano é prevalente ao desenvolvimento e às novidades, fizemos muito no período da modernidade, mas suas idealizações do Indivíduo, do Estado e da propriedade individual parecem agora falsas, e não significa necessariamente uma saída pelo modelo socialista, mas sem dúvida significará alguma saída coletiva, o ser-aí individual parece do-ente, e algo mais presente na relação ser-com-outro ética parece um caminho viável para o desenvolvimento de uma humanidade nova.[:en]The reflection of the symbolic evil done by the Frenchman Paul Ricoeur refers to the study of language and theadamicSymbols use of hermeneutics to say what is the manifestation of evil in reality, it is not only violence, but essentially evil at different levels of reality.
In exploring the symbolic function of evil, he resorted to primary myths such as the fall of Adam revealed in the need to recognize the symbol as a means of understanding reality, in the case of the Adamic myth, the three great monotheistic religions: Judaism, Islam, and Christianity .
To purge the evil beyond the ontological sense that we have treated in the previous posts, and to move towards an understanding of the ethical implications of the search for self-awareness, the roots of violence seem empty and ill-explained when they do not recognize the “symbol.”
The idea present in the Adamic myth of the expulsion of paradise, and that this is due to the use of the “forbidden fruit” has already been sung in prose and verse in books (Eça de Queiroz wrote Adam and Eve in paradise), songs and even philosophical treatises as Paul Ricoeur does today, but the incomprehension of this presents in the “being” or in the spheres of immunology as Petr Sloterdijk, seem to ignore the concepts of “value” and “wealth” as Edgar Morin and Patrick Viveret want (Living in crisis times).
Far from apocalyptic appeals, it is necessary to understand the complexity of the current course of human history, rather it is a crisis with deep aspects, but it is those moments in which a great upset is announced, in our view the “ontological turn”, a deep roots change in our being, and this has nothing liquid and will be quite solid.
Humanity has already made great leaps in the periods of the great civilizations of the East: the Persians, the Babylonians and the Egyptians, but in the Latin American civilizations: Aztecs, Incas and Mayans.
These civilizations have fallen, but others have followed in different ways, what seems false is the developmentalist paradigm, for although it is unknown the human is prevalent, we have done much in the period of modernity, but its idealizations of Individual, State and individual property seems to be false, does not necessarily mean a way out of the socialist model, but will certainly mean some collective output, the individual being-there seems to be do-ente, and something more present in the ethical being-with-other relationship seems a viable path, relationships and solidarity.

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[:pt]O que ler no ano novo[:en]What we can read in 2018 [:]

26 dez

[:pt]Um dos livros na minha pilha de novas leitura é Sapiens – uma breve históriaaMão da humanidade, de Yuval Noah Harari, a edição original em inglês é de 2015, mas a edição em português que chega ao Brasil, pela editora de Porto Alegre LP & M, é de 2017 com tradução de Janaína Marcoantonio, só folheie até agora, mas já sinto o peso do livro como desde o capítulo inicial A revolução cognitiva, com o tópico um animal insignificante, até a Revolução Científica, com o primeiro tópico: a descoberta da ignorância.
Já pontuamos em diversos posts sobre a descoberta da Caverna de Chauvet, o livro abre A revolução cognitiva com uma mão humana nesta caverna de 30 mil anos atrás (foto ao lado), uma pintura o primeiro capítulo que já comecei a ler.

Quem quiser fazer um contraponto, um livro clássico (meu irmão me indicou) é o livro de H.G. Wells, ele recua até os primórdios do universo. Publicado em 1922, Uma breve história do mundo é um panorama sobre o planeta e a humanidade, desde o surgimento dos seres vivos, passando pela origem dos povos, das religiões, as grandes navegações, as guerras, a Revolução Industrial até chegar à Primeira Guerra Mundial, o livro é de 1922, e curiosamente também é da LP & M, as versões que se encontram a venda.

