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(English) Politics and the crisis of human thought

15 out

A ideia que há um juízo do gosto, sobre o qual sentenciou também Kant, que não se pode “discutir”, mas sim brigar e chegar a um acordo, nós o conhecemos bem na vida cotidiana, e Hannah Arendt já apontava isto nos anos 50, numa situação ainda desconhecida, opinamos que este ou aquele teria julgado a situação correta ou erradamente, assim não é assunto de hoje, mas desde que o relativismo, a ausência de valores e de parâmetros se instalou no conjunto da sociedade.

Se a função do preconceito é defender o homem julgante tanto da liberdade de fazê-lo como de não se expor abertamente diante de cada realidade encontrada e daí ter de defrontá-la pensando, assim as visões de mundo e ideologias parecem cumprir esta tarefa, uma vez que as protegem de toda experiência,, pois supostamente todo o real estaria nelas previsto de alguma maneira, mais isto era o que defendia a neutralidade científica e que é possível achar soluções “científicas” em cada caso.

Essa falta de parâmetro do mundo moderno, a impossibilidade de se julgar o que aconteceu e acontece todos dias segundo critérios fixos e aceitos por todos, de submetê-los a um esquema geral conhecida, é porque há uma dificuldade estreitamente ligada a isso, de indicar princípios da ação para o vai acontecer, é incerto.

O que há de brilhante em Hannah Arendt, e também encontramos em muitos outros humanistas contemporâneos como Edgar Morin e Hans Georg Gadamer, é que ela entende por mundo (humano-social) não o mundo natural (da vida, dos animais, por exemplo), nem do universo (o mundo físico), o que ela está tentando definido é um novo “social” (entrelaçados, diríamos em termos atuais em rede), e para ela este humano, nesse sentido é um ente social.

O espaço entre os homens que é o mundo não faria sentido sem os próprios homens, assim como o universo ou a natureza sem homens, seria uma contradição em si, sem isso significar que o mundo e as catástrofes que nele ocorrem seriam reduzidos a um acontecer puramente humano, muito menos ainda que fosse algo que reduzidos a algo que acontecesse com “o homem” ou com a natureza do homem.

Se poderia objetar com facilidade ser o mundo do qual é falado com apenas um mundo dos homens, isto é o resultado do fazer e do agir humano, como queiram, estas capacidades pertencem à natureza do homem, e quando falham não se deveria mudar a natureza do homem, antes de se poder pensar numa mudança do mundo ? 

É a partir desta visão que Hannah Arendt vai pensar o sentido da política, esta pergunta é muito antigo, muito mais do que se pensa, Platão censurava Péricles ao dizer que os atenienses não seriam melhor depois que morressem, e será este o assunto de Hannah Arendt no fragmento 3b.

ARENDT, Hannah, (1998) “O que é política” (1950), obras póstumas 1992, compiladas por Ursula Ludz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

 

 

 

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