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Arquivo para junho, 2020

Ignoramus et ignorabimus

30 jun

[:pt]A frase do fisiologista alemão Emil du Bois-Reymond em sua obra significava que em sua Über die Grenzen des Naturerkennens significando que no conhecimento científico havia ignorância e a tradução do latim é ignoramos e ignoraremos.

A primeira grande reação viria de David Hibert em 1930 quando afirmou: “Nós precisamos saber e nós iremos saber”, dita numa reunião anual da Sociedade dos Cientistas e Médicos alemãos, porém um dia antes, numa mesa redonda numa Conferência sobre Epistemologia, Kurt Gödel anunciou provisoriamente o seu teorema da incompletude, que mostrava que os sistemas axiomáticos elementares são autocontraditórios e contêm proposições lógicas que são impossíveis de provar ou refutar, referindo-se a um dos 23 problemas propostos por Hilbert.

Foi numa Conferência de matemáticos em Paris no ano 1900 havia anunciado os famosos 23 problemas que a matemática deveria resolver, e entre eles o famoso teorema da incompletude que provaria que um sistema matemático ou é completo ou é aberto.  

Porém o maior problema foi fechar as questões em torno de teoremas e axiomas matemáticos, e o grande debate subsequente é a diferença entre os sistemas humanos e sociais de um lado, e os sistemas da natureza, físicos ou matemáticos de outro.

Assim se afirmamos que 2 mais 2 é quatro e isto é exato, mas significa que estamos no campo da matemática, assim como figuras geométricas podem ser perfeitas, nenhum sistema “natural” é exatamente perfeito, planetas não são exatamente redondos, a luz e as ondas eletromagnéticas não caminham em linha reta no universo e também nenhuma superfície natural é perfeitamente plana.

O que ignoramos significa que o nosso sistema de interpretação é limitado a determinados modelos e metáforas que não correspondem exatamente a natureza, e no plano social não só o homem é extremamente complexo como a natureza que é onde se realizam o conjunto das relações humanas é ainda mais complexa, já que é a soma das complexidades individuais.

O epitáfio no túmulo de David Hilbert está sua famosa frase:

“Wir müssen wissen.

Wir werden wissen”. (foto acima)[:en]The phrase of the German physiologist Emil du Bois-Reymond in his work meant that in his Über die Grenzen des Naturerkennens meaning that in scientific knowledge there was ignorance and the Latin translation is ignored and we will ignore.

The first big reaction would come from David Hibert in 1930 when he said: “We need to know and we will know”, said at an annual meeting of the Society of German Scientists and Doctors, but at a round table at a Conference on Epistemology, Kurt Gödel provisionally announced his incompleteness theorem, which showed that elementary axiomatic systems are self-contradictory and contain logical propositions that are impossible to prove or disprove.

At a conference of mathematicians in Paris in 1900 he had announced the famous 23 problems that mathematics was supposed to solve, including the famous incompleteness theorem that would prove that a mathematical system is either complete or open.

However, the biggest problem was closing the questions around mathematical theorems and axioms, and the next big debate is the difference between human and social systems on the one hand, and systems of nature, physical or mathematical on the other.

So if we say that 2 plus 2 is four and this is accurate, it means that we are in the field of mathematics, just as geometric figures can be perfect, no “natural” system is exactly perfect, planets are not exactly round, light and waves Electromagnetic waves do not walk in a straight line in the universe and neither is any natural surface perfectly flat.

What we ignore means that our system of interpretation is limited to certain models and metaphors that do not correspond exactly to nature, and on the social level not only is man extremely complex but the nature that is where the set of human relationships takes place is still more complex, since it is the sum of individual complexities.

The epitaph on the grave of David Hilbert is his famous phrase:

“Wir müssen wissen.

Wir werden wissen ”. (photo above)

 

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[:pt]Covid 19 no Brasil e o platô[:en]Covid 19 in Brazil and the plateau[:]

29 jun

[:pt]A análise a partir do número de casos infectados não é factível porque a testagem no Brasil ainda é pequena, feita pelas empresas ou pelos hospitais mas somente nos casos em que há suspeita de necessidade de hospitalização, e a estimativa que 5% das mortes corresponderiam ao número de infectados não é verdadeiro porque as medidas de isolamento são diferentes em várias regiões.

O platô que se iniciou do meio para o final de maio se alongou porque as regiões com maior número de infectados foi se alargando e no caso do Brasil indo para o interior, chamados de epicentro, o nome seria impróprio se houvesse isolamento, assim a contaminação se alastrou.

Além de não haver isolamento das regiões onde os casos de infecções começaram, o que foi feito em muitos países desde a China onde começou e a região de Wuhan foi epicentro, neste caso o nome se justifica, as medidas tanto locais como regiões de isolamento foram duras para conter a propagação.

A segunda questão é a forma de olhar o gráfico e os números, o gráfico que no início era uma exponencial e apesar ser necessário olhar fazendo uma escala logarítmica da curva para ver o grau de inclinação (por exemplo no início dobrava o número a cada dia e depois a cada dois dias, etc.), agora que a curva não tem mais um comportamento exponencial é necessário fazer o logaritmo.

Olhando a escala logarítmica da curva percebe-se claramente o platô (gráfico acima) e que os números estão girando um pouco acima dos mil casos diários de mortes, o grau de infecção como já se disse não é preciso, e assim percebe-se o platô que se prolonga já por um mês.

O motivo foi a análise inicial feita aqui, não havendo isolamento das regiões o vírus se propagou para regiões mais interiores e o novo “epicentro” é o interior do país, e assim deve se prolongar pelo mês de julho seja pela ineficácia das políticas de isolamento, seja pelo período de inverno.[:en]The analysis based on the number of infected cases is not feasible because testing in Brazil is still small, done by companies or hospitals but only in cases where there is a suspicion of the need for hospitalization, and the estimate that 5% of deaths would correspond to the number of infected is not true because the isolation measures are different in several regions.

