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outubro « 2020 « Blog Marcos L. Mucheroni Filosofia, Noosfera e cibercultura
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Arquivo para outubro, 2020

[:pt]A felicidade a partir da  beatitutde, da pureza e do amor[:en]Happiness from beatitude, purity and love[:]

30 out

[:pt]Toda a argumentação contemporânea sobre a felicidade quando não desce ao fundo do poço da barbárie, é ligá-la ao consumo, aos bens materiais e ao prazer.

Por isso beatitude se distanciou da felicidade, embora na raiz ocidental da antiguidade clássica (Eudaimonia) seja comum, na “Etica a Nicomaco” Aristóteles estabelece: “Quanto ao seu nome, a maioria está praticamente de acordo: felicidade o chamam, tanto o vulgo como as pessoas cultas, supondo que ser feliz consiste em viver bem e ter sucesso”,  mas esclarece em outro ponto que não é a riqueza: “A vida (…) dedicada ao comércio é contra a natureza, e é evidente que a riqueza não é o bem que buscamos; com efeito, ela só existe em vista do lucro e é um meio para outra coisa”, mas neste ponto dirá que é o prazer.

Põe-se a questão do que é o fim desta busca, se é sucesso, honra, reconhecimento, no final o que percebemos é que “Se, de fato, o bem fosse uno e predicável em geral, e subsistisse separado, é evidente que não seria realizável nem adquirível pelo homem; mas é justamente isso que nós buscamos”, qual é este fim.

Em qualquer escatologia perecemos e se a morte é apenas um fim trágico e final, seria bom tirar o máximo desta vida e nem mesmo valores como honra e sucesso não valeriam de nada, apenas se estes resultassem tendo como fim o “prazer”, e não é então humildade, compaixão e participar da felicidade alheia são beatitudes que resultam também em nossa própria felicidade.

Assim aqueles que buscam apenas a própria felicidade em nada favorecem a própria uma vez que não tem ocasião de compartilhar e o prazer egoísta é uma felicidade apenas parcial, as bem-aventuranças no clássico Sermão da Montanha apontam para outra felicidade, aquela que os idílicos e hedonistas procuram negar, mas que aqueles que realmente a experimentam garantem que há uma felicidade equilibrada e sempre presente, um gáudio e uma paz para os que a praticam.

O Sermão da Montanha é um clássico aos que acreditam e podem muito bem servir de meditação para os que buscam uma felicidade efetiva e plena:

os pobres em espírito

os que choram

os humildes

os que têm fome e sede de justiça

os misericordiosos

os puros de coração

os pacificadores

os perseguidos por causa da justiça

Pois estes serão consolados, receberão a terra por herança, serão fartos pela justiça que finalmente será alcançada, terão misericórdia e serão chamados “filhos de Deus”, para os que creem a maior bem-aventurança, foi a verdade central e escatológica anunciada para toda a humanidade.

A história ou caminha para lá ou teremos um processo de crise muito maior que a atual pandemia, que os ciclos horrorosos de guerra, e não serem felizes.[:en]All contemporary argument about happiness when it does not go down to the bottom of barbarism, is to link it to consumption, material goods and pleasure.

That is why beatitude has distanced itself from happiness, although in the western roots of classical antiquity (Eudaimonia) it is common, in “Ethics to Nicomachus” Aristoteles establishes: “As for his name, the majority is practically in agreement: happiness calls him, both like educated people, assuming that being happy consists of living well and being successful ”, but clarifies in another point that it is not wealth:“ Life (…) dedicated to trade is against nature, and it is evident that wealth is not the good we seek; in fact, it exists only for profit and is a means to something else ”, but at this point it will say that it is pleasure.

The question arises as to what is the end of this search, whether it is success, honor, recognition, in the end what we perceive is that “If, in fact, the good were one and predicable in general, and subsisted separately, it is evident that it would not be achievable or achievable by man; but that is precisely what we seek ”, what is this end.

In any eschatology we perish and if death is only a tragic and final end, it would be good to make the most of this life and even values ​​such as honor and success would be worthless, only if these resulted in the end of “pleasure”, and not it is then humility, compassion and participating in the happiness of others are beatitudes that also result in our own happiness.

Thus, those who seek only their own happiness in no way favor their own since they have no occasion to share and selfish pleasure is only partial happiness. hedonists try to deny it, but those who really experience it guarantee that there is a balanced and always present happiness, joy and peace for those who practice it.

The Sermon on the Mount is a classic for those who believe and may well serve as a meditation for those who seek effective and full happiness:

the poor in spirit

those who cry

the humble ones

those who are hungry and thirsty for justice

the merciful the pure in heart

the peacemakers

those persecuted for the sake of justice

For these will be comforted, they will receive the land as an inheritance, they will be fed up with the justice that will finally be achieved, they will have mercy and will be called “children of God”, for those who believe in the greatest beatitude, it was the central and eschatological truth announced for all the humanity.

History will either go there or we will have a crisis process much bigger than the current pandemic, than the horrific cycles of war, and not be happy.

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[:pt]Aflição e angústia[:en]Affliction and anguish[:]

29 out

[:pt]Os que leram atentos O Ser e o tempo, sabem que uma das respostas importantes de Heidegger é o aquilo que deve ser lido em Kierkgaard e que está ligado a raiz filosófica de seu pensamento, e isto está ligado a angústia e discorremos aqui o que a diferencia da aflição que é a angústia pessoal e ligada ao problema do mal.

É, pois, o próprio Heidegger quem Kierkegaard separando-o em ensinamentos ditos “edificantes” que seriam mais importantes do que os “teóricos”, exceto em um caso que é o da angústia, em seu tratado O conceito de angústia, e que o filósofo da floresta faz questão de dizer que “do ponto de vista ontológico” permanece ainda “inteiramente tributário de Hegel e da filosofia antiga vista através deste”. (HEIDEGGER, 2012, p. 651, n. 6).

O que Heidegger viu neste livro de 1844, cuja autoria é atribuída a Vigilius Haufniensis, pseudônimo kierkegaardiano que se traduz como “Vigia de Copenhague”, já que Kierkegaard era dinamarquês e sua primeira intenção é retornar a sabedoria socrática, que para ele se conjugava entre o saber contemplativo (theoría) com o saber prático (phrónesis), a maneira da antiguidade grega.

Apesar dele ter chamado Sócrates de “filósofo prático, justamente queria centrar o penso da “angústia” na vivência do que era refletido pela alma e isto significou uma aproximação da psicologia, era “a doutrina do espírito subjetivo” (Kierkegaard, 2010, p. 25), era um dos ramos da Filosofia, e de uma filosofia realmente dialética no sentido grego-socrático já que a filosofia moderna se fixou no dualismo kantiano tese x antítese com uma improvável síntese

O filósofo usa a expressão “pecado hereditário”, usada pelo autor ao longo da obra, mas como aquela que correspondo o que os teólogos, por ele chamados de “dogmáticos”, denominam como de pecado original, nomenclatura a parte, é o aspecto que aproxima o seu tema da angústia daquela aflição “de alma”, que pode ter o contorno filosófico e psicológico, mas que é no fundo aquela aflição de quem se sente fora de um centro, de uma perspectiva clara de superação da angústia.

Nela não há o sentido portanto de pecado original, nem da noção de pecado, mas se confunde como tal como a sua possibilidade enquanto ideia, ou seja, uma categoria conceitual capaz de nos ajudar a pensar sobre algum mal praticado, e o que levaria a este “mal” é o conceito de liberdade para muitos pensadores.

O que conduz o existir a um modo singular, a um modo de agir de tal forma ? É aí que as noções de liberdade e de angústia emergem enquanto “conceitos” convergem para esta “angústia”, mas sem ter um locus, nem na Estética, nem na Metafísica e sequer na Psicologia, assim o autor não o diz, mas há algo de aflito e de trágico neste caminhar nesta “angústia”.

