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Arquivo para a ‘Ciência da Informação’ Categoria

Navegue com segurança

26 Mar

Evite cadastrar dados pessoais, fotos pessoais em especial de crianças, telefones e números de documentos na medias ou em quaisquer serviços em que um desconhecido pode aceder suas informações, se pedirem dados pessoais por telefone diga que não pode ceder. O roubo de dados começa por alguma informação pessoal confidencial, uma senha ou algo assim.
Dessa forma, você se previne contra o roubo de informações e dados pessoais
Verifique se o endereço do site pertence mesmo ao serviço, em especial o serviço bancário e siga todas as normas de segurança recomendadas pelo banco, raramente pedem documentos, e nunca faça em computadores públicos onde as senhas e endereços podem ficar gravados.
Não instale software quando solicitado por algum site, a menos que seja exatamente o serviço que pediu ou os sites dos equipamentos: Androids, Apple, Sun, Microsoft, etc.
Faça compras em sites confiáveis, serviços públicos de vendas onde qualquer pessoa pode se cadastrar para vender produtos não são confiáveis, se realmente tiver que comprar verifique o feedback de outros clientes e se não houver feedback não é confiável, feedbacks falsos são muito parecidos e curtos, por exemplo, muito bom, recomendo, vale a pena ou algo assim.
O site confiável geralmente tem a figura de um cadeado.
Os pedidos de armazenamento de arquivos online é uma forma comum de instalar vírus ou arquivos nocivos à conexão. Faça download somente de sites confiáveis ou plataforma segura.
Anúncios duvidosos com vantagens enormes são grandes responsáveis por vírus e perda de segurança na conexão, podendo envolver o roubo de dados e a contaminação de arquivos.
Banners e menús pop-ups que apareçam ao fundo da tela, seja no computador ou smartphone, devem ser ignorados, geralmente são processos maliciosos.
Por último, mas não menos importante, é o uso de emails para envio de arquivos falsos e comunicados sobre falsos serviços, podem também enviar um link, que aberto podem ter significados diferente do indicado.
Pagamento solicitação de senhas e informações pessoais por email não devem ser atendidos.

Embora o vídeo do youtube tenha só 234 mil visualizações, o TED talk de Caleb Barlow da IBM tem mais de um milhão e 500 mil, é um dos mais vistos sobre Cyber crimes:

 

 

Navegar é preciso viver também

25 Mar

A frase não é de Fernando Pessoa nem de um compositor brasileiro, era a frase do general Pompeu para encorajar seus marinheiros medrosos dizendo: “Navigare necesse, vivere non est necesse” e depois foi também do poeta italiano Petrarca no século XIV.
Os versos de Fernando Pessoa tinham o sentido de confinar o seu sentido de via à criação, e neste sentido de vida é que podemos fazer um paralelo com os navegadores de Web atuais.
Além da Web temos o GPS e inúmeros instrumentos de navegação para navios, aviões e astronaves, que em breve também serão viagens turísticas graças à empresa Tesla (post).
As reflexões para os dias de hoje devem envolver os medos (há um livro de Martha Nussbaum), as opções com inúmeros caminhos possíveis, a questão da segurança e as transições para uma possível Web que combate os fake news, lembrando que estes todos são problemas anteriores à Internet (1975) e a Web (1990), pois vem desde a revolução industrial.
A questão da vida que envolve é a Sociedade do Cansaço, colocar nossa mente e corpo sob um bombardeio de estímulos que podem parecer benéficos, mas também levam ao stress.
Falta ao homem moderno a pausa, o respiro, ou aquilo que Byung-Chull Han chama de “aroma do tempo”, agradeço a Portugal que me devolveu esta possibilidade pelo ritmo de vida, a segurança social e principalmente a alma lírica portuguesa.
Tudo isto devolve a vida, mas colocar numa vida agitada e sem “aroma” é um esforço que exige virtualidades, no sentido de virtude e no sentido de círculos virtuosos.
Mas navegar é preciso, quase para tudo na vida hoje e viver, pausar e respirar também.

