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A verdade e os atos

14 set

Pode parecer estranho para o discurso moderno que a verdade esteja além dos fatos, é porque considera-se o que é factual aquilo que estaria além do agir e do pensar, mas não o é, diria o escritor brasileiro Rubem Alves: “A beleza está além das palavras”.
Por isso Heidegger, Gadamer e Byung-Chul Han e outros é claro, não puderam falar da verdade sem deixar de ter presente a obra de arte, não pela concepção idealista do “belo”, mas por aquilo que está entre a ação e a contemplação.
Uma das artes mais belas que é o teatro, não por acaso tem peças divididas em “atos”, porém que não deveria ser chamada de re-presentação, somente de presentação, vê-la ao vivo é quase uma imposição, vê-la filmada torna-se outra coisa ou cinema ou televisão, agora os vídeos da Web, que fazem sucesso, mas este sim são re-presentações, com muitos fakes.
E o que deve dirigir nossos atos, está no post anterior a citação de Gadamer: ““o que o homem precisa não é apenas o posicionamento persistente de questões fundamentais, mas o sentido do que é viável, o que é possível, o que é correto, aqui e agora” (Gadamer, 1987) e não uma nova mitologia moderna.
A verdade dos atos sempre foi difícil de ser aceita e até compreendida pelos homens, aquilo que sempre esteve “além das palavras” nos atos, diz o evangelista Marcos (8,27-29) sobre os atos de Jesus e que seu discípulos assistiram: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”, ainda que duvidassem Pedro disse que era o Messias, mas diziam “ele faz bem todas as coisas”.
O pós-factual ou a pós-verdade só é impactante atualmente pelo número de narrativas e a quantidade de pessoas capazes de seguir as pseudo-mitologias modernas, querem só os fatos que convém, mas a coerência dos atos continua tão rara quanto o foi em toda a história.
O educador brasileiro Paulo Freire dá a sentença: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática.“

 

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