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Espiritualidade, fé e razão

07 Fev

A ausência de uma espiritualidade consistente que leve a alma humana a maior paz e harmonia não significa e não deve significar uma ignorância de problemas contemporâneos de justiça, verdade e também de fé.
Como a vida é envolta em mistério, não podemos dizer que estamos racionalmente em perfeita consciência de nossa vida, da vida social e da vida do planeta, aliás, nunca faltou tanto esta consciência.
Assim nunca se falou tanto do apelo a fé, ou ao psicologismo e a estruturas de uma ascese espiritualidade, “uma vida de exercícios” afirma Peter Sloterdijk, mas em geral pouco acrescenta ao desconforto humano da vida humana atual, o que está ocorrendo de fato ?
Já dissemos e repetimos, em discurso as vezes um pouco distante para quem conhece pouco a estrutura do pensamento moderno, ou quem pensa que tudo acontece de 20 ou anos para cá, quando as bases do pensamento ocidental estão de certa forma no início da modernidade, com algumas coisas do renascimento que por sua vez remete a filosofia clássica da Grécia.
Ora também a fé é no fundo uma estrutura de pensamento, as vezes de pensar pouco e isto leva a uma manipulação por parte de uns e ao fundamentalismo por parte de outros, algo como: Jesus te ama, só Deus nos ilumina ou algum apelo do gênero, veja se isto resolve de fato os problemas de quem faz estes apelos, em geral não.
Assim é preciso pensar na modernidade, não apenas os avanços tecnológicos que a nosso ver em geral são benéficos, mas o seu uso como pode ser o uso de diversos objetos, no sentido da episteme (a sistematização do conhecimento ou do pensamento) também a fé é um objeto, mesmo que abstrato.
Duas encíclicas papais falaram da relação fé e razão (não a razão cartesiana, mas o raciocínio), declaradamente entre a Fides et Ratio de João Paulo II e indiretamente a encíclica Spe Salvi de Bento XVI na qual cita Platão, Lutero, Kant, Bacon, Dostoievski, Engels e Marx, leiam lá.
Destaca-se na Fides et Ratio o artigo 56: “Compreende-se que, num mundo dividido em tantos campos de especializações, se torne difícil reconhecer aquele sentido total e último da vida que tradicionalmente a filosofia procurava”, apontando uma crise na razão.
Quando estamos andando no escuro, com pouca luz precisamos de ter fé, mas a razão nos ajuda aonde por o pé, a caminhar em passos mais seguros e sentir o ambiente.

 

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