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Equívocos sobre ética e moral

05 Jul

É comum se ver ética e moral usados em um mesmo sentido, como por Eticidadeexemplo liberdade e costumes, e totalmente dissociados, enquanto a ética se refere exclusivamente a regras, a moral seria ditada por costumes, crenças e tabus.

Não é à toa que se vê uma sociedade tão ausente de valores, nem mesmo os estudiosos e governantes que deveriam zelar por valores e tratar de torna-los claros o fazem, por uma razão ao mesmo simples e complexa, simples é porque não estão convictos destes valores, e complexa porque a análise do contexto social em que isto se dá depende de análise profunda.

Esclareçamos primeiro, dentro de uma perspectiva histórica: um dos conceitos mais importantes de Immanuel Kant é denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência, e assim seriam fonte da ética e também da moral) para a experiência concreta do mundo, então já há aproximação destes dois conceitos.

Assim tanto a sua filosofia da Natureza como a filosofia da natureza humana serão determinantes na construção de sua filosofia moral, na qual formula o imperativo categórico:

Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal.

Na Antiguidade Clássica, o termo vem de “ethos” que significa um modo de ser, ou “um conjunto de valores que orientam uma sociedade no caminho do bem-estar social”, a eudaimonia, o potencial pleno de realização da felicidade de cada um, porém sem abandonar os valores de conjunto da sociedade.

Hegel reformula o conceito Kantiano, mas definirá uma “eticidade” e não uma etica geral como:

Assim pode-se pensar em moralidade tanto em Hegel como em Kant como tendo uma moralidade subjetiva e uma moralidade objetiva, classica divisão idealista, que para Hegel em Kant teria prevalecido a primeiro, enquanto Hegel a definirá como “autodeterminação da Vontade”, prevalecendo portanto a segunda, o que é fácil de deduzir se pensamos em moral do Estado, que é o conceito mais importante definido em sua obra “Introdução a filosofia do direito”.

Assim, dentro da filosofia idealista, só se pode falar de moral no campo privado, já que a moral pública é a eticidade como qualidade do ético, objetivada que é pelas leis, aquilo que chamam de liberdade não é senão o direito do Estado de determinar objetivamente a moral privada.

Assim gerou-se um relativismo, e as inúmeras tentativas de reaproximar a ética da moral parecem influtíferas se não penetrarmos a fundo em duas questões novas que surgiram, o que é liberdade (tanto individual quanto social) ? e o que é vontade (individual e de poder) ?

Vale o adágio popular: a liberdade de cada um acaba quando começa a do vizinho.

 

Uma filosofia esperada

04 Jul

Eric Bronson escreveu o livro VikingYork” (O Hobbit e a Filosofia: para quando você perdeu seus anões, seu feiticeiro e seu caminho), para fazer, a nosso ver uma especulação filosófica, como um livro comercial de pura fantasia, pode tocar questões do pensamento humano incluindo: Confúcio, Platão e Aristóteles para Immanuel Kant, William Blake e o filósofo americano contemporâneo Thomas Nagel.

Mesmo considerando que haja aspectos filosóficos, é uma filosofia esperada, ou seja, trabalhar perguntas já conhecidas que nos tocam como é possível a misericórdia para um terrível e cruel criminoso, quais são os eventos emocionantes e que podem mudar nossas vidas, embora não seja nada como o previsto na sociedade do espetáculo, de Guy Debord da década de 60.

Fixo meu pensamento em Thomas Nagel, porque William Blacke convenhamos marcado pelo iluminismo e pela Revolução Industrial Inglesa, é profundo demais para o autor do Senhor do Anéis, o sul-africano Tolkien.

Mas Thomas Nabel, mais contemporâneo pode ser traçado dentro de algum traço de filosofia esperada existente no comercial Tolkien, o professor de filosofia e de direito na New York University, que faz 80 anos no dia de hoje, tem traços da fantasia idealista, com seu problema dual preferido: “a consciência é o que torna a relação mente/corpo um problema insolúvel”, é o que torna toda fantasia idealista perfeita, embora ausente de realidade.

