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Posts Tagged ‘Pandemic’

[:pt]Vacinação e perigos a frente[:en]Vaccination and dangers ahead[:]

05 abr

[:pt]Os dados oficiais do site On Data in World indicam uma vacinação total no Brasil de 10,2 milhões de pessoas até 3 dias atrás, enquanto a média mundial fica no patamar de 6,5% e em países como França, Itália e Alemanha estão no inexplicável índice próximo a 11% (até a OMS reclamou).

Somente Israel perto dos 60% e Reino Unido próximo aos 50% tem índices aceitáveis, na América Latina somente o Chile chegou aos 30% e o Uruguai aos 20% mas deve-se observar que tem populações bem menores Chile 18 milhões (menor que a cidade de São Paulo), e Uruguai 3,5 milhões (pouco maior que Belo Horizonte se contando as cidades Betim, Contagem que são vizinhas),  o Brasil está próximo aos 10% contando a primeira dose conforme dados do mesmo site (on Data in World na imagem).

Dois perigos ameaçam fortemente os índices de contaminação: a nova cepa que se propaga mais rapidamente e o frio que deve chegar em breve, segundo os especialistas do Butantã não é possível acelerar o processo de produção de vacinas, mas já a FioCruz do Rio de Janeiro promete entregar 1 milhão de doses diárias, chegaria ao final de abril com 40 milhões de vacinados ao menos com a primeira dose (isto daria próximo ao 20% da população), e torcer para que o frio retarde, sem contar as remessas que virão do exterior e do próprio Butantã.

Felizmente o tempo tem estado quente, apesar de frentes frias ameaçando no sul, a expectativa para os próximos 15 dias (até o dia 20 de abril portanto), é de permanecer quente. apesar de chuvoso, porém não há dados corretos do tempo, as previsões nem sempre estão certas.

Espera-se que uma vacinação consiga frear o aumento sucessivo de infecções, batemos vários recordes de infecção e mortes, e a agressividade da nova cepa atua neste dois aspectos.

Um medicamento inovador é anunciado no mercado, e protocolou no último dia 30 de março o pedido na Anvisa, é uma combinação de anticorpos monoclonais bamlanivimabe e etesevimabe que foi desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, e pode auxiliar em casos leves e pessoas que tenham problemas respiratórios, é o primeiro medicamento realmente válido na prevenção e nos casos leves que tenham comorbidades respiratórias, pode chegar em 30 dias ao mercado.

Este medicamento tem um trunfo poderoso, pois já tem a liberação da Food and Drug Administration (FDA) a reguladora de medicamentos nos EUA, enfim é preciso pensar em soluções criativas e não se pode descartar as medidas preventivas, claro que sejam realmente válidas.

Segue a versão em inglês (o site está em manutenção.

 [:en]Official data from the On Data in World (in graphic) website indicate a total vaccination in Brazil of 10.2 million people up to 3 days ago, while the world average is at the level of 6.5% and in countries like France, Italy and Germany they are inexplicable. rate close to 11% (even the WHO complained).

Only Israel close to 60% and the United Kingdom close to 50% have acceptable rates, in Latin America only Chile reached 30% and Uruguay to 20%, but it should be noted that Chile has a much smaller population of 18 million (less than the city ​​of São Paulo), and Uruguay 3.5 million (slightly larger than Belo Horizonte if counting the cities Betim, Contagem that are neighboring), Brazil is close to 10% counting the first dose according to data from the same site (on Data in World ).

Two dangers strongly threaten the contamination rates: the new strain that spreads more quickly and the cold that should arrive soon, according to experts from Butantã in Sao Paulo, it is not possible to speed up the vaccine production process, but on the other hand, FioCruz in Rio de Janeiro promises to deliver 1 million daily doses, would arrive at the end of April with at least 40 million vaccinated with the first dose (this would be close to 20% of the population), and hope that the cold will delay, not counting the shipments that will come from the abroad and Butantã itself.

Fortunately the weather has been hot, despite cold fronts threatening in the south, the expectation for the next 15 days (until April 20, therefore), is to stay warm. although it is rainy, but there is no correct weather data, the forecasts are not always right.

It is hoped that a vaccination will be able to stop the successive increase of infections, we have broken several records of infection and deaths, and the aggressiveness of the new strain acts in these two aspects.

An innovative drug is announced on the market, and filed the order on Anvisa on March 30, it is a combination of monoclonal antibodies bamlanivimab and etesevimab that was developed by the pharmaceutical company Eli Lilly, and can help in mild cases and people who have respiratory problems , is the first drug really valid in prevention and in mild cases that have respiratory comorbidities, it can reach the market in 30 days.

This medicine has a powerful asset, since it has already been released by the Food and Drug Administration (FDA), the drug regulator in the USA, in short it is necessary to think of creative solutions and preventive measures cannot be ruled out, of course they are really valid.[:]

 

[:pt]É grave, mas pode haver esperança[:en]It is serious, but there can be hope[:]

29 mar

[:pt]Enquanto a Europa experimenta a 3ª. onda, o número de infectados e a gravidade da doença torna a pandemia uma crise humanitária no brasil, a esperança é aumentar a taxa de vacinação.

Na Europa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen reconhece que o bloco dos 27 países membros “não está onde queria” com a imunização, e disse que os esforços devem acelerar, apesar das 2 bilhões de doses contratadas, para uma população de 450 milhões, as taxas ainda estão abaixo de 10% o que é muito pouco pelo esforço já feito.

Enquanto Itália, Alemanha e França vacinação 10,3% fora do bloco o Reino Unido já chegou a 36,5%, no Brasil perto de 13% já receberam a primeira dose, os dados oficiais são de 15.503.373 para a primeira dose, enquanto 4.699.784 para a segunda dose, num total de mais de 20 milhões, mas a taxa de infecção e mortalidade cresce, se pensarmos que 12,5 milhões já tiveram covid-19 pode-se dizer que em número há uma pequena vantagem.

Porém não é bem assim, seria necessário que metade da população tivesse já a primeira dose, mas olhando o caso mais otimista que são os 38% do Reino Unido, vemos que o caminho a percorrer é grande.