Paul Ricoeur refletindo sobre estas expressões de Kierkegaard, estabelece que o mal é “o que há de mais oposto ao sistema”, justamente porque é absurdo e escandaloso, irracional e incompreensível, situado à margem da moral e da razão, lembra Ricoeur (1996, p. 16), referindo-se às reflexões kierkegaardianas, o mal é “o que há de mais oposto ao sistema”, justamente porque é absurdo e escandaloso, irracional e incompreensível, situado à margem da moral e da razão.

Ricoeur diferencia assim o mal estrutural (já fizemos um post), ligado a angústia e o pecado e o livre-arbítrio ligado a decisões pessoais perante a angústia.

O ponto que considero essencial no pensamento de Kierkegaard sobre este aspecto existencial é que “só o que atravessou a angústia da possibilidade, só este está plenamente formado para não se angustiar, não porque se esquive dos horrores da vida, mas porque esses sempre ficam fracos em comparação com os da possibilidade” (Kierkegaard, 2010, p. 165-166), é aqui que a aflição pode encontrar o seu oposto e podemos entender que há uma fonte de consolo nela.

Assim angústia e aflição não são propriamente maldições ou estados pecaminosos ou doenças da “alma” ou dos pensamentos, são fases de ruptura ou transição para outras fases mais maduras quanto esta etapa envolve reflexão e superação.

 

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Campinas: Editora da Unicamp, 2012. (Multilíngues de Filosofia Unicamp). JOLIVET, Régis. As doutrinas existencialistas: de Kierkegaard a Sartre. Porto: Tavares Martins, 1957.

KIERKEGAARD, Sören. O conceito de angústia: uma simples reflexão psicológico-demonstrativa direcionada ao problema dogmático do pecado hereditário de Vigilius Haufniensis. Tradução e notas Álvaro Luiz Montenegro Valls. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.[:en]Those who have read The Being and Time attentively know that one of Heidegger’s important responses is what should be read in Kierkgaard were quick to witness the celebrated response of a thinker considered to be one of the most eminent philosophers of contemporary times.

It is, therefore, Heidegger himself who Kierkegaard separating him into so-called “edifying” teachings that would be more important than “theoretical” ones, except in one case that is anguish, in his treatise The concept of anguish, and that the “the forest philosopher” is keen to say that “from an ontological point of view” it remains “entirely tributary to Hegel and ancient philosophy seen through him”. (HEIDEGGER, 2012, p. 651, n. 6).

What Heidegger saw in this 1844 book, whose authorship is attributed to Vigilius Haufniensis, a Kierkegaardian pseudonym that translates as “Copenhagen Watcher”, since Kierkegaard was Danish and his first intention is to return Socratic wisdom, which for him contemplative knowledge (theory) with practical knowledge (phrónesis), the way of ancient Greek.

Although he called Socrates a “practical philosopher, he just wanted to focus the“ anguish ”dressing on the experience of what was reflected by the soul and this meant an approximation of psychology, it was“ the doctrine of the subjective spirit ”(KIERKEGAARD, 2010, p. 25), was one of the branches of Philosophy, and of a really dialectical philosophy in the Greek-Socratic sense since modern philosophy has fixed itself on the Kantian dualism thesis versus antithesis with an improbable synthesis.

The philosopher uses the expression “hereditary sin”, used by the author throughout the work, but as the one that corresponds to what theologians, called by him “dogmatic”, call the original sin, nomenclature apart, is the aspect that brings his theme closer to the anguish of that “soul” affliction, which can have a philosophical and psychological outline, but which is basically that affliction of those who feel outside a center, from a clear perspective of overcoming anguish.

What leads existence to a singular way, to a way of acting in such a way? This is where the notions of freedom and anguish emerge as “concepts” converge to this “anguish”, but without having a locus, neither in Aesthetics, in Metaphysics or even in Psychology, so the author does not say so, but there is something afflicted and tragic in this journey in this “anguish”.

Paul Ricoeur, reflecting on these expressions of Kierkegaard, establishes that evil is “what is the most opposite to the system”, precisely because it is absurd and scandalous, irrational and incomprehensible, situated on the margins of morality and reason, recalls Ricoeur (1996, p. 16), referring to the Kierkegaardian reflections, evil is “what is the most opposite to the system”, precisely because it is absurd and scandalous, irrational and incomprehensible, situated on the margins of morality and reason.

Ricoeur thus differentiates structural evil (we have already made a post), linked to anguish and sin and free will linked to personal decisions in the face of anguish.

The point that I consider essential in Kierkegaard’s thought on this existential aspect is that “only what has crossed the anguish of possibility, only this one is fully trained not to be distressed, not because it evades the horrors of life, but because they always become weak compared to those of possibility ”(KIERKEGAARD, 2010, p. 165-166), it is here that affliction can find its opposite and we can understand that there is a source of comfort in it.

Thus anguish and affliction are not exactly curses or sinful states or diseases of the “soul” or thoughts, they are phases of rupture or transition to other more mature phases when this stage involves reflection and overcoming.

 

HEIDEGGER, Martin (1957) Ser e tempo. Campinas: Editora da Unicamp, 2012. (Multilíngues de Filosofia Unicamp). JOLIVET, Régis. As doutrinas existencialistas: de Kierkegaard a Sartre. Portugal, Porto: Tavares Martins.

KIERKEGAARD, Sören (2010). O conceito de angústia: uma simples reflexão psicológico-demonstrativa direcionada ao problema dogmático do pecado hereditário de Vigilius Haufniensis. Tradução e notas Álvaro Luiz Montenegro Valls. 2. ed. Brazil, Petrópolis, RJ: Vozes.

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[:pt]A felicidade em Tomás de Aquino[:en]Happiness in Thomas Aquinas[:]

28 out

[:pt]Para analisar a beatitude, que já esclarecemos que é também um tema da Grécia antiga para a felicidade, Tomás de Aquino aprendeu com o filósofo grego a distinguir entre duas formas diferentes de felicidade: as riquezas naturais que são aquelas pelas quais o homem é ajudado a compensar as deficiências naturais como a comida, a bebida, as vestes, a habitação, etc., e as artificiais aquela não auxiliam a natureza mas a submetem, como o dinheiro, mas a arte humana inventou para facilitar as trocas, para que fossem como medidas para coisas veniais, e influenciado por Boécio vai questionar se a riqueza é de fato a que dá posso a todos bens:

“A bem-aventurança é o estado perfeito da junção de todos os bens’. Ora, parece que pelo dinheiro poderão se adquirir todas as coisas, porque o Filósofo, no livro V da Ética, o dinheiro se inventou para ser a fiança de tudo aquilo que o homem quisesse possuir. Logo, a bem-aventurança consiste nas riquezas” (Tomás de Aquino, Suma teológica. Parte III).

Mesmo com a posse de uma ideia mais ampla de riqueza, a riqueza natural que Aristóteles previu, e a riqueza artificial também, em nenhuma delas o Aquinate vai reconhecer como fonte de felicidade, pelo fato que não tem um fim em si mesma, e as pessoas que as possuem tornam-na o fim último, torna-se fiança de algo.

E que valor pode possuir esta fiança em si mesma, Tomás de Aquino examina a honra, e diz neste sentido: “é impossível que a bem-aventurança consista na honra. A honra é prestada a alguém devido alguma sua excelência: e assim, é um sinal e testemunho daquela excelência que está no honrado”, pode também ser a fama ou glória, o poder, e os bens do corpo, porém todos estes bens em si mesmo também não traduzem em felicidade, mas apenas em falso conhecimento.

