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História da literatura ocidental

11 Fev

O livro de Otto Maria Carpeaux (a edição de 2008, do vol. I que li), começa com algo instigante, e que me ascendeu para a leitura da obra:
“Estava eu no escritório de Antônio Houaiss, na Rua São José, onde o filólogo dirigia a Enciclopédia Mirador Internacional. Acabara de chegar, acomodara-me muito timidamente numa cadeira, com medo de aquilo resultar em visita desabrida. Eis que irrompe escritório adentro um septuagenário, gravata vermelha de seda e camisa de listas espaçadas também vermelhas. O senhor tinha nas mãos maço de papéis. Dirigiu-se a Houaiss com intimidade de velhos amigos. Não me lembro se o chamou pelo pré-nome ou pelo sobrenome. O certo é que disse:
– Isto aqui não corresponde à verdade. O que está dito aqui sobre Farmácia está incorreto”, disse para o Houaiss, que não é qualquer pessoa neste tema, pois tem um dicionário.
O fato mostra o rigor de Carpeaux, e ler literatura é uma boa forma de compreender a história.
Pensei maneira inteligente de começar um livro, que em geral começa com autos elogios, o mal do mundo dito culto poucos são menos que um gênio, e os que de fato o são pensam sobre suas deficiências e incertezas.
Claro o texto acima não é do próprio Otto Maria Carpeaux, e sim sobre ele, o prefácio feito pelo doutor da UnB Ronaldo Costa Fernandes, que mostra esta relação entre Houaiss, famoso pelo seu dicionário e que deu enormes contribuições a reforma ortográfica.
Carpeaux era nascido em Viena, com anexação da Áustria fugiu para Bélgica, em 1938, e em 1939 chegou ao Brasil, conta o livro que já em 1955“ publica Pequena bibliografia da literatura brasileira. Era um ato de ousadia para quem só estava pouco mais de uma década no Brasil e em contato com a literatura do novo país em que passou a viver” (pg. XXI do prefácio), cita também a sua primeira obra no Brasil A cinza do purgatório, em 1942.
A coleção foi relançada em 1959, pela editora O Cruzeiro, depois por diversas outras inclusive pelo Senado Federal (veja um dos volumes em pdf), agora há uma edição nova (2017), em 10 volumes, da editora Casa da Palavra.

 

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