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agosto « 2018 « Blog Marcos L. Mucheroni Filosofia, Noosfera e cibercultura
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Arquivo para agosto, 2018

[:pt]Entre a pureza e a fraternidade[:en]Between purity and brotherhood[:]

31 ago

[:pt]A maioria do pensamento religioso cotidiano, é que estamos imersos em uma cultura da impureza, de coisas que não são saudáveis, isto levou ao que Peter Sloterdijk chama de imunologia, a ideia que devemos nos separar de tudo que é “impuro”.
Mas este conceito pode ser ampliado para etnias, culturas xenofóbicas, endogenia, culto a determinada forma de género, entre muitas outras, também a religiosa.
Talvez a maior impureza de nosso tempo, seja justamente considerar o Outro impuro, ou indigno, ou inferior ou qualquer forma de exclusão, que nada mais é do que recusar a sair de nossa “esfera”, de nossa segurança, parte fundamental deste raciocínio é a desconfiança.
O fato que alguém pense diferente não deveria ser motivo, para considerar o pensamento e o modo de vida do Outro algo perigoso ou mesmo nocivo a nossa “cultura”, é algo novo, curioso pelo qual devemos nos interessar e tentar entender o seu modo de viver, que é sua “esfera”.
Em termos bíblicos foi isto que escreveu o evangelista Marcos, no Capitulo 7, 14-23, ao mostrar a visão do Mestre sobre o que torna de fato os homens impuros: “Escutai, todos, e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.
É fácil compreender quanto do raciocínio “esférico” está presente em diversas redomas de proteção, são os muros virtuais que erguemos em nossa volta e parecem dar segurança.[:en]

Most everyday religious thinking is that we are immersed in a culture of impurity, of things that are not healthy, this led to what Peter Sloterdijk calls immunology, the idea that we should separate ourselves from everything that is “impure.”
But this concept can be extended to ethnicities, xenophobic cultures, endogeny, worship to a specific form of gender, among many others, also religious.
Perhaps the greatest impurity of our time, is precisely to consider the Other impure, or unworthy, or inferior or any form of exclusion, which is nothing more than refusing to leave our “sphere”, our security, a fundamental part of this reasoning is the distrust.
The fact that someone thinks differently should not be a reason, to consider the Other’s thought and way of life as something dangerous or even harmful to our “culture”, is something new, curious that we should be interested in and try to understand its way of to live, which is their “sphere.”
In biblical terms, this was what Evangelist Mark wrote in Chapter 7, 14-23, in showing the Master’s vision of what makes men impure indeed: “Listen, all of you, and understand: what makes a man unclean it is what comes into it from without, but what comes out from within. For it is from within the human heart that evil intentions, immorality, robberies, murders, adulteries, outbursts of ambition, malice, fraud, debauchery, envy, slander, pride, lack of judgment come out. All these evil things come out from within, and it is they that make man unclean. ”
It is easy to understand how much of the “spherical” reasoning is present in various protection rings, it is the virtual walls that we erect around us and seem to provide security.
 
 

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[:pt]O zoológico humano e a antropotécnica[:en]The human zoo and antropotécnica [:]

30 ago

[:pt]Numa conferência realizada em 17 de julho de 1999, que era dedicada a Heidegger e Lévinas, no castelo de Elmau na Baviera, o filósofo Peter Sloterdijk tratou de temas polêmico como a manipulação genética e lançou a ideia de uma “antropotécnica”, provocando fortes reações na Alemanha e também no Brasil no caderno Mais+ da folha de São Paulo “O novo zoológico do homem” foi destaque de capa em 10 de outubro de 1999.

As ideias do filósofo já haviam sido apresentadas em uma cidade Suíça da Basiléia, mas agora a reação era a relação do humanismo com os meios de comunicação, uma interpretação mais midiática do humanismo, que provocou reação do filósofo Habermas e de um articulista da prestigiosa revista alemão Der Spiegel, onde uma polêmica se iniciou com o articulista Thomas Assheuer que o indicava que Sloterdijk “propagandeia a seleção pré-natal e o nascimento opcional: técnica genética como crítica social aplicada .. traços de retórica fascistas” foi publicada na prestigiosa revista.  

Em 9 de setembro do mesmo ano Sloterdijk publicou na Die Zeit, duas cartas abertas uma dirigida a Assheuer e outra a Reinhard Mohr, que o atacou também, mas afirmando que o mentor destes ataques era Jürgen Habermas, e de modo ainda mais provocativo intitulou seu artigo de “Die Kritische Theorie ist tot”, traduzindo A teoria crítica está morta.

A polêmica cresceu e os artigos de Manfred Frank e Ernst Tungendhat publicados em 27 de setembro no Spiegel, fazia um dossiê do livro de Sloterdijk, as Regras para o Parque Humano já era um livro, trazendo na capa uma estátua no estilo de Arno Breker, escultor do III Reich, agrupando ícones de Hitler, Nietzsche e o Superman das histórias em quadrinhos, a ovelha Dolly e Lara Croft, uma heroína de jogos virtuais de computador, a polêmica se formou.

O ponto de partida de Sloterdijk não era esse, confesso que foi minha reação numa primeira leitura também, mas o seu ponto de partida era, e sua presença no colóquio dedicado a Heidegger e Lévinas provam isto, uma frase do poeta Jean-Paul no inicio do livro: “livros são cartas dirigidas a amigos, apenas mais longas”, um humanismo ligado a escrita.

