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junho « 2018 « Blog Marcos L. Mucheroni Filosofia, Noosfera e cibercultura
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Arquivo para junho, 2018

[:pt]O imaginário, a crença e a fé[:en]The imaginary, the belief and the faith [:]

29 jun

[:pt]Imaginário vem de imagem, as descobertas mais recentes do homem do paleolítico, como a caverna de Chauvet em dezembro de 1994, revelam uma alma humana desde o princípio envolta em imagens e no imaginário, praticamente todas as culturas existem a absurdidade.

A modernidade foi a primeira tentativa em criar uma sociedade totalmente distante de qualquer “superstição”, o “sapere audi” ousar saber, sobre o qual sentenciou Max Weber o “destino dos nossos tempos é caracterizado pela racionalização e intelectualização e, sobretudo, pelo desencantamento do mundo”.

O imaginário nos leva além, como disse também Max Weber: “A história ensina-nos que o homem não teria alcançado o possível se, muitas vezes, não tivesse tentado o impossível” e felizmente há “teimosos” poetas, artistas que também estão presentes no mundo digital, que insistem no imaginário, no virtual e até no impossível.

Este ir além significa ter esperança e fé, como aquela descria pelo evangelista Mateus, que respondia aos apóstolos sobre as dificuldades dele: “Porque a fé que vocês têm é pequena. Eu asseguro que, se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada será impossível para vocês.” Mt. 17:20.

Como diz a sabedoria popular: a fé remove montanhas, mas também há uma dose de extraordinário, algo inesperado, que é justo o encantamento do mundo, a alma humana quer ser surpreendida, busca isto em shows, teatros, cinemas e outras formas de manifestação.

Um mundo descrente do extra-natural (para não especular sobre o sobrenatural), é parte do mundo contemporâneo, afinal os desconfiados, os críticos da realidade e do desencantamento do mundo atual não fazem outras coisas que não profecias, pois geralmente estão falando de um futuro, mas de forma negativa e apolítica.

Afinal não se pode dizer se Paulo de Tarso realmente perdeu a visão e depois a recuperou, se estava preso e um anjo apareceu para libertá-lo ou não, o certo é que depois ele continuou a viver, então de alguma forma a fé o salvou, curiosamente o que Jesus mais repete e não há uma só passagem em que afirmasse: “Eu te salvei”, então é você que se salva, se quiser. [:en]Imaginary comes from the image, the most recent discoveries of the paleolithic man, such as the Chauvet cave in December 1994, reveal a human soul from the beginning shrouded in images and in the imaginary, virtually all cultures exist the absurdity.

Modernity was the first attempt to create a society totally distant from any “superstition,” the “sapere audi” daring to know, upon which Max Weber ruled the “fate of our times is characterized by rationalization and intellectualization and, above all, disenchantment of the world”.

The imaginary takes us further, as Max Weber also said: “History teaches us that man would not have achieved the possible if he had not often tried the impossible” and fortunately there are “stubborn” poets, artists who are also present in the digital world, who insist on the imaginary, the virtual and even the impossible.

To go further means to have hope and faith, as described by the evangelist Matthew, who answered the apostles about his difficulties: “For the faith which ye have is small, and I say that if ye have faith the size of a grain of mustard , may say to this mountain, ‘Go hence, and he will go.’ Nothing will be impossible for you. “in Mt 17:20.

As popular wisdom says: faith removes mountains, but there is also a dose of extraordinary, something unexpected, which is just the enchantment of the world, the human soul wants to be surprised, look for it in shows, theaters, cinemas and other forms of manifestation .

An unbelieving world of the extra-natural (not to speculate about the supernatural) is part of the contemporary world, after all the distrustful, the critics of reality and the disenchantment of the present world do nothing other than prophecy, for they are generally speaking of a future, but in a negative and apolitical way.

After all, it can not be said if Paul of Tarsus really lost his sight and then recovered it, if he was imprisoned and an angel appeared to free him or not, it is certain that afterwards he continued to live, then somehow faith saved him , curiously what Jesus repeats most and there is not a single passage in which he affirmed: “I saved you”[:]

 

[:pt]Absurdidade e a evolução do virtual[:en]Absurdity and the evolution of the virtual [:]

28 jun

[:pt]O termo absurdidade muito usado pelo filósofo americano Thomas Nagel, e serve assim como o “confusionismo” de Lucien Sfez, mas Nagel acha isto muito humano e chegou a afirmar: “A absurdidade é uma das coisas mais humanas sobre nós: uma manifestação de nossas características mais avançadas e interessantes”, e isto é muito humanista.

