RSS
 

Arquivo para outubro, 2014

Politica esgotada, fragmentada e as redes

31 Out

PoliticaA política que vivemos hoje, em nível mundial e não apenas aqui, foi sintetizada assim por Edgar Morin em seu livro: “Terra-Pátria”, mostrando que os diversos aspectos da vida contemporânea estão fragmentados e esgotados isto inclui a economia, a técnica, a medicina, a biologia, etc. e as diversas manifestações de descontentamentos nas redes não são ouvidas.

Morin diz que é preciso uma política “do homem” que “deve assumir a multidimensionalidade e a totalidade dos problemas humanos, mas sem se tornar totalitária” (Morin, 2001, pg. 155).

Esta política precisa de “tecnicidade, de cientificidade, mas não deve submeter-se ao sistema da especialização que destrói o global, o fundamental e a responsabilidade” (idem, pg. 155).

Embora por setor se apresentem números, é no global que tudo está extremamente falho, não há nenhum indicativo de mudança a não ser o que o próprio Morin chama de “maneira providencialista e religiosa, o totalitarismo exprimiu as características contemporâneas da política que toca todos os aspectos da vida humana” (idem, pag. 154).

As mídias de redes sociais são formas de empoderamento e de respostas a ausência de uma política global capaz de responder a demanda social, que também as vezes está sujeita a manipulação, mas que torna-se um reduto para as consciência que percebem a ausência de uma política global, harmônica que faça o conjunto das forças sociais avançarem.

Morin, Edgard. Terra-Pátria, Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

 

 

Big Bang, evolução e o cristianismo

30 Out

CriaçãoBigBangO Papa acaba com uma polêmica sem sentido, mas secular sobre as teorias científicas e as questões religiosas, mostrando que estes pensamentos são conciliáveis, embora seja necessário manter a distinção entre os mistérios e os paradigmas científicos.

Foi durante o discurso feito nesta segunda feira (27/10) falou explicitamente da Teoria da Evolução e do Big Bang como fenômenos reais e criticou a interpretação do Gênesis, livro da Bíblia, achando que Deus “tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas”, mas acrescentou a criação do mundo não “é obra do caos, mas deriva de um princípio supremo que cria por amor”, e concluiu que o Big Bang “não contradiz a intervenção criadora, mas a exige”, isto é, houve uma intenção na criação do universo.

O papa acrescentou que “a evolução da natureza não é incompatível com a noção de criação, pois exige a criação de seres que evoluem”, e claro continuaremos evoluindo.

O Big Bang é a explosão ocorrida há cerca de 13,8 bilhões de anos que deu origem à expansão e criação de todo o Universo, enquanto a Teoria da Evolução é devida a Charles Darwin (1809-1882) que afirma que houve uma evolução dos seres vivos e estes não são imutáveis

 

A minha esquerda e as redes

28 Out

AminhaEsquerdaO livro de Edgar Morin reúne 23 textos esparsos mas reveladores, alguns inéditos, outros que complementam o livro deste extraordinário filósofo que chamou de Terra-Pátria o mundo atual, eu encontro reflexões fundamentais para nosso tempo e em especial para o nosso país.

Entre tantos pensamentos profundos, encontro um essencial na página 16: “Uma componente invisível da policrise é a crise do pensamento”, Morin chama de policrise: as crises interdependentes da economia, da civilização ocidental, das civilizações tradicionais, do desenvolvimento, estamos tratando com placebos o câncer de uma sociedade em decadência.

Esta crise que pode ser chamada de crise cultural, em especial do ocidente é claramente evocada por Morin: “É preciso efetivamente conceber a ambivalência do desenvolvimento mundializado. Ele introduz progressos materiais em todos os domínios, mas provoca desenvolvimentos espirituais e morais” (Morin, A minha esquerda, p. 16).

