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Além da sociedade disciplinar e do controle

07 Set

A análise da Sociedade do Cansaço de Chyul Han aponta a mudança “deAnSocietyControl paradigma da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho aponta para a continuidade de um nível. Já habita, naturalmente (eu poria entre aspas), o inconsciente social, o desejo de maximizar a produção.” (HAN, 2015, p. 25).

Entenda-se a sociedade disciplinar como sociedade da negatividade, que é não-ter-o-direito, “A sociedade do desempenho vai se desvinculando cada vez mais da negatividade. Justamente a desregulamentação crescente vai abolindo-a”.. no estilo do “plural coletivo da afirmação Yes, we can expressa precisamente o caráter de positividade da sociedade do desempenho.” (HAN, 2015, p. 24)

O conceito de Foucault (e outros como Deleuze), da “sociedade do controle”, explica o autor, não dá mais conta de explicar esta mudança, muito menos o uso de tecnologias digitais, pois este fato é muito anterior a elas, o que se dá agora é o uso na “vida activa” com as tecnologias.

Enquanto a sociedade disciplinar do não tinha esta sua negatividade “gera loucos e delinquentes”, a sociedade do desempenho produz “depressivos e fracassados” (pag. 25)

O computador aceita o desafio do desempenho e faz  cálculos “de maneira mais rápida que o cérebro humano, e sem repulsa acolhe uma imensidão de dados, porque está livre de toda e qualquer alteridade.” (HAN, 2015, p. 56)

É data nacional, para não inventar uma narrativa, cito os três últimos fatos gravados no país e faço perguntas.

Foram encontradas malas com dinheiro no valor de R$ 51 milhões, num apartamento na Bahia, que já ficou provado que era de uso do ex-ministro Geddel Vieira Lima, primeira pergunta: Este dinheiro era só dele?, a segunda notícia são gravações de Joesley Batista que se apressa em dizer na gravação: Vamos fazer tudo, mas nós não vai ser preso”, e sobre o padrinho de suas delações e do acordo que dava exílio ao Joesley diz: “O Janot sabe de tudo … a turma já falou pro Janot”, pergunta: Qual turma?

Um terceiro episódio, sim é uma série que pelo visto será bem longa, é relativo ao empresário do Rio de Janeiro chamado Arthur Soares, apelidado de Rei Arthur pelos contratos milionários com o governador Sérgio Cabral agora preso, ele tinha uma conta chamada Matlock no Caribe que foi onde a França começou no início do ano a investigar, porém esta compra teria envolvido o Comitê Olímpico, será que o governo e o Ministério dos Esportes não sabiam de nada ? São só perguntas. Há ainda o caso do Palocci, será que disse tudo pressionado pelos juízes ?

Não foram máquinas que fizeram tudo isto, mesmo o gravador do Joesley era de péssima qualidade, ou agora pensamos talvez apagasse trechos importantes por encobrir alguém.

HAN, B.C. A Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

 

Pedagogia do ver e negatividade

06 Set

Já falamos de potência aqui, a famosa categoria de “vontade de Potência” Contemplarprimeira em Nietzsche e depois em Schopenhauer, lemos em Além do Bem e do Mal §36 assim: “O mundo visto de dentro, o mundo determinado por seu ‘caráter inteligível’ – seria justamente ‘vontade de potência’, e nada mais”, no entanto, tem mais sim, pois é também Vontade de Poder.

Se Thomas de Aquino define potência dividindo em Ato e Potência, pode-se reler em Assim falou Zaratrusta deste modo: “Potência é aquilo que quer na Vontade. E o que é a potência? É um eterno dizer-SIM, e isto tem tudo a ver como nosso modo de pensar e sentir, o filósofo germano-coreano Chyul Han, vê nisto um equívoco do pensamento ocidental, no empuxo: “daquela positivação geral do mundo, tanto o homem quanto a sociedade se transformam numa máquina desempenho autista.” (HAN, 2015, p. 56).