Já postamos aqui a refutação de Jean-Gabriel Ganascia sobre a Inteligência Artificial, ainda que o nome possa não ser próprio, o debate esquentou com a robô Sophia que recebeu a cidadania iraquiana, mas numa jogada de marketing, e o uso de “assistentes virtuais de voz”, como o Cortana, o Siri e o Google Now.

Agora o “brinquedinho” Alexa da Amazon começa a entrar nos lares, e ele tem um potencial maior porque o universo da Internet das Coisas (IoT) está crescendo e vai dar o que falar.

Retornando a Nagel, a absurdidade não é para ele um empecilho, mas exatamente uma afirmação do humanismo, em seu livro seu “What Is it Like to Be a Bat?” , de 1974, ele afirma que poderia fazer sentido você se perguntar como deve se sentir sendo um morcego, mas não faria o menor sentido perguntar-se como se sentiria sendo uma tostadeira.
Isto quer dizer que toda esta limitação que querem imposta às máquinas, é ao contrário do que parece, um anti-humanismo, uma rejeição da evolução dos meios de produção e do conhecimento, envolto com um sentimentalismo sobre “o humano” em tempos do desumano.

Falando em evolução a visão crítica de Nagel do darwinismo e também do neo- darwinismo, embora veja sua utilidade no debate científico, para o qual afirma: “Uma das tarefas legítimas da filosofia é investigar os limites até mesmo das formas mais bem desenvolvidas e mais bem-sucedidas do conhecimento científico contemporâneo. Pode ser frustrante reconhecer, mas estamos
simplesmente no ponto da história do pensamento humano em que nos encontramos,
e nossos sucessores farão descobertas e desenvolverão formas de compreensão das
quais não sonhamos.

Lembra a frase de Teilhard Chardin: “todo o futuro é melhor que qualquer passado”. [:en]The term absurdity used by the American philosopher Thomas Nagel, and serves as the “confusion” of Lucien Sfez, but Nagel finds this very human and went so far as to say: “Absurdity is one of the most humane things about us: a manifestation of our more advanced and interesting characteristics, “and this is very humanistic.

We have already posted here the refutation of Jean-Gabriel Ganascia on Artificial Intelligence, although the name may not be its own, the debate heated up with robot Sophia who received the Iraqi citizenship, but in a marketing move, and the use of “virtual assistants voice, “such as Cortana, Siri and Google Now.

Now the Amazon “toy” Alexa starts to enter the home, and it has a greater potential because the universe of Internet of Things (IoT) is growing and will speak.

Returning to Nagel, absurdity is not a hindrance to him, but an affirmation of humanism in his book “What Is It Like to Be a Bat?” (1974), he claims that it might make sense for you to ask yourself how you should feel to be a bat, but it would not make any sense to wonder how you would feel being a toaster.

This means that all this limitation they want imposed on machines is, contrary to what seems an anti-humanism, a rejection of the evolution of the means of production and of knowledge, wrapped with a sentimentality about “the human” in times of inhumanity .

Speaking in evolution of Nagel’s critical view of Darwinism and also of neo-Darwinism, though he sees its usefulness in the scientific debate, to which he states: “One of the legitimate tasks of philosophy is to investigate the limits of even the best developed and most advanced forms. of contemporary scientific knowledge.

It may be frustrating to recognize, but we are simply at the point in the history of human thought in which we find ourselves, and our successors will make discoveries and develop forms of understanding we do not dream about. ” Recalls Teilhard Chardin’s phrase: “the whole future is better than any past”[:]

 

[:pt]Assistentes pessoais chegam ao consultório[:en]Personal assistants arrive at the office [:]

27 jun

[:pt]Em alguns consultórios médicos já se utilizam o Google Home, Assistant e Translate, além da indispensável Agenda, quem a começa a utilizar não a deixa mais, evita conflitos de horários e avisa esquecimentos, mas a ideia agora é integrar estes ambientes no “Medical Digital Assist”, desenvolvido pelo médico Steven Lin da Universidade de Stanford feito junto ao CNBC.
Segundo o site da CNBC, o projeto esta no grupo de saúde do audacioso projeto Google Brain, parte da divisão da Google em inteligência artificial, tendo como seu “objetivo ambicioso” de implantar testes com pacientes de saúde externos antes do final de 2018.
O objetivo principal, entretanto, é auxiliar os médicos em seus relatórios e prontuários médicos, antes de iniciar os estudos a Escola de Medicina de Stanford fez um levantamento onde verificou que os médicos perdem de 6 a 11 horas de seus trabalhos diários para documentar os históricos clínicos dos pacientes, por isto muitas vezes é mais fácil perguntas, mas as respostas dos pacientes podem ser imprecisas ou ignorar dados relevantes.
O problema da precisão é fundamental, o site da CNBC explica a diferença entre uma interpretação e “hipo” ou “híper” pode ser fatal, hipoglicemia é exatamente o oposto de hipoglicemia, se o médico não verificar isto cuidadosamente, inclusive na interpretação em IA.
A primeira fase deste estudo está prevista como conclusão em agosto, Lin disse que ambas as partes planejam renovar a colaboração para a segunda fase por ao menos por um ano.