É o que alguns autores chamam de ateu honeste, em seu trabalho “The Last Word”, em um capítulo intitulado “Naturalismo evolucionário e o medo da religião”, Nagel faz uma admissão sincera sobre seu pensamento: “Não é apenas que eu não acredite em Deus e, naturalmente, espere que esteja certo em minha crença. É que eu espero que Deus não exista!”, está escrito nas páginas 130-131 deste seu trabalho.

Eric Bronson traça este traço em Nagel, para dizer que fábulas confusas que nada tem de uma cosmogonia escandinava, como alguns personagens de Tolkien parecem apontar, na verdade não passa de reações a religiosidade ocidental, sem penetrar em culturas originárias.

Se cosmogonias bárbaras, poucos sabem, mas York é relativo a um Deus viking Jorvik, eles foram os habitantes medievais da cidade inglesa, e há um museu lá chamado Jorvik Viking Centre (veja foto acima a representação de um Viking no museu), com a reconstrução da York original, mas Tolkien nada sabe sobre isto.

Não há nenhuma novidade, via de regra, conservadorismo puro, idealismo adaptado a uma certa dose de ateísmo.

 

Uma filosofia inesperada

03 Jul

Já falamos em um post da questão da intransparência levantada por Habermas NonTransparencyem um artigo, e também citamos brevemente o autor da Sociedade da Transparência, Byung-Chul Ham, mas agora ao receber o livro e abri-lo deparo-me com uma filosofia inesperada, profunda embora não acabada como todo discurso pós-moderno, mas heidegeriana e humanista.

Vê a questão da transparência por um ângulo novo, próprio de sua cultura oriental, desvela a questão com uma frase capital: “os eu se referem a transparência somente à corrupção e à liberdade de informação desconhecem a sua envergadura” (Han, 2017, p. 12).

Revela-a como violenta na página seguinte: “A coação da transparência nivela o próprio homem até acabar por torntornaelemento funcional de um sistema. Tal é a violência da transparência.” (pag. 13)

Revela logo a seguir porque somos vítimas deste novo anátema da modernidade: “a espontaneidade, o que é do registro de um acontecer e a liberdade, traços que constituem a vida em geral, nada comportam de transparência” (idem), e citando von Humboldt explica que: “ … e seria atentar contra a verdade histórica da sua origem e das suas transformações querermos desterrar dele a possibilidade destes fenômenos inexplicáveis” (Humbold apud Han, pag. 13).

Não deixa de apontar caminhos, que já traçamos aqui por diversas ocasiões da alteridade, mas apresenta-a numa roupagem nova, contrapondo à sociedade da transparência que não “permite lacunas de informação nem de visão”, explica que na língua alemã “lacuna” (Lücke) e a “sorte” (Glück), citando R. Sennet em seu “Respect in a World of Inequality”.

Faz uma nova frase repentinamente forte: “O amor sem lacuna na visão é pornografia”, tema que retornará e tema de outro livro seu “A agonia do eros”, outro tema certo deste tempo.

Mas não dá a isto uma explicação rasa, afirma que esta “sociedade positiva” afirmando que esta sociedade não é nem hermenêutica nem dialética, mas “uma sociedade que não admite do mesmo modo qualquer sentimento negativo” (pag.16), não faz esta afirmação porém é minha reflexão que tal é a função platônica do idealismo contemporâneo.

Afirma que esta sociedade positiva não é a causa, “mas a consequência de um fim da teoria (destaque do autor), no sentido autêntico, que s aproxima. A teoria não pode ser substituída sem mais pela ciência positiva” (pag. 17), em clara referencia aos apelos de praticidade da pragmática contemporânea.

Surge então neste plano, sem deixar de apontar o caminho que a política traça nesta perspectiva ideal-positiva, “A política é a ação estratégica (novamente  destaque do autor). E por esta razão, há uma esfera secreta que lhe é própria. Uma transparência total paralisa-a” (pag. 18).

Paro aqui a análise, porque não é possível em neste espaço apontar os novos caminhos que o autor trilha, mas apenas neste começo do primeiro capítulo vê-se a largueza de sua análise.

 

Leitura-Oração, meditação e pensamento

30 Jun

Deixamos a meditação acima como sugestão, quando fomos olhá-la na MeditationWeb já tinha mais de 9 milhões de acessos, eis um ponto de partida prático para entender este post.