A potência se afirma na vontade quando diz “Sim” ao devir, pois é a afirmação pura de sua própria efetivação, a alegria provém da afirmação. E o sentido é o resultado destas forças, afirmou Nietzsche em Assim falou Zaratrusta.

Mas Han para tornar sua análise precisa divide a potência em duas formas: “A potência positiva é a potência de fazer alguma coisa. A potência negativa, ao contrário, é a potência de não fazer, para falar com Nietzsche: para dizer não … distingue-se da mera impotência, a incapacidade de fazer alguma coisa.  A impotência é simplesmente o contrário da potência positiva.” (HAN, 2015, p. 57).

O raciocínio que aproxima Han de Thomas de Aquino, e a meu ver define sua ontologia já que percebo este traço em outros trabalhos seus, é o aprender a ver, explica ele: “capacitar o olho a uma atenção profunda e contemplativa, a um olhar demorado e lento.” (HAN, 2015, p. 51).

A falta de espírito falta de cultura repousaria na “incapacidade de oferecer resistência a um estímulo” afirma o coreano HAN leitor de Nietzsche, e afirma que ele nada mais faz do que propor a “revitalização da vita contemplativa.” (HAN, 2015, p. 52)

Conclui, ou praticamente conclui porque volta neste capítulo a falar da negatividade, faz uma lógica absurda se “tivéssemos a potência apenas de pensar algo, o pensamento estaria disperso numa quantidade infinita de objetos. Seria impossível fazer a reflexão (Nachdenken),pois a potência positiva, o excesso de positividade, só admite o continuar pensando (Fortdenken). (HAN, 2015, p. 58).

Thomas de Aquino, Nietzsche, de certa forma Hegel, e vários filósofos contemporâneos discutiram isto antes do mundo virtual e maquínico, mas fica para o próximo post.

HAN, B.C. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes , 2015.

 

O belo e o líquido

05 Set

A ideia que há uma liquefação da estética na modernidade é tão moderna quanto os conceitosFalsoBelo de liberdade, estado e principalmente: sujeitos e objetos.

Nesta morte da estética, já escreveram alguns autores, o belo é mera exposição do sensível da ideia nas obras de arte, e seria a partir delas que estaria resolvida a contradição, criada na modernidade, entre sujeito e objeto, assim uma obra de arte seria: “o primeiro elo intermediário entre o que é meramente exterior, sensível e passageiros e o puro pensar” talvez fosse este menos líquido, seria “científico”.

Hegel reconhecia na filosofia kantiana um “avanço em relação a outras teorias estéticas”, uma vez que, segundo o filósofo ápice do idealismo, a possibilidade de unificação entre espírito e natureza de daria pela arte, mas recusa-a ao perceber que conduziria a um dualismo insuperável entre sujeito e objeto, em uma síntese meio rude diríamos: “o demônio idealista”.

Mas não supera este “demônio”, dito por Hegel assim: ““… o belo artístico foi reconhecido como um dos meios que resolve e reconduz a uma unidade aquela contraposição e contradição entre o espírito que repousa em si mesmo abstratamente e a natureza. […] a filosofia kantiana sentiu este ponto de unificação em sua necessidade, como também o reconheceu e o representou de modo determinado.” (HEGEL, 2001, p.74)

O livro do filósofo germano-coreano Byung-Chul Han, Die Errettung des Schönen (A salvação do Belo) (Fischer Verlag, 2015, sem tradução para o português) dá um novo fio condutor para a questão do belo, com aquilo que já chamou em outros livros de “falta de negatividade de nossa era”.

Usa em sua linguagem as ideias do “positivo” e “negativo”, para designar o super consumo, quer seja de mercadorias, de informação e de capital, prefere antes a diversidade que a alteridade, antes a diferença que o distinto, e assim no estético o liso ao rugoso, e estética é para Han uma apologia ao liso, o polido, o pornográfico e não o erótico (no sentido do eros).