Consta-se que a Microsoft e a Amazon também estão desenvolvendo sistemas semelhantes me inteligência artificial, e o foco principal permanece em elaborar os relatórios clínicos.[:en]In some doctors’ offices already use Google Home, Assistant and Translate, in addition to the indispensable Agend, whoever starts using it does not leave it any more, it avoids scheduling conflicts and warns forgetfulness, but the idea now is to integrate these environments into “Medical Digital Assit “, developed by the doctor Steven Lin of Stanford University made next to the CNBC.

According to CNBC site, the project is in the health group of the daring Google Brain project, part of Google’s division in artificial intelligence, having as its “ambitious goal” to deploy external health care trials before the end of 2018.

The main goal, however, is to assist physicians in their reports and medicals records, before beginning the studies the Stanford School of Medicine made a survey where they found that doctors lose 6 to 11 hours of their daily work to document the histories patients’ clinics, so it is often easier questions, but patient responses may be inaccurate or ignore relevant data.

The problem of accuracy is key, the CNBC website explains the difference between an interpretation and “hipo” or “hyper” can be fatal, hypoglycemia is exactly the opposite of hypoglycemia if the doctor does not check this carefully.

The first phase of this study is expected to conclude in August, Lin said both parties plan to renew collaboration for the second phase for at least a year.

Microsoft and Amazon are also reportedly developing systems similar to artificial intelligence, and the main focus remains on developing clinical reports[:]

 

[:pt]Alexa: assistente pessoal da Amazon[:en]Alexa: Amazon personal assistant[:]

26 jun

[:pt]Pode não parecer um fenômeno novo na tecnologia já que existem assistentes como o Siri, Cortana ou Google Now, mas o fato deste assistente ser realmente pessoal, por isto chamei os outros de assistentes de voz, é o fato que ele aprende e armazena os dados em uma nuvem particular da Amazon Web Service (AWS).

Ativados por voz estes assistentes pessoais embora todos fundamentados pelo uso de voz há diferenças, eles podem aprender com pessoas específicas hábitos e funções que elas desejam, enquanto o assistente de voz, como chamo Siri e Google Now agora emponderado pelo Dialogflow, como explicamos no post anterior, eles podem responder e aprender com a interação humana, mas poderá, se for desejável organizar seu próprio banco de dados.

O Alexa (por ser o assistente pessoal penso ser do género masculino, mas pode ser a também) está centralizada na nuvem da Amazon e tem seu próprio equipamento que é o Amazon Echo, uma coluna sempre conectada a internet via WiFi que está atenta aos diálogos do seu “dono”.

Os serviços de música em streaming com uso do Spotify ou Pandora, pode ler as notícias dos principais jornais que preferir, informar a previsão de tempo ou o trânsito a caminho do trabalho, pode controlar todos equipamentos em casa que sejam Smart Home, inclusive ele pode identificar e dizer sobre a compatibilidade, mais sua capacidade vai além.

Além disto tudo promete verificar coisas básicas como resolver contas matemáticas ou entrar numa conversa e até contar piadas, com o tempo este banco e esta capacidade vai evoluir.

Mas cuidado, já postamos aqui sobre o mito da singularidade (em especial o livro de Jean Gabriel Ganascia), a ideia que isto vai virar um monstro e controlar você é menos verdadeira que a de individualizar-se e deixar de falar com amigos e parentes. [:en]It may not seem like a new phenomenon in technology since there are wizards like Siri, Cortana or Google Now, but the fact that this wizard is really personal, that’s why I called the others for voice assistants, is the fact that it learns and stores the data in a private cloud from Amazon Web Service (AWS).
These personal assistants although all grounded by the use of voice there are differences, they can learn from specific people habits and functions they desire, while the voice assistant, as I call Siri and Google Now now empordered by Dialogflow, as we explained in the post above, they can respond and learn from human interaction, but may, if it is desirable to organize their own database.
Alexa (because I’m the personal assistant I think is masculine, but it can be the same) is centralized in the Amazon cloud and has its own equipment that is Amazon Echo, a column always connected to the Internet via WiFi that is attentive to dialogues of its “owner”.
Streaming music services using Spotify or Pandora, you can read the news of the main newspapers you prefer, inform the weather forecast or the traffic on the way to work, can control all equipment at home that are Smart Home, including it can identify and tell about compatibility, plus its capacity goes beyond.
In addition, it promises to check basic things like solving math accounts or getting into a conversation and even telling jokes, over time this bank and this ability will evolve.
But beware, we have already written here about the myth of singularity (especially the book by Jean Gabriel Ganascia), the idea that this will turn a monster and control you is less true than to individualize and stop talking to friends and relatives[:]

