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Uma teleparticipação planetária

14 Jan

Todo este processo excluiu pessoas e culturas, Edgar MorinTelecomunicacao e Anne B. Kern ao analisarem a emergência da Terra-Pátria, lembram que a invasão da China pelo Japão em 1931 foi ignorada pela europa, a “guerra do Chaco entre a Bolívia e Argentina (1932-1935) ocorreu noutro planeta” (pag. 38), e “só depois de 1950 é que a guerra da Coréia, a do Vietnam e (com a generalização da televisão) as do Médio Oriente se tornaram próximas.” (pag. 38).

É então que os acontecimentos mundiais começam a parecer que ocorrem no nosso quintal, os autores citam o assassinato de Kennedy, no Dallas, em 1963, a chegada de Sadat a Jerusalém e o seu assassínio em 1981, o atentado contra o Papa em Roma, o assassínio de Indira Gandhi e seu filho Rhajiv e o assassinato de Mohammed Boudiaf na Casa da Cultura de Anaba, e acrescentam os autores “nem que seja só durante o tempo de um flash a emoção humana brota ao ponto de levarmos nossas roupas, o nosso óbolo às organizações internacionais de ajuda às missões humanitárias” (pag. 39).

É só quando as pessoas veem é que a ajuda médica e alimentar chegam, mas quando os autores escreveram o livro (no ano 2000) diziam que ainda “sentíamo-nos planetários por flashes” (pag. 39), será que agora com os vídeos e fotos simultâneos podemos dizer o mesmo?

Os tsunamis, os furacões, as inundações parecem que ocorrem em lugares distantes nos fazem sentir mais ao lado de povos tão distantes, e nos trazem o “sentimento de pertencer à mesma comunidade de destino, agora comunidade do planeta Terra” (pag. 39)

Os autores finalizam o capítulo 1, apesar da preocupação com “convulsões agônicas” afirmam que “apesar de não haver agora uma comunidade de destino, ainda não existe consciência comum desta Schicksalgemeinschaft.” (pag. 41) (comunidades que em certas situações compartilham o destino: náufragos, pessoas presas numa mina, etc. e que agora pode tornar-se um sentimento comum a todo o planeta) e nisto incluo a noosfera, “o espirito” planetário.

Os autores analisam ainda a identidade planetária (capítulo 2) e os problemas da agonia planetária (capítulo 3), mas sou otimista creio que é possível agora que temos um espelho midiático em rede, ver de fato a cara que temos e decidir como torna-la agradável criando uma nova Pátria-Mundo: povos, culturas, biosfera e noosfera compartilhadas por todos.

 

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