Pode-se pensar a oração como uma forma de leitura ou escuta, é a mesma coisa, será diferente apenas se usamos a música, mas basta pensar que ela é uma outra forma de escuta, talvez a mais primitiva, há quem diga que a origem do universo foi uma música, em termos físicos está correto porque foram ondas funcionando como cordas (chamada Teoria das cordas) que vibrando num certo tom deram origem a um elétron ao vibrarem em certo tom, em outro tom deram origem as subpartículas que são os quarks e assim por dia …

Podemos pensar que algum anjo ou outra entidade tocava música, é mais ontológico e mais poético, então no início devemos vibrar, atingir certa frequência de vibração, dizem os budistas, mas não é muito diferente para os hinduístas e os muçulmanos.

O que dizer então da Meditação cristã, ela tem origem dentro da tradição oral, mas na sua passagem para escrita, basta lembrar que Platão e Aristóteles são anteriores a Jesus, mas este vem do judaísmo e da tradição abrâmica (os judeus e muçulmanos também) cuja tradição é oral, mas também é a origem da escrita, razão pela qual se escreveram os evangelhos, as “boas novas”, ou as notícias como diríamos hoje.

É preciso depois de ler e meditar, silenciando nossas pré-ocupações, nossas categorias, o époche grego, Plotino afirma, em sua obra de maior influência as Enéadas,  que a Alma e, portanto, todas as almas são imagens do Intelecto, assim como a palavra proferida é imagem da palavra interior (está na Enéada V. 1).

Dessa maneira, por um lado, ela é uma realidade semelhante ao Intelecto e, por outro, inferior e derivada. É dotada de intelecção, mas a intelecção que lhe é própria é inferior, discursiva, mas já prevê a forma escrita, o importante, entretanto onde ela é arrastada para o meio:

“Já que a natureza da alma é uma e nela há muitas potências, às vezes toda ela é transportada ao mais nobre de si mesma e do ser. Outras vezes, a parte pior, arrastada para baixo, arrasta consigo o meio” (está na Enéada II, 9, 2, 4-9), é preciso então depois de ler meditar até chegar ao pensamento/conhecimento, tomar conhecimento do meditado.

A tradição escrita nos permitir arquivar, armazenar o meditado, pensando e poder voltar a “lembrar” o que nos foi importante ali, então registra-se de forma escrita, hoje podemos gravar a voz, ou mesmo fazer um vídeo imediatamente.

Os discípulos de Jesus pediram que ele os ensinassem a rezar, lembrando da tradição oral de seus antepassados, e a oração dada pelo mestre foi o Pai Nosso, reconhecer que há alguém (ou algo) acima de nós, que nos guia em conjunto aí a figura do autor da criação como Pai: “Pai nosso que estais nos céus”, cujo nome é bendito, santificado, e devemos nos com-formar com este designo coletivo para fazer “sua vontade”, também lembra de nossas coisas materiais “o pão nosso de cada dia”, de nossas contendas “perdoai nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido”, e finalmente livra-nos de tantos males: injustiças, desmandos e guerras inúteis que vemos por todo país e todo globo.

 

 

O belo, a contemplação e a meditação

29 Jun

Em tempos de ansiedade e de consumo, o mundo digital não é o responsável por isto,OBelo mas os esvaziamentos do ser não temos tempo para a escuta, a contemplação e a meditação.

Não são campos exclusivo do que é religioso e nem mesmo neste campo se faz sempre a contemplação do belo e a meditação sobre o significado mais profundo da relação entre seres, entre seres e as coisas, o que importa não é qualidade, mas quantidade.

Como no dia a dia estamos acostumados ao mero consumo e satisfação, nunca chegamos a indagação e a contemplação, pois estas não são dedicadas ao simples consumo e nem mesmo ao que é útil, já dissemos nos posts anteriores, é preciso fazer silêncio na alma para ver e escutar aquilo que é está numa obra de arte, numa poesia ou em uma meditação.

Não se trata apenas de simplificar, mas de aprofundar e permitir-se invadir pelo novo, pelo belo e pela indagação, quem somos? Para onde vamos ? o que fazemos e porque fazemos ?

