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Temperança, virtual, vícios e virtudes.

08 Mar

Virtual vem da mesma raiz de virtude do latim virtus, significa que algo é potencial e devem ser atualizado (uma ou mais vezes, podendo ser infinitas) para ser uma “virtude” real, algo que é um bem, uma bondade ou o belo, se de deteriora é um vício que também deve ser atualizado, para atualizar deve ser praticado com uma “ascese”, um modo de evoluir.
O que caracteriza a contemporaneidade é uma ascese desespiritualizada, ou seja, uma “vida de exercícios” afirma Sloterdijk, devemos fazer “exercícios” para comer, para ter certa forma, para mudar isto ou aquilo, mas sem que isto signifique de fato alguma evolução espiritual, significa mudar apenas as condições materiais ou corporais sem relação com o espiritual, a sabedoria ancestral, não apenas a judaico-cristã, mas também a oriental, a africana, a hindu e a árabe sabiam disto, onde foi que tudo se perdeu ?
Aonde se perderam todas as civilizações e sociedades, a chamada “destemperança”, ou a falta de equilíbrio: financeiro, de saúde, de trabalho ou qualquer aspecto da vida cotidiana.
Uma das quatro obras da Ética de Aristóteles, contestada como verdadeira por alguns acadêmicos, é Dos Vícios e das Virtudes, a mais curta, válida ou não, a obra deve ser lida, nela Aristóteles estabelece que não há virtude inatas, são adquiridas pela repetição de atos, gerando o costume, não se deve desviar-se nem pela falta, nem pelo excesso, pois a virtude consiste na justa medida, longe dos dois extremos, é assim, temperança.
Ao falar de vícios e virtudes na Ética a Nicómaco esclarece Aristóteles: “E cada uma delas, de certo modo, opõe-se às outras duas, pois as disposições extremas são contrárias tanto ao meio-termo quanto entre si, e o meio-termo é contrário às disposições extremas; do mesmo modo que o médio é maior em relação ao menor e menor em relação ao maior, também os estados medianos são excessivos em relação às deficiências e deficientes quando comparados com os excessos, seja nas paixões, seja nas ações“, ao pensar a virtude como meio Aristóteles, ele a pensa como temperança, ou equilíbrio.
As virtudes porém são mais que isto, em termos atuais a desespiritualização corresponde ao desejo de responder ao espiritual apelando apenas a questão material, quando na verdade é no espiritual que existe este conforto, a tentação quando o diabo diz a Jesus para transformar a pedra em pão e assim não passaria forme, Jesus responde: “A escritura diz: não só de pão vive o homem”, assim pode-se estar numa mística ou numa ascese (um exercício), mas sem espiritualidade.
Estas passagens encontram-se nos evangelhos sinóticos (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12,13 e Lucas 4:1-13), aqui é fixado em Lucas 4:1-13 por considerá-lo o mais “cristocêntrico”.
O segundo maior vício é sem dúvida o poder, dele saem ditadores, corruptos e tantos abusos que se vê nos dias atuais num conceito “estatocêntrico” (o Estado se basta), as estruturas de poder podem ser também religiosas, ideológicas ou culturais, ao dizer que daria todo poder a Jesus se adorasse o mal, Jesus responde: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”, na pintura de Botticelli de 1481-82 que está no teto da capela Cistina há um quadro deste episódio (figura acima)
Por último a tentação por excelência espiritual, ao adquirir determinada espiritualidade ou religião julgar-se superior as demais pessoas da humanidade, o diabo diz a Jesus para atirar-se no precipício que os anjos o salvarão, Jesus responde: “não tentarás o Senhor teu Deus”, é a batalha final pois é na verdade o que o Diabo tenta fazer com Jesus que é Deus, estava a tentá-lo.
Pode ser resumido entre três vícios da espiritualidade: esquecer do aspecto espiritual e fixar-se só no material (ele é importante), adorar a estruturas de poder que não são senão estruturas e por último julgar-se superior por ter algum tipo de espiritualidade, vício de muita gente “religiosa”.
O vídeo a seguir, o MOOC (Curso Massivo Online) da profa. Dra. Eliana Costa, que mostra como a Cibercultura pode auxiliar no processo de mudança cultural em nosso tempo:

 

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