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Arquivo para janeiro 2nd, 2019

Que crise é esta ?

02 Jan

Sem dúvida não é apenas uma crise do ser humano, é também do que se pensa como humano, aquilo que muitos intelectuais chamam de “crise das humanidades”, entre os que a chamam-na assim está Martha Nussbaum.

Sua formação em estudos clássicos de literatura e filosofia, na NYU e em Harvard, o texto já publicado em português A fragilidade da Bondade, original de 1986 e na versão do Brasil em 2009, trata-se na verdade uma revisão do pensamento grego clássico.

Seguiu-se Love´s Knoledeg (1990), sem edição em português, reuniu ensaios de Platão, Aristóteles, e os contemporâneos Henry James e Samuel Beckett, depois veio Poetic Justive (1995) uma visão incomum do direito, e Cultivating Humanity (1998) seus escritos políticos.

A crise que não é de hoje, que não é portanto do mundo digital e muito menos da era eletrônica (cinema, radio, TV e telecomunicações) é na verdade uma crise do pensamento que veio de um  sociedade com estrutura idealista, pseudo-científica e desumana, sem utopia, mistério e poesia.

O livro da autora, Nor for profit: Why Democracy need the humanidades, de 2010, pela Princeton University Press, foi a primeira tentativa, mas não é ainda uma resposta á crise.

É enganoso pensar que o campo de Nussbaum se restringe aos EUA, conhece bem a India, fez trabalho em parceria com Amartya Sem, e tem dados da Alemanha, Suecia e Inglaterra.

O campo privilegiado de observação de Nussbaum não se restringe aos Estados Unidos. Conhece bem a Índia, onde desenvolve trabalhos sistemáticos de pesquisa, alguns ao lado do Nobel de Economia Amartya Sen, além de referir dados genéricos de Alemanha, Suécia e Inglaterra.

Defende uma reeducação no estilo Socrático, este seu maior acerto, pois a própria filosofia antiga já é revista pelo do terceiro excluído, o princípio quântico (A e não A, não haveria uma terceira hipótese), já não é mais verdadeiro.

Em seu trabalho com o educador indiano Rabindranath Tagore, entre tantos outros autores, de diversas correntes, como Rousseau, Dewey, Froebel, Pestalozzi, Alcott , Monstessori etc. faz a critica que é sempre uma educação generalista, e não diz, mas fundamentalmente idealista.

Defende acima de tudo que a filosofia deve ser útil (não é utilitária) e beira o exotérico.

Seus último livro The monarchy of fear: a philosopher looks at our political crisis ( A monarquia do medo: uma filósofa observa nossa crise política , não há tradução para o português) é uma radiografia da crise atual do avanço do conservadorismo.

A ideia de criar o ser humano para o utilitarismo, para a produção e a economia, corrompeu a base humanista e criou uma hecatombe desumanizada e fria, é claro, ela não deixa de ter críticos conservadores, mas ao contrário da filosofia vulgar é erudita e com ideias claras.