 

[:pt]Uma visão de assistentes pessoais[:en]A view of personal assistants [:]

25 jun

[:pt]É emergente os assistentes pessoais em diversas empresas e aplicativos, destacam-se pela popularidade o Siri da Apple, o Cortana da Microsoft, o Alexa da Amazon, Google Now e os ambientes menos conhecidos porém que dão suporte a muitos desenvolvimentos como o Speaktoit e o DialogFlow.

O assistente de voz, como prefiro chamar, o Cortana agora associado ao Windows 10, tem este nome devido o personagem da série Halo, com Jen Taylor, dubladora da personagem, que empresta sua voz ao assistente pessoal (Foley, 2014).

Siri é um aplicativo no estilo assistente pessoal Apple, ou seja, para iOS, macOS e watchOS, sendo assim, disponível para iPhone, iPad e congêneres.

Speaktoit tem algo a mais, por um assistente ativado por voz e que tem um avatar na tela. O assistente é na verdade, um personagem de desenho animado que fala com citações em bolões e dá a você alguma uma aparência de interação humana interessante.

No final de 2014 este assistente tinha mais de 13 milhões de usuários em 11 idiomas diferentes, numa categoria de 6 aplicativos chamados LifeStyle (estilo de vida) foi o principal aplicativo entre os utilizados pelo Google Play nos EUA.

Em setembro de 2014, o Speaktoit lançou o api.ai (mecanismo de habilitação de voz que aciona o Assistente) para a quaisquer desenvolvedores, que permitam tanto o uso de avatares com a adição de interfaces de voz a aplicativos baseados em Android, iOS, HTML5 e Cordova.

Embora descontinuado em dezembro de 2016, a API.ai utiliza suas funcionalidades e está integrada ao dialogFlow, que pode ser considerado com sua continuidade.

Referências:

Brandon, John. Speaktoit Review, Laptop magazize, 2013.

https://www.laptopmag.com/reviews/apps/speaktoit

Foley, Mary Jo «Microsoft’s ‘Cortana’ alternative to Siri makes a video debut», ZDNet, 2014.

Tolentino, Mellisa “New platforms, upgrades simplify life for IoT developers”, siliconANGLE, 2014. [:en]Personal assistants are emerging in a variety of companies and applications: Apple’s Siri, Microsoft’s Cortana and Google now, Alexa´s Amazon and the less well-known environments that support many developments such as Speaktoit and DialogFlow stand out in popularity.
The voice assistant, as I prefer to call it, the Cortana now associated with Windows 10, has this name due to the character of the Halo series, with Jen Taylor, character voice actor, who lends her voice to the personal assistant (Foley, 2014).
Siri is an Apple Personal Assistant style application, ie for iOS, macOS and watchOS, so it is available for iPhone, iPad and the like. Speaktoit has something else, by a voice-activated wizard that has an avatar on the screen.
The wizard is actually a cartoon character who talks with quotations on balloons and gives you some interesting human interaction appearance.
By the end of 2014 this wizard had more than 13 million users in 11 different languages in a category of 6 applications called LifeStyle was the main application among those used by Google Play in the USA.
In September 2014, Speaktoit released the api.ai (voice enable engine that powers the wizard) to any developers, who allow both the use of avatars with the addition of voice interfaces to applications based on Android, iOS, HTML5 and Cordova.
Although discontinued in December 2016, API.ai uses its features and is integrated with dialogFlow, which can be considered with its continuity.
References:
Brandon, John. “Speaktoit Review“, Laptop magazize, 2013.
Foley, Mary Jo «Microsoft’s ‘Cortana’ alternative to Siri makes a video debut», ZDNet, 2014. 
Tolentino, Mellisa “New platforms, upgrades simplify life for IoT developers“, siliconANGLE, 2014.[:]

 

[:pt]Hermenêutica e novos paradigmas[:en]Hermeneutics and new paradigms [:]

22 jun

[:pt]O importante da abertura a novos horizontes e a narrativas não convencionais, de propostas disruptivas que modificam não apenas a tecnologia, é que as próprias narrativas ao serem introduzirem novas formas de conhecimentos prévios (em outros narrativas do circulo hermenêutico são chamadas de pré-conceitos) significa uma ambiente de evolução e transformação do próprio conhecimento.

