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Arquivo para fevereiro, 2019

Até onde pode ir a AI

20 Fev

O projeto OpenAI que embora se diga “sem fins lucrativos” e seja realmente aberto, basta entrar no blog do projeto para verificar o andamento e as possibilidades, na verdade assuntou até mesmo os especialistas ao publicar um sistema que escreve notícias/textos, teoricamente de ficções, mas que podem ser classificados como fake, ou como estão sendo chamados: faketextos.
Também o código está aberto e disponível no site GitHub para desenvolvedores.
Os sistemas de processamento de linguagem natural podem fazer tarefas como responder questões, conversão de máquinas, compreensão de leitura e sumarização de textos, o que já são tipicamente abordadas com aprendizado supervisionado em conjuntos de dados específicos de tarefas, porém a pesquisa de textos no GPT2 é mais ampla em quantidade.
O GPT2, sucessor do GPT que era apenas um produtor de textos a partir de textos básicos, agora pode ler até 40 GB de textos existentes na Web, e o que tem produzido assusta um pouco, pela clareza, profundidade e o pior de tudo, pura ficção ou mais claramente: fakes.
Entre suas características sintáticas, é superior a outros do género, escrevendo passagens que fazem sentido com o texto anterior e mantém o estilo, sem se perder em frases longas.
O problema é que poderá gerar fakenews que agora podem ser mais longas, tornando-se faketextos, uma reportagem do The Guardian mostra a novidade e os problemas:

 

 

A arte linear, o 3D e o tesseracto

19 Fev

O fato que a cultura contemporânea está fundamentada numa ciência, numa arte e também numa dimensão ética e estética que se fundamenta na geometria construiu um modelo ideal de natureza, de homem e de sociedade, que é puramente ideal e irrealizável ao homem.
Aparenta um pós-humanismo, já que o humanismo contemporâneo é a aquele do imperativo categórico kantiano: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal”, as vezes suprime-se o “através de sua vontade”, mas o fato imperioso permanece lá, tornar-se modelo para os outros, narcisismo e pré-humanismo.
Tudo isto veio do idealismo e absolutismo das ideias geométricas matemáticas, não se trata do abstracionismo já que esta corrente tanto na arte quanto na própria matemática, tornou-se de fato muito mais revolucionárias do que parecem, a dimensão de Hausdorff e os fractais, assim como as hipóteses matemáticas e físicas sobre a entropia provam esta importância.
A física ao descobrir a quarta dimensão remete o pensamento e a aventura humano a um espaço até então impensável, as viagens intergalácticas, começa-se a desenha a história do próprio universo, como se formam as supernovas, o que são os buracos negros e a matéria negra, enfim um limiar de um novo tempo, que nasce da física quântica e da quarta dimensão.
O que isto tem a ver com a arte, com a tecnologia, absolutamente tudo, pois a visão e a sensação humano se ampliam, enquanto muitos se metem em buracos dogmáticos, alguns chegam a redeclarar a terra plana, a dimensão do infinito, das cosmogonias e da quarta dimensão emergem.
Tudo isto parece teórico, mas foi Carl Sagan, na sua famosa série Cosmos, agora disponível online, que explicou tudo isto de maneira simples e acessível a todos, segue um pedaço do seu vídeo no qual explica isto:

 

Uma exposição digital imersiva

18 Fev

Paris é famosa pelos museus do Louvre, Orsay e Grand Palais, já tem também um espaço de arte digital, chamado Atelier des Lumières (foto), homenagem justa aos irmãos Lumières.
A sua grande atração que começa agora é uma Exposição imersiva de Van Gogh, que tantas inspirações já deu, o filme Sonhos de Akira Kurosawa, diversos tipos de animação, e muita arte foi inspiração da genialidade do holandês.
O espaço debutou com a exposição de Gustav Klimt e rapidamente chamou a atenção.
Van Gogh é conhecido, mas Gustav Klimt (1862-1918) nem tanto, é curiosa a ligação dos dois com esta casa da Digital Media Arte, ambos opostos ao realismo (diria ao objetivismo realista, mas enfim …) e também ao positivismo que penetrou diversas humanidades, a arte não escapou.
Também se pode ligá-lo a Art Nouveau, seu movimento em outra direção surgiu a partir de um trabalho encomendado por um ricaço belga Adolphe Stoclet, que mandou construir um palácio deixando a cargo de Wiener Wekstratt, do Ateliê Vienense, onde Klimt era um expoente.
O estilo agora surge com estilos geométricos repetitivos, deixando aparecer algumas partes realistas (por isto digo …) que permitem o entendimento, ali usa uma cobertura estilo bizantino, e mosaicos onde o realismo e a abstração estão em contraste, e enfim o seu estilo.
Voltando a exposição imersiva de Van Gogh que acontece no Atelier des Lumières, a exposição se inicia agora em fevereiro e vai até dezembro de 2019.
O vídeo abaixo dá uma amostra da exposição, com apresentação do co-realizador da exposição Gianfranco Iannuzzi.

 

 

 

Desencantamento e esperança

15 Fev

Não só um há conservadorismo que retorna, nos EUA, no Brasil, agora na Europa também, mas também uma impotência de mudança expressa em discursos ultrapassados, sem qualquer apelo embora hajam fanáticos, como na Venezuela ou até na Rússia, tudo parece estagnado.
Pouca esperança a quem tem fome, a quem vive a desigualdade ou a intolerância social, é o grito também das minorias, vale lembrar que nenhuma ditadura lhes dá direitos, de onde podem vir esperanças e caminhos ?
O desencantamento não é devido as novas tecnologias, mas a desigualdade social, alerta o moçambicano Mia Couto: “A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos”, ele e também o sociólogo francês Michel Maffesoli falam e insistem em reencantamento, e dizem é possível em meio a retrocessos olhar para o futuro.
Ambos falam de olhar o que há já de novo nos jovens, é desencantamento perceber só o negativo, repetimos o que não aceitávamos em nossos pais: não aceitar o novo dos jovens.
Lembro-me dos cabelos compridos, das calças desbotadas, da “música alta” no início dos Rolling Stones, depois Black Sabbath quando ainda jovem assisti o filme O último certo de rock (The Last Waltz, foto) pensei: será que começo a envelhecer.
O filme incluía Eric Clapton, Ringo Starr, Bob Dylan, Ronnie Wood, Muddy Waters, Neil Young, Neil Diamond, Van Morrison, Bobby Charles, Dr. John, e outros, falava de uma banda canadense, justamente com o nome The Band, que terminou numa boa, sem loucuras e sem escândalos, fez este último concerto, em filme dirigido por Martin Scorcese (1978), mas eu ainda era bem jovem, o que houve então ?
Começava um desencantamento isto sim, via que o pensamento que julgava revolucionário, não o era tanto assim, e que as mudanças que previa não aconteceriam, em meados de 90 começa a Grasnost (transparência em russo) e depois a Perestroika, o mundo de fato mudou.
Mas sobrou ainda a concentração de renda, a violência contra a natureza e uma sociedade cada vez mais do cansaço, haverá em reencantamento ?
Temos que ter esperança, diz a leitura bíblica (Lc 6:21): “Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir!”.

Haverão sim uma reestruturação pois está no coração de muita gente, e ressurgirão as forças da mudança.

 

O reencantamento do Mundo e do Ser

14 Fev

Na modernidade o homem tentou superar seu sentido de existência projetando-se sobre uma racionalidade subjetivista, transcender tornou-se apreender e compreender o objeto pelo sujeito cognoscente, aquele que é capaz de conhecer “tudo”, o “sapere audi” de Kant.
O projeto moderno desalojou o ser, e desencantou o mundo, fazer poesia ou música parece romântico demais, ainda que o projeto estético da modernidade seja exatamente este, mas o romântico moderno é idealista, quer o impossível, separado do mundo em falsa objetividade.
Fala-se do ter, a corrente utilitarista que vê o mundo e também o ser segundo o valor de uso, Marx lembra também o valor de troca, porém o encantamento reside fora destes dois valores, é um não-valor no sentido de moeda, mas é “tão útil quanto o útil!” afirma Victor Hugo sobre a Arte, reclamando um valor além do convencional, dir-se-ia falta poesia e beleza.
O sociólogo francês Michel Maffesoli é um estudioso do assunto e também de “tribos urbanas”, e seu primeiro esclarecimento sobre o encantamento é que “não é o futuro que importa, mas o presente” (Fronteiras do Pensamento), chama-a de presenteísmo, já as correntes tanto idealistas em geral estão sempre projetadas num futuro, e pouco realizam dentro de um mundo concreto.
Ao ver e estudar as tribos urbanas, vê nelas uma dimensão emocional, mas do lado positivo, vê que é possível observar nos movimentos dos indignados de Madri como outros de contestação, esta dimensão emocional, que pode ser perigosa é verdade, mas é parte do Ser.
Outro que fala do tema é o escritor moçambicano Mia Couto, conhecido em todo o mundo, fala sobre a importância de não “podarmos o encantamento, a capacidade de fascinação, do êxtase diante das pequenas coisas.
Estar em Portugal produziu em mim um reencantamento, o fado, a comida, a convivência e também as pequenas coisas, um respeito pessoal maior, o cumprimentar pelo nome, o ritmo mais compassado da vida, a arquitetura, a história, a poesia e enfim a vida.

 

Markham no Canadá: smart city

13 Fev

O desconhecimento dos benefícios que o uso inteligente e racional pode trazer para diversas cidades tornam muitas políticas publicas ineficientes e com gastos desnecessários, um problema grave é a infraestrutura para monitorar as cidades.
Em projeto de parceria a Bell Canadá e a IBM Canadá querem tornar a cidade de Markham, Ontário no Canadá, de aproximadamente 330 mil habitantes, um modelo de uso de redes para torná-la “cidade inteligente”, segundo o Financial Post.
O governo da cidade usará as redes de banda larga da Bell e a análise de dados da IBM, coletando dados de sensores colocados em toda a cidade para decidir investimentos em vários aspectos de infraestrutura: vazamentos em tubulações, regiões sujeitas a inundações (está próxima ao lago de Ontário), problemas que surgem em tempestades, uso eficaz de energia e rastreamento.
Os projetos não deixam de incluir melhorias sociais e aspectos ecológicos dos quais dependem também o bom uso de tecnologia e de energia, muitos ambientalistas desconhecem que os resultados de Medellin foram alcançados também com uso de conceitos de Cidades Inteligentes, sendo o primeiro case na América do Sul.
Ensaios e projetos semelhantes estão sendo conduzidos no Canadá e outras partes do mundo tendo em vista o que uma série de serviços em vários fornecedores podem estar a preparar serviços que melhores custos e evitem a interrupção de serviços.

 

Fake news com dias contados

12 Fev

Noticias falsas, e também maliciosas ou tendenciosas são antigas, já citamos as denúncias que fazia Karl Kraus nos 20, também noticias de que a atriz Rita Hayworth (nome artístico de Margarita Carmen Cansino, famosa nos anos 50 e 60), que teria vivido mais dois anos, ou a propaganda enganosa que a Nike estaria dando camisas da seleção brasileira.
Agora há um software desenvolvido pela empresa de pesquisa Fraunhoffer-Gesellschaft, na Alemanha que desenvolveu um sistema que analisa automaticamente post das midias sociais e filtra falsas notícias e desinformação, podemos prever um futuro promissor.
É bom ressaltar que isto foi graças as novas tecnologias, a ferramenta faz um aprendizado por máquina (machine learning) que filtra as notícias e através de aprendizagem (no sentido de algoritmos por maquina) analisa conte+udos e metadados, verificando a interação do usuário e otimiza resultados em tempo real.
A ferramenta verifica ainda a quantidade de dados (processos de viralização), com gráficos de dados de envio, frequência e redes de seguidores.
Ulrich Schade, conforme o site da Fraunhofer, afirmou: “Nosso software pode ser personalizado e treinado para atender às necessidades de qualquer cliente. Nosso software pode ser personalizado e treinado para atender às necessidades de qualquer cliente. Para órgãos públicos, pode ser um sistema de alerta precoce útil”. 
Os metadados são usados como marcadores, e permitem assim uma marcação do posto com fake, ou seja, ele desempenha um papel crucial na diferenciação entre fontes autênticas de informação e notícias falsas.
Assim se um site com uma certa frequência de postagens é feita, qual e com que frequência um tweet é agendado e a que horas? O tempo de um post pode ser muito revelador, assim como a frequência do tweet e os seguidores.
Deve-se revelar também o país e o fuso horário do originador das notícias para sua correta identificação e localização, por isso as horas são essenciais.
Uma alta frequência de envio sugere bots, o que aumenta a probabilidade de uma notícia falsa, pode ser facilmente detectada e pode sinalizar um fake.
Os bots sociais em geral enviam seus links para um grande número de usuários, e isto é um exemplo, de como espalhar a incerteza entre o público, portanto nunca repasse.
As conexões e os seguidores da conta também podem ser um terreno fértil para os analistas, embora pessoas bem-intencionadas usem isto, a chance de ser um fake é grande, e agora uma ferramenta pode detectar isto, os dias do fake estão contado

 

História da literatura ocidental

11 Fev

O livro de Otto Maria Carpeaux (a edição de 2008, do vol. I que li), começa com algo instigante, e que me ascendeu para a leitura da obra:
“Estava eu no escritório de Antônio Houaiss, na Rua São José, onde o filólogo dirigia a Enciclopédia Mirador Internacional. Acabara de chegar, acomodara-me muito timidamente numa cadeira, com medo de aquilo resultar em visita desabrida. Eis que irrompe escritório adentro um septuagenário, gravata vermelha de seda e camisa de listas espaçadas também vermelhas. O senhor tinha nas mãos maço de papéis. Dirigiu-se a Houaiss com intimidade de velhos amigos. Não me lembro se o chamou pelo pré-nome ou pelo sobrenome. O certo é que disse:
– Isto aqui não corresponde à verdade. O que está dito aqui sobre Farmácia está incorreto”, disse para o Houaiss, que não é qualquer pessoa neste tema, pois tem um dicionário.
O fato mostra o rigor de Carpeaux, e ler literatura é uma boa forma de compreender a história.
Pensei maneira inteligente de começar um livro, que em geral começa com autos elogios, o mal do mundo dito culto poucos são menos que um gênio, e os que de fato o são pensam sobre suas deficiências e incertezas.
Claro o texto acima não é do próprio Otto Maria Carpeaux, e sim sobre ele, o prefácio feito pelo doutor da UnB Ronaldo Costa Fernandes, que mostra esta relação entre Houaiss, famoso pelo seu dicionário e que deu enormes contribuições a reforma ortográfica.
Carpeaux era nascido em Viena, com anexação da Áustria fugiu para Bélgica, em 1938, e em 1939 chegou ao Brasil, conta o livro que já em 1955“ publica Pequena bibliografia da literatura brasileira. Era um ato de ousadia para quem só estava pouco mais de uma década no Brasil e em contato com a literatura do novo país em que passou a viver” (pg. XXI do prefácio), cita também a sua primeira obra no Brasil A cinza do purgatório, em 1942.
A coleção foi relançada em 1959, pela editora O Cruzeiro, depois por diversas outras inclusive pelo Senado Federal (veja um dos volumes em pdf), agora há uma edição nova (2017), em 10 volumes, da editora Casa da Palavra.

 

Navegar em águas mais profundas

08 Fev

Aprendi com o dr. Oswaldo Giacóia, que conhece como poucos a filosofia de Nietzsche que sua inquietação de juventude era que a escola pacifica, penso que deveria levar os alunos a curiosidade, ao interesse pela cultura senão o crescimento humano fica estagnado.

Navegar é preciso, diziam navegadores portugueses, mas a frase é mais antiga, foi o general romano Pompeu, que encorajava marinheiros medrosos com a frase: “Navigare necesse, vivere non est necesse”, Petrarca no século XIV que transformou em navegar é preciso, viver não é preciso.

Fernando Pessoa, a quem alguns creditam a frase, na verdade dizia: “quero para mim o espírito desta frase”, e agora estamos em tempos de navegar pela Web (a internet é só a base desta plataforma), mas também de olhar para os confins do universo e sonhar com viagens nos buracos de minhoca, que Einstein-Rosen previram e a astrofísica descobriu.

Isto significa também ir para mares mais profundos, no sentido metafórica, no conhecimento, nas artes e na cultura, a única arma consistente contra uma ignorância que passa a militância, não é pós-verdade, eu diria é um pós-clareira, uma fase de obscurantismo moderno.

Também no sentido espiritual, a leitura bíblica por exemplo, no evangelho de Lucas, quando os pecadores já lavavam as redes e estavam desanimados com a pescaria, Jesus lhes encorava Lc 5:4: “avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”, Pedro acredita e o faz em consideração ao mestre.

A reação correta em tempos de recuos e aparente estagnação a melhor atitude não é ficar parado, isto pode levar a preguiça e ao comodismo, é acreditar e ir em frente, é preciso neste caso um pouco de fé.

Uma verdadeira espiritualidade vai contra a corrente de pessimismo que no fundo não é só descrença em Deus, mas também na humanidade, que sempre encontra novos caminhos para navegar, porque viver é preciso.

O vídeo abaixo navega no Núcleo da Nebulosa Lagoon.  

 

Espiritualidade, fé e razão

07 Fev

A ausência de uma espiritualidade consistente que leve a alma humana a maior paz e harmonia não significa e não deve significar uma ignorância de problemas contemporâneos de justiça, verdade e também de fé.
Como a vida é envolta em mistério, não podemos dizer que estamos racionalmente em perfeita consciência de nossa vida, da vida social e da vida do planeta, aliás, nunca faltou tanto esta consciência.
Assim nunca se falou tanto do apelo a fé, ou ao psicologismo e a estruturas de uma ascese espiritualidade, “uma vida de exercícios” afirma Peter Sloterdijk, mas em geral pouco acrescenta ao desconforto humano da vida humana atual, o que está ocorrendo de fato ?
Já dissemos e repetimos, em discurso as vezes um pouco distante para quem conhece pouco a estrutura do pensamento moderno, ou quem pensa que tudo acontece de 20 ou anos para cá, quando as bases do pensamento ocidental estão de certa forma no início da modernidade, com algumas coisas do renascimento que por sua vez remete a filosofia clássica da Grécia.
Ora também a fé é no fundo uma estrutura de pensamento, as vezes de pensar pouco e isto leva a uma manipulação por parte de uns e ao fundamentalismo por parte de outros, algo como: Jesus te ama, só Deus nos ilumina ou algum apelo do gênero, veja se isto resolve de fato os problemas de quem faz estes apelos, em geral não.
Assim é preciso pensar na modernidade, não apenas os avanços tecnológicos que a nosso ver em geral são benéficos, mas o seu uso como pode ser o uso de diversos objetos, no sentido da episteme (a sistematização do conhecimento ou do pensamento) também a fé é um objeto, mesmo que abstrato.
Duas encíclicas papais falaram da relação fé e razão (não a razão cartesiana, mas o raciocínio), declaradamente entre a Fides et Ratio de João Paulo II e indiretamente a encíclica Spe Salvi de Bento XVI na qual cita Platão, Lutero, Kant, Bacon, Dostoievski, Engels e Marx, leiam lá.
Destaca-se na Fides et Ratio o artigo 56: “Compreende-se que, num mundo dividido em tantos campos de especializações, se torne difícil reconhecer aquele sentido total e último da vida que tradicionalmente a filosofia procurava”, apontando uma crise na razão.
Quando estamos andando no escuro, com pouca luz precisamos de ter fé, mas a razão nos ajuda aonde por o pé, a caminhar em passos mais seguros e sentir o ambiente.