A subjetividade é confusamente lisa, sem interioridade e dificuldades (sem sofrimento já o dissemos), submete-se a um simplismo que quer tudo aplainar e polir, terapias para superar o medo, a angústia, o culto religioso é o repetitivo e a pura “doutrinação”, leitura sem nenhuma hermenêutica e cheia de exegese antiga e superada, palestras deve divertir e não ensinar, meios de comunicação são confudidos com os seus fins (que é para-comunicação) .

Os liquefeitos é que liquefazem tudo, para ficarem segundo sua lisura, sua feiura e sua ausência de negatividade e contradição, é mais que idealismo é “puro idealismo”, corpos que parecem bonecos, rostos sem expressão ou de expressão única, ausência da mímesis, voltaremos a ela, mas aqui basta o repetitivo, imitativo, mera representação, falsa receptividade, ato de se assemelhar, e no fundo a-presentação do eu (não alter).

 

HAN, B.C. Die Errettung des Schönen (A salvação do Belo), DE: Fischer Verlag, 2015.

HEGEL, George W. Cursos de estética. São Paulo: Edusp, 2001.

 

A mente emergiu da matéria ?  

04 Set

Esta pergunta está no trabalho de Terrence W. Deacon  filósofo, antropólogo e cientistaIncompleteNature cognitivo de Berkeley, em Incomplete Nature: how mind emerge from matter (2013), onde Deacon considera a informação um fenômeno cuja existência é determinada respectivamente por uma ausência essencial, algo como um não realizado que pode ou não vir a ser o realizado. Se no século 19 o grande paradigma foi admitir a existência da energia e sua relação com a matéria, agora modificada por Constantino Tsallis (veja nosso post), o século 20 trás para nós suas dificuldades em assimilar a irrealidade existencial da informação.

Uma explicação completa sobre a real natureza da informação é tal que seria necessário distinguir a informação de relações meramente materiais ou energéticas que também requerem uma alteração de paradigma, então uma alternância forma/fundo que nós chamamos neste blog de in-forma-ação, seria ainda mais fundamentalmente uma visão contra-intuitiva que a exigida pela energia.(DEACON, 2013, p. 373)

Deacon usa para seu argumento, diversos exemplos vindos da biologia e da matemática para justificar sua ideia, em essência emergentes de um nada, na verdade não é nova na filosofia e na ciência, menos ainda na lógica e na matemática, mas ao contrário de Descartes onde a primeira certeza é o Eu, na matemática moderna a primeira certeza é o 0, o conjunto vazio e agora com o digital, o 0 e 1, que emerge uma metamatemática como quer Gregory Chaitin, que já abordamos em outro post.

O modelo de números cardinais do matemático Von Neumann define todos os números literalmente a partir do zero: existe o conjunto vazio. O conjunto do conjunto vazio tem um elemento: o próprio conjunto vazio, Alain Turing e Claude Shannon idealizaram a máquina, mas foi Von Neumann que a construiu, se pensamos que o Mark I e a máquina de Konrad Zuze, não eram mais que calculadoras eletromecânicas.

Um matemático ligado à teoria dos Conjuntos, Ernst Zermelo, embora faça um raciocínio distinto, também parte do zero para chegar a todos os cardinais.

A informação faz parte do homem moderna, não só na cidade, mas agora na chamada Sociedade da Informação, que nós mesmo vamos produzi-la a partir de situações onde identificamos que algo está faltando.

Essa aparenta ser a melhor postura para abordar a natureza da informação. Ela é sempre um quê que falta. Como se a todo instante a realidade estivesse se perguntando: e agora o que falta?, e providenciando o que pode.

Essa ideia é mesmo conhecida para nós. Ser previdente, eficiente, organizado, é sempre ter uma atitude preventiva e pró-ativa em relação a situações possíveis. É um antecipar-se. É detectar o que falta e providenciar. Segundo Deacon, essa lógica perpassa toda a realidade. Além da abundante infosfera em que nos situamos, a informação emergente é uma demanda constante, seja através de seres vivos ou não.