A esperança vem dos dois institutos que desenvolvem a vacina no Brasil, o Butantã de São Paulo e a FioCruz do Rio de Janeiro, acredita-se que poderão estar vacinando em abril já as pessoas com mais de 60 anos, isto levaria a uma taxa de pouco mais de 20% no mês, sem contar os contratos externos que podem aumentar muito este número, chegando a uma taxa otimista de 35%.

Isto porque a promessa de 57.179.258 doses caiu para 47.329.258 doses, entre as que diminuíram o número estão a Pfizer e a de Oxford, mas com a promessa de vacinas vindas do exterior esta taxa poderá atingir a meta esperada em maio para 47 657 058 pouco abaixo da planejada.

A taxa somente irá ultrapassar a planejada no mês de agosto onde se espera mais de 82 milhões de doses em vez das 35 milhões planejadas, assim somente em setembro pode-se esperar uma queda nas infecções e mortes, espera-se que o sistema de saúde em pane consiga chegar lá.

A esperança continua sendo o crescimento de vacinas disponíveis no mercado.[:en]While Europe is experiencing the 3rd. wave, the number of infected and the severity of the disease makes the pandemic a humanitarian crisis in Brazil, the hope is to increase the rate of vaccination.

In Europe, the president of the European Commission, Ursula von der Leyen recognizes that the bloc of the 27 member countries “is not where it wanted” with immunization, and said that efforts should accelerate, despite the 2 billion doses contracted, for a population of 450 million, rates are still below 10%, which is very little due to the effort already made.

While Italy, Germany and France vaccination 10.3% outside the block the United Kingdom has already reached 36.5%, in Brazil close to 13% have already received the first dose, the official data is 15,503,373 for the first dose, while 4,699,784 for the second dose, in a total of more than 20 million, but the rate of infection and mortality grows, if we think that 12.5 million have already had covid-19 it can be said that in number there is a small advantage.

However, it is not so, it would be necessary that half of the population already had the first dose, but looking at the most optimistic case, which is the 38% of the United Kingdom, we see that the way to go is great.

The hope comes from the two institutes that develop the vaccine in Brazil, Butantã in São Paulo and FioCruz in Rio de Janeiro, it is believed that people over 60 years of age may be vaccinating in April, this would lead to a rate of just over 20% in the month, not counting the external contracts that can increase this number a lot, reaching an optimistic rate of 35%.

This is because the promise of 57,179,258 doses fell to 47,329,258 doses, among which the number decreased are Pfizer and Oxford, but with the promise of vaccines coming from abroad this rate could reach the goal expected in May for 47 657 058 just below the plan.

The rate will only exceed that planned in the month of August where more than 82 million doses are expected instead of the planned 35 million, so only in September can a drop in infections and deaths be expected, the health system is expected in trouble to get there.

The hope remains the growth of vaccines available on the market.

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[:pt]Amor, dor e lógica divina[:en]Love and divine logic[:]

26 mar

[:pt]Somente aqueles que são capazes de ultrapassar os limites da dor, do ódio e do desprezo podem se aproximar de um amor divino, é preciso ultrapassar a lógica dualista da luta do bem contra o mal, a deo-lógica é aquela que sempre vai de encontro ao bem, o que os gregos chamavam de agathosyne, que vem de Agathon bondade num sentido de espírito elevado, e que é busca.

Há um terceiro incluído que caminha conosco. 

A dor é muitas vezes aquilo que mais fere a alma, mas pode ser também a que a alarga, nestes momentos de evolução da crise pandêmica no país enfrentamos a mais séria necessidade de buscar uma força além das medidas sanitárias, débeis é verdade, mas a defesa da vida deve continuar naqueles que se solidarizam com os que estão sendo afetados pelo vírus.

Só entendendo este sentido mais profundo da dor seremos capaz de abraça-la, de ter esperança e de olhar para um futuro onde não mais teremos que correr atrás do tempo perdido, mas nos preparemos e nos antecipemos para evitar crises humanitárias ainda piores, que poderão advir.

Há sempre uma terceira possibilidade e assim como a dor é uma passagem de um estado para outro, também o que pode surgir depois de muito sofrimento é uma novidade ainda maior, um salto de qualidade naquilo que somos como homens e como natureza, e superar o estágio atual.

Edgar Morin escreveu em seu livro recente É preciso mudar de via: lições do coronavírus, neste sentido também: “A utopia do melhor dos mundos deve dar lugar à esperança de um mundo melhor. Como toda grande crise, como toda grande infelicidade coletiva, nossa crise planetária desperta esperança.”

Pode-se assim entender melhor, tanto no sentido teológico quanto filosófico, numa passagem central da paixão de Jesus quando na cruz ele grita (Marcos 1,34): “Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte:— “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”, porque é nesta dor que o humano e o divino se fundem, emergindo uma nova realidade de morte e ressurreição, sim Deus morreu dizem os filósofos, porém há um terceiro incluído: depois ressuscitou, assim pode-se entender a passagem da morte para a vida.

Toda esta dor, esta “grande infelicidade coletiva” diz Morin desperta esperança, porque ela é de fato uma passagem, talvez a mais dolorosa que a humanidade passou, ainda que tivemos guerras odiosas, ainda que tenhamos conflitos de natureza social, étnico e religioso, há um sentimento de dor.

Só fará sentido toda esta dor se encontrarmos logo ali na frente uma outra forma de olhar para ela.[:en]Only those who are able to overcome the limits of pain, hatred and contempt can approach a divine love, it is necessary to overcome the dualistic logic of the struggle between good and evil, deo-logic is the one that always meets for good, what the Greeks called agathosyne, which comes from Agathon kindness in a high sense of spirit, and which is pursuit.

There is a third party included who walks with us.

Pain is often what hurts the soul the most, but it can also be the one that broadens it, in these moments of evolution of the pandemic crisis in the country, we face the most serious need to seek strength beyond sanitary measures, weak is true, but the The defense of life must continue in those who show solidarity with those affected by the virus.

Only by understanding this deeper sense of pain will we be able to embrace it, to have hope and to look to a future where we will no longer have to run after lost time, but prepare and anticipate ourselves to avoid even worse humanitarian crises, which may come.