The plateau that started from the middle to the end of May has lengthened because the regions with the highest number of infected people were widening and in the case of Brazil going inland, called the epicenter, the name would be inappropriate if there was isolation, thus the contamination spread.

In addition to there being no isolation from the regions where infections started, which has been done in many countries since China where it started and the Wuhan region was epicenter, in this case the name is justified, both local measures and isolation regions were hard to contain the spread.

The second question is how to look at the graph and the numbers, the graph that at the beginning was an exponential and although it is necessary to look at making a logarithmic scale of the curve to see the degree of slope (for example, at the beginning, the number doubled every day and then every other day, etc.), now that the curve no longer has an exponential behavior, it is necessary to make the logarithm.

Looking at the logarithmic scale of the curve, the plateau is clearly perceived (graph above) and the numbers are rotating slightly above the thousand daily cases of death, the degree of infection as already said is not necessary, and thus it is perceived the plateau that has been going on for a month.

The reason was the initial analysis done here, with no isolation from the regions, the virus spread to more inland regions and the new “epicenter” is the interior of the country, and so it should continue into the month of July, either because of the ineffectiveness of isolation policies , or for the winter period

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[:pt]Hermenêutica e espiritualidade[:en]Hermeneutics and spirituality[:]

26 jun

[:pt]Um ponto fundamental da hermenêutica desde a origem é resolver a questão da relação entre pessoas e com os objetos, sejam eles reais ou imateriais (virtual é outra coisa), e como estas se relacionam com o nosso mundo mental, dito subjetivo pelos idealistas, mas vinculado a eles na origem moderna da questão.

Se originalmente surge a ideia da intersubjetividade, pela diálogo e proximidade com o idealismo, o que a filosofia contemporânea vai recuperar é o ser-para-Outrem, ou a Empatia, e aqui não se trata de relações cordiais ou generosas, mas aquilo que vem da hermenêutica filosófica, como a fusão de horizontes, e nisto a empatia pode ser colocada como tendo algo “espiritual”.

Não por acaso Edith Stein, uma das discipulas de Husserl, que foi inclusive sua secretária, teve como tema principal a empatia, antes de sua vida religiosa (tornou-se uma irmã carmelita, mesmo sendo judia), porém não é difícil fazer um vínculo entre os dois momentos da vida de Stein.

Edith Stein vai refletir que o que chama de “eu puro” (ou o que prefiro o mais profundo do eu) está em consonância como o Outrem, de três modos singulares analisados pela autora: a vivencia no campo da investigação pura, que sempre se reporta aos dois polos da consciência: subjetivo (noesis) e objetivo (noema), na segunda diferencia a abordagem fenomenológica do ato empático de outras abordagens feitas no campo empírico (abordagem genética, psicológica, moral, ética, etc.) e terceiro apesar da capacidade de aprender com a vivência alheia o que é constitutiva do eu.

O “eu” sempre reconhece o fluxo da ipseidade (o que é próprio, correlato a hecceidade, princípio de Duns Scotto) e isto o leva a alteridade (o diferencia do outro). ´porém esta relação se vista dentro da fenomenologia hermenêutica o epoché (colocar entre parêntesis os conceitos) diferencia-se do código cartesiano porque não se trata do ego, pois é possível intuitivamente entender de modo empático a vivência do Outro, mas não de modo originário, e isto significa Identidade.

Teríamos dificuldades de afirmar uma unidade do Eu, de sua individualidade, se as relações que são chamadas de “intersubjetivas” (não gosto do nome pela origem idealista), pois não podemos identificar onde começa e termina a liberdade e responsabilidade de cada indivíduo.

Olhar o outro como consciência (que sempre tem a intenção dirigida a algo) significa tomar consciência de mim naquele aspecto para o qual a consciência é dirigida, diferentemente de encontrar o “meio termo”, “a verdade”, ocorre o que mais tarde Heidegger e Gadamer chamaram de fusão de horizontes, assim o diálogo pressupõe uma hermenêutica filosófica, no sentido de mergulhar no horizonte alheio e reencontrar o próprio, sendo necessário um epoché.

É interessante que nas leituras bíblicas Jesus vai perguntando aos discípulos quem era para eles*, e vão o descobrindo aos poucos e nunca totalmente, também Jesus olha e analisa cada um para ir formando uma comunidade com eles, alguns veem uma relação unilateral, mas é dialogal.

*Mt 16, 13-14: Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.[:en]The fundamental reason for hermeneutics is from the beginning to resolve the question of the relationship between people and objects, whether they are real or immaterial (virtual is something else), and as these relate to our mental world, I say subjective by idealists, but linked to them.

If originally the idea of ​​intersubjectivity arises, through dialogue and proximity to idealism, what contemporary philosophy will recover is being-for-Outrem, or Empathy, and here it is not a question of cordial or generous relations, but what comes of philosophical hermeneutics, such as the merging of horizons, and in this empathy can be put as having something “spiritual”.

Not by chance Edith Stein, one of Husserl’s disciples, who was even his secretary, had empathy before her religious life (she became a Carmelite sister, even though she was Jewish), but it is not difficult to make a connection between the two moments in Stein’s life.

Edith Stein will reflect that what she calls “the pure me” (or what I prefer the deepest of me) is in line with the Outrem, in three singular ways analyzed by the author: the experience in the field of pure investigation, which is always reports to the two poles of consciousness: subjective (noesis) and objective (noema), in the second it differentiates the phenomenological approach from the empathic act from other approaches made in the empirical field (genetic, psychological, moral, ethical, etc.) and the third despite ability to learn from the experience of others what constitutes the self.

