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Armação e artefacto

17 Jan

É um equívoco imaginar que a modernidade terminou com a discussão da metafísica, o que na verdade fez foi substituir o conjunto das reflexões essenciais pela objetividade da técnica, não vista como esquecimento do ser que ocorre na filosofia ocidental desde Platão até Nietzsche.
Aristóteles estabeleceu as quatro causas: a causa formal, cada coisa existe como forma que define a sua essência enquanto forma, causa material do que a coisa é feita, sua matéria; causa eficiente que é a origem da coisa, e, causa final, a razão de algo existir.
Para Heidegger estas causas são modos de trazer a coisa a uma presença no mundo, o que Platão chamou de poiesis, o ocasionar daquilo que passa e avança do não-presente a presença (Heidegger, 1949, p. 19), e trazer a presença é produzir, ou para usar o termo de Flusser, é o fabrico, o fato que a natureza é usada em função da produção e algo.
Assim, a arte e o artesanato são uma poíesis, e mesmo a phýsis pode ser considerada uma poíesis, por exemplo o emergir de uma floração, faz com a natureza produza a flor, assim recupera-se o conceito de techné com três aspectos emergentes da modernidade: a arte, o artesanato e a pýshis, o que faz o desocultamento do ser do ente, pelas suas causas.
A causa formal, a forma dada pelo artesão, a causa material, o material usado pelo artesão, a causa eficiente define de onde o material é proveniente e a causa final, o uso do artesanato.
A introdução o conceito de artefacto, é usando um argumento de Heidegger o fato que a técnica moderna provoca um ocultamento pelo fato de ser algo que o homem não domina, o seu recurso maquínico torna o homem dependente dela sem perceber sua causa final.
Chamamos de artefacto o recurso da técnica, enquanto arte que permite expressar o sentido e causa final da técnica, sem reduzi-la ao meramente técnico, e, portanto, tendo relação não apenas com o homem, mas com sua humanidade.
O reposicionamento do homem perante o mundo que se reconfigura devido ao artefacto não é um evento que acontece ao ser, mas que lhe corresponde, ou seja, que lhe afeta, a tomada de consciência do artefacto, que tem origem no ente, tem como imperativo sua apropriação.
Heidegger, M. Carta sobre o humanismo / Martin Heidegger (1946). 2ª. ed. rev. Tradução de Rubens Eduardo Frias. São Paulo: Centauro – 2005.

 

Nietzsche, biografias e idealismo

16 Jan

Por ser também biógrafo de Heidegger, tive a motivação para ler a biografia de Rudiger Safransky sobre este admirável critico do idealismo, e vê-lo como humano como ele próprio o desejaria, ao contrário de Nietzsche em Turim (Irvin D. Yalom) e Quando Nietzsche chorou (filme brasileiro do diretor Julio Bressane, 2001), que é contrário mesmo a sua filosofia ao idealiza-lo, impróprio para um critico do idealismo.
Tema atualíssimo, devido a emergência do fundamentalismo cristão, ao qual Nietzsche se opôs vorazmente e com conhecimento pois era de uma família de pastores luteranos, o autor discute com propriedade o evolucionismo de Charles Darwin e a “morte de Deus”, proclamada mas não promulgada, uma vez que para alguns teólogos não idealistas, como Teilhard de Chardin que oferece uma visão de um Cristo cósmico, e a relação entre a “luta pela sobrevivência” de Darwin é corretamente modificada pela “luta pela dominação” de Nietzsche.
A valorização da estética em Zaratrusta, ainda que possam haver quem discordo do corpo das argumentações, possui uma bela construção poética, na qual o interdito da “montanha proibida dos excluídos da graça divina”, ironia do autor com a exclusão dentro de um cristianismo (falso ao nosso ver) que se proclama não excludente, vê em Zaratrusta um profeta menor sem a força de um Daniel que entrou e saiu da cova dos leões, sem a dignidade de um João Batista arredio aos nobres e ricos, vivendo da alimentação de gafanhotos e favos de mel silvestre.
A sua posição estética, discussão do último capítulo, vai desde a análise do nascimento da tragédia, fundamental na antiguidade clássica, até a discussão da música de Wagner, onde ressalta a influencia em autor como Jaspers, Heidegger, Thomas Man, Bergson, Adorno, Horkheimer e Focault, e nega sua influencia no pensamento nazista, apesar do desejo de apropriar-se de sua filosofia.
O que alguns criticam nesta obra biográfica sobre Nietzsche é ao nosso ver o seu grande valor, o fato que aproxima a sua vida de seus escritos, indo a fundo ao erro clássico do idealismo, ao separar sujeito de objeto, separa pensamento da vida concreta, como se isto fosse possível, neste caso tragédia vital que é diversa da análise da tragédia grega onde desde Aristóteles, trata-se do destino dos homens, da sociedade e sua relação com os deuses.
A tragédia do idealismo é propor um modelo humano, religioso e societário que não se pode realizar uma vez que separado da “mundaneidade” é só um “ideal”.