Assim é ela própria a bem aventurança, diz textualmente: “a bem-aventurança é o mais estável dos bens”, assim a falta de estabilidade da fama ocorre pelo fato de ela derivar, exclusivamente, do conhecimento humano, que, por sua vez, é limitado, e muitas vezes é mesmo falso.

De modo parecido argumentava Boécio: “o poder humano não pode evitar o tormento das preocupações, nem o aguilhão do medo”.

Quanto ao corpo, argumenta o filósofo cristão: “a bem-aventurança do homem é superior em todos os sentidos à dos animais, embora muitos animais superem os homens nos bens do corpo”, assim se a beatitude vem daí o homem estaria se igualando aos animais, e quão verdade é isto muitas vezes.

Mas o que é então a felicidade para o Doutor Angélico, que faz o mesmo questionamento de Boécio: “‘é necessário confessar que Deus é a própria bem-aventurança?” e concluirá que “a bem-aventurança é o último fim, para o qual naturalmente tende a vontade humana” e “para nenhuma outra coisa deve tender a vontade como para o último fim, a não ser para Deus, pois ele deve ser objeto de gozo, como diz Agostinho” (AQUINO, 2003, p. 62).

Pode-se aqui ter a síntese do que é a felicidade para os três grandes pensadores cristãos do período medieval.

Para alguns autores, como Luiz Alberto De Boni, a filosofia de Tomás de Aquino nestes moldes: “o bem e o fim se identificam”, possui assim uma escatologia, e se entendemos que o fim é apenas esta vida terrena limitada a um período temporal sua argumentação não é validade, porém se admitimos a eternidade, a felicidade como bem último é aquela que conquistamos já aqui mas que deve se prolongar além da vida temporal, fora disto é claro, somente os prazeres temporais.

No quadro acima, de autor anônimo, O homem rico e Lázaro, (cerca de 1610, Amsterdam).

AQUINO, Tomás de. Suma teológica. Vol III São Paulo: Loyola, 2003.[:en]To analyze beatitude, which we have already explained that is also an ancient Greek theme for happiness, Thomas Aquinas learned from the Greek philosopher to distinguish between two different forms of happiness: the natural riches that are those by which man is helped to compensate for natural deficiencies such as food, drink, clothing, housing, etc., and artificial ones that do not help nature but subject it, like money, but human art invented to facilitate exchanges, so that they were like measures for venial things, and influenced by Boethius will question whether wealth is in fact the one that gives all goods:

“Bliss is the perfect state where all goods come together.” Now, it seems that through money you can acquire all things, because the Philosopher, in book V of Ethics, money was invented to be the guarantee of everything that man wanted to possess. Therefore, bliss consists of riches ”(Thomas Aquinas, theological suma. Part III).

Even with the possession of a broader idea of ​​wealth, the natural wealth that Aristotle predicted, and artificial wealth as well, in none of them will Aquinate recognize it as a source of happiness, because it has no end in itself, and people who own them make it the ultimate end, it becomes a bond for something.

And what value this bond can have in itself, Tomás de Aquino examines honor, and says in this sense: “it is impossible for the beatitude to consist of honor. The honor is rendered to someone due to some excellence: and thus, it is a sign and testimony of that excellence that is in the honored one ”, it can also be the fame or glory, the power, and the goods of the body, but all these goods in themselves they also do not translate into happiness, but only false knowledge.

That is how bliss is itself, she says verbatim:” bliss is the most stable of goods “, so the lack of stability of fame occurs due to the fact that it derives exclusively from human knowledge, which, in turn, instead, it is limited, and it is often even false.

Similarly, Boethius argued: “human power cannot avoid the torment of worries, nor the sting of fear”.

As for the body, argues the Christian philosopher: “, the beatitude of man is superior in every way to that of animals, although many animals surpass men in the goods of the body”, so if beatitude comes from there, man would be equaling to animals, and how often this is true.

But what then is happiness for Doctor Angelico, who asks the same question as Boethius: “‘ Is it necessary to confess that God is the beatitude itself? ” and he will conclude that “the beatitude is the last end, towards which the human will naturally tends” and “for nothing else must the will tend as for the last end, except for God, for it must be the object of I enjoy, as Agostinho says ”(AQUINO, 2003, p. 62).

Here you can have a synthesis of what happiness is for the three great Christian thinkers of the medieval period.

For some authors, like Luiz Alberto De Boni, the philosophy of Tomás de Aquino along these lines: “the good and the end are identified”, thus has an eschatology, and if we understand that the end is just this earthly life limited to a temporal period his argument is not valid, but if we admit eternity, happiness as the ultimate good is that which we have already achieved here but which must extend beyond temporal life, outside of this, of course, only temporal pleasures.

In Picture above, by an anonymous author, The rich man and Lazarus, (around 1610, Amsterdam).

 

AQUINO, Tomás (2003). Theological summula. V. III. Brazil, São Paulo: Loyola.

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[:pt]Bem aventurança e beatitude[:en]Bliss and beatitude[:]

27 out

[:pt]Embora o termo esteja associado a santidade cristã, e é também um dos seus aspectos, o termo na antiguidade clássica tinha um significado mais genérico, um estado permanente de perfeita satisfação e plenitude que somente um sábio podia alcançar, assim pensava Aristóteles, mas hoje está condicionado somente ao sentido religioso, pretende-se aqui mostrar que podem estar mais próximos do que se pensa.

O significado religioso é também o da felicidade, mas no sentido de gáudio de prazer equilibrado da alma, que só pode alcançar quem desfruta da presença de Deus, que sua plenitude poderá ser atingida somente na vida eterna, mas não significa descartar a vida terrena, “eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10:10), assim proclama o evangelista, mas o que há de diferentes entre as duas propostas de felicidade.

Aristóteles no livro Das Causas vai dizer que o fim da beatitude é relativo ao desejo da mesma, assim a natureza última deste fim move-se principalmente pelo desejo e este é o prazer, tanto que absorve a vontade e a razão do homem a ponto de fazer desprezar outros bens.

Tanto Boécio, que a igreja também o beatificou (isto é o proclamou feliz, beato e santo), e Aristóteles trataram do tema, e a pergunta deles é o que se o prazer é mesmo o fim último da felicidade, da beatitude e que também Tomás de Aquino vai argumentar ao contrário.

O que diz Boécio é que são tristes as consequências dos prazeres, sabem-no todos os que querem lembrar-se das suas sensualidades, pois, se estas pudesse os fazer felizes, nenhuma razão haveria para que também os brutos não fossem considerados tais, e isto lembra muito os casos atuais de abusos e violências reprováveis.

Para Boécio: “A bem-aventurança é o estado perfeito da junção de todos os bens”, e assim parece que pelo dinheiro poderão se adquirir todas as coisas, porque o Filósofo, no livro V da Ética, afirma que o dinheiro se inventou para ser a fiança de tudo aquilo que o homem quisesse possuir, o que hoje pode ser traduzido como o dinheiro compra tudo.

Além disto diz também Boécio: “Mais brilham as riquezas quando são distribuídas do que quando conservadas. Por isso, a avareza torna os homens odiosos, a generosidade os torna ilustres”, e assim não se condena a riqueza, mas a sua má distribuição.

Na representação acima o quadro “O violinista alegre com um copo de vinho” (1624) de Gerard van Honthorst (1590-1656).[:en]Although the term is associated with Christian holiness, and is also one of its aspects, the term in classical antiquity had a more generic meaning, a permanent state of perfect satisfaction and fullness that only a wise man could achieve, so thought Aristotle, but today it is conditioned only to the religious sense, it is intended here to show that they can be closer than we think.

The religious meaning is also that of happiness, but in the sense of joy of balanced pleasure of the soul, which can only reach those who enjoy the presence of God, that its fullness can be achieved only in eternal life, but does not mean discarding earthly life, “I have come that everyone may have life, and life in abundance” (John 10:10), so proclaims the evangelist, but what is different between the two proposals for happiness.