The “I” always recognizes the flow of ipseidade (which is proper, correlated to hecceidade, principle of Duns Scotto) and this leads to otherness (differentiates it from the other). However, if this relationship is seen within the hermeneutic phenomenology, epoché (putting concepts in parentheses) differs from the Cartesian code because it is not about the ego, as it is intuitively possible to understand emphatically the experience of the Other, but not in an original way , and this means Identity.

We would have difficulties to affirm a unity of the Self, of its individuality, if the relations that are called “intersubjective” (I don’t like the name for its idealistic origin), because we cannot identify where the freedom and responsibility of each individual begins and ends.

To look at the other as conscience (which always has the intention directed towards something) means to become aware of me in that aspect towards which conscience is directed, unlike finding the “middle ground”, “the truth”, what happens later Heidegger and Gadamer called it a fusion of horizons, so the dialogue presupposes a philosophical hermeneutics, in the sense of diving into the horizon of others and rediscovering oneself, requiring an epoché.

It is interesting that in the biblical readings Jesus asks the disciples who he was for them*, and they gradually discover him and never fully, Jesus also looks and analyzes each one to form a community with them, some see a unilateral relationship, but it is dialogics.

*Mt 16, 13-14: Jesus asked his disciples: “Who do men say that I am the Son of Man?” They replied, “Some say it is John the Baptist; others that is Elias; still others, that is Jeremiah or one of the prophets”.

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[:pt]As meditações cartesianas e a fenomenologia[:en]Cartesian meditations and phenomenology[:]

25 jun

[:pt]Um pequeno livro de Edmund Husserl, que foi uma compilação de uma conferência em Paris, foi o opúsculo Meditações Cartesianas, onde faz cinco aportes e é a partir daí que dá origem a uma formulação consistente da fenomenologia.

O caminho de um Ego Transcendental, diferente da transcendência idealista em direção ao objeto, é uma direção ao Outro, ou outros eu´s, uma superação do estatuto do transcendente ligado ao objeto, assim descreve Husserl: “…. imediatamente se torna patente que o alcance de uma tal teoria é muito maior do que parece à primeira vista, dado que ela também conjuntamente funda uma teoria transcendental do mundo objetivo …” (HUSSERL, 2010, p. 134).

Ao admitir e se relacionar com a subjetividade alheia (um outro alter ego) tanto os objetos da cultura como o mundo compartilhado, cria uma intersubjetividade (HUSSERL, 2010, p. 134-35), agora do fenômeno transcendental “mundo” é retirada uma camada de sentido que possa ser remetida à constituição intersubjetiva.

A crítica da experiência feita por Husserl no início das Meditações, leva a primazia da experiência Imanente (apodítica do cogito, preso a lógica) enquanto a experiência transcendente (o mundo exterior e os outros incluídos) não se reduzindo a experiência transcendental em direção ao objeto.

Husserl usa também o conceito de solipsismo que é a ideia que que só existe o ato de pensar e o próprio eu, veja que neste raciocínio a própria existência do objeto é postar em dúvida o que é resolvido pela experiência, neste caso há um solipsismo gnosiológico onde os outros entes (seres humanos e objetos) só existem na mente e não na consciência.

A doutrina fenomenológica fundamenta-se que o mundo objetivo da ciência está voltado a experiência e no pensamento pré-reflexivo e pré-científico porque está ligado a subjetividade, para modificar esta relação de ser no mundo, incorporando o mundo da vida (Lebenswelt) de onde surge a necessidade de uma antropologia filosófica e uma epistemologia que responda estas a este desafio.

Como consequência deste pensamento surgiu a ontologia fenomenológica como uma possibilidade clara no próprio projeto de Husserl, embora não tenha aprovado num primeiro momento o trabalho de Heidegger.

Outra possibilidade de uma hermenêutica filosófica como foi elaborada por Hans-Georg Gadamer também estava ali desenhada e o círculo hermenêutico já estava em projeto no pensamento de Heidegger.

HUSSERL, E. Meditações cartesianas e conferências de Paris. Tradução de P. M. S. Alves. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2010.[:en]A small book by Edmund Husserl, which was a compilation of a conference in Paris, was the booklet Meditations Cartesian, where he makes five contributions and it is from there that gives rise to a consistent formulation of phenomenology.

The path of a Transcendental Ego, unlike idealistic transcendence towards the object, is towards the Other, or other selfs, an overcoming of the status of the transcendent linked to the object, thus describes Husserl: “…. it immediately becomes apparent that the scope of such a theory is much greater than it seems at first, since it also jointly founds a transcendental theory of the objective world […] ”(HUSSERL, 2010, p. 134).

By admitting and relating to the subjectivity of others (another alter ego) both cultural objects and the shared world, it creates an intersubjectivity (HUSSERL, 2010, p. 134-35), now from the transcendental phenomenon “world” a layer of meaning that can be referred to the intersubjective constitution.

The criticism of the experience made by Husserl at the beginning of the Meditations, takes the primacy of the Immanent experience (apoditic of the cogito, attached to logic) while the transcendent experience (the outside world and the others included) does not reduce the transcendental experience towards the object .

Husserl also uses the concept of solipsism which is the idea that there is only the act of thinking and the self, see that in this reasoning the very existence of the object is to put in doubt what is solved by experience, in this case there is a gnosiological solipsism where other beings (human beings and objects) exist only in the mind and not in consciousness.

The phenomenological doctrine is based on the fact that the objective world of science is turned to experience and pre-reflective and pre-scientific thinking because it is linked to subjectivity, to modify this relationship of being in the world, incorporating the world of life (Lebenswelt) from where the need arises for a philosophical anthropology and an epistemology that answers these to this challenge.

