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A nova era Pátria-Mundo

16 jan

Conforme já esclarecemos Edgar Morin e Anne BrigittePatriaMundo Kern chamam de Pátria-Terra, e embora vejam a importância ontológica do conceito, entendo que ver o Mundo como Pátria é mais abrangente pois incorpora além dos povos e o próprio Planeta, o mundo como um ser vivente e presente na realidade das culturas e dos povos.

Os capítulos 2 e 3 da identidade terrena e da agonia planetária, ainda que os temas sejam relevantes, essencialmente penso que a crise envolve algo além das contradições e das questões culturais e políticas em jogo, o que está em jogo, nisto concordo com o autor, é que o homem agora se vê como um todo, assiste sua vivência planetária e as comunicações jogam um papel importante nesta visão humana é claro, mas com dispositivos midiáticos auxiliares.

Uma nova etapa civilizacional se realiza, e sua análise no capítulo 4, embora divida em 5 etapas, a saber: o início da hominização, o homo erectus, o homo sapiens, o nascimento da história (agricultura, agropecuária, cidade-estado) e o quinto que estaria acontecendo que seria o nascimento da “sociedade/comunidade dos indivíduos, das etnias e das nações” (pag. 112 do livro Terra-Pátria dos autores).

Essencialmente concordo que estaríamos no fim da idade do ferro, e que a “noção de desenvolvimento tem que ser repensada, total e radicalmente” (pag. 112), mas os autores afirmam que isto se deu a partir dos anos 50 no pós-guerra, entretanto a visão de Pátria-Mundo é ampliada entendendo que a partir do final da idade média ocorreu um aprisionamento do “espírito humano” (da noosfera portanto) ligando-a ao domínio da natureza e com ela do próprio homem pelo homem.

Os autores discorrem corretamente: “que temos pois que separar a noção de desenvolvimento do seu invólucro economicista” (pag. 112) e constatam que é um erro de natureza econômica redutor “julgar que o mercado contém em si todas as soluções para o problema de civilização” (pag. 113) e “o socialismo e o capitalismo foram, em sua, mitos de desenvolvimento” (pag. 114) e que ambos não podem ser “concebidos como noções providencialistas, imperialistas e redutoras” (pag. 114).

Os autores constatam o fenômeno-chave da era planetária: “o subdesenvolvimento moral, psíquico e intelectual” (pag. 115) dos desenvolvidos, e a proliferação de ideias gerais: “ocas e das visões mutiladas, a perda do global, do fundamental e da responsabilidade” (pag. 115).

Devemos respeitar as cultuas locais na era planetária, porém os autores citam usando M. Murayama que cada cultura tem qualquer coisa de “disfuncional (defeito de funcionalidade), de misfuncional (funcionando num mau sentido), de subfuncional (efetuando uma performance ao nível mais baixo) e de toxifuncional (criando prejuízos no seu funcionamento)” (pag. 116) e é por isto que devemos nos abrir a “outras culturas” sem precisar perder a própria.

 
 

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