Aristotle in the book “Of the causes” will say that the end of beatitude is relative to its desire, so the ultimate nature of this end moves mainly by desire and this is pleasure, so much so that it absorbs man’s will and reason to the point of make other goods despise.

Both Boethius, that the church also beatified him (that is, he proclaimed him happy, blessed and holy), and Aristotle dealt with the theme, and their question is what if pleasure is really the ultimate end of happiness, of beatitude and that it also Tomás de Aquino will argue the contrary.

What Boethius says is that the consequences of pleasures are sad, all those who want to remember their sensualities know it, because, if these could make them happy, there would be no reason why the brutes too would not be considered such, and this is very reminiscent of current cases of abuse and objectionable violence.

For Boethius: “The beatitude is the perfect state of the union of all goods”, and so it seems that through money you can acquire all things, because the Philosopher, in book V of Ethics, says that money was invented for to be the guarantor of everything that man wanted to possess, which today can be translated as money buys everything.

In addition, Boethius also says: “Riches shine more when they are distributed than when they are conserved. For this reason, greed makes men hateful, generosity makes them illustrious ”, and so wealth is not condemned, but its bad distribution.

In the representation above the painting “The cheerful violinist with a glass of wine” (1624) by Gerard van Honthorst (1590-1656).

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[:pt]As vacinas estão na fase de testes[:en]Vaccines are in the testing phase[:]

26 out

[:pt]Todas as vacinas estão na fase de testes, apenas a vacina russa com seu mega imperador Putin aprovou vacinas, mas ninguém confia nelas.

O grupo americano de biotecnologia Moderna, um dos que estão conduzindo testes na fase 3 nos Estados Unidos prometendo resultados para dezembro foi solicitado em setembro dar mais transparência em seus relatórios, quase sempre entregues ao governo em caráter “confidencial” revela as pressões sobre o FDA (Agência americana de Medicamentos) pois a eleição está próxima e poderia favorecer o governo, mas a própria empresa não acredita em prazos curtos.

Outro laboratório a Pfizer, uma das vacinas mais promissoras rendeu polêmicas esta semana devido a infecção e morte de uma das pessoas recrutadas para testes, um voluntário brasileiro que faleceu, mas segundo o site Bloomberg o rapaz estava no grupo dos placebos dos testes e não recebeu a dose ativa da vacina.

Esclarecendo os testes são chamados de duplo cego, isto é nem os médicos nem os pacientes sabem que versão foi aplicada, é aplicado em alguns um placebo e em outros a própria vacina, sendo esta uma das formas mais confiáveis de testagem, somente em casos como este da morte de um voluntário a dose é revelada.

A polêmica da vacina chinesa, que ainda está sem aprovação e com prazo para outubro de 2021, teve uma crescente politização da vacina como já alertamos no post da semana passada, mais uma polarização social agora neste assunto, que deveria ser uma preocupação de todos independentemente da ideologia.

O problema da obrigatoriedade da vacina deve ser tratado de forma democrática, e a polêmica não ajuda o consenso público que neste caso já é improvável, é de se lamentar a politização do tema, a judicialização é ainda mais lamentável, lembro o caso dos drogados cuja internação involuntária não foi aprovada.

A fase de testes, segundo especialistas e a própria OMS, deve se prolongar ainda por 2021, qualquer antecipação prematura da vacina será tão grave quanto a própria pandemia, e o resultado pode ser desastroso e sujeito a processos judiciais.

Esperamos que a vacina venha, que seja um consenso mundial a sua validade, que a politização do tema diminua e que possamos sair menos polarizados da pandemia, é um tema altruísta, mas precisamos ter esperança de uma humanidade melhor, senão tanto sofrimento num ano desastroso de nada valeu.[:en]All vaccines are in the testing phase, only the Russian vaccine with its mega emperor Putin has approved vaccines, but no one trusts it.

The American group of Modern biotechnology, one of those conducting tests in phase 3 in the United States promising results for December, was asked in September to give more transparency in its reports, almost always delivered to the government in a “confidential” character, reveals the pressures on the FDA (American Medicines Agency) because the election is close and could favor the government, but the company itself does not believe in short deadlines.

Another laboratory at Pfizer, one of the most promising vaccines, sparked controversy this week due to the infection and death of one of the people recruited for testing, a Brazilian volunteer who died, but according to the Bloomberg website the boy was in the group of test placebos and did not receive the active dose of the vaccine.

Clarifying the tests are called double blind, that is, neither doctors nor patients know which version was applied, in some a placebo is applied and in others the vaccine itself, this being one of the most reliable forms of testing, only in cases such as this from the death of a volunteer the dose is revealed.

The controversy of the Chinese vaccine, still without approval and with a deadline for October 2021, is one of the consequences of the politicization of the vaccine that we already warned in last week’s post, social polarization makes any issue, even those that should be everyone’s concern. regardless of ideology.

The problem of mandatory vaccination must be dealt with democratically, and the controversy does not help the public consensus, which in this case is already unlikely, the politicization of the issue is regrettable, judicialization is even more regrettable, I remember the case of drug addicts whose involuntary hospitalization has not been approved.

The testing phase, according to experts and the WHO itself, should continue for 2021, any premature anticipation of the vaccine will be as serious as the pandemic itself, and the result can be disastrous and subject to lawsuits.

We hope that the vaccine will come, that there will be a worldwide consensus on its validity, that the politicization of the theme will decrease and that we can emerge less polarized from the pandemic, is an altruistic theme, but we need to hope for a better humanity, if not so much suffering in a disastrous year that it was worthless.

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[:pt]O que faz o Amor ser amado[:en]What makes love loved[:]

23 out

[:pt]Hannah Arendt procurou em Agostinho de Hipona suas respostas para o Amor, trouxe grandes contribuições no campo filosófico para o tema, muito além da clássica divisão dos gregos: ágape, eros e filia; mas como observou a filosofa contemporânea Julia Kristeva não foi além do Agostinho filósofo, abordando também o teólogo.

Além da divisão inteligente da sua tese de doutorado: “O amor em Santo Agostinho”, a própria Arendt acentuou o caráter filosófico da obra do bispo de Hipona, ao ressaltar: “ele nunca perdeu completamente o impulso de questionamento filosófico” (Arendt, 1996), suas bases de Cícero, Platão e Plotino são perceptíveis em sua obra.

A escolha de Arendt por dividir sua dissertação em três partes se deve a uma vontade de fazer justiça a pensamentos e teorias agostinianas que correm em paralelo. Assim cada parte “servirá para mostrar três contextos conceituais nos quais o problema do amor tem papel decisivo.”

Também ela percebe a importância do Amor Caritas, mas como o vê não é teológico, mas apenas dentro das possibilidades humanas, Julia Kristeva ao falar do Amor vai além ao afirmar: “O amor é o tempo e o espaço em que ‘eu’ me dou o direito de ser extraordinário“, enquanto Arendt tem clareza que há diferença entre o Caritas e a Cupiditas, que ama o mundo, as coisas do mundo.

Mas a questão de Agostinho que deve ser respondida também pelos cristãos sé o que “amo quando amo o meu Deus?” (Confissões X, 7, 11 apud Arendt p. 25), a quinta essência do meu interior, é verdade como pensava Agostinho que encontro em mim o que me liga a eternidade, porém há além da quinta essência ou Outro fora, não apenas Deus, mas aquele Outro que passa ao meu lado, aquele cuja identidade está escondida no invólucro humano do Outro que tem Deus em si também. 

O que amo quando amo a Deus, é assim extensível ao Amor a humanidade, concreto em cada Outro que me relaciono, e está além da quinta essência do meu “Eu”.