As a consequence of this thought, phenomenological ontology emerged as a clear possibility in Husserl’s own project, although he did not initially approve Heidegger’s work.

Another possibility for a philosophical hermeneutics as developed by Hans-Georg Gadamer was also designed there, and the hermeneutic circle was already in project in Heidegger’s thought.

HUSSERL, E. (2010) Meditações cartesianas e conferências de Paris. Tradução de P. M. S. Alves. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.[:]

 

[:pt]O pensamento moderno e a verdade[:en]Modern thought and truth[:]

24 jun

[:pt]Grande parte das questões apontadas na modernidade referem-se ao “cogito” cartesiano, e que este separaria corpo de espírito, na verdade mente de espírito, porém desconhece-se que a questão é anterior e é ao significado de substância.

Vê-se na obra cartesiana que mente e espírito estão muito ligados, pode-se dizer isto sim que a mente é submetida ao espírito, lê-se na sexta meditação: “mens cerebro tam intime conjuncta sit” (Adam e Tennery, 1996, VII, p. 437).

A origem de duas formas de pensamento, Karl Popper dirá que a afirmação de Parmênides é ontológica “o ser é e o não ser não é” no sentido de não existe (existencial e não lógico), e Heráclito de Éfeso “tudo não é está passando a ser” visto como “dialético”, na verdade é ontológico também.

Para Aristóteles a substância significava o suporte ou substrato no qual a hylé (concepção grega de matéria) se constituía em algo dando uma forma (morphe), Tomás de Aquino vai pensar a partir daí, e acrescentar um novo componente na noção de substância, além desses dois, a saber, o ato de ser (esse/actus essendi), o ato de ser de onde parte sua ontologia.  Estas questões já estavam presentes em Platão e Sócrates.

Dai parte as famosas noções de ato e potência, um exemplo, a semente é em potência arvore.

Aristóteles tinha 4 causas: Causa material: de que a coisa é feita? Fazendo como exemplo uma casa, seriam os tijolos. Causa eficiente: o que faz com a coisa? seria a construção. Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa. Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor.

Mas a intentio em Tomás é subcategoria da consciência, e voltará a ser categoria para Franz Brentano, mas modificando-a como categoria principal como consciência dirigida a algo, assim muito diferente do uso cotidiano de intenção.

O que Husserl aluno de Brentano vai pensar em Meditações Cartesianas, é principalmente na quinta e não na sexta tese, onde questiona se Descartes não suspenso o juízo, mas não o ego.

Interpela o Eu da angústia cartesiana, sem entender qual caminho da imanência do Eu para a transcendência do Outro? Reconfigura a psicologia através da fenomenologia. Através do método da redução fenomenológica atinge-se o Eu Transcendental, pois isto a suspensão de Husserl e seus seguidores é uma epoché hermenêutica, um colocar entre parêntesis.

Toda a questão de Heidegger (aluno de Husserl) e Lévinas estão dirigidas a este Outro e o Tempo.

ADAM, C.; TANNERY, P. (org) Oeuvres de Descartes, Paris: Vrin, 1996. Citado em Amir d. Aczel: O caderno secreto de Descartes,  São Paulo: Zahar, 2007.  

 [:en]Most of the issues raised in modernity refer to the Cartesian “cogito”, and that this would separate body from spirit, in fact mind from spirit, however it is unknown that the question is previous and is the meaning of substance.

It can be seen in the Cartesian work that mind and spirit are very connected, it can be said that the mind is submitted to the spirit, it reads in the sixth meditation: “mens cerebro tam intime conjuncta sit” (Adam and Tennery, 1996, VII, p. 437).

The origin of two forms of thought, Karl Popper will say that Parmenides’ statement is ontological “being is and non-being is not” in the sense of does not exist (existential and not logical), and Heraclitus of Ephesus “everything is not is becoming ”seen as“ dialectic ” is also ontological.

For Aristotle the substance meant the support or substrate in which the hylé (Greek conception of matter) was constituted in something giving a form (morphe), Tomás de Aquino will think from there, and add a new component in the notion of substance, besides of these two, namely, the act of being (esse / actus essendi), the act of being from which its ontology comes. This was already in Plato.

The famous notions of act and potency, an example, the seed is in the potency of the tree.

Aristotle had 4 causes: Material cause: what is the thing made of? For example, a house would be bricks. Efficient cause: what do you do with the thing? it would be construction. Formal cause: what gives it shape? The house itself. Final cause: what shaped it? The builder’s intention.

But intentio in Tomás is a subcategory of consciousness, and will return to being a category for Franz Brentano, but changing it as the main category as consciousness directed towards something, thus very different from the everyday use of intention.

What Husserl a student of Brentano will think of Cartesian Meditations, is mainly in the fifth and not in the sixth thesis, where he questions whether Descartes does not suspend judgment, but not the ego.
It challenges the Self of Cartesian anguish, without understanding which path from the immanence of the Self to the transcendence of the Other? Reconfigure psychology through phenomenology. Through the method of phenomenological reduction, the Transcendental Self is reached, as this suspension of Husserl and his followers is a hermeneutic epoché, a place in parentheses.

 The whole question of Heidegger (student of Husserl) and Lévinas is directed to this Other and Time.

ADAM, C .; TANNERY, P. (org) Oeuvres de Descartes, Paris: Vrin, 1996. Quoted in Amir d. Aczel: Descartes’ secret notebook, São Paulo: Zahar, 2007.[:]

 

[:pt]Consciência e verdade[:en]Conciousness and truth[:]

23 jun

[:pt]Um dos truques mais comuns é dizer uma meia-verdade, uma mentirinha sem maldade ou aquilo que suaviza nossa consciência quando sabemos que estamos fazendo o que está errado, não se trata do politicamente correto, pois em muitos casos pode-se dizer aquele político “bom” se corrompeu, tornou-se ditador ou é incapaz de diálogo.