Rudiger Safranski, Nietzsche: biografia de uma tragedia. Tradução de Lya Luft. Sao Paulo: Geração Editorial, 2001.

 

Coisa, objetividade e verdade

15 Jan

O problema essencial do idealismo moderno é a distinção entre subjetividade (o que seria próprio do sujeito) da objetividade (o que seria próprio do objeto), Kant pretendeu dar a estes conceitos um caráter universal que seria independente de cultura, época e religião.
Em epistemologia, o que se opõe a mera opinião (a doxa diziam os gregos) é o que caracteriza a validade de um conhecimento, boa parte da representação moderna torna-a relativa ao objeto, mas o objeto enquanto coisa não é investigado, o que seria descobrir a subjetividade.
Então o que é real, ou o que é verdadeira necessita dizer o que caracteriza e dá validade a um conhecimento ou sua representação relativa ao objeto, isto é uma “teoria” e não a prática, embora a prática (não o empirismo) possa servir para refutá-lo como não.
Por outro lado, não é possível representar um objeto sem regras normativas que são próprias de cada área, mas que seguem normas bibliográficas para referências gerais, porém é preciso dizer que não é sinônimo de verdade, ou seja não significa que a representação que serve para dar um “índice de confiança” ou “relevância” que significa a validade por uma “comunidade”.
Em ciência (empírica) a objetividade é a propriedade, característica das teorias científicas, que procura estabelecer as afirmações inequívocas que podem ser testadas, não exclusivamente por dados, experimentos ou práticas, mas como interpretação possível do mundo real.
Neste campo entra a hermenêutica, é possível que interpretações não únicas, sejam convergentes ou tenha um horizonte comum, o que Hans-Georg Gadamer chamou de fusão dos horizontes, mas talvez o nome seja forte demais, pois permanecem particularidades.
Ora isto não é relativismo, nem individualismo teórico ou prático, mas algo próprio daquilo que a filosofia idealista chamou de subjetividade, próprio do sujeito.
O dualismo desta ”teoria” que apela ao empirismo, é a eterna separação entre o mundo das ideias (eidos na Grécia antiga que era outra coisa), e o mundo da prática, por isto não se pode fazer (no campo da prática) aquilo que é próprio deste pensamento (teoria).
Em termos práticos, e, portanto, também boa teoria, a dicotomia entre o pensar e o fazer tem como raiz moderna o idealismo, separar o plano próprio do sujeito da relação ao objeto, com o qual de forma o conhecimento sobre o mesmo.

 