Aquietar a ansiedade, encontrar momentos de silêncio interior e exterior, permitir-se invadir pelo belo e finalmente produzir um ambiente propício ao belo, a arte e a poesia.

Tudo parece contrário a isto, mas advertia Heidegger há um uso que nem sempre considera-se na linguagem, que é o uso da linguagem poética, poder-se-ia dizer a inclusão na linguagem não no estilo da poesia, mas ela própria como uma forma de articulação da linguagem.

Considerar a meditação como uma forma de preocupação mais profunda que o mero consumo de questões, relações e até mesmo objetos (o objeto de arte é aqui considerado) e tornar-nos capazes de chegar ao novo, as novas mediações e até mesmo ás novas relações ontológicas.

Se a beleza pode ser salvadora para o mundo, é preciso meditar sobre o que é belo, a fim de chegar a uma consciência histórica do que ele representa como agente transformador.

 

Arte digital, meditação e futuro

28 Jun

Uma das exposições mais radicais de arte digital foi feita por Nicolas Maigret e ThePirateCinemaBrenda Howell, intitulada “The Pirate Cinema”, usa trocas em sistema bit-torrente P2P e telas onde se exige o usuário que está baixando e as fontes dos filmes, com os IP (endereço de internet) mostrados nos cantos direitos de três telas, sendo o ambiente escolhido para o projeto de arte o “Torrente Freak”, e pode ser vista online pelo link da exposição (foto ao lado).

O conceito mais raso de arte digital é aquele que pode ser encontrado também no Wikipedia, que diz que é aquela produzida em ambiental gráfico computacional, também é citado lá a definição de Wolf Lieser, segundo o qual: “Pertencem à arte digital as obras artísticas que, por um lado têm uma linguagem visual especificamente mediática e, por outro, revelem as metacaracterísticas do meio”, esta mais ampliada que à anterior.

Mas ambas remente a um conceito bem mais complexo que lhe é anterior: o que é arte ? Haveria uma propósito metafísico, simbólico ou linguístico na arte ? ou algo mais ainda ?

Já esclarecemos a falsa dicotomia entre objetividade e subjetividade da arte, também a dicotomia utilidade e inutilidade, uma vez que esta depende somente da perspectiva de leitura, vejam a fonte de Duchamp, e ainda teria mais a questão de metacaracterísticas, dita acima, mas na verdade não são as características que são ultrapassadas, mas o próprio meio que é um metameio, isto é, podem acontecer de forma indireta todas as artes anteriores.

Exemplo destes metameios são as fotografias digitais imediatamente reveladas e facilmente trabalhadas por software, as edições de vídeos e a produção textual em qualquer estilo.

A questão da reprodutibilidade técnica da obra de arte deve-se entender que é anterior a era digital, a obra de Walter Benjamin, falecido em meio a segunda guerra mundial, já definia bem o novo perfil da arte anterior ao digital: “O extraordinário crescimento que os nossos meios experimentaram em suas habilidades de adaptação e precisão impõem significativas mudanças, em futuro próximo, à antiga indústria do belo”, citando Paul Valery em seu trabalho Pièces sur l’art (p. 103-104), portanto não é isto que difere a arte digital.

Talvez uma conotação ainda pouco compreendida destes metameios é a sua ubiquidade, ou seja, a multipresença, e isto poderá acelerar o processo de contemplação da arte, claro que alguns questionam se isto é arte, mas o tempo dirá que é e mais ainda o público crescente, como mostra a popularização por exemplo, da arte fotográfico, nos bilhões de usuários do Instagram, com fotos sem dúvida alguma artísticas, nem todas é claro, mas aos milhares.

Se a contemplação do belo leva a meditação então talvez seja um tempo de meditação, ainda que alguns possam dizer que é líquida, talvez porque não seja tão útil, mas usar bons vídeos ou imagens digitais para meditar pode ser útil.

 

Objetividade, subjetividade e belo

27 Jun

O fato que o mundo contemporâneo não encontre espaço para o silêncio, para a escutaDuchamp e principalmente para a contemplação, o simples fato de admitir que existe o belo mesmo sem nenhuma crença, é o fato que nos apegamos as tensões entre sujeito e objeto, ora projetados no objeto, ora projetados no sujeito, mas sem o “mundo dos objetos” é um abstrato.

