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Fake news com dias contados

12 Fev

Noticias falsas, e também maliciosas ou tendenciosas são antigas, já citamos as denúncias que fazia Karl Kraus nos 20, também noticias de que a atriz Rita Hayworth (nome artístico de Margarita Carmen Cansino, famosa nos anos 50 e 60), que teria vivido mais dois anos, ou a propaganda enganosa que a Nike estaria dando camisas da seleção brasileira.
Agora há um software desenvolvido pela empresa de pesquisa Fraunhoffer-Gesellschaft, na Alemanha que desenvolveu um sistema que analisa automaticamente post das midias sociais e filtra falsas notícias e desinformação, podemos prever um futuro promissor.
É bom ressaltar que isto foi graças as novas tecnologias, a ferramenta faz um aprendizado por máquina (machine learning) que filtra as notícias e através de aprendizagem (no sentido de algoritmos por maquina) analisa conte+udos e metadados, verificando a interação do usuário e otimiza resultados em tempo real.
A ferramenta verifica ainda a quantidade de dados (processos de viralização), com gráficos de dados de envio, frequência e redes de seguidores.
Ulrich Schade, conforme o site da Fraunhofer, afirmou: “Nosso software pode ser personalizado e treinado para atender às necessidades de qualquer cliente. Nosso software pode ser personalizado e treinado para atender às necessidades de qualquer cliente. Para órgãos públicos, pode ser um sistema de alerta precoce útil”. 
Os metadados são usados como marcadores, e permitem assim uma marcação do posto com fake, ou seja, ele desempenha um papel crucial na diferenciação entre fontes autênticas de informação e notícias falsas.
Assim se um site com uma certa frequência de postagens é feita, qual e com que frequência um tweet é agendado e a que horas? O tempo de um post pode ser muito revelador, assim como a frequência do tweet e os seguidores.
Deve-se revelar também o país e o fuso horário do originador das notícias para sua correta identificação e localização, por isso as horas são essenciais.
Uma alta frequência de envio sugere bots, o que aumenta a probabilidade de uma notícia falsa, pode ser facilmente detectada e pode sinalizar um fake.
Os bots sociais em geral enviam seus links para um grande número de usuários, e isto é um exemplo, de como espalhar a incerteza entre o público, portanto nunca repasse.
As conexões e os seguidores da conta também podem ser um terreno fértil para os analistas, embora pessoas bem-intencionadas usem isto, a chance de ser um fake é grande, e agora uma ferramenta pode detectar isto, os dias do fake estão contado

 

Ganhadores do Globo de Ouro 2019

07 Jan

Foi surpresa, mas nem tanto, já havíamos apontado Bohemian Rhapsody, que conta a história de Fred Mercury e da banda Queen, como possível ganhador, e parte da surpresa fica para o outro grande ganhador “Green Book: O guia”, com maior número de premiações três: Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor roteiro para filme e Melhor ator coadjuvante em filmes, para o ator Mahershala Ali.

O Bohemian Rhapsody deu melhor ator para Rami Malek, e melhor filme drama, mas o filme “Roma” também teve destaque como melhor filme em língua estrangeira e Alfonso Cuarón como diretor que parece seguir uma nova escola de bons diretores mexicanos, Guillermo del Toro (A forma da água, lembram?) e Alejandro González Iñárritu (dirigiu Birdman e O Regresso).

Dissemos em post anterior que o esquecido “O primeiro homem” sobre o primeiro homem a pisar na Lua Neil Amstrong, deu melhor trilha sonora a Justin Hurwitz.

Mary Poppins ficou sem nada, mas a milionário bilheteria do filme deverá fazer a Academia dar alguma estatueta ao filme, podem esperar.

Melhor animação esperado para “Ralph wifi” foi para “Homem-aranha no aranhaverso”, preciso ver e tentar entender este prêmio, com certeza tem algo não visível numa primeira vista, está passando nos cinemas aqui do Brasil então vou ver.