Caminhos, artefacto e arte em Heidegger

14 Jan

A origem da obra de arte (1936) é um texto de Martin Heidegger, onde desvela a questão da arte e da obra, que aqui iremos chamar de artefacto, e que o próprio Heidegger pensou em mudar, ao escrever a coletânea Caminhos da Floresta.
Em vez de escrever obra escreve Caminhos de Floresta (Holzwege) no qual foi acrescido um aditamento antes do epílogo em 1956.
A visão de Heidegger que o “artefacto” de arte, é um modo privilegiado de revelar o cotidiano, revela-se como uma compreensão poética do mundo, e traz dentro desta a ideia de “caminho” no sentido de alcance, duração e legitimidade da arte.
Esta é a importância de perguntar-se qual a origem da obra de arte? A origem está no artefacto, no observador ou no artista? Segundo sua pergunta: “O que é que, na obra, está em obra?” (Heidegger, 2002, p. 31), onde é possível ver já o “caminho”.
A filosofia medieval chamou de coisa a “quididade”, como aquilo que a coisa é, foi sobre ela que nominalistas como Ockham e Duns Scotto debateram com realistas, como o qual debateram realistas e ontólogos como Tomás de Aquino, que se inicia na discussão sobre a existência de universais, e de fundo é sobre o que é essência.
Para Heidegger origem significa Aquilo que é e como é sendo, ou seja sua essência.
A origem de algo provém então de sua essência, assim a pergunta pela origem da obra de arte é a pergunta sobre a proveniência de sua essência (HEIDEGER, 2002, p. 7), e que deseja-se extrapolar para a técnica e sua relação com a essência.
Heidegger em A origem da obra de arte, propõe uma discussão do conteúdo da arte, do estatuto singular de obra, do despontar da obra de arte a partir e por meio da atividade criadora do artista, assim conclui que a origem da obra é o artista (HEIDEGGER, 2002, p. 61), mas não recorre ao sentido da origem antropológica.
Fazendo como exemplo, o efeito da experiência estética a quem observa os sapatos na tela de van Gogh (1886), atualiza, a cada vez, a própria imagem retratada, isto dá sentido ao virtual, uma vez que o virtual é algo que se atualiza, e se torna arte cuja origem foi o artista, mas completa-se no observador, e para isto há o artefacto.
A atualização deste fundamento ontológico de Heidegger que vê no artista a origem, está em Rancière ao falar do “Espectador Emancipado” (2008), que abre a discussão sobre “os pressupostos teóricos que põem a questão do espectador no cerne da discussão sobre as relações entre arte e política” (Rancière, 2012, p. 8), essencial para os dias de hoje.
Rancière mostra duas premissas sobre o espectador que são falsas, a primeira que é o espectador como contrário ao conhecer, e a segunda que é contrário ao agir, e chama isto de paradoxo do espectador que é, no caso do teatro, um “não teatro sem espectador” (RANCIÈRE, 2012, p.8).
Propomos em oposição o estatuto ontoantropotécnico da obra de arte, ou do seu artefacto, ela existe enquanto é sendo, assim o artista empresta seu estatuto ontológico enquanto antropos (homem), e a exprime enquanto técnica.

HEIDEGGER, M. A Origem da Obra de Arte, Lisboa: Edições 70, 2002.

RANCIÈRE, J. O espectador Emancipado, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

 

O ser, o infinito e o puro Ser

12 Jan

Se tudo existe e não o nada, é porque algo ou alguém ou ambos É, e não-ser não significa necessariamente o nada, o nihilismo é fruto desta lacuna idealista.
A hipótese do terceiro excluído, de um lado é uma necessidade lógica e de outro é uma possibilidade de encontrarmos rações físicas para o Não-Ser, o que havia antes do Big Bang?
Ainda que a teoria dos universos paralelos ou de múltiplos Bing Bang, hipóteses não comprovadas, a ideia que haja algo além do ex-sistente é plausível, assim o Ser que é puro Ser, porque pré-ex-siste é altamente provável e viável, quanto ao seu nome seria apenas “O que é”, que é o significado da palavra Deus.
Deus ex-siste porque foi possível extrapolar seu puro ser, sua essência, e ex-sistir enquanto limitação humana, pura ex-sistência terrena e finita, o ser histórico e puro Ser: Jesus.
Conforme o texto bíblico, Jesus ao ser batizado por João Batista no dizer de Lucas (Lc: 3-22): “e do céu veio uma voz: ´Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer´”, o desvelar (a palavra re-velar é contraditória) ou a epifania e início da missão de Jesus se completam ai.
É incrível a ideia da ex-sistência divina em Jesus, é algo como afirmou o físico Michio Kiku sobre Deus: “tão aterrorizador é sua existência é a sua inexistência” (em Física do Impossível).
A entra de Deus na história, o Jesus histórico ex-siste, porém deverá no final dos termos negar-se como não-ser, e chamar a Deus que chamara de pai de apenas “Deus meu Deus meu, porque me abandonaste”, momento do ápice humano que ao mesmo tempo funde-se e integra o divino, o dualismo é rompido.
Ainda que aceitemos a hipótese da sua não existência, algo ou alguém houve antes do tudo, e não era o nada, o nihilismo não é só a negação da ex-sistencia é a negação do Ser.

