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Arquivo para 2017

A república Romana

20 Jul

Os romanos inicialmente acreditavam que a origem do rei era divina e ImperioRomanoestabeleceram a Monarquia, mas depois no 509 a.C., derrubaram o rei etrusco Tarquínio, o Soberbo, e fundaram a República Romana estabelecendo dois magistrados como governo.

O início da República, a sociedade romana era dividida em quatro classes: Patrícios, Clientes, Plebeus e Escravos, em geral povos que eram derrotados em guerras.

Dentre estas guerras, destaca-se os  mais de 100 anos contra Cartago, as Guerras Púnicas e em seguida, as guerras na Península Ibérica (conquista que levou mais de 200 anos), Gália e o Mediterrâneo Oriental.

Os territórios ocupados eram transformados em províncias, elas eram obrigadas a pagar impostos ao governo de Roma e aos poucos, o exército romano transformou-se em um grupo imbatível.

Sua organização militar era formada por três tipos de pessoas:
– Cidadãos de Roma, dos territórios, das colônias e das tribos latinas que também tinham cidadania romana
– Comunidades cujos membros não possuíam cidadania romana completa (não podiam votar nem ser votados)
– Aliados autônomos (faziam tratados de aliança com Roma)

O exército construiu estradas por toda a península itálica também contribuíram para explicar as conquistas romanas, eram especialistas em montar fortificações.

A disciplina militar era severa e a punição consistia em espancamentos e decapitações. Os soldados vencedores recebiam prêmios e honrarias e o general era homenageado, enquanto que os perdedores eram decapitados nas prisões.

As sucessivas conquistas provocaram, em Roma, grandes transformações sociais, econômicas e políticas, mas já nos anos IV d.C. apresentava sinais de decadência.

 

A política de Aristóteles

19 Jul

Ao contrário de Platão qual a formação deve ser o homem da República, o conjunto da oPolisGreekbra de Aristóteles vai além da política, ou a vê num sentido mais amplo, pois vai tratar quais assuntos humanos se desenvolvem dentro do espaço de uma cidade (a pólis).

Entre estes assuntos a Política era provavelmente aulas dadas a seus alunos no Liceu e que por eles foram registradas, também é possível que sejam reflexões do período em que foi preceptor de Alexandre da Macedônia, e seu pai Nicomaco (a quem escreveu uma ética) era médico do pai de Alexandre, Felipe II.

Aristóteles analisa profundamente as próprias cidades gregas, assim vai analisá-las e ver quais as constituições eram boas, e quais favoreciam a Eudaimonia (o ´eu (‘bom’) e ó ´daimōn´), algumas vezes traduzidas como “bem comum”, entretanto esta categoria é mais moderna, e junto a estes conceitos de sua filosofia política, outros três são igualmente importantes: o areté” (geralmente traduzido como “virtude” ou “excelência”) e “phronesis” (frequentemente traduzido como “sabedoria prática”), e a ética que define como este gênio bom é alcançado,

É aconselhável portanto ler-se a política junto a “Ética a Nicomoco”, para que os conceitos fiquem confusos, e indevidamente atualizados em categorias a-temporais.

Nos livros I a III da Política, temos a introdução ao tema, os livros IV, V e VI são sobre a prática política, a natureza de várias constituições e seus princípios, nos livros VII e VIII como se desenvolve a vida dos cidadãos e como a educação é importante para que se realizem os objetivos da cidade

 

A República ou Politeia

18 Jul

A principal obra de Platão foi escrita por volta de 380 a.C., é um discursoPoliteia desenvolvido em termos filosóficos, políticos e sociais.

Seu problema é a busca de uma fórmula que assegure harmonia à uma cidade, tentando desde aquele tempo desvencilhar de  interesses e disputas particulares, como queriam os sofistas.