Uma frase conhecida de William Shakespeare é “Sabemos o que somos, mas ainda não sabemos o que podemos chegar a ser”, que é uma frase tão interessante quanto “To be or not to be”, porque significa que podemos Ser além do ser atual, assim há um devir, assim not to be and I will be.  

A esfera interior na qual saciamos vazios emocionais, frustrações ou ansiedades, por exemplo na bebida ou na comida, estamos preenchendo o vazio saciando temporariamente, mas ele voltará de tempos em tempos.

A relação com a filosofia é ampla, desde Platão que definiu o mito da caverna como passar do mundo das sombras, onde nos vemos como projeções no fundo da caverna para uma esfera elevada, autêntica e onde há verdadeira liberdade, e o medo das meias-verdades some.

A verdadeira consciência não é nem um despertar, nem uma iluminação, mas um “desvelar” tirar o véu, e o primeiro passo é que a consciência seja consciência de algo, onde encontrei limites ou um NÃO inesperado, não só uma dor, mas um obstáculo à primeira vista intransponível.

A psicologia Gesltat, com forte influência da hermenêutica, define como dar-se conta de algo (awareness) e encontramos correspondente na filosofia japonesa, por exemplo, como “satori”, tirar as camadas superficiais para encontrar o núcleo de algo.

Os três passos para adentrar estas camadas são: despertar para nossa zona mais profunda, no aspecto emocional, nossos medos, angústias e inquietações, o segundo requer o que acontece no seu exterior, o contexto, as pessoas e situações que invisto sem resultados, e o terceiro, bem mais complexo sabe o que sente, o que acontece em seu exterior, mas há preconceitos, barreiras e algo que o faz se defender e não passar de certos limites.

Exerça uma mudança, não basta encontrar os pontos fortes, é justamente nos pontos fracos que suas defesas estão fragilizadas, e, elas estão articuladas com seus enganos e vivências.[:en]One of the most common tricks is to say a half-truth, a lie without malice or that which softens our conscience when we know that we are doing what is wrong, it is not a matter of politics because in many cases it is difficult to say that “good” politician if corrupted.

A well-known phrase from William Shakespeare is “We know what we are, but we still don’t know what we can become”, which is as interesting a phrase as “To be or not to be”, because it means that we can be beyond being current , so there is a becoming, so “not to be and I will be”.

The inner sphere in which we satiate emotional voids, frustrations or anxieties, for example in drink or food, we are filling the void by temporarily satiating, but it will come back.

The relationship with philosophy is broad, since Plato who defined the myth of the cave as passing from the world of shadows, where we see ourselves as projections at the bottom of the cave to a high, authentic sphere and where there is true freedom, and the fear of the half- truths disappear.

True consciousness is neither an awakening nor an enlightenment, but an “unveiling” to remove the veil, and the first step is that consciousness is awareness of something, where I found limits or an unexpected NO, not only a pain, but a obstacle at first insurmountable sight.

Gesltat psychology, with a strong influence of hermeneutics, defines how to be aware of something (awareness) and we find a correspondent in Japanese philosophy, for example, as “satori”, to remove the superficial layers to find the nucleus of something.

The three steps to enter these layers are: to awaken to our deepest zone, in the emotional aspect, our fears, anxieties and concerns, the second requires what happens outside, the context, the people and situations that I invest without results, and the third, much more complex, knows what he feels, what happens outside, but there are prejudices, barriers and something that makes him defend himself and not go beyond certain limits.

Make a change, it is not enough to find the strengths, it is precisely in the weaknesses that your defenses are weakened, and they are articulated with your mistakes and experiences.

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[:pt]Corona vírus: a flexibilização e a endemia[:en]Corona virus: flexibilization and the endemic[:]

22 jun

[:pt]Vários países no mundo se preparam para uma segunda onda do corona vírus, o Brasil não saiu da primeira e a parecer estacionado num platô em torno de mil mortes diárias, muitos analistas alegam que o Brasil é diferente por sua extensão territorial, desigualdade social e densidade populacional, muito bem, mas a Índia e China também e controlam a infecção com medidas duras.

Vários especialistas e infectologistas apontam que a política de flexibilização pode ser adotada se for admitido a possibilidade de reversão, isto é, onde o número de casos se agravar volta a quarentena, mas o esgotamento da população depois de mais de 100 dias não permite mais.

Aline Dayrell, professora e coordenadora do curso de Epidemiologia da UFMG, diz que só teremos segurança total se 70% tornar-se imune, veja que sãos os mesmos índices do isolamento social desejado, e o Prof. Carlos Fortaleza infectologista da UNESP-Botucatu diz a segunda onda é a possibilidade de qualquer doença transmissível, desde que a população não esteja imune.

A Índia com mais de 2 meses em abril, após o primeiro caso de infecção tinha 800 e 27 mil infectados, sendo mais populoso que o Brasil, porém os números se aceleraram e 4 dias atrás registrou 2 mil mortes diárias, mostrando que mesmo as medidas duras não foram suficientes.

China e Nova Zelândia que aparentemente tinham controlado o corona vírus, já admitem que é uma endemia, isto é, que não é possível erradicar totalmente a pandemia sem uma vacina.

“O risco de propagação da epidemia é muito alto, por isso devemos tomar medidas resolutas e decisivas”, disse Xu Hejian, porta-voz do governo da cidade de Pequim, epicentro da segunda onda do covid 19, na Nova Zelândia houve o caso de duas pessoas que vieram do Reino Unido para participar de um funeral, caso excepcional que o governo admite e que vai rever.[:en]Several countries in the world are preparing for a second wave of the corona virus, Brazil has not left the first and seems to be stationed on a plateau around a thousand daily deaths, many analysts claim that Brazil is different due to its territorial extension, social inequality and density population, very well, but India and China too and control the infection with harsh measures.

