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Navegar em águas mais profundas

08 Fev

Aprendi com o dr. Oswaldo Giacóia, que conhece como poucos a filosofia de Nietzsche que sua inquietação de juventude era que a escola pacifica, penso que deveria levar os alunos a curiosidade, ao interesse pela cultura senão o crescimento humano fica estagnado.

Navegar é preciso, diziam navegadores portugueses, mas a frase é mais antiga, foi o general romano Pompeu, que encorajava marinheiros medrosos com a frase: “Navigare necesse, vivere non est necesse”, Petrarca no século XIV que transformou em navegar é preciso, viver não é preciso.

Fernando Pessoa, a quem alguns creditam a frase, na verdade dizia: “quero para mim o espírito desta frase”, e agora estamos em tempos de navegar pela Web (a internet é só a base desta plataforma), mas também de olhar para os confins do universo e sonhar com viagens nos buracos de minhoca, que Einstein-Rosen previram e a astrofísica descobriu.

Isto significa também ir para mares mais profundos, no sentido metafórica, no conhecimento, nas artes e na cultura, a única arma consistente contra uma ignorância que passa a militância, não é pós-verdade, eu diria é um pós-clareira, uma fase de obscurantismo moderno.

Também no sentido espiritual, a leitura bíblica por exemplo, no evangelho de Lucas, quando os pecadores já lavavam as redes e estavam desanimados com a pescaria, Jesus lhes encorava Lc 5:4: “avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”, Pedro acredita e o faz em consideração ao mestre.

A reação correta em tempos de recuos e aparente estagnação a melhor atitude não é ficar parado, isto pode levar a preguiça e ao comodismo, é acreditar e ir em frente, é preciso neste caso um pouco de fé.

Uma verdadeira espiritualidade vai contra a corrente de pessimismo que no fundo não é só descrença em Deus, mas também na humanidade, que sempre encontra novos caminhos para navegar, porque viver é preciso.

O vídeo abaixo navega no Núcleo da Nebulosa Lagoon.  

 

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