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Arquivo para janeiro 3rd, 2019

Cultura e cristianismo

03 Jan

Uma das fortes reivindicações de pensadores da crise da modernidade é a abertura do pensamento a espiritualidade, ao universo metafisico e ao mistério de que mesmo os mais céticos devem reconhecer, mais de 90% do universo que são massa e energia escuras,  e são estudados.
A cultura contemporânea separou o saber dito científico, mas que é também cultural, do saber teológico, espiritual e cristão, não foi sempre assim, e o diálogo sempre é possível.
Ainda antes do período Romano, São Gregório Nazianzeno (ícone a direita), era conhecedor do helenismo e o cultivador da cultura antiga dentro da cultura cristã, por isso foi chamado Gregório Teólogo, logos é estudo e assim alguma sistemática e metodologia eram necessárias.
Gregório nasceu em Arianzo, na Capadócia, perto de Nazianzo, ele e o irmão realizaram estudos de retórica e filosofia e depois estudaram também em Alexandria e Atenas.
Quando falamos de ritos de Niceia e de Constantinopla, estamos fazendo dos cismas de seu tempo, entre o Concílio de Constantinopla (381), e o que Gregório foi chamado por seu arcebispo para liderar na tentativa de unificar a fé cristã, o Concílio de Antioquia, em 368, que discutia a Trindade.
No campo teológico além da contribuição para a compreensão do Espírito Santo, para o qual cunhou uma palavra nova que era a “processão”, em suas palavras: “O Espírito Santo é realmente um Espírito, vindo realmente do Pai, mas não da maneira do Filho, pois não é por geração e sim por ‘processão’,”, por isto o rito e credo niceno-constantonopolitano são diferentes.
Mas sua teologia mais compatível com os dias atuais a aposcatátase, a crença que no final dos tempos Deus colocará toda a criação em harmonia com o Reino dos Céus, compatível com as ideias de Teilhard Chardin e de teólogos que aproximam o sagrado do “profano”.
Sua contribuição concreta para o mundo contemporâneo e a crise da modernidade é a visão da “vita activa” e “vita contemplativa” como realidades não separadas, e que o filósofo atual Byung-Chull Han usa palavra analisar a sociedade atual que diz ser do “cansaço” pela ausência da vita comtemplativa.
O mundo contemporâneo tem sua própria ascese do corpo, do idealismo ou de uma fé sem qualquer espiritualidade, que Peter Sloterdijk chama de “desispiritualizada”, feita apenas de exercícios, ou como preferimos sem interiorização.
O mundo que pretendeu libertar-se das superstições caiu nas formas mais ridículas: jogar pedrinhas num poço, banhar-se de sal grosso, vestir roupa de certas cores no início do ano, evitar gato preto e outras mais ridículas ainda, “sapere aude” tornou-se “sapere ad ineptias” (saber coisas bobas).
Gregório Nazianzeno socorrei-nos.