There is always a third possibility and just as pain is a transition from one state to another, what can arise after much suffering is an even greater novelty, a leap in quality in what we are as men and as nature, and overcoming current stage.

Edgar Morin wrote in his recent book It is necessary to change the path: lessons from the coronavirus, in this sense as well: “The utopia of the best of all worlds must give way to the hope of a better world. Like every great crisis, like every great collective unhappiness, our planetary crisis awakens hope. ”

It can thus be better understood, both in the theological and philosophical sense, in a central passage of Jesus’ passion when on the cross he shouts (Mark 1,34): “. 34At three in the afternoon, Jesus cried out in a loud voice: – “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”, Which means: “My God, my God, why have you forsaken me?”, Because it is in this pain that the human and the divine become merge, emerging a new reality of death and resurrection, yes God died say the philosophers, but there is a third included: after he rose, so you can understand the passage from death to life.

All this pain, this “great collective unhappiness” says Morin awakens hope, because it is indeed a passage, perhaps the most painful that humanity has gone through, even though we have had hateful wars, even though we have conflicts of a social, ethnic and religious nature, there is a feeling of pain.

All this pain will only make sense if we find another way of looking at it right there in front.

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[:pt]Vacinas e lockdown urgentes[:en]Urgent vaccines and lockdown in Brazil[:]

22 mar

[:pt]

Voo chegou as 17h30 em Guarulhos.

Entramos numa fase critica da pandemia no Brasil, mesmo o estado economicamente mais avançado já dá sinais de seu esgotamento hospitalar e já há uma ameaça de uma crise humanitária em curso.

Agora falar sobre soluções que não aconteceram, propostas que não foram a frente, os hospitais de campanha que sumiram, e a crise de oxigênio no Amazonas não adiante, para salvar vidas é preciso agir com firmeza e rapidez: vacinação e lockdown.

Uma leve esperança vem do consórcio Covax Facility, liderado pela OMS, desembarcou em Guarulhos, na Grande São Paulo, 1.022.400 doses de imunizantes no dia de ontem (foto), e há uma perspectiva de mais de 42 milhões de doses ainda neste ano, é a vacina AstraZeneca/Oxford, fabricada pelo SK Bioscience da Coreia do Sul, a mesma fabricada pela Fiocruz já com registro definitivo pela Anvisa (a Associação de Vigilância Sanitária do Brasil).

Já as 8 milhões da AstraZeneca que virão do Instituto Serum da India irão atrasar (chegaram 2 milhões apenas).

Já a Coronavac do Butatan disponibilizou 24,6 milhões de doses da vacina para todo o país, o cronograma até o final de abril prevê 46 milhões de doses, de onde virão as que faltam?

A Anvisa já concedeu o registro definitivo para a vacina Pfizer, o que autoriza sua importação, mas o imunizante ainda não está disponível em solo brasileiro, com a prorrogação da extensão do lockdown o Ceará assinou contrato para a compra direta da vacina russa Sputnik V, o estado quer adquirir 5,8 milhões de doses desta vacina.

O laboratório União Química tem direitos de produção da Sputnik V no Brasil, mas a Anvisa cobra a entrega de dados para uso emergencial, os dados publicados no periódico cientifico The Lancet, indicam que a eficácia desta vacina é de 91%.

O governo assinou contrato para adquirir 100 milhões de doses do imunizantes da Pfizer, e mais 38 milhões restantes da Janssen, que, entretanto, não tem ainda registro definitivo.

Diversos relatórios e dados científicos mostram que a combinação de lockdown com a vacinação é necessária, o sucesso do Reino Unido e Portugal, onde o número de internações caiu drasticamente, enquanto o resto da Europa começa a enfrentar uma 3ª. onda.

Embora seja difícil é preciso ter esperança na vacinação e não abrandar as medidas de isolamento social.[:en]We have entered a critical phase of the pandemic in Brazil, even the most economically advanced state is already showing signs of hospital exhaustion and there is already a threat of an ongoing humanitarian crisis.

Flight arrives 17h30  International Airport in Guarulhos, Brazil.

A slight hope comes from the consortium Covax Facility, led by the WHO, landed in Guarulhos, Greater São Paulo, 1,022,400 doses of immunizers yesterday, and there is a prospect of more than 42 million doses this year, is the AstraZeneca/Oxford vaccine, manufactured by SK Bioscience of South Korea, the same one manufactured by Fiocruz with a definitive registration by Anvisa (the Brazilian Health Surveillance Association).

AstraZeneca´s 8 million that will come from the Serum Institute of India will be delayed (only 2 million arrive).

But the Coronavac from Butatan made available 24.6 million doses of the vaccine for the whole country, the schedule until the end of April foresees 46 million doses, where will the missing ones come from?

Anvisa has already granted the definitive registration for the Pfizer vaccine, which authorizes its importation, but the immunizer is not yet available on Brazilian soil, with the extension of the lockdown extension, Ceará State signed a contract for the direct purchase of the Russian Sputnik V vaccine, the state wants to acquire 5.8 million doses of this vaccine.

The União Química laboratory has production rights for Sputnik V in Brazil, but Anvisa charges the delivery of data for emergency use, the data published in the scientific journal The Lancet, indicate that the effectiveness of this vaccine is 91%.

The government has signed a contract to purchase 100 million doses of Pfizer immunizers, and the remaining 38 million from Janssen, which, however, does not yet have a definitive registry.

Several reports and scientific data show that a combination of lockdown with vaccination is necessary, the success of the United Kingdom and Portugal, where the number of hospitalizations has dropped dramatically, while the rest of Europe is facing a 3rd. wave.

Although it is difficult, it is necessary to have hope for vaccination and not to slow down measures of social isolation in Brazil.

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[:pt]Dar uma “alma” a Terra[:en]Give a “soul” to the Earth[:]

18 mar

[:pt]A ideia de dar ao homem de nosso tempo uma cidadania planetária, vivemos o tempo da mundialização ou da globalização, e isto implica em direitos, só terá sustentabilidade se na contrapartida este caminho apontar também para uma “alma” terrena onde todos se vejam como codependentes entre si, a pandemia já deveria ter despertado isto, mas ainda não aconteceu.