Os que gostam da exegese, ela é também uma narrativa, dois personagens e paradigmas diferentes na Bíblia foi João Batista e evidentemente o próprio Jesus, no entanto, sob o mesmo background do judaísmo da época construíram narrativas diferentes, pois tinham missões diferentes, ainda que a proposta de mudança fosse a mesma.

A leitura bíblica de Lucas 1,60-62, quando o pai Zacarias diz que seu filho terá um nome diferente diz assim: “e perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nelas as palavras: `João é o seu nome´, todos ficaram pasmados” para indicar que quebrou uma tradição e logo em seguida Zacarias volta a falar.

Ora a oralidade é fundamental neste período, e a fala se constituía a forma básica de transmissão do saber, mas João Batista veio para fazer um caminho novo, e este caminho será uma antecipação da vinda de Jesus, que depois abrirá sua própria narrativa em seu caminho.

Assim, a hermenêutica permite esta evolução da exegese que estuda a tradição também na filosofia e na literatura, para a hermenêutica que abre a possibilidade de novas narrativas e a interação com o saber contemporâneo, o que chamamos de “background” no post anterior.

As narrativas do mundo digital são novas, claro que nem todas são convergentes, mas o fato que existem narrativas novas, mesmo aquelas que contestam o irreversível ambiente digital, mostram que há um paradigma novo, sob o qual não é possível construir uma narrativa que seja ao mesmo tempo contemporânea, aberta e evolutiva, sem considerá-la. [:en]The importance of opening up new horizons and unconventional narratives, of disruptive proposals that modify not only technology, but the narratives themselves when new forms of prior knowledge are introduced (in other narratives of the hermeneutic circle are called preconceptions) means a environment of evolution and transformation of knowledge itself.

Those who enjoy exegesis, it is also a narrative, two different characters and paradigms in the Bible was John the Baptist and evidently Jesus himself, however, under the same background of Judaism of the time constructed different narratives, since they had different missions, although the proposal for change was the same.

The biblical reading of Luke 1: 60-62, when the father Zacharias says that his son will have a different name, says thus: “and they would beckon to their father as he would have him called. He asked for a tablet and wrote the words: ‘John is his name’, everyone was amazed ” to indicate that he broke a tradition and soon afterwards Zechariah spoke again.

Orality is fundamental in this period, and speech was the basic form of transmission of knowledge, but John the Baptist came to make a new way, and this way will be an anticipation of the coming of Jesus, who will then open his own narrative in his way.

Thus, hermeneutics allows this evolution of exegesis that studies tradition also in philosophy and literature, for hermeneutics that opens the possibility of new narratives and the interaction with contemporary knowledge, what we call “background” in the previous post.

The narratives of the digital world are new, of course not all are convergent, but the fact that there are new narratives, even those that challenge the irreversible digital environment, show that there is a new paradigm under which it is not possible to construct a narrative that is at the same time contemporary, open and evolutionary, without considering it[:]

 

[:pt]Exegese, hermenêutica e ingenuidade[:en]Exegesis, hermeneutics and ingenuity[:]