Agora melhor ator para Richard Madden em “Bodyguard” filme série, só pela não concorrência de John David Washingotn de “Infiltrado na Klan” que concorreu na categoria melhor ator de drama, e Lin-Manuel Miranda, ator em “O Retorno de Mary Poppins”.

Duas injustiças, o fato que “Infiltrado na Klan” ficou sem prêmio algum, deverá ser lembrado no Oscar e melhor atriz Olivia Colman em “A favorita” talvez uma influência de estar muito premiado na Europa, como no Festival de Veneza onde o filme roubou a cena.

Não comento as séries, por falta de tempo e oportunidade de assisti-las, mas a série  “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” que deu melhor ator para Darren Kiss (participações em Harry Porter) parece abrir uma tendência para filmes mórbidos sobre violência do premiado do ano passado “Três cartazes a beira da estrada”, pessoalmente não gosto.

 

 

Obediência ou desobediência?

28 Dez

Um quadro confuso se iniciará em 2019, claro sempre devemos acreditar e ter esperança no melhor, mas as razões para desconfiar são muitas: desrespeito as diferenças, ausência de um diálogo claro e propositivo, terminamos o ano com a teimosia de construir um muro nos EUA e os coletes amarelos na França (são oposição mesmo?).
Porém a arrogância e o ressentimento não devem conduzir caminhos que se propõe a um futuro mais igualitário, mais solidário, respeitando a diversidade e as culturas diferentes.
Devemos ir além do Sim e do Não, imaginar Geringonças como a portuguesa, quem sabe uma Gambiarra brasileira de oposição séria, que apoie aquilo que é bom e rejeite o negativo, isto inclui discutir a sério a crise econômica brasileira, começar mesmo que o ambiente seja pouco favorável uma reforma política e a moralização do serviço público incluindo o judiciário.
Nem sempre obedecer e aceitar o que é imposto é o melhor, discordar e até denunciar quando for o caso, mas fazê-lo sempre desmoraliza o próprio conceito e validade das denúncias.
O apelo bíblico cresce, até a agora deputada Gleisi apelou ao texto sagrado, então lembro a passagem em que Jesus fica no templo para dialogar com os “doutores da lei”, e os pais ao não encontrá-lo na caravana voltam ao templo e indagam Jesus Lc 2,48: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”.
Receberam uma resposta pouco obediente Lc 2,49: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”, mas mais a frente na leitura o texto sagrado diz Lc 2,51: “Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente”.
Ou seja, curiosamente apesar de uma contestação em pontos essenciais, o Mestre era obediente aos pais, e diz o texto que “crescia em sabedoria, estatura e graça”.
Assim é preciso sabedoria e muito discernimento para discordar, ser oposição apenas por o ser acabará em descrédito e dando mais argumentos ao autoritarismo, é preciso cautela.

 

Aporia e esperança

06 Dez

O que podemos ter além da aporia, uma paralisação diante do impensável, retorno aos extremismos ?

Já postamos aqui sobe a phronesis, a sabedoria prática, que junto a techné e a práxis forma uma forma mais elaborada de entender a relação dualista e idealista de teoria e prática, mas foi Martha Nussbaum que colocou isto em novos patamares, apesar de desconfiança da crítica.

Martha Nussbaum foi a primeira ao desfilar em seu livro The Monarchy of Fear (A Monarquia do medo, poderá haver outras traduções pois o livro é de 2018), a obra que era uma visão clara do medo nos EUA, é agora também aplicada ao Brasil e ao crescimento dos fundamentalismos no mundo de hoje.

O nome pode parecer estranho, mas vai na linha de Rousseau o democrata “contratualista” mais lúcido e menos autoritário, onde a autora argumenta que numa monarquia a criança nasceu para “escravizar” as pessoas, mas ela evolui e vira um ser humano maduro quando consegue ver seus pais como uma extensão de si mesmo e passa a respeitá-los e a retribuir a vida que recebeu.

Partindo da teoria política, psicanálise, estudos psicológicos e clássicos, a filósofa argumenta que algumas emoções estão sabotando a democracia: o medo, a repulsa e a inveja, se antes não a levaram a sério, agora é hora de levar ao menos em conta.