O vídeo abaixo faz uma pequena história das navegações atuais:

 

 

De Dali a Gaudi

20 Mar

O primeiro contato com Gaudi não seria o primeiro post, foi a experiência que fiz que me fez inverter a postagem, ontem separei-as para noticiar o fim da concepção de realidade objetiva.
Sim o trajeto histórico destes dois catalães é inverso, na Galeria Virtual Multimodal que fiz, pode-se encontrar 2 obras do último Dali que o aproximam do universo virtual atual (não objetivo portanto), enquanto Gaudi tinha um grande diálogo com o gótico e o naturalismo.
Alias por motivos físicos, Gaudi sempre foi um vegetariano muito antes que isto fosse moda.
Diria que são complementares, mas Antonio Gaudi i Cornet (1852-1926) só vai nos impressionar se andamos por sua obra, sentimos o seu “aroma”, e sua conexão com Dali pode ser encontrada numa palestra feita no Parque Güell em 1956, por ocasião da festa das Mercês, o texto completo em Castelhano pode ser encontrado no site do Clube de Gaudi.
Nesta conferência Dali ao defendê-lo tinha 52 anos, quando faleceu tinha 22 anos.
Gaudi projetou o interior da catedral na forma de uma cruz, de forma estilizada a cruz está presente em todas suas obras, a novidade desta igreja é que as figuras bíblicas representativas estão todas foras da igreja, dentro há uma harmonia de luz, cores e sons (acima a foto que tirei) com os órgãos de tubos que foram colocados posteriormente, mas certamente estavam no imaginário de Gaudi, que já dissemos tem uma cosmogonia que ultrapassa o cristianismo.
A igreja na parte de fora é aquilo que ele desejava “uma catequese de pedra”, e talvez a altura faz aquilo que era seu propósito “farei todos olharem ao céu”.
A proposta de finalização é para o ano 2026, quando será o centenário de Dali, espera-se também sua canonização pela Igreja Católica, nada mais justo.

 

Físicos comprovam: a realidade não é objetiva

19 Mar

O que era uma hipótese é um fato demonstrado por experiência, o que por si já é contraditório uma vez que algo contraditório pode ser verdadeiro, no entanto a experiência feita na Universidade Heriot-Watt da Escócia mostrou que duas pessoas podem ver a mesma realidade de formas diferentes e ambas estarem certo, o artigo está publicado.
Desde o aparecimento do observador caiu a grande hipótese da ciência contemporânea que a realidade independe do observador, o nome sugestivo do artigo é exatamente isto: “Rejeição experimental da independência do observador no mundo quântico”, seus autores são: Massimiliano Proietti, Alexandre Pickston, Francesco Graffitti, Pedro Barrow, Dmytro Kundys, Cirilo Branciard, Martin Ringbauer, Alessandro Fedrizzi, e está publicado no arqXiv da Cornell University.
A experiência envolveu duas pessoas que observam o mesmo fóton, a menor unidade de luz que pode agir como partícula ou onda sob diferentes condições, sendo esta justamente a novidade, que ambos observando sobre as mesmas condição observam realidades distintas, então pode-se dizer que existe a superposição de realidade, ou seja, ambas estão ao mesmo tempo verdadeiras.
Enquanto um cientista analisa o fóton e determina seu alinhamento, o outro sem saber de sua medição, verifica se existe uma superposição quântica ou não, enquanto um experimenta a realidade enquanto partícula e o outro enquanto onda, e ambos estão tecnicamente corretos.
O experimento chamado de 6-fótons, de última geração que é o mais simples para experimentos, verifica a chamada desigualdade de Bell (qual Einstein usou para tentar contradizer o fenômeno quântico), e esta medida pode ser verificada experimentalmente através de 5 medidas de desvio padrão (estatística) associadas a ela, é um pouco complicado, mas o resultado é este para quem conhece o fenômeno. 