Deacon reivindica a ideia do matemático e teórico da comunicação Claude Shannon, que associou entropia máxima à informação mínima e vice-versa, trazendo a informação para a origem da dicotomia ordem/desordem, tão cara às teorias de sistemas complexos, à matemática do caos e à termodinâmica irreversível das estruturas dissipativas de Ilya Prigogini, Prêmio Nobel de Química de 1977, de onde emergem as ideias de Caos e Complexidade.

Terrence Deacon, Constatino Tsallis e Gregory Chaitin estarão no EBICC, evento da USP no fim de outubro.

DEACON, T. W. Incomplete Nature: the mind emerged from matter. 2013.

 

O sofrimento e o cansaço

01 Set

A sociedade do cansaço não é a do sofrimento, o sofrimento é parte da vida, mas háAJesusPedro a impossibilidade de praticar a alteridade, e considerar o Outro além do mesmo, o individualismo transformou-se conforme afirma o filósofo coreano-alemão Byung-Chul Han uma “divisão nítida entre o dentro e fora … a Guerra Fria seguia o esquema imunológico”, que é a metáfora de excluir o Outro quando este não se configura dentro do meu sistema “epistêmico”, está fora da “minha lógica”.

A onto-lógica do “tragikós” grego, é aquela na qual enfrentamos nossos sofrimentos observando onde a justiça e a política convulsionam e criam patologias em nosso meio, a lógica dual do ou “eles” ou “nós”, é a crença na vingança, no ódio e na guerra, trágicas para a modernidade e ainda não damos sinais de ruptura em nossos sistemas de tensionamentos.

Os deuses sejam quais foram não querem nossa morte nem nosso sacrifício, a onto-lógica deve contemplar o outro com compaixão e misericórdia, mas não pode estar sujeita a ética dos Fariseus e Doutores da Lei, o portal pelo qual devemos entrar é a misericórdia de um Deus que se faz morte e vítima pelos homens, e não aquele que faz dos homens vítimas dos deuses, esta religião pós-moderna é farisaica e impiedosa, condena e não salva.

Após Jesus ter ensinado esta onto-lógica para os discípulos, eles ainda tinham e não entendiam o seu sacrifício que era o sacrifício de um Deus.

Lemos na Bíblia que Jesus já previa sua morte violenta, e começa a alertar os seus discípulos que não aceitam, em Mateus 16,22 está escrito que Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”, e ele pede a Pedro para afastar-se dele com aquela mentalidade.

O que é o sofrimento, o mundo moderno não conhece, está preocupado com o máximo do prazer, o hedonismo defendido pelos utilitaristas como Stuart Mill e Jeromy Bentham e toda tentativa de conciliar a felicidade agápica com a êxtase erótica, deu naquilo que o filósofo Byung-Chul Han escreveu em seu livro (edição portuguesa): “na realidade, o fato que o outro desapareça é um processo dramático, porque se trata de um processo que progride sem que, por desgraça, muitos o adverta.” (HAN, 2014, pag. 5).

O escritor francês Emile Zolá escreveu “o sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito”, e o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade escreveu: “a educação para o sofrimento evitaria senti-lo com relação a casos que não o merecem”, aí sim é felicidade.

HAN, Byung-Chul. Agonia De Eros. Lisboa: Relógio D’água, 2014.

 

Oréstia: a tragédia desconhecida

31 Ago

Oréstia foi encenada pela primeira vez em 458 a.C., e foi vencedora do primeiro Orestiaprêmio nas festas dionisíacas de Atenas, embora tenha sido escrita por Ésquilo, e vencedora do primeiro prêmio nas festas dionisíacas de Atenas, ela é desconhecida e pouco apreciada hoje.

Tragédia está associada em nossos dias, e não por acaso, a dores, catástrofes, algo onde há muitas vítimas, ou ainda o desenrolar de alguma ação violenta como um assassinato, uma guerra ou um grave acidente natural, para os gregos era outra coisa.

