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Arquivo para a ‘Política’ Categoria

Pós-modernidade e confiança

07 Ago

O livro de Anthony Giddens que se refere Às consequências Modernidade analisepós-modernismoPt que o  “estilo, costume de vida ou organização social que emergiram na Europa a partir do século XVII e que ulteriormente se tornaram mais ou menos mundiais em sua influencia” (Giddens, 1991, p. 17-20) aprofunda o tema sobre a (in)existência de uma  “pós-modernidade” que não tem a menor importância, pois é apenas uma questão terminológica, já que sabemos que a modernidade passou, e que hoje não basta inventar novos termos para a compreensão dos fenômenos sociais, mas dizer o que de fato é a própria natureza da Modernidade.

Entre os diversos tópicos abordados ali um é assunto recorrente em minhas leituras, que é o o ritmo da mudança da era da Modernidade e o escopo da mudança, pois já algumas das transformações sociais penetram virtualmente no mundo todo e com isto a natureza intrínseca das grandes instituições modernas, sem nenhuma correspondência em períodos históricos anteriores, já acontecem como por exemplo “o sistema político do Estado-nação, a dependência por atacado da produção de fontes de energia inanimadas, ou a completa transformação em mercadoria de produtos e trabalho assalariado”, uma vez que idealistas como Hegel pretenderam que estas instituições fossem “eternas”.

Um segundo relevante é a relação com o conhecimento, para ele “o conhecimento sociológico espirala dentro e fora do universo da vida social, reconstituindo tanto este universo, como a si mesmo como uma parte integral deste processo” (Giddens, 1991, p. 24) como quer o cientificismo moderno, mas parece também estar em cheque.

O terceiro tema particularmente importante, é o tema da confiança, já tratado em autores como Nicklas Luhmann e Talcot Parsons , afirma Giddens citando a definição de confiança feita pelo Oxford English Dictionary, que esta seria compreendida como “crença ou crédito em alguma qualidade ou atributo de uma pessoa ou coisa, ou a verdade de uma afirmação” (GIDDENS, 1991, p. 38).

Giddens adverte a mudança deste tema para o de sistemas, como no caso de Luhmann, onde:

“Um dos significados disto, numa situação em que muitos aspectos da Modernidade tornaram-se globalizados, é que ninguém pode optar por sair completamente dos sistemas abstratos envolvidos nas instituições modernas. Este é mais obviamente o caso de fenômenos tais como o risco de guerra nuclear ou de catástrofe ecológica.” (GIDDENS, 1991, P. 88).

Tanto a ideia crença como a de crédito , para o autor, estão vinculadas de algum modo à ideia de fé.

O próprio Giddens esclarece que Luhmann distingue fé e confiança, ressaltando que esta deve ser compreendida especialmente em relação ao risco, um termo originado a partir da época moderna.

Sem concluir o que entende-se por confiança ainda, pós-modernidade refere-se, na visão de Giddens ao processo em que: “todos os fundamentos preexistentes da epistemologia se revelam sem credibilidade; que a história é destituída de teleologia e consequentemente nenhuma versão de progresso pode ser plausivelmente defendida; e que uma nova agenda social e política surgiu … “ (GIDDENS, 1991, P. 36)

GIDDENS, Anthony. As conseqüências da Modernidade. Tradução de Raul Fiker. São Paulo: Unesp, 1991.

 

Aspectos da fenomenologia

02 Ago

Tanto as ciências chamadas “puras” como outras ciências experimentais,consciencia-intencionalidade partem dos dados empíricos ou hipóteses “práticas” para daí desenvolver seus postulados, Husserl advertia que  a instabilidade dos dados empíricos assim como boa parte dos postulados teóricos não fornecem o rigor necessário no que concerne à investigação filosófica.

Nos aspectos essenciais a ciência positivista ou estringe seu campo de análise ao experimental, ou considera como “fenômeno” regiões que estão veladas por algum rigor metodológico limitando uma análise geral mais compreensiva e não explicativa de determinados fenômenos.

O que Husserl entendia por “análise compreensiva” é aquela que se referência a consciência e esta por sua vez está fundada em vivências (Erlebnis) do mundo se dão na e pela consciência, de onde vez seu postulado “toda consciência é consciência de algo”.

É nesta perspectiva que Husserl toma de seu mestre Franz Brentano sua categoria mais essencial a intencionalidade, assim a intenção é uma característica geral desta consciência.

Eis o primeiro ponto na análise do fenômeno, então diferente do cogito cartesiano que ganha um significado novo a partir da intencionalidade (a consciência de algo) que ao contrário de ser “clara e distinta” como queria Descartes, é dirigida (tem intenção) de algo.

Além da intencionalidade Husserl considera a intuição e a evidência apodítica, sendo a intenção de um objeto (o exemplo é um livro sobre a mesa), havendo o “conteúdo significativo” (Bedeutungsintention) de algo, então “significamos intencionalmente” (meinen) algum objeto, sem considerar ainda a sua presença,

A intuição é então o preenchimento duma intenção, então pode considerar a “evidência” é a consciência da intenção, portanto é intuitiva, mas na medida que existe uma “consciência do fenômeno”, e neste sentido é apodítica, ou seja, é evidente por si, não há necessidade de provas.

Um último aspecto é o hylé, a “matéria subjetiva” que compõe uma percepção qualquer, embora hajam os “dados hiléticos” que seriam “dados constituídos pelos conteúdos sensíveis, que compreendem, além das sensações denominadas externas, também os sentimentos, impulsos, etc.” (dicionário ABBAGNANO, 2000, p. 499) . não são apenas a “matéria” sobre a qual a consciência se dá, e não são empíricos.

Aparece então o epoché husserliano, que é o colocar em parêntesis, exploraremos depois.

 

O que falta  na 4ª. Revolução industrial

31 Jul

Li o livro do criador do Fórum Mundial de Economia, Klaus Schwab, é impressionante o cenário que descreve, passando pelo mundo digital chama o sistema de contabilidade de dinheiro digital, o blockc4thRevolutionhain, de “livro-caixa distribuído” (mal traduzido como  livro-razão), afirmando que “cria confiança, permitindo que pessoas que não conheçam (e, portanto, não têm nenhuma base subjacente de confiança), colaborem sem ter de passar por uma autoridade central neutra – ou seja, um depositário ou livro contábil central.” (Schwab, 2016, p. 27), indo da categoria física ao mundo biológico, mas talvez falte algo: uma “alma” para isto tudo.

Os céticos e fundamentalistas vão continuar a bradar: injusto! poder da tecnociência ! uma autêntica desumanização ! sim pode ser, mas simplesmente protestar ou torcer o nariz não vai fazer o avanço rápido e vertiginoso da tecnologia recuar, nem mesmo o apelo ecológico, mais tecnologia é muitas vezes mais ecologia, vejam os LEDs, a energia solar e o controle agora possível por dispositivos sensores em plantas, florestas e até mesmo micro-organismos.

Talvez um problema que mereça questionamento sério é a desigualdade, mas Schwab não fugiu do assunto, ao explicar nas páginas 94 e 95 a emergência de” ecossistemas orientados para a inovação, oferecendo novas ideias, modelos de negócios, produtos e ser viços, e não aquelas pessoas que podem apenas oferecer trabalho menos qualificados ou capital comum” (Schwab, 2016, p. 94), e conclui “o mundo atual é muito desigual” (p. 95).

O fenômeno da desigualdade é sem dúvida o mais preocupante, mesmo em países que pode- se pensar menos desiguais, o índice Gini por exemplo na China, aponta o autor, subiu de 30 na década de 1980 para 45 em 2010.

Aponta mais ainda que os níveis de desigualdade: “aumentam a segregação e reduzem os resultados educacionais de crianças e jovens adultos.” (idem, p. 95), isto mudou por exemplo o padrão da chamada “classe média”, que nos EUA e Reino Unido tem o preço de “um bem de luxo”, afirma o autor.

Ao contrário do que se possa pensar, o Global Risks Report do Fórum Mundial de 2016, fala de “des-empoderamento” do cidadão, embora haja campanhas como “get-out-the-vote” (sai para votar), já que em muitos países o voto não é obrigatório, mas os conteúdos que nós consumimos online são miseráveis, carecem de verdade e de fatos, e eles influenciam.

Não falta ao autor os conceitos de identidade, moralidade e ética, expressos no capítulo da página 100, fala da OpenAI, iniciativa presidida por Sam Altman, presidente da Y Cominator e Elon Musk e CEO da revolucionária Tesla Motors, que acredita que a melhor maneira de desenvolver a AI é torna-la gratuita para todos e fazer que ela seja emponderada  para melhorar os seres humanos, mas seu programa é abstrato e pouco realístico, ainda que o apresente no quadro H o limite ético.

È preciso descobrir nas fissuras do avanço tecnológico aspectos de desenvolvimento da sensibilidade humana, do apreço pelo Outro, onde ambientes colaborativos e de coworking favorecem isto, mas o que se ouve é ainda uma gritaria fundamentalista contra a tecnologia.

 

Os diferendos e os conflitos

27 Jul

Note-se que Lyotard não fala da famosa: “Vive la difference”, provavelmente deLesDifferend origem francesa mesmo pois muitos a dizer no francês, mas diferindo, definido assim:

“Diferentemente de um litígio, um diferindo seria um caso de conflito entre duas partes (no mínimo) que não poderia ser decidido de modo imparcial por não existir uma regra de juízo aplicável às duas argumentações.” (Lyotard, 1983, p. 9)

Ele propõe então que o primeiro diferendo (sim a palavra não existe em português, por isto a definição acima), este  deve se por à escuta mas no sentido do dano que uma frase sofre desde que é “encadeada” por outras frases, pois é ela que arranca desse modo à solidão e à contingência de seu ser livre, indeterminado e singular, algo como se era na infância.

O que Lyotard propõe é um diferindo ontológico, pois a frase apresenta seu ser contingente e indeterminado, se vê ao ser forçado a adaptar-se a regras de sua colocação e tornar-se desse modo um “ente”, neste caso a frase, e por isto penetra no que Heidegger chamou de Dasein.

Na doutrina de Lyotard é preciso se “laicizar” e se “des-antropomorfizar” a atitude filosófica de escuta, retirando-a do invólucro culto e reclamar o sentido a ser atribuído ao destinatário misterioso que é o Ser, ou seja, para que público a frase “fala” e com qual sentido.

Assim a “frase-questão” tem uma pergunta fundamental: O que acontece? Assim se o primeiro diferendo ontológico escuta, a “frase nascedoura” não deverá ser reapresentada e não deixa vítima, usando a linguagem de Lyotard a se a frase “bem educada”, o diferendo cicatriza.

Ele cria então algumas “quase-frases” que não são os sentimentos dissimulados, mas o sentido de uma “frase em instância”, no dizer do autor: “Uma sentimento, é como à espera de sua formulação.” (Lyotard, 1983, p. 59).

Apresenta assim três casos exemplares desta frases em instância, usando para isto a Roma antiga imperial: a realidade de um fato só ode ser verificada se uma “frase definicional” no exemplo: “É a capital do império” (pag. 68-72) se une a uma “frase ostensiva” (“É isto”) devido a uma ”frase nominativa” (“É Roma”) que as reúne em uma “frase Cognitiva” (“Roma é a capital do império”) (Lyotard, 1983, 68-72), dará outra exemplo também dos judeus na câmara de gás, não considero bom exemplo porque há um aspecto político do nazismo, proposital eu entendo, mas creio que não há “boas razões” para negar a realidade do holocausto.

As polêmicas de Lyotard têm muitos vieses, mas é indiscutível que a pós-modernidade já é.

Lyotard, J. Le différend, Paris: Minuit, 1983

 

Pós-modernidade e política

25 Jul

As ligações de Jean-François Lyotard (1924-1998) com a análise da PosModernitypós-modernidade é imediata, mas menos imediatas são as manifestações de 1968 nos EUA e Europa, o próprio Lyotard foi militante do grupo “Socialismo ou Barbárie” na França, e menos imediata ainda são as rupturas com o modelo idealista dos filósofos Nietzsche, Schopenhauer e Kierkgaard a mais de um século atrás.

Em 1979 Lyotard lançou o clássico livro: “A condição pós-moderna”, onde já propunha a crise política, chamando-a de sofista no sentido que reformula o problema da democracia da seguinte forma: a política do discurso a moda dos sofistas fundada na opinião democrática, e política de dimensão universalista de Kant, consagrada no modelo de Estado hegeliano e no contrato social.

O ponto de discórdia com Habermas é que Lyotard considera insatisfatória e frágil a articulação entre o que é de direto e de fato, a articulação que a torna por um lado abstrata demais e, por outro, factual demais, nem o consenso do contrato que é frágil, e nem aquilo que poderia se considerar a praticidade dos “fatos” com utopia ausente.

Digo assim por Lyotard: “O consenso tornou-se um valor ultrapassado, e suspeito. A justiça, porém não o é.  É preciso, pois, chegar a uma ideia e a uma pratica de justiça que não estejam ligadas à do consenso.” (Lyotard, 1979, p. 106)

Mas a crítica de Lyotard não para aí, funda-a num jogo de linguagem chamado de dupla analogia, entre o “prático-político” e outro “cognitivo” da ciência que seria “de fato”.

Assim a primeira parte funda-se em fazer uma crítica ao critério sistêmico de comunicação proposto por Luhmann, mas não deixa de fazer referências as teorias da relatividade  e quântica, os “sistemas abertos”, as teorias das catástrofes e do caos, entre outras.

A segunda parte da solução lyotardiana vem da legitimação de um caminho do direito, visando criticar os fundamentos metodológicos da teoria do consenso, vindas de Bachelard, Kuhn, Feyerabend e Serres, que são tentativas de revitalização do caminho “científico” de trabalhar os fatos tendo como consequência dois tipos de pragmatismos complementares.

Ainda que discorde da pragmática, aquilo que chama de “a legitimação pela paralogia” que é a participação de “comunidades sociais”, há o equívoco entre combinar a ciência e a política, há um aspecto positivo de fazer a crítica no qual o poder do Ocidente não pode se considerar superior ao jogo de linguagem narrativo, que encontramos nas culturas primitivas, uma vez que uma metanarrativa que foi emprestada desde Platão à filosofia (Lyotard, 1979, p. 51).

O universo do discurso pós-verdade é portanto uma paralogia, inventado pela razão cínica dos tempos atuais, não há senão aquilo que Lyotard chama em outro livro Le différend, os diferendos, que são os diferentes em uma lógica de conflito, com discursos feitos em diferentes lógicas.

Lyotard, J.F. Le Condition postmoderne. Paris: Minuit, 1979.

 

Um grande Iceberg se separa da Antártica

24 Jul

Um dos dez maiores se desprendeu da Antártida, o continente gelado do polo sul, a ponto Antarcticade fazer com que este continente modifique sua geografia perdendo uma das pontas, garantiu Adrian Luckman, professor da Universidade de Swansea e principal investigador do projeto Midas, que monitora esta plataforma desde 2014.

Segundo Luckman “O iceberg é um dos maiores registrados e seu progresso futuro é difícil de prever”, e acrescentou que esta ilha de gelo,  “poderá continuar reunido em um único pedaço, mas é mais provável que se separe em fragmentos. Parte do gelo pode continuar na área durante décadas e partes do iceberg podem flutuar para o Norte e entrar em águas mais quentes”.

O iceberg pesa mais de um trilhão de toneladas, e mede 5.800 quilômetros quadrados (área que é, por exemplo, quatro vezes maior que a cidade de São Paulo ou equivalente ao Distrito Federal), se soltou da plataforma de gelo Larsen C da Antártida, entre o dias 10 e 12 de julho de 2017, segundo os pesquisadores Universidades de Swansea e de Aberystwyth, no País de Gales, e do Instituto de Pesquisa Antártico Britânico (BAS, na sigla em inglês), o site do projeto Midas entretanto não afirma que seja devido ao aquecimento global, esta prova “científica” é um pouco mais complexa.

O evento, ainda que tenha ocorrido algo semelhante em 2013, torna mais inquestionável o aquecimento do planeta e as consequências que podem ser devastadoras ao longo dos anos se continuarmos em desequilíbrios climáticos, como os incêndios registrados na Europa e frio no sul da America Latina, como vivemos na semana passada.

É bom lembrar que o governo Trump rompeu unilateralmente os acordos sobre o clima, e apesar de toda pressão, em especial a Europeia, continua reticentes contra as evidências de que devemos tornar o planeta sustentável, e que podemos caminhar para uma enorme catástrofe climática com consequências na vida de todo o planeta

 

Nossa ética e moral  originárias

21 Jul

A ética contemporânea passou por transformações, porém sua origem está nojoio e trigo período clássico tanto de Platão como Aristóteles a desenvolveram, salientamos que é importante análise a República de Platão assim como a Política de Aristóteles considerando a ética do “ser”, ou seja, a ética ontológica e a partir dela a política como promotora da justiça.

Escreveu Aristóteles no livro V DE sua Ética a Nicômaco : “Com vistas a justiça e injustiça, devemos indagar quais são as espécies de ações com as quais elas se relacionam, que espécie de meio termo é a justiça, e entre que extremos o ato justo é o meio termo …. “ (Aristóteles, 2001, p. 9)

Aristóteles esclarece que justiça e injustiça podem ser termos ambíguos devido a proximidade dos termos, mas como “a ambiguidade não é notada, enquanto no caso de coisas muito diferentes designadas por uma expressão comum, a ambiguidade é comparativamente óbvia …” (Aristóteles, 2001, p. 91.

O fato que diversos autores tratam como ambivalência e pouco percebem que há também uma ambiguidade, significa que percebem o problema de valores enquanto não percebem a aplicação diferente dos mesmos, afirmou Aristóteles: “o termo ´injusto´ se aplica tanto as pessoas que infringem a lei quanto as pessoas ambiciosas (no sentido que quererem mais do que aquilo que têm direito) e iníquas, de tal forma que as cumpridoras da lei e as pessoas corretas serão justas. O justo, então, é aquilo que é conforme a lei e correto, o injusto é o ilegal e iníquo” (Aristóteles, 2001, p. 91-92) .

Assim em Aristóteles, diferentemente que para o homem moderno, o ilegal e iníquo, o ético e o moral se aproximam, então não há ambiguidade nem ambivalência sobre o que fazem.

Na Modernidade como o Ética é estabelecido por uma ética de Estado, o contrato estabelecido desde o Leviatã de Hobbes até o Contrato Social de Rousseau o que se estabeleceu foi uma forma social para o que é legal, confinando no privado e pessoal o que seria o iníquo, curiosamente e sabiamente a Bíblia Sagrada sempre irá se referir ao iníquo, aquele cujas atitudes pessoas não são ética nem morais.

A parábola do Joio e do Trigo, o joio é o que nasce no meio do trigo mas não produzem os grãos de trigo, e só se pode separar depois da colheita, assim é a iniquidade, são grãos individuais de injustiça e de falta de ética, independentemente das leis do Estado e dos contratos que sendo justos ou não, irão crescer e conviver junto na sociedade, mas produzem colheitas diferentes.

Não se trata assim de uma interpretação meramente moralista ou fundamentalista, o que é ético produz frutos de equidade que são os grãos individuais, como estes grãos são pessoas, podem exercer seu livre arbítrio para produzirem grãos de trigo que sejam proveitosos.

 

ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. Tradução do grego, introdução e notas Mário de Gama Kury, 4ª. ed. Brasilia: Editora Universidade de Brasilia, 2001.

 

 

A república Romana

20 Jul

Os romanos inicialmente acreditavam que a origem do rei era divina e ImperioRomanoestabeleceram a Monarquia, mas depois no 509 a.C., derrubaram o rei etrusco Tarquínio, o Soberbo, e fundaram a República Romana estabelecendo dois magistrados como governo.

O início da República, a sociedade romana era dividida em quatro classes: Patrícios, Clientes, Plebeus e Escravos, em geral povos que eram derrotados em guerras.

Dentre estas guerras, destaca-se os  mais de 100 anos contra Cartago, as Guerras Púnicas e em seguida, as guerras na Península Ibérica (conquista que levou mais de 200 anos), Gália e o Mediterrâneo Oriental.

Os territórios ocupados eram transformados em províncias, elas eram obrigadas a pagar impostos ao governo de Roma e aos poucos, o exército romano transformou-se em um grupo imbatível.

Sua organização militar era formada por três tipos de pessoas:
– Cidadãos de Roma, dos territórios, das colônias e das tribos latinas que também tinham cidadania romana
– Comunidades cujos membros não possuíam cidadania romana completa (não podiam votar nem ser votados)
– Aliados autônomos (faziam tratados de aliança com Roma)

O exército construiu estradas por toda a península itálica também contribuíram para explicar as conquistas romanas, eram especialistas em montar fortificações.

A disciplina militar era severa e a punição consistia em espancamentos e decapitações. Os soldados vencedores recebiam prêmios e honrarias e o general era homenageado, enquanto que os perdedores eram decapitados nas prisões.

As sucessivas conquistas provocaram, em Roma, grandes transformações sociais, econômicas e políticas, mas já nos anos IV d.C. apresentava sinais de decadência.

 

A política de Aristóteles

19 Jul

Ao contrário de Platão qual a formação deve ser o homem da República, o conjunto da oPolisGreekbra de Aristóteles vai além da política, ou a vê num sentido mais amplo, pois vai tratar quais assuntos humanos se desenvolvem dentro do espaço de uma cidade (a pólis).

Entre estes assuntos a Política era provavelmente aulas dadas a seus alunos no Liceu e que por eles foram registradas, também é possível que sejam reflexões do período em que foi preceptor de Alexandre da Macedônia, e seu pai Nicomaco (a quem escreveu uma ética) era médico do pai de Alexandre, Felipe II.

Aristóteles analisa profundamente as próprias cidades gregas, assim vai analisá-las e ver quais as constituições eram boas, e quais favoreciam a Eudaimonia (o ´eu (‘bom’) e ó ´daimōn´), algumas vezes traduzidas como “bem comum”, entretanto esta categoria é mais moderna, e junto a estes conceitos de sua filosofia política, outros três são igualmente importantes: o areté” (geralmente traduzido como “virtude” ou “excelência”) e “phronesis” (frequentemente traduzido como “sabedoria prática”), e a ética que define como este gênio bom é alcançado,

É aconselhável portanto ler-se a política junto a “Ética a Nicomoco”, para que os conceitos fiquem confusos, e indevidamente atualizados em categorias a-temporais.

Nos livros I a III da Política, temos a introdução ao tema, os livros IV, V e VI são sobre a prática política, a natureza de várias constituições e seus princípios, nos livros VII e VIII como se desenvolve a vida dos cidadãos e como a educação é importante para que se realizem os objetivos da cidade

 

A República ou Politeia

18 Jul

A principal obra de Platão foi escrita por volta de 380 a.C., é um discursoPoliteia desenvolvido em termos filosóficos, políticos e sociais.

Seu problema é a busca de uma fórmula que assegure harmonia à uma cidade, tentando desde aquele tempo desvencilhar de  interesses e disputas particulares, como queriam os sofistas.

Este diálogo se realiza na casa de Polemarco, irmão de Lísias e Eutidemos, filho do velho Céfalo, e ali se encontra os dois irmãos de Platão, Glauco e Adimanto; Nicerato, além do anfitrião Polemarco, Lísias, Céfalo e Trasímaco.

Trasímaco é o sofista, o método dialético de Platão é do diálogo e não da contenda, o sofista argumenta que a força é um direito, e que a justiça é garantida pelo mais forte, determina assim que o injusto pode transgredir suas regras, pode-se dizer então que elas não existem.

Os livros I e II são a primeira tentativa de definição do que seria realmente a aplicação da justiça perante a comunidade, no diálogo de Sócrates com Gláucon e Adimanto, explica que a justiça é superior a injustiça, e que só ela conduz a felicidade.

Assim dos livros II a V os diálogos evoluirão para afirmar quais são os princípios da justiça, ou seja, o que constitui a verdadeira justiça administrada à população, princípio de sua Republica.

Dos livros VI e VII evoluem os princípios do que são as necessidades da justiça em si, é onde aparece a famosa alegoria da Caverna, onde estão os procurando mostrar que a verdade pode ser atingida por meio do conhecimento, e portanto, a justiça depende do conhece-la, assim o mito é principalmente o fato que os homens “na caverna”, somente veem sombras.

Os livros VIII e IX, desenvolvem os temas sobre a decadência da cidade, que para Platão é devido a concentração do poder nas oligarquias e o surgimento da tirania.

O livro X faz uma crítica à poesia como meio educativo, isto não é secundário, mas fundamental para entender que o problema desde o princípio da modernidade, é este conflito defendido por Platão colocando-o na boca de Sócrates que a poesia deve ser substituída pela filosofia, meio educativo, diríamos hoje mais “objetiva”, mais real.

O restante do livro traz uma exortação à prática da justiça e demais virtudes, isto são apenas indicações para a leitura, que não é senão olhar nossas “raízes” profundas.

PLATÃO. A República, (pdf online).