RSS
 

Posts Tagged ‘filosofia’

A filosofia, a cosmovisão e a “visão de mundo”

06 Jan

Poucas pessoas têm uma visão articulada e consciente de ideais e visões que usam no dia a dia quando usam expressões do tipo, “no seu lugar eu faria assim” ou “isto não é permitido na minha religião”, ou mesmo uma visão aparentemente livre e aberta “faço o que desejo porque sou livre”, em todas elas estão embutidas uma visão de mundo ou uma cosmovisão como diria o filósofo Mario Ferreira dos Santos.

Ou seja, todos têm uma cosmovisão, fruto da cultura e das ideais de nosso tempo, das influencias midiáticas e culturais que fortemente nos influenciam, de nossas opções religiosas e políticas e por fim das decisões pessoais que cada um toma.

 Porém num plano mais amplo as pessoas sofrem forte influencia dos ciclos culturais que vivem, as possibilidades de acesso a informação e aos processos de “mundialização” da cultura, segundo Edgar Morin, como uma necessária “desmundialização”.

Assim se até bem pouco temo as culturais locais sobreviviam, o rádio, o cinema, depois a TV e agora a internet e a Web modificaram a “visão de mundo” ao mesmo tempo em que colocou em contato culturas muito diferentes e até certo ponto antagônicas, a urgência do diálogo, da tolerância e de uma “visão de mundo” que inclua o “outro” diferente é fundamental.

A filosofia, enquanto uma “visão articulada e consciência” desta realidade pode ajudar o passo antropológico para esta nova “visão de mundo”.

Foi Heidegger que aprofundou e desvendou esta “visão de mundo” a qual todos estamos vinculados e vinculam nossas ideias, convicções e atitudes.

A complexidade e universalidade deste conceito, é sintetizada a partir da palavra alemã Weltanschauung que deriva de welt (mundo) e Anschauung – visão, intuição. Geralmente traduzida por visão de mundo, ou visão da vida, e pode ser interpretada como a nossa posição no mundo e o modus do nosso agir,  pois isto pensar e se informar é tão importante, pode mudar nossa “visão de mundo”.

 

Um físico e quatro filósofos

05 Jan

A física quântica e relativística moderna lançou luz sobre vários problemas filosóficos, éticos e políticos. O contribuiu para que os fundamentos dessa discussão sejam compreendidos pelo maior número possível de pessoas, conforme disse Heisenberg no prefácio do seu livro A parte e o todo (editora Contraponto, 2000), mas que tem um subtítulo mais sugestivo: “Encontros e conversas sobre física, filosofia, religião e política” feita com uma escrita bem original usando as recordações dos diálogos com Einstein, Planck, Bohr, Dirac, Fermi, Pauli, Sommerfeld, Rutherfod e outros colegas.   Dois princípios são importantes a partir de Heisenberg: o da incerteza e o fim da neutralidade científica.  Mas a ideia de totalidade ainda permaneceu.

O filósofo Emmanuel Lévinas, junto com Paul Ricoeur trabalharam a questão do “outro”, de prismas diferentes, mas convergentes.

Para Lévinas, em seu livro Totalidade e Infinito (Ed. 70, 2008) faz a crítica da idéia de “totalidade”, ao seu ver culto da filosofia ocidental junto com “mesmo” e o “neutro”, onde a ideia de um pensamento globalizante, e que procura demonstrar que a totalidade não preenche a verdade medida do ser, onde há um excedente exterior ao todo, e que o próprio saber remete a situações relativas ao ser expressão em si a transcendencia, ou o infinito produzidos no rosto de “outrem”.

Mas é Heidegger que retoma a ontologia de modo definitivo, para ele a história da Metafísica considerou a diferença entre os entes, e sofre forte influência da metodologia fenomenologica, cheando Husserl a dizer “a fenomenologia somos eu e Heidegger”.

Estas são algumas influências importantes nas postagens seguintes.

 

Filosofia e um filósofo brasileiro

04 Jan

Em período de férias e viajando para o exterior, preparei alguns post de filosofia e leituras pessoais sobre temas que considero importante.

Peço desculpas aos meus leitores que estão concentrados (percebo pelos acessos) fortemente na área de tecnologia, porém ao retornar no final do mês retomo a análise de tendências do mercado de TI, aplicativos, os desenvolvimentos com impactos em Ciências da Informação e Ciências da Computação, enfim os posts que meus leitores estão mais acostumados.

Terei como guia para as postagens um autor nacional pouco conhecido, mas que já tem uma página no Wikipedia e tornou-se parte fundamental de minhas leituras: Mario Ferreira dos Santos (Tietê, 3 de janeiro de 1906 e 11 de abril de 1968).

Parte de uma tese fundamental que “alguma coisa há, e o nada absoluto não há”, que é diferente de uma das teses fundamentais da filosofia ocidental que é “o ser é, e o não ser não é”, chamou sua filosofia de “concreta”, mas usando um termo seu prefiro chamá-la de “filosofia do positivo” que significa um  olhar o positivo sobre os filósofos.

Não conheço sua obra completa que é extensa,mas me fundamentei em duas obras Noologia (de 1961, não sei porque não consta de sua bibliografia oficial), Filosofia e Cosmovisão (Editora Logos, 1955), O Homem perante o Infinito (Teologia, Editora Logos, 1955) e As filosofias da afirmação e da negação (Editora Logos, 1959). .

Claro, haverão referências a muitos outros autores.