Caritas é assim o extraordinário em mim, tanto Arendt, Kristeva e o próprio Agostinho estão certos em parte, porém o Deus que amo está agora presente também no Outro, que é além do meu espelho e além da minha quinta-essência interior.

Talvez a maior cilada feita para Jesus pelos fariseus esteja na pergunta, depois que Jesus havia calado os saduceus, estava na pergunta (Mt 22,36) “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”, e Jesus responderá (Mt 22,37-39): Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’”, e conclui que esta é a síntese de toda Lei e dos profetas.

Hannah Arendt cita esta passagem, mas a sequência é clara amarás com todo coragem e toda alma, aspectos teológicos e depois com o entendimento, o filosófico.

Porém a pergunta atualizada é esta de Agostinho: “O que amo quando digo que amo a Deus?” e se na resposta é também “O próximo como a ti mesmo”, ou seja, com a sua quinta-essência interior dirigida ao Outro, significa que não posso dizer que amo de fato o Amor, que vem de Deus, se não é o Amor caritas.

ARENDT, Hannah. Love and Saint Augustine. Chicago: University of Chicago Press, 1996.

Figura: Texturas e acrílico sobre tela 100×120 cm | Janeiro, 2018. Galeria Eva-sas.[:en]Hannah Arendt sought in Augustine of Hippo for her answers to Love, brought great contributions in the philosophical field to the theme, far beyond the classic division of the Greeks: agape, eros and filia; but as the contemporary philosopher Julia Kristeva observed, she went no further than the philosopher Augustine, for there is also the theologian.

In addition to the intelligent division of her doctoral thesis: “Love in Saint Augustine”, Arendt herself emphasized the philosophical character of the work of the Bishop of Hipona, by emphasizing: “he never completely lost the impulse of philosophical questioning” (Arendt, 1996), his bases of Cicero, Plato and Plotinus are noticeable in his work.

Arendt’s choice to divide his dissertation into three parts is due to a willingness to do justice to Augustinian thoughts and theories that run in parallel. So each part “will serve to show three conceptual contexts in which the problem of love plays a decisive role.”

She also realizes the importance of Amor Caritas, but as she sees it is not theological, but only within human possibilities, Julia Kristeva when talking about Love goes further by stating: “love is the time and space in which ´I´ give myself the right to be extraordinary“, while Arendt is clear that there is a difference between Caritas and Cupiditas, who loves the world, the things of the world.

But the question of Augustine that must also be answered by Christians is what “do I love when I love my God?” (Confessions X, 7, 11 apud Arendt p. 25), the fifth essence of my interior, it is true as Augustine thought that I find in me what connects me to eternity, but there is beyond the fifth essence or Other outside, not just God , but that Other that passes by me, the one whose identity is hidden in the human envelope of the Other that has God in him too.

What I love when I love God, is thus extended to Love humanity, concrete in each Other that I relate to, and is beyond the fifth essence of my “I”.

So Caritas is the extraordinary in me, both Arendt, Kristeva and Augustine himself are right in part, but the God I love is now also present in the Other, which is beyond my mirror and beyond my inner essence.

Perhaps the biggest trap made for Jesus by the Pharisees is in the question, after Jesus had silenced the Sadducees, it was in the question (Mt 22,36) “Master, what is the greatest commandment of the Law?”, And Jesus will answer (Mt 22, 37-39): “Jesus replied:“ ‘You shall love the Lord your God with all your heart, with all your soul, with all your understanding!’ That is the greatest and the first commandment. The second is similar to this: ‘You will love your neighbor as yourself’ ”, and concludes that this is the synthesis of the entire Law and of the prophets.

Hannah Arendt quotes this passage, but the sequence is clear you will love with all courage and soul, theological aspects and then with understanding, the philosophical.

However, the updated question is this of Augustine: “What do I love when I say that I love God?” and if the answer is also “The neighbor as yourself”, that is, with its inner essence directed to the Other, it means that I cannot say that I really love Love, which comes from God, if it is not the Love caritas.

Arendt, Hannah. (1996) Love and Saint Augustine. Chicago: University of Chicago Press.

Figure: Textures and acrylic on canvas. January, 2018. Eva-sas Gallery.

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[:pt]Ainda o amor em Santo Agostinho[:en]Still love in Saint Augustine[:]

22 out

[:pt]O que fez Hannah Arendt chegar a conclusão que uma civilização do Amor não era possível, além de sua experiência pessoal como judia que não voltaria a sua “casa” em Israel, ainda tem que tivesse feito planos para isto, é a incompreensão do Caritas Agápico, o verdadeiro amor.

A filósofa Julia Kristeva divulgou um relatório reservado do orientador Karl Jaspers sobre sua orientanda Hannah Arendt, parecia-lhe que sua aluna que sua aluna na época “[…] estava apta a sublinhar o essencial, mas que ela, simplesmente, não reuniu tudo o que Agostinho disse sobre o amor. […] Alguns erros surgem nas citações. […] O método exerce alguma violência sobre o texto. […] A autora quer, através de um trabalho filosófico de ideias, justificar sua liberdade com relação às possibilidades cristãs, que, no entanto, a atraem. […] Não merece, infelizmente, a mais alta menção [cum laude]. Efetivamente, Arendt parece privilegiar, em Agostinho, o filósofo, em detrimento do teólogo.” (KRISTEVA, 2002, p. 41).

A filósofa Kristeva assinala o ponto essencial indo mais a fundo no pensamento de Agostinho, e questiona que tipo de amor o filósofo se referia e se existiria mais de um tipo de amor, além dos já conhecidos filia, ágape e Eros: “Numerosos termos declinam o conceito de amor em Agostinho: amor, desejo (com suas duas variantes, appetitus e libido), caridade, concupiscência, formando uma verdadeira ‘constelação do amor’ (…)”. (KRISTEVA, 2002, p. 42).

O que havia de revolucionário na forte mensagem cristã de Agostinho, além de sua capacidade intelectual e teológica, era a noção de libertação das leis antigas, o que alguns chamam incorretamente de legalismo (não se trata de leis “humanas”), centrando no amor a base da religião era possível superar a filiação anterior de Agostinho do dualismo maniqueísta, ao qual ainda boa parte da teologia e da filosofia estão presos, esta última porém mais ligada ao racional-idealismo atual.

Será impossível pensar em uma civilização que supere o ódio, a violência e a divisão dualista da sociedade sem haver caridade verdadeira, aquela que se estende a todos, aquela que admite a diversidade, e aquela que almeja a justiça, conforme pensava Agostinho: “onde não há caridade não pode haver justiça”, e assim o desejo maior de justiça deve ter como pressuposto a caridade, ainda que ela pareça altruísta demais, ou piegas, basta ver o que o ódio construiu senão guerras e violência.

O conjunto de volumes do “Gênio Feminino” de Julia Kristeva (1941- ) é analisar e prestar uma homenagem a três pensadoras do século XX, talvez a mais conhecida Hannah Arendt (1906-1975), Melanie Klein (1882-1960) e Colette (1873-1954).

Julia Kristeva é considerada uma estruturalista (ou pós), junto a Gérard Genette, Lévi Strauss, Jacques:Marie Lacan, Michel Foucault e Althusser, tem ainda um importante trabalho sobre semiótica Introdução à semanálise (2005), onde diz frases contundentes como: “todo texto se constrói como um mosaico de citações” (Kristeva, 2005, p. 68) e ainda: “O texto não denomina nem determina um exterior” (KRISTEVA, 2005, p. 12), afirmando assim que a literatura não dá conta do real.

 

KRISTEVA, Julia. O gênio feminino: a vida, a loucura e as palavras. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.