Several specialists and infectologists point out that the flexibilization policy can be adopted if the possibility of reversion is admitted, that is, where the number of cases worsens returns to quarantine, but the depletion of the population after more than 100 days no longer allows.

Aline Dayrell, professor and coordinator of the UFMG (Brazilian Minas Gerais Federal University) Epidemiology course, says that we will only have total security if 70% becomes immune, see that the same indexes of social isolation are desired, and Prof. Carlos Fortaleza infectious disease at UNESP-Botucatu (Paulista State University) says the second wave is the possibility of any communicable disease, as long as the population is not immune.

India with more than 2 months in April, after the first case of infection had 800 and 27 thousand infected, being more populous than Brazil, but the numbers accelerated and 4 days ago it registered 2 thousand daily deaths, showing that even the measures harsh were not enough.

China and New Zealand, which apparently had controlled the corona virus, already admit that it is an endemic, that is, that it is not possible to completely eradicate the pandemic without a vaccine.

“The risk of spreading the epidemic is very high, so we must take resolute and decisive action,” said Xu Hejian, spokesman for the Beijing city government, the epicenter of the second wave of covid 19, in New Zealand. two people who came from the UK to attend a funeral, an exceptional case that the government admits and will review.

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[:pt]Tempo de pós-verdade ou de hermenêutica[:en]Post-truth time or hermeneutics[:]

19 jun

[:pt]Uma hermenêutica é aquela que permite uma visão do mundo e uma interpretação dos fatos diferentes, não significa manipulação da verdade, mas exatamente ou desenvolve aquilo que ideologias e teorias não práticas ocultam (não há phronesis, práticas práticas) ou ou exercem práticas voluntárias sem reflexão . 

O que acontece é que na busca de espírito absoluto, ou estabelecimento de verdades totais, na verdade eram totalitária, isto é, não admite uma visão de mundo diferente, numa era de diálogo simplesmente ligam a uma verdade já pré-existente, assim como existem verdades a priori para visões totalitárias.

O conhecimento para Emanuel Kant começa com uma experiência, e a razão organizadora dessa matéria de acordo com suas formas estabelecidas, com as estruturas existentes no conhecimento, assim como a formação séria uma forma de organizar a matéria que vem da experiência.

Embora “a priori” se refira a um modo geral como adjetivo de conhecimento, também é usado como adjetivo para modificar substantivos, como uma verdade, assim propor uma verdade a priori, e é um dos dogmas do idealismo.

Porem a verdade por séculos permaneceu velada, sempre foi usada como forma de poder, mas é o tempo em que as verdades são reveladas, não por jornalistas e grupos controlados que fazem parte de torcidas, mas com armas de fotos e celulares, câmeras presentes em muitos locais e em celulares, mas o grande salto é a consciência dos fatos.

Não é por acaso que este é o grande tema atual, desde a questão da filosofia hermenêutica, uma questão de consciência que deixa ser determinista, romântica ou dogmática, até um questionamento, se as máquinas inteligentes terão consciência e na última instância “imitar” o homem .

Para a cultura cristã, isso pode ser um noutro ponto, um tempo que a verdade é revelada, conforme o evangelista Mateus 10,26-29: “Não tenha medo dos homens, pois nada há descoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja revelado. O que você diz na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escuta ao pé do ouvido, proclama-o sobre os telhados! Não tenha medo daqueles que matam o corpo, mas não pode matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! ”.

O filósofo Peter Sloterdijk, que não é cristão, disse que uma pandemia nos colocou “todos os joelhos”, direção que nem todos ainda aceitam, e.há aqueles que não admitem o mistério, além da nossa capacidade de leitura e entre os religiosos que ainda não se.põem ds joelhos, ao menos por compaixão com os que sofrem, a hermenêutica é esta abertura ao outro discurso, ao diferente, com sinceridade.        [:en]Hermeneutics is one that allows a worldview and an interpretation of different facts, it does not mean manipulation of the truth, but exactly the unveiling of what ideologies and non-practical theories hide (there is no phronesis, practical wisdom).

What happens is that the search for the absolute spirit, the establishment of total truths was actually totalitarian, that is, they did not admit a different worldview, the dialog was simply linked to a pre-established truth, so there were truths a priori .

Knowledge for Immanuel Kant begins with experience, and reason would organize this matter according to its own forms, with the existing structures in knowledge, so information would be a way to organize the matter that comes from experience.

Although “a priori” is generally referred to as an adjective of knowledge, it is also used as an adjective to modify nouns, such as truth, so there would be truth a priori, and this is one of the tenets of idealism.

But the truth for centuries has remained veiled, it has always been established by certain forms of power, but this is the time when the truths begin to be revealed, not by journalists and controlled groups that are part of fans, but the armed crowd of photos and cell phones , cameras present in many surveillance places, but the big leap is awareness.

It is no coincidence that this is the great current topic, from philosophical hermeneutics, the question of historical consciousness that is no longer deterministic, romantic or dogmatic to the question of whether intelligent machines can be aware and ultimately “imitate” man .

For Christian culture this can go to another point, a time when the truth is revealed, according to the evangelist Matthew 10: 26-29:

“Do not be afraid of men, because there is nothing covered up that is not revealed, and there is nothing of hidden that is not known. What I say to you in the darkness, say it in the light of day; what you hear at the ear, proclaim it over the roofs! Do not be afraid of those who kill the body, but cannot kill the soul! On the contrary, fear the one who can destroy the soul and the body in hell! ”.