Tragikós definia uma forma  artística inovadora, ou algo que somente ocorria entre os grandes eventos que mudavam a história. Na visão de Aristóteles, um dos primeiros a estudar o impacto dos espetáculos teatrais, a tragédia seria “uma representação imitadora de uma ação séria, concreta, de certa grandeza, representada, mas não narrada, era provocadora da Katarsis, a catarse, que é a purgação das emoções dos espectadores.

Oréstia, de Ésquilo é porisso uma grande representante desta modalidade de teatro, a peça pode ser dividida em três partes: na primeira Agamênon mostra a volta desse personagem da guerra de Tróia, onde foi bem sucedido em matar a própria filha, Ifigênia, em sacrifício aos deus, mas isto não é bem recebido pela mãe Clitemnestra que quer vingar a morte da filha com ajuda do amante Egisto.

Na segunda parte Coéforas, narra a volta de Orestes, filho de Agamênon, orientado pelo deus Apolo, para vingar a morte do pai, ele é ajudado por sua irmã, Electra, que era mantida como serviçal no sótão do castelo pela sua mãe, Clitemnestra, e, na terceira parte, Eumênides, traz a ira de Clitemnestra, já morta, materializada nas Fúrias, que são vistas somente por Orestes e responsáveis pela sua loucura. Narra também o julgamento do crime de Orestes: o assassinato da própria mãe, que será analisado pela deusa Atena.

Embora daí tenha surgido o complexo de Electra, que não é propriamente o amor dos filhos pela mãe, mas o desejo do matricídio, observado em sociedades machistas, o problema na verdade é de justiça e de política representado pela deusa Atena, proclama um tribunal para julgar o homicídio cometido por Orestes, e ficará instituído para sempre, mas a pergunta que resta é porque deuses precisam de sacrifícios ?

Tentamos responder no próximo post.

 

Sociedade do Cansaço

30 Ago

O livro do coreano-alemão Byung-Chul Han “A Sociedade do Cansaço” analisa AsociedadeDoCansaçode modo mais profundo e menos individualista a questão mais profunda do ponto de vista ontológico do homem do final da modernidade: “Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (Tdah), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou Síndrome de Burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI” (HAN, 2017, p. 7).

A questão individual, do herói romântico de Dom Quixote que luta contra moinhos de vento, ou do determinismo histórico da questão da consciência em Dilthey, na verdade são traços do idealismo romântico, contornam o problema e tentam resolve-lo do ponto de vista apenas psicológico, sem considerar o social que é mais amplo.

A análise de Chul-Han vai neste sentido, dizer que  “o objeto de defesa imunológica é a estranheza como tal” (pag. 8), usando um conceito de Sloterdijk esclarece que o século passado foi uma época na qual se estabeleceu uma “divisão nítida entre o dentro e fora … a Guerra Fria seguia o esquema imunológico”.

Assim “mesmo que o estranho não tenha nenhuma intenção hostil, mesmo que ele não represente nenhum perigo, é eliminado em virtude de sua alteridade.” (pags. 8 e 9)

Explicará na página 10 que a “alteridade é a categoria fundamental da imunologia”, entra em cena a diferença que “não provoca nenhuma reação imunológica”, “o estranho cede lugar ao exótico”, o “tourist viaja para visitá-lo”.

O conceito é devido ao século XX onde a ideia de combater bactérias levou algumas pessoas ao extremo de considerar até mesmo os microrganismos necessários a  vida, como aqueles que também devem ser combatidos e não raramente encontrarmos alguém com este Toque.

Recupera o conceito de Immunitas de Roberto Esposito, considerando-a uma falsa hipótese, considerando o excesso de informação, esclarecendo aquilo que é comum ao combate de uma nova epidemia (pela imunologia): “a resistência contra o pedido de extradição de um chefe de Estado estrangeiro, acusado de violação dos direitos humanos, o reforço contra a imigração ilegal e as estratégias para neutralizar o ataque dos vírus de computador mais recentes?” (pagina 11), o autor dirá que nada as separa.