Uma introdução à física quântica pode ser começado com uma pequena história até 1932 das Teorias da Físicas, os vídeos seguintes da Univesp que aprofundam a questão podem ser encontrados na Web:

 

O primeiro contato com Gaudi

18 Mar

O artista, arquiteto e diria místico Antonio Gaudi i Cornet (1852-1926) só vai nos impressionar se andamos por sua obra, sentimos o seu “aroma”, tudo o que li nos livros foi abaixo, por isto foi mesmo meu primeiro contato. 
Foi uma decisão estratégica ver Gaudi em Barcelona de fora para dentro, a última coisa do primeiro dia foi ver a sua principal obra A Sagrada Família, no seu coração, nem sempre é aberta ao público, no nosso caso para uma missa: na cripta.
O dia seguinte foi para passear pelo cais e os locais onde Gaudi ia, também passamos pela esquina onde o Bonde (elétrico em Portugal) o atropelou, ficou dias incógnito até o reconhecerem e no terceiro dia faleceu.
Passei rapidamente, mas a Casa Vicens (1883-1888) é uma casa de verão desenhada por Gaudi, encomendado pelo dono de uma fábrica de tijolos e de ajulejos, Manuel Vicens, que deste 2016 tornou-se museu aberto ao público, marca seu estilo em transição.
As primeiras obras suas que fui ver, no dia seguinte, foram o candeeiro público na Praça, uma obra de sua juventude, a casa de Milà (foto) depois a Casa Batlló, feita de 1904 a 1906, com a companhia de um amigo Javier que me explicou o futurismo da obra com espaço para luzes e ar no interior do prédio, e os contornos rebaixados nas pontas, para não ofuscar a arquitetura do prédio ao lado.
Depois de passar por várias outras obras fomos a Sagrada Família, cujo projeto está sendo terminado por outros arquitetos respeitando as ideias de Gaudi, começou em 1883 e fez até o dia que foi atropelado.
As imagens estão todas do lado de fora, é uma verdadeira escola bíblica (ele dizia que ia fazer uma catequese de pedra e a fez), e dentro as luzes e o som dos órgãos de tubo (me pareceram dois, não confirmei), parecem ser um templo todo a orar, como foi definido “templo expiatório”, mas prefiro mesmo Catedral da Sagrada Família.~
De 1984 a 2005, sete de suas obras foram classificadas como patrimônio Mundial pela UNESCO e sua devoção católica que se intensificou durante sua vida, rua obra rica no imaginário e diria até na cosmogonia religiosa, levou a uma proposta de sua beatificação.

 

Do binário e do dual

14 Mar

Não é o mundo contemporâneo que criou a lógica dualista binária, esta apenas simplificou a aritmética usando a Álgebra de Boole, pelo fato que simular 0 e 1 numa máquina é mais simples do que uma aritmética decimal que a civilização ocidental adotou.

Porém a onto-lógica do Ser que vem de Parmênides que diz o ser é, e o não ser não é, e chegou aos nossos dias pelo racionalismo cartesiano e o idealismo kant-hegeliano, estamos divididos em dois mundos: o ser e o não-ser, o certo ou incorreto (há o principio da incerteza), opressor e oprimido, o ente e o ser, que afasta o objetivismo e o subjetivismo de qualquer discussão ontológica.

Em termos filosóficos, é difícil, mas esclarecedor, “Pelo fato de a metafísica interrogar o ente, enquanto ente, permanece ela junto ao ente e não se volta para o ser enquanto ser” (HEIDEGGER, 1983, p. 55).

É um equívoco pensar que Heidegger superou a metafísica destruindo-a, pois ele a vincula de modo essencial ao dasein (o ser-ai numa definição simples), escrito de modo claro em seu texto: “A metafísica é o acontecimento essencial no âmbito de ser-aí. Ela é o próprio ser-aí” (HEIDEGGER, 1983, p. 44).

É pelo acontecimento metafísico que o ser-aí humano que se estabelece relação com o ente, mas isto dá-se no mundo, é preciso ser-no-mundo (do modo mais amplo) e este ser exige uma relação de não-ser para estar com o Outro, que não é o Mesmo, então não-ser também é Ser.

