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Arquivo para fevereiro 4th, 2019

Pensamento e linearidade

04 Fev

A linearidade do pensamento está de tal forma impregnada na cultura contemporânea que até expressões como “um homem reto”, “retidão” ou equivalentes tornam-se sinônimos de justo, do bem e da harmonia social.

Isto está mais ligado ao raciocínio matemático que ao empírico, não por acaso os exemplos formulados pelos racionalistas do século XVI e XVII usavam os triângulos como exemplos da ideia dos universais, e mesmo neste caso separavam sujeitos de objetos, não por acaso tanto Descartes (1596  1650) e Leibniz (1646  1716), eram também matemáticos.

Para o racionalismo tanto os ideias éticos e estéticos, como de Justiça, de Virtude e de Beleza, também devem ser objetos do Mundo das Ideias, assim fez-se todo uma construção segundo esta forma de pensar que agora encontra-se em crise, pois a separação produziu um Ser que é estranho a Coisa, ao Ente, fazendo um trocadilho: o problema do Ser do Ente.

Os fundamentalistas, tendo como base intuitiva os pensamentos contemporâneos argumentam que o Ser é “espirito”, o que pouco ou nada tem a ver com espiritualidade ou religião, de outro lado os materialistas argumento que somos puro Ente, ser da natureza e assim substância.

O empirista anterior a Kant, o filósofo escocês David Hume (1711  1776), mesmo admitindo que todas as ideias derivam da experiência negava o método com uso da indução: “Qual é o fundamento de todas as conclusões a partir da experiência?” (Hume, 1985, p. 37) ou, como se justifica a passagem dos enunciados observacionais para os enunciados universais?

Hegel pretendeu levar isto ao plano espiritual em Fenomenologia do Espírito, o auge do pensamento idealista.

Embora o idealismo/empirismo pudesse parecer um sistema epistemológico completo, em 1829 Lobachevsky desenvolveu as Geometrias Não-Euclidianas, depois vieram as superfícies esférias (foto) de Rieman (1826-1866) cuja generalização leva as dimensões de Haussdorf (1868-1942) e aos fractais, que também escreveu sobre filosofia como “Paul Mongré”.

Mas não se trata apenas da complexidade da física e matemática, a retomada ontológica do ser vai além do logicismo e empirismo, esta á a retomada ontológica.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. Lisboa: Ed. 70, 1985.