 

A ideia de ser e o puro ser

11 Jan

Enquanto a ideia de ser fica limitada apenas ao Ser-coisa, embora existente permanece idealizado e separado da própria “coisa”, natureza e substância que também é, o Ser-em- relação só existe enquanto a existência do Outro, senão não há relação, e a forma básica de relação é a linguagem.
Se admitimos a existência do Ser, como diria a filosofia existe algo e não o nada, que não é um porque (porque existe algo, por exemplo), uma uma ex-sistência que vai redefinir o que Freud havia chamado de inconsciência, segundo J. Lacan vai precisar: “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”, portanto é forma primária de relação, mas a linguagem não se limita a ela.
Como Lacan a define há três formas de registros – real, simbólico e imaginário, segundo a tríade freudiana: a inibição, o sintoma e a angústia, o inconsciente conforme Lacan habita um lugar inusitado, um lugar da ex-sistência em um plano de três consistências aplainadas conforme o esquema dos círculos ao lado, pela tragédia do fim da vida de Lacan pouca gente se dá conta de sua precisão, veja o esquema proposto acima.
O que é o ex-sistente ? Disse Lacan: “se define, em relação a uma certa consistência , se afinal de contas não é senão esse fora, que não é um não dentro, se essa ex-sistência é de alguma maneira isso ao redor do qual se evapora uma substância, (…) , disso não resulta menos que a noção de uma falha, que a noção de um buraco ainda em algo tão extenuado que a ex-sistência conserva seu sentido, que já lhes disse (….) que há no Simbólico um reprimido, há também no Real algo que faz buraco, há também no Imaginário”, o que de certa forma aproxima-se de Freud e não escapa de seu psicologismo.
Esta definição ainda que criticamos o seu psicologismo, aproxima-se do sentido ontológico Heideggeriano, existe fora, e aqui podemos dizer fora da consistência, ou seja, pois não é como afirma o próprio Lacan um é “não dentro”, na linguagem idealista separando sujeito de objeto, o ex-sistir existe em uma posição de ex-centricidade, no sentido de relação a algo, no dizer psicológico de Lacan “o um que cai da definição de outros lugares, mas que a eles não está incorporado”, aqui subsiste o dualismo.
A ideia de resistir a ideia de puro Ser, que significa existir Deus que é centricidade e extrapola a ex-centricidade e a justifica, porque o Ser é na filosofia antiga, e no sentido ontológico atual “não ser” também é criando uma terceira hipótese ao terceiro excluído da lógica idealista: o Ser é e Não-ser não é.
A má relação com os objetos através da transcendência idealista é aquela que faz uma separação entre sujeitos e objetos, típica da sociedade moderna, sendo também uma deturpação da relação com os objetos (dinheiro, objetos pessoais e as coisas da natureza) sendo e como religião tem equívocos, que justifica a desigualdade social e até mesmo a “sacralização” da relação com estes, como se riqueza fosse “presente de Deus” e não uma contingência humana.
O esquema proposto por Lacan embora válido possui uma lacuna ontológica, pois se de um lado podemos relacionar o Real, o Imaginário e o simbólico, aquilo que pertence somente ao imaginário-simbólico é na verdade fantasia humana, existe enquanto possibilidade Virtual, mas não se atualiza.
O Virtual é o Real passível de atualização, neste sentido é “Virtus” aquilo que pode existir enquanto Ser, mas que ainda é só presente, para ser real precisa se atualizar.
Esta lacuna surge daquilo que é novo, que ainda é potencial no sentido da ontologia antiga, e que é virtual no sentido da ontologia do fenômeno, pode fazer pouco sentido pois faz parte ainda do imaginário, tendo uma representação simbólica primária (poderá ter várias reinterpretações) e está no plano do inconsciente tanto da rejeição como da inibição pelo desconhecimento da novidade.
LACAN, J. O Seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1979.