Pode-se confundir com o nada, o nihilismo é uma essência do nosso tempo, e pode levar ao tempo do vazio, como pensava Nietzsche, e atualmente Lipovetsky (A era do vazio).

O ser trinitário exige além do Eu (que não é o Mesmo pois admite o Outro), o Outro e o não-Ser que é algo além do nada, conforme explica Teilhard de Chardin:  “o nada-ser coincide com a pluralidade completamente realizada. O nada puro é um conceito vazio, uma pseudo-ideia” (Chardin, 2006, p. 107).

É possível uma relação que ultrapasse o nível do diálogo formal, é preciso este não-ser, um vazio que admite o Outro, diferente do Mesmo.

 

CHARDIN, T. P. Em outras palavras. São Paulo – SP: Martins Fontes, 2006.

HEIDEGGER, E. Que é metafísica. São Paulo – SP: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os Pensadores)

 

A filósofa brasileira Viviane Mosé apresenta de modo cotidiano a questão do ser e não ser:

 

 

A Web fez 30 anos

13 Mar

Ainda confundem a internet, a Web e a Rede, embora possam estar superpostos, são aspectos diferentes que unidos deram uma cara ao mundo, os pessimistas dizem pior, os otimistas dizem que aponta para o futuro, os realistas dizem que é um novo tempo com dificuldades e facilidades, bem utilizadas serão promissoras para o futuro.
No dia 9 de março, no CERN onde trabalhava Tim-Berners Lee quando fez uma proposta de um interpretador para a Internet chamada pelo termo Web que significa teia (foto), a ideia de seu artigo original era uma facilidade de manusear textos científicos online que no mesmo momento que fossem escritos estivessem prontos para serem lidos, o que fazem blogueiros e twiteiros hoje, mas isto foi a Web 2.0 em 2005.
Em Genebra no CERN Berners-Lee se reuniu com Robert Cailliau, engenheiro informático pouco citado, mas foi de fato quem fez o primeiro sistema de hipertexto, a eles se juntaram outros especialistas para discutir o presente e o futuro da World Wide Web, ou a Web.
O evento, denominado Web @ 30, foi aberto no dia de ontem (12/03) pela Diretora Geral do CERN Fabiola Gianotti, em colaboração com duas organizações fundadas por Berners-Lee: a World Wide Web Foundation e o World Wide Web Consortium (W3C), recentemente o CERN restaurou o primeiro website e o navegador de modo online brower, mostrado no evento Hackathon (de 11 a 15 de fevereiro de 2019).
Os problemas de segurança, politicas de manutenção da internet livre, governos e estruturas empresarias desejam seu controle e em alguns países não é um serviço livre, fake news e outros foram temas de debate.
Um tema promissor para o futuro é o projeto SOLID, já fizemos um post sobre ele, está em pleno desenvolvimento com a colaboração de pesquisadores do MIT, mas a espectativa é alta e ainda haverá muito trabalho de especialistas para dar ao mundo uma Web confiável.
O hobista Suhayl Khan mostrou como acessar o browser em modo online usando tecnologia dos anos 1960 (quando só havia internet e com poucas facilidades) (Video: Suhayl Khan):

 