Diz Chardin no livro que estamos analisando: “o homem de nossa época passará ainda um período de grande ilusão, imaginando que, chegado a um melhor conhecimento de si mesmo e do Mundo, não tem mais necessidade de Religião” (Chardin, 1958) e isto piora quando vemos a noite de Deus que paira sobre a humanidade, confusa entre ideologias e fundamentalismos.

Via o imperativo que “da evolução universal Deus emerge nas nossas consciências”, e via que era preciso superar “a religião entendida como simples apaziguamento das nossas dificuldades, um ‘opio’. Sua verdadeira função é de sustentar e estimular o progresso da Vida” e notem que os sistemas propostos contra ela não foram capazes de se mostrarem eficientes nesta direção.

Explica que a função religiosa é “nascida da ´hominização´, e ligada a esta só pode continuamente com o Homem mesmo”, e perguntará: “Não é isto que podemos constatar em nossa vida?  Em que momento, na Noosfera, existiu uma necessidade mais urgente de procurar, de encontrar uma Fé, uma Esperança para dar um sentido, uma alma ao imenso organismo que nós construímos?

Dava a entender que este processo de hominização, como ponto alto da complexificação do Cosmos, sua forma “mais avançada” se encontra “personalizada”, e ela faz surgir uma dupla condição necessária para o futuro: super-animar a Pessoa (anima e alma tem a mesma origem etimológica), mas sem a destruir, e uma convergência universal “deve ainda possuir (eminentemente) a qualidade de uma Pessoa”, invertemos de propósito, pelos eventos atuais.

Chardin imaginava que a pessoa cresceria junto com esta “super-anima” (aqui no sentido de alma) mas vemos que a Pessoa ficou em segundo plano, ou como preferem existencialistas mais atuais, o Ser e o Ser-com-o-Outro, que deveria ter evoluído junto com a super-anima, mas não ocorreu.

Nos escritos de Pequim datados de 1937, ele especula sobre esta energia humana motora de tantos avanços e esta força de “ser-mais” sob uma forma mais primitiva e mais selvagem: a Guerra.

Acreditava que virá o tempo em que “aqueles que triunfam dos mistérios da Matéria e da Vida” ao contrário de ser usada para a guerra, dos exércitos e frotas, “dobrar esta outra potência que a máquina tornará livre, e uma maré irresistível de energias disponíveis levará aos círculos mais progressivos da Noosfera”.

Como uma primeira conclusão, os textos ainda irão a frente, afirma: “O amor, assim como o pensamento, está sempre em pleno crescimento na Noosfera. Torna-se cada dia mais flagrante o excesso de suas energias em relação às necessidades cada mais restritas da propagação humana.”

 

CHARDIN, T. Construire la Terre. Paris: Editions du Soleil, 1958.[:en]The idea of giving the man of our time a planetary citizenship, we live in a time of globalization or globalization, and this implies rights, it will only be sustainable if in return this path also points to an earthly “soul” where everyone sees themselves as codependents among themselves, the pandemic should have sparked this, but not yet.

Says Chardin in the book we are analyzing: “the man of our time will still go through a period of great illusion, imagining that, having reached a better knowledge of himself and the world, he no longer needs Religion” (Chardin, 1958) and this gets worse when we see the night of God hanging over humanity, confused between ideologies and fundamentalisms.

He saw the imperative that “from universal evolution God emerges in our consciences”, and he saw that it was necessary to overcome “religion understood as a simple appeasement of our difficulties, nothing ‘opium’. Its real function is to sustain and stimulate the progress of Life”and note that the systems proposed against it have not been able to prove effective in this direction.

He explains that the religious function is “born of ´hominization´, and linked to it can only be continually with the Man himself”, and he will ask: “Isn´t this what we can verify in our life? When, in the Noosphere, was there a more urgent need to seek, to find a Faith, a Hope to give meaning, a soul to the immense organism that we built?

It implied that this process of hominization, as the highlight of the complexification of the Cosmos, its “more advanced” form is “personalized”, and it raises a double necessary condition for the future: to super-animate the Person (anima-soul and animation has the same etymological origin), but without destroying it, and a universal convergence “must still (eminently) have the quality of a Person”, we purposely invert, due to current events.

Chardin imagined that the person would grow up with this “super-anima” (here in the sense of the animation) but we see that the Person was in the background, or as most current existentialists prefer, the Being and the Being-with-the-Other, that should have evolved along with the super-anima, but it didn’t.

In the 1937 Beijing writings, he speculates about this human energy that drives so many advances and this “being-more” force in a more primitive and more savage form: the War.

He believed that the time will come when “those who triumph over the mysteries of Matter and Life” as opposed to being used for war, armies and fleets, “doubling this other power that the machine will make free, and an irresistible tide of energies available will lead to the most progressive circles in the Noosphere”.

As a first conclusion, the texts will still go ahead, he says: “Love, like thought, is always in full growth in the Noosphere. The excess of their energies in relation to the increasingly restricted needs of human propagation is becoming more flagrant every day”.

Chardin, T. (1958) Construire la Terre. Paris: Editions du Soleil.

 

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[:pt]LockDown da calamidade e a Variante P1[:en]LockDown of Brazil calamity and the P1 variant[:]

08 mar

[:pt]Poderíamos desde o início da pandemia ter mitigado os períodos mais críticos da pandemia com fases de lockdown e abertura, entretanto quase sempre se vacilou pela impopularidade da medida, principalmente ao comércio e a alguns ambientes que priorizam os lucros às vidas, porque vários setores não essenciais poderiam ter fechado, sem falar da irresponsabilidade de festas e aglomerações para algum tipo de “festa”.

Agora quase todo país na fase vermelha que indica o esgotamento dos hospitais e números recordes de contaminação e mortes, ainda titubeamos em medidas duras, mas necessárias.

A variante brasileira do vírus, chamada de P1 é mais contagiosa e para a qual a vacina Coronavac se mostra menos eficaz ainda, e a AstraZeneca que é mais eficiente ainda está em fase lenta de vacinação, no total ainda não vacinamos 10% da população e a redução de 8 milhões de vacinas foi anunciada pelo próprio governo.

