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Ideologia, visão de mundo e ontologia

10 Jan

Não é possível transcendência pela simples ligação com os objetos, isto é fetiche, reificação (res coisa), ou apenas uma má compreensão do que a coisa é, porém a negação da relação com esta coisa, seja pela transcendência idealista (separação de sujeitos e objetos) ou pela relação dualista, como as coisas do mundo e as coisas do céu, também são más relações.
O fato que existe corrupção é porque existe ganância, ou seja, pessoas que acham “justo” terem mais por ocupar cargo ou função na sociedade, que algo além do salário ou mesmo ter um salário legal, mas imoral, como gente que ganha acima de 35 mil reais (algo perto dos 10 mil dólares) usando cargos públicos.
São as sociedades mais pobres que estas pessoas aparecem, fruto de uma grande desigualdade, portanto combater a corrupção sem combater a desigualdade é não eliminar a raiz do mal, que é a imensa desigualdade em alguns países pobres.
Isto não é ideologia, mas justiça, as ideologias existem em quase todos planos, pois determinados esquemas de fechamento em grupos podem, e em geral acontecem, porque vivemos em círculos ou bolhas (quando são efémeras) que procuram manter seus “valores”.
A religião deveria representar por um lado uma visão mais ampla desta limitação de relação com as outras pessoas, com o mundo e com os objetos, eles são parte do mundo, e é claro nisto se inclui toda a tecnologia que emergem em determinados contextos.
A relação com os objetos através da transcendência idealista é aquela que faz uma separação entre sujeitos e objetos, típica da sociedade moderna, é também uma relação equivocada com os objetos (dinheiro, objetos pessoais e as coisas da natureza) sendo também uma religião com equívocos, aquela que justifica a desigualdade social e até a “sacraliza”, como se a riqueza fosse “presente de Deus” e não simplesmente construção humana.
Ao diferenciar a relação com Deus da relação com o mundo nada mais fazemos do que dar uma relação que Descartes chamou de res pensante (coisa pensante) ou res extensa (coisa extensa ou corpo), mas sem separá-las, pois, estão presentes na relação com o mundo.

A relação que integra coisa pensante e coisa extensa é o ser, como afirmou José Saramago: “há algo que não tem nome e é tudo aquilo que sou”.

O que diferencia é na verdade nossa visão de mundo, como afirma Heidegger, reintegrando a ontologia (O Ser) com a sua presença no mundo o seu “dasein”, que por hora está esquecido.

 

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