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O Glamour inglês e a primavera árabe

29 abr

Enquanto sites,  milhares de pessoas se preparam para ver o casamento real britânico, no qual serão gastos com o jantar dançante para 300 pessoas em Buckingham, pago pelo príncipe Charles, e o café da manhã para 650 convidados, que mobilizará uma tropa de 21 cozinheiros, pela Rainha.

Segundo o Sunday Times, os pais de Kate Middleton gastaram cerca de 100 mil libras (113 mil euros ou cerca de R$ 260 mil) e o hotel de luxo onde a futura princesa passará sua última noite de solteira ao lado da família, que deve chegar a 20 mil libras, ou 22 mil euros (R$ 52 mil), e o vestido da noiva, que deverá custar por volta de 30 mil libras (33 mil euros ou R$ 78 mil).

Isto sem falar em segurança, arranjos, transportes, lua de mel, etc. calcula-se um total de em 5 milhões de libras, cerca de 13 milhões de reais.

William e Kate se conheceram na Universidade Saint Andrews, na Escócia, Kate (que deve levar o nome de Catherine 6ª) será a primeira monarca a ter feito curso universitário e a ter andado de lingerie em uma passarela, em uma mostra dos novos tempos da realeza britânica.

Do outro lado, passando o Continente e chegando ao Mediterrâneo no Oriente Médio, vemos uma situação totalmente oposto, um povo em luta para se libertar de tiranos e marajás.

A mídia vertical desconhece e ignora a história da inglesa,  no século XVII, a Inglaterra foi governada por Jaime I e Carlos I, monarcas da dinastia Stuart, de origem escocesa.  Jaime I assumiu o trono após a morte de Elisabeth I, que não deixou herdeiros diretos. Em 1641, uma revolta na Irlanda católica desencadeou a crise que levou à Revolução, mas o exército comandado por lideranças do parlamento retomou o controle. O Parlamento recusou-se a entregar o comando do exercito destinado à reconquista da Irlanda ao rei, por não confiar nele. O confronto entre a Monarquia e o Parlamento, agravado pelas divergências religiosas, levou ao conflito armado: teve início a guerra civil (1642-1649) – também chamada “Revolução Puritana”, a Escócia por sua vez era presbiteriana calvinista. Cavaleiros, partidários do Rei e os “Cabeças Redondas” (entre eles Oliver Cromwell), defensores do Parlamento e realistas se aliaram, eram praticamente da mesma classe social:  alta nobreza, a gentry  e a burguesia.  Mas Cromwell destronou e decapitou Carlos I, manteve uma república por nove anos (1649-1658) e depois seu filho, que não tinha a mesma força e influência no exército restaurou a monarquia dos Stuart (Carlos II e Jaime II) mas não significou a volta ao absolutismo e sim a afirmação do Parlamento como a principal força política da nação.

Em meio a crise econômica do Ocidente (anunciados hoje 4 milhões de desempregados na Espanha), com governos mais para populistas que populares, o ocidente observa as mudanças no mundo árabe, inicialmente com otimismo, mas preocupação.

De onde vem as preocupações, agora com a Síria tudo fica mais claro, pois ela foi sempre um ponto chave na demagogia e na hipocrisia ocidental, o único problema de fato era o fato de ser uma potencial aliada do Irã, o fato de serem ditadores, o atual presidente é filho de Hafez al-Assad, incomodava menos o ocidente, que fez várias tentativas de aproximação destes.

Em fevereiro de 1982, um levante de muçulmanos sunitas na cidade de Hama foi violentamente reprimido pelo pai do atual presidente, Hafez al-Assad, houveram muitas estimativas, mas acredita-se que milhares teriam sido mortos.  O ocidente ignorou.

A atual onda de protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad começou em março e se alastrou por várias cidades do país, aos poucos vai revelando uma outra face.

Os sírios fazem parte de uma aliança que reúne o Irã, os militantes do Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza, grupos opostos à paz com Israel.   Acrescente-se agora o acordo entre as facções palestinas Al Fatah e Hamas.

O mapa político do Oriente Médio está mudando, com novas forças foram liberadas, mas também haverá pressões na direção oposta, diferentemente da Líbia, a estabilidade da região está em jogo na Síria, precisamos superar o proselitismo ocidental: ditaduras e corruptos não.

 

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