21 jun

[:pt]Os exegetas acreditam ter encontrado a verdade e assim esperam ter a última palavra sobre determinado assunto, se alguém os contesta dizem que é por arrogância e não por falsidade, os hermeneutas são aqueles que acreditam que é sempre possível uma nova interpretação, uma vez que toda verdade é contextualizada e o ingênuo acredita só no que “sente”.
A exegese é uma interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário, ainda que possa ter elementos de profundidade como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas como qualquer outra forma de conhecimento.
Já a hermenêutica é um ramo da filosofia que desenvolve uma teoria da interpretação, mas também pode ser vista como a “arte da interpretação” e também se refere a prática e a intuição, nisto se funde com os outros saberes, com a diferença que admite a interpretação e não tem como pressuposto ser a última palavra em um diálogo, como prevê o círculo hermenêutico.
A ideia que os sentidos são o fundamento da verdade é bem antiga, mas é ingénua porque toda verdade deve ser contextualizada, depois deve ser analisada e interpretada também a luz da vivência pessoal de cada um, e finalmente confrontada com a história, não a romântica da analítica ou pragmática da história, mas principalmente do que é avanço, do que é irreversível e especial do que é contextual.
Entenda contextual por cultura, a estrutura social e tradicional de um povo em determinado momento da história, também envolve aspectos políticos, e pode haver fatores de disrupção que tanto pode ser causado por uma grande mudança social quanto por uma mudança tecnológica ou estrutural de determinado processo social.
Também os exegetas se aceitam o círculo hermenêutico, que parte justamente de pré-conceitos podem interagir com a hermenêutica, mas sabem que a simples interação pode tirá-los da verdade absoluta e isto não significa cair no relativismo e sim no diálogo.[:en]The exegetes believe that they have found the truth and thus expect to have the last word on a given subject; if someone challenges them they say that it is by arrogance and not by falsehood, Hermeneutics are those who believe that a new interpretation is always possible, since all truth is contextualized and the naive believes only in what “feels.”
Exegesis is a deep interpretation of a biblical, legal or literary text, although it may have elements of depth as all knowledge, it has implicit and intuitive practices like any other form of knowledge.
Hermeneutics, however, is a branch of philosophy that develops a theory of interpretation, but can also be seen as the “art of interpretation” and also refers to practice and intuition, in this it merges with other knowledge, with the difference it admits interpretation and is not supposed to be the last word in a dialogue, as the hermeneutic circle predicts.
The idea that the senses are the foundation of truth is a very old one, but it is naive because all truth must be contextualized, then it must also be analyzed and interpreted in the light of one’s personal experience, and finally confronted with history, not romantic of the analytical or pragmatic of history, but mainly of what is advance, of what is irreversible and special of what is contextual.
Contextual understanding by culture, the social and traditional structure of a people at a given moment in history, also involves political aspects, and there may be disruption factors that can either be caused by a major social change or by a technological or structural change of a particular process Social.
Exegetes, too, accept the hermeneutic circle, which starts from preconceptions, can interact with hermeneutics, but they know that simple interaction can take them from absolute truth and this does not mean falling into relativism but in dialogue.
[:]

 

[:pt]Tornar hologramas reais, rápidos e precisos[:en]Make holograms real, fast and accurate [:]

20 jun

[:pt]Já mencionamos aqui o desenvolvimento de hologramas no espaço sem a necessidade de dispositivos que recriem os artefactos, agora é possível fazê-los de modo ultrarrápido e muito precisos.

Os cientistas do Laboratório Americano Lawrence Livermore na California desenvolveram uma técnica que pode criar objetos complexos em segundos, podemos dizer usando teorema de amostragem de Shannon para a criação de imagens, agora sendo elas tridimensionais.

Esta técnica cria os objetos em camadas simultaneamente, os detalhes foram publicados na revista Science Advances em dezembro de 2017, há duas inovações realmente importantes ali, a possibilidade de criar imagens reais de modo ultrarrápido usando uma resina fotossensível recriando a impressão 3D com um poderoso laser que endurece esta resina tornando-a um plástico.

 

Isto também pode ser feito com metais usando feixe de elétrons e um pó de metais em vez da resina, a também não precisa dos inúmeros suportes necessários às impressoras 3D.

O engenheiro Maxim Shusteff, do LLNL, que lidera o estudo disse ao site New Atlas: “o fato que você pode fazer peças totalmente em 3D, tudo em uma única etapa realmente supera um problema na manufatura aditiva”, agora os hologramas podem retornar às peças materiais.

Outra opção seria a bio-impressão em tecido vivo: “Nós fizemos uma boa primeira tentativa”, disse Shusteff, “mas ainda não levamos isso ao limite de seu desempenho, então o espaço está aberto para nós e outros para demonstrar o que essa abordagem é capaz de fazer.”  bioprinting tecido vivo. “Nós fizemos uma boa primeira tentativa,” disse Shusteff, “

Se a impressão 3D já era anunciada como uma revolução, esta nova técnica promete acelerar ainda mais este processo[:en]We have already mentioned the development of holograms in space without the need for devices that recreate the artifacts, now it is possible to do them in an ultra-fast and very precise way. Scientists at the Lawrence Livermore American Laboratory in California have developed a technique that can create complex objects in seconds, we can say using Shannon’s sampling theorem for imaging, now being three-dimensional.

This technique creates the objects in layers simultaneously, the details were published in the journal Science Advances in December 2017, there are two really important innovations there, the possibility of creating real images in ultra-fast mode using a photosensitive resin recreating 3D printing with a powerful laser which hardens this resin making it a plastic.

This can also be done with metals using electron beam and a metal powder instead of the resin, so does not need the numerous supports required for 3D printers. LLNL engineer Maxim Shusteff, who leads the study, told New Atlas: “The fact that you can make totally 3D parts, everything in one step really overcomes a problem in additive manufacturing”, now holograms can return to material parts.

