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A hermenêutica e a confiança

01 Fev

O fato que parece imprópria a ideia de pré-conceitos e principalmente de pré-concepções religiosas, culturais e principalmente científicas, são delas que a hermenêutica trata como a compreensão (verstehen) é que mesmo em círculos familiares e fechados elas estão presentes.
Embora, para exercício didático, coloque-se a hermenêutica fora dos ambientes fechados, ou nas bolhas de Peter Sloterdijk (Esferas I), também estes círculos explodem em conflitos e intolerâncias, mas devido não aos aspectos científicos e metodológicos, mas a questão da confiança, não há um autor com tratamento rigoroso para este caso, mas há o fenômeno.
Publicada em além de 2000 a 2004, a trilogia de Sloterdijk: Bolhas, Globos e Espumas, já com tradução em espanhol e inglês, tem em português apenas o primeiro volume, que saiu em 2017, feito pelo tradutor José Oscar de Almeida Marques para a editora Estação Liberdade.
O conceito analisado esta semana ser-aí, conceito heideggeriano central nesta trilogia e que evoca a presença no mundo como condição necessária à existência, pode ser transformado na leitura de Sloterdijk em ser-juntos, é o nosso parecer que esta coexistência precedendo a existência permite uma abordagem (não feita pelo autor) da questão da confiança.
A confiança existe em círculos próprios pela partilha da vida, a coexistência e a convivialidade, então é justamente pela deterioração destes dois aspectos que a confiança cai e estabelece-se mesmo em ambientes próximos alguma hostilidade.
A moda é culpar as novas mídias, mas isto é tão antigo que já na Bíblia se encontra a ideia que “um profeta só não é aceito na sua terra” (Marcos 6, 1-6), ou seja, o problema da confiança é mais grave nos círculos fechados do que nos círculos abertos, assim a hermenêutica parece razoável ao propor a abertura epistêmica da verdade, mas isto pode ser problemática para a confiança dos mais próximos.
A pergunta filosófica é quando uma verdade em círculos “fechados” pode ser verdade, a nossa resposta é a confiança interna de seus convivas (não pode significar fechamento) e a abertura ao mundo exterior, na leitura bíblica é curioso observar que logo em seguida os apóstolos são enviados “dois em dois” em Marcos 6:7 está escrito: “Chamando os Doze para junto de si, enviou-os de dois em dois e deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos”, cuidado a interpretação de imundos, pode ser vista como outras “visões de mundo” e não como sujos.

 

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