Philosopher Peter Sloterdijk, who is not a Christian, said that the pandemic put us “all on our knees”, I would say that not everyone still has those who do not admit the mystery beyond our ability to understand and among the religious those who are not yet knees, at least out of compassion for those who suffer.

 

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[:pt]A Hermeneutica de Scheilemacher a Gadamer[:en]Scheilemacher’s Hermeneutics to Gadamer[:]

18 jun

[:pt]O renascimento da hermenêutica, ela esteve confinada na cultura clássica antiga como uma vertente da filosologia clássica,  feito por Schleiermacher (1768-1834).

Para Heidegger, a hermenêutica é equivalente a fenomenologia da existência, ou seja, coisas que são passíveis de interpretação, devem ser analisadas de acordo com as possibilidades de existir e se manifestar em seu tempo histórico, mas sua compreensão de história é diferente de Dilthey.

Seu trabalho encontra o primeiro eco em Wilhelm Dilthey (1833-1911), que separa a ideia de interpretação em dois campos explicação das ciências naturais e compreensão nas ciências humanas.

Paul Ricoeur (1913-2005) e Hans-Georg Gadamer (1900-2002) vão superar esta dicotomia criando uma hermenêutica filosófica, para Ricoeur compreender um texto é encadear um novo discurso no discurso do texto, assim o texto deve estar aberto, ou seja, passível de apropriação de um sentido.

Por outro lado, a reflexão, é para Ricoeur, a meditação sobre os signos presentes, assim não há explicação sem a compreensão do mundo e de si mesmo.

Hans-Georg Gadamer vê na concepção histórica de Dilthey certo idealismo, e sua hermenêutica como a de Ricoeur, que são filosóficas, no entanto ele a vê numa estrutura circular onde há sempre uma pré-compreensão, onde é possível uma fusão de horizontes o que permitirá uma reinterpretação e uma nova formulação da compreensão.

No círculo hermenêutico, inspirado em Heidegger, foi pensado assim “Toda interpretação, para produzir compreensão, deve já ter compreendido o que vai interpretar”, porém foi Gadamer que o sistematizou. 

Em Gadamer a ideia de horizonte é: o conteúdo singular é apreendido a partir da totalidade de um contexto de sentido, que é pré-apreendido e co-apreendido, onde há um diálogo entendido como: A compreensão sempre é apreensão do estranho e está aberta à modificação das pressuposições iniciais diante da diferença produzida pelo outro (o texto, o interlocutor).

A compreensão do contexto no sentido de tradições, cultura, etnias e crenças são fundamentais para entender como o círculo hermenêutico acontece.

A experiência se realiza segundo a troca dialogal dentre de uma língua e ela é sempre produtiva não apenas reprodutiva: “o sentido de um texto supera seu autor, não ocasionalmente mas sempre”, assim a hermenêutica filosófica a vê como presente nas culturas e línguas.

O resultado deste círculo é a produção de um saber prático usa uma palavra grega phronesis (não há teoria x prática) que não é um saber privado mas social, onde realiza as minimizações e exacerbações da autocriação do eu e no âmbito social a criação de dogmas retirando da ética a sua estetização social, e, preserva as sabedorias práticas de culturas e crenças que atuam nos processos respeitando a diversidade.

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método: Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.[:en]The revival of hermeneutics, it was confined to ancient classical culture as a strand of classical philosophy, made by Schleiermacher (1768-1834).

For Heidegger, hermeneutics is equivalent to the phenomenology of existence, that is, things that are open to interpretation, must be analyzed according to the possibilities of existing and manifesting in their historical time, but their understanding of history is different from Dilthey.

His work finds its first echo in Wilhelm Dilthey (1833-1911), which separates the idea of ​​interpretation in two fields: explanation of the natural sciences and understanding in the human sciences.

Paul Ricoeur (1913-2005) and Hans-Georg Gadamer (1900-2002) will overcome this dichotomy by creating a philosophical hermeneutics, for Ricoeur to understand a text is to chain a new discourse into the text’s discourse, so the text must be open, that is , subject to the appropriation of a sense.

On the other hand, reflection, for Ricoeur, is meditation on the present signs, so there is no explanation without understanding the world and yourself.

Hans-Georg Gadamer sees in Dilthey’s historical conception a certain idealism, and his hermeneutics like that of Ricoeur, which are philosophical, however he sees it in a circular structure where there is always a pre-understanding, where a fusion of horizons is possible which it will allow a reinterpretation and a new formulation of understanding.

In the hermeneutic circle, inspired by Heidegger, it was thought that “Every interpretation, to produce understanding, must have already understood what it is going to interpret”, but it was Gadamer that systematized it.

In Gadamer the idea of ​​the horizon is: the singular content is apprehended from the totality of a context of meaning, which is pre-apprehended and co-apprehended, where there is a dialogue understood as: Understanding is always apprehension of the stranger and is open the modification of the initial assumptions given the difference produced by the other (the text, the interlocutor).

Understanding the context in the sense of traditions, culture, ethnicities and beliefs are fundamental to understanding how the hermeneutic circle happens.

The experience takes place according to the dialogical exchange within a language and it is always productive, not just reproductive: “the meaning of a text surpasses its author, not occasionally but always”, so the philosophical hermeneutics sees it as present in cultures and languages.

The result of this circle is the production of practical knowledge using a Greek word phronesis (there is no theory x practice) which is not a private but social knowledge, where it minimizes and exacerbates the self-creation of the self and in the social sphere the creation of dogmas removing ethics from its social aestheticization, and preserving the practical wisdom of cultures and beliefs that operate in the processes respecting diversity.

GADAMER, H.G. (1989) Truth and Method, 2nd edn, Sheed and Ward.