Os países que aumentaram a eficiência da vacinação combinaram lockdown com vacinação, porque o contato de vacinado com pesquisadores da Universidade Imperial College London e da Universidade de Leicester explicam que o contato entre vacinados e variantes podem dar origem a mutações “superpotentes” que são capazes de driblar a ação imunizante, e isto no Brasil pode tornar-se uma bomba pandêmica.

A calamidade na qual estão quase todos estados e a maioria das cidades, pode colocar um pouco de juízo na cabeça daqueles que gerenciam a crise, não apenas o governo central, mas também os governos estaduais e os prefeitos de cidades brasileiras.

A variante P1 já é temida, muitos países já cuidam da migração brasileira temendo que a variante se espalhe e contamine o processo que em muitos países já é de redução da pandemia, é triste para o Brasil, mas devemos entender estas medidas como necessárias.

É certo que alguns serviços não podem parar, há sim serviços essenciais e eles devem estar ativos para que não aconteça um desabastecimento, uma perda de poder aquisitivo ainda maior, algum já é observado em todo mundo, porém a vida precede aos ganhos e são necessárias medidas que garantam o mínimo de sacrifício, em especial aos mais pobres.

É necessária uma medida dura e sem ela pode-se comprometer até mesmo a vacinação, e também é preciso cuidar desde já a eficácia contra a variante P1 já presente na maioria das cidades brasileiras.

Serão semanas duras e devemos todos nos cuidar com maior rigor e entender se as autoridades tiverem que tomar medidas restritivas, o cenário é praticamente de uma guerra.

É quase impossível na conjuntura brasileira pedir isto, mas seria bom uma solidariedade maior e verdadeira para enfrentar o momento mais crítico da pandemia.[:en]We could have mitigated the most critical periods of the pandemic since the beginning of the pandemic with phases of lockdown and opening. However, it almost always faltered due to the unpopularity of the measure, mainly to trade and some environments that prioritize profits over lives, because several non-essential sectors they could have closed, not to mention the irresponsibility of parties and agglomerations for some kind of “party”.

Now almost every country in the red phase that indicates the exhaustion of hospitals and record numbers of contamination and deaths, we still hesitate in harsh but necessary measures.

The Brazilian variant of the virus, called P1, is more contagious and for which the Coronavac vaccine is even less effective, and AstraZeneca, which is more efficient, is still in the slow phase of vaccination, in total we have not yet vaccinated 10% of the population and the reduction of 8 million vaccines was announced by the government itself.

Countries that have increased vaccination efficiency have combined lockdown with vaccination, because vaccine contact with researchers at Imperial College London and the University of Leicester explains that contact between vaccinees and variants can give rise to “superpowering” mutations that are capable of circumvent the immunizing action, and this in Brazil can become a pandemic bomb.

The calamity in which almost all states and most cities are located, can put a little judgment in the minds of those who manage the crisis, not only the central government, but also the state governments and the mayors of Brazilian cities.

The P1 variant is already feared, many countries are already taking care of Brazilian migration, fearing that the variant will spread and contaminate the process that in many countries is already reducing the pandemic, it is sad for Brazil, but we must understand these measures as necessary.

It is true that some services cannot stop, there are essential services and they must be active so that there is no shortage, an even greater loss of purchasing power, some are already observed in everyone, but life precedes gains and they are necessary measures that guarantee the minimum sacrifice, especially to the poorest.

A tough measure is necessary and without it, even vaccination can be compromised, and it is also necessary to take care of the effectiveness against the P1 variant already present in most Brazilian cities.

It will be a tough week and we should all be more careful and understand if the authorities have to take restrictive measures, the scenario is practically a war.

It is almost impossible in the Brazilian context to ask for this, but it would be good to have greater and genuine solidarity to face the most critical moment of the pandemic.

 

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[:pt]A cura do Outro[:en]Healing the Other[:]

24 fev

[:pt]Gandhi afirmava que “não se pode ferir o outro sem ferir a si próprio”, porém Carl Jung tem uma receita ampliada “aquele que cura o outro, cura a si próprio”, em termos de pandemia é bom pensar nisto, cuidar o distanciamento, as regras de higiene, etc.

Alguns dizem isto nunca vai acontecer comigo, são pessoas já com comorbidades, etc. sim eles estão no grupo de risco, mas a pandemia agora com as novas cepas ampliaram o “grupo de risco”, pode-se dizer toda a sociedade está vulnerável.

E junto com a pandemia, as economias estão ruindo, mas os modelos idealistas continuam aí, temos a resposta a tanto tempo, não se esqueçam que elas já foram testadas, assim não se trata deste ou daquele modelo, todos modelos atuais estão centrados na “economia” como centro de qualquer política e não no ser humano, isto valeu ainda mais profundamente nesta crise.

A usina de Fukushima por exemplo, houve tremores naquela região recentes, mostrou novos vazamentos, a água usada para resfriá-la será jogada no mar e então irá pelo mundo agora.

Se tivermos outros acidentes naturais, terremotos estão sempre acontecendo aqui e ali, e se forem perto de outras usinas, e se outro tipo de crise planetária, diferente da pandemia vier, e isto não é só pessimismo, é uma possibilidade que todos sabemos que existe.

Sim agora o problema é a doença, fonte da cegueira atual, ela é também um prolongamento da crise cultural e noite de Deus, vejam os diversos tipos de religiosidade que cresce, os apelos e profecias não faltam em todo canto, a meu ver alguma poderá ser verdadeira inclusive, mas não se trata disto e sim de perguntarmos como vai a vida “saudável” no planeta, e ai entra o Outro.

Diziam que a crise era das mídias, ou das redes que é uma coisa bem distinta, agora são a salvação para manter os contatos com a devida distância, hora não eram os celulares que faziam isto e porque não fazem agora, manter empresas e escolas funcionando, não é tão mal, o uso sim.