Entre as três mais belas frases sobre a arte encontro: “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível” de Leonardo da Vinci, mas sobre o belo que é expressão da arte encontro as frases entre as que mais aprecio e quiçá as mais citadas, de Victor Hugo: “o belo é tão útil com o útil, as vezes até mais” e de Dostoievski: “a beleza salvará o mundo”.

O fato é que a arte é sempre expressar o que todos veem segundo a necessidade e a utilidade: o novo, o belo e o inaudito, seguindo a linha de da Vinci, e seguindo a linha de Victor Hugo o útil do aparentemente inútil, Marcel Duchamp ao colocar um mictório de ponta cabeça e chama-lo de “A fonte” (1917), revelou a dupla face da utilidade, ou talvez a inutilidade do que chamamos de útil, então pode-se dizer que a arte é paradoxal.

A filosofia moderna utilitarista vai dizer que o belo é o conceito relacionado à determinadas características visíveis nos objetos (ou seres), nada difere do conceito de propriedade e a estética seria única e exclusivamente a amplia a característica do objeto.

Schopenhauer critica Kant ao dizer que não estabelece corretamente o conteúdo da “fronteira comum” a priori do sujeito e objeto, pois em primeiro lugar, ele não reconhece a forma “primeira, principal e mais universal” da representação, a saber, a de ser objeto para um sujeito (das Objekt-für-ein-Subjekt-Sein), antes de falar sobre o belo.

Segundo ele quando predicamos algo de belo (schön), dizemos, em termos objetivos, que nele conhecemos “não a coisa particular, mas a Idea”.  Todavia, como qualquer coisa particular é a objetivação de uma ideia, a princípio, essa pode ser conhecida em qualquer coisa, logo, como conclui o filósofo: “Toda coisa é bela”, porém para ele tudo parte da Vontade e não do Ser.

O trabalho A origem da obra de arte, fruto de três palestras dadas por Heidegger em 1939, mas o livro só foi publicado em 1950, com traduções para o português da década de 70, vai desenvolver segundo três aspectos: a coisa, a verdade e a arte-poesia.

Para verdade retoma a poesia ou “alethéia”, fenômeno desde o qual o ser ( dos homens e das coisas) vêm à tona e ganha significado, já a coisa conceito caro a seu mestre Edmund Husserl, retornar as coisas em si e fará isto com a poesia, não como um gênero literário, mas Poesia é antes o movimento desde o qual às coisas surgem, é o movimento de produção desde onde acontece à desocultação do ente fazendo com que este ganhe corpo e significado, a arte é então desvelar, acontecer ou seja acontece um novo “aparecer” da coisa.

Exemplificando: Uma pedra antes de ser arte, será a coisa-pedra transformada em coisa-arte através do “artifícios” do artista e é alma deste que só ultrapassando os limites do seu corpo confere vida à pedra e a transforma em arte, o Ser nesta pedra é então ontológico .

A frase de Rodin: “eu escolho um bloco e retiro tudo que não preciso dele”, ou de Michelangelo para a estátua de Moisés: “porque não fala?”.

 

Twitter vai remunerar uso de Periscope

26 Jun

Uma reação do Periscope do Twitter, que permite transmissão de vídeos no microblog, aoTwitterLikeLogo concorrente Alphabet do Youtube que lançou transmissões de vídeo ao vivo para dispositivos móveis com usuários de mais de 10 mil seguidores, pode alavancar a remuneração em moeda digital com uso dos aplicativos.

Em 2015 quando o Twitter lançou o Periscope, o crescimento de transmissões foi progressivo, segundo a empresa o volume chegou a 77 milhões de horas de vídeos ao vivo nos três primeiros meses de 2017, volume alto, mas não há informações sobre visualizações.

O Alphabet do YouTube, da Alphabet, além do requisito de mais de 10 mil seguidores, expandiu sua própria oferta para ajudar os artistas on-line a ganhar dinheiro, mas o Twitter quer remunerar usuários comuns, porém a remuneração de fãs para os artistas apenas, entretanto a monetarização digital destes sistemas poderá incidir no uso da moeda digital, alavancando-a para outros serviços.

