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Posts Tagged ‘Política’

Bolsa novela para acelerar a TV Digital

01 Mar

Parece brincadeira, mas não é, o governo afirma que para “liberar” a faixa das TVs analógicas para as operadoras poderá ajudar as pessoas a comprarem TVs digitais, a afirmação é do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo no MWC 2013, em Barcelona.

O ministro admitiu que governo pretende rever as metas de implantação da TV Digital no País e a forma de acelerar encontrada foi a liberação das frequências das televisões analógicas para a telefonia, poderia bancar a compra de conversores e até aparelhos de TV para quem não puder adquirir o seu dentro do novo padrão.

Segundo a imprensa o ministro declarou: “Claro que teremos que conversar dentro do governo para ver o custo disso, que seria destinado a uma faixa restrita da população”, o que pode chegar a cerca de 13 milhões de famílias que seriam beneficiadas com esta medida, que já foi batizada pela imprensa de “bolsa novela”.

Pagamos para as operadoras terem a faixa para seus caros serviços, para 13 milhões de famílias terem TVs digitais, poderia até ser justo se não houvessem intenções eleitoreis por trás deste assistencialismo, mas o próprio ministro mostrou contradição no seu discurso ao afirmar que a faixa poderia ter pouco uso, e disse que neste caso a Anatel poderia reaproveitá-la para expansão da nova rede 4G.

 

Rede Sustentabilidade, nova ação política

21 Fev

Após uma articulação, segundo a ex-senadora, de 1700 pessoas que uniram-se gastando do próprio bolso para lançarem uma novo paradigma de partido, o da ação em rede, Marina Silva lançou uma proposta de “Rede e sustentabilidade”, e falou em um programa da TV Cultura.

No Programa Roda Viva desta segunda-feira (18/02) ela afirmou: “Nós resolvemos antecipar algumas coisas que já podem ser feitas no sentido de mudança do sistema político e da forma de se fazer política no Brasil”.

Jogou algumas pérolas no ar, tais como: “nem a esquerda , nem a direita, mas para frente”, “o contrário de injustiça não é justiça, mas o amor” e “Estamos sofrendo um questionamento à forma verticalizada como os partidos operam”, acrescentando que é “Um esforço que está sendo feito é de questionar o monopólio dos partidos políticos.”

Os jornalistas tiveram dificuldade de entender uma proposta tão simples, onde cada pessoa pode ser protagonista e ter liberdade de articulação e proposição, mas quando ironizada por causa do símbolo do partido (#rede) que seria incompreensível a população do nordeste do país, Marina brincou: “O que mais nordestino entende é de rede”.

Marina precisa de 500 mil assinaturas para oficializar o partido, sobre o perfil do novo partido disse que precisa de pessoas que vivam o que proclamam, e eu acrescento que ditadores e autoritários só fazem leis para os outros.

 

Castells, a comunicação e o poder

08 Fev

Aos que querem limitar o poder das redes sociais e das mídias, uma boa análise sobre este “novo” poder de comunicação poder ser feito pelo livro (sem edição em português) do espanhol Manuel Castells: “Comunicación y Poder” ajuda a uma análise, uma video e uma resenha na Web apresentam uma breve introdução.

O livro é um estudo exploratório mas bastante rigoroso quanto aos fatos, que mostra novas rotas sociais abertas a partir de uma relação de comunicação e poder em mudança.

Os meios de comunicação tornaram-se áreas estratégias para o poder desde as campanhas nazistas de Hitler, e a indústria da propaganda consumista e política, mas também os jornais clandestinos da esquerda em todo o mundo, a chamada indústria cultural foi analisada pela escola de frankfurt, em especial por Adorno e Horkeimer para décadas passadas deve ser atualizada e compreendida com a internet.

Os meios de comunicação tornaram-se a área em se desenvolveram as estratégias de poder, mas, com a tecnologia atual, a comunicação de massa vai além da mídia tradicional: graças à Internet e dispositivos móveis surgiram ambientes de comunicação novos, hora com maior ou menor autonomia de massa, que mudam profundamente as relações de poder.

Manuel Castells analisa com estas mudanças que ocorreram tanto na indústria global como nos meios de comunicação, partindo de uma análise que há uma variedade de abordagens psicológicas e sociais, oferecendo uma investigação original dos processos políticos e movimentos sociais.

Aborda os acontecimentos após os atentados de 11 de de Março, em Madrid, a desinformação do público americano sobre a guerra no Iraque, o movimento ambiental global contra a mudança climática, o controle de informação na Rússia, a China, o papel da Internet em campanhas eleitorais, e na eleição de Obama, que ilustram a relação entre comunicação e poder século XXI.

O livro é de 2009, infelizmente não há uma análise da primavera árabe, mas contém uma boa na análise sobre alguns elementos novos na comunicação e sua relação com o poder.