Ele está convencido que podemos nos beneficiar das “virtudes da sociedade do conhecimento”, “mas que é de fato uma sociedade de conhecimentos dispersos e compartimentalizados, cuja dispersão e compartimentalização impedem a religação desses conhecimentos a fim de se considerar os problemas fundamentais e globais de nosso século”.

Morin que lutou na resistência francesa contra o nazismo, que é um nome mundial do pensamento progressista, condena o pensamento do que chama de “esquerda ressentida” e “esquerda caviar”, desconhece os desafios gigantescos a que somos chamados no nosso tempo, afirma Morin: “A política é simultaneamente muito sobrecarregada de problemas e exaurida de pensamento”, aqui e em todo o mundo, somos pessoas pensando um mundo pequeno a nossa volta, no “partido” que torcemos e não nos grandes problemas sociais e nacionais, quando muito em alguma pequena esmola que cale a boca dos famintos.

Mundializar é para Morin “favorecer as cooperações econômicas, sociais, culturais, tudo o que caminha no sentido da unidade solidária da humanidade”, o resto é torcida de futebol.

 

Interações no Facebook nas eleições

28 Out

Os números foram impressionantes, as eleições envolveram 48,3 milhões de pessoas no Facebook, EleiçõesFacequase 54% dos usuários nos pais, mostrando que as eleições entraram definitivamente na era das mídias de redes eletrônicas.

O número é o triplo do recorde anterior do período eleitoral, quando as 227 milhões de interações registradas no pleito da Índia este ano, mas num país de 1,252 bilhões, isto é seis vezes mais que o Brasil e com o dobro de internautas, segundo o próprio Facebook.

O diretor de relações institucionais do Facebook no país, Bruno Magrana, afirmou para as agências de notícias que as eleições brasileiras foram “um dos maiores eventos vividos na plataforma neste ano”, mas ainda precisamos usar para o diálogo e não para ofensas.

A participação foi maior que a Copa do Mundo, quando a rede social chegou a três bilhões de interações, mas em grande parte pelas manifestações políticas sobre a Copa, embora seja discutível a efetiva politização, o número de pessoas que participaram e opinaram é importante para o avanço da democracia no Brasil.

Os dados postados incluem textos, fotos, curtidas, comentários e qualquer conteúdo compartilhado, mas não são contabilizados comentários sobre postagens, e foram calculados desde o início da campanha em junho deste ano.

 

O ser do ente e as mídias

27 Out

LevinasFoi o filósofo Emanuel Lévinas (1906-1995) quem melhor sintetizou o pensamento de Heidegger (1889-1977), sobre ontologia, este filósofo que fez a discussão sobre o ser renascer, percebeu que havia um esquecimento no pensamento moderno, e este influencia profundamente o pensamento cotidiano de nosso tempo, o esquecimento do ser ou sua troca pelo ente.

A filósofa e fiel seguidora de Husserl, Edith Stein escreve assim sobre este Ser esquecido de nosso tempo, como projeto infundado de superar a metafísica que que examente este   ser que era confundido com um ente determinado em cada época da metafísica; a ideia, a substância, ipsum esse, cogito sum, o eu transcendental, saber absoluto e muitos outros, assim lutamos com as coisas e com os entes, mas estamos presos a este ser do ente.

Na palavra cotidiana isto significa consumismo, individualismo, e tantos outros ismos, mas nenhum deles escapa do idealismo, o que propomos pouco ou nada tem a ver com o SER.

O equívoco mais profundo é separar o SER de sua existência, em uma transcendência as vezes eloquente, mas sem fundamento, esclarece Lévinas:

“A ontologia, dita autêntica, coincide com a facticidade da existência temporal. Compreender o ser enquanto ser é existir. (…) A ontologia não se realiza no triunfo do homem sobre a sua condição, mas na própria tensão em que esta condição se assume. (…) O homem inteiro é ontologia. Sua obra científica, sua vida afetiva, a satisfação de suas necessidades e seu trabalho, sua vida social e sua morte articulam, com um rigor que reserva a cada um destes momentos uma função determinada, a compreensão do ser ou da verdade”.  (LEVINAS, 1997, p. 22).