Como alavancar negócios ? Segundo o The Verge, o Periscope vai permitir que marcas sejam adicionadas aos corações personalizados do aplicativo nas transmissões em tempo real, ao lado dos corações multicoloridos normais que aparecem quando o espectador aperta o botão “like” usual.

A primeira franquia americana é a Fast and Furious, com “like” adicionando seu logotipo colorido “F8”, outras marcas poderão utilizar, o serviço por enquanto só nos EUA poderão chegar logo aqui e outros países.

 

Kenosis, transparência e valores

23 Jun

O diálogo é, portanto um caminho para a transparência, tanto entre pessoas comoKenosis no sentido social, e na medida em que fazemos a mais profunda também realizamos uma kenosis, que no sentido místico é o esvaziamento da própria vontade para a aceitação do desejo divino, mas se consideramos o divino presente no Outro, a kenosis é própria de um profundo diálogo.

O esvaziamento não pressupõe um abandono de valores: dignidade, integridade, ética e moral, mas sim um abandono de conceitos, ou melhor, dos nossos pré-conceitos, que só não tem quem deixou de pensar e que muitas vezes são confundidos com valores.

No ambiente social, podemos dizer que ocorre uma fusão de horizontes, onde uma utopia se torna possível, e, com isto caminhos sociais se abrem e perspectivas novas se apresentam os preconceitos muitas vezes não estão na utopia, porque justamente elas se situam num horizonte as vezes distante e as vezes próximos, é o virtual, no sentido de futuro possível.

Também em termos Bíblicos, em Mateus encontramos a transparência ligada aos valores: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 26-28), os que destroem valores e matam a esperança, tentando destruir nossa essência.

Em tempos de transparência é, sobretudo um profundo equívoco imaginar que podemos enganar e iludir os homens, pois a verdade aparecerá logo ali na frente, ainda que hajam pós-verdades e leitura distorcida de fatos muito claros: corrupção, mentiras e politicagem.

 

Identidade, diálogo e transparência

22 Jun

 

Três elementos que parecem distintos estão em profunda conexão numDiálogoParentesis tempo mundializado, o que se reflete na incompreensão da emergência de certa forma de nacionalismo, vejam as eleições dos EUA e França, o Brexit na Inglaterra, mas que no aspecto positivo do diálogo é exatamente a compreensão de que culturas têm raízes em sociedades originárias.

A confusão que podemos ver no Brexit agora que os primeiros acordos começam a ser negociados, é que do ponto de vista econômico é um elemento complicador enquanto no aspecto da imigração e relacionamento entre nações é um fato de tensão muito elevado.

Identidade significa ter consciência de identidade, e já fizemos em vários posts a análise que é preciso para esta consciência o diálogo com o diferente, já que diálogo com iguais é monólogo, pode-se dizer que quanto mais profundo é o diálogo com o Outro, mais se tem consciência da própria identidade.

A transparência é o elemento complicador, por isso dissemos acima que há “certo tipo de nacionalismo” que vê apenas os pares e nunca o diferente, é um tipo de fechamento que não conduz a maior identidade porque não é transparente e autentico consigo e com o Outro.

É necessário distorcer fatos, trabalhar com o relativismo da verdade e principalmente quase sempre recorrer ao preconceito, e tudo isto leva a uma ausência de transparência tanto no campo individual quanto no social, o que se deseja é moldar a sociedade a um espelho nacional, inconcebível numa era já mundializada, com pessoas andando por todo globo.

O que assistimos coma falta de transparência é uma inevitável polarização em preconceitos e ideologias, o que é concebível numa fase inicial do diálogo, mas impossível de construir relações num tempo que exige relações cada vez mais alargadas e abertas.

Pode-se fazer o discurso que o conflito é necessário, mas aonde ele deverá caminhar, para o fechamento em grupos e bolhas, pois a fragilidade deste discurso é evidente, claro que é possível que num ponto do diálogo os ânimos fiquem acalorados, sem a fusão de horizontes e um caminhar para frente um epoché (colocar entre parênteses), abrir os ouvidos para a escuta do Outro.