Aroma, tempo e flores

11 Mar

O tempo urge, tempo é dinheiro, o ser e o tempo, porém a interpretação do tempo não é secundária, considerá-lo absoluto, ou mesmo a “quarta dimensão”, que depende dele, mas não o é, tempo é duração e quanto não o sentimos perde o “aroma”.
Assim o define Byung-Chul Han em seu “O Aroma do tempo: um Ensaio Filosófico sobre a Arte da Demora” (Relógio d´Agua, 2016) que usando Marcel Proust o define assim: “A sua estratégia temporal frente a essa época apressada consiste em contribuir para que o tempo recupere a duração, o Aroma” (Han, 2016, p. 57).
O romance de Proust que se refere é “Em busca do tempo perdido”, não se apresse não tem nada a ver com o universo digital, está falando de uma obra publicada em sete volumes entre o anos 1913 e 1925, em sete volumes, período da fundação da loja Pequeno Jardim em Lisboa, no Bairro Alto, na rua Garret, 61 (foto, ainda está lá).
Fala da “destemporalização” do Ser, perder a continuidade, a permanência, faz uma citação de Proust de algo que já senti, mas no sentido inverso: “O homem que fui já não existe, sou um outro”, e diz que isto é uma crise de identidade, senti a mesma crise porém num sentido oposto, algo que encontrei numa poesia portuguesa contemporânea chamada Café Orfeu.
Diz a poesia do português Manuel António Pina, ao final: “E a [vida] que eu regressava, lentamente como se antes do teu sorriso alguém (eu provavelmente) nunca tivesse existido”, claro fala de um encontro de uma pessoa, pode-se pensar o sorriso como vida (suposta no texto com meu acréscimo), ou como desejaria Marcel Proust um aroma encontrado, os cheiros que senti e provei em Lisboa.
Como penso em reflorescimento, tema de Martha Nussbaum para uma retomada do “aroma do tempo”, lembro de um fado de Amália Rodrigues que diz que “cheira bem, cheira à Lisboa”, a letra fala de flores na tapada, diz a letra do fado entre outros versos:
“Um craveiro numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa,
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, Cheira a Lisboa”
Lisboa tem cheiro de flores e de mar, diz ao final, mas as flores são de plástico, e se não cuidarem (as sardinhas estão a desaparecer) o mar também será de plástico, mas estou a sonhar com um “reflorescimento”.
Segue o fado, da imortal Amália Rodrigues:

 

Temperança, virtual, vícios e virtudes.

08 Mar

Virtual vem da mesma raiz de virtude do latim virtus, significa que algo é potencial e devem ser atualizado (uma ou mais vezes, podendo ser infinitas) para ser uma “virtude” real, algo que é um bem, uma bondade ou o belo, se de deteriora é um vício que também deve ser atualizado, para atualizar deve ser praticado com uma “ascese”, um modo de evoluir.
O que caracteriza a contemporaneidade é uma ascese desespiritualizada, ou seja, uma “vida de exercícios” afirma Sloterdijk, devemos fazer “exercícios” para comer, para ter certa forma, para mudar isto ou aquilo, mas sem que isto signifique de fato alguma evolução espiritual, significa mudar apenas as condições materiais ou corporais sem relação com o espiritual, a sabedoria ancestral, não apenas a judaico-cristã, mas também a oriental, a africana, a hindu e a árabe sabiam disto, onde foi que tudo se perdeu ?
Aonde se perderam todas as civilizações e sociedades, a chamada “destemperança”, ou a falta de equilíbrio: financeiro, de saúde, de trabalho ou qualquer aspecto da vida cotidiana.
Uma das quatro obras da Ética de Aristóteles, contestada como verdadeira por alguns acadêmicos, é Dos Vícios e das Virtudes, a mais curta, válida ou não, a obra deve ser lida, nela Aristóteles estabelece que não há virtude inatas, são adquiridas pela repetição de atos, gerando o costume, não se deve desviar-se nem pela falta, nem pelo excesso, pois a virtude consiste na justa medida, longe dos dois extremos, é assim, temperança.
Ao falar de vícios e virtudes na Ética a Nicómaco esclarece Aristóteles: “E cada uma delas, de certo modo, opõe-se às outras duas, pois as disposições extremas são contrárias tanto ao meio-termo quanto entre si, e o meio-termo é contrário às disposições extremas; do mesmo modo que o médio é maior em relação ao menor e menor em relação ao maior, também os estados medianos são excessivos em relação às deficiências e deficientes quando comparados com os excessos, seja nas paixões, seja nas ações“, ao pensar a virtude como meio Aristóteles, ele a pensa como temperança, ou equilíbrio.
As virtudes porém são mais que isto, em termos atuais a desespiritualização corresponde ao desejo de responder ao espiritual apelando apenas a questão material, quando na verdade é no espiritual que existe este conforto, a tentação quando o diabo diz a Jesus para transformar a pedra em pão e assim não passaria forme, Jesus responde: “A escritura diz: não só de pão vive o homem”, assim pode-se estar numa mística ou numa ascese (um exercício), mas sem espiritualidade.
Estas passagens encontram-se nos evangelhos sinóticos (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12,13 e Lucas 4:1-13), aqui é fixado em Lucas 4:1-13 por considerá-lo o mais “cristocêntrico”.
O segundo maior vício é sem dúvida o poder, dele saem ditadores, corruptos e tantos abusos que se vê nos dias atuais num conceito “estatocêntrico” (o Estado se basta), as estruturas de poder podem ser também religiosas, ideológicas ou culturais, ao dizer que daria todo poder a Jesus se adorasse o mal, Jesus responde: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”, na pintura de Botticelli de 1481-82 que está no teto da capela Cistina há um quadro deste episódio (figura acima)
Por último a tentação por excelência espiritual, ao adquirir determinada espiritualidade ou religião julgar-se superior as demais pessoas da humanidade, o diabo diz a Jesus para atirar-se no precipício que os anjos o salvarão, Jesus responde: “não tentarás o Senhor teu Deus”, é a batalha final pois é na verdade o que o Diabo tenta fazer com Jesus que é Deus, estava a tentá-lo.
Pode ser resumido entre três vícios da espiritualidade: esquecer do aspecto espiritual e fixar-se só no material (ele é importante), adorar a estruturas de poder que não são senão estruturas e por último julgar-se superior por ter algum tipo de espiritualidade, vício de muita gente “religiosa”.
O vídeo a seguir, o MOOC (Curso Massivo Online) da profa. Dra. Eliana Costa, que mostra como a Cibercultura pode auxiliar no processo de mudança cultural em nosso tempo:

 

O que caracterizam as mudanças hoje

07 Mar

Para mudar as estruturas sociais foi necessário durante muito tempo mobilizar estruturas formais capazes de reagir a estruturas de poder que oprimiam de diversas formas o sentimento de mudança, o sentimento e a emoção sempre estiveram presentes, dizer que são emocionais agora é um equívoco, é devido a velha separação idealista entre a motivação objetiva e subjetiva.
O virtual é real estão próximos, não apenas pelo fato da velocidade, da intensidade e da quantidade de dispositivos capazes de ligar as pessoas quase permanentemente independente das distâncias.
O virtual depende da atualização, e por isto é oposto ao atual e não ao real, mesmo no espaço do imaginário, onde se compõe as cosmologias culturais, o virtual está próximo de um real cultural.
O que muda agora é que é possível por meio do uso da comunicação estabelecer vínculos reais (não são só virtuais) entre pessoas e mobilizá-las para uma reação a estruturas de dominação, e os que ignoram que as informações estão disponíveis em rede e pode ser hackeadas, a última é o Football Leaks que sacudiu o mundo do futebol, pelas denuncias do português Rui Pinto.
Conforme explica Manuel Castells, os movimentos sociais sempre tiveram na origem os sentimentos de injustiça e indignação compartilhados, o que muda atualmente é que estas tecnologias em rede permitem um sujeito coletivo, mas é claro que isto pode ser negativo.
Explica Castells que isto não é uma utopia, mas o que está acontecendo, e que a tecnologia não é determinante, mas é influente, conforme diz McLuhan ao mudarem os meios e mudando a comunicação, mudam as relações sociais.
As estruturas do velho estado liberal, os grupos de polarização religiosa, ideológica se enfraquecem e vem a tona uma sociedade muito mais real do que aquela cujo estado determinava, pois aparecem seus vícios e suas virtudes, os veículos de comunicação eram todos controlados por grupos editoriais e as velhas oligarquias os dominavam e as mantinham sob seu poder.
Castells explica isto em um vídeo de 2013: