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Arquivo para 2020

[:pt]O que esperar de 2021[:en]What to expect in 2021[:]

31 dez

[:pt]A julgar pelo ano que encerra é melhor não fazer previsões, porém estar preparado para surpresas positivas ou negativas, falamos de resiliência em 2020 e isto significa estar preparado para situações adversas, de stress e de privações, claro mantendo sempre esperanças de melhoras.

Assisti o filme O sol da meia noite e alguns pensamentos sobre um possível futuro sombrio me vieram a mente, mas agora com um toque de humanismo e até de otimismo, ele é baseado no livro Good Morning, Midnight (2016).

O livro de Lily Brooks-Dalton será publicado este ano em português pela Editora Morro Branco, que adquiriu os direitos de publicação.

Embora a crítica não elogie, no mínimo é muito boa a atuação do ator George Clooney e o diálogo entre ficção e humanismo no filme é muito bem feito, deverá ter indicações ao Oscar. 

A mistura de ficção científica com sentimentos parece inadequada, esta é uma das principais críticas, penso que em se tratando de uma crise profunda em nosso planeta é adequada esta mistura, a segunda crítica principal é o tipo de enredo, sem dúvida muito diferente, as vezes perdemos a sequência e precisamos pensar um pouco, neste ponto é curioso o sucesso no Netflix, talvez as pessoas tenham aprendido a gostar disto, reflexão é bom e nos leva a questões.

O filme me levou a pensar em 2021 pois é uma atitude resiliente, de minha parte, pensar se o pior acontecer o que eu poderei fazer de positivo para me ajudar e ajudar as pessoas.

Que venha a vacina, que iniciemos um processo de retomada da vida, porém esperamos que a nova normalidade seja mais humana, com um olhar mais empático aos que nos rodeiam, e que tenhamos mais solidariedade entre as pessoas, então a pandemia nos terá ensinado algo.

Porém é preciso mudar atitudes, comportamentos e mentalidades, não bastam gestos afirmativos de pessoas bem intencionadas e altruístas, é preciso levar mais a sério aquilo que podemos nos ajudar como humanidade, como sociedade e como pessoa.

Que venha 2021, com vacina e com muita solidariedade e se for necessário com muita resiliência.[:en]Judging by the year that ends, it is better not to make predictions, but be prepared for positive or negative surprises, we talk about resilience in 2020 and this means being prepared for adverse situations, stress and deprivation, of course always hoping for improvements.

I watched the movie The Midnight Sun and some thoughts about a possible dark future came to mind, it is based on the Lily Brook-Dalton and just like the film (which is on Netflix) they are very successful, although the critic does not praise, at least the performance of actor George Clooney is commendable, and there is a perfect combination of optimism and fiction.

I watched the movie The Midnight Sun and some thoughts about a possible dark future came to mind, but now with a touch of humanism and even optimism, it is based on the book Good Morning, Midnight (2016), written by Lily Brooks-Dalton.

The mixture of science fiction with feelings seems inadequate, this is one of the main criticisms, I think that in the case of a deep crisis on our planet this mixture is adequate, the second main criticism is the type of plot, undoubtedly very different, the Sometimes we lose the sequence and we need to think a little, at this point, success on Netflix is ​​curious, maybe people have learned to like this, reflection is good and leads us to questions.

The film led me to think about 2021 because it is a resilient attitude, on my part, to think if the worst happens, what can I do positive to help myself and help people.

Let the vaccine come, let us start a process of resuming life, but we hope that the new normality will be more human, with a more empathic look to those around us, and that we will have more solidarity among people, then the pandemic will have taught us something.

However, it is necessary to change attitudes, behaviors and mentalities, affirmative gestures by well-intentioned and altruistic people are not enough, we need to take more seriously what we can help us as humanity, as a society and as a person.

That this year come the vaccine, with a vaccine and a lot of solidarity and if necessary with a lot of resilience.

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[:pt]2020: um ano para o qual não houve preparo[:en]2020: a year for which there was no preparation[:]

30 dez

[:pt]A pandemia nos pegou de surpresa, é tanta que ainda há pessoas que não acreditam que ela está acontecendo, em números redondos são quase 82 milhões de casos de covid-19, 46 milhões de recuperados, e está chegando a quase 2 milhões de mortes no mundo todo.

A olimpíada do Japão foi adiada, se ocorrer será em escalar bem menor que as anteriores, aviões pararam depois de recordes de voos em 2019, que chegaram a ter em um único dia 230 mil voos, cidades inteiras vazias devido ao “lockdown”: Paris, Londres e outras grandes cidades europeias ficaram irreconhecíveis sem o agito diário e as economias em todo mundo se fragilizaram.

Muitos analistas anteciparam um pós-pandemia que ainda é incerto e assim como foi a pandemia imprevisível, de apocalípticos a utópicos, o que será a nova normalidade pode ainda ser indefinível.

Na política a polarização continuou, novas crises de problemas sociais antropologicamente graves como o racismo, o machismo e a xenofobia (vejam a análise de Sloterdijk no post anterior) vieram a tona, já que são problemas que sempre existiram na história humana.

Também uma palavra que defina o ano para aqueles que tem consciência deste conjunto de questões sejam resiliência, porém o uso adequado desta palavra implica num conhecimento ainda maior de seu significado: a capacidade do indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas ou alguma situação dramática.

Enquanto alguns países conseguiram reagir com resiliência, devido a cultura e as dificuldades políticas, a maioria dos países, ao menos do ocidente oscilou entre situações de restrições com fechamento de locais públicos: shoppings, bares, restaurantes e praças de espetáculos, e uma flexibilização que quase sempre levou a um aumento da covid-19.

Um ano absolutamente anormal que uma análise mais profunda só poderá ser feita a partir de algum distanciamento histórico e o que pode ocorrer depois da vacina é imprevisível.[:en]The pandemic took us by surprise, so much so that there are still people who do not believe that it is happening, in round numbers there are almost 82 million cases of covid-19, 46 million recovered, and it is reaching almost 2 million deaths in the All the world.

The Olympics in Japan has been postponed, if it occurs it will be in a much smaller scale than the previous ones, planes stopped after flight records in 2019, which reached 230 thousand flights in a single day, entire cities empty due to the lockdown: Paris , London and other major European cities were unrecognizable without the daily hype and economies around the world were weakened.

Many analysts anticipated a post-pandemic that is still uncertain and just as the pandemic was unpredictable, from apocalyptic to utopian, what will be the new normal may still be indefinable.

In politics, polarization continued, new crises of anthropologically serious social problems such as racism, machismo and xenophobia (see Sloterdijk’s analysis in the previous post) came to the fore, since they are problems that have always existed in human history.

Also a word that defines the year for those who are aware of this set of issues is resilience, but the proper use of this word implies an even greater knowledge of its meaning: the individual’s ability to deal with problems, adapt to changes, overcome obstacles or resist the pressure of adverse situations or some dramatic situation.

While some countries have managed to react with resilience, due to culture and political difficulties, most countries, at least in the West, oscillated between situations of restrictions with the closure of public places: shopping malls, bars, restaurants and entertainment venues, and a relaxation that almost always led to an increase in covid-19.

An absolutely abnormal year that a deeper analysis can only be made from some historical distance and what can happen after the vaccine is unpredictable

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[:pt]O novo livro de Sloterdijk[:en]Sloterdijk’s new book[:]

29 dez

[:pt]O livro “Las epidemias políticas” de Peter Sloterdijk ainda está em andamento, porém já há citações e comentários sobre ele, onde se lê que há uma “quase perfeita sincronicidade da pandemia microbiana com a informativa, e acredita que a crise atual poderá levar “a uma consciência coletiva dentro do individualismo”, onde aparece um otimismo novo.

Um dos comentários mais lidos sobre o proto-livro é o que foi publicado em 26 de agosto de 2020 na por El Ciudadano, e que foi comentado pela revista brasileira IHU (Instituto Humanitas Unisinos).

Nele afirma que a sociedade ainda não está “em condições de olhar para além da pandemia” e prevê que pouco vai mudar pois “muitos aguardam com ansiedade o retorno à contidiana frivolidade do modo de vida consumista” e apenas com tempo e reflexões é que isto “levará a uma transformação da consciência coletiva dentro do individualismo.

O nome é porque vê os meios de comunicação como “portadores de infecções” e que a democracia atual é superficial para abrigar a troca de argumento e o diálogo, então estamos sempre “entre epidemias, estratégias e vacinas” num sentido mais amplo, onde a informação é apenas uma rede de “emoção, envenenamento e destruição do juízo público”.

A análise é precisa porque o dualismo e a polarização não tem só um lado, mas tem os dois igualmente e parece que estamos presos a esta lógica onde os argumentos pouco importam.

Aponta por exemplo sobre o discurso do ódio, o fato de que “as pessoas muitas vezes tendem a ver o outro como uma fonte de perigo não é uma consequencia da atual pandemia de coronavírus, nem é uma invenção do racismo pseudoobiológico do século XIXI, Claude-Lévy Strauss apontou, há muito tempo que uma dose de xenofobia faz parte da herança ancestral da espécie homo sapiens”.

Apesar dos sistemas que explicavam tudo terem fracassado detecta que “agora, quase nada é tão contagioso como o entusiasmo pelas ideias universalistas. Quando o universalismo fracassa, surge a crítica. Quando a crítica fracassa, surge furioso o ressentimento em massa” e conclui que é isto que leva as “epidemias da ira”, enfim nossa dificuldade de resignação e resiliência.

Faz sua síntese histórica analisando que “Na Europa, o Iluminismo começou com a afirmação de que o bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo. Existem muitas razões para duvidar da veracidade desta tese”, agora sabemos que seguranças e imunidades são mal distribuídas.[:en]Peter Sloterdijk’s book “Las epidemias policas” is still in progress, but there are already quotes and comments about it, which read that there is an “almost perfect synchronicity of the microbial pandemic with the informative one, and believes that the current crisis could lead to“ to a collective conscience within individualism ”, where a new optimism appears.

One of the most widely read comments on the proto-book is what was published on August 26, 2020 in by El Ciudadano, and which was commented on by the Brazilian magazine IHU (Instituto Humanitas Unisinos, do Brazil).

It states that society is not yet “in a position to look beyond the pandemic” and predicts that little will change as “many look forward to returning to the continual frivolity of the consumerist way of life” and only with time and reflection does this “Will lead to a transformation of the collective consciousness within individualism.

The name is because it sees the media as “carriers of infections” and that the current democracy is superficial to house the exchange of argument and dialogue, so we are always “between epidemics, strategies and vaccines” in a broader sense, where the information is just a network of “emotion, poisoning and destruction of public judgment”.

The analysis is accurate because dualism and polarization do not have only one side, but they have both equally and it seems that we are stuck in this logic where arguments matter little.

For example, he points out about hate speech, the fact that “people often tend to see each other as a source of danger is not a consequence of the current coronavirus pandemic, nor is it an invention of nineteenth-century pseudo-biological racism, Claude -Lévy Strauss pointed out, a long time ago that a dose of xenophobia is part of the ancestral heritage of the species homo sapiens ”.

Despite the systems that explained everything having failed, he detects that “now, almost nothing is as contagious as the enthusiasm for universalist ideas. When universalism fails, criticism arises. When criticism fails, mass resentment arises furiously ”and concludes that this is what leads to“ epidemics of anger ”, in short our difficulty in resignation and resilience.

He makes his historical synthesis analyzing that “In Europe, the Enlightenment started with the statement that common sense is the best distributed thing in the world. There are many reasons to doubt the veracity of this thesis”, we now know that security and immunities are poorly distributed.

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[:pt]É obrigatório tomar qual vacina?[:en]Which vaccine is mandatory?[:]

28 dez

[:pt]Assim disse o STF, entretanto a fase final de teste da vacina chinesa Coronavac no Brasil somente terá o relatório divulgado dia 07 de janeiro, informou o Governo do Estado de São Paulo, já a vacina da Pfizer em colaboração com a empresa alemão BioNTech está sendo usada no Reino Unido, desde o dia 2 de dezembro e milhares de britânicos receberam a primeira dose da vacina, a empresa divulgou os dados detalhados da fase de testes que foram validados (conferidos pela comunidade científica), no Brasil a CoronaVac ainda não.

A vacina da Pfizer já está autorizada nos Estados Unidos e deverá estar na Europa Continental, a Argentina adotou a vacina russa e começará a vacinação na terça-feira (29/12).

As campanhas de vacinação contra a covid-19 começaram neste domingo na União Europeia (16 países já autorizaram no total de 27), e na Rússia a Sputnik está sendo aplicada desde 5 de dezembro, porém a fase de testes foi atropelada.

Se é verdade que há ideologização da vacina chinesa, ela tem dois lados, pois sua aprovação não está seguindo os caminhos tradicionais, se a Anvisa está desautorizada, isto sim é assunto do STF.

Desde 9 de novembro, quatro laboratórios anunciaram que suas vacinas têm eficácia elevada: Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca/Oxford e o instituto estatal russo Gamaleya, a AstraZeneca anunciou neste fim de semana que tem um remédio para cura de doentes já infectados, claro isto ainda deverá entrar na fase de testes.

A AstraZeneca é a mais barata (2,50 euros/3 dólares a dose), a Moderna e a Pfizer/BioNTech tem problema de logística pois devem ser transportadas em baixas temperatura -20º.C e =70º.C.

Os especialistas afirmam que os efeitos colaterais existem, diversos informativos dão esta informação, destaco a Isto é no Brasil e no exterior a AARP Foundation, fundação que auxilia aposentados americanos.  

Apenas o Brasil (oficialmente o Estado de São Paulo e a prefeitura do Rio de Janeiro), a Indonésia e a Turquia estão comprando a vacina Coronavac, todos queremos a vacina, sem critérios científicos a polarização política mais uma vez não esclarece nada, a vacina deve ser testada e aprovada, os dados devem ser validados pela comunidade científica e pelas agencias reguladoras.  [:en]So said the STF (Federal Judges in Brazil), however the final phase of testing the Chinese vaccine Coronavac in Brazil will only have the report released on January 7, informed the Government of the State of São Paulo, the Pfizer vaccine used in the United Kingdom since December 2 and thousands of Britons received the first dose of the vaccine, the company released detailed data from the testing phase that have been validated (checked by the scientific community), in Brazil CoronaVac has not yet.

The Pfizer vaccine is already authorized in the United States and is expected to be in Continental Europe, Argentina adopted the Russian vaccine and will start vaccination on Tuesday (12/29).

Vaccination campaigns against covid-19 started this Sunday in the European Union (16 countries have already authorized a total of 27), and in Russia Sputnik has been applied since December 5, but the testing phase has been run over.

If it is true that there is ideologization of the Chinese vaccine, it has two sides, because its approval is not following the traditional paths, if Anvisa is unauthorized, this is a matter for the STF.

Since November 9, four laboratories have announced that their vaccines are highly effective: Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca / Oxford and the Russian state institute Gamaleya, AstraZeneca announced this weekend that it has a medicine to cure already infected patients, of course this is yet to enter the testing phase.

AstraZeneca is the cheapest (2.50 euros / $ 3 a dose), Moderna and Pfizer / BioNTech have a logistical problem as they must be transported at low temperatures of -20ºC and -70ºC.

Experts claim that side effects exist, several newsletters give this information, highlight in Brazil to Isto é Magazine, and abroad the AARP Foundation that helps American retirees.

Only Brazil (officially the State of São Paulo and the city of Rio de Janeiro), Indonesia and Turkey are buying the Coronavac vaccine, we all want the vaccine, without scientific criteria the political polarization again does not clarify anything, the vaccine it must be tested and approved, the data must be validated by the scientific community and by regulatory agencies.[:]

 

[:pt]Intimidade nova e mundo novo[:en]New intimacy and new world[:]

24 dez

[:pt]Na intimidade, em nossas “bolhas” que geramos nossa cultura, defendemos e promovemos nossas ideias, nossos valores e aquilo que desejamos para um mundo melhor.

O Natal de alguma forma ainda faz os homens se solidarizarem e pensarem de modo generoso no mundo futuro além da sua bolha, de seu egoísmo, e se isto se prolonga pelo ano um novo mundo pode nascer, mesmo estando numa crise pandêmica que já é também uma crise mais ampla.

As reflexões de Sloterdijk e de outros pensadores é como a interioridade tornou-se um mundo isolado, como uma “bolha”, e nela reflete o nosso estágio inicial de nossa vida no útero materno e se prolonga pela vida, a análise feita por Sloterdijk (também Bachelard o faz de outro modo, veja o post) é como a passagem bíblica do profeta Jonas no frente da baleia, que é ilustrativa deste modo de ser, de busca de uma “intimidade” de conforto.

Ao permanecer no ventre da Baleia, simbolicamente é o que buscamos como região de conforto, ou de segurança, num mundo hostil onde devemos buscar uma co-imunidade, uma defesa onde todos podem participar e usufruir de um bem-estar, estar no ventre é uma recusa deste passo.

O nascimento de Jesus para os cristãos significa o anúncio deste ventre, deste “reino”, nesses dias comemoramos a vinda através de um menino-Deus deste tempo novo de um mundo novo.

A passagem bíblica que relata o nascimento de Jesus diz que José e Maria foram para Belém, devido o censo feito pelo Império romano: “para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,5-7).[:en]In intimacy, in our “bubbles” that generate our culture, we defend and promote our ideas, our values ​​and what we want for a better world.

Christmas somehow still makes men sympathize and think generously about the future world beyond their bubble, their selfishness, and if this goes on for the year a new world may be born, even in a pandemic crisis that is already a broader crisis.

The reflections of Sloterdijk and other thinkers is how interiority has become an isolated world, like a “bubble”, and in it reflects our initial stage of our life in the maternal womb and extends through life, the analysis made by Sloterdijk ( also Bachelard does it in another way, see the post) it is like the biblical passage of the prophet Jonas in front of the whale, which is illustrative of this way of being, of seeking an “intimacy” of comfort.

By remaining in the whale’s womb, symbolically it is what we seek as a region of comfort, or security, in a hostile world where we must seek co-immunity, a defense where everyone can participate and enjoy a well-being.

The birth of Jesus for Christians means the announcement of this womb, of this “kingdom”, in these days we celebrate the coming through a child-God of this new time in a new world.

The biblical passage that reports the birth of Jesus says that Joseph and Mary went to Bethlehem, due to the census made by the Roman Empire: “to register with Mary, his wife, who was pregnant. While they were in Bethlehem, the days of childbirth were completed, and Mary gave birth to her firstborn son. She bandaged him and put him in the manger, as there was no place for them in the inn ”(Lk 2,5-7).

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[:pt]Esferologia, a intimidade e a exterioridade[:en]Spherelogy, intimacy and exteriority[:]

23 dez

[:pt]Não por acaso Sloterdijk faz um elogio rasgado a Gaston Bachelard no início de Esferas I, sua abordagem tem um diálogo profundo com A poética do espaço de Bachelard, pois tanto um como outro o tema intimidade está ligado a articulação e duas concepções: “exterioridade” e “espaço”.

O primeiro ponto é entender que a abordagem fenomenológica tem influência direta do Ser e Tempo de Heidegger, ao mesmo tempo que esboçam críticas, mesmo não tendo Heidegger se debruçado profundamente sobre o tema, está nas entrelinhas de seu trabalho.

No capítulo inicial, Sloterdijk refere-se ao humano com os chamados “blocos erráticos”, em que o espanto com o próprio “eu” no mundo seria como estes blocos que “estão ai”. Diante disto, abre-se a possibilidade da consciência fazer-se com o mundo. O reconhecimento desta condição de estar jogado aleatoriamente no mundo não se dá de forma tranquila, mas por meio do “inesperado, o rebelde e o inquietante que o extático achamento pessoal pode ser” (SLOTERDIJK, 2008, p. 16), blocos erráticos foram as formações geológicas deslocadas na última era gracial.

O primeiro volume é dedicado a questão da intimidade e Sloterdijk parte da relação mãe-bebê, estamos unidos a um outro corpo desde o momento da concepção, por um “órgão rejeitado” que é a placenta, enquanto em outras épocas ele era de alguma forma ritualizado, agora é descartado como lixo o “acompanhante originário”.

Ele apontará a partir disto (como fez com o profeta Jonas) procurar caminhos não explorados pela filosofia atual, “a relação, a conexão, a flutuação num dentro de-algo e num com-algo, o estar contido num entre” (SLOTERDIJK, 2016) e por isto sua esferologia é sua obra essencial.

Destaco a obra de Bachelard porque para ele há uma perspectiva que considero mais ampla, a de descrever que a experiência íntima além da experiência com o outro, com a totalidade do mundo.

É assim também em Bachelard uma contraposição a Heidegger, onde afirma: “De nosso ponto de vista, do ponto de vista de um fenomenólogo que vive das origens, a metafísica consciente que se situa no momento em que o ser é ‘jogado no mundo’ é uma metafísica de segunda posição” (BACHELARD, 1993, p. 27)

Enquanto Sloterdijk é o útero o “espaço” primordial, o local do bem-estar, para Bachelard é a casa, o lugar paradigmático do bem-estar e da proteção.

Se entendermos interioridade como o lugar em que conjugamos estas duas sensações: o útero que é a casa primordial, e a casa que é o espaço no mundo onde co-habitamos com outros seres, não apenas humanos é claro, podemos conjugar interioridade e intimidade, e temos um novo horizonte não apenas metafísico, mas humano, divino e entre estas duas conjugações: o útero original, a casa comum e o destino final que a interioridade provê.

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Trad. Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes,1993.

SLOTERDIJK, P. O Estranhamento do Mundo. Trad Ana Nolasco. Lisboa: Relógio d’Água, 2008           

SLOTERDIJK, P. Esferas I: bolhas. São Paulo: Estação Liberdade, 2016.[:en]It is not by chance that Sloterdijk praises Gaston Bachelard at the beginning of Spheres I, his approach has a deep dialogue with Bachelard’s poetics of space, as both the intimacy theme is linked to articulation and two conceptions: “exteriority” and “space”.

The first point is to understand that the phenomenological approach has a direct influence on Heidegger’s Being and Time, at the same time that they outline criticisms, even though Heidegger did not dwell deeply on the theme, it is between the lines of his work.

In the opening chapter, Sloterdijk refers to the human with the so-called “erratic blocks”, in which the astonishment at the “I” in the world would be like these blocks that “are there”. In view of this, the possibility of consciousness being made with the world opens up.

The recognition of this condition of being played randomly in the world does not happen smoothly, but through “the unexpected, the rebellious and the disturbing that the ecstatic personal finding can be” (SLOTERDIJK, 2008, p. 16), erratic blocks were geological formations displaced in the last ice age.

The first volume is dedicated to the issue of intimacy and Sloterdijk part of the mother-baby relationship, we are joined to another body from the moment of conception, by a “rejected organ” that is the placenta, whereas in other times it was somehow ritualized, now the “original companion” is discarded as garbage.

He will point out from this (as he did with the prophet Jonas) to look for ways not explored by current philosophy, “the relationship, the connection, the fluctuation in an within-something and in a with-something, being contained in between” (SLOTERDIJK, 2016) and for this reason his spherology is his essential work.

I highlight Bachelard’s work because for him there is a perspective that I consider broader, that of describing the intimate experience in addition to the experience with the other, with the totality of the world.

This is also the case in Bachelard, in opposition to Heidegger, where he states: “From our point of view, from the point of view of a phenomenologist who lives from his origins, the conscious metaphysics that is located at the moment when being is ‘thrown into the world’ it is a second position metaphysics.” (BACHELARD, 1993, p. 27)

While Sloterdijk is the womb the primary “space”, the place of well-being, for Bachelard it is the home, the paradigmatic place of well-being and protection.

If we understand interiority as the place where we combine these two sensations: the womb that is the primordial house, and the house that is the space in the world where we co-inhabit with other beings, not just humans, of course, we can combine interiority and intimacy, and we have a new horizon not only metaphysical, but human, divine and between these two conjugations: the original womb, the common home and the final destination that interiority provides.

BACHELARD, G. (1994) A poética do espaço. Trad. Antônio de Pádua Danesi. Bransil. São Paulo: Martins Fontes.

SLOTERDIJK, P. (2008) O Estranhamento do Mundo. Trad Ana Nolasco. Lisboa: Relógio d’Água, 2008          

SLOTERDIJK, P. (2016) Esferas I: bolhas. São Paulo: Estação Liberdade.

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[:pt]Esferologia e Jonas [:en]Spherology and Jonah[:]

22 dez

[:pt]A retomada do profeta Jonas dentro da esferologia de Peter Sloterdijk, deve ao conceito de intimidade que o explora bem como a concebemos, um reduto pessoal, seguro e composto por um único material particular, essa intimidade especifica não deve existe, ele usará duas expressões “díade” e pela “divalência”, depois as conjugará com uma expressão musical bicorde, onde não há uma nota dominante.

Parece que o sentido judaico de Jonas, aquele que rejeitou sua missão e foi para o ventre da baleia pouco teria de ver com isto, apenas com a intimidade, com o reduto onde caiu recusando sua “missão”, porém pensada como uma díade, a relação de dois ou mais onde não há centro, e a divalência, diferente da ambivalência onde valem iguais, há forças contrárias em relação diádica.

Não apenas nos fenômenos humanos, mas todo tipo de relação tem forças diádicas, relações intrapessoais também seriam este emaranhado de consciência entre o interno, o externo, o pessoal, o coletivo, ou se preferimos as relações idealistas, o subjetivo e o intersubjetivo.

Voltemos agora ao tema para pensar sobre Jonas, o profeta e a baleia. Ser profeta significa revelar a vontade de Deus para seu povo, assim a díade entre o divino e o humano é dita entre o homem/ santo, como homem não daria conta de sua tarefa, afinal era preciso ter santidade e habitar o divino, mas nem só santo seria o suficiente, pois é preciso ser homem para conhecer as perdições e ocupar a terra, no caso de Jonas pregar a conversão ao povo de Nínive, os assírios eram terríveis.

Aqui entra a baleia, estando nela reconhece o poder de seu Deus, reza, se arrepende e é “vomitado” em terra firme, saindo perto da cidade que devia profetizar antes de sua desobediência, mas ao ser vomitado volta para cumprir a vontade de deus e seu papel de profeta.

Aqui entram as notas bicordes, o final triunfante, não é nem a estrutura de homem, nem a de profeta que vence, é um lugar de homem/profeta, a estrutura relacional já está toda aí, bem diante de nós se quisermos dissecá-la, cumprirá a missão, mesmo não a desejando.

Para os cristãos é a importância da missão, mas para Sloterdijk é mais transcendente ainda (mesmo não tendo o menor tique religioso), é responder a sua pergunta essencial da esferologia: onde estamos quando estamos no mundo, Jonas é fundamental por isto, no ventre da baleia com medo de nosso destino, então precisamos ser vomitados para entender as nossas tarefas.

Diz o filósofo ironicamente: “os únicos corpos que são localizados sem dualidade no mundo são os dos mortos” (Esferas I), e pergunta a mim e ao leitor é: Onde você está agora? A resposta para isto não é um simples GPS, mas sim é a sua consciência a única ferramenta que você possui disponível para perceber o seu entorno e articular uma resposta mais sensata e que diga algo sobre estar aí.[:en]The resumption of the prophet Jonas within Peter Sloterdijk’s spherology, owes to the concept of intimacy that explores it as well as we conceived it, a personal, safe and stronghold composed of a single particular material, this specific intimacy must not exist, he will use two expressions “dyad” and“ divalence ”, then you will combine them with a two-tone musical expression, where there is no dominant note.

It seems that the Jewish sense of Jonas, the one who rejected his mission and went to the whale’s belly would have little to do with this, only with the intimacy, with the stronghold where he fell refusing his “mission”, but thought like a dyad, the a relationship of two or more where there is no center, and divalence, unlike ambivalence where they are equal, there are opposing forces in a dyadic relationship.

Not only in human phenomena, but every type of relationship has dyadic forces, intrapersonal relationships would also be this tangle of consciousness between the internal, the external, the personal, the collective, or if we prefer the idealistic, the subjective and the inter-subjective relationships.

Let us now return to the topic to think about Jonah, the prophet and the whale.

Being a prophet means revealing the will of God to his people, so the dyad between the divine and the human is said between the man / saint, as a man would not be able to handle his task, after all it was necessary to have holiness and inhabit the divine, but neither only a saint would be enough, because it is necessary to be a man to know the perdition and occupy the land, in the case of Jonah preaching conversion to the people of Nineveh, the Assyrians were terrible.

Here the whale comes in, recognizing the power of his God in it, prays, repents and is “vomited” on solid ground, leaving near the city that he should prophesy before his disobedience, but when he is vomited he returns to fulfill God’s will and his role as a prophet.

 Here come the double notes, the triumphant ending, it is neither the structure of man nor the prophet that wins, it is a place of man / prophet, the relational structure is already there, right in front of us if we want to dissect it , will fulfill the mission, even if you do not want it.

For Christians it is the importance of the mission, but for Sloterdijk it is even more transcendent (even if it doesn’t have the slightest religious tic), it is to answer their essential ballpoint question: where we are when we are in the world, Jonah is fundamental for this, in the womb of the whale afraid of our fate, so we need to be vomited to understand our tasks.

The philosopher ironically says: “the only bodies that are located without duality in the world are those of the dead” (Spheres I), and asks the reader and me: Where are you now? The answer to this is not a simple GPS, but your conscience is the only tool you have available to understand your surroundings and articulate a more sensible answer that says something about being there.

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[:pt]O Natal da pandemia[:en]The Christmas of the pandemic[:]

21 dez

[:pt]Será um Natal mais silencioso, apesar de grupos que insistem em fazer concentrações e festas com muitas pessoas, será mais próprio da criança que nasceu num humilde estábulo na cidade de Belém, a foto ao lado mostra a iluminação deste ano na cidade.

Aquela criança foi contata entre os homens, estava na lógica divina e humana porque o censo foi feito por ordem do império romano, assim Ele esteve (para quem crê está) entre nós, aquilo que as profecias do antigo testamento chamavam de Emanuel (Deus conosco).

A pandemia nos isolou em família, e a tendência para quem entende que a prevenção é necessária será reunir em pequenos grupos, talvez com menos barulho, a maioria das festas de passagem de ano já estão canceladas, fogos e comemorações serão sóbrias.

A espera da vacina, a maioria ainda está na fase de testes, é bom que se diga, e ainda há controvérsias sobre efeitos colaterais, são importantes de serem conhecidos, a bula é necessária como qualquer outro remédio, onde se apresentam contraindicações.

Não há espera que não cause alguma ansiedade, porém em se tratando de saúde é preciso não pular nenhuma etapa, as vacinas não estão aprovadas porque não concluíram a fase de testes, mesmo na Inglaterra onde a vacina Pfizer foi autorizada, não será concluída a etapa de vacinação até o Natal como pretendia o governo.

Há notícias da própria OMS sobre mutações no vírus, é preciso verificar se estas mutações não afetam a gravidade, os cientistas britânicos chamaram a variação encontrada no sul da Inglaterra de “VUI-202012/01”, que inclui uma mutação genética na proteína “espiga”, conforme notícias de vários informativos online citando a agência Reuters.

A espera do Natal tornou-se diferente também porque não vemos muitos amigos e parentes a anos, e neste período, as pessoas retornam aos entes queridos na medida do possível, e ao menos um contato online será possível, eles se tornarão mais significativos.[:en]It will be a quieter Christmas, despite groups that insist on holding gatherings and parties with many people, it will be more like the child who was born in a humble stable in the city of Belém, where they went due to a census, it is not a coincidence (the city illuminations in this year).

The Child was contacte among men, it was in the divine and human logic because the census was done by order of the Roman empire, so He was (for those who believe he is) among us, what the prophecies of the Old Testament called Emmanuel (God with us).

The pandemic isolated us as a family, and the tendency for those who understand that prevention is necessary will be to gather in small groups, perhaps with less noise, most New Year’s parties are already canceled, fires and celebrations will be sober.

The waiting for the vaccine, most are still in the testing phase, it is good to say, and there are still controversies about side effects, they are important to be known, the package insert is necessary like any other medicine, where there are contraindications.

There is no expectation that it will not cause any anxiety, however when it comes to health it is necessary not to skip any stage, the vaccines are not approved because they have not completed the testing phase, even in England where the Pfizer vaccine was authorized, the stage will not be completed vaccination until Christmas as the government intended.

There is news from the WHO itself about mutations in the virus, it is necessary to check if these mutations do not affect gravity, British scientists called the variation found in the south of England “VUI-202012/01”, which includes a genetic mutation in the protein “spike”, as reported in several online news citing the Reuters agency.

The wait for Christmas has also become different because we haven’t seen many friends and relatives for years, and in this period, the people return to loved ones as much as possible, and at least an online contact will be possible, they will become more meaningful.[:]

 

[:pt]Noogenese: matris in gremio[:en]Noogenesis: matris in gremio[:]

18 dez

[:pt]Na digressão 10 de Esferas I, peter Sloterdijk faz uma relação da concepção de Maria (o nome Conceito vem de concepção) com a tragédia, e um texto que certamente é do conhecimento do filósofo é a interpretação que Hörderlin faz da tragédia grega Édipo Rei de Sófocles, onde usa o termo aórgico para a busca de Épico para saber quem é, quando mais busca a consciência menos consciente torna-se em direção a tragédia.

A tragédia é que o pai Laio, havia ouvido do oráculo de Delfos, que o filho o mataria e se casaria com a mãe Jocasta, o rei o entrega a um pastor pobre para mata-lo, mas o pastor o cria e depois ele vai parar nas mãos de Políbio, rei de Corinto que o cria como filho, mas a tragédia se cumpre e depois Édipo mata o rei Laio que era seu verdadeiro pai e desposa Jocasta ao tomar consciência da verdade cega-se, a tragédia tem mais detalhes, aqui é só para entender o aórgico.

Sloterdijk inverte esta história para falar da mariologia cristã, em sua digressão 10 Matris in gremio (colo ou regaço da mãe), onde após analisar o texto De humanitae conditionis in miseria de Lotário de Segni (1160-1216) que viria a tornar-se o papa Inocencio III, que afirma que o líquido que se alimentaria a criança é o mesmo da menstruação que seria interrompida com a gravidez.

Sloterdijk, afirma que “não há dúvida que Jesus, mesmo in gremio, deve ter sido provido de um diferente plano alimentar” (Sloterdijk, 2016, p. 557), e vai usar a Questio 31 do terceiro livro da Summa Teológica de Tomás de Aquino, porém é importante é sua “concepção”.

A citação que faz de Tomás de Aquino é importante (a leitura do filósofo é diferente, claro), pois ela explica a noogenese, e também a gênese da ligação dos dois corações:

“… pois, pela ação do Espírito Santo, esse sangue é recolhido do regaço da Virgem e conformado em feto. E por isso se diz que o corpo de Cristo foi formado pelo sangue mais casto e puro da virgem” (Aquino, Suma Teológica III, 31, 5, 3, SP: Loyola, 2001-2002).

No texto bíblico, Maria embora prometida a José, ele ainda não a desposara, diz o texto bíblico: “Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34), e recebe a resposta que será pela ação do espírito, sob a sombra do poder do Altíssimo.

E assim nasceu a ideia de Maria ter sido levada ao céu, mas também é o nascimento 11 séculos antes de ser aceito, o dogma de sua Imaculada Concepção (que por uso popular tornou-se Conceição), assim “é a própria matriz de Deus que ofereceu miraculosamente ao escultor o material de sua escultura, e a Deus o material para tornar-se homem …” (Damasceno apud Sloterdijk, 2016, p. 558), que assim pré-anuncia a ação aórgica de Maria com Jesus e Deus-Pai, como uma pericorese in extremis (na foto, também usada por Sloterdijk, Virgem com Abertura, final do século XIV, Museu de Cluny em Paris), citada por Sloterdijk. 

SLOTERDIJK, P. Esferas I: bolhas. São Paulo: Estação Liberdade, 2016.[:en]In tour 10 of Spheres I, Peter Sloterdijk makes a connection between the conception of Mary (the name Concept comes from conception) and tragedy, and a text that is certainly known to the philosopher is Hörderlin’s interpretation of the Greek tragedy Oedipus King of Sophocles, where he uses the term aorgic for the search for Epic to know who he is, the more he searches, the less conscious consciousness becomes towards tragedy.

The tragedy is that father Laio, had heard from the oracle of Delphi, that his son would kill him and marry his mother Jocasta, the king hands him over to a poor shepherd to kill him, but the shepherd raises him and then he goes stop at the hands of Polybius, king of Corinth who raised him as a son, but the tragedy is fulfilled and then Oedipus kills King Laius, who was his real father and marries Jocasta when he becomes aware of the blind truth, the tragedy has more details, here it is just to understand the aorgic.

Sloterdijk inverts this story to talk about Christian mariology, in his tour 10 Matris in gremio (mother’s lap or lap), where after analyzing the text De humanitae conditionis in miseria by Lotário de Segni (1160-1216) that would become Pope Inocencio III, who says that the liquid that would feed the child is the same as the menstruation that would be interrupted with the pregnancy.

Sloterdijk, states that “there is no doubt that Jesus, even in gremio, must have been provided with a different dietary plan” (Sloterdijk, 2016, p. 557), and will use Question 31 from the third book of the Summa Theological of Thomas de Aquino, however the important thing is his “conception”.

Tomás de Aquino’s quote is important because it explains the noogenesis:

“… Because, by the action of the Holy Spirit, this blood is collected from the Virgin’s lap and formed into a fetus. That is why it is said that the body of Christ was formed by the most chaste and pure blood of the virgin ”(Aquino, Suma Theológica III, 31, 5, 3, SP: Loyola, 2001-2002).

In the biblical text, Mary, although promised to Joseph, he has not yet married her, says the biblical text: “Mary asked the angel,” How will this happen if I don’t know any man? ” (Lk 1,34), and receives the answer that will be by the action of the spirit, under the shadow of the power of the Most High.