Dirá que “o paradigma imunológico não se coaduna com o processo de globalização … também a hibridização, que domina que domina não apenas o discurso teorético-cultural mas também o sentimento que se tem hoje em dia da vida, é diametralmente contrária precisamente à imunização.” (idem).

“A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade.” (idem) e quantos discursos este traço nos lembra, aparentemente dentro de um “engagment” é na verdade vazio, pois é ausente de verdadeiras alternativas, é puramente imunológico por acusa o Outro.

Cita na página 15 Baudrillard que fala da “obesidade de todos sistemas atuais”, em época de superabundâncias, “o problema volta-se mais para a rejeição e expulsão” (idem).

Dá um diagnóstico certeiro, vale tanto para “sistemas disciplinares” (os pseudo-éticos) como para a lógica da produção: “o que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a pressão de desempenho.” (pag. 27)

HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço, trad. Enio Paulo Giachini, 2ª. ed. Ampliada, RJ: Petrópolis, Vozes, 2917.

 

Quais são os melhores planos para nuvens

29 Ago

Já passamos por disquetes, CDs, pendrives e agora são os armazenamentosaDrive em nuvens, há serviços bons, médios, mas os excelentes ainda estão por vir.

Detalhe importante verifique se ao comprar um tablete ou notebook se ele já não tem um serviço de nuvem disponível, na maioria das vezes teme o usuário nem sabe usar, é o que vem escrito como 25 GB de storage, pode ser mais ou menos, mas que significa armazenamento por toda vida, mais seguro que qualquer outro serviço.

Se colocar na ponta do lápis, os serviços gratuitos, vai encontrar 5 bons: Dropbox, OneDrive, Box, Google Drive e iCloud, mas ainda tem os serviços ADrive, Amazon, CloudDrive e SpiderOak que são bons, mesmo tendo serviço gratuitos terá que por um pouco a mão no bolso.

O Box é um dos serviços mais confiáveis do mundo, sendo uma opção bem equilibrada em termos de espaço e segurança, mas assim como alguns concorrentes, a desvantagem é a incompatibilidade com o sistema Linux.

Um dos mais famosos serviços de armazenamento em nuvem é também um dos mais robustos,  Dropbox tem pouco espaço para armazenamento no plano gratuito.

O produto da Google, o  Google Drive tem um espaço de armazenamento considerável, sincroniza fotos automaticamente, tem funções rápida, já vem instalado em quase todos os Androids e Chromebooks, sendo uma opção fácil para quem já usa outros serviços da companhia.

Estes outros planos, como o ADrive chegou a ganhar destaque nos últimos anos quando oferecia alto espaço de armazenamento sem custo ganhou mercado, mas depois ele só permitiu planos por assinatura.

 

Uma constante e um possível Nobel da Física

28 Ago

Constantino Tsallis (1943- ), do Santa Fé Institute é um grego que está no Brasil,AentropiaMaxBoltz e é candidato ao Nobel da Fisica deste ano, embora não seja brasileiro, como ele gosta de dizer: “ele e a torcida do Flamengo torcem para este Novel da Física”.

Ele retrabalhou a constante de Boltzmann a ponto de torna-la mais genérica, mais aplicável e a ponto de mudar o nome dela (ou criar uma constante mais geral) chamada de Tsallis.

A constante de Boltzmann (k ou kB) é a constante física que relaciona temperatura e energia de moléculas, os kMols como aprendemos (ou não) nas aulas de Física.

O nome deve-se ao físico austríaco Ludwig Boltzmann (1844-1906), que fez as mais importantes contribuições para a mecânica estatística (sendo até considerado seu fundador), na qual a sua constante tem um papel fundamental. O seu valor experimental, em unidades SI, determinado em 2002, é:

k = 1,3806503. 10^-23 J/K

A forma mais simples de chegar à constante de Boltzmann é dividir a constante dos gases perfeitos pela constante de Avogadro.