Claro que não, a perda das relações independe dos meios (as mídias) que usamos, e colocar-se em rede é ainda melhor, agora parece mais claro é colocar-se primeiro diante dos mais próximos, cuidar e se ocupar deles, coisas que lembramos de serem feitas pelos nossos avós, que pareciam fechados e atrasados, mas eles sabiam o que significava ser próximo, ser amoroso e ser fiel.

Salvar a economia mesmo que as pessoas morram, eis o fundamento de um mundo onde no fundo é a economia que todos estavam preocupados, talvez uma minoria pensasse realmente no bem-estar e no equilíbrio da vida vivida na essência, sem luxo e com um certo “conforto”.

Lembre-se que o oeconomicus em grego, tratava-se da economia doméstica e da agricultura, é verdade que a economia evolui muito, porém não devia ter perdido as origens, organizar a economia “doméstica” das pessoas e produzir alimentos, parece o essencial nesta crise.

Não temos só que nos curar, é preciso curar e cuidar do outro, assim nos ensinam nossos heróis da medicina, pois as consequências serão para todos, a descoberta desta interdependência é saudável para um mundo que começa a se fechar em nacionalismos e mentalidades autoritárias.[:en]Gandhi affirmed that “one cannot hurt the other without hurting oneself”, but Carl Jung has an expanded recipe “the one who heals the other, heals himself”, in terms of the pandemic it is good to think about this, to take care of the distance, hygiene rules, etc.

Some say this will never happen to me, they are people with comorbidities, etc. yes they are in the risk group, but the pandemic now with the new strains has expanded the “risk group”, it can be said that the whole society is vulnerable.

And along with the pandemic, economies are collapsing, but the idealistic models are still there, we have the answer for so long, do not forget that they have already been tested, so it is not about this or that model, all current models are centered on “ economy ”as the center of any policy and not in the human being, this was even more valid in this crisis.

The Fukushima plant for example, there have been tremors in that region recently, it has shown new leaks, the water used to cool it will be poured into the sea and then it will go around the world now.

If we have other natural accidents, earthquakes are always happening here and there, and if they are close to other plants, and if another type of planetary crisis, other than the pandemic comes, and this is not just pessimism, it is a possibility that we all know exists .

Yes, now the problem is the disease, the source of the current blindness, it is also an extension of the cultural crisis and night of God, see the different types of religiosity that grows, the appeals and prophecies are not lacking everywhere, in my view some may to be true even, but this is not about this, but about asking how “healthy” life is going on the planet, and there comes the Other.

They said that the crisis was in the media, or in the networks, which is a very different thing, now they are the lifeline to keep in touch with the proper distance, time it wasn’t the cell phones that did this and why they don’t do it now, to keep companies and schools running , it is not so bad, the use yes.

Of course not, the loss of relationships does not depend on the means (the media) that we use, and putting ourselves in a network is even better, now it seems clearer to put ourselves first in front of those closest to us, take care of and take care of them, things that we remember being asked by our grandparents, who seemed closed and backward, but they knew what it meant to be close, to be loving and to be faithful.

Saving the economy even if people die, that is the foundation of a world where, at bottom, the economy that everyone was concerned about, maybe a minority really thought about the well-being and balance of life lived in essence, without luxury and with a certain “comfort”.

Remember that the Greek oeconomicus was about the domestic economy and agriculture, it is true that the economy has evolved a lot, but it shouldn’t have lost its origins, organizing people’s “domestic” economy and producing food, it seems essential in this crisis.

We don’t just have to heal ourselves, we need to heal and care for the other, so our medical heroes teach us, because the consequences will be for everyone, the discovery of this interdependence is healthy for a world that begins to close itself in authoritarian nationalisms and mentalities.[:]

 

[:pt]Variantes do coronavírus e liberação[:en]Coronavirus variants and release[:]

15 fev

[:pt]Enquanto no Reino Unido já está confirmado que a vacina não funciona para a variantes do vírus, chamada de variante de Bristol e confirmada pelo governo britânico, a cientista britânica Sharon Peacock deu a péssima notícia na quinta-feira (11/2) que a variante já se espalhou pelo Reino Unido e irá varrer o mundo, então a crise da pandemia está longe do fim.

A AstraZeneca informou que levará 9 meses para a vacina estar pronta para esta variante, junto com a Universidade de Oxford a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) participam da produção da vacina.

No Brasil, informa a Agência Brasil, já foram identificados pela FioCruz a presença da variante P.! em mais 5 estados, além do Amazonas, Pará, Paraíba, Roraima, Santa Catarina e São Paulo, também as secretarias da Saúde da Bahia, do Ceará e do Pernambuco já identificaram a variante.

De acordo com o site Bloomberg o Reino Unido já está chegando a 52 milhões de vacinados (o páis tem perto de 67 milhões de habitantes), mesmo assim o LockDown ainda não foi aliviado, serve de alerta para outros países, é provável que possa abrir aos poucos, e deverão ser tomadas medidas gradativas estudadas caso a caso.

More Than 172 Million Shots Given: Covid-19 Vaccine Tracker (bloomberg.com)4

Resta saber como será pensado o caso da variante, de um pico de 52 mil casos no início de fevereiro caiu para 13 mil no sábado (13/02), mas a comunidade científica inglesa está analisando intensamente o caso da variante para tomar as medidas de liberação.

No mundo há uma queda para 410 mil casos, é uma queda lenta, porém já é possível pensar que mesmo com a variante há uma esperança que a vacina funcione dentro dos limites de eficácia.

Cabe a cada manter os cuidados e não relaxar enquanto os efeitos da vacina não forem sentidos.[:en]While in the UK it is already confirmed that the vaccine does not work for the virus variants, called the Bristol variant and confirmed by the British government, British scientist Sharon Peacock broke the news on Thursday (11/2) that the variant it has already spread across the UK and will sweep the world, so the pandemic crisis is far from over.

AstraZeneca reported that it will take 9 months for the vaccine to be ready for this variant, together with the University of Oxford the Oswaldo Cruz Foundation (FioCruz) participates in the production of the vaccine.

In Brazil, reports Agência Brasil, the presence of the P. variant has already been identified by FioCruz. in five other states, in addition to Amazonas, Pará, Paraíba, Roraima, Santa Catarina and São Paulo, the health secretariats of Bahia, Ceará and Pernambuco have also identified the variant.