Another option would be live tissue bio-printing: “We made a good first attempt,” Shusteff said, “but we have not yet taken it to the limit of its performance, so the space is open to us and others to demonstrate what this approach is able to do. “living tissue bioprinting. “We made a good first try,” said Shusteff,

If 3D printing was already heralded as a revolution, this new technique promises to further accelerate this process[:]

 

[:pt]Objetos reais e virtuais[:en]Real and virtual objects[:]

19 jun

[:pt]Foi a realidade mista que esclareceu o que são objetos reais e virtuais, os próprios autores Paul Milgram e Fumio Kishino que colocaram luzes não só na taxonomia dos ambientes virtuais e imersivos, mas principalmente na questão do real e do virtual.

Trataram a questão de distinção entre real e virtual em três aspectos, o que pode ser visto na figura ao lado que é uma versão modificada da Figura 2 do artigo do Milgram e Fumio, com modificações com a introdução do conceito de artefactos.

O primeiro aspecto é a diferença entre objetos reais e virtuais, que estão a esquerda da figura, os objetos reais possuem existência objetiva real, enquanto os virtuais existem em essência ou efeito, mas não formalmente, porém é deles que se tira a in-formação, o que são em essência.

Para que um objeto real seja visualizado, ele pode ser observado diretamente ou pode ser amostrado (antes de Shannon o ter imaginado) e ressintetizado por meio de algum artefacto.

A segunda distinção é retirada, pelos autores de um trabalho de Naimark (1991), que é a questão da qualidade das imagens refletidas num aspecto chamado de realidade refletida, grandes esforços foram feita para isto que é a visualização direta em ar ou vidro, de um objeto real, ou a chamada de “realidade não mediada”, hoje tornada realidade na Brigham Young University.

O ponto de vista dos autores, e também o nosso é que não é só porque a imagem “pareça real” ela possa estar representando o real e sua in-formação e, portanto, a terminologia empregada deve ser cuidadosa ao explicitar esta diferença.

Esclarecida a “representação”, a terceira distinção é entre imagens reais e virtuais, para isto voltamos ao campo da ótica e “definimos operacionalmente uma imagem real como qualquer imagem que tenha alguma luminosidade no local em que ela parece estar localizada”, isto inclui a visualização direta do objeto real, assim como a imagem projetada no artefacto (os autores dizem no ecrã, mas o conceito pode ser estendido).

Assim a imagem virtual pode ser definida como o modo inverso da imagem que não possui luminosidade no local em que aparece, e, portanto, isto pode incluir exemplos de hologramas e imagens espelhadas como sugerem o autor, no entanto, escapa-lhe o fato que a própria visão humana espelha e inverte as imagens, então o que é real se precisamos dos olhos?

Também a questão da luminosidade é interessante, as sombras e as projeções que podem ser pensadas desde as pinturas rupestres até o mito da caverna de Platão, ali já era o virtual.

Naimark, M. Elements of realspace imaging. Apple Multimedia Lab Technical Report, 1991.[:en]It was the mixed reality that clarified what real and virtual objects are, the very authors Paul Milgram and Fumio Kishino who have placed lights not only on the taxonomy of virtual and immersive environments, but mainly on the question of the real and the virtual.
They addressed the distinction between real and virtual in three aspects, which can be seen in the figure that is a modified version of Figure 2 of Milgram and Fumio.
The first aspect is the difference between real and virtual objects, which are to the left of the figure, real objects have real objective existence, while virtual exist in essence or effect, but not formally, but it is from them that the in-formation , which they are in essence.
For a real object to be visualized, it can be directly observed or can be sampled (before imagined Shannon) and resynthesized by some artifact.
The second distinction is drawn by the authors of a Naimark paper, which is the question of the quality of the images reflected in an aspect called reflected reality, great efforts were made for this which is the direct visualization in air or glass of a real object, or the so-called “unmediated reality,” now made a reality at Brigham Young University.
The authors’ point of view, and also ours, is that it is not only because the image “looks real” it may be representing the real and its formation, and therefore the terminology used must be careful in explaining this difference.
Clarification of “representation,” the third distinction is between real and virtual images, for this we return to the field of optics and “operationally define a real image as any image that has some luminosity in the place where it appears to be located”, this includes and the image projected on the artifact (the authors say on the screen, but the concept can be extended).
Thus the virtual image can be defined as the inverse mode of the image that does not have luminosity in the place where it appears, and, therefore, this can include examples of holograms and mirror images as suggested by the author, however, escapes the fact that human vision itself mirrors and inverts the images, so what is real if we need the eyes?
Also the question of luminosity is interesting, the shadows and the projections that can be thought from the cave paintings to the myth of the cave of Plato, there already was the virtual one.