Também a referência á humanitas de Cícero, uma oposição à selvageria e brutalidades que era os espetáculos no anfiteatro humano, mostra ao contrário de seus detratores, a preocupação com um pré-fascismo atual (ler o post de ontem), que vinha se desenhando e agora já é realidade em várias partes do planeta, e lembramos que o “humanismo nacional” do século XIX foi justamente onde se desenharam as duas guerras mundiais do século XX.

O que levou Heidegger a perguntar na sua Carta sobre o humanismo, e o livro de Sloterdijk é uma resposta, se uma manifestação cega de antropocentrismo levou a três concepções de confrontos trágicos do século XX: “o bolchevismo, o fascismo e o americanismo”, em sua resposta afirma Sloterdijk que o cristianismo, o marxismo e o existencialismo foram as três alternativas humanistas que “evitam a radicalidade última da questão sobre o ser humano” (Sloterdijk, 1999, p. 23).

A separação do homem em relação a natureza, e ao animal que na visão de Heidegger não +e a racionalidade, na imagem de Sloterdijk, Heidegger caminha entre eles como um anjo colérico em sua espada de fogo (idem, p. 25), marcando a clivagem ontológica entre o ser da biologia e o homem enquanto clareira do Ser, para quem o Ser se apresenta como Ser que escolhe para sua guarda, em sua busca para a “pacificação” que duas guerras mundiais sepultaram, e agora parecem esta no horizonte ao longe.[:en]At a conference held on July 17, 1999, dedicated to Heidegger and Lévinas, at the castle of Elmau in Bavaria, the philosopher Peter Sloterdijk addressed controversial issues such as genetic manipulation and launched the idea of ​​an “anthropotech”, provoking strong reactions in Germany and also in Brazil in the space Mais+ of the Folha de São Paulo daily “The new zoo of the man” was cover featured on October 10, 1999.

The philosopher’s ideas had already been presented in a Swiss city of Basel, but now the reaction was the relationship of humanism with the media, a more mediatic interpretation of humanism, which provoked the reaction of the philosopher Habermas and a columnist of the prestigious magazine German Der Spiegel, where a controversy began with the writer Thomas Assheuer who indicated that Sloterdijk “propagates prenatal selection and optional birth: genetic technique as an applied social critic .. traces of fascist rhetoric” was published in the prestigious journal.

On 9 September of the same year Sloterdijk published in Die Zeit, two open letters one addressed to Assheuer and another to Mohr, who attacked him as well, but stating that the mentor of these attacks was Jürgen Habermas, and even more provocatively entitled his article of “Die Kritische Theorie ist tot”, translating The critical theory is dead. The controversy grew and the articles by Manfred Frank and Ernst Tungendhat published on September 27 in Spiegel, made a dossier of Sloterdijk’s book of Sloterdijk. 

The Rules for the Human Park was already a book, with a cover in the style of Arno Breker, sculptor of the III Reich, grouping icons of Hitler, Nietzsche and the Superman of the comics, the sheep Dolly and Lara Croft, a heroine of virtual games of computer, the controversy was formed. Sloterdijk’s point of departure was not this, I confess it was my reaction at first reading too.

But his starting point this book was, and his presence at the colloquium dedicated to Heidegger and Lévinas prove this, a phrase of the poet Jean-Paul at the beginning of the book: “books are letters addressed to friends, only longer”, a humanism linked to writing.

Also the reference to Cicero’s humanitas, an opposition to the savagery and brutalities that were the spectacles in the human amphitheater, shows, unlike his detractors, the preoccupation with a current pre-fascism (read yesterday’s post), which was drawing and is now a reality in many parts of the world, and we remember that the “national humanism” of the nineteenth century was precisely where the two world wars of the twentieth century were designed.

What led Heidegger to ask in his Letter on Humanism, and Sloterdijk’s book is a response, if a blind manifestation of anthropocentrism led to three conceptions of tragic confrontations of the twentieth century: “Bolshevism, Fascism and Americanism,” in his reply Sloterdijk affirms that Christianity, Marxism and existentialism were the three humanist alternatives that “avoid the ultimate radicality of the question about the human being” (Sloterdijk 1999: 23).

The separation of man from nature, and the animal which in Heidegger’s view is not + and rationality, in Sloterdijk’s image, Heidegger walks among them like an angry angel in his sword of fire (idem, 25), marking the ontological cleavage between the being of biology and man as the clearing of Being, for whom the Self presents itself as a Being that chooses for its guard, in its search for the “pacification” that two world wars have buried, and now they seem to be on the near horizon now.[:]

 

[:pt]Porque é importante ler Sloterdijk[:en]Why it is important to read Sloterdijk[:]

29 ago

[:pt]Informei no último post que além das esferas de Sloterdijk, li somente as Esferas I que foi publicada em português, que tenho minha própria esfera emprestada de Chardin: a noosfera, e as outras de Sloterdijk tenho comentários do próprio autor e de leitores e interpretes dele.
Um resposta que li recentemente de uma entrevista dele, me deu uma síntese importante de minha proximidade do pensamento dele, ao ser perguntado sobre o que esperava do mundo acadêmico, afirmou em tom cerimonial: “A partir do século 19 (pensemos em Kierkegaard, Schopenhauer ou Nietzsche), o mundo dos filósofos se divide entre aqueles que, como eu, buscam uma aliança com os meios de comunicação de seu tempo (naquela época, a literatura; hoje, a imprensa, o rádio e a televisão), e aqueles que não o fazem, apostando no clássico vínculo entre a universidade e as editoras de livros como seu único biótopo cognitivo”, entre muitas coisas que li, esta é a mais genial.
Não aposto nas Mídias de redes sociais, blogs como este que escrevo a dez anos, por modismo ou afirmação do meu pensamento, mas porque penso que é importante dialogar com o que é hoje mediático, me recusei a algum tempo, por exemplo, ao Twitter que é impulsivo e colérico.
Outro ponto de contato é sua visão da zona de conforto, na mesma entrevista veiculada no caderno Mais+ da Folha de São Paulo de 2003, mas que fortuitamente encontrei num site para reler o que havia me influenciado na época, que me fez logo comprar o livro: Regras para o Parque Humano, publicado pela estação Liberdade na virada do milênio, mas logo parei de ler.
Só retomei anos mais tarde alertado por um aluno para a importância de seu pensamento.
Esse ponto de segurança, portanto não é zona de conforto, explica: “Estamos pensando como o ser humano arquiteta a segurança de sua existência. Como ele vive? Como previne futuras eventualidades e catástrofes? Como se defende? Como se integra em suas culturas, entendidas como comunidades de luta? É uma mudança de paradigma: da filosofia para uma imunologia geral”, isto é, procuramos um “lugar” para estar seguro, há ai uma analítica do lugar, diria na minha análise, em frontal oposição ao pragmatismo niilista e kantiano.
Uma antevisão de Sloterdijk não pode deixar de ser percebida nesta entrevista, ao prever o fascismo nos EUA: “Do ponto de vista da teoria dos meios de comunicação, o fascismo é o monotematismo no poder. Se uma opinião pública se estrutura de tal maneira que a uniformização aumenta demais, temos um sintoma pré-fascista”, há vários pontos do planeta com este sintoma, e é claro, podemos mergulhar numa nova era fascistóide da pré-guerra.
Não há como deixar de ver isto em posições na America Latina, e no Brasil em particular.[:en]I informed in the last post that besides the spheres of Sloterdijk, I have my own sphere, borrowed from Teilhard Chardin: the Noosphere. I read Sloterdijk´s Spheres only I that was published in Portuguese, of the others I have comments of the own author and of his readers and interpreters, 
An answer I read recently from an interview with him gave me an important synthesis of my closeness to his thinking, when asked about what he expected from the academic world, he said ceremonially, “From the 19th century onwards (let’s think of Kierkegaard, Schopenhauer or Nietzsche), the world of philosophers is divided between those who, like me, seek an alliance with the media of their time (at that time, literature, today the press, radio and television), and those who do not do it, betting on the classic link between university and book publishers as their only cognitive biotope, “among many things I read, this is the coolest.
I do not bet on the media of social networks, blogs like the one I write to ten years, by fad or affirmation of my thinking, but because I think it is important to dialogue with what is now media, I refused some time, for example, to Twitter who is impulsive and angry.
Another point of contact is his view of the comfort zone, in the same interview published in the Folha São Paulo 2003 space Mais+, but which I randomly found on a website to re-read what influenced me at the time, which made me soon buy the book : Rules for the Human Park, published by brazilian Estação Liberdade, at the turn of the millennium, but soon stopped reading.
I only came back years later alerted by a student to the importance of his thinking.
This point of security, therefore, is not a zone of comfort, explains: “We are thinking how the human being architect the security of its existence. How does he live? How do you prevent future eventualities and catastrophes? How do you defend yourself? How do you integrate into your cultures, understood as communities of struggle? It is a paradigm shift: from philosophy to a general immunology, “that is, we seek a” place “to be sure, there is an analytic of the place, I would say in my analysis, in direct opposition to nihilistic and Kantian pragmatism.
A preview of Sloterdijk can not fail to be noticed in this interview, when predicting fascism in the USA: “From the point of view of media theory, fascism is monothematism in power. If a public opinion is structured in such a way that uniformity increases too much, we have a pre-fascist symptom, “there are several points on the planet with this symptom, and of course we can plunge into a new pre-war fascist era.
We can not fail to see this in positions in Latin America, and in Brazil in particular.[:]

 

[:pt]A imunologia de Sloterdijk[:en]Sloterdijk’s immunology[:]

28 ago

[:pt]O conceito imunológico de Sloterdijk, bem anterior ao processo de retorno ao nacionalismo que mergulhamos em diversos países, e até mesmo na America Latina, não é apenas uma explicação de forma individualizadas de viver, mas agora também da sociedade como um todo.
Mas Sloterdijk partiu da vida individualizada (ou biós, do grego) que era caracterizada como uma fase de sucesso de sistemas imunológicos, ou seja, a fase em que a relação com o homem com a natureza era de aprendizado, a definição da biologia sistêmica, para explicar que não pode existir uma forma de vida que não se preocupe com a conservação de suas estruturas imunitárias.
Assim afirmou o autor: “Se citarmos a afirmação metabiológica segundo a qual sistemas imunológicos seriam incorporações de expectativas de lesões ou expectativas de algum dano, fica claro que as culturas humanas, na medida em que essas representam a totalidade de procedimentos preventivos – ou, podemos dizer, as tradições –, são elaboradas com maior sensibilidade contra imunidade do que as espécies animais e vegetais. E nem todo mundo sabe que o conceito da imunidade originalmente não foi um conceito biológico, mas sim jurista, que foi utilizado como metáfora na biologia” (Critica da razão cínica, 1983).
Platão tinha um sistema parecido, mas fez uso de imagens e analogias na esfera “pastoral” para falar sobre a formação do individuo, para Sloterdijk esta associação s+olida entre o professor e o pastor, alunos e rebanho, só se dissolveu com pedagogias reformadas do século XX: “Na época, isso aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, em instituições como Summer Hill, onde o aluno passou a ser pensado como um rebanho que se autoeduca” (SLOTERDIJK, 1983)
Sloterdijk acrescenta que a questão pedagógica de como educar o ser humano é sobreposta por um drama biológico evolucionário: “A segunda descoberta da necessidade de formar o ser humano como ser humano propriamente dito – ou seja, imunizá-lo com a domesticação contra a sua própria associabilidade – ocorreu no século XIX, quando Charles Darwin colocou o ser humano no final da série de evolução, em sua teoria sobre as espécies” (Sloterdijk, 1983), afirmou em sua obra.
Nosso ponto de vista é que há também uma esfera espiritual na qual o homem evolui, seu espírito evolui, a Noosfera, conforme descrevera este Teilhard Chardin.[:en]Sloterdijk’s immunological concept, well before the process of returning to nationalism that we have plunged in several countries, and even in Latin America, is not only an individualized explanation of living, but now also of society as a whole.
But Sloterdijk started from the individualized life (or biós, from Greek) that was characterized as a success stage of immune systems, ie, the phase in which the relationship with man with nature was learning, the definition of systemic biology, to explain that there can be no way of life that does not worry about the conservation of their immune structures.
“If we quote the metabiological statement that immune systems would be embodiments of injury expectations or expectations of some harm, it is clear that human cultures, insofar as they represent the totality of preventive procedures – or, we can say, traditions – are elaborated with greater sensitivity against immunity than animal and plant species. And not everyone knows that the concept of immunity was originally not a biological concept, but a jurist, which was used as a metaphor in biology.” (Critique of Cynic Reason, 1983).
Plato had a similar system, but made use of images and analogies in the “pastoral” sphere to talk about the formation of the individual, for Sloterdijk this slosh association between teacher and pastor, students and herd, only dissolved with reformed pedagogies of the twentieth century: “At the time, this happened after World War II, in institutions like Summer Hill, where the student came to be thought of as a self-educated herd” (SLOTERDIJK, 1983)
Sloterdijk adds that the pedagogical question of how to educate the human being is superimposed by an evolutionary biological drama: “The second discovery of the need to form the human being as a human being proper – that is, to immunize him with domestication against his own associability – occurred in the nineteenth century when Charles Darwin placed man at the end of the evolutionary series in his theory on species “(Sloterdijk, 1983), stated in his work.
Our point of view is that there is also a spiritual sphere in which man evolves, his spirit evolves, the Noosphere, as described by this Teilhard Chardin.
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[:pt]Holograma faz sucesso[:en]Hologram make success[:]

26 ago

[:pt]De firma inesperada, uma cantora que é um holograma tridimensional, Hatsune Miku ganhou multidões para seus shows em várias cidades do Japão.

Os fãs de Hatsune, que é uma produção holográfica simulando uma garota de 16 anos, agitam seus apatatos luminosas e se agitam durante o show como se a artista fosse real.

Conforme reportagem do Daily Mail, a voz de Hatsune foi criada com amostras de voz da atriz japonesa Saki Fujita. Todas estas amostras contêm sons que, quando colocados em série, se transformam em palavras e frases. 

Agora os criadores do holograma podem compor qualquer música que a “avatar” irá cantar mesmo sem muita elaboração.[:en]Of unexpected firmness, a singer who is a three-dimensional hologram, Hatsune Miku conquered crowds for her shows in various cities of Japan.

 

Hatsune fans, which is a holographic production simulating a 16-year-old girl, shake their luminous apathetic and shake during the show as if the artist were real.According to the Daily Mail report, Hatsune’s voice was created with voice samples from Japanese actress Saki Fujita. All these samples contain sounds that, when placed in series, become words and phrases.

 
Now the creators of the hologram can compose any song that the “avatar” will sing even without much elaboration.
 

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[:pt]Aonde vai a civilização ?[:en]How’s civilization going? [:]

24 ago

[:pt]A crise civilizatória, profunda ao menos no ocidente, é evidente, os recuos com problemas de guerras, economias em crise e intolerância cultural e religiosa, são cada vez mais evidentes, mas aonde vamos ?
Primeiro é preciso reconhecer que em diversos processos históricos houveram recuos, um dos casos mais claro foi a restauração da monarquia na França, período que foi desta a queda de Napoleão Bonaparte em 1814 até a Revolução de julho de 1830.
Peter Sloterdijk escreveu “Se a Europa despertar”, na virada do milênio, criticando também a Europa como “império do centro”, enquanto Edgar Morin fala em romper “com todas as formas de dominação, imperialismo, colonialismo, coisificação na relação com os seres vivos, nas relações com a natureza, e nas próprias relações inter-humanas …” (MORIN, VIVERET, 2013, p. 45).
Entretanto mudanças profundas culturais estão em processo, toda mudança desperta uma dose de inercia e conservadorismo, esta é a análise que fazemos do renascer de nacionalismos exagerados (é preciso diferenciar de questões culturais e étnicas que são justas), novas formas de concentração de renda e de exclusão.
Morin analisa o processo de transformação da modernidade como: “o processo de pacificação, de civilização utilizava o perigo representado pelos bárbaros, pelos estrangeiros e pelos infiéis” (Morin, Viveret, 2013, p. 57), alertando que o processo de pacificação falhou, o que está também descrito na principal obra de Peter Sloterdijk “Regras para o parque humano”, que foi uma resposta a “Cartas sobre o humanismo” de Heidegger.
Assim como alertava o antropólogo e economista Karl Polanyi em “A grande transformação”, Morin alerta para o perigo das sociedades de mercado em oposição as economias de mercado, onde ouve uma passagem do que tinha valor não tinha preço, “para o que não tem preço não tem valor” (Morin, Viveret, 2013, p. 61), onde a lógica perversa da especulação financeira e corrupção politica destrói economias e nações, isto sem falar de situações de crise humanitária por todo o planeta.
É preciso profundas mudanças estruturais: o modelo de estado e de democracia, o controle no mercado e serviços das novas mídias sociais, a reestruturação do modelo educacional que inclua a transdisciplinaridade entre diversas áreas, e a conscientização da diversidade cultural e religiosa, entre muitas outras necessárias.
É como diz a palavra bíblica em João 6,60: “Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: Dura é essa palavra, quem pode suportá-la?” isto parece bem aplicável ao momento histórico presente.
MORIN, E., VIVERET, P. Como viver em tempo de crise? Rio de Janeiro: Bertrand Russel do Brasil, 2013.[:en]The civilization crisis, deep in the West at least, is evident, the retreats with problems of wars, economies in crisis and cultural and religious intolerance, are increasingly evident, but where are we going?
One must first recognize that in several historical processes there were retreats, one of the clearest cases was the restoration of the monarchy in France, a period that was the fall of Napoleon Bonaparte in 1814 until the Revolution of July, 1830.
Peter Sloterdijk wrote “If Europe awakens” at the turn of the millennium, also criticizing Europe as “the center’s empire,” while Edgar Morin speaks of breaking “with all forms of domination, imperialism, colonialism, living, in relationships with nature, and in the inter-human relationships themselves … “(MORIN, VIVERET, 2013, 45).
However profound cultural changes are in the process, every change arouses a dose of inertia and conservatism, this is our analysis of the rebirth of exaggerated nationalisms (we must differentiate from cultural and ethnic issues that are fair), new forms of concentration of income and of exclusion.
Morin analyzes the process of transformation of modernity as “the process of pacification, of civilization used the danger posed by barbarians, aliens and infidels” (Morin, Viveret, 2013, 57), warning that the pacification process failed , which is also described in Peter Sloterdijk’s main work “Rules for the Human Park,” which was a response to Heidegger’s Letters on Humanism.
As the anthropologist and economist Karl Polanyi warned in “The Great Transformation,” Morin warns of the danger of market societies as opposed to market economies, where he hears a passage of what had value was priceless, “for what has not price has no value “(Morin, Viveret, 2013, 61), where the perverse logic of financial speculation and political corruption destroys economies and nations, not to mention situations of humanitarian crisis across the globe.
It requires deep structural changes: the model of state and democracy, control in the market and services of the new social, restructuring of the educational model that includes transdisciplinarity between diverse areas, and awareness of cultural and religious diversity, among many other necessary .
As the Bible says in John 6:60, “When they heard this, many of his disciples said,” Tough is the word, who can bear it? “This seems well applicable to the present historical moment.

MORIN, E., VIVERET, P. Como viver em tempo de crise ? (How to live in times of crisis?) Rio de Janeiro: Bertrand Russel do Brasil, 2013[:]

 

[:pt]Crise civilizatória e tecnologia[:en]Civilization crisis and technology [:]

23 ago

[:pt]Não são raros os discursos de apelo ao estado forte, a líderes messiânicos e técnicas políticas já ultrapassadas, porque existem as Mídias de redes sociais na qual rapidamente um discurso pode ser dissecado, ainda que estas próprias Mídias possam ser causa de outras verdades que não aquelas que os poderes centrais desejam, chegando ao fake e ao ódio político.

Os manuais antigos de gerência politica estão sendo reabertos pelos donos do poder, de Locke, Hobbes até Maquiavel, não faltam discursos de apelo ao “soberano” prudente e habilidoso, mas a pergunta importante é: onde estão eles, ou melhor quem são eles ?

Estas receitas estão tendo eficácia, a direita ou à esquerda, justamente pelo uso ou mal uso de mecanismos de Mídias sociais, novamente como modelo de “controle das massas”, o que foi feito com Trump e tentativas na França, mas o que chama a atenção é o discurso do ódio.

Também neste campo não faltam discursos dizendo que foram as redes que potencializaram isto, porém elas não existiam no tempo de Hitler, Mussolini e nas versões da Americana Latina: Perón, Getúlio Vargas e outros, alguém poderá dizer o rádio potencializou isto, talvez, mas o essencial foi o apelo ao nacionalismo e racismo que inflamou as massas, e ele está de novo ai.

Ao desprezar, ou utilizar mal as novas mídias fazendo o mesmo discurso que estes grupos de correntes de odio e de apelos emocionais fazem, não estamos fazendo outra coisa senão dar crédito a uma visão de ódio, de intolerância e de xenofobia presente também nas Mídias convencionais: radio, TV e cinema estão ai potencializando a violência verbal e material.

A reversão disto depende de discursos que desnudem a verdade, entramos no campo que exploramos de que são tempo de encobrimento da verdade, conforme afirma Sloterdijk, e colocar luz, ir para a clareira significa desmontar a cultura esta cultura de encobrimentos.

Há corrupção, sexismo e psicologismo em abundância, discordar disto não é “politicamente correto”, não falo aqui de intolerância é obvio, que também desvelamos ao falar esta semana de Locke, Voltaire e agora também Maquiavel, cujo discurso afirma que o mesmo não pode ser:  “volúvel,  superficial,  efeminado, pusilânime, indeciso” (MAQUIAVEL, 1996, p.109).

Há conselho n´O Princípe como fugir do ódio, manter-se firme nas adversidades, etc. o que o torna bom para leitura, mas a comunicação e as Mídias evoluíram, é preciso no mínimo atualizá-lo.[:en]Discourses of appeal to the strong state, messianic leaders and political techniques already outdated are not uncommon, because there are social media in which a discourse can be dissected quickly, although these media themselves may be the cause of truths other than those that central powers want, coming to fake and political hatred.

The old manuals of political management are being reopened by the owners of power, from Lockes, Hobbes to Machiavelli, there is no shortage of speeches appealing to the prudent and skillful “sovereign”, but the important question is: where are they, or rather who are they?

These recipes are having efficacy, right or left, precisely because of the use or misuse of social media mechanisms, again as a “mass control” model, which has been done with Trump and attempts in France, but what attention is the hate speech.

Also in this field there is no shortage of speeches saying that it was the networks that potentiated this, but they did not exist in the time of Hitler, Mussolini and in the versions of Americana Latina: Perón, Getúlio Vargas and others, one could say the radio potentiated this, perhaps, but the essential was the appeal to nationalism and racism that ignited the masses, and he is there again.

By neglecting or misusing new media by making the same discourse as these groups of chains of hatred and emotional appeals do, we are doing nothing but give credence to a vision of hatred, intolerance and xenophobia present also in conventional media : radio, TV and cinema are boosting verbal and material violence.

The reversal of this depends on discourses that undress the truth, we enter the field we explore that it is a time of concealment of the truth, as Sloterdijk says, and to put light, to go to the clearing means to dismantle this culture of cover-ups.

There is corruption, sexism and psychologism in abundance. To disagree with this is not “politically correct,” I am not speaking of intolerance, of course, which we also unveiled when speaking this week of Locke, Voltaire and now also Machiavelli, whose speech affirms that it can not being: “fickle, superficial, effeminate, pusillanimous, indecisive” (MAQUIAVEL, 1996, p.109, brazilian edition).

There is counsel in the Principle how to flee from hatred, to stand firm in adversity, and so on. which makes it good for reading, but communication and media have evolved, you need to at least update it.

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[:pt]Porque a Inteligência artificial emergiu?[:en]Why did artificial intelligence emerge?[:]

22 ago

[:pt]O longo caminho percorrido pela Inteligência Artificial inclui a construção de linguagens como Lisp, Prolog, Haskel, mas atualmente emergiram ambientes como DialogFlow, Watson e
O Final do século 20 havia uma grande crise na IA (sigla para inteligência Artificial), mas a emergência de pesquisadores em Web Semântica retomou estudo e aos poucos, assuntos como IoT (internet das Coisas), Linguagem Natural e Machine Learning (não há uma tradução, mas poderíamos dizer aprendizagem por Máquina) emergiram.
O fato que assusta alguns está ligado ao conceito que se tem de “inteligência” e de “mente”.
Esta emergência despertou as cinco maiores companhias de tecnologia do mundo : Apple, Microsoft, Google, Amazon, e Facebook, que passaram a investir em inteligentes capazes de conversar com humanos.
Agora já 28% dos consumidores nos Estados Unidos atualmente usam algum assistente virtual, esses aparelhos que integram a tecnologia IA de um assistente de voz com um produto de casa comum tem tido grande sucesso, tais como Alexa, Echo e Google Home, mas o aumento de vendas para 39% anuais foram comemorados pelas empresas.
Em empresas a preocupação com a privacidade, a operação é feita usando armazenamento em nuvens, empresas com assistentes de som usam medidas diferentes para proteger as informações pessoais de seus consumidores, mas sabem que existem falhas nessas defesas.
O áudio enviado para a Google e Amazon é criptografado antes de ser transmitido, deixando a troca de dados supostamente segura, mas a base de dados pessoas precisa ser acessada para que a máquina vá “desenvolvendo” sua capacidade de aprendizagem.
Recentemente um pesquisador inglês da área de segurança da informação demonstrou que é possível transformar um Echo fabricado antes de 2017 em um instrumento de gravação perpetua cujo áudio pode ser transmitido a um local remoto, sem que o usuário saiba.
Para se proteger de hackers, uma boa prática é acessar sua conta e apagar o histórico de interações com os serviços periodicamente, mas resta saber se não foi hackeada neste período.
Já o Siri da Apple, ao invés de associar a gravação com a conta de usuário, ele associa a coleta da interação com você com uma série de números aleatórios.
Com ou sem segurança, este mercado cresceu e as empresas estão de olho, já é irreversível.[:en]The long road covered by Artificial Intelligence includes the construction of languages such as Lisp, Prolog, Haskel, but environments like DialogFlow, Watson, and
At the end of the 20th century there was a major crisis in AI, but the emergence of researchers in the Semantic Web resumed study and gradually, subjects like IoT (Internet of Things), Natural Language and Machine Learning (there is no translation, but we could say learning by Machine) emerged.
The fact that scares some is linked to the concept of “intelligence” and “mind.”
This emergency has awakened the five largest technology companies in the world: Apple, Microsoft, Google, Amazon, and Facebook, which have started investing in smart people who can talk to humans.
Now 28% of consumers in the United States currently use some virtual assistant, these devices that integrate the AI technology of a voice assistant with a common home product has had great success, such as Alexa, Echo and Google Home, but the increase of sales to 39% annually were celebrated by companies.
In companies the concern for privacy, the operation is done using cloud storage, companies with sound assistants use different measures to protect the personal information of their consumers, but know that there are flaws in these defenses.
The audio sent to Google and Amazon is encrypted before being transmitted, leaving the data exchange supposedly safe, but the people database needs to be accessed in order for the machine to “develop” its learning ability.
Recently a researcher in the field of information security has demonstrated that it is possible to transform an Echo manufactured before 2017 into a perpetual recording instrument whose audio can be transmitted to a remote location without the user knowing.
To protect yourself from hackers, a good practice is to access your account and erase history of interactions with the services from time to time, but it remains to be seen if it has not been hacked in this period.
Apple’s Siri, instead of associating the recording with the user account, associates the collection of the interaction with you with a series of random numbers.
With or without security, this market has grown and companies are watching, it is irreversible.[:]

 

[:pt]Cinismo e verdade nua[:en]Cynicism and naked truth [:]

21 ago

[:pt]Disse Sloterdijk sobre a forma de violência contemporânea que usa o corpo, referindo-se a tentativa de emudecer Theodor Adorno; “Não foi a violência nua que emudeceu o filósofo, mas a violência da nudez”, e isto lhe impulsionou a escrever a Critica da razão cínica.   

Os comentários posteriores ao livro, Sloterdijk discorreu sobre a transformação social e o porque ela lhe estimulou ao livro, em entrevistas ao Fronteiras do Pensamento, a verdade, em uma sociedade cuja cultura é grande parte por muitas formas de encobrimentos, surge um desnudamento agressivo e involuntário.

Há nela um rastro de considerações exageradas que levam a tentativa (ele diz que é afirmativa) na fundamentação que ela possa ser totalmente verdade, a expressão usada como tentativa de salvar o “esclarecimento” e os argumentos da Teoria Crítica, os paradoxos do método salvador cuidam para que não permaneça com uma primeira impressão.

A ideia que me parecia ir do Esclarecimento ao cínico, o próprio autor afirma que a própria investigação do cinismo se transforma na fundamentação de uma ausência de ilusões, seu comentário me esclarece as inúmeras paradas e retomadas de um livro denso e instigante.

O esclarecimento diz o autor, sempre significou a desilusão no sentido positivo e, na medida que progride, tanto se torna mais próximo a um instante no qual a razão é uma afirmação.

Segundo o autor a neurose europeia concebe a felicidade como uma meta e o empenho racional como um caminho até ela, é preciso quebrar sua compulsão, é preciso dissolver o vício crítico do aprimoramento, e isso em favor do bem, do qual desviamos tão facilmente em longas marchas.

A síntese do autor sobre a atmosfera cultural de nosso tempo é uma mistura de cinismo, sexismo, “objetividade” e psicologismo formada na superestrutura do Ocidente: uma atmosfera de crepúsculo, boa para corujas e para a filosofia.[:en]Sloterdijk said about the contemporary violence that uses the body, referring to Theodor Adorno’s attempt to mute; “It was not the naked violence that muffled the philosopher, but the violence of nakedness,” and this prompted him to write the Critique of Cynic Reason.

Subsequent remarks to the book, Sloterdijk talked about social transformation and why she stimulated the book, in interviews to the Frontiers of Thought (in portuguese Fronteiras do Pensamento), the truth, in a society whose culture is largely part of many forms of cover-up, there is an aggressive denudation and involuntary.

There is in it a trail of exaggerated considerations that lead to the attempt (he says it is affirmative) in the foundation that it may be totally true, the expression used as an attempt to save the “enlightenment” and arguments of Critical Theory, paradoxes of the saving method take care that it does not remain with a first impression.

The idea that seemed to me to go from Clarification to Cynic, the author himself states that the very investigation of cynicism turns into the foundation of an absence of illusions, his comment clarifies the countless stops and retakes of a dense and thought-provoking book.

Clarification says the author has always meant disappointment in the positive sense and, as it progresses, both becomes closer to an instant in which reason is a statement.

According to the author, European neurosis conceives happiness as a goal and rational commitment as a path to it, it is necessary to break its compulsion, it is necessary to dissolve the critical vice of improvement, and this in favor of good, from which we so easily deviate in long gears.

The author’s synthesis of the cultural atmosphere of our time is a mixture of cynicism, sexism, “objectivity” and psychologism formed in the superstructure of the West: an atmosphere of twilight, good for owls and for philosophy.[:]

 

[:pt]Diálogo em tempos de intolerância[:en]Dialogue in intolerance´s times [:]

20 ago

[:pt]Não se discutem propostas e projetos, mas procura-se calar a voz discordando pelo apelo dramático a determinados fatos ou situações, e são fáceis de serem encontrados justamente pela ira que se tomou toda a sociedade, mas sem uma conversa serena e razoável sobre temas centrais: educação, saúde e segurança, entre muitos inadiáveis.

Os tratados de Voltaire e Locke sobre a Tolerância podem ajudar muito, ainda que eles próprios tivessem suas próprias intolerâncias, o livro Cândido de Voltaire, por exemplo, é uma ironia ao pensamento de Christian Wolff (1679-1754) discípulo de Leibniz e leitor de Kant.

 Voltaire que via o fundamentalismo religioso levar pessoas, grupos e até países ao radicalismo, proclamou que era necessário: “diminuir o número de maníacos”, segundo Voltaire (2015, p. 4) e uma maneira de superá-lo era “submeter essa doença do espírito ao regime da razão, que esclarece lenta, mas infalivelmente os homens. Essa razão é suave, humana, inspira a indulgência, abafa a discórdia, fortalece a virtude, torna agradável a obediência às leis, mais ainda do que a força é capaz” (idem).

O seu cinismo, Peter Sloterdijk não o aborda diretamente, mas refere-se a todo racionalismo de sua época em “Critica da Razão cínica”, escreve que Voltaire afirmou sobre os egípcios que “sempre turbulento, sedicioso e covarde, povo que havia linchado um romano por ter matado um gato, povo desprezível em quaisquer circunstâncias, não obstante o que digam dele os admiradores das pirâmides” (Voltaire, 2015, p. 59).

Voltaire não demonstra nenhum traço de generosidade, de magnanimidade, de beneficência” (Voltaire, 2015, p. 73); em obra Cartas inglesas ou Cartas filosóficas, predomina uma visão desumanizada e estereotipada dos negros que seria digna de um processo racista hoje.

A tolerância, que não significa concordância, é baseada na ideia que as relações humanas entre povos de diferentes culturas, concepções políticas e religiosas podem conviver de forma que as relações entre indivíduos e comunidades seja de respeito aos valores do Outro.

Por isso uma ética da alteridade combinada com uma visão ontológica e antropotécnica de que somos seres complexos e que a relação com os outros e com as culturas devem e podem ter diferenças, deve estar fundamentada na ideia da diversidade e não da uniformidade.

O que pensamos sobre tolerância no passado deve ser ampliado e enriquecido pela diversidade.

 

VOLTAIRE. Tratado sobre a tolerância. São Paulo, Folha de São Paulo, 2015.[:en]There is no discussion of proposals and projects, but one tries to silence the voice by disagreeing with the dramatic appeal to particular facts or situations, and is easy to find precisely because of the anger that has taken over the whole society, but without a calm and reasonable conversation on central themes : education, health and safety, among many undeliverable.

Voltaire and Locke’s Treatises on Tolerance can greatly help, even though they themselves had their own intolerances, the book Cândido de Voltaire, for example, is an irony to the thought of Christian Wolff (1679-1754) a disciple of Leibniz and a reader of Kant.  

Voltaire who saw religious fundamentalism take people, groups and even countries to radicalism, proclaimed that it was necessary to “reduce the number of maniacs,” according to Voltaire (2015, p.4) and one way to overcome it was “to subdue this disease from the spirit to the regime of reason, which slowly, but infallibly enlightens men. This reason is gentle, humane, inspires indulgence, smothers discord, strengthens virtue, makes obedience to laws even more pleasing than strength is capable “(ibid.).

His cynicism, Peter Sloterdijk does not directly address it, but refers to all of his time rationalism in “Critique of Cynic Reason”, he said that Voltaire states about the Egyptians that “always turbulent, seditious and cowardly, people who had lynched a Roman for having killed a cat, despicable people under any circumstances, regardless of what the admirers of the pyramids call it “(Voltaire, 2015, 59).

Voltaire shows no trace of generosity, of magnanimity, of beneficence “(Voltaire, 2015, 73); in English Letters or Philosophical Letters, a dehumanized and stereotyped vision of blacks predominates that would be worthy of a racist process today.

Tolerance, which does not signify agreement, is based on the idea that human relations between peoples of different cultures, political and religious conceptions can coexist in such a way that relations between individuals and communities are respectful of the values ​​of the Other. Therefore an ethics of otherness combined with an ontological and anthropological view that we are complex beings and that the relationship with others and with cultures must and can have differences must be based on the idea of ​​diversity rather than uniformity.

What we think about tolerance in the past must be expanded and enriched by diversity.

VOLTAIRE. Treaty on tolerance. Brazilian edition. São Paulo, Folha de São Paulo, 2015.[:]