RSS
 

Humildade e lava-pés

24 Mar

 

O conceito parece claro, mas não é, a maioria das pessoas guardam ressentimento quandoLavapesestão a frente de alguém que tem uma qualidade a mais, seja ela humana, material, espiritual, intelectual ou mesmo em determinada habilidade, um atleta por exemplo, portanto não deve ser confundida com auto piedade ou desmerecimento, um padeiro é bom para fazer um pão.

 

O filósofo Friedrich Nietzsche esbravejou contra isto, dizendo que a humildade é uma falsa virtude que dissimula as desilusões que certas pessoas escondem dentro de si, em parte é verdade, mas há humildades que reconhecendo o próprio mérito não usam para colocar os outros numa condição de indignidade, como alguém que é sábio mas usa a luz somente para iluminar e nunca para provocar um sentimento de inferioridade nos outros.

 

O ponto de vista de Immanuel Kant é mais complexo, para ele era a virtude central da vida, em um interessante paradoxo isto pode ser uma vaidade, a de ser humildade, não por acaso formulou um princípio moral baseado nela que diz que devemos ser referencia para outros.

 

A humildade de Jesus ao lavar os pés dos discípulos tem este papel de luz, de sabedoria,  pois isto era feito somente por escravos na época, e um dos discípulos diz que Jesus não deve fazer isto, ao que o mestre refuta dizendo que se não fizer não terá parte com ele, então o discípulo não entendendo de novo diz que então pode lavar todo o corpo, ao que o mestre explica não é preciso banhar-se quem está limpo.

 

Tirar o que há de impuro, incorreto ou imoral no outro é sim uma atitude de humildade, pois humildade não é omissão nem opressão, é luz e sabedoria, mas colocando-se “ao lado” do Outro.

 

Comentários estão fechados.