 

Petição para impedir Renan chega a meio milhão

02 Fev

Lançada no site do Avaaz, a petição pedindo um presidente ficha-limpa para o Senado chegou a quase meio milhão de assinaturas no dia de ontem, mas a iniciativa é da Comunidade Rio de Paz.

A petição diz explicitamente: “Esperamos que os senadores do bem se posicionem como porta-vozes do povo e protestem por um presidente ficha limpa. Vamos acompanhar de perto e, caso contrário, no minuto seguinte expressaremos nosso luto cobrindo a esplanada de preto. O Senado não pode ser surdo a esta justa reivindicação do povo, com uma petição que já foi assinada por 220 mil brasileiros” (este era o número já na manhã de quinta-feira: 01/02).

A petição teve o apoio das instituições: apoio de organizações de diversos estados:

Rio de Paz; Movimento 31 de Julho; Instituto de Fiscalização e Controle (IFC); Nas Ruas; A Voz do Cidadão; Congresso em Foco; Queremos Ética na Política; Revoltados On Line; Renovadores UDF; OCC Alerta Brasil; Ong Moral; Associação Diamantina Viva; Juventude Consciente; Erga Omnes; Comitê Ficha Limpa DF; Instituto Soma Brasil; Instituto Atuação; Amarribo; Associação Contas Abertas; Oficina da Cidadania; Instituto Brasil Verdade; BH Contra a Corrupção; e Rede Abracci.

O incoerente senador Suplicy pediu que Renan renuncie mas vota nele, já o oportunista Aécio Neves (PSDB-MG) engrossou o coro contra Renan, mas não deve achar tão ruim que ele se eleja.

O nome da oposição é do senador Pedro Taques (PDT-MT) para a disputa da presidência da Casa, na eleição marcada para ontem, sexta-feira (01/02), ele une a oposição mas não tem maioria.

Resta saber como será a vida de Renan daqui para frente.

 

PEC 37 contra o combate a corrupção

23 Jan

A PEC 37 já aprovada na Câmara Federal, retira do poder judiciário a possibilidade de fazer investigações que ficam a cargo das polícias Civil e Federal.

O artigo da Constituição que será alterado é o § 10 ao art. 144 da Constituição Federal que definirá a competência para a investigação criminal pelas polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal.

De autoria do deputado Lourival Mendes do PTdoB do Maranhão, e já votado na Câmara Federal tem causado protestos em todo o Brasil, em especial é claro do Ministério Público. Veja o link do Conselho Nacional de Procuradores, em todo país diversas campanhas foram lançadas.

Neste momento em que o Ministério Público investiga diversos casos de corrupção a lei é infeliz e um golpe na democracia brasileira.

O Ministério Público do Estado de São Paulo já lançou uma campanha que conta com 27 mil assinaturas e tenta barrar no senado este golpe contra o combate a corrupção.

 

Hacker faz scraping com dados de políticos

12 Jan

Nesta última terça, um hacker divulgou telefones e endereços de José Dirceu, do deputado federal José Genoino (PT-SP) e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenados no processo do mensalão, além de Lula, Aécio Neves (PSDB), Maluf(PP), do senador Renan Calheiros (PMDB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski.

Scraping tem como possível tradução “raspagem de dados”, o termo é usado em termos digitais para descrever atividades de extrair dados de sites e torná-los mais “amigáveis” de forma que uma pessoa leiga em contabilidade e direito, por exemplo, possa entender.

O hacker, identificado como @nbdu1nder parece estar ligado ao grupo que derrubou várias páginas governamentais e de bancos em 2011 e 2012.

Entre os dados divulgados estão supostos endereços de Lula em São Bernardo do Campo (SP), Sertãozinho (SP) e Natal (RN), bem como celulares e supostas empresas pertencentes ao ex-presidente.

O Instituto Lula informou que endereços de empresas e até a própria residência do ex-presidente já são públicos, já os dados telefônicos a Folha confirmou.

Divulgar dados sem o consentimento dos proprietários é considerado crime, mesmo que sejam verdadeiros e com intensão de ajudar a transparência pública.

Enquanto isso o Cachoeira curte sua lua de mel nas praias da Bahia, e os dados públicos que o envolvem talvez nunca conheçamos de fato.

 

Habermas: entre o iluminismo e a esfera-pública

13 Dez

As questões de esfera-pública de Habermas estão ligadas à ideia que é possível pensar graças a evolução tecno-social em novas estruturas.
Habermas (1995) ao estudar Kant, no seu livro “O que é o iluminismo”, destacou o que Kant entendia pelo que era então o uso público:

“por uso público da própria razão entendo aquele que qualquer um, enquanto erudito, dela faz perante o grande público do mundo letrado. Chamo uso privado àquele que alguém pode fazer da sua razão num certo cargo público ou função a ele confiado (Kant, 1784: 13).

Será o uso desta noção kantiana de uso público da razão (veja a questão do Outro no post anterior) que é feita por indivíduos privados onde Habermas viu o que era pensado como esfera pública burguesa dos séculos XVIII e XIX.

Habermas está preocupado, ainda que faça uma crítica a Hegel com as questões do estado, orienta-se não num dilema, mas num “trilema” da razão moderna que o conduz a reconstrução da filosofia do direito contemporâneo, mas rejeita tanto uma antropologia filosófica, como uma crítica da razão à la Nietszche,

Ao adotar sua teoria da ação comunicativa, substitui tanto a razão prática (kantiana) como a teleologia positivista “dos direitos individuais” por uma razão comunicativa definida assim:

A razão comunicativa, importante neste tempo de novas mídias, difere da razão prática antes de mais por já não estar ligada ao ator individual ou a um sujeito coletivo como o estado ou toda a sociedade (Habermas, 1992: 3).

Se por um lado Habermas critica as formas de organização do estado, ao criticar Luhmann, por exemplo, de incorrer numa “fraqueza metodológica de um funcionalismo sistémico absolutizado” (Habermas, 1986b: 312), busca ainda salvar um estado que ele julga “ter em conta os efeitos laterais patológicos de uma estrutura de classes que não podem ser compreendidos apenas por recurso a uma teoria da ação” (Habermas, 1986: 303).

Mas o problema é ainda como fica a pessoa comum em todas estas coisas, agora que esta pessoa tem mecanismos (mídias) para dar visibilidade ao seu pensamento, não sem referência ao Outro, mas justamente compartilhando e colaborando com ele.

Kant, I. A Paz Perpétua e Outros Opúsculos, Lisboa, Edições 70, 1784 (1992).
Habermas, J. Between Facts and Norms: Contributions to a Discourse Theory of Law and Democracy, Cambridge, Polity Press, 1992.
Habermas, J. The Theory of Communicative Action: Reason and the Rationalization of Society, (vol. 2), Cambridge: Polity Press, 1986.

 

Mais sobre Bauman, o sujeito e as redes

30 Nov

Sobre Bauman afirmamos que o mal-estar atravessa a pessoa humana, isto porque a relação do sujeito com seus bens e com as pessoas que convive, isto é, com os objetos e pessoas que dão sentido e prazer de viver ao ser.

Neste sentido não podemos deixar de pensar nos processo de fantasias, no imaginário e até na religiosidade das pessoas sua volta, mas sem perder a capacidade de reflexão e crítica além de manter a velocidade e a mobilidade inerentes à comunicação e cultura modernas, vistas por muitos autores como “superficial”, “alinenante”, “cultura light”, “geração superficial” e outras rotulações pouco apropriadas e profundas.

Esta fantasia pode fornecer ao sujeito alguma segurança em uma época tão insegura, devolver-lhe a capacidade de pensar, sonhar, refletir, criticar e ser feliz, principalmente.

Mas este sentido da fantasia pode ser ideológico não no sentido de que nos impessa a ver o todo do real de nossa época, mas que elimine a parcialidade e o sectarismo tão presentes nestas relações.

Queremos expressar nossa opinião sobre a busca do real, nesses tempos de virtualidade, isto significa um bom questionamento da fantasia e da magia, com a tentativa de compreender o sentido de crítica ao capitalismo.

O sujeito tenta preencher seu desejo, todavia, o desejo é por definição não-preenchível, por isto vai buscar no imaginário e na relação com outro e então pode encontrar o que deseja, na “relação”. Neste contexto os bens e o dinheiro principalmente não podem ocupar o lugar do Outro, para poder retornar para si o papel daquele que preenche os desejos humanos e que pode encontrar um lugar de “relação”, de “dádiva” justamente com o Outro.

Que é esse Ser e este sujeito, fazendo uma analogia assimétrica ao Homem Vitruviano, podemos compô-lo em oito dimensões: Original (antropológica e histórica), Intencional (livre arbítrio e subjetivo),Corporal (biológica e genética), íntima (afetiva e familiar), Cultural (raças, credos e sociais), Interioridade (condicionamentos, necessidades e desejos), Material (sócio-econômico e circunstancial) e Espiritual (crenças, condicionamentos sociais e/ou políticos).

Concluímos que existe uma ligação entre o desejo e a subjetividade do sujeito com o Outro, aspecto negado em muitas filosofias e posturas atuais, e cuja dificuldade encontrada na relação do sujeito com o real pode ser tratada tanto no sentido ideológico tradicional, como através do fetichismo da relação de pessoas e com os objetos, aí sim alienantes.