Mas a contribuição não para aí, o mais importante conceito que vem da física é o da entropia, e juntamente com Maxwell (embora nunca tenham trabalhado junto), constituíram o que é chamado de distribuição de Maxwell-Boltzmann para visualizar a distribuição da velocidade das partículas em temperaturas diferentes.

Constantino Tsallis, um físico grego-americano que atualmente trabalha no Brasil, ao revisar a constante de Boltzmann, segundo ele próprio apenas pela beleza das equações,

Formulada em 1988 por Constantino Tsallis como uma base para generalizar a mecânica estatística padrão, pode-se dizer quase a refundando, é uma generalização da Entropia de Boltzmann–Gibbs, já que a Particúla de Gibbs foi recentemente confirmada experimentalmente e é também um resultado fundamental para a Física Padrão.

A relevância física da teoria de Tsallis já é amplamente debatida no cenário da literatura física mundial, mas foi só na década passada, que pesquisadores mostraram que a matemática de Tsallis descreve mais precisamente os comportamentos em lei de potência em uma larga gama de fenômenos, desde a turbulência de fluidos até os fragmentos criados nas colisões de partículas de altas energias.

Constantino Tsallis é candidato ao Nobel da Física e estará no evento EBICC da USP-SP.

 

 

A consciência e qual a origem da Vida

25 Ago

Já pontuamos aqui, em posts anteriores, o problema da consciência histórica, TeoriaDasCordasna leitura romântica de Dilthey cujo “seu ideal é decodificar o Livro da História” (Gadamer, 2006, p. 11), e a questão da consciência apontada pelo próprio Gadamer como o “problema de introduzir o problema hermenêutico a partir da perspectiva de Husserl e Heidegger” (idem, p. 10), e que na verdade o autor aborda sua Lebensphilosophie (idem), a filosofia da vida.

O problema da consciência agora visto como uma metamatemática , ou ainda como um problema da complexidade, não é apenas um problema de uma constante, de uma sequência previsível, que pode explicar muita coisa, mas não um Alfa e Omega, princípio e fim, diríamos quase simultâneos.

Sejam quais forem as cosmogonias e escatologias pensadas por seres humanos, todas terão algo em comum, temos consciência de um princípio e fim, e assim podemos dizer que temos consciência de que a consciência “escatológica” existe.

A pergunta na cultura cristã que deveria ecoar sobre a consciência, e indiretamente da nossa existência já que ela é vida, Jesus faz uma pergunta certeira aos seus seguidores, no evangelho de Marcos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “João Batista; outros, Elias; outros, ainda, um dos profetas”. “E vós”, perguntou ele, “quem dizeis que eu sou?” perguntando sobre qual o tipo de verdade eles se deparavam ao caminhar com Ele e ver os fatos e ideias que divulgava.

O fato que não temos resposta definitiva para a questão da consciência, já atentava Gadamer é um problema da Lebensphilosophie, isto é, do que pensamos sobre a vida, e em ultima instância sobre a vida dos Outros, não são os Mesmos, isto é, o Ego.

O que deve ecoar em nossos corações é que não podemos dizer o que somos, ou quem somos e tomar consciência de nossa própria consciência se não pensamos o nosso Ser como parte de uma humanidade diversa, onde o Outro é parte do Ser.

As equações e complexidades que definem a vida, não podem anular a vida que se escoa numa escatologia terrena que se dirige a uma eternidade divina, seja na Teoria do Big Bang (um início do tempo) ou na Teoria das Cordas (na ilustração, um abismo no tempo), a explicação física (algo existe) ou ontológica(o Ser existe), temos sempre consciência da necessidade da consciência, e ela deveria nos guiar.

 

GADAMER, H.G. O problema da consciência histórica, 3ª. Edição. Rio de Janeiro: FGV, 2006