Assim precisamos SER e isto não está desligado do ter, do saber, do conhecer, mas tudo vivido em um tempo concreto: no dia de hoje, com seres concretos: aqueles que estão a nossa volta, ligados aos entes que nos são possíveis, separá-los é estar preso ao pensamento apenas, não há conexão com a realidade.

O SER do nosso tempo é envolto em técnicas, tecnologias e saberes, não apenas os cultos é claro, mas todos aqueles que vem da percepção e relação com o Outro, que Lévinas prefere chamar de Outrem, para enfatizar que é um não-eu.

LEVINAS, Emmanuel. Entre nós: ensaio sobre a alteridade. Trad.  Pergentino S.; Pivatto et al.  Petrópolis: Vozes, 1997.

 

Zuckerberg fala em mandarim

24 Out

ZuckerbergConvidado para participar em um evento na China, o criador do Facebook surpreendeu os participantes, a maioria estudantes, falando em chinês.

Durante 30 minutos de sua palestra, Zuckerberg mostrou boas habilidades em mandarim conforme informações do Los Angeles Times, disse logo de início “Dajia hao” (Olá a todos, em tradução livre), disse o fundador do Facebook, e foi aplaudido pelos estudantes. “Meu chinês é muito ruim, mas tentarei usar chinês hoje”, esclarecendo depois que tinha apreendido um pouco da língua para tentar se comunicar com a família de sua mulher Priscilla Chan, que tem descendência chinesa e parte da família só fala o mandarim.

O anfitrião da palestra disse que todos estavam chocados com o fato de que Zuckerberg sabia falar mandarim. O fundador do Facebook respondeu dizendo que tem aprendido o idioma para se comunicar com a família de sua mulher.

Desde 2010, Zuckerberg já havia anunciado em sua página na rede social que aprender chinês era um desafio pessoal, e diversos jornais diziam que todas manhãs tomavam aulas, a mulher embora nascida nos EUA, ele a conheceu em Harvard, fala bem o chinês e o incentivou.

 

Nuvem iCloud é invadida

23 Out

HongKongA nuvem da Apple, segundo o site Greatfire, sofreu ataques que tinham como objetivo roubar login e senha de usuários, em especial da China, e o site afirma que o governo de lá seria um dos culpados destas invasões.

A tática de invasão conhecida como “man in the midle”, que é criar uma página idêntica à da nuvem da Apple e atrair usuários para ela obtendo informações para em seguida roubar dados na nuvem.

A prova que o governo estaria envolvido, é que se os usuários buscam o acesso através dos navegadores ocidentais como o Chrome ou Mozilla Firefox, um aviso de risco de segurança aparece, mas se o acesso ao iCloud é feito pelo chinês Qihoo o mesmo não aparece.

A plataforma iCloud é privada, mas com acesso comum aos usuários de dispositivos Apple, para armazenar documentos, imagens e mensagens em nuvem, o que significa de fato uma violação grave da privacidade.

O governo chinês tem acusado o ocidente de influenciar as manifestações em Hong Kong pró-democracia, e tem agido com força “excessiva”, as manifestações estão num momento crítico.

 

Operadoras taxam internet

22 Out

Banda LargaPreparem o bolso, as operadoras vão passar a cobrar a internet, diversos jornais e órgãos de defesa do consumidor estão avisando e só agora  a ANATEL que deveria regular o setor está pedindo explicações, os consumidores devem ser avisados com antecedência e renegociar os planos.

As empresas de telecomunicações em conjunto afirmam  o fim da franquia, afirmam que já cortariam a conexão  e ofereceriam um pacote adicional,  com preço adicional claro, na prática isto é um aumento abusivo do preço, que já é caro.

Hoje funciona assim após superar o plano, a velocidade da internet é reduzida no dia.