 

Ideologia, visão de mundo e ontologia

10 Jan

Não é possível transcendência pela simples ligação com os objetos, isto é fetiche, reificação (res coisa), ou apenas uma má compreensão do que a coisa é, porém a negação da relação com esta coisa, seja pela transcendência idealista (separação de sujeitos e objetos) ou pela relação dualista, como as coisas do mundo e as coisas do céu, também são más relações.
O fato que existe corrupção é porque existe ganância, ou seja, pessoas que acham “justo” terem mais por ocupar cargo ou função na sociedade, que algo além do salário ou mesmo ter um salário legal, mas imoral, como gente que ganha acima de 35 mil reais (algo perto dos 10 mil dólares) usando cargos públicos.
São as sociedades mais pobres que estas pessoas aparecem, fruto de uma grande desigualdade, portanto combater a corrupção sem combater a desigualdade é não eliminar a raiz do mal, que é a imensa desigualdade em alguns países pobres.
Isto não é ideologia, mas justiça, as ideologias existem em quase todos planos, pois determinados esquemas de fechamento em grupos podem, e em geral acontecem, porque vivemos em círculos ou bolhas (quando são efémeras) que procuram manter seus “valores”.
A religião deveria representar por um lado uma visão mais ampla desta limitação de relação com as outras pessoas, com o mundo e com os objetos, eles são parte do mundo, e é claro nisto se inclui toda a tecnologia que emergem em determinados contextos.
A relação com os objetos através da transcendência idealista é aquela que faz uma separação entre sujeitos e objetos, típica da sociedade moderna, é também uma relação equivocada com os objetos (dinheiro, objetos pessoais e as coisas da natureza) sendo também uma religião com equívocos, aquela que justifica a desigualdade social e até a “sacraliza”, como se a riqueza fosse “presente de Deus” e não simplesmente construção humana.
Ao diferenciar a relação com Deus da relação com o mundo nada mais fazemos do que dar uma relação que Descartes chamou de res pensante (coisa pensante) ou res extensa (coisa extensa ou corpo), mas sem separá-las, pois, estão presentes na relação com o mundo.

A relação que integra coisa pensante e coisa extensa é o ser, como afirmou José Saramago: “há algo que não tem nome e é tudo aquilo que sou”.

O que diferencia é na verdade nossa visão de mundo, como afirma Heidegger, reintegrando a ontologia (O Ser) com a sua presença no mundo o seu “dasein”, que por hora está esquecido.

 

CES 2019 começou

09 Jan

A feira mundial de eletrônicos a CES (Consumer Eletronics Show) começou ontem em Las Vegas e vai até sexta feira(11/01), o que pode ser visto ali?
Este ano a novidade mais forte parece ser a Smart home, casa inteligente, muitas novidades, com o avanço da inteligência artificial, a casa que já tem aspirador eletrônico, controle eletrônico de luzes e aparelhos domésticos, vai começar a conversar com você.
A Smart TV já está aí, e ao contrário do aprisionamento, muita gente deixou de ver programas e canais convencionais de TV, usam para filmes, séries (substituindo as antigas novelas) e usa para passar vídeos Youtube e filmagens familiares, isto já está em mudança.
Aos poucos da diversão isto vai passando para áreas da saúde e da interação, nada a ver com o filme BlackMirrow (ver o post), aparelhos vestíveis fitness e equipamentos médicos para saúde.
Uma das empresas presentes é a Neutrogena, que trabalha com produtos relacionados a pele, capas de scanear um rosto humano em 3D e criar mascaras personalizadas para cada rosto, controles de pressão, glicose e outros já estão disponíveis nos mercados.
Mas a fiação e aparelhos para cada é que vai mudar radicalmente, TV sem cabos e conexões com uso de WiFi já estão disponíveis, um novo tipo de plugue já apelidado de “transformer plug” e as câmeras só para vigiar agora poderão fazer projeções em toda casa, incluindo as TVs e dispositivos da Web para a interação inteligente.
Robôs que limpam a casa e trazem coisas da geladeira até você, máquinas que dobram roupas, mascaras inteligentes de dormir, vasos sanitários auto-limpantes, já eram presentes no ano passado.
Então qual a novidade, será a inteligência presente nestes dispositivos e a comunicação com humanos, a feira promete algumas novidades.