Vou para Portugal o ano que vem, ao menos quero ir (sim é a grana), lançado em novembro o livro de Ricardo Araújo Pereira: “Reaccionário com dois cês”, fala da onda conservadora em Portugal, mas acredito que deva falar também da Europa e do mundo todo,  seu livro “A doença, o sofrimento e a morte entram num Bar” foi um pleno sucesso com 40 mil exemplares vendidos, este novo não deverá ser diferente.
Um livro que já li e vou reler, é a “Sociedade do Cansaço” do coreano-alemão Byung-Chul Han, num prisma totalmente novo ele traça o perfil de uma sociedade que não consegue por mais bens que produza levar o ser humano a uma maior felicidade e fala de uma ausência de sentido da vida, o final que a crítica não gosto é muito bom, vale a pena ler.
Falando em felicidade de Augusto Cury, mas desta vez com vários autores, o homem mais feliz da História – vários autores, não sei se ele vai comentar outros autores ou se vai inclui-los em sua reflexão, mas isto pouco importa, parece que o já consagrado autor chegou a maturidade na busca de um discurso coletivo, já está entre os mais vendidos no Brasil.
Entre estes quatro não há uma sequência, mas diria assim para os mais preocupados com a política, e eles tem razão, começaria pelo português Ricardo Araújo Pereira, e terminaria com Augusto Cury, para os preguiçosos terminaria com o Sapiens – uma breve história da humanidade, porque ele é denso e grande também, tem 448 páginas sem contar o índice.
Os preguiçosos podem ainda começar pelo livro do Byung-Chul que são apenas 128 páginas em formato pequeno (este que dá quase meio A4).
Claro que existem muitas outras leituras, mas se ler 4 livros por ano, no fim da vida será um pensador, vivendo em média 70 anos e descontados os 14 da adolescência, ainda que possamos ler livros infantis e para jovens, 56×4 = 224 livros, com certeza será um intelectual, tenham certeza que muitos doutores não leram isto a vida toda.[:en]One of the books in my stack of new reading is Sapiens – a brief history of aMãohumanity by Yuval Noah Harari, the original English edition is 2015, but the Portuguese edition that comes to Brazil, by the editors of Porto Alegre LP & M in Brazil , it is 2017 with translation by Janaí­na Marcoantonio, just leaf through until now, but I already feel the weight of the book as from the opening chapter The cognitive revolution, with the topic an insignificant animal, until the Scientific Revolution, with the first topic: the discovery of ignorance.

We have already punctuated in several posts about the discovery of the Chauvet Cave, the book opens The cognitive revolution with a human hand (picture inside) in this cave of 30 thousand years ago, a painting the first chapter that I have already begun to read.

Whoever wants to make a counterpoint, a classic book (my brother pointed out to me) is H.G. Wells’ book, it goes back to the very beginning of the universe. Published in 1922, A Brief History of the World is a panorama about the planet and humanity, from the appearance of living beings, through the origin of peoples, religions, great navigations, wars, Industrial Revolution until the First War World, the book is from 1922, and curiously it is also from LP & M, in brazilian edition.

I’m going to Portugal next year, at least I want to go (yes it’s the money), launched in November the book by Ricardo Araujo Pereira: “Reacctionary with two c´s”, speaks of the conservative wave in Portugal, but I think it should also speak of Europe and around the world, his book “Illness, Suffering and Death Go into a Bar” was a complete success with 40,000 copies sold, this new one should not be different.

A book that I have already read and I will reread is the Byung-Chul Han’s “Society of Tiredness”, in a whole new light, it traces the profile of a society that can not, for more goods, produce a human being greater happiness and speaks of an absence of meaning of life, the end that criticism does not taste is very good, worth reading.

Speaking of the happiness of Augusto Cury, but this time with several authors, the happiest man in history – several authors, I do not know if he will comment other authors or if it will include them in his reflection, but this does not matter, it seems that the already consecrated author has reached maturity in the search for a collective discourse, is already among the most sold in Brazil.

Among these four there is no sequel, but would say so for those most concerned with politics, and they are right, would start with the Portuguese Ricardo Araujo Pereira, and would end with Augusto Cury, for the lazy would end up with Sapiens – a brief history of humanity , because it is dense and great too, it has 448 pages without counting the index.

The lazy reader can still start with the Byung-Chul book which is only 128 pages in small format (this giving almost half A4 in Brazilian edition).

Of course there are many other readings, but if you read 4 books a year, at the end of your life you will be a thinker, living on average 70 years and discounting the 14 of adolescence, although we can read children’s books and for young people, 56 years x 4 books, 224 books and you is a great lecture[:]