 

 

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[:pt]Da fenomenologia de Brentano a Ontologia de Heidegger[:en]From Brentano’s phenomenology to Heidegger’s Ontology[:]

17 jun

[:pt]Entre as contribuições de Brentano, além da intencionalidade da consciência,  que é consciência de algo ou do objeto, está o que alguns autores (Boris, 1994) chama de Filosofia do Presente, onde o aqui e agora é a única experiência possível, rompendo com a ideia do empirismo de que uma experiência só é científica se puder ser repetida, e também rompe com a neutralidade do espectador, pois ele é parte do experimento, o que torna-o uma hermenêutica.

Da intencionalidade de seu mestre Brentano, Edmund Husserl (1859- 1938) guardará o aspecto da experiência de “ser consciente de alguma coisa”, mas modificará a fenomenologia empírica, para torná-la transcendental, não no sentido ainda espiritual, mas das vivências cognoscitivas, deixará de lado a visão de empírica, pela de uma objetividade imanente.

Husserl afirma em Ideias da Fenomenologia (1986) que: “As vivências de conhecimento possuem, isso pertence à sua essência, uma intentio, visam algo, se reportam de tal ou tal maneira a uma objetividade”, com isto abandona a ideia do empírico do mestre Brentano, e retoma o conceito de objetividade imanente como uma revisão dos conceitos Aristotélico e Tomista, como “essência”.

Em sua obra da maturidade A crise das ciências Europeias Husserl torna o conceito de transcendência mais vivo, dentro de sua Lebenswelt (Mundo da Vida), o transcendente “o transcendente é o mundo exterior” enquanto o transcendental “é o mundo interior” da consciência (HUSSERL, 2008, p. 18), porém esta dicotomia entre mundo exterior e interior vai fazer os filósofos existencialistas evitar o termo consciência.

Heidegger (1989) aluo de Husserl foi o primeiro a evita, pois a relação entre homem e mundo sempre foi perseguida pelos fenomenólogos com objetivo de superar o fantasma idealista da relação sujeito-objeto, a análise intencional e descritiva da consciência definia as relações essenciais dos atos mentais e o mundo externo, apesar de amadurecer Husserl a questão da redução fenomenológica.

Martin Heidegger (1889-1976), via Husserl como intelectualista e cartesiano, abandona os termos consciência e intencionalidade, centrais na fenomenologia transcendental de Husserl, na obra O ser e o tempo (1927), não aprovada por Husserl, o aluno supera o conceito de consciência e propõe o conceito de Dasein, inaugurando a fenomenologia existencial.

A “finitude” humana, a temporalidade e a historicidade (o ser no tempo) serão fundamentais na análise heideggeriana do Dasein, uma teoria que se funda na “destruição” da cisão sujeito-objeto.

 

BORIS, G. D. J. B. Noções básicas de fenomenologia. Insight. Psicoterapia (São Paulo). v. 46, pp. 19-25, novembro, 1993.

Heidegger, M. Ser e tempo (Vols. 1-2). Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.

HUSSERL, E. A crise da humanidade europeia e a filosofia. Porto Alegre; EDIPUCRS, 2008.[:en]Among Brentano’s contributions, in addition to the intentionality of consciousness, which is awareness of something or the object, is what some authors (Boris, 1994) call Philosophy of the Present, where the here and now is the only possible experience, breaking with the idea of ​​empiricism that an experiment is only scientific if it can be repeated, and also breaks with the viewer’s neutrality, as he is part of the experiment, which makes him a hermeneutic.

From the intent of his master Brentano, Edmund Husserl (1859-1938) will retain the aspect of the experience of “being aware of something”, but will modify the empirical phenomenology, to make it transcendental, not in the still spiritual sense, but of cognitive experiences , will leave aside the empirical view, for that of an immanent objectivity.

Husserl states in Ideias da Fenomenologia (1986) that: “The experiences of knowledge have, this belongs to its essence, an intent, they aim at something, they report in one way or another to an objectivity”, thereby abandoning the idea of ​​the empirical of the Mestre Brentano, and takes up the concept of immanent objectivity as a revision of the Aristotelian and Thomist concepts, as “essence”.

In his work of maturity The crisis of European sciences Husserl makes the concept of transcendence more alive, within his Lebenswelt (World of Life), the transcendent “the transcendent is the outside world” while the transcendental “is the inner world” of consciousness (HUSSERL, 2008, p. 18), but this dichotomy between outer and inner world will make existentialist philosophers avoid the term consciousness.

Heidegger (1989) Husserl’s pupil was the first to avoid it, since the relationship between man and world has always been pursued by phenomenologists in order to overcome the idealistic phantasm of the subject-object relationship, the intentional and descriptive analysis of consciousness defined the essential relationships of mental acts and the external world, although Husserl matured the issue of phenomenological reduction.

Martin Heidegger (1889-1976), via Husserl as an intellectualist and Cartesian, abandons the terms conscience and intentionality, central to Husserl’s transcendental phenomenology, in the work The Being and Time (1927), not approved by Husserl, the student overcomes the concept awareness and proposes the concept of Dasein, inaugurating the existential phenomenology.

Human “finitude”, temporality and historicity (being in time) will be fundamental in Dasein’s Heideggerian analysis, a theory based on the “destruction” of the subject-object split

 

BORIS, G. D. J. B. (1993) Noções básicas de fenomenologia. Insight. Psicoterapia (São Paulo). v. 46, pp. 19-25, novembro.

Heidegger, M. (1989) Ser e tempo (Vols. 1-2). Petrópolis, RJ: Vozes.

HUSSERL, E. (2008) A crise da humanidade europeia e a filosofia. Porto Alegre; EDIPUCRS.

 

 

 

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