KRISTEVA, Julia. Introdução à semanálise. Tradução de Lúcia Helena França Ferraz. 2 ed. São Paulo: Perspectiva, 2005.[:en]What made Hannah Arendt conclude that a Civilization of Love was not possible, in addition to her personal experience as a Jew who would not return to her “home” in Israel, she still had to make plans for this, is the misunderstanding of Caritas Agápico , the true love.

Philosopher Julia Kristeva released a reserved report by advisor Karl Jaspers about her advisor Hannah Arendt, it seemed to her that her student that her student at the time “[…] was able to underline the essentials, but that she simply did not meet everything Augustine said about love. […] Some errors appear in the quotes. […] The method exerts some violence on the text. […] The author wants, through a philosophical work of ideas, to justify her freedom in relation to Christian possibilities, which, however, attract her. […] Unfortunately, it does not deserve the highest mention [cum laude]. Indeed, Arendt seems to favor, in Augustine, the philosopher, to the detriment of the theologian. ” (KRISTEVA, 2002, p. 41).

Philosopher Kristeva points out the essential point by going deeper into Augustine’s thought, and asks what kind of love the philosopher referred to and whether there was more than one type of love, in addition to the already known filia, agape and Eros: “Numerous terms decline the concept of love in Augustine: love, desire (with its two variants, appetitus and libido), charity, lust, forming a true ‘constellation of love’ (…) ”. (KRISTEVA, 2002, p. 42).

What was revolutionary about Augustine’s strong Christian message, in addition to his intellectual and theological capacity, was the notion of liberation from ancient laws, which some incorrectly call legalism (these are not “human” laws), centering on love the basis of religion was possible to overcome Augustine’s previous affiliation with Manichaean dualism, to which a good part of theology and philosophy are still attached, the latter but more linked to current rational-idealism.

It will be impossible to think of a civilization that overcomes hatred, violence and the dualistic division of society without true charity, one that extends to all, one that admits diversity, and one that seeks justice, as Augustine thought: “where there is no charity there can be no justice ”, and thus the greatest desire for justice must be based on charity, even if it seems too altruistic, or mushy, just look at what hatred has built but wars and violence.

The set of volumes of Julia Kristeva’s “Female Genius” (1941-) is to analyze and pay tribute to three thinkers of the 20th century, perhaps the best known Hannah Arendt (1906-1975), Melanie Klein (1882-1960) and Colette (1873-1954).

Julia Kristeva is considered a structuralist (or post), along with Gérard Genette, Lévi Strauss, Jacques: Marie Lacan, Michel Foucault and Althusser, she also has an important work on semiotics. as a mosaic of quotations ”(Kristeva, 2005, p. 68) and also:“ The text does not name or determine an exterior ”(KRISTEVA, 2005, p. 12), thus stating that literature does not account for the real.

 

KRISTEVA, Julia (2002). O genio feminino. The female genius: life, madness and words. Rio de Janeiro: Rocco.

KRISTEVA, Julia (2005) Introdução à semanálise. Introduction to semanysis. Translation by Lúcia Helena França Ferraz. 2nd ed. São Paulo: Perspectiva.

 

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[:pt]Transformação digital além da Buzzword[:en]Digital transformation beyond Buzzword[:]

21 out

[:pt]Alertamos e problematizamos nos 10 anos deste blog a transformação que estava sendo encaminhada pelas mudanças digitais, aspectos sociais, educacionais, industriais e até mesmo comportamentais, boa parte dos céticos reagiam, ironizavam ou desprezavam uma mudança real que estava acontecendo.

A pandemia mostrou que as ferramentas mais do que necessárias podem construir pontes, estabelecer relações novas, dinamizar empresas e evitar desperdícios de tempo, dinheiro e principalmente nestes tempos por em perigo a saúde.

Agora todos vivem a realidade digital, empresas sobreviveram por serviços online, famílias, grupos sociais, serviços públicos e reuniões de diversos tipos dependem das ferramentas digitais, os espetáculos dependem de lives, de meetings ou postagens em ferramentas de mídias sociais.

Uma buzzword surgiu muito forte a chamada “transformação digital”, porém o perigo do oportunismo é grande de empresas e sites que exploram e mistificam estes serviços e cobram caro por ele, assim alguns conceitos são necessários, primeiro o que acontece diferente na geração Z da anterior chamada de millennials, os que são nascidos no início do milênio, portanto antes do ano 2000, que agora tem de 22 a 37 anos.

Os millenials acompanharam a evolução a Web (as páginas, sites e blogs), nasceram numa realidade em que os computadores eram uma eletrodoméstico, assim só eram usados em casa e opcionalmente na escola, enquanto a geração Z através do celular levou o mundo digital a todo lugar, criam os grupos de chats e tem um comportamento diferente com a credibilidade dos sites, blogs e mídias de redes, criam suas próprias relações e ídolos, em geral diferente do tudo que é conhecido.

Embora mais fechados e com tendência a pouca relação social, são mais críticos que os millenials, mais ansiosos, são mais eficientes e são mais exigentes.

Assim as relações com o mercado são muito diferentes, voltam a preferir as compras em lojas físicas e selecionam bem o que compram, menos impulsivos e já tem a tecnologia com um excelente apoio, embora muito conectados já conhecem os limites da tecnologia.

Grandes revistas de economia como a Forbes e a Fortune fizeram análises da geração Z para entender a transformação de mercado necessária, a Forbes diz que ela representa 25% da população mundial atual, o meio digital é parte natural da vida deles, como a TV e o rádio das gerações passadas, enquanto a Fortune afirma que 32 da geração Z se esforça para um trabalho dos seus sonhos e descartam assumirem qualquer trabalho, embora temporariamente aceite para alçar o futuro.

Assim os CRMs ( Customer Relationship Management) antigos não funcionam e muitas críticas e análises feitas para a geração millenials estão ultrapassadas.

Segundo Kasey Panetta, pesquisadora da Gartner, 5 conceitos novos são emergentes: Composite architectures, arquiteturas ágeis e responsivas, Algorithmic trust, produtos, links, sites e transações confiáveis, Beyond silicon, os limites da lei de Moore da evolução dos computadores, agora tecnologias menores e mais ágeis são procuradas, Formative Artificial Intelligence (AI) adaptação ao cliente, customização dos serviços, tempos e localização, e o conceito Digital Me, uma espécie de passaporte para o mundo digital, ferramentas e sites que já conhecem o cliente e suas necessidades, formas de comportamento e preferencias.

Portanto todo o universo digital que parecia estável também vai desmoronar e muito do que se chama “transformação digital” é só uma mistificação digital, cuidado com oportunistas.

Panetta, Kasey. 5 Trends Drive the Gartner Hyper Cycle for Emerging Technologies, 2020. Disponível em: https://www.gartner.com/smarterwithgartner/5-trends-drive-the-gartner-hype-cycle-for-emerging-technologies-2020 , Acesso em: 15 de setembro de 2020.[:en]We alerted and problematized in the 10 years of this blog the transformation that was being led by digital changes, social, educational, industrial and even behavioral aspects, most of the skeptics reacted, mocked or despised a real change that was happening.

The pandemic has shown that more than necessary tools can build bridges, establish new relationships, energize companies and avoid wasting time, money and especially in these times, endangering health.

Now everyone lives in the digital reality, companies have survived through online services, families, social groups, public services and meetings of various types depend on digital tools, shows depend on lives, meetings or posts on social media tools.

A buzzword emerged very strongly called the “digital transformation”, but the danger of opportunism is great for companies and sites that exploit and mystify these services and charge dearly for it, so some concepts are necessary, first what happens differently in generation Z of previous call of millennials, those who were born at the beginning of the millennium, therefore before the year 2000, which is now 22 to 37 years old.

The millenials followed the evolution of the Web (the pages, websites and blogs), they were born in a reality in which computers were an appliance, so they were only used at home and optionally at school, while generation Z through cell phones took the digital world to everywhere, create chat groups and behave differently with the credibility of websites, blogs and media networks, create their own relationships and idols, in general different from everything that is known.

Although more closed and with a tendency to have little social relationship, they are more critical than millennials, who are more anxious, more efficient and more demanding.

Thus, relations with the market are very different, they return to prefer shopping in physical stores and select well what they buy, less impulsive and already have the technology with excellent support, although very connected they already know the limits of technology.

Major economics magazines like Forbes and Fortune have done generation Z analyzes to understand the necessary market transformation, Forbes says it represents 25% of the current world population, digital is a natural part of their lives, like TV and the radio of past generations, while Fortune claims that 32 of generation Z are striving for a job of their dreams and rule out taking on any job, although temporarily accepted to lift the future.

Thus the old CRMs (Customer Relationship Management) do not work and many criticisms and analyzes made for the millennial generation are outdated.

According to Kasey Panetta, a researcher at Gartner, 5 new concepts are emerging: Composite architectures, agile and responsive architectures, Algorithmic trust, products, links, websites and reliable transactions, Beyond silicon, the limits of Moore’s law of the evolution of computers, now technologies smaller and more agile are sought, Formative Artificial Intelligence (AI) adaptation to the client, customization of services, times and location, and the Digital Me concept, a kind of passport to the digital world, tools and websites that already know the client and their needs, forms of behavior and preferences.

So the entire digital universe that seemed stable is also going to collapse and much of what is called “digital transformation” is just a digital mystification.

Panetta, Kasey. 5 Trends Drive the Gartner Hyper Cycle for Emerging Technologies, 2020. Available at: https://www.gartner.com/smarterwithgartner/5-trends-drive-the-gartner-hype-cycle-for-emerging-technologies-2020, Access: September 15, 2020[:]

 

[:pt]O amor em Santo Agostinho[:en]Love in Saint Augustine[:]

20 out

[:pt]Esta foi a tese de doutorado de Hannah Arendt com influências diretas de Edmund Husserl, Martin Heidegger, inicialmente seu orientador, que depois passou a orientação a Karl Jaspers devido seu envolvimento pessoal com Arendt, assim é necessária alguma compreensão da fenomenologia e da ontologia existencial.

Terminamos a semana passada fazendo uma reflexão sobre a política e religião justamente a partir da compilação das Obras Póstumas da própria Arendt, e o que desejamos apontar é a possibilidade de uma civilização fundada nos princípios do Amor, no sentido da caridade (virtude teologal) e como Agostinho a via.

Longe de ser uma apologia dessa forma elevada de Amor, ela vê contradições e vai desenvolver a questão do amor a Deus, amor ao próximo e a si mesmo, e usa a fenomenologia para aprofundar este tema, mas é uma conclusão apressada dizer que a fenomenologia se opõe ou mesmo favorece estes sentimentos, que em si, são sim contraditórios, por exemplo, o amor ao próximo e a si mesmo tem nuances diferentes para a grande maioria das pessoas.

Sua conclusão é que não é possível forma uma sociedade humana fundamentada apenas no amor caritas (lembrando sempre que trata-se de uma virtude teológica e não de simples generosidade) e o ponto central é analisar Agostinho apenas do ponto de vista filosófico, já que Arendt não tinha interesse nos aspectos teológicos.

Arendt por dividir sua dissertação em três partes se deve a uma vontade de fazer justiça a pensamentos e teorias agostinianas que correm em paralelo. Assim cada parte “servirá para mostrar três contextos conceituais nos quais o problema do amor tem papel decisivo” (esta citação é tirada de uma tradução para o inglês que a própria Hannah Arendt trabalho e tem diferenças com a portuguesa).

A primeira parte Arendt vai analisar “O que eu amo, quando amo o meu Deus?” (Confissões X, 7, 11 apud Arendt p. 25), na segunda parte discute a relação entre a criatura e o criador, ela intitula o capítulo “Criatura e Criador: o passado rememorado”, e na terceira parte discute

Na primeira parte a autora descobre que Deus é a quintessência de seu eu interior, Deus é a essência de sua existência, e ao encontrar Deus em si o homem acha aquilo que lhe faltava: sua essência eterna. Aqui, o amor por Deus pode se relacionar com o amor próprio, pois o homem pode amar a si mesmo da maneira correta amando sua própria essência.

No final segunda parte vai discutir a relação com o próximo, como deve amá-lo como criação de Deus: “ […] o homem ama o mundo como criação de Deus; no mundo a criatura ama o mundo tal como Deus ama. Esta é a realização de uma autonegação em que todo mundo, incluindo você mesmo, simultaneamente recupera sua importância dada por Deus. Esta realização é o amor ao próximo.”

Na terceira parte da dissertação, intitulada “Vida Social”, que Arendt dedica ao que ela chama de “caritas social”13, a relevância do vizinho, e o amor ao próximo ganham nova justificativa, vai discutir o princípio adâmico do pecado e vai dizer que este é o princípio que nos ligará a Cristo, que vem para nos redimir deste pecado.

Aqui aparece a contradição com Agostinho: “É porque todos os homens compartilham este passado que eles devem se amar: “a razão pela qual se deve amar ao seu próximo é porque seu próximo é fundamentalmente seu igual e ambos compartilham o mesmo passado pecador”, assim não é o fundamento do Amor, mas do pecado que nos torna iguais aos outros próximos.”

Por escolha o homem deve renegar o mundo e fundar uma nova sociedade em Cristo. “Essa defesa é a fundação da nova cidade, a cidade de Deus. […] Essa nova vida social, que é baseada em Cristo, é definida pelo amor mútuo (diligire invicem)”, há uma obra de Agostinho dedicada a isto: “cidade de Deus”, e a tese que é somente filosófica assim concentra-se apenas na relação mundana (ou humana, como queiram), não vê o homem como tendo uma origem divina e feito para o Amor.

Para Arent o que nos torna irmãos e eu posso amá-los em caritas, no amor verdadeiro, e isto é expresso em Agostinho, segundo Arendt, concilia o isolamento gerado pelo mandamento de amar a Deus com o mandamento que diz para amar ao próximo, encerrando a dissertação.

Segundo Kurt Blumenfeld, amigo de Arendt que teve grande importância em seu envolvimento com o judaísmo e a política, a resposta para a questão era o sionismo e um retorno à Palestina, mas a emigração para lá nunca foi parte dos planos de Arendt, buscava na vita socialis sua resposta sobre o Amor, não entendeu totalmente o caritas.

ARENDT, Hannah. O conceito de Amor em Santo Agostinho. Tese de doutorado 1929. Lisboa: Instituto Piaget, 1997. [:en]This was Hannah Arendt’s doctoral thesis with direct influences from Edmund Husserl, Martin Heidegger, initially his supervisor, who later passed the guidance to Karl Jaspers due to his personal involvement with Arendt, so some understanding of phenomenology and existential ontology is needed.

We ended last week with a reflection on politics and religion precisely from the compilation of Posthumous Works by Arendt herself, and what we want to point out is the possibility of a civilization based on the principles of Love, in the sense of charity (theological virtue) and as Augustine saw it.

Far from being an apology for this elevated form of Love, it sees contradictions and will develop the question of love for God, love for one’s neighbor and oneself, and uses phenomenology to deepen this theme, but it is a hasty conclusion to say that phenomenology opposes or even favors these feelings, which in themselves are rather contradictory, for example, love for one’s neighbor and oneself has different nuances for the vast majority of people.

His conclusion is that it is not possible to form a human society based only on charitable love (always remembering that it is a theological virtue and not simple generosity) and the central point is to analyze Augustine only from a philosophical point of view, since Arendt he had no interest in the theological aspects.