Naimark, M. Elements of realspace imaging. Apple Multimedia Lab Technical Report, 1991[:]

 

[:pt]Realidade Mista e o Virtual[:en]Mixed and Virtual Reality[:]

18 jun

[:pt]Em um artigo intitulado “Uma taxonomia de telas visuais de realidade mista|, Paul Milgram e Fumio Kishino, publicado na Revista ACM Information System   cunharam o termo “Realidade Mista” e o aplicaram pela primeira vez.

O artigo destes pesquisadores é fundamental porque não se esquivaram da pergunta o que é realidade virtual, e responderam de forma simples e direta ao separar o conceito virtual do real, ao dizer que “esses dois termos constituem a base agora onipresente do termo Realidade Virtual”.

Neste universo a intenção não é tão complexa, mas a “intenção básica é que um mundo ´virtual´ seja sintetizado, por computador, para dar ao participante a impressão de que esse mundo não é realmente artificial, mas é “real”, e que o participante está “realmente” presente dentro desse mundo”, afirmam os autores no deste artigo.

Foi isto que os fez criar o termo realidade mista, ao conversarem com diferentes investigadores, perceberam que “lidar com questões como se objetos específicos ou cenas sendo exibidas são reais ou virtuais, se imagens de dados digitalizados devem ser consideradas reais ou virtuais. se um objeto real deve parecer “realista”, enquanto um virtual não precisa.”

A ideia da Realidade Mista situa-se entre Realidade Virtual (RV) e a Realidade Aumentada (RA), mas o importante desta ideia é o acesso ao dia a dia de pessoas comuns, os capacetes e dispositivos de realidade virtual provocam uma sensação de mal-estar em muitas pessoas, e a realidade mista permite o uso fácil e simples destes conceitos.

Resumindo realidade mista é uma forma de fundir o mundo real com o virtual para produzir novos ambientes e formas de visualização em que os objetos físicos e digitais coexistam e possam interagir no mundo real, em tempo real.

Em 2015, a Microsoft causou impacto no mercado ao lançar seu produto HoloLens, mas o que parecia uma grande estratégia rapidamente caiu no descrédito pois o custo era muito alto, agora empresas como Acer. Samsung, Asus, Lenovo e Dell estão fabricando seus headsets, e o ambiente “Visualizador de Realidade Mista” da Microsoft dá popularidade a estes produtos.

Milgram, P. e Kishino, F. IEICE Transactions on Information Systems, A taxonomy of Mixed Reality Visual Displays, Vol E77-D, No.12 December 1994. [:en]In an article entitled “A Taxonomy of Mixed-Reality Visuals”, Paul Milgram and Fumio Kishino, published in the ACM Information System Magazine, coined the term “Mixed Reality” and applied it for the first time.
The article of these researchers is fundamental because they did not dodge the question what virtual reality is, and responded simply and directly by separating the virtual concept from the real, saying that “these two terms constitute the now ubiquitous basis of the term Virtual Reality” .
In this universe the intention is not so complex, but the “basic intention is that a ‘virtual’ world be synthesized by computer to give the participant the impression that this world is not really artificial, but is ‘real’, and that the participant is “really” present within this world, “say the authors in this article.
This is what made them create the term mixed reality, when talking to different researchers, realized that “dealing with questions as to whether specific objects or scenes being displayed are real or virtual, whether images of scanned data should be considered real or virtual. if a real object should look “realistic”, while a virtual one does not need it. ”
The idea of ​​Mixed Reality lies between Virtual Reality (RV) and Augmented Reality (RA), but the important thing about this idea is access to everyday life, helmets and virtual reality devices provoke a feeling of evil -established in many people, and mixed reality allows the easy and simple use of these concepts.
Summarizing mixed reality is a way of merging the real world with the virtual to produce new environments and forms of visualization in which physical and digital objects coexist and can interact in the real world in real time.
In 2015, Microsoft had an impact on the market by launching its HoloLens product, but what looked like a great strategy quickly fell into disrepute because the cost was too high, now companies like Acer. Samsung, Asus, Lenovo, and Dell are making their headsets, and Microsoft’s “Reality Viewer” environment gives these products popularity.
Milgram, P. and Kishino, F. IEICE Transactions on Information Systems, A taxonomy of Mixed REality Visual Displays, Vol E77-D, No.12 December 1994
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