RSS
 

Ensaio sobre a in-tolerância

18 Mar

Aqueles que acreditam que apenas o fanatismo é típico do religioso,Intolerancia embora em parte haja certa verdade nisto, é porque viveram períodos de relativo pacifismo, aliás o que é a paz ?

 

John Locke (1632-1704). (Coleção “Os Pensadores” – Abril Cultural – pág. 03-39), escreveu justamente sobre isto, o ódio religioso, a Reforma Protestante desencadeada em 1517, fez a Cristandade se dividir em dois campos de ódio, atingido o político e influenciando guerras.

 

Um pacto de durou pouco garantiu certa “tolerância” foi a Édito de Tolerância de Catarina de Médici , ao qual Voltaire ironizou se estariam seguros os fanáticos, ao dizer “alcançar a glória divina quando vos corta o pescoço?” (in Dicionário Filosófico, fanatismo).  Porém o próprio Voltaire era um fanático antirreligioso contra os quais escreveu: “Candido, ou o otimismo”.

 

Sua visão restrita ao religioso não ajudou em nada o discurso sobre a tolerância, a prova disto é que se consultar dicionário do Século XVII, veremos que a palavra tem significado pejorativo, quem era tolerância poderia ser acusado de indiferença religiosa, ou mesmo de mentalidade irreligiosa (BOBBIO, 2000, pag. 150) ou ainda subversivo (ASHCRAFT, 1955, pag. 532), a ainda intolerância significava virtude, um tipo de integridade moral ou firmeza confundindo-a com valores e princípios.

 

A analogia válida ao político-ideológico é que quando se ir da intolerância ao fanatismo, sobre o qual escreveu Gilberto Santayana: “O fanatismo consiste em intensificar os nossos esforços depois de termos esquecido o nosso alvo.”  Qual é o alvo atual: melhorar o país ? ou apenas o interesse egoísta e mesquinho de manter o poder pelo poder ?

 

Escreveu o consultor brasileiro Luiz Roberto Bodsteim: “Fanatismo de qualquer natureza – seja religioso, ideológico ou até pelo time que se torça – é um câncer cuja metástase é a ideia incutida em seus membros de que existem pessoas que nasceram para ser melhores do que outras.”

 

Ashcraft, R.  La politique revolutionnaire et les Deux traités de governement de Locke. Paris: Presses Universitaires de France, 1995.

Bobbio, N. Elogio da Serenidade. São Paulo, Ed. Unesp, 2000.

 

Comentários estão fechados.