Ela se contrapõe a esta teoria a escolha da esperança como um hábito prático, que significa colocarmos em contato com aquilo que a priori repelimos: a religião, as artes, a educação e o que parece mais fundamental: o estudo em detalhe das teorias da Justiça.

É um dos caminhos da transdisciplinaridade, mas antes devemos considerar o que está além do senso comum, pois também nestas áreas um certo nível de aprofundamento é necessário, além do autoritário e liberal, do justo e injusto social, da arte e das belas artes, há algo além e não é nem inter nem multi, mas trans, ou seja, além e nisto há algo de metafísico.

A esperança prática é também uma boa receita porque além de colocar algum luz no quadro atual de crise do pensamento, da cultura e até da religião, coloca-nos em movimento não na vida activa, mas em atividades que podem ser inseridas no dia a dia e alteram a vida e os resultados (incorporam assim phronesis e techné, embora a autora não a chame assim), ela trás para a conversa o tema das emoções, diz sobre si mesma: “não se tinha aprofundado o bastante”, disse em entrevista a Fronteiras do Pensamento.

Martha Nussbaum além de ser reconhecida estudiosa da cultura clássica, recebeu em 2016 o prêmio Kyoto, o equivalente japonês ao Nobel, que receberam também Karl Popper e Jürgen Habermas.

Não li o livro só esta entrevista e comentários em jornais, mas estou compondo minha lista de leitura para 2019, ele está nesta lista e que o espírito de paz e de fraternidade nos traga esperança.

 

Crise civilizatória e tecnologia

23 Ago

Não são raros os discursos de apelo ao estado forte, a líderes messiânicos e técnicas políticas já ultrapassadas, porque existem as Mídias de redes sociais na qual rapidamente um discurso pode ser dissecado, ainda que estas próprias Mídias possam ser causa de outras verdades que não aquelas que os poderes centrais desejam, chegando ao fake e ao ódio político.

Os manuais antigos de gerência politica estão sendo reabertos pelos donos do poder, de Locke, Hobbes até Maquiavel, não faltam discursos de apelo ao “soberano” prudente e habilidoso, mas a pergunta importante é: onde estão eles, ou melhor quem são eles ?

Estas receitas estão tendo eficácia, a direita ou à esquerda, justamente pelo uso ou mal uso de mecanismos de Mídias sociais, novamente como modelo de “controle das massas”, o que foi feito com Trump e tentativas na França, mas o que chama a atenção é o discurso do ódio.

Também neste campo não faltam discursos dizendo que foram as redes que potencializaram isto, porém elas não existiam no tempo de Hitler, Mussolini e nas versões da Americana Latina: Perón, Getúlio Vargas e outros, alguém poderá dizer o rádio potencializou isto, talvez, mas o essencial foi o apelo ao nacionalismo e racismo que inflamou as massas, e ele está de novo ai.

Ao desprezar, ou utilizar mal as novas mídias fazendo o mesmo discurso que estes grupos de correntes de odio e de apelos emocionais fazem, não estamos fazendo outra coisa senão dar crédito a uma visão de ódio, de intolerância e de xenofobia presente também nas Mídias convencionais: radio, TV e cinema estão ai potencializando a violência verbal e material.

A reversão disto depende de discursos que desnudem a verdade, entramos no campo que exploramos de que são tempo de encobrimento da verdade, conforme afirma Sloterdijk, e colocar luz, ir para a clareira significa desmontar a cultura esta cultura de encobrimentos.

Há corrupção, sexismo e psicologismo em abundância, discordar disto não é “politicamente correto”, não falo aqui de intolerância é obvio, que também desvelamos ao falar esta semana de Locke, Voltaire e agora também Maquiavel, cujo discurso afirma que o mesmo não pode ser:  “volúvel,  superficial,  efeminado, pusilânime, indeciso” (MAQUIAVEL, 1996, p.109).

Há conselho n´O Princípe como fugir do ódio, manter-se firme nas adversidades, etc. o que o torna bom para leitura, mas a comunicação e as Mídias evoluíram, é preciso no mínimo atualizá-lo.

 

Monetarização do Whatsapp

02 Ago

Segundo informações do Facebook dona do Whatsapp desde 2014, o chat mais popular do mundo vai se monetarizar e vender anúncios, havendo coisas curiosas a respeito, como comprar anúncios dentro do Facebook e eles circularem no WhatsApp.

Para comprar anúncios dentro do próprio Facebook será colocado um botão embutido dn WhatsApp embutido, quando os usuários clicarem nesse elemento, eles imediatamente iniciarão uma conversa pelo mensageiro da empresa que faz o anúncio, não se sabe se haverá inteligência detectando a conversa, por exemplo, estar falando de viagens e ao mesmo tempo surgirem ofertas de voo, no Facebook isto já acontece. 

Curiosamente, se a pessoa for respondida em até 24 horas, não haverá nenhuma cobrança para o negócio feito ao conversar com os usuários do WhatsApp, caso supere as 24 horas serão cobradas as respostas e os diálogos  das “mensagens vencidas”.

Um novo recurso que poderá explorar bastante os usuários terá a possibilidade de receber informações de empresas diretamente no WhatsApp.

O exemplo novamente é o de uma empresa área, que poderá lhe enviar cartões de embarque algumas horas antes do seu voo, e a Netflix já envia avisos sobre novas temporadas e episódios das séries que você tem assistido no serviço de streaming.

A rigor o WhatsApp Business existe desde janeiro deste ano, mas não gerou um centavo para a empresa, a empresa lançou nesta quarta-feira uma API do serviço

Resta saber qual será a reação dos usuários, uma vez que isto colocará um “ruído” em conversas que deveriam ser privativas, e o uso de informações pessoais é um tanto questionável. 

 

A saída educacional

18 Abr

Apesar de grandes melhorias nos últimos anos, o progresso em direção à educação para todos estagnou a nível mundial, poucas iniciativas existem no sentido de darem saltos mais altos, Educação Aberta para Todos em Cursos Massivos Online pode ser a solução?

No total, 263 milhões de crianças, adolescentes e jovens tão fora da escola para o ano letivo que terminou em 2016, as estatísticas para 2017 não foram nada otimistas.

Isto significa que um progresso mais equitativo se tornará cada vez mais difícil se enormes barreiras são construídas já na educação juvenil estará fadada a recursos emergências e não a uma melhoria equitativa e sustentável da distribuição de bens em todo o planeta.

O porquê deste processo não ser equitativo tem algumas evidências: as crianças enfrentam as barreiras mais severas quanto à educação terão menores chances de desenvolvimento profissional e pessoal, isto se torna dramático quando elas estão associadas a gênero, pobreza, deslocamento, nomadismo, deficiência e / ou etnia, e ainda quando são deixadas para trás em deslocamentos devido às guerras.

Há um número desproporcional de crianças fora da escola vivendo em países caracterizados por instabilidade e conflito e/ou pobreza extrema, pouco se fala da África, mas a cada dia há um novo conflito.

Muitos dos países com maior número de crianças fora da escola não tem ajuda ou financiamento externo adequado para atender às suas necessidades, e as ONGs e ações de alguns países são localizadas e deficitárias.

 

Ricardo Pereira e José Simão ?

03 Abr

Lendo Ricardo Araújo Pereira, apesar do nome comum que em Portugal é quase sempre comum, descobri que ele é o José Simão daqui, mas raramente apela, há apenas um “post”, já expliquei que o que ele escreve poderia ser um blog, mas não ganharia dinheiro, apenas um fala da palavra “f.” mas logo em seguida esclarece ironicamente: “ estamos perante alguém que deseja dizer um palavrão e não consegue – o que prova que é preciso ter formação para ser malformado”, depois fazendo galhofa culpa o Ministério da Educação e o corretor.

Mas no restante do livro apela pouco, apesar do livro todo ser uma crítica as rabugices dos novos puritanos e agelastas, subtítulo do livro , aproveito para explicar que agelastas, é aquele tipo sério que nunca ri.

Lembrei-me do título e do Ministério da Educação ao viajar com uma professora muito culta, aposentada a 20 anos e professora de Português e Francês, nossa igual ao Brasil era chic ensinar francês aqui, quando perguntei do uso de dois cês (eles continuam usando), ela logo desconversou e se disse preocupada com a educação e pessoas que leem cada vez menos.

Ricardo Pereira, em todo o livro vai citando autores de Shakespeare a Lewis Carrol (o seu texto Contra a mariquice política, onde fala do livro Sylvie e Bruno onde a multidão gritava: menos pão mais impostos), passando por Cervantes, George Minois que escreveu a “história do riso e do escárnio”, onde diz Ricardo está escrito: “O riso é um assunto sério demais para ser deixada só para os cômicos”.

Mas fiquei pensando quase no fim deste livro é preciso sim um pouco de riso, mas talvez não o escárnio, talvez este seja o mal da comicidade brasileira, muito escárnio, humor sem graça, muita apelação, e o que é pior só podemos rir de determinado partido, o politicamente correto, ai que saudade da Dilma, ela sim tinha frases “celebres”.

Melhores que a Trump citado por Ricardo Pereira, que ao ser encontrado um drone americano no mar da China escreveu no twitter que era uma“fato sem presidente”, para depois corrigir para “sem precedente”, mas não vou deixar de citar José Simão que esclareceu que a grande diferença entre o Presidente da Coréia do Norte e o Trump é “quem tem o topete mais belo”.

Não é alienação rir um pouco relaxa o ambiente tenso não apenas nacional mas mundial, ri aos montes com um colega de Portugal ao dizer que tenho problemas coma “paternidade” deles.

Mas ler é importante, cito aqui outro trecho do Ricardo Pereira em que ironiza Angola onde cidadãos foram presos por lerem livros em inglês, soube  que há este tipo de reação também nos Camarões e na Costa do Marfim.

Esclarece num dos textos que o que escreve tem a intenção de fazer os leitores lerem, embora em nota de rodapé diz que isto possa ser uma ironia, é uma espécie de “mise en abyme” que em nota de rodapé diz que pode ser encontrado no Wikipedia, claro outra ironia mas está lá sim, usado por André Gide para dizer de narrativas que podem ter outras dentro delas, ao pé da letra “narrativa em abismo”.

Talvez um pouco de piada faça isto e permita ao leitor fazer outras leituras fora do “dogma”.

 

The Oscar goes to …

03 Mar

Os Estados Unidos da América, sem dúvida, mas esperamos que as indicações de The post,aFORMAEdaÁGUA o filme que revelou os bastidores do jornal The Washington Post, em 1971, sobre a guerra do Vietnã, com as indicações, entre elas, da já laureada Meryl Streep, o discurso mais caloroso do Globo de Ouro deste ano, que ficou famoso pelos vestidos e trajes de negro, talvez a alusão ao Globo de Ouro branco de anos atrás, mas que na verdade foi mais pela questão da mulher que dos negros.
Já comentei a decepção de 13 indicações para a “A Forma da Água” (foto), mas a boa surpresa da atriz Mary J. Blige com duas indicações melhor atriz coadjuvante e melhor canção original em “Mudbound”.
Blade Runner 2049 só prêmios de consolação, se saírem: arte, fotografia, efeitos especiais e edição e mixagem de som, eu esperava mais, mas vi que mesmo o público não acolhe o que é para mim, e muitos estudiosos da ficção moderna, a matriz dos filmes de ficção atuais.
Surpreendentes, fui assistir e não penso que seja tudo isto, “Dunkirk”, do britânico Christopher Nolan (oito indicações), e a produção independente “Três Anúncios para um Crime” (com sete), e  “O Destino de uma Nação”, filme politico centrado na figura de Winston Churchill, com seis indicações, mesmo número do drama “Trama Fantasma”, também não são isto tudo.
Para nós brasileiros duas consolações, a presença do diretor Carlos Saldanha de “O touro Ferdinando” indicação de melhor animação e o produtor Rodrigo Teixeira está envolvido na co-produção: Brasil-Itália-França na indicação do filme: Me Chame Pelo Seu Nome  .
Ah quase me esqueci, fui assistir e gostei do filme: O rei do Show surpreendeu e emocionou.
Parafraseando Bauman, espero que o Oscar não seja líquido, a premiação acontece na madrugada do domingo.

 

Os bas-fonds e o Carnaval

13 Fev

Caminhando pelas ruas centrais de minha cidade natal, Bauru de São Paulo, passo por uma moçaaoCarnavalMedieval já com um feijão e corpo de uma senhora, com uma sandália com amarras e peças de couro prateadas, vestindo um short que mal se fecha na grossa cintura, uma camiseta escura com a torre Eiffel e a palavra Paris estampados em dourado, lembrei-me do livro de Dominique Kalifa: Os Bas- Fonds: História de um imaginário (edUsp, 2017).
O livro comprei por engano no final de ano achando tratar-se da origem das Boas-Festas, os tradicionais cumprimentos de final de ano, mas ao abrir o livro entendi tratar-se das “cidades em crise”, o sujo, o seboso e o disforme, o Reino dos Indigentes, Sodoma, Roma e Babilônia, enfim alguns dos capítulos do livro de Dominique Kalifa.
De fato o centro das cidades tornaram-se periferias, ao menos nas cidades médias, e os centros foram para os shoppings em alguns condomínio fechados para dentro dos condomínios, onde há clubes, bares, lojas e até mesmo capelas, privatizando o footing.
Diz o autor, “os bas-fonds … se compreende instantaneamente” (Dominique, 2017, p. 11), talvez no francês, no português demorei para ligar a periferia (que hoje frequente o comércio central) e as fantasias do Carnaval (ao menos o brasileiro, feito por gente da periferia).
Encontro já no início do livro a ligação com o carnaval: “os bas-fonds se estendem por um terreno móvel, vago, em que a realidade, a pior das realidades, está em conluio com o imaginário, um terreno em que o ´social´ é constantemente redefinido pelo ´moral´, em que os seres de carne e osso se misturam com personagens de ficção.” (idem, p. 11).]
Esclarece que da figura ´positiva´ do filósofo grego Diógenes “o pobre de Deus, o “pobre do Cristo”, “o pobre com Pedro” da idade Média, surge no séc. XIII “na França e na Inglaterra, os termos de vagond e de vagrant” (pag. 69), que o autor chama da “invenção do mau pobre”.
Percorrendo a história, Dominique vai citar inúmeros autores: “a comparação dos proletários ameaçadores aos índios da América constitui um motivo recorrente, que explica, em parte, o imenso sucesso [na época] dos romances de Fenimore Cooper.” (pag. 109), cita ainda: Balzac, Sainte-Beuve, Dumas, George Sand, Maxime du Camp, Eugène Sue, Bérange e outros citados em páginas anteriores, se apaixonam pelo “Walter Scott dos selvagens” (de Henri Couvain).
Só para dizer o quanto é universal, lembro também “Bola de Sebo” conto de Guy de Maupasanti, e o filme Rale (Donzoko, 1957) cuja tradução para o francês foi Bas-fonds, filme pouco conhecido do diretor japonês Akira Kurosawa, sem falar do épico “Les miserables”.
A origem do carnaval entretanto é mais controversa, o Carnaval de Veneza ou talvez a festa dos loucos, descrita em 1445  como “festa dos loucos” feita na faculdade de Teologia de Paris (gravura moderna acima).
A transformação da alegria do imaginário de pobres, tornou-se quase todos lugares, uma festa privativa em que se assiste o desfile do imaginário dos bas-fonds. .
Kalifa, Dominique. Os bas-fonds: História de um imaginário, trad. Márcia Aguiar, São Paulo: Edusp, 2017.