A agencia reguladora das telecomunicações no país, afirmam que o que foi proposto pelas operadoras está dentro das normas do setor, mas no acordo com o RGC (Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações), as empresas deveriam nos informar sobre alterações pelo menos 30 dias antes da implementação, isto não aconteceu.

Esperamos que em pleno período eleitoral, a Anatel nos defenda e não as operadoras.

O preço da banda larga no Brasil é um dos mais caros do mundo, superando até os EUA.

Os órgãos de defesa do consumidor estão de olho, e a mídia também, veja no Olhar Digital.

 

 

O otimismo, na Naruega

21 Out

Este em São Paulo, a ex-primeira ministra da Noruega Gro Brundtland, que havia sido ministra do meio ambiente em seu país,GroBrundtland e seu nome está associado ao relatório Nosso Futuro Comum apresentado na ONU em 1987 de onde saíram as linhas principais para a Rio 92.

Ela esteve em palestra no projeto Fronteiras do Pensamento, no dia 1º. de outubro deste ano, e o jornal da USP traz uma reportagem em destaque sobre seu otimismo em relação ao meio ambiente, embora reconheça que são necessário mais avanços sobre o conceito de “desenvolvimento sustentável”, diga-se de passagem que foi o conceito emergente na Rio 92.

Perguntada se o avanço deveria ter uma razão “política, social ou técnica”, respondeu com lucidez: “Acredito que são os três … estamos frente a desafios maiores que os nossos atuais sistemas de governos são capazes de enfrentar adequadamente”, mas ela justifica  nas parcerias do setor público com o privado, que ocorrem em várias partes do mundo, seu otimismo.

Ela vê o mundo numa condição de risco, fazendo uma projeção de emissões globais e mudanças climática, prevê que para 2040 o mundo saltará para 9 bilhões de pessoas, sendo 3 bilhões pessoas de classes médias em países emergentes, que precisarão de mais 50% de alimentos, 45% a mais de energia e 30% a mais de água.

Depois de falar da necessidade de engajamento na sustentabilidade dos Estados Unidos e dos países emergentes desmonta o mito do fim do desenvolvimento, para ela “a escolha entre meio ambiente e desenvolvimento não é verdadeira.  A Noruega tem a política de clima mais avançada do mundo e a taxação de CO2 mais alta da Europa, e prova que é possível que os dois caminhem juntos”, mas ressaltou que é preciso “fazer com que as coisas aconteçam para todos, ou não acontecerão de forma nenhuma” concluiu.

 

Chrome e Android se aproximam

20 Out

AndroidChromeUm pacote para rodar aplicativos funciona no Chrome, o Chrome APK Packager, funciona com um runtime chamado de ARC (app runtime for Chrome) que lê os códigos dos aplicativos do Android e executa-os no Chrome, é um passo para unificar as plataformas.

 

No entanto a medida ainda vale para alguns tipos de brower, claro entre eles o Chrome, mas a idéia é poder usar qualquer versão do navegador Google Chrome executado o aplicativo, para outros ambientes exete um outro pacote runtime chamado ARChon, disponível no GitHub.

Também é importante notar que aplicativos que dependem de alguma API do Google ou componentes de hardware também podem não funcionar, mas como o projeto é de código aberto poderá evoluir muito embora ainda possa ter bugs.

O ambiente poderá evoluir e termos um Sistema Operacional, parte funcional essencial do sistema operacional, sendo executada num browser, quer dizer tudo na Web ? parece que sim.

Os ambientes proprietários (pagos) já tem boa integração, Windows e Windows Phone, Apple IOS e Mac OS, mas o Android e Chrome OS agora parecem estar prontos para se unificarem, o vice-presidente de engenharia da Google, o Hiroshi Lockheime, já tem como função num desenvolvimento que é chamado Chrome OS.

A empresa, entretanto não confirma esta indicação, embora todos indicativos sejam nesta direção.