Arendt for dividing his dissertation into three parts is due to a desire to do justice to Augustinian thoughts and theories that run in parallel. Thus, each part “will serve to show three conceptual contexts in which the problem of love plays a decisive role” (this quote is taken from an English translation that Hannah Arendt herself works with and differs from Portuguese).

The first part Arendt will analyze “What do I love, when I love my God?” (Confessions X, 7, 11 apud Arendt p. 25), in the second part she discusses the relationship between the creature and the creator, she titled the chapter “Creature and Creator: the remembered past”, and in the third part she discusses social charity.

In the first part, the author discovers that God is the quintessence of his inner self, God is the essence of his existence, and when he finds God in himself, man finds what he lacked: his eternal essence. Here, love for God can relate to self-love, for man can love himself in the right way by loving his own essence.

In the end, the second part will discuss the relationship with others, how to love them as God’s creation: “[…] man loves the world as God’s creation; in the world the creature loves the world as God loves. This is the realization of a self-denial in which everyone, including yourself, simultaneously regains its God-given importance. This achievement is love of neighbor. ”

In the third part of the dissertation, entitled “Social Life”, which Arendt dedicates to what she calls “social caritas”, the relevance of the neighbor, and the love for neighbor gain new justification, will discuss the adamic principle of sin and will say that this is the principle that will link us to Christ, who comes to redeem us from this sin.

Here the contradiction with Augustine appears: “It is because all men share this past that they must love each other:“ the reason why one must love one’s neighbor is because their neighbor is fundamentally their equal and both share the same sinful past ”, so it is not the foundation of Love, but of sin that makes us equal to others nearby. ”

By choice, man must deny the world and found a new society in Christ. “This defense is the foundation of the new city, the city of God. […] This new social life, which is based on Christ, is defined by mutual love (diligire invicem) ”, there is a work by Augustine dedicated to this:“ city of God ”, and the thesis that is only so philosophical it focuses only on the mundane (or human, as you wish) relationship, it does not see man as having a divine origin and made for Love.

For Arendt what makes us brothers and I can love them in caritas, in true love, and this is expressed in Augustine, according to Arendt, reconciles the isolation generated by the commandment to love God with the commandment that says to love your neighbor, ending the dissertation.

According to Kurt Blumenfeld, a friend of Arendt who had great importance in his involvement with Judaism and politics, the answer to the question was Zionism and a return to Palestine, but emigration there was never part of Arendt’s plans. vita socialis your answer about Love, did not understand caritas.

Arendt, Hannah. (1929) On the concept of love in the thought of Saint Augustine: Attempt at a philosophical interpretation(PDF) (Doctoral thesis, Department of Philosophy, University of Heidelberg) (in German). Berlin: Springer. [:]

 

[:pt]Politização da vacina e cuidados[:en]Vaccine politicization and care[:]

19 out

[:pt]Na quarta feira passada (14/10) o Ministério da Saúde do Brasil apresentou aos secretários de saúde dos estados um cronograma de vacinação contra a covid-19 que teria início em abril de 2021, a previsão é para a vacina AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, que está na terceira fase de testes e deve ser produzida no Brasil pela FioCruz, em Manguinhos, no estado do Rio de Janeiro.

Alguns governadores, em especial o governo do estado de São Paulo tem interesses na empresa chinesa Sinovac, embora a China também aposte na vacina de Oxford, esta vacina está em teste feito pelo Instituto Butantan da Universidade de São Paulo, e o secretário da Saúde de São Paulo Jean Gorinchteyn afirmou a jornais paulistas que “as vacinas não estão sendo tratadas de forma republicana pelo Ministério da Saúde, pois a vacina chinesa pode ter disponível 46 milhões de doses em dezembro e mais 14 milhões até fevereiro de 2021 e 40 milhões até junho de 2021.

Mas a disputa não para aí, a gigante americana Pfizer anunciou na sexta feira (16/10) que pode solicitar uma autorização de “emergência” para sua vacina contra a covid-19 até o final de novembro, disse Albert Bourla, CEO do grupo em carta publicada nas redes sociais: “Permitam que seja claro, supondo que os dados sejam positivos, a Pfizer solicitará uma autorização de uso de emergência nos Estados Unidos pouco depois da etapa de segurança, na terceira semana de novembro, o que indica que também quer participar da disputa, embora inicie a vacinação nos EUA.

Por causa de um pedido da parceira alemã BioNTech, havia um pedido de espera de 2 meses para a segunda dose da vacina (esta vacina é em duas doses) , mas Albert Bourla mostra a politização ao afirmar que “poderíamos saber se nossa vacina é efetiva ou não no final de outubro”, lembro que as eleições americanas acontecem em 3 de novembro, e isto seria um trunfo de Donald Trumph.

Segundo a organização Mundial da Saúde, e o infectologista Claudio Stadnik da Santa Casa, apenas 10 vacinas estão na fase III, e a previsão se o cronograma for seguido, apenas as vacinas da AstraZeneca/Oxford, Sinopharm (China)/Wuhan Institute of Biological Products (China) e Sinopharm (China)/ Beijing Institute of Biological Products (China) estariam prontas em julho de 2021 enquanto a Moderna (EUA) e Sinovac/Biotech (China) em outubro de 2021.

Portanto política a parte, este seria o quadro real seguindo os preceitos sanitários e médicos, antecipar é dar possibilidade ao erro e vidas estão em jogo.

Veja o gráfico acima: Fonte: Organização Mundial da Saúde e Cláudio Stadnik, infectologista da Santa Casa.[:en]Last Wednesday (10/14) the Ministry of Health of Brazil presented to the states’ health secretaries a vaccination schedule against the covid-19 that would start in April 2021, the forecast is for the AstraZeneca vaccine, developed in partnership with the University of Oxford, which is in the third testing phase and should be produced in Brazil by FioCruz, in Manguinhos, in the state of Rio de Janeiro.

Some governors, in particular the state government of São Paulo, have interests in the Chinese company Sinovac, although China is also betting on the Oxford vaccine, this vaccine is being tested by the Butantan Institute of the University of São Paulo, and the Secretary of Health of São Paulo Jean Gorinchteyn told newspapers in São Paulo that “vaccines are not being treated in a republican way by the Ministry of Health, since the Chinese vaccine may have 46 million doses available in December and another 14 million by February 2021 and 40 million by June 2021.

But the dispute does not stop there, the American giant Pfizer announced on Friday (16/10) that it can apply for an “emergency” authorization for its vaccine against covid-19 until the end of November, said Albert Bourla, CEO of the group in a letter published on social media: “Let it be clear, assuming the data is positive, Pfizer will request an emergency use authorization in the United States shortly after the security step, in the third week of November, which indicates that it also wants to participate in the dispute, although it starts vaccination in the USA.

Because of a request from the German partner BioNTech, there was a request for a 2-month wait for the second dose of the vaccine (this vaccine is in two doses), but Albert Bourla shows politicization by stating that “we could know if our vaccine is effective or not at the end of October ”, I remember that the American elections take place on November 3, and this would be an asset for Donald Trumph.

According to the World Health Organization, and infectious disease Claudio Stadnik da Santa Casa, only 10 vaccines are in phase III, and the forecast if the schedule is followed, only vaccines from AstraZeneca / Oxford, Sinopharm (China) / Wuhan Institute of Biological Products (China) and Sinopharm (China) / Beijing Institute of Biological Products (China) would be ready in July 2021 while Moderna (USA) and Sinovac / Biotech (China) in October 2021.

So politics aside, this would be the real picture following the sanitary and medical precepts, to anticipate is to give possibility to error and lives are at stake.

See the graphic above: Source: World Health Organization and Cláudio Stadnik, infectologist at Santa Casa Hospital in Brazil.

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