According to the Bloomberg website the UK is already reaching 52 million vaccinated (the country has close to 67 million inhabitants), even so LockDown has not yet been relieved, it serves as a warning to other countries, it is likely to open gradually, and gradual measures should be taken, studied on a case-by-case basis.

It remains to be seen how the case of the variant will be thought of, from a peak of 52,000 cases in early February dropped to 13,000 on Saturday (02/13), but the British scientific community is intensively analyzing the case of the variant to take the measures of release.

In the world there is a drop to 410 thousand cases, it is a slow drop, but it is already possible to think that even with the variant there is a hope that the vaccine will work within the limits of effectiveness.

It is up to each to maintain the care and not to relax until the effects of the vaccine are felt.[:]

 

[:pt]Urgente: mudar o pensamento, ensinar a viver[:en]Urgent: change thinking and teach to live[:]

10 fev

[:pt]Quando propomos um modelo que não é aquela do mundo da vida, dele Husserl fez uma filosofia, o seu Lebenswelt (mundo da vida), Habermas fez dela uma sociologia, Heidegger e Gadamer a incorporam em seus pensamentos, mas afinal que é a vida senão uma aprendizagem, não aprendemos com a pandemia.
O problema central de busca de uma “clareira” é que criamos modelos demasiadamente longe da vida, de sua defesa incluindo a natureza, a dignidade e o próprio viver, estamos num Setembro Amarelo, cujo tema não é outro senão o de dizer que vale a pena viver.  Teremos uma clareira, mas ela durará pouco, e poderíamos começar já uma grande mudança, depois poderá não haver tempo. 
Foi Morin que fez dela uma ousadia ao escrever Ensinar a Viver, a pedagogia esquecida e o método pouco utilizado, quando Morin escrevia seu Método (na verdade em vários volumes e sentidos), li no comentário da Editora Sulina que o publicou no Brasil, que “ele o desfaz em partes que, holograficamente, repetem esse todo de maneira sintética, mas completa”.
Morin começa por uma crítica que muitos fazem na universidade, mas se curvam a ela para não fazer valer suas “carreiras”, ele critica essa “deriva das universidades”, cujo dilema central ele sempre retorna que é “refazer o pensamento”.
Agarrados a métodos e modelos já superados, logicistas e neopositivistas, não se aponta “a natureza do conhecimento, que contém em si o risco de erro e de ilusão” (MORIN, 2015, p. 16).
O grande teórico da complexidade propõe antes de tudo um retorno a filosofia (no sentido do pensamento primário) em sua condição socrático de diálogo, aristotélicas (no sentido entre outros, da organização da informação), platônica (questionamento das aparências), e até mesmo pré-socrática (questionamento do mundo, inserção do conhecimento na cosmologia moderna), enfim não pode ensinar a vida sem saber que ela tem dilemas, erros e opções.
Morin, que poderia arrogar-se de sabedoria pela idade, pela intensa atividade intelectual, desde do pedestal daqueles cheios de certezas, sem dúvidas ou equívocos que vemos desfilar pelas academias e pelos palanques públicos da mídia devoradora e pouco questionadora.
Morin busca “conceber os instrumentos de um pensamento que fosse pertinente por ser complexo” (Morin, 2015, p. 23), e vemos a barbárie de certezas dogmas e pouco elaboradas.
Frases prontas, manuais de autoajuda, laissez-faire (principalmente econômico), grosseria e histeria ideológica, fazem um aprofundamento da crise cultural, humanitária e social de hoje.
Me assusta que leitores de manuais tenham tanta certeza com tão pouco pensamento, aliás a crítica ao pensamento cresce e o elogio da ignorância parece vencer qualquer argumento.
Morin nos encoraja e nos remete a um futuro ainda visível e possível, sua palestra na Fronteira do Pensamento (em 2016) é uma esperança e um aprofundamento que lança novas luzes.

MORIN, Edgar: Ensinar a viver: manifesto para mudar a educação. Trad. Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. Porto Alegre: Sulina, 2015[:en]When we propose a model that is not that of the world of life, Husserl made a philosophy of it, his Lebenswelt, Habermas made it a sociology, Heidegger and Gadamer incorporate it in his thoughts, but the end that is life if not learning. But we didn´t learning from the pandemic. 
The central problem of seeking a “clearing” is that we create models too far from life, from its defense including nature, dignity and living itself, we are in a Yellow September, whose theme is none other than to say that it is worthwhile. It is worth living.
thought”.  We will have a clearing, but it will not last long, and we could start a big change now, then there may not be time.

Clinging to already outdated methods and models, logicists and neopositivists, it is not pointed out “the nature of knowledge, which itself contains the risk of error and illusion” (MORIN, 2015, p. 16).
The great complexity theorist proposes, first of all, a return to philosophy (in the sense of primary thinking) in its Socratic condition of dialogue, Aristotelian (in the sense among others, of the organization of information), Platonic (questioning of appearances), and even pre-Socratic (questioning the world, inserting knowledge in modern cosmology), finally cannot teach life without knowing that it has dilemmas, errors and options.
Morin, who could boast of wisdom by age, by intense intellectual activity, from the pedestal of those full of certainties, no doubt or misconceptions that we see parading through the gyms and public stands of devouring and unquestioning media.
Morin seeks to “conceive the instruments of a thought that is pertinent because it is complex” (Morin, 2015, p. 23), and we see the barbarism of dogma and little elaborated certainties.
Ready-made phrases, self-help manuals, (mainly economic) laissez-faire, rudeness, and ideological hysteria deepen today’s cultural, humanitarian, and social crisis.
It scares me that book readers are so sure with so little thought, in fact criticism of thought grows and the praise of ignorance seems to win any argument.
Morin encourages us and brings us to a still visible and possible future, his lecture at the Frontier of Thought (2016) (Conference in Brazil) is a hope and a deepening that sheds new light.