 

A economia, a justiça e a moral

08 Jan

É preciso falar nesta ordem, pois onde não há uma economia saudável e participativa, são raros exemplos no mundo contemporâneo, a justiça e a moral ficam debilitadas e esquecidas.
Qual a economia que vai reger o Brasil no seu novo governo ? é ingênuo pensar que não há fundamento para o que está se iniciando e Paulo Roberto Nunes Guedes, o novo ministro da Economia do Brasil chamado junto com o Sergio Moro de superministros, é doutor pela Universidade de Chicago (EUA) e por isso conhece bem a chamada escola de Chicago.
São fundadores desta escola George Stigler e Milton Friedman, e ambos já foram premiados com o Prêmio Nobel de Economia, esta política foi conhecida no Brasil por sua influencia no período militar, através de sua visão liberal, a rigor a favor de um laissez-faire quase total.
Pode-se dizer então que é uma escola neoclássica, rejeita o Keynesianismo da intervenção do estado, então o cambio é flutuante e a moeda deve seguir a “mão invisível” do mercado, ou seja, o câmbio flutuante com pouca intervenção do estado, até o momento parece funcionar.
Entretanto esta escola foi concebida no boom do pós-guerra, em 1950 e em crise não parece funcionar tão bem, o estado precisa controlar os mercados e a rigor isto acontece sempre.
Daqui partimos para a Justiça, onde a ideia de sufocar os grupos internacionais de drogas, de corrupções através do aperto financeiro parece já ter falhado na primeira semana de governo, curiosamente pelo pedido petista Ceará, a questão da corrupção a nomeação de Marun para Itaipu gerou até desconfianças dentro do governo, o onipresente porta-voz Onyx Lorenzoni e do senador que é filho do presidente envolvidos em esquemas com Flávio Queiroz.
Enquanto discutimos a questão do azul para meninos e rosa para meninas, os assuntos que são realmente relevantes ficam soterrados até por gente que se imagina consciente, a imprensa foi uma que embarcou neste lamentável debate.
Já os índices de feminicídio, a violência contra homossexuais com novos casos e outras minorias que não se trata apenas moral e sim de crime, por isto é moralismo ver pelo lado das “cores!”, pois a moral significa o respeito a cada pessoa e aos seus direitos.
Mas enquanto discutimos isto, a questão de Queiroz e assuntos econômicos essenciais passam ao largo da opinião pública, incluindo os jornalistas.

 

Ganhadores do Globo de Ouro 2019

07 Jan

Foi surpresa, mas nem tanto, já havíamos apontado Bohemian Rhapsody, que conta a história de Fred Mercury e da banda Queen, como possível ganhador, e parte da surpresa fica para o outro grande ganhador “Green Book: O guia”, com maior número de premiações três: Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor roteiro para filme e Melhor ator coadjuvante em filmes, para o ator Mahershala Ali.

O Bohemian Rhapsody deu melhor ator para Rami Malek, e melhor filme drama, mas o filme “Roma” também teve destaque como melhor filme em língua estrangeira e Alfonso Cuarón como diretor que parece seguir uma nova escola de bons diretores mexicanos, Guillermo del Toro (A forma da água, lembram?) e Alejandro González Iñárritu (dirigiu Birdman e O Regresso).

Dissemos em post anterior que o esquecido “O primeiro homem” sobre o primeiro homem a pisar na Lua Neil Amstrong, deu melhor trilha sonora a Justin Hurwitz.

Mary Poppins ficou sem nada, mas a milionário bilheteria do filme deverá fazer a Academia dar alguma estatueta ao filme, podem esperar.

Melhor animação esperado para “Ralph wifi” foi para “Homem-aranha no aranhaverso”, preciso ver e tentar entender este prêmio, com certeza tem algo não visível numa primeira vista, está passando nos cinemas aqui do Brasil então vou ver.

Agora melhor ator para Richard Madden em “Bodyguard” filme série, só pela não concorrência de John David Washingotn de “Infiltrado na Klan” que concorreu na categoria melhor ator de drama, e Lin-Manuel Miranda, ator em “O Retorno de Mary Poppins”.

Duas injustiças, o fato que “Infiltrado na Klan” ficou sem prêmio algum, deverá ser lembrado no Oscar e melhor atriz Olivia Colman em “A favorita” talvez uma influência de estar muito premiado na Europa, como no Festival de Veneza onde o filme roubou a cena.

Não comento as séries, por falta de tempo e oportunidade de assisti-las, mas a série  “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” que deu melhor ator para Darren Kiss (participações em Harry Porter) parece abrir uma tendência para filmes mórbidos sobre violência do premiado do ano passado “Três cartazes a beira da estrada”, pessoalmente não gosto.