And so the idea was born that Mary was taken to heaven, but it is also the birth 11 centuries before being accepted, the dogma of her Immaculate Conception (which by popular use became Conceição), thus “it is the very matrix of God who miraculously offered the sculptor the material of his sculpture, and to God the material to become a man… ”(Damasceno apud Sloterdijk, 2016, p. 558), which thus pre-announces Mary’s aortic action with Jesus and God- Father, as a pericoresis in extremis (in the photo, also used by Sloterdijk, Virgin with Overture, late 14th century, Cluny Museum in Paris), also cited by Sloterdijk.

Sloterdijk, P. (2016) Esferas I, trad. José Oscar de Almeida Marques, BR-São Paulo: Estação Memória editors.

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[:pt]Dois corações e uma nova relação[:en]Two hearts and a new relationship[:]

17 dez

[:pt]A sagacidade de Peter Sloterdijk penetra na mística católica pós-reforma, “particularmente sob a influência mística do Sagrado Coração de Jesus, Marguerite Marie Alacoque (1647-1690). um vasto movimento de culto, que também acabou por impor concessões litúrgicas e formulações doutrinárias” (pag. 115).

Vai destacar a obra do padre oratoriano e missionário popular João Eudes (1601-1980) “nascido na Normandia, que entrou nos anais católicos como fundador de um culto de grande força litúrgica, o culto de dois corações” (pg. 116), o Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus.

Ao contrário de muitas interpretações, este filósofo ateu, além de manter a atualidade do tema, desde ao fundamento deste tipo de mística, é “uma luta contra a vida exterior, não católica, separada de algo que não está no interior de Deus” (pag. 116).

Segundo Eudes a vida dos santos era sustentada numa “contínua suspensão da bolsa amniótica do Absoluto” (a citação é de Sloterdijk), porém o importante é destacar o típico engajamento de Maria, que consiste segundo o filósofo “no fato de ter criado um céu cardíaco bipolar, no qual o coração do Filho podia fundir-se em uma união mística com o coração da mãe” (pag. 116), algo com o tema do post anterior, mas em qualidade muito superior.

Retirada a manifestação ateística do “bipolar”, pode-se dizer que estes corações em profunda relação não é uma espiritualidade antiga, algo de senhoras que usam a fita vermelha em dias festivos do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus, mas sim aquilo que o padre Eudes elaborou no período pós-reforma e que o filósofo chama de “o baldaquim do duplo coração do Filho e da Mãe … uma família intercordial, metafisicamente ampliada” (idem, p. 116).

Esta relação destes corações, interpretado no coração da natureza, ardendo em colabora que toca o coração radiante de amor do mundo superior na obra de Jacob Böhme (Obras Teosóficas, 1682), na foto ilustrada na página 117 do livro, a relação mais ampla aparece nas páginas finais na digressão 10 “Matris in grêmio” (no colo da mãe), descrita como um “capricho mariológico”.

A ideia da criança no ventre de Maria, toma uma figura divina (do Deus Pai), aquilo que os ortodoxos e católicos chamam de Teotokos (mãe de Deus) (na foto o ícone de G. Gashev) que para evangélicos é uma heresia, porém o que significam para este momento de crise pandêmica, e de uma anterior crise civilizatória  ?

SLOTERDIJK, P. Esferas I, trad. José Oscar de Almeida Marques, São Paulo: Estação Memória, 2016.[:en]Peter Sloterdijk’s wit penetrates the post-reform Catholic mystique, “particularly under the mystical influence of the Sacred Heart of Jesus, Marguerite Marie Alacoque (1647-1690). a vast cult movement, which also ended up imposing liturgical concessions and doctrinal formulations ”(p. 115).

It will highlight the work of the oratorian priest and popular missionary João Eudes (1601-1980) “born in Normandy, who entered the Catholic annals as the founder of a cult of great liturgical strength, the cult of two hearts” (p. 116), the Immaculate Heart of Mary and the Sacred Heart of Jesus.

Contrary to many interpretations, this atheist philosopher, in addition to maintaining the topicality of the topic, since the foundation of this type of mystique, is “a struggle against outside, non-Catholic life, separated from something that is not within God” ( page 116).

According to Eudes, the life of the saints was sustained in a “continuous suspension of the amniotic bag of the Absolute” (the quote is from Sloterdijk), but the important thing is to highlight the typical engagement of Mary, which consists according to the philosopher “in the fact that she created a heaven bipolar heart, in which the Son’s heart could merge into a mystical union with the mother’s heart ”(p. 116), something with the theme of the previous post, but in much higher quality.

After the atheistic manifestation of the “bipolar”, it can be said that these hearts in a deep relationship is not an ancient spirituality, something of ladies who wear a red ribbon on festive days of the Apostolate of the Sacred Heart of Jesus, but what the priest Eudes elaborated in the post-reform period and what the philosopher calls “the canopy of the double heart of the Son and the Mother … an intercordial family, metaphysically enlarged” (idem, p. 116).

This relationship of these hearts, interpreted in the heart of nature, burning in collaboration that touches the radiant heart of love from the upper world in the work of Jacob Böhme (Theosophical Works, 1682), in the photo illustrated on page 117 of the book, the broader relationship appears in the final pages on tour 10 “Matris no grêmio” (on her mother’s lap), detailed as a “marylogical whim”.

The idea of ​​the child in Mary’s womb takes on a divine figure (of the Father God), what the Orthodox and Catholics call Teotokos (mother of God) (in the photo the icon of G. Gashev) that for evangelicals is heresy, but what do they mean for this moment of pandemic crisis, and of a previous civilization crisis?

SLOTERDIJK, P. (2016) Esferas I, trad. José Oscar de Almeida Marques, Brazil/São Paulo: Estação Memória.[:]