MORIN, Edgar: Ensinar a viver: manifesto para mudar a educação. Trad. Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. Porto Alegre: Sulina, 2015[:]

 

[:pt]Existência, repetição e Ser[:en]Existence, repetition and Being[:]

09 fev

[:pt]Na filosofia pode-se ter forma (morphé) e matéria (hilé) e todos seres tem morphé-forma e hilé-matéria, mas a in-formação depende do pensamento, depende da disponibilidade ao ato de pensar e não apenas o de repetir, aqui encontramos este segundo tópico, que o repetir não significa apenas tornar-se redundante, o problema civilizatório permanece se não avançamos.

Em palestra em 2016, no Salão de Atos da UFRGS Sloterdijk já sentenciava: “Penso que a realidade hoje se assemelha a como estávamos em 1915 – comentou ele, comparando o atual panorama com uma época no século passado em que a I Guerra recém havia começado e não haviam se sucedido…”, este quadro só se agravou, a pandemia poderia ser uma pausa, mas não foi.

A repetição pode ser vista como submissão as regras, as leis da natureza, da sociedade enfim de um conjunto de situações que te aprisiona, como pode ser uma tomada de consciência de quem você efetivamente é, aquilo que é sua verdadeira natureza, então repetir é a possibilidade de ser no presente e projetar-se no futuro, então entra-se na existência.
O acesso a existência humana num novo tipo de registro implica uma articulação de sentido para o Ser e para a vida, o caminho percorrido de Husserl a Heidegger, e depois com Gadamer é o que liga a hermenêutica a ontologia, e em Gadamer é explicitado o método do círculo hermenêutico.
Pode ser assim descrito seguindo o raciocínio de Gadamer: não deve ser degradado a um círculo vicioso, mesmo que esteja seja tolerado, nele vela uma possibilidade positiva do conhecimento originário, que, evidentemente, só será compreendido de modo adequado quando a interpretação compreender sua tarefa primeira.
Esta tarefa primeira constante e última permanece sendo a de não receber de antemão, por meio de uma “ideia feliz” ou por meio de conceitos populares, nem a posição prévia, nem a visão prévia, mas em assegurar o tema científica na elaboração desses conceitos a partir da coisa mesma. (GADAMER, 1998, p. 401).
Visto o método voltamos a questão essencial do Ser, que é o esquecimento na filosofia ocidental deste conceito, desde Platão até Nietzsche, e assim temos uma metafísica ou sua negação, ambas de forma incompleta porque um conceito tão essencial não foi abordado.
É o esquecimento do ser, que o filósofo diagnostica em toda a tradição filosófica ocidental, começando com Platão e se estendendo até Nietzsche.
Na sua obra “Que é metafísica” (escrita em 1929), o Heidegger definições assim a existência: “A palavra existência designa um modo de ser e, sem dúvida, do ser daquele ente que está aberto para a abertura do ser, na qual se situa, enquanto a sustenta” (1989b, p.59).
Sem esta categoria essencial a discussão e o pensamento fica preso ao “ente”, que Tomás de Aquino a define assim: “De onde se segue que a essência, pela qual uma coisa se denomina ‘ente’, não é apenas a forma, nem apenas a matéria, mas ambas, embora à sua maneira apenas a forma seja a causa desse ser” (Aquino, 2008, p. 10), nesta linha ontológica não há separação entre o Ser e o Ente.
Assim temos além do Ser, sua categoria agregada do ente, que lhe é inseparável.

AQUINO, T. O Ente e a Essência, Universidade da Beira Interior. LusoSofia.Press, Covilhã, PT, 2008.
HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica? In: HEIDEGGER, Martin. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1989.
GADAMER, H.G. Verdade e Método: Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução de Flávio Paulo Meurer. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.[:en]In philosophy you can have form (morphé) and matter (hilé) and all beings have morphé-form and hilé-matter, but in-formation depends on thinking, it depends on the availability to the act of thinking and not just the repetition, here we find this second topic, that repeating does not just mean becoming redundant, the civilizing problem remains if we do not move forward.

In a lecture in 2016, at the UFRGS Hall of Acts (Federal University of Rio Grande do Sul, Brazil) Sloterdijk already sentenced: “I think the reality today is similar to how we were in 1915 – he commented, comparing the current panorama with a time in the last century when the First World War had just started and had not happened… ”, this situation only worsened, the pandemic could be a pause, but it was not..

Access to human existence in a new kind of record implies an articulation of meaning for Being and life, the path taken from Husserl to Heidegger, and then with Gadamer is what links hermeneutics to ontology, and in Gadamer the text is explicit. hermeneutic circle method.

It can be thus described by following Gadamer’s reasoning: it must not be degraded to a vicious circle, even if it is tolerated, in it it holds a positive possibility of originating knowledge, which, of course, will only be properly understood when interpretation understands its task first.

This constant first and last task remains that of not receiving beforehand, through a “happy idea” or through popular concepts, neither the previous position nor the previous vision, but in securing the scientific theme in the elaboration of these concepts. from the same thing. (GADAMER, 1998, p. 401).

Considering the method we return to the essential question of Being, which is the forgetting in Western philosophy of this concept from Plato to Nietzsche, and thus we have a metaphysics or its negation, both incompletely because such an essential concept has not been addressed.

It is the forgetting of being, which the philosopher diagnoses throughout the Western philosophical tradition, beginning with Plato and extending to Nietzsche. In his work “What is metaphysical” (written in 1929), Heidegger defines existence as follows: “The word existence means a way of being and, undoubtedly, of the being of that being that is open to the opening of being, in which lies while sustaining it.” (HEIDEGGER,1989, p.59).

Without this essential category discussion and thought are tied to the “being,” which Thomas Aquinas defines it thus: “From which it follows that the essence, by which a thing is called the ‘being,’ is not only form, nor only matter, but both, although in its own way only form is the cause of this being ”(Aquino, 2008, pp 10), in this ontological line there is no separation between Ent and Being, even in English the words can be the same (Being).

Thus we have beyond Being, its aggregate category of being, which is inseparable from it essential concept.

AQUINO, T. O Ente e a Essência, Universidade da Beira Interior. LusoSofia.Press, Covilhã, PT, 2008.

HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica? In: HEIDEGGER, Martin. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1989.

GADAMER, H.G. Verdade e Método: Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução de Flávio Paulo Meurer. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

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