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Nem sim, nem não, o terceiro excluído

31 Dez

Entre os livros que não lerei estão do de William Davies sociólogo e economista político inglês, que escreveu “How Feeling Took over the world” (Estados nervosos: como as emoções dominaram o mundo) e o livro de Steven Levitsky & Daniel Ziblatt “Como as democracias morrem”, best seller do New York Times.
Além de trivialidades como a descoberta da desonestidade de políticos tradicionais, jornalistas e executivos, uma crítica a crescente fúria do conservadorismo crescente, que gera uma crise de confiança, pouco ou quase nada dizem de para onde iremos, exceção ao combate a corrupção, mas caberia a pergunta qual delas? A direita nunca foi honesta.
Entre o Sim e o Não, entre o Fora e o Fica, jamais houve terceira opção, salvo o caso da Islândia que fez uma constituição por crowdsourcing e deixou bancos e grandes empresas falirem banindo de forma prática o lixo estatal.
Portugal é um caso diferente, uma esquerda competente cria uma “geringonça”, no Brasil poderia ser uma gambiarra, mas vencer os ranços do “fora” e do “não” parece difícil, mas não é impossível, conseguiríamos dialogar, afinal tantos falam em dialogia.
A crescente onda de conservadorismo é uma bolha, o problema é o que poderá substituí-la, uma esquerda cômica do tipo da Venezuela e da Nicarágua está fadada ao fracasso, cria um Estado ainda mais forte que quer dominar todos os meandros da sociedade.
Assisti uma palestra de Florent Pasquier, da Sorbonne de Paris, que mostra que o terceiro excluído existe, partindo da lei de Aristóteles que afirma que qualquer proposição, ou ela é verdadeira, ou sua negação o é, parece neste momento histórica ter-se tornado falso.
Nem é verdade que a esquerda seja incorruptível, no caso de Portugal só esperam a condenação de Sócrates, no Brasil há controversas, mas é certo que alguém roubou de forma absurda o Estado, debaixo dos olhos da esquerda, nem é verdade que a direita vai combater.
A terceira via não é mais o purismo dos verdes, a new left ou uma direita que diz não ser política apenas “gestora”, uma terceira via deve vir de um amplo diálogo entre forças que são e podem ser ainda mais, representativas do povo de parcelas conscientes da sociedade.
Elas existem, mas a tragédia é que não dialogam ainda presas ao Sim e Não, dizem que o problema é o mundo digital que são apenas artefactos, mas o problema é a lógica destes artefactos levada ao mundo dos que devem ter consciência, ao menos que são seres dotados de consciência.
Que 2019 tenha mais dialógica, menos ranço emocional, não torcidas e claques organizadas, mas gente disposta a ouvir e conversar.

 

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