Este diálogo se realiza na casa de Polemarco, irmão de Lísias e Eutidemos, filho do velho Céfalo, e ali se encontra os dois irmãos de Platão, Glauco e Adimanto; Nicerato, além do anfitrião Polemarco, Lísias, Céfalo e Trasímaco.

Trasímaco é o sofista, o método dialético de Platão é do diálogo e não da contenda, o sofista argumenta que a força é um direito, e que a justiça é garantida pelo mais forte, determina assim que o injusto pode transgredir suas regras, pode-se dizer então que elas não existem.

Os livros I e II são a primeira tentativa de definição do que seria realmente a aplicação da justiça perante a comunidade, no diálogo de Sócrates com Gláucon e Adimanto, explica que a justiça é superior a injustiça, e que só ela conduz a felicidade.

Assim dos livros II a V os diálogos evoluirão para afirmar quais são os princípios da justiça, ou seja, o que constitui a verdadeira justiça administrada à população, princípio de sua Republica.

Dos livros VI e VII evoluem os princípios do que são as necessidades da justiça em si, é onde aparece a famosa alegoria da Caverna, onde estão os procurando mostrar que a verdade pode ser atingida por meio do conhecimento, e portanto, a justiça depende do conhece-la, assim o mito é principalmente o fato que os homens “na caverna”, somente veem sombras.

Os livros VIII e IX, desenvolvem os temas sobre a decadência da cidade, que para Platão é devido a concentração do poder nas oligarquias e o surgimento da tirania.

O livro X faz uma crítica à poesia como meio educativo, isto não é secundário, mas fundamental para entender que o problema desde o princípio da modernidade, é este conflito defendido por Platão colocando-o na boca de Sócrates que a poesia deve ser substituída pela filosofia, meio educativo, diríamos hoje mais “objetiva”, mais real.

O restante do livro traz uma exortação à prática da justiça e demais virtudes, isto são apenas indicações para a leitura, que não é senão olhar nossas “raízes” profundas.

PLATÃO. A República, (pdf online).

 

A sociedade grega antes de Sócrates

17 Jul

Deve-se entender Platão e Aristóteles e com eles toda a formação clássica do AcropoleOcidente, dos quais somos herdeiros em três aspectos didaticamente separados: o sociológico,

O aspecto sociológico, que diz respeito aos elementos da sociedade política criada pelo homem, diferentemente do período romano, onde o poder militar aparece com destaque, o princípios tanto em Platão (que dialoga com Socrates) como Aristóteles, seu discipulo, o aspecto filosófico se destaca, e o terceiro, importante, é o histórico.

A sociedade grega entre XII a.C à VIII a.C, chamado Homérico pois é o período escreveu Ilíada e Odisseia, houve a criação de diversas comunidades gentílicas, com uma forma de organização rural, mas com estruturas políticas nascentes.

Eupátridas nome da  pequena classe dominante, o termo grego significa ‘’bem-nascido’’, se responsabilizavam por tomar decisões políticas e por coordenar instituições e organizar os instrumentos a serem usados nos trabalhos, mesmo nas terras e guerras

Haviam ainda os Georgoi, ou “pequenos agricultores” e os Thetas, ou “marginais”, que eram recrutados em colheitas e construções, mas os escravos ainda eram em pequeno número.

Criaram-se as fratrias, no intuito de estabelecer a preservação das terras, mas e o “poder” e no período de Platão (427-347 a.C.) começa a ser estabelecida a ideia que deve-se formar os cidadãos e que os filósofos seriam os melhores para governar as cidades-estado.

O período subsequente nasce a escola peripatética ou o Liceu de Aristoteles (384 a.C  -322 a.C.) que vai estabelecer o conceito de Pólis e uma doutrina para ela: a Política, mas não se deve separar estes estudo do seu escrito “Ética a Nicômaco”.

A pólis tinha o poder num local mais alto, determinado acrópole, e depois palácios e templos.

No aspecto doutrinário-filósofico, pode-se analisar o Estado como foi concebido na antiguidade: a República de Platão e a Política de Aristóteles.

 

Metáfora, parábola e tragédia

13 Jul

Em tempos de crise cultura e de valores, a coisa mais comum é o julgamento apressado sobre certo comportamento ou pessoa, mas nem tudo que parecer ser é o mesmo, é o caso, por exemplo, de combate aParábolas um preconceito que cai em outro tipo de julgamento.

Ao se determinar que determinada forma de comportamento ou relacionamento é mais politicamente correto, pode-se eliminar o convencional ou o tradicional, na história da humanidade sempre o relacionamento entre tradição e as novas “modas” populares sempre foi importante, é por este discernimento que não caímos em puro modismo ou em desastres.

Vivemos ainda os efeitos de um pós-guerra mundial, e de muitas guerras com foco religioso, cultural e aos poucos retornam também as ideológicas, de fato é uma crise de modelos.

Realiza-se hoje o que estava escrito nos tempos bíblicos sobre a profecia de “:Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível”, que é citado pelo evangelista Mateus 13,14-15, ao explicar por que Jesus falava em parábolas, mas qual a insensibilidade de hoje, é olhar o Outro sem preconceito, permitir que a diversidade possa estar presente na sociedade e respeitá-la.

Não se trata apenas pelo fato que temos problemas de imigração, mas que o mundo pelas TVs e pela Web se vê e tomamos contato com todo tipo de cultura e religiosidade do planeta, mas o respeito que devemos ter por todos ainda é diminuto, então só se pode falar em metáforas.

O livro de Paul Ricouer a metáfora viva parte da leitura da Poética de Aristóteles, livro que restou apenas uma parte do original, para dizer que sua construção é a base da literatura ocidental, onde podemos destacar a mímesis, o mito e a catarse como base, e como forma a tragédia, a catarse e a mímesis, talvez esta última a mais desconhecida.

Tanto nas tragédias de Sófocles, como nas epopéias de Homero, as artes miméticas se aproximam, a considerar que ambas representam seres superiores aos comuns. Aristófanes, autor de comédias, também imita pessoas agindo, fazendo o drama, podemos dizer assim que as parábolas bíblicas são também mímesis em trechos como: “o semeador saiu a semear”, “o administrador confiou os talentos a seus empregados”, e muitos outros.

Tanto como a parábola, e algumas formas de metáforas, a tragédia se identifica com a mímesis de qualidade superior à comédia assim pensava Aristóteles e mais tarde Nietszche, e  tem como objeto, ações de caráter elevado (modelo ético); como meio, linguagem ornamentada; como modo o diálogo e o espetáculo cênico; e inclui a catarse.

A tragédia de nossos dias, pode-se dizer é a incompreensão da tragédia como parte da mudança e da solução, apenas revoltar-se ou indignar-se não resolve, apenas paralisa.

RICOEUR, Paul. A metáfora viva. Trad. Dion Davi Macedo.São Paulo; Loyola, 2000.

 

A dimensão do eu-tu de Buber

12 Jul

As ideias de Martin Buber contribuem para a integração de uma concepçãoIandYou filosófica do ser humano a uma atitude diante deste.

Em sua obra, Buber trata do homem no mundo, de suas múltiplas possibilidades de existir, dependendo de como se coloca.

As palavras-princípio eu-tu e eu-isso assinalam modos de ser do homem, formas de responder à realidade, que sempre solicita um posicionamento.

O eu que se abre para um tu não é como o eu que se relaciona com um isso, ou seja, a forma de relacionamento estabelecida fundamenta o modo de ser. Por isso, a relação produz diferentes possibilidades de a pessoa estar no mundo.

Eu-tu e eu-isso são parte do movimento humano, sendo inseparáveis, alternando-se constantemente a cada relacionamento (Buber, 1923/2001). Na atitude eu-tu, a pessoa entra em relação, deixa-se impactar, deixa-se atravessar pela presença viva do outro, seja este outro uma pessoa, uma situação, uma obra ou um ente qualquer. Há nesse instante uma dimensão intensiva, não mensurável ou redutível à temporalidade, espacialidade e questões objetivas. O mundo do tu não tem coerência no espaço e tempo: é um campo de forças, de presença, de vitalidade. Não pode ser apreendido ou aprisionado em representações: sempre escapa. Não se reduz à percepção: é intenso, vivo, pulsante. Sempre ressurge diferentemente, em contínua transformação. A atitude eu-isso, por sua vez, leva ao experiencial de forma objetiva as situações.

O mundo do isso ou da objetividade ordena o real, transformando-o em habitável e reconhecível.

Para Buber (1923/2001), a melancolia do destino humano é que o tu se torna, irremediavelmente, um isso, o que é necessário para a compreensão do processo vivido.

Não se consegue manter sempre a atitude eu-tu, pois o homem é incapaz de habitar permanentemente no encontro, a existência é pautada pela alternância entre as atitudes eu-tu, eu-isso e seus desdobramentos.

Na perspectiva buberiana, a experiência implica um distanciamento reflexivo, situando-se no âmbito do isso, enquanto a relação está no âmbito do tu. A relação é vivência, não experiência. Ao encontrar alguém no modo eu-tu, a consequente perda do espaço, do tempo e a desestabilização do eu possibilitam contemplação, novas sensações, atravessamentos.

A relação eu-isso, ao contrário, situa a pessoa no mundo dos objetos, ordenando e sendo extremamente necessária para a elaboração e a produção de significados, desde que não se torne a forma predominante de relação com o mundo.

Para Merleau-Ponty (1945/1999), ao perceber o outro apenas como um isso, objetificando-o, há um afastamento da sua presença viva, o objeto é só outro Ser, uma representação,  mas o que é o mundo e o outro como “representação” ?

 

Fenomenologia, o Outro e o Diálogo

11 Jul

A psicologia fenomenológica também usa várias concepções vindas da tradiçãoArendtPt filosófica, e imaginar que é puramente filosófico o que deriva da virada ontológica ou apenas uma linguagem psicológica, ambas não são verdades, pois pode tanto pode estar ligadas na teoria e a prática psicológica, como estar presente em vários campos, por exemplo, na comunicação.

Se deseja-se alcançar maior rigor e coerência no Ser ontológico, é preciso recorrer à concepção de homem desta proposta, explicitando-a. de modo claro para a fenomenologia, cada ser possui uma especificidade ontológica, o que implica diferentes formas explicar e visões de mundo (Weltanschauung de Heidegger), que implica num “dasein” assim escrito por Heidegger: “este ente que é em cada caso nós mesmos e que tem, entre outras características, a possibilidade de Ser” (Heidegger em O Ser e o Tempo).

Tudo que existe é ser, mas o homem é ontologicamente diferente de outros seres, sendo recebido, em sua humanidade num mundo de relações concretas, sem separar o seu ser natural de sua esfera espiritual, deve desenvolver atitudes e ações para sustentar a própria vida, pode-se dizer ele é um dasein que tem vários raios de possibilidades, então como encontrar seu próprio raio, eis onde se coloca a psicologia e o seu Ser mais profundo.

Por mais que busque a estabilidade e a segurança de diversas formas ao longo da história, o homem está sempre diante de questões existenciais que o desestabilizam e o colocam em movimento, o livro A condição humana de Hanna Arendt pode ajudar muito.

Singularidade e pluralidade convivem lado a lado na difícil tarefa de habitar o mundo e transformá-lo (Arendt, 2002), isto parece muito atual e paradigmático neste tempo global.

Enquanto Ser o que delimita uma ontologia, que se mostra na sua totalidade, a singularidade mostra uma estrutura humana que é compreendida como biopsicossocial e espiritual.

A dimensão biológica se expressa na corporeidade, à qual o homem está definitivamente atrelado enquanto vive, portanto não pode separá-la da sua “substancialidade”.

Esta substancialidade é a forma singular entre os demais da mesma espécie, sendo ao mesmo tempo limite e abertura para o mundo, através da percepção (Arendt, 2002

Já na perspectiva de Martin Buber (1923/2001), não é através da transcendência da realidade mundana que se chega ao nível espiritual, mas justamente estando imerso nesta, a partir da relação com o Outro.

Arendt, H. A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar (5a ed.). Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.

 

A animação no oriente

10 Jul

Ainda que cresçam os vídeos de internet e a disponibilização de filmes em canais Narutopagos e sites aluguel online como o Netflix, o cinema ainda mostra vigor mesmo em países onde a tecnologia é de ponta, caso do cinema japonês, com a bilheteria de “Your Name” (Kimi no na wa), que chegou a 180 milhões de espectadores em 2016.

O que deve ser olhado é a mudança de linguagem, e o morfismo dos personagens, mais humanos, que também não estão longe dos famosos (entre os jovens) desenhos, podem-se citar Digimon Adventure, Naruto, Pokémon, Sailor Moon, Cowboy Bebop, Dragon Ball Z, Dragon Ball GT, Os Cavaleiros do Zodíaco, Sakura, Hamtaro, Digimon, Beyblade e Inuyasha.

Além dos já famosos desenhos de mangá, os desenhos dos filmes animados são muito coloridos, ricos em detalhes, com roupas elegantes, mas originais, e embora as histórias sejam irreais (não confundir com virtuais), os heróis cuidam das cidades e valorizam a imaginação com poderes especiais, que atraem crianças e adolescentes, num mundo carente de utopias e fantasias, não é de se imaginar o porquê de tanto sucesso.

O filme, Kimi no na wa (Seu nome), faturou cerca de 76 milhões de dólares na China, desde a estréia dia 2 de dezembro,

A distribuidora Toho do filme Kimi No Na Wa, disse que as vendas de bilheteria na China superaram os 9 bilhões de ienes, ou cerca de 76 milhões de dólares, desde a estréia no dia 2 de dezembro. 1 milhão de dólares na conservadora Tailândia.

Dirigido por Makoto Shinkai, conta uma história de amor de dois jovens do ensino médio, e que trocam de corpos, passando a viver uma aventura rica em fantasia e sentimentos, teve o lançamento no final de 2016 em 91 países, incluindo a França e Coréia do Sul, mas ainda sem data para o Brasil.

 

 

A ética e a moral sem esforço

07 Jul

Estabelece-las como regras, imposições e todo o esforço idealista para estabelece-laEticaSimples como “regra de estado”, que faz parte do cotidiano e por isso julgamos correta, não condizem com aquilo que de fato gostaríamos que fosse a nossa vida do dia-a-dia inundada por escândalos pessoais e coletivos.

Porque muitas vezes pessoas simples conseguem conduzir sua vida de modo mais correto do que pessoas doutas e elaboradas: juízes, promotores, políticos e até mesmo gente com alta titulação universitária ? a razão é que esqueceram a elaboração mais comum e simples destes valores:

Assim são valores éticos, aqueles que elaborados dentro de uma certa estrutura social, infelizmente a nossa é complexa e sem princípios claros, deveriam conduzir o nosso modo de agir social a um consenso, onde o conjunto das morais individuais poderiam auxiliar a atitude social de cada pessoa.

Por outro lado, a moral refere-se aqueles valores que adquiridos em família, e depois em sociedade ao longo da vida, nos faz discernir entre o certo e o errado.

Ambos se referem ao certo e errado, um de acordo com as regras sociais estabelecidas ou não, que é o que nos dá uma “ética” e outro que a partir de valores que deveriam ser dados em família, são mais tarde guias para nossas consciências em determinadas atitudes que devemos adotar perante o Outro.

O fato que em última instância será o Estado e não a família, o grupo social e a relação com o Outro que devem estabelecer estes limites entre o certo e o errado, o que seria então os moldes para uma cultura coletiva vigente, fez como que a “autoconsciência” proclamada por Hegel e por juristas entrasse num processo confuso.

Em uma cultura em crise, com desconfianças cada mais profundas nas ações do Estado, e com a falsificação de uma educação para uma “mínima moral” cada vez mais vacilante, o caldo da crise cultural que se vive engrossou,  e temos dificuldade com as noções mais simples.

Vale a leitura bíblica que afirma que “revelastes aos pequeninos e as escondestes dos sábios e doutores” (Mt 11, 25), claro não é regra geral, mas aquela sabedoria velha e “arcaica” de nossos pais e avós parecem resolver questões nas quais sábios e doutores se enrolam a ponto de não encontrarem mais a saída.

 

Nem ético nem moral: apenas mínimo

06 Jul

A pretensa construção de uma modernidade de Estado, conforme o próprio Hegel EticaMoraldeseja, a moral do Estado não é senão algo imoral, impensável até mesmo para o humanismo mais revolucionário que possa existir, o que elaboramos ao abandonar a moral pessoal foi a origem de um desastre ético e moral sem precedentes na história da moral, o mais profundo da crise cultural que vivemos é uma crise moral.

Pode parecer um discurso conservador, mas aqueles que releram Hegel a partir de Adorno, irão ver o que está por trás de uma pretensa ideia de um conjunto de instituições “imparciais”, alertava Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969), ao vislumbrar as arbitrariedades da República de Weimar, a luz de suas leituras de Kierkegaard e Nietzsche, elabora entre várias outras obras a MInima Moralia, que reunirá as suas experiências de exilado, onde são observados de modo particular as experiências pessoas na Alemanha antes do nazismo, e nos EUA de Rooselvet.

Não é nem uma a obra baseada em uma polêmica ou mitologia comercial fácil, como seria a contraposição entre duas grandes nações civilizatórias do ocidente, nem um caminho fácil de apresentar uma solução para a crise cultural e social que vivemos, mas vai ao seu cerne.

Aponta seu caminho como aquele que os filósofos “outrora chamavam vida, {e que então} reduziu-se à esfera do íntimo, e depois, do puro, e simples consumo, que não é senão um apêndice do processo de produção, sem autonomia e substância própria. Quem quiser aprender a verdade sobre a vida imediata, deve examinar sua forma ´alienada´, as potências objetivas que determinam a existência individual até nos recantos mais escondidos.” (ADORNO,  1951)

Desvela ao longo de seu trabalho que a autoconsciência preconizada por Hegel e institucionalizada no Estado Moderno, é arte de mostrar, debaixo da falsa aparência da ordem conformista, os mecanismos de controle, as “regras”, ou “métodos”, ou “estruturas ideológicas”, que estão sistematicamente eliminando a esfera da “consciência individual autônoma”, tão “ingenuamente” afirmada pela filosofia tradicional idealista.

Dirá sobre a autoconsciência, em Hegel, “era a verdade da certeza de si mesmo; nas palavras da Fenomenologia: “o reino nativo da verdade” … Hoje, self-conscious significa apenas a reflexão do eu como perplexidade, como percepção da impotência: saber que nada se é.” (ADORNO, 1951, p. 40)

Não sabemos mais o que a moral é, e nem somos mais capazes de elaborar uma “Mínima Moralia”, o roubo de bens públicos é quase uma regra, no dizer de Adorno até a consciência de-si está difusa: “Em muitos homens é já uma falta de vergonha dizer eu.” (idem).

Quem pensa que esta crise nasceu hoje, desconhece a história, e sem revê-la não saberemos como revertê-la para tornar a vida humana possível e saudável neste planeta.

ADORNO, T. W. Minima Moralia